Capítulo 9
Eles beberam o café em silêncio, comendo os biscoitos automaticamente. Isabella não queria falar e começar o processo de discussão de novo. Não havia mais nada a ser dito. Estava tão cansada... não era um cansaço físico como já sentira antes, mas um cansaço do espírito. Motivos e réplicas... ela os repassara em sua mente por semanas, sozinha em sua cama de hospital. Não havia nada de novo que Edward pudesse dizer que ela ainda não tivesse considerado. Estava completamente decidida.
– Vamos sair e fazer um boneco de neve.
Se Edward tivesse sugerido uma viagem à lua, Isabella não poderia tê-lo encarado com maior incredulidade.
– O quê?
– Um boneco de neve. – Ele apontou para a janela. – O hotel tem um pequeno quintal com uma árvore e alguns arbustos. Poderíamos fazer um boneco de neve. – Ele sorriu. – Vamos viver perigosamente. O que me diz?
– Não poderíamos. – Ela balançou a cabeça. – Estão todos dormindo. O quintal provavelmente estará trancado. Eles não nos permitiriam.
– Haverá alguém na recepção. – Ele ajudou-a a se levantar. – Eu gostaria de tomar um pouco de ar fresco.
Ela também gostaria. Os meses que passara trancada nos confins antissépticos do hospital haviam sido sufocantes.
– Pensarão que somos loucos.
– Eles têm direito a uma opinião. – Edward deu-lhe um beijo breve. – Vista roupas quentes. A menos que – ele pausou, como se tivesse se lembrado de algo –, você esteja muito cansada.
Ele queria dizer a menos que as pernas dela estivessem doloridas, pensou Isabella. E estavam, um pouco, mas nem a metade do que tinham doído no hospital, quando não houvera no que pensar, exceto em como se sentia.
– Eu não estou cansada.
– Então vamos. Construiremos nosso próprio homem de neve para a posteridade.
– Detesto ter de lembrá-lo, mas derreterá em alguns dias.
– Ah, mas a lembrança não derrete – disse ele, enquanto caminhavam para seus respectivos quartos. – Eu, por exemplo, acredito que todos os bonecos de neve criam vida, assim que são deixados a sós. Ele fará o melhor que pode em sua breve jornada aqui.
– Você é louco – murmurou ela, rindo. Aquilo não era nada típico de Edward. – Completamente louco. Sabia disso?
– Não. Estou apenas agradecido. – A voz dele ficou séria de repente. – Há poucos meses, aconselharam-me que eu me preparasse para o pior, na noite em que você foi levada para o hospital. Esse tipo de experiência tem um modo de fazer você separar o que é importante na vida e o que não é. Você acha que está tudo sob controle, que tem o futuro traçado, e então percebe que tudo pode mudar num instante. Nós, seres humanos, somos muito frágeis. Quebramos com facilidade.
– Especialmente em uma briga com um caminhão. – Isabella comentou secamente, sem querer continuar naquela rota. – Há algo de bom no passado, quando havia apenas cavalos, carroças e nossos pés. Uma roda sobre seu pé não teria sido tão ruim.
– Suponho que não. – Ele sorriu, um brilho de divertimento nos olhos. – Apesar de eu já ter sido chutado por um cavalo quando criança, e não é nada agradável. Fiquei semanas com hematomas.
Havia tantas coisas que ela não sabia sobre ele. Por que subitamente era tão importante que ficasse sabendo sobre um incidente da infância de Edward, Isabella não sabia, mas, na verdade, era. Ela virou-se, entrou em seu quarto e vestiu rapidamente várias camadas de roupas.
Os empregados do hotel pensariam que eles tinham perdido a razão, pensou, enquanto finalmente vestia o pesado casaco, gorro e cachecol de lã. Mas era bem melhor que as muitas noites no hospital, quando observara cada hora se arrastar enquanto o resto do mundo dormia. Tudo era tão escuro nas primeiras horas, quando você está completamente acordada e com dor. Tão sem esperança e assustador.
Talvez tivesse pensado demais? Isabella assentiu mentalmente. Mas como desligar sua mente quando o sono não vem? Ela recusara as pílulas para dormir; havia tomado medicamentos o bastante nos primeiros dias.
Então pare de pensar agora. O que era mesmo que aquela pequena enfermeira irlandesa costumava dizer? Oh, sim. "Siga o fluxo. " E se o fluxo esta noite era comportar-se como criança, então que assim fosse.
Edward a estava esperando quando ela saiu do quarto e, uma vez no elevador, ele beijou-lhe a ponta do nariz.
– Você parece ter dez anos com este gorro. – Ele deu um peteleco nos pompons. Ela sorriu. Edward estava lindo de morrer.
– E isso é bom ou ruim? – perguntou ela, abertamente pedindo um elogio.
– Oh, bom... definitivamente bom. Eu imaginei que você pudesse mudar de ideia sobre o boneco de neve, para ser honesto. – Ele sorriu. – Você sempre preza a atitude de agir na segurança e não arriscar. Não achei que ousaria encarar os funcionários do hotel.
Ela prezava? Provavelmente. Outro fantasma da infância que trouxera ao seu mundo adulto. Sua avó definitivamente pertencera ao velho grupo que acreditava que crianças deveriam ser observadas e não ouvidas. Parte do que a atraíra em Edward no começo tinha sido a recusa absoluta dele de aceitar limites.
– A vida é o que você faz dela – dissera ele certa vez. – E para vencer, você tem de pega- lá pelo pescoço algumas vezes e forçá-la a se submeter. Rolar e se fingir de morto não a levará a lugar algum.
Isabella não soubera se concordava com ele na época, mas nesta noite sabia que concordava.
– Fazer um boneco de neve não é comparável a escalar o Everest ou desbravar a Amazônia, é?
– É tudo relativo – declarou ele firmemente. – O boneco de neve de um homem é o Monte Everest de outro.
As portas do elevador se abriram para a recepção, e Edward pegou-lhe a mão, conduzindo-a para o balcão onde um porteiro e uma recepcionista estavam sentados. Eles pareceram surpresos.
– Posso ajudá-lo, senhor? – Perguntou a recepcionista. Edward sorriu docemente.
– Queremos fazer um boneco de neve – respondeu ele. – No seu quintal. Suponho que tudo bem?
A recepcionista piscou, mas se recuperou quase que imediatamente. Ela sabia quem era Edward Cullen, e o fato de que ele estivesse hospedado no hotel com sua pobre esposa que quase morrera naquele horrível acidente, três meses atrás, causara certo alvoroço. O gerente havia deixado bem claro que o que quer que o sr. e a sra. Cullen quisessem, eles deveriam ter.
– Certamente, senhor – replicou ela, educadamente. – Michael destrancará a porta para o quintal. Há mais alguma coisa que precisam para – a pausa foi brevíssima – construir o boneco?
Edward considerou por um momento.
– Um chapéu E um cachecol seriam perfeitos. E talvez uma cenoura e algo para os olhos. Oh, e alguma coisa que sirva como botões.
A recepcionista assentiu eficientemente, e Isabella teve de morder o lábio para impedir a risada. Esta seria uma história e tanto para a recepcionista do outro turno. O milionário excêntrico no seu máximo.
Quando o triste Michael os acompanhou ao quintal que estava coberto com três ou quatro polegadas de neve, já tinha parado de nevar. A noite estava gelada, mas fresca e animadora.
– Vou providenciar os itens que pediu, senhor – disse o porteiro, obviamente entusiasmado. – Os achados e perdidos devem ter um chapéu e um cachecol. Nesses dias de "politicamente correto" seria melhor perguntar se o boneco é homem ou mulher. Eu não gostaria de presumir o gênero.
Edward sorriu.
– Acho que faremos um de cada. Que tal?
– Certo, senhor.
Quando o homem saiu, Isabella olhou para Edward.
– Eles acham que somos malucos. Sabe disso, não é? Ele sorriu largamente.
– Prefiro peculiares e incomparáveis... e por que não deveríamos aproveitar? Tivemos muitos invernos molhados e tristes neste país. Este é – ele pausou, encarando o céu escuro e a árvore branca congelada, embelezada pelo cobertor de neve brilhante – especial. Uma noite em um milhão, você não acha?
Ele estava certo. A noite toda fora especial, comovente e insuportavelmente preciosa. Isabella puxou mais as luvas.
– Vamos começar – sugeriu ela, rezando para que ele não tivesse notado as lágrimas se formando em seus olhos. – Nossa prole está esperando para nascer.
Ela desejou não ter dito aquilo, no momento em que as palavras saíram de sua boca. A frase sugeria uma permanência que não poderia existir. Mas Edward não pareceu perceber, e logo ficaram ocupados com o trabalho manual. Era um trabalho difícil, mas divertido, e Isabella não achava que rira tanto em anos. O porteiro retornou com os itens que eles haviam solicitado e permaneceu para ajudar um pouco.
Eles ficaram sabendo que ele tinha esposa, oito filhos e 24 netos, e que, em todo Natal, a grande família se reunia para o almoço e o jantar.
– É um caos – contou ele alegremente. – Um caos absoluto. Mas a patroa só fica verdadeiramente feliz quando sua ninhada está por perto. Algumas mulheres são assim, não são? Mães naturais.
Isabella sorriu e assentiu, mas as palavras tocaram num ponto que a vinha incomodando há algum tempo. Antes do acidente, assumira que, em algum momento, ela e Edward acabariam tendo filhos, mas tinha ficado satisfeita em colocar a ideia de lado. O ato de trazer uma criança ao mundo era uma enorme responsabilidade, e ambos os pais precisavam estar preparados, ou aquilo poderia causar um estrago entre o casal.
Como tinha acontecido com os pais dela. Seu pai partira sem nem mesmo ver a filha, abandonando a mãe porque ele não fora capaz de crescer o suficiente para ser pai e marido. E ela sabia que seu avô havia culpado sua avó de estar tão ocupada com a filha que o negligenciara. Sua própria avó lhe contara isso. Então, numa parte escondida sua, Isabella se convencera a não ter filhos. Essa era a verdade.
Ela parou o que estava fazendo e olhou para Edward. E agora, a única coisa contra a qual decidira era um tormento pelo que tinha perdido. Queria os filhos dele. Por que não percebera isso antes que fosse tarde demais? Por que não tinha enfrentado alguns desses assuntos e falado sobre eles? E como podia ter ficado tão confusa por tanto tempo sem saber?
– O que foi? – Edward estivera ocupado, rolando uma cabeça para o primeiro boneco, mas agora estava ereto. – Qual é o problema?
Isabella saiu da tormenta de seus pensamentos, forçando um sorriso.
– Nada. Estava apenas imaginado o que aquelas meninas que encontramos mais cedo dirão quando virem nosso casal de bonecos de neve pela manhã. Talvez devêssemos fazer dois pequenos também. Elas gostariam. Uma família de neve, como elas.
Os olhos verdes se estreitaram, como faziam quando ele sabia que ela estava mentindo, mas, com outra pessoa presente, Edward não aprofundou o assunto, e logo estavam dedicados ao trabalho novamente. O porteiro foi buscar bebidas quentes, e os dois trabalharem sob o ar limpo como cristal.
Levou duas horas e várias xícaras de chocolate quente providenciadas pelo amável Michael, mas, no final, a família de neve ficou pronta.
A recepcionista veio dar uma olhada e sorriu para as quatro figuras.
– Estão lindas – elogiou ela, bocejando. – Especialmente as crianças. Pena que não vão durar para sempre.
Edward sorriu.
– Obrigado por providenciar os itens necessários. – Ele virou-se para Michael. – E espero não termos atrapalhado nenhum assunto mais importante.
O porteiro retribuiu o sorriso.
– O que poderia ser mais importante que uma família no Natal? Mesmo que ela seja de neve – murmurou ele em voz baixa. – Feliz Natal, senhor e senhora.
Os funcionários voltaram para o calor, deixando-os para admirar o trabalho por alguns momentos.
Edward pegou o braço dela.
– Vamos voltar para dentro.
Embora seu rosto estivesse rosado, Isabella não sentia frio, e descobriu que não queria que o momento mágico acabasse. Era Natal e, mais tarde pela manhã, ela sairia da vida de Edward para sempre. O rompimento teria de ser conclusivo, limpo e assertivo. Não poderia haver almoços civilizados no futuro e nada daquele cenário de continuarmos bons amigos.
As últimas horas haviam mostrado isso.
Edward era irresistível. Estar com ele era desejá-lo de todas as maneiras possíveis, portanto, a única opção era remover a tentação de uma vez por todas. Era bem simples, na verdade.
Quando entraram no perímetro aquecido do hotel, Isabella tremeu convulsivamente, mas o frio repentino estava mais em sua essência do que na mudança de temperatura. A noite terminaria em breve.
– Você está gelada. – A voz de Edward soou preocupada. – Ficamos lá fora tempo demais. Eu não estava pensando. Prepararei um banho quando voltarmos para o quarto. Precisa se aquecer.
– Não. Está tudo bem. – Como você dizia ao homem amado que o estava deixando? Talvez não dissesse. Talvez a melhor coisa fosse apenas desaparecer quando tivesse oportunidade. Evitaria o trauma do último adeus. Covarde. A acusação gritou em sua mente. Ela era covarde. Se não fosse, arriscaria ficar para ver o que aconteceria.
Eles alcançaram o elevador, e quando a porta estava se fechando, Edward abraçou-a pela cintura.
– Ambos estamos gelados – murmurou ele com voz rouca. – Que tal um banho a dois, como nos velhos tempos?
O coração de Isabella disparou, mas, em meio ao pânico, algo ficou claro. Ela não podia mais se esconder. Precisava acontecer para que ele pudesse aceitar o que ela vinha tentando dizer. Ele precisava vê-la como ela era agora... com cicatrizes e tudo mais. Isabella tivera a ideia romântica de deixá-lo com a imagem de como ela fora..., mas Edward jamais a deixaria partir, se ela não se despisse de tudo. Literalmente. Isso era essencial. Mas, por favor, não me deixe ver o rosto dele quando olhar para mim, adicionou ela em silêncio. Ela não aguentaria.
– Seu quarto ou o meu? – Ela sussurrou, mantendo a voz calma.
– Você escolhe – disse ele ternamente.
– O seu. – Assim ela poderia sair e encontrar abrigo em seu próprio quarto quando precisasse. Rota de fuga.
Edward beijou-a longa e firmemente na boca. Eles ainda estavam se beijando quando a porta do elevador abriu e ele conduziu-a para a saleta da suíte.
– Vamos tirar estas roupas molhadas de você. – Ele ajudou-a a se livrar do casaco, gorro e luvas encharcadas, antes de remover os seus. Então, pegou-lhe a mão fria e a conduziu ao quarto sem falar.
Edward foi até o banheiro e ligou o chuveiro. Quando voltou ao quarto, Isabella estava parada exatamente no mesmo lugar onde ele a deixara, seus membros congelados de medo e vergonha diante da ideia de se despir.
– Agora vamos deixá-la aquecida de novo. – Ele removeu o jeans, a camiseta e o suéter, ficando nu diante dela e completamente à vontade. Edward sempre se sentira muito confortável com seu próprio corpo, o que não facilitava a situação atual.
Isabella não sabia se ele tinha noção dos sentimentos dela, mas ele não tentou despi-la, como ela esperava. Em vez disso, voltou para o banheiro, falando por sobre os ombros:
– Junte-se a mim quando estiver pronta. Vou me cerificar de que a água não está quente demais.
Ela permaneceu imóvel por um momento, depois começou a se despir com rapidez antes que perdesse a coragem. O quarto estava fracamente iluminado, mas a luz do banheiro era mais forte, mais implacável. Assim que se despiu, Isabella forçou-se a dar alguns passos em direção ao banheiro, suas pernas endurecidas. Acabe logo com isso, disse a si mesma.
Edward estava debaixo do chuveiro, de costas para ela. Isabella entrou no Box e ele se virou imediatamente, passando os braços a sua volta. Ele já estava aquecido, e a pele dela pareceu congelada em comparação.
– Aqueça-se um pouco primeiro – murmurou ele, enquanto massageava suas costas e ombros. – Vai se sentir melhor. Está congelada.
Abraçados com estavam, Isabella sentiu que o tempo parou por um instante. A água batia principalmente em Edward, e depois de alguns momentos, ele a virou para que a água atingisse a parte de trás de sua cabeça. Pegou o gel de banho, colocou um pouco nas mãos e ensaboou os ombros e braços dela.
Seus nervos estavam retesados como cordas de piano e ela não conseguia reagir. Edward a virou novamente, seus longos dedos espalhando a espuma branca pelos seios, em carícias lânguidas e vagarosas para que ela ficasse excitada e.… apesar de seu coração acelerado... Isabella sentiu os mamilos enrijecerem sob o toque. Sentindo a reação dela, ele envolveu os seios com as mãos, circulando os bicos com os dedos até que estivessem inchados e doloridos, e ela tivesse de morder o lábio para conter o gemido alto. Ele era muito bom nisso.
– Tão deliciosa – Edward murmurou roucamente, beijando-lhe os olhos, o nariz e os lábios. – Sentindo-se mais aquecida?
Incapaz de falar, Isabella conseguiu assentir. Sua mente foi tomada por lembranças do passado, quando eles tomavam banho juntos... momentos íntimos e preciosos.
Olhando-a fixamente, Edward ensaboou as mãos outra vez e deslizou-as pela barriga, e depois, pelo traseiro de Isabella, enquanto a movia sensualmente em direção à sua ereção. Ela sabia que ele deveria ter sentido as cicatrizes na base de sua coluna, mas ele não parou até encontrar os cachos dourados no alto das coxas.
Ela começou a relaxar aos poucos, a água quente e as carícias dele trazendo um prazer que apagava o medo. As piores cicatrizes estavam gravadas no topo de suas pernas, mas ele não conseguiria ver enquanto elas estivessem bem fechadas. No momento, era isso que importava. A hora chegaria, mas ainda não.
Isabella alcançou o gel de banho e sussurrou com voz suave, não vendo a hora de deslizar as mãos pelo corpo másculo.
– Minha vez.
– Fique à vontade. – A voz estava grossa de paixão e o corpo poderoso demonstrava o quanto ele a queria.
Isabella começou ensaboando os pelos do peito largo, espalmando as mãos sobre os mamilos, acariciando-os devagar, enquanto observava a reação dele. Não se apressou, adorando a sensação de tocá-lo, e quando suas mãos escorregaram mais para baixo, os músculos da barriga reta se contraíram. Então ela encontrou a masculinidade rija, fazendo com que ele ofegasse.
– Meu Deus, Bella – murmurou ele com voz rouca.
– Eu não terminei – protestou ela fracamente, desejando-o tanto quanto ele a desejava, e sabendo que também não podia mais esperar.
– Querida, eu aprecio o fato de achar que sou controlador, mas acredite, conheço minhas limitações. – Desligando o chuveiro, Edward conduziu-a para fora do boxe, pegando duas toalhas e envolvendo Isabella com uma delas. A outra passou ao redor de sua cintura.
Puxou-a para o quarto escuro, envolvendo-a em seus braços e a beijando avidamente. As toalhas escorregaram de seus corpos quando eles caíram na cama. Os corpos ainda estavam molhados, os cabelos pingando, mas nada importava, além de satisfazer o desejo ardente.
As mãos de Edward se moviam pelo corpo de Isabella fervorosamente, seus lábios encontrando a pulsação no pescoço dela, a saliência inchada dos seios e bicos entumecidos, a pele aveludada da barriga. Quando ele a preencheu, seus corpos se moveram num ritmo perfeito, fazendo crescer a sensação mútua, até que a investida final os levou girando para outro mundo... um mundo de puro êxtase. Isabella agarrou-se a ele sem querer que o momento acabasse e sabendo que seria a última vez que ficariam assim.
– Eu amo você. – Ele se moveu de leve, aliviando-a de seu peso, mas ainda mantendo os braços a sua volta. Acomodou-se ao seu lado e puxou o edredom.
– Eu amo você. – Ela conseguiu falar com sinceridade, mas sua voz estava grave, sabendo que o perderia. – Muito. Lembre-se sempre disso.
Edward adormeceu rapidamente e, embora estivesse exausta, Isabella não conseguiu apagar. Ficou deitada nos braços fortes, aproveitando a proximidade enquanto seus pensamentos a torturavam. Eles tinham feito amor pela segunda vez, e ele ainda não tinha visto o que o caminhão fizera com o corpo perfeito que ele tanto adorava. Ela pensara que o momento chegara, e, embora ficasse aterrorizada, havia sentido alívio também. Mas o momento ficara suspenso mais uma vez.
Isabella estremeceu, e o movimento sutil fez com que Edward apertasse o abraço, mas após outro momento, ela livrou-se cuidadosamente dos braços dele e saiu da cama. O quarto estava quente, e seus cabelos, quase secos, mas novamente sentiu um tremor.
Ela deixou o quarto de Edward silenciosamente e encontrou o caminho para seu próprio quarto, pegando suas roupas. Vestiu calça justa e uma blusa comprida, prendeu os cabelos num rabo de cavalo. Andou até a janela e olhou para fora.
Eram cinco horas da manhã de Natal. Em pouco tempo, as crianças do país inteiro estariam acordando para ver o que o Papai Noel trouxera. As casas ficariam repletas de excitação e barulho, e, mais tarde, as famílias se reuniriam para o almoço de Natal. Mães estariam ocupadas com seus afazeres na cozinha e os pais bancariam os anfitriões, servindo bebidas aos convidados e avós que chegariam com presentes extras.
Era um dia de alegria e exaltação, de beber e comer muito, de jogos bobos e assistir televisão. Era o modo normal das pessoas se comportarem... apenas ela nunca tinha tido aquela experiência quando criança. Sua avó agia como nos velhos tempos. Apenas uma meia, pendurada na lareira contendo uma laranja, uma pequena quantia em dinheiro e um brinquedo também pequeno. O resto do dia de Natal era um dia como outro qualquer, apenas comiam peru no almoço, com pudim de sobremesa. Passavam o dia, sozinhas, e Isabella não conseguia se lembrar de nenhum cartão de Natal. Com certeza não havia decorações nem árvore de Natal. Depois da morte da avó, ela fora convidada para o Natal com amigos e ficara maravilhada com a excitação, com o simples prazer que todos tinham naquele dia. Fora uma revelação do que o Natal poderia ser.
Por que estava pensando sobre isso agora? O passado era passado e não adiantava nada duelar com isso. Sua avó havia feito o melhor que pudera, e Isabella sempre soubera que ela a amava do seu jeito. Tivera sorte comparada a outras pessoas. Edward, por exemplo.
Ela se moveu impacientemente, de súbito, percebendo por que seus pensamentos haviam tomado aquela direção. No fundo, sabia que Edward era sua chance de experimentar o que as outras pessoas chamavam de vida em família. Uma parte sua esperava que eles pudessem criar seu próprio mundo dentro do mundo... um lugar onde crianças poderiam nascer e ser amadas e protegidas. Onde tudo que faltara a ambos em suas infâncias pudesse ser ofertado a seus bebês. Ela tivera esperanças, mas não convencera a si mesma apropriadamente.
E jamais acreditara que fosse boa o suficiente para ele. Então evitara o compromisso total, esperando, subconscientemente, pelo momento em que a bolha explodiria. Estivera sempre lutando por uma perfeição inatingível, e, embora Edward a tivesse tomado como esposa e a amado, Isabella não sentia que era a melhor pessoa para ele.
Talvez, se ela tivesse conhecido seus pais, as coisas fossem diferentes... sua mãe pelo menos. Sempre sentira que havia muita coisa que não sabia sobre seus antepassados, e sua avó não falava muito sobre nada. Até mesmo a viagem mais breve ao passado trazia tanta amargura e dor que ela não queria pressionar a avó a contar mais. Então crescera imaginado, sem nenhuma resposta, como eram as pessoas que tinham lhe dado vida.
Isabella fechou os olhos e balançou a cabeça devagar. Nada disso era realmente relevante ao que estava enfrentando agora. Com 27 anos, ela era adulta e precisava seguir em frente. Precisava deixar Edward... ir para longe, conseguir um emprego e um meio de vida sozinha.
Ela abriu os olhos, sentindo como se as paredes do quarto a estivessem pressionando. Sempre detestara espaços pequenos. Isso tinha feito parte do pesadelo de estar hospitalizada... a sensação de confinamento absoluto. Precisava sair e andar. Era o único modo de conseguir pensar.
Não hesitou. Pegando um par de meias de sua mala, calçou as botas ainda úmidas, o gorro, o cachecol e o casaco. Deixou as luvas. Estavam tão ensopadas que não seriam muito úteis.
Abriu a porta e encontrou o caminho até o elevador. Quando as portas se abriram para a recepção, seu coração estava acelerado. Ela não sabia o que diria a Michael e à recepcionista. Todavia, por sorte, Michael não estava em nenhum lugar visível, e a recepcionista estava ao telefone. Ela atravessou o saguão rapidamente, dando um suspiro de alívio ao chegar à rua.
O frio tirou seu fôlego, mas ela continuou. A neve acumulara dos dois lados da calçada, formando um caminho no meio, e Isabella não teve nenhuma dificuldade em alcançar a rua principal. Não esperava trânsito, sendo manhã de Natal, mas a cidade já acordara, e havia poucas pessoas caminhando e alguns carros nas ruas.
Isabella caminhou sem ideia clara de onde estava indo. Apesar de tudo, uma sensação de entusiasmo a percorreu. Era a primeira vez que saía sozinha desde o acidente, e a independência era poderosa.
Embora ainda estivesse escuro, as luzes da rua, combinadas ao efeito da neve, iluminavam os arredores perfeitamente bem. Ela puxou o gorro para cima das orelhas e seguiu em frente, imaginando por que não estava cansada. Sentira-se exausta na tarde de ontem, e novamente no táxi a caminho do hotel, mas agora sentia como se pudesse caminhar por quilômetros.
Apesar de ter saído para considerar sua posição com Edward e o que faria, ela não estava pensando. Simplesmente respirava o ar gelado, maravilhando-se com a sensação do ar matinal em sua pele.
Estava viva. Não havia morrido debaixo das rodas do caminhão, e não ficara presa a uma cadeira de rodas. Tivera muita sorte. Edward estava certo, e o Dr. Carlisle também, quando tinham dito que ela estava bem melhor que outros pacientes do hospital.
Possivelmente, meia hora mais tarde, Isabella percebeu que precisava se sentar um pouco. Agora que a primeira onda de exaltação passara, a exaustão tomou seu lugar. Dr. Carlisle a alertara sobre exagerar no início. Parecia que ele a conhecia melhor do que ela mesma... o que não era difícil.
O Hide Park estava à sua esquerda, as árvores, uma visão da beleza do Natal, com sua manta branca brilhante, mas, decidindo que seria mais sensato permanecer na avenida principal, Isabella resistiu ao impulso de entrar no parque.
Limpou a neve de um banco com vista para o parque e sentou-se.
Um jovem casal passou abraçado. Eles sorriram para Isabella, e a garota desejou-lhe feliz Natal.
Provavelmente ainda não tinham voltado para casa de alguma festa de véspera de Natal. De súbito, Isabella sentiu-se muito velha diante do rosto despreocupado do casal.
Ela nunca realmente frequentara festas... não até conhecer Edward. Sua avó não aprovava o que chamava de "frivolidades sem sentido", e mesmo na escola de dança e nos anos seguintes, ela preferira gastar seu tempo livre praticando sua dança.
Não. Isso não era inteiramente verdade. Isabella franziu o cenho diante do pensamento. Sempre se sentira culpada ao considerar sua ida a festas, sabendo do sacrifício que sua avó fazia para conseguir o dinheiro para que ela segue a carreira de dançarina escolhida. Além do mais, ela se sentia invariavelmente um peixe fora d'agua e tentava se esconder em algum canto sempre que era convencida a acompanhar uma amiga a alguma reunião. Por isso não recebia muitos convites. Nunca se sentira muito capaz de agir naturalmente.
Então Edward entrara em sua vida, virando-a de ponta-cabeça e desafiando todas as regras com as quais ela vivera. Coração de Isabella acelerou em pânico, mas ela não estava certa se por causa da ideia de tê-lo deixado ou pelo fato de ter sido tão burra por não ter aproveitado ao máximo as últimas horas em que estivera ao lado dele, quando ainda podia tocá-lo. Por que estava sentada em um banco no meio de uma rua londrina, quando podia ainda estar nos braços dele? A vida era tão curta.
Ela permaneceu sentada e o pânico foi sumindo gradativamente. Estava ali porque precisava pensar. Estivera pensando sem parar desde o acidente, mas não sem emoções. Estivera abalada até a alma, e tudo em sua vida fora sacudido.
Talvez tivesse sido melhor se tivesse se permitido chorar, soluçar toda sua frustração e dor pelo que o acidente havia lhe tirado, mas aprendera logo que chorar perturbava os enfermeiros. Ela supunha que aquilo tirava o poder deles também, causando-lhes a sensação de que não estavam fazendo seu trabalho, e, porque todos haviam sido maravilhosos, ela reprimira seu sofrimento e seguira com o processo de reconstruir seu corpo. Pelo menos os satisfizera.
Quantas vezes se perguntara por que ela? Por que a única coisa em que era boa na vida lhe fora roubada? Mas era inútil pensar assim. Nem mesmo era verdade. Estava começando a enxergar isso.
Isabella estava ficando com frio, mas continuou sentada com os pensamentos girando na cabeça. Dançar tinha sido sua vida, mas não significava que ela não seria boa em outra coisa que tentasse. Embora não pudesse mais dançar, poderia dar aulas. No fundo, sempre se imaginara fazendo isso um dia. Mas achou que acabaria fazendo naturalmente, e não que a atividade lhe fosse imposta repentinamente pelo destino. Mas para que lutar? O acidente acontecera. Fim da história.
E Edward? Será que ele poderia se encaixar nessa nova vida?
Uma coisa era decidir que o casamento acabara em um ambiente hospitalar, onde a vida era regida pela rigidez da instituição. Outra era fazer o mesmo na presença de Edward. Dançar fora uma parte vital de sua vida, mas Edward... Edward havia sido sua vida. Desde o primeiro encontro, eles tinham gostado da companhia um do outro mais que tudo, e o lado íntimo da relação deles fora tudo que ela poderia querer e mais. Ele era carinhoso no dia a dia também, sempre enviando mensagens para dizer que estava pensando nela e saindo do trabalho para almoçar com ela, quando Isabella menos esperava.
Sua mente continuou resgatando lembranças. Fazer amor até o amanhecer. Andar na praia à meia-noite na casa em Madeira. Edward no fogão, cozinhando nu. A lista era interminável, e depois de ter mantido as rédeas curtas em sua mente pelos últimos meses, ela não era mais capaz de conter a maré. Simplesmente permaneceu sentada, deixando a espiral de emoções dominá-la, até que ficou difícil respirar e o dia começou a amanhecer.
Um novo dia estava nascendo, mas Isabella estava ancorada ao passado, e, apesar dos pensamentos corajosos sobre o futuro, ela não conseguia enxergar um caminho que incluísse Edward. A vida deles estivera em evidência, e, por conta de quem ele era e dos negócios que construíra tão ardorosamente, continuaria assim. E algo fundamental mudara nela.
Eles poderiam funcionar com um casal, com Edward continuando sua vida normalmente e ela vivendo a sua de maneira totalmente distinta? Separados, não apenas pelo trabalho, mas na vida social também? Ela achava que não. Era a receita do desastre.
Portanto, continuou sentada debaixo do céu branco pérola, uma pequena figura solitária encolhida em seu banco.
Boa noite, meninas!
Faltam mais três capítulos para o final da fanfic, que será segunda-feira conforme o cronograma, e a Bella ainda tá com graça kkk Não fiquem com raiva, ela vai tomar a decisão certa. No próximo capítulo uma desconhecida vai abrir os olhos dela...
arqdayse: Tenho que admitir que quando li pela primeira vez, fiquei com vontade de dar uns chacoalhões na Bella kkk Obrigada pelo review, beijoss ;D
Rosangela Pattz: Bella não sabe a sorte que tem, fica pensando demais, se o Edward amasse 1% a menos, acho que desistiria. Obrigada pelo review kkk ;*
Guest: Muiito obrigada pelo carinho. Charlie Putt é tudo de bom, não é? Conheci ele através do feat. que ele fez com a Selene Gomez ano passado. Ouvi a musica, achei que tem muiito a ver com a história, fico feliz que esteja gostando.
Até amanhã!
