NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! OITO

— Vou lhes mostrar seus quartos primeiro — Anna disse a Hinata —, e então talvez você queira tomar uma xícara de chá antes de conhecer o resto da villa?

Havia alguma coisa genuinamente calorosa e gentil e, até mesmo, maternal a respeito de Anna que fez com que a desconfiança inicial de Hinata rapidamente se desfizesse, enquanto subiam juntas as escadas de mármore, com os gêmeos entre elas.

Quando chegaram ao topo e viram o longo corredor que se estendia diante deles, os gêmeos olharam esperançosos para a mãe.

Mas Hinata sacudiu a cabeça e começou a dizer:

— Não, vocês não podem correr dentro de casa... — Foi quando Anna se virou para ela com um sorriso compreensivo.

— Essa é a casa deles agora, e os meninos podem correr por ela se você permitir — ela falou.

— Muito bem, então — Hinata disse aos filhos, aliviada pela compreensão de Anna da necessidade que duas crianças pequenas tinham de gastar energia. As duas mulheres ficaram observando enquanto os garotos disparavam pelo corredor.

— Olhar para esses dois é como olhar para Gaara quando tinha a idade deles, a não ser por... — Anna se deteve e seu sorriso se apagou.

— A não ser pelo quê? — perguntou Hinata, na defensiva quanto a qualquer possível crítica a respeito de seus preciosos filhos.

Como se adivinhasse os pensamentos de Hinata, Anna deu um tapinha carinhoso em seu braço.

— Você é uma boa mãe, qualquer um pode ver isso. Sua dedicação e seu amor por seus filhos estão refletidos nos sorrisos deles. A mãe de Gaara não era assim. Para ela os filhos eram deveres dos quais se ressentia, e todos eles, principalmente Gaara, aprenderam desde muito jovens a não buscar amor e conforto na mãe.

As palavras tranquilas de Anna formaram uma imagem na mente de Hinata que ela não queria ver: a imagem de um Gaara jovem e vulnerável, uma criança de olhos tristes, solitária e magoada com a falta de amor da mãe.

Os meninos voltaram correndo para onde elas estavam, acabando com qualquer possibilidade de novas confidências da parte de Anna sobre a infância de Gaara. E Hinata logo colocou de lado qualquer simpatia pela criança que seu marido fora quando descobriu que os dois iriam dividir o quarto e a cama.

Por que se sentia tão nervosa e apreensiva?, se perguntou ela, mais tarde, depois que Anna a ajudou a colocar os gêmeos na cama. Estava na cozinha, tomando uma xícara do chá que Anna insistira em preparar para ela. Gaara já deixara claro que ela deveria aceitar que o casamento deles incluiria intimidade sexual. Ambos já sabiam que ela o desejava e Hinata já sofrera a humilhação que esse desejo lhe trouxera, então o que ainda havia a temer?

Havia a possibilidade da vulnerabilidade emocional, admitiu Hinata. Já era perigosa a possibilidade de se tornar sexualmente dependente de Gaara. Mas se tornar emocionalmente dependente também? Não! De onde viera um pensamento como aquele? Estava muito longe de sentir qualquer coisa semelhante, não estava?

Hinata pediu licença a Anna explicando que iria subir para ver se os gêmeos ainda estavam dormindo, pois não queria que despertassem sozinhos em um ambiente tão diferente do que estavam acostumados.

O quarto dos meninos, assim como o que ela dividia com Gaara, tinha vista para o pátio e para uma grande piscina, com o mar além. Mas enquanto o quarto de Gaara tinha portas de vidro que se abriam para o pátio que circundava a piscina, o dos meninos tinha apenas uma janela, o que deixou Hinata extremamente aliviada em relação à segurança dos filhos. Portas de vidro, uma piscina e dois meninos aventureiros de cinco anos eram uma mistura que causaria ansiedade em qualquer mãe protetora.

Ela se abaixou para beijar os filhos ainda adormecidos, mas o rosto que surgiu em sua mente foi outro. Muito parecido com os dos filhos, mas com os olhos obscurecidos por mágoa e orgulho ferido. Os olhos de Gaara, que ainda mantinham o mesmo orgulho quando olhavam para ela. Mas e a mágoa? A pergunta fez com que Hinata franzisse as sobrancelhas. Um trauma emocional não era uma coisa que ligaria ao passado de Gaara. Mas Hinata acreditava que as circunstâncias em que uma criança é criada a afetam por toda a vida. Então, o que acontecera com a mágoa de Gaara? Fora enterrada em algum lugar profundo e triste no coração dele? E como curar a mais cruel de todas as feridas que uma criança pode ter: a ausência do amor da mãe?

Confusa com o rumo dos próprios pensamentos, Hinata deixou o quarto dos filhos. Estava cansada e pronta para também ir para a cama. Seu coração acelerou. Pronta para ir para a cama? Pronta para dividir a cama com Gaara?

Ela acabou indo mesmo para o quarto, não porque queria voltar a olhar para a cama grande e deixar a imaginação atormentá-la com imagens do que iriam fazer ali, mas porque precisava desfazer as malas, disse a si mesma com firmeza.

Só que quando abriu a porta do quarto, viu que as malas haviam desaparecido. Do banheiro da suíte vinha o cheiro de sabão masculino de limão e o barulho do chuveiro aberto.

Gaara teria pedido para que tirassem as malas dela dali? Teria dito a Anna que não queria dividir o quarto com ela? O alívio se misturou a um golpe em seu orgulho feminino, afinal, era esposa dele. Gostava de Anna, mas não queria que a outra mulher pensasse que Gaara a estava rejeitando. Seria humilhante. Mais humilhante do que ser forçada a gritar de desejo no silêncio da noite?

Hinata moveu o peso do corpo de um pé para o outro, inquieta, e logo ficou paralisada quando a porta do banheiro se abriu e Gaara entrou no quarto,

Ele estava com uma toalha enrolada ao redor dos quadris e seu corpo ainda estava úmido do banho. O branco da toalha só ressaltava o desenho do torso moreno, a largura dos ombros, os músculos fortes do peito e a firmeza da barriga. A sombra dos pelos negros úmidos colados à pele enfatizava a masculinidade que enfeitiçara Hinata. Ela queria desviar os olhos dele. Queria não lembrar, não sentir, não ser dominada com tanta facilidade pelo desejo que um mero olhar para o corpo dele acendia. Mas não tinha esse tipo de autocontrole. Ao invés de saciar completamente a necessidade que tinha do corpo dele, o que haviam compartilhando parecia ter apenas aumentado essa necessidade.

A intensa masculinidade de Gaara a desnorteava. Ela vivera por seis anos sem nem mesmo desejar ter sexo, e agora bastava olhar para Gaara para ser consumida por aquele desejo que parecia possuí-la. Possuída. Apenas pensar nessa palavra já aumentava o calor que corria por seu corpo.

Era culpa de Hinata que a desejasse tanto, disse Gaara a si mesmo. Era ela, com aquela boca macia e o olhar faminto, com sua sofreguidão, a responsável pela inabilidade dele em controlar a onda de desejo selvagem que o dominava. Era por causa dela que sentia aquela dor no ventre, aquela urgência que mal reconhecia como suas.

Como uma tempestade, um tornado que ameaçava levantar os dois em seu abraço perigoso, Hinata podia sentir a pressão do desejo combinado. Um arrepio de medo percorreu seu corpo. Ela não queria isso. Sentia-se fraca, envergonhada de si mesma. Hinata se forçou a desviar os olhos do corpo de Gaara e correu para a porta, em um pânico cego. Mas Gaara foi mais rápido e alcançou a porta antes dela. O ímpeto do medo de Hinata fez com que esbarrasse no corpo dele.

Lágrimas de raiva contra si mesma, contra ele e contra aquele desejo que fazia seu corpo doer encheram seus olhos. Ela cerrou os punhos e socou, impotente, o peito dele. Gaara a segurou pelos pulsos.

— Não quero me sentir assim — ela gritou, desesperada.

— Mas é assim que se sente. Você quer isso, você me quer — ele disse, antes de apagar qualquer negativa dos lábios dela cobrindo-os rudemente com os seus.

Bastou provar o sabor de Hinata para que Gaara se visse devorado por uma fome que não conseguia controlar. A maciez de seus lábios, o gemido que ela deixou escapar quando ele a beijou, o modo como todo o corpo de Hinata estremecia de desejo contra o dele, arrastando-o para uma forma de loucura, um lugar onde nada mais existia ou importava, a não ser satisfazer o desejo dela. Como se tivesse nascido para isso.

Cada som que ela deixava escapar, cada tremor de prazer de seu corpo, cada movimento urgente na direção do toque dele, implorando silenciosamente por mais, tornava-se um objetivo a ser alcançado, como um teste para a sua masculinidade do qual deveria estar à altura, pois assim seria sempre o único homem que ela desejaria, o único que poderia satisfazê-la. Havia alguma coisa na palidez sedosa da pele de Hinata quando a despia que o fazia desejar tocá-la outra vez. Suas mãos já conheciam a textura e o formato dos seios dela, mas isso só fazia com que ele quisesse sentir aquele peso macio mais e mais. Seus lábios, sua língua e seus dentes já haviam excitado aqueles mamilos rosados antes, mas agora Gaara queria recriar aquele prazer.

Queria deslizar a mão pela barriga lisa e sentir o movimento que Hinata fazia para tentar negar o efeito que seu toque causava nela... logo perdendo a batalha. Queria abrir as coxas macias e senti-las trêmulas, ouvir o gemido que saía de seus lábios enquanto ela tentava, sem conseguir, impedir que suas pernas se abrissem ansiosas para deixá-lo penetrar na intimidade do seu sexo.

Gaara adorava o modo como o sexo úmido de Hinata se abria sob as carícias dos seus dedos, esperando ansiosamente para que ele a preenchesse.

Um grito chocado de protesto, misturado a um desejo primitivo, escapou da garganta de Hinata quando Gaara cedeu às exigências de seu próprio desejo e se abaixou para beijar a carne macia na parte interna das coxas de Hinata. Logo a seguir, foi sua língua que deslizou por toda a extensão do vale feminino que os dedos talentosos haviam descoberto para sua carícia.

Ondas de prazer a invadiram, arrastando-a a tal nível de sensualidade que Hinata se sentiu tragada por águas profundas. Cada carícia da ponta da língua dele em sua parte mais sensível fazia com que ela afundasse ainda mais, até que o prazer a inundou completamente, até que tudo o que podia sentir era o ritmo que ele impunha, sua reação era controlada pela língua de Gaara até ela estar completamente dominada, afogada no êxtase.

Mais tarde, quando preencheu o corpo dela com sua própria carne latejante, sentindo o desejo voltar a se inflamar enquanto Hinata movia o corpo no mesmo ritmo que ele, incitando-o na direção da própria destruição,

Gaara soube com uma certeza aguda, nos segundos antes de gritar em exultação pelo alívio trazido pelo êxtase, que o que estava fazendo poderia, sim, prender Hinata na Armadilha do desejo que ela sentia por ele, mas também alimentava ainda mais a fome insaciável que ele sentia por ela.