NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! DOIS
Pronto, ela falara. Aceitara o desafio dele e respondera com o seu.
Durante o silêncio que se seguiu, Hinata pôde literalmente ouvir as batidas do próprio coração, enquanto prendia a respiração esperando que Gaara recusasse sua exigência. Porque sabia que ele recusaria, e assim seria obrigado a recuar e aceitar que o lugar dos meninos era com ela.
Podia perceber pela expressão no rosto de Gaara que sua exigência o chocara, embora ele fosse rápido em disfarçar sua reação.
Casamento, pensou Gaara rapidamente, tentando avaliar suas opções. Ele queria os filhos. Não tinha dúvidas disso, nem de que os meninos eram seus. Casar com a mãe deles lhe daria certos direitos sobre os gêmeos, mas também daria a Hinata certos direitos sobre a fortuna dele. E aquilo, é claro, era exatamente o que ela queria: um casamento rápido, seguido por um divórcio tão rápido quanto e um generoso acordo financeiro. Era tão fácil ler a sua mente... Mesmo assim, Hinata o pegara desprevenido, embora Gaara dissesse a si mesmo que deveria ter contado com uma exigência dessas. Afinal, era um homem muito rico.
— Devo aplaudir seu tino para os negócios — ele falou secamente. — Rejeitou a minha oferta inicial de um pagamento generoso, sob a alegação de ser uma mãe devotada, mas na verdade já estava planejando uma aposta mais alta.
— Isso não é verdade! — negou Hinata, inflamada e surpresa com o modo como ele interpretara sua exigência. — Seu dinheiro não significa absolutamente nada para mim, Gaara — ela continuou, acrescentando ainda: — E nem você. Mas não vou deixar que meus filhos cheguem perto de você a menos que eu esteja junto.
— Esse é o modo como você se sente, mas como eles irão se sentir? — Gaara a pressionou. — Uma boa mãe jamais se comportaria de modo tão egoísta. Ela poria os interesses dos filhos à frente de tudo.
Hinata teve de reconhecer que Gaara era rápido em virar o jogo. O que começara como um desafio a ele, que ela estava certa de que o faria recuar, transformara-se em uma faca de dois gumes, que ele agora empunhava com talento contra ela, tirando-a rapidamente de um terreno que considerara seguro.
- Eles precisam da mãe... — Hinata começou a dizer.
— Eles são meus filhos — Gaara a interrompeu, irritado. — E pretendo tê-los comigo. Se tiver de me casar com você para facilitar as coisas, então assim será. Mas não tenha dúvidas de que pretendo ter meus filhos, Hinata.
A resposta de Gaara a pegou de surpresa. Ela esperava que ele recusasse seu desafio, que recuasse, fosse embora e a deixasse sozinha... qualquer coisa, menos se casar com ela. Gaara acreditara e seu blefe e a deixara sem escolha.
Agora Hinata percebia algo que não percebera antes. Gaara realmente queria os meninos e estava determinado a tê-los.
Um casamento com Gaara, que era a última coisa que ela queria, agora se transformara em uma proteção da qual Hinata era forçada a admitir que precisava se quisesse mesmo ter um lugar permanente na vida dos filhos, o que até então tomava como certo.
Casar com Gaara não garantiria apenas um pai para seus filhos, reconheceu Hinata, com um pânico crescente, mas também protegeria seus direitos de mãe. E enquanto os dois estivessem casados, os gêmeos teriam o pai e a mãe cuidando deles.
O pai e a mãe... Hinata engoliu com dificuldade. Afinal, não passara diversas noites em claro, preocupando-se com o futuro dos filhos e com o efeito que poderia ter sobre eles não terem uma figura paterna?
Mas não iria desistir! Lutaria com todas as suas forças pelos filhos.
Hinata ergueu a cabeça e falou com determinação:
— Muito bem, então. A escolha é sua, Gaara. Se realmente quer os meninos porque são seus filhos e porque deseja conhecê-los e ser parte da vida deles, então terá de concordar que separá-los de mim acabaria por infligir às crianças um enorme dano emocional. E também deve compreender, assim como eu, por mais que isso o irrite, o quanto é importante para as crianças saberem que têm o pai e a mãe por perto, para cuidar deles. Sempre. Está preparado para fazer o mesmo sacrifício que farei para garantir essa segurança a eles casando-se comigo?
— Sacrifício? — retrucou Gaara. — Sou bilionário. Não acredito que haja muitas mulheres que considerariam como um sacrifício ter de se casar comigo.
— Você é muito cínico — falou Hinata. — Pois saiba que há um bom número de mulheres que ficaria chocada com o que você acaba de dizer; mulheres que colocam o amor antes do dinheiro, mulheres como eu, que colocam os filhos antes de qualquer outra coisa e que fugiriam de um homem como você. Não quero o seu dinheiro e estou disposta a assinar um documento deixando isso bem claro.
— Oh, mas você fará isso. Não tenha a menor dúvida — Gaara a assegurou, rispidamente. Aquela mulher realmente esperava que acreditasse em suas mentiras e em seu falso desinteresse pelo dinheiro dele? — Não há a menor possibilidade de eu abandonar meus filhos aos cuidados de uma mãe que logo poderá não ter nem um teto sob a cabeça, uma mãe que precisará apelar para a caridade para alimentá-los e vesti-los, uma mulher que se vestia como uma vagabunda e que se ofereceu para um homem que sequer conhecia.
Hinata se encolheu como se ele a houvesse agredido fisicamente, mas conseguiu responder rapidamente. — E você era muito melhor do que eu? Ou o simples fato de ser homem e eu mulher de alguma forma significa que meu comportamento foi pior do que o seu? Eu era uma menina de dezessete anos, enquanto você já era um homem adulto. ,
Uma menina de dezessete anos. Furioso por ela tê-lo recordado disso, Gaara reagiu instintivamente.
— Com certeza você não estava vestida como uma colegial ou como uma menina inocente. E foi você quem se ofereceu a mim, não o contrário.
E agora ele se via forçado a se casar justamente com ela, quando na verdade nunca quisera se casar com mulher alguma.
O que assistira do casamento dos pais, a amargura e o ressentimento entre eles, fora o bastante para que jurasse jamais se casar. E esse juramento fora a causa da discórdia entre ele e o avô, um déspota que achava que tinha o direito de negociar os membros de sua família em um casamento como se fossem apenas mais uma parte da sua frota de navios cargueiros.
Se recusasse a proposta de Hinata, ela ficaria em vantagem. Ela poderia, e com certeza o faria, usar a recusa contra ele se chegassem a levar a questão para os tribunais. Mas a obstinação dela e sua tentativa de tirar vantagem dele tornara Gaara ainda mais determinado em reivindicar os filhos... mesmo se para isso tivesse de usar meios escusos. Afinal, assim que estivessem na ilha deles, as leis de lá assegurariam que ele, como pai dos meninos, tinha o direito de mantê-los consigo.
O som familiar de um carro estacionando do lado de fora e de portas se abrindo fez com que Hinata ignorasse Gaara e se apressasse para a porta de casa. Ela subitamente se deu conta da hora e de que os meninos estavam chegando de carona com a vizinha com quem ela fazia rodízio em relação às rotinas escolares. Hinata abriu u porta e se apressou a ajudar os gêmeos a saírem do carro, pegando suas mochilas e lancheiras e reclamando porque nenhum dos dois abotoara os casacos apesar do frio que ainda fazia em março.
Idênticos de todas as maneiras, exceto pelo pequeno sinal de nascença atrás da orelha esquerda de Aiko, os dois meninos ficaram parados, olhando primeiro para o carro que estava estacionado na entrada da garagem da casa e depois para Hinata.
- De quem é esse carro? — perguntou Aiko, com os olhos arregalados.
Hinata não conseguiu responder. Por que não se dera conta da hora e despachara Gaara antes que voltassem da escola? Agora eles com certeza fariam perguntas... perguntas que ela não seria capaz de responder com sinceridade. E detestava pensar na possibilidade de mentir para os filhos.
Aiko ainda estava esperando pela resposta dela. Hinata forçou um sorriso e disse:
— É só... de alguém. Venham, vamos entrar antes que vocês dois peguem uma gripe com esses casacos desabotoados desse jeito.
— Estou com fome. Podemos comer torrada com manteiga de amendoim? — perguntou Haru, esperançoso.
Manteiga de amendoim era a comida preferida do momento.
— Vamos ver — respondeu Hinata, empurrando-os delicadamente na direção do hall de entrada. — Agora subam, meninos — disse para ambos, tentando permanecer calma, mesmo quando viu os filhos pararem e encararem Gaara, que estava no meio do corredor, em silêncio.
Gaara era alto, com bem mais de l,80m, e em outras circunstâncias Hinata teria achado divertido o modo como Haru levantou a cabeça bem atrás para olhar para ele. Aiko, no entanto, repentinamente assumiu o papel de homem da casa, já que fora o primeiro dos dois a nascer. O menino chegou mais perto dela, como se tentasse instintivamente protegê-la, e graças a alguma comunicação silenciosa entre os irmãos, logo Haru se colocou do outro lado, fazendo o mesmo.
Lágrimas indesejadas de emoção encheram os olhos de Hinata. Seus meninos queridos. Eles não mereciam nada daquilo e era culpa dela que as coisas estivessem como estavam. Antes que pudesse se deter, Hinata se ajoelhou entre os filhos, passou um braço ao redor de cada um e os abraçou. Aiko, o mais sensível dos dois, embora tentasse valentemente esconder, enfiou o rosto no pescoço de Hinata e apertou-a com força, enquanto Haru levantava os olhos para Gaara brevemente e depois imitava o irmão.
Gaara não conseguiu se mexer. No instante em que vira os meninos soube que não haveria nada na vida que não fizesse por aqueles dois, incluindo arrancar o próprio coração e oferecer a eles em uma bandeja. A força absoluta do amor que sentiu foi como uma onda gigante, um tsunami que varreu todo o resto. Eles eram dele, eram a família dele, tinham seu sangue, eram fruto do seu corpo. Eram dele. Mas mesmo naquele instante pôde perceber, só de observá-los, o que sentiam pela mãe. Reparara na postura de proteção que haviam assumido em relação a ela, e seu coração se encheu de orgulho ao ver aquela prova instintiva de masculinidade.
Uma antiga lembrança o acometeu subitamente: o sol forte batendo em sua cabeça nua, as vozes furiosas dos pais se elevando. Também se colocara ao lado da mãe, como seus filhos haviam acabado de fazer, mas para ele não houve abraços maternais. Ao invés disso, a mãe deu meia volta, entrou no carro e saiu em alta velocidade, cantando os pneus e fazendo com que uma chuva de cascalho caísse sobre ele. Então, havia se voltado para o pai, mas ele também se afastou e entrou em casa. Os pais de Gaara sempre estiveram concentrados demais nas próprias vidas e no ressentimento de um contra o outro para prestar atenção nele.
Gaara abaixou os olhos para os filhos... e para a mãe deles.
Ambos eram tudo o que aqueles meninos tinham na vida. Ele pensou novamente nos próprios pais e percebeu sob uma nova onda de emoção que não havia nada que não fizesse para dar aos filhos o que ele mesmo não tivera.
— Então nos casaremos. Mas estou lhe avisando neste momento que será um casamento para toda a vida. Essa é a medida do meu compromisso para com eles — falou Gaara para Hinata, olhando para os meninos.
Se não estivesse segurando os filhos, ela teria desmaiado de choque... e de incredulidade. Procurou na expressão de Gaara por algum indício de que ele tivesse qualquer outra intenção ao dizer aquilo, mas só o que encontrou foi uma determinação absoluta e implacável.
Os gêmeos agora se viravam nos braços dela para olhar novamente para Gaara. Logo iriam começar a fazer perguntas.
— Subam vocês dois, agora — ela repetiu, tirando os casacos deles. — Troquem de roupa e lavem as mãos.
Os meninos passaram correndo por Gaara, ignorando-o deliberadamente, e subiram juntos as escadas; duas crianças fortes e saudáveis, com feições idênticas sob os curtos fios acobreados.
— Mas há duas condições — continuou Gaara, friamente. — A primeira é que você irá assinar um acordo pré-nupcial. Nosso casamento será em benefício dos nossos filhos, e não de sua conta bancária.
Horrorizada e magoada com a clara evidência de como ele a tinha em baixa conta, Hinata engoliu o orgulho, afinal, estava fazendo isso pelos filhos e perguntou, entredentes:
— E qual a segunda condição?
— Que você comprove que está usando pílula anticoncepcional. Já tive a prova do quanto você é negligente nessas questões. E não tenho a menor vontade de conceber outra criança de forma tão imprudente como foi o caso dos gêmeos.
Agora Hinata se sentiu tão insultada que não conseguiu controlar sua reação.
— Não há a menor possibilidade de isso acontecer. A última coisa que eu quero é dividir a cama com você novamente.
Como ela ousava dizer aquilo depois do modo como já se comportara com ele?
A explosão de Hinata fez com que o orgulho de Gaara sentisse uma necessidade primitiva de puni-la.
— Mas você vai dividi-la comigo e vai me implorar para satisfazer a fome que carrega dentro de você e que ou já testemunhei. Seu desejo sexual já deve ter encontrado alento nos braços de homens demais, para que agora consiga controlá-lo.
— Não! Isso não é verdade!
Hinata podia sentir o rosto em chamas. Ela não precisava ser lembrada do modo libertino como não apenas se oferecera a ele, mas também o encorajara a possuí-la. As lembranças daquela noite ficariam marcadas para sempre em sua memória. Nenhum de seus sentidos conseguira esquecer o papel que havia representado na humilhação que ela se autoinfligira. Seus ouvidos ainda podiam escutar o eco dos gemidos crescentes e do grito de prazer abandonado que ela nem tentara controlar, assim como estava gravada em suas mãos a ânsia de tocá-lo, de conhecer aquele corpo, a fome de seus lábios provando o sabor da pele e dos lábios dele, a excitação que o perfume dele provocara nela. Cada uma dessas coisas a levara a uma torrente de desejo sexual que culminara no ponto mais alto de prazer que havia no universo dela, assim como a queda fora até um lugar de tanta perda que Hinata jamais iria querer voltar lá novamente.
Ela afastou as lembranças que ameaçavam tragá-la e retrucou com a voz firme.
—Aquilo foi diferente... foi um erro. — Ela cerrou os punhos em uma pálida autodefesa ao ver o olhar cínico com que Gaara a encarava. — E um erro que não quero repetir jamais. Não há a menor possibilidade de eu voltar a dividir uma cama com você.
A recusa dela soltou de vez as amarras da fúria de Gaara. Aquela mulher estava mentindo, ele tinha certeza disso e iria provar. Não era um homem vaidoso, mas sabia que as mulheres se sentiam atraídas por ele, e Hinata com certeza havia feito de tudo naquela noite para deixar bem claro que o desejava, minando sua resistência e instigando a raiva que já queimava dentro dele. Fora por isso que perdera o controle. Por causa do avô. Não por causa de Hinata, ou porque os gritos de prazer que deixara escapar contra a pele dele eram tão irresistíveis que ele esquecera qualquer outra coisa que não a necessidade de possuí-la. Gaara ainda conseguia se lembrar do modo como Hinata gritara quando ele finalmente a penetrara, como se o que estivesse experimentando fosse completamente novo. Ela se agarrara a ele, soluçando de prazer e estremecendo sob o corpo dele.
Por que estava pensando naquilo agora?
Gaara estava tomado pela fúria, que fora inflamada pela exigência dela de se casarem e por ter negado a acusação dele, e por isso não notou a nota de puro sofrimento na voz de Hinata. Antes que pudesse se deter, já a tomava nos braços e capturava sua boca em um beijo urgente, cheio de raiva e de orgulho ferido.
Hinata ficou tão chocada que na hora em que percebeu o que estava acontecendo já era tarde demais para tentar lutar contra. A raiva que sentia também transbordou, apaixonada o bastante para passar por cima do seu autocontrole. A última coisa que esperava sentir era desejo por ele, mas então descobriu, chocada, que o beijo rude de Gaara destrancara uma fechadura que ela acreditara estar completamente destruída pelo que ele lhe fizera antes. Mas a chave funcionou assustadoramente bem.
Aquilo não deveria estar acontecendo. Não podia acontecer. Mas para sua vergonha, estava acontecendo.
O pânico lutou contra o desejo que crescia dentro de Hinata e perdeu a briga, afogado na lava incandescente que parecia correr pelas veias dela, fazendo-a esquecer tudo o que estivesse no caminho. Seus lábios se abriram sob a pressão experiente da língua de Gaara, e ela deixou escapar um gemido abafado de desejo. Hinata sentiu a paixão no beijo de Gaara e a rigidez de seu corpo excitado, mas ao invés de servir como um alerta, isso apenas inflamou ainda mais o desejo dela, aumentando o latejar em seu próprio sexo.
Em algum lugar no meio da torrente de raiva que o impelia, Gaara ouviu uma voz interior avisando-o de que a situação estava se repetindo, o mesmo desejo furioso, doloroso, a mesma excitação daquela noite tantos anos atrás tomava conta dele agora. Não era possível que desejasse aquela mulher. Mas ainda assim, como se fosse alguma criatura mítica, sombria e deformada, supostamente derrotada para sempre, o desejo que sentia por ela acabara encontrando uma força sobre-humana e rompera as correntes que o prendiam. A língua dele explorava ansiosa a delicadeza da boca macia de Hinata, e seu corpo já estava rígido, antecipando com o consentimento da parte mais íntima dela, se ele não se detivesse logo...
Hinata estremeceu atordoada pela sensualidade com que a língua de Gaara começou a empurrar ritmicamente a sua. Ela sentiu os seios incharem e os mamilos enrijecerem sob a blusa, espalhando calor por todo o seu corpo. A mão de Gaara envolveu seu seio, fazendo com que Hinata voltasse a gemer.
Ela era quente, pura sensualidade feminina, ansiosa, receptiva... uma Armadilha, reconheceu Gaara. Se ele não parasse naquele momento, não seria mais capaz de parar e acabaria possuindo-a ali mesmo onde estavam, arrancando-lhe as roupas para acalmar a ânsia de sentir a pele nua em suas mãos, de penetrar fundo no corpo dela e senti-la se fechar ao redor dele, possuindo-o da mesma forma como ele a estaria possuindo, ambos dominados pela absoluta confusão dos sentidos que Gaara agora sabia estar amaldiçoado a sentir cada vez que tocasse em Hinata.
Ele encontrou os botões da blusa que ela usava e os desabotoou rapidamente. A sensação das mãos de Gaara sobre sua pele fez Hinata voltar ao passado. Naquela noite ele a despira rapidamente, com movimentos experientes, entre beijos eróticos e sensuais que dissolveram sua capacidade de pensar racionalmente, deixando-a ansiosa por mais, exatamente como fazia naquele momento.
Gaara levou a mão aos cabelos dela para apreciar o calor e a doçura do lugar que ficava exatamente onde o pescoço encontrava o ombro.
Hinata sentiu o calor do hálito de Gaara sobre sua pele nua e isso fez aumentar as chamas que a queimavam por dentro, consumindo sua resistência. Arrepios de puro prazer correram por sua pele. Com a blusa aberta, seus seios estavam expostos ao olhar de Gaara.
Não deveria estar fazendo isso, Gaara alertou a si mesmo. Não deveria ceder às exigências de seu orgulho...
Mas os seios de Hinata continuavam tão perfeitos quanto ele se lembrava, os mamilos rosados, que se tornavam mais escuros nas aréolas, em contraste com a palidez da pele. Gaara observou enquanto os seios subiam e desciam conforme a respiração dela se tornava mais acelerada e ergueu a mão para envolver um deles, sabendo por antecipação que caberiam perfeitamente, como se houvessem sido feitos para que ele os segurasse. O mamilo enrijeceu sob a carícia de seu polegar e Gaara fechou os olhos, lembrando-se novamente daquela noite no hotel, há tanto tempo, quando tivera a impressão de que os seios dela provocavam seu toque, exigindo serem acariciados, primeiro com os dedos e então com os lábios e a língua. A reação dela às suas carícias fora primitiva e imediata, fazendo com que o corpo dele também inchasse e se enrijecesse.
Ele não a queria, não mesmo, mas agora seu orgulho exigia que a punisse, que provasse que era mentira a alegação de que não o desejava.
Hinata se sentiu arrastada de volta para o passado. Um grito baixo de protesto denunciou seu tormento.
Gaara se afastou dela abruptamente, trazido de volta à realidade por aquele som.
Os dois ficaram parados, encarando-se e lutando para controlar as respirações aceleradas e o desejo urgente. Havia uma força quase tangível, crua e exposta, entre eles... e muito feia aos olhos de Hinata.
Ambos sentiram a poder e o perigo dessa força. Hinata percebeu isso pelo olhar de Gaara e sabia que ele via a mesma coisa nos olhos dela.
Hinata sentiu o peso da própria vergonha atravessá-la. Seu rosto estava muito pálido, os olhos muito grandes e chocados no rosto pequeno.
Gaara também estava atordoado com a intensidade do desejo que aparecera do nada e ameaçara seu autocontrole, mas era melhor do que Hinata em esconder seus sentimentos e não estava com disposição para sentir pena dela. Ainda estava lutando com a consciência indesejável do quanto quisera possuí-la ali mesmo.
— Você vai tomar pílula anticoncepcional — ele falou friamente e sentiu o coração bater forte ao perceber o quanto as palavras eram significativas e convidativas, e seu corpo voltou a se rebelar contra o autocontrole que se impusera. Mas Gaara se forçou a ignorar as exigências de seu próprio desejo e continuou. — Não vou aceitar nenhuma consequência que possa advir caso você não faça isso.
Nunca se sentira tão fraca, pensou Hinata, trêmula, e não apenas fisicamente, mas também emocional e mentalmente. No espaço de poucos minutos a capa de proteção em que se envolvera fora-lhe arrancada, expondo uma horrível fraqueza que Hinata imaginara já haver controlado e contido. Deveria ser impossível para ela desejar Gaara, ficar excitada por causa dele. Deveria...
E agora Hinata percebia que começava a reagir ao que acontecera. Sentia-se fisicamente doente, zonza, incapaz de pensar e agir direito, dividida entre a natureza conflitante do seu desejo físico e a sensação ardente de vergonha e incredulidade por ter sentido o que sentira... Talvez devesse pedir ao médico não apenas uma receita de pílulas anticoncepcionais, mas também outra indicando pílulas "anti-Gaara", alguma coisa que destruísse o desejo que sentia por ele... Com certeza o modo como Gaara falara com ela, o modo como a tratara, deveria ter sido o bastante para garantir que ela odiasse a mera ideia de ele tocá-la.
Não podia se casar com Gaara. Não agora. Hinata sentiu uma onda de pânico.
— Mudei de ideia — ela falou rapidamente. — Sobre... sobre nos casarmos.
Gaara franziu o cenho. Sua primeira reação ao que ela acabara de dizer foi uma intensa determinação de evitar que ela mudasse de ideia. Pelo bem dos filhos dele. Nada mais. E não por causa do desejo que ainda ardia em suas veias.
— Então o futuro de nossos filhos não é tão importante para você como estava alegando até há pouco? — ele a desafiou.
Hinata percebeu que caíra na Armadilha construída por ela mesma. Tudo o que podia fazer agora era se agarrar à frágil esperança de conseguir encontrar forças para negar o desejo que ele conseguia acender nela com tanta facilidade.
— É claro que é importante — ela protestou.
— Então devemos casar e você aceitará meus termos e minhas condições.
— E se eu recusar?
— Então moverei céu e terra, e também as estrelas que ficam entre os dois, para tirar meus filhos de você.
Hinata sabia que ele estava falando sério. E não teve escolha senão assentir, aceitando as exigências dele.
Gaara sabia que a havia derrotado, mas o sabor da vitória não foi doce como ele imaginara.
— Por causa dos meus diversos compromissos de negócios, quanto mais rápido todos os arranjos tiverem sido feitos, melhor. Vou cuidar para que os documentos necessários sejam providenciados, incluindo o acordo pré-nupcial que vou exigir que você assine. Você deve...
O barulho repentino de uma queda, seguido por um choro agudo de dor, fez com que os dois se voltassem para as escadas.
Preocupada com a segurança dos filhos, Hinata passou rapidamente por Gaara e subiu correndo as escadas até o quarto dos meninos, sem perceber que Gaara estava bem atrás dela. Quando abriu a porta, encontrou Haru caído no chão, soluçando, enquanto Aiko estava de pé, agarrando um dos carrinhos de brinquedo deles.
— O Aiko me empurrou! — disse Haru.
— Não empurrei, não! Ele é que estava tentando pegar meu carrinho.
— Deixe eu dar uma olhada — Hinata pediu a Haru, examinando-o rapidamente para se certificar de que não havia nenhum machucado de verdade. Então agachou-se e virou-se para olhar para Aiko. Mas ao invés de vir até a mãe em busca de conforto, Aiko estava parado diante de Gaara. O menino olhava para ele como se procurando apoio, e Gaara estava com a mão pousada no ombro de Aiko, como se para protegê-lo.
A intensidade das emoções que sentiu pegou Hinata de surpresa, dor por tudo o que os gêmeos haviam perdido por não terem tido um pai até agora, culpa por isso, sofrimento por saber que os amava tanto, mas que só o seu amor não daria aos filhos as ferramentas de que precisariam para crescerem e se transformarem em homens equilibrados... e também medo do pouco respeito que sentia por si mesma naquele momento.
A mão de Gaara continuou no ombro do filho, enquanto lançava um olhar ameaçador na direção de Hinata. Os filhos precisavam dele em suas vidas e nada, menos ainda uma mulher como Hinata, iria impedir que ficasse junto deles.
Sem perceber a atmosfera pesada que pairava entre os adultos, Aiko repetiu.
— O carrinho é meu.
— Não, não é. É meu — retrucou Haru.
A discussão fez com que Hinata voltasse a atenção novamente para os filhos. Os dois se davam muito bem, mas de vez em quando brigavam por causa de um brinquedo, como se quisessem reafirmar a autoridade de um sobre o outro. Outras mães já haviam lhe assegurado que aquilo era típico de meninos, mas ela detestava ver os dois se desentendendo.
— Tenho uma sugestão a fazer. — A voz de Gaara era calma, mas ainda assim tinha autoridade o bastante para fazer com que os meninos olhassem para ele no mesmo instante. — Se os dois prometerem que não vão mais discutir por causa desse carrinho, comprarei um novo brinquedo para cada um, assim não precisarão dividi-lo.
Hinata bufou de raiva, seus instintos maternais se sobrepondo à vulnerabilidade que sentia em relação a Gaara como mulher. O que ele estava fazendo era suborno. Como ela não tinha dinheiro para comprar um brinquedo semelhante para cada um deles, ensinara que precisavam dividir os brinquedos. Agora, com um punhado de palavras, Gaara apelava para os instintos consumistas naturais nas crianças.
Ela podia perceber pelo olhar ávido nos dois pares de olhos verdes que suas regras sobre compartilhar as coisas haviam sido rapidamente esquecidas. Para confirmar seus pensamentos, Haru perguntou animado para Gaara:
— Quando... quando vamos poder tê-los?
Haru já estava de pé e logo correu para se juntar ao irmão, apoiando-se confiante na outra perna de Gaara, enquanto olhava entusiasmado para ele e dizia excitado:
— Quero um carro como aquele que está lá fora...
— Eu também — concordou Aiko, determinado a afirmar sua condição de irmão mais velho.
— Vou levar vocês dois e sua mãe para Londres. Aquilo era novidade para Hinata, mas ela não teve chance de fazer qualquer comentário, porque Gaara logo continuou a falar.
— Lá há uma enorme loja de brinquedos, onde vão poder procurar seus carrinhos... mas só se prometerem não brigar mais por causa de brinquedos.
As duas cabecinhas ruivas assentiram com entusiasmo e dois enormes sorrisos iluminaram os rostos dos seus filhos quando ergueram os olhos afetuosos para Gaara.
Hinata lutou para controlar seus sentimentos. Ver os filhos com Gaara, observar o modo como reagiam a ele foi a melhor forma de convencê-la do quanto eles estavam perdendo com a ausência do pai, não financeira, mas emocionalmente.
Seria imaginação sua ou eles já estavam até mais aprumados, parecendo mais altos, falando com mais confiança, até mesmo ostentando uma linguagem corporal que haviam copiado automaticamente do pai? Hinata sentiu uma leve pontada de tristeza. Não eram mais bebês, não era mais os bebês dela, completamente dependentes de seus cuidados para tudo... Indefesa em relação ao que sentia, ela sucumbiu ao poder da onda de amor maternal que a envolveu, embora erguesse a cabeça orgulhosa para revidar o olhar de desafio silencioso de Gaara.
Hinata esticou a mão automaticamente para acariciar os fios revoltos dos filhos, no exato momento em que Gaara fazia a mesma coisa. Suas mãos se tocaram. Hinata recuou no mesmo instante, interrompendo o contato, mas incapaz de conter as imagens que invadiram sua mente. Uma vez as mãos de Gaara já a haviam tocado com muito mais intimidade, tomando-a, possuindo-a, com uma mistura de experiência e avidez, e também de alguma coisa mais, que em sua inocência e ignorância Hinata acreditara ser um desejo apaixonado, que ele só sentia por ela... mas obviamente não era nada disso.
E essa realidade deixara marcas em suas emoções. O toque de Gaara foi o único toque masculino que seu corpo havia conhecido até então. Lembranças que ela imaginara haver lacrado para sempre em sua memória agora tentavam voltar à superfície. Lembranças estimuladas pelo beijo que Gaara lhe dera pouco antes. Hinata estremeceu por dentro, com ódio da própria fraqueza, mas era tarde demais. As imagens que surgiam em sua mente agora não podiam ser negadas, imagens das mãos de Gaara sobre seu corpo, do som da respiração dele contra a sua orelha e logo depois sobre sua pele. Não! Ela não devia pensar nessas coisas. Precisava ser forte. Precisava resistir. Não era mais aquela menina, agora era uma mulher, era mãe, e as necessidades de seus filhos vinham antes das dela.
