NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! DEZ
Hinata achou melhor ter certeza de que estava grávida antes de contar para Gaara. Só que agora não poderia demorar muito, lembrou a si mesma.
Mas afinal, não era a única responsável. Eram necessárias duas pessoas para se fazer um filho, e ela tomara as pílulas anticoncepcionais.
Passara muito mal do estômago em Londres, recordou, e na ansiedade por tudo o que estava acontecendo, esquecera-se de que aquilo poderia afetar o efeito da pílula. Com certeza Gaara poderia entender isso, certo? Mas e se não entendesse? E se a acusasse de contrariá-lo de propósito? Mas por que ela faria isso? Gaara era um homem de negócios inteligente e bem-sucedido e seria obrigado a reconhecer que não havia razão lógica para que ela ficasse grávida. O problema é que além de um homem inteligente, ele também fora uma criança traída pela mãe. E Hinata tinha a sensação de que aquilo poderia afetar a reação dele.
Conversaria com Gaara naquela noite, prometeu a si mesma, depois de colocar os meninos na cama.
Satisfeita por haver decidido o que faria, Hinata estava começando a relaxar quando Gaara apareceu, saindo da casa e caminhando diretamente em sua direção. O coração dela teve um sobressalto de culpa. Ele teria imaginado alguma coisa?
Mas Gaara apenas lhe avisou que partiriam para Atenas na manhã seguinte e que passariam a noite lá. Hinata, então, percebeu que uma parte sua covardemente desejara que ele tivesse, sim, desconfiado, assim a responsabilidade de contar que concebera novamente sairia de suas mãos.
Mas como isso não acontecera, ela chegou à conclusão de que seria mais sensato esperar até que voltassem de Atenas para contar a ele. Então teriam mais tempo para conversar a respeito. Sabia que Gaara ficaria zangado, mas estava se agarrando ao fato de saber o quanto ele amava os gêmeos, para se convencer de que mesmo que ficasse com raiva dela, ainda assim amaria o bebê.
— Tenho um pequeno apartamento em Atenas que uso quando estou na cidade a trabalho. Vamos ficar lá. Os gêmeos ficarão seguros e bem cuidados aqui, com Anna.
— Vamos deixá-los? — Assustou-se Hinata. — Mas eles não passaram uma única noite longe de mim desde que nasceram!-
Gaara teve de reconhecer que a ansiedade na voz dela não poderia ser falsa. Fora muito imediata. Ele tentou imaginar a própria mãe se recusando a viajar para uma metrópole cheia de lojas de estilistas caríssimos para ficar com os filhos e admitiu que isso jamais acontecera.
— Temari vai querer passar algum tempo com você e eu preciso cuidar de alguns negócios. Os meninos ficarão muito mais felizes aqui na ilha, sob os cuidados de Anna, do que em uma cidade como Atenas.
Quando Hinata mordeu os lábios, os olhos ainda com uma expressão preocupada, ele continuou:
— Asseguro-lhe de que pode confiar em Anna para cuidar muito bem deles. Se eu não acreditasse nisso, jamais os deixaríamos.
O olhar de Hinata imediatamente se desanuviou.
— Oh, estou certa de quê posso confiar em seu julgamento quanto ao bem-estar deles. Sei o quanto os ama.
Aquela admissão aberta e imediata de que ela aceitava não apenas o julgamento dele a respeito do que era melhor para os filhos, como também admitia seu direito de decidir a respeito, teve um efeito extraordinário sobre Gaara. Como um raio de sol penetrando a escuridão de uma nuvem negra e pesada. Ele ficou surpreso e confuso com a onda de prazer que as palavras provocaram... a sensação de que os dois estavam unidos e que ela... ela confiava nele, reconheceu Gaara. Hinata confiava nele para tomar a decisão certa em relação aos filhos. Uma emoção desconhecida o dominou e Gaara sentiu um ímpeto de tomá-la nos braços. Ele chegou a dar um passo na direção dela, mas seu senso de autoproteção logo o deteve.
Sem saber o que passava na cabeça de Gaara, Hinata suspirou. Sabia que estava sendo tola. Os meninos ficariam perfeitamente bem com Anna. No fundo, estava era nervosa com a perspectiva de encontrar a irmã de Gaara.
— Você vai gostar de Temari. Embora, como eu sempre lhe dizia quando era pequena, ela fale o tempo todo e às vezes se esqueça de deixar os outros falarem. — Anna estava dizendo para Hinata enquanto a ajudava a preparar a mala. — Temari tem muito orgulho dos irmãos, especialmente de Gaara, e quando vir o quanto você o ama ficará feliz por vocês terem se casado.
Hinata deixou cair no chão o par de sapatos que segurava e se abaixou para pegá-los, satisfeita por ter uma desculpa para esconder de Anna a expressão de choque em seu rosto. O quanto ela amava Gaara fora o que Anna dissera? O que a fizera dizer aquilo? Não amava Gaara!
Ou amava?
É claro que não. Afinal, ele não lhe dera exatamente motivos para amá-lo.
E desde quando o amor precisava de motivos? Precisara de algum, naquela boate em Manchester, quando olhara para o outro lado do bar e sentira o coração saltar, como se estivesse sendo atraída para ele?
Mas aquilo fora apenas a reação tola e inocente de uma menina desesperada para encontrar um príncipe de conto de fadas, um herói que a resgatasse de seu sofrimento, relembrou Hinata.
Anna estava errada. Precisava estar. Mas quando recuperou a compostura o bastante para encarar a outra mulher, viu em seus olhos uma compaixão calorosa. Anna com certeza não achava que estava errada.
Seria possível que tivesse começado a amar Gaara sem perceber? Aquele desejo desesperado que sentia por ele seria causado por amor, e não apenas por necessidade física?
— Você vai gostar de Temari—Anna estava repetindo — e ela vai gostar de você.
Hinata ainda se agarrava às palavras de Anna horas mais tarde, depois que o avião aterrissou em Atenas, e ela se viu diante de uma mulher jovem e muito elegante, de cabelos escuros, que os aguardava no setor de desembarque e correu para encontrá-los, os olhos cobertos por um par de óculos escuros de uma grife famosa.
— Gaara. Achei que chegaria atrasada. O trânsito está terrível... e a neblina! Andreas pediu para lhe dizer que conseguiu fechar o contrato com Taiwan... Oh, e eu quero que os dois venham jantar em nossa casa hoje à noite. Nada muito formal...
— Temari, você é como um trem disparado. Pare e deixe que eu lhe apresente Hinata. — O tom de Gaara foi firme, mas divertido, e a irmã riu e se virou para Hinata, pegando-a desprevenida ao abraçá-la calorosamente.
— Anna me contou o quanto Gaara teve sorte em se casar com você. Mal posso esperar para conhecer os gêmeos! Não fui esperta ao descobri-los no aeroporto de Manchester? Mas jamais poderia imaginar que você e Gaara se reconciliariam!
Eles já estavam saindo do aeroporto e Gaara disse:
— É melhor me deixar dirigir, Temari. Tenho péssimas lembranças sobre o que acontece quando você dirige e fala ao mesmo tempo.
— Oh, você! — zombou Temari, enquanto entregava a chave do carro ao irmão e se virava para Hinata. — Não foi minha culpa. Em primeiro lugar, o outro motorista jamais deveria ter estacionado naquele lugar.
Anna estava certa, ela ia mesmo gostar de Temari, admitiu Hinata, enquanto a cunhada continuava a tagarelar e brincar e Gaara guiava o carro pelo tráfego pesado de Atenas.
Temari obviamente questionara o irmão sobre seu relacionamento com Hinata, e ao que parecia, ele havia feito parecer que os gêmeos haviam sido concebidos durante uma relação estável, e não em um encontro de uma noite. Isso fora gentil da parte de Gaara. E atencioso também. Era uma forma de proteger os filhos e ela também... Era felicidade o calor que sentia no peito?
A noite de Atenas era agradável e o ar fresco acariciava a pele de Hinata enquanto ela e Gaara saltavam do táxi e andavam até á entrada do prédio moderno e exclusivo onde ficava o apartamento dele na cidade. Eles haviam passado a noite com Temari e Andreas na casa deles, que ficava nos arredores de Atenas, e no dia seguinte retornariam à ilha.
Obviamente ela estava ansiosa para rever os filhos, mas... estaria querendo se enganar, ou Gaara realmente estivera mais gentil com ela ao longo daquele dia? Ele a tratara com uma delicadeza que a fizera se sentir muito próxima de alguma coisa especial e maravilhosa...
Gaara olhou para Hinata. Ela estava usando um vestido de seda cor de pêssego, com a estampa de leques acinzentados discretamente espalhados por ele. O vestido era preso nos ombros por alças finas, tinha o corpinho bem justo e se abria para uma saia levemente godê. O corte primoroso acentuava as formas delicadas do corpo dela sem revelar muito, e as alças deixavam à mostra o bronzeado que ela adquirira desde que chegara na ilha. Naquela noite, observando-a durante o jantar, enquanto Hinata conversava com a irmã dele e o marido, sentira-se orgulhoso como marido, assim como a desejara como homem. Alguma coisa, Gaara ainda não estava preparado para dar um nome àquilo, começara a mudar. De algum modo ele começara a mudar... Porque Hinata era uma boa mãe? Porque confiava nele para cuidar dos filhos? Ou porque, naquela noite, demonstrara uma inteligência, uma delicadeza e um senso de humor que, para sua surpresa, se viu obrigado a reconhecer que eram unicamente dela, diferenciando-a da mãe dele e de qualquer outra mulher que já tivesse conhecido?
Gaara não estava preparado para responder a essas questões, mas estava pronto e ansioso para fazer amor com sua esposa.
Para fazer amor com ela como sua esposa.
Quando entraram no prédio, Gaara pegou a mão de Hinata. Nenhum dos dois disse nada, mas o coração de Hinata acelerou no peito. A esperança que tentava desesperadamente não deixar subir à sua cabeça agora alçava voo como um balão.
Enquanto subiam para o apartamento, no elevador, ela rezava silenciosamente: "Por favor, permita que tudo corra bem. Por favor, permita que as coisas se acertem para... para todos nós". E em todos ela incluía a nova vida que crescia dentro dela.
Ela ia contar a Gaara, mas naquele dia passara em uma farmácia e comprara um teste de gravidez, só para confirmar sua certeza. Esperaria até que estivessem de volta à ilha para usá-lo e então contaria a Gaara. Mas depois, não naquele momento. Porque queria que aquela noite fosse especial. Queria aquela noite para ela. Naquela noite, queria fazer amor com Gaara sabendo que o amava.
Na pequena sala de estar do apartamento, Gaara despiu o paletó do terno de linho e o jogou sobre uma das cadeiras. O gesto fez com que a camisa se esticasse contra os músculos de suas costas e Hinata acompanhou o movimento com os olhos, já sentindo a ânsia familiar apertar seu ventre e se espalhar por todo o seu corpo.
A onda de desejo fez com que sua respiração se acelerasse e seus seios esticassem o tecido do vestido, fazendo com que os mamilos já sensíveis e excitados enrijecessem ao roçar da seda. Quando Gaara se virou para ela, logo percebeu o que estava acontecendo. O corpo dele reagiu no mesmo instante à provocação, confirmando a intensidade do desejo que já sabia que sentia por ela.
Não podia ficar parada ali, daquele jeito, Hinata se repreendeu. Se fizesse isso, Gaara acharia que o estava provocando. E não queria isso. Não queria ser acusada de ser uma mulher que não conseguia viver sem satisfação sexual. O que queria era que ele lhe dissesse que não podia resistir ao desejo que sentia por ela, que a amava...
Hinata, então, virou-se rapidamente em direção à porta, porque não queria que Gaara visse a expressão em seu rosto. Mas para sua surpresa, antes que ela saísse, ele disse baixinho.
— Você estava muito bonita neste vestido, esta noite. Gaara estava dizendo que a achara bonita?
Hinata não conseguia se mexer. Não conseguia fazer mais nada além de olhar para ele, dividida entre o desejo e a incredulidade.
Gaara caminhou até onde ela estava e parou diante dela, levando as mãos às tiras finas do vestido e afastando-as dos ombros de Hinata, enquanto dizia com gentileza:
— Mas vai ficar ainda mais bonita sem ele.
Hinata tremia da cabeça aos pés, mal ousando respirar enquanto Gaara abria o zíper do vestido, que logo caiu aos pés dela. Então, ele pegou seu rosto entre as mãos e a beijou.
Hinata estava nos braços de Gaara. Ele a beijava e ela retribuía o beijo abraçando-o, sentindo que todas as suas dúvidas e medos se esvaíam como a areia engolida pelo mar. E o amor que sentia por ele a dominava.
A sensação das mãos de Gaara em seu corpo, moldando-o, acariciando-o, fez com que ela fosse tragada pela onda do desejo que a invadia, como um tributo oferecido a um conquistador poderoso. O toque delicado das mãos dele fez com que o corpo dela estremecesse de leve. Hinata ansiara para que Gaara a desejasse daquele jeito, sem a amargura rude de sua raiva, mesmo que até aquele momento não houvesse admitido aquilo nem para si mesma.
Mas agora, ali nos braços dele, qualquer mentira que tenha contado a si mesma para se autoproteger foi dissolvida pelo calor das carícias de Gaara. Ainda com a boca colada a dele, Hinata gemeu de prazer ao sentir que ele acariciava seu mamilo com o polegar, deixando-o quente e pulsante. O corpo dela implorava para que Gaara o libertasse, para jazer nu diante dos olhos dele, a mercê de suas mãos, de sua boca. Queria-o fartando-se dela até que ela não suportasse mais o próprio desejo e se agarrasse a ele, enquanto Gaara a levava ao pico do prazer e à explosão final, que daria a ele tudo o que ela era e tudo o que tinha para dar, deixando-a indefesa diante da força do que sentia por ele.
Era assim que deveria ter sido naquela primeira noite, em Manchester, com os sentidos dominados pela intensidade do que experimentava. E fora mesmo muito intenso, tanto que ela mal percebera a perda da virgindade.
Ela era dele e Gaara se permitiu saborear esse prazer primitivo. O corpo dele estava em fogo de desejo por ela, doendo de necessidade, mas ele queria estender ao máximo o prazer de ambos, queria saboreá-lo e guardá-lo em sua memória como um buquê único de um vinho especial. Gaara se inclinou para erguê-la nos braços e carregou-a até o quarto, os olhares se encontrando e se prendendo sob a luz suave do abajur aceso.
— Eu nunca esqueci você, sabia disso? Nunca consegui afastar sua lembrança da minha mente. O modo como você estremeceu contra mim, quando a toquei, o perfume de sua pele, sua respiração acelerada quando eu fiz isso.
Hinata ofegou quando ele acariciou o lado do pescoço dela e deixou a carícia se estender por toda a extensão de suas costas nuas.
— Isso, assim mesmo.
Hinata choramingou, protestando que Gaara a estava torturando e que já não aguentava mais de desejo, mas ele a ignorou e traçou uma linha de beijos ao longo das suas omoplatas. Quando Gaara fizera aquilo a primeira vez, ela arqueara o corpo em uma demonstração despudorada de prazer. Então ele ergueu o braço dela e começou a beijar a parte interna do pulso até ó cotovelo.
Gaara percebeu que jamais imaginara que poderia se sentir daquele jeito, A doçura e a sensualidade da reação de Hinata às suas carícias estavam derrubando todas as defesas que construíra para esconder o modo como ela o fazia sentir.
Ele a beijou na boca, provando sua maciez e seu calor com a língua, enquanto Hinata estremecia contra ele, o corpo nu se arqueando mais uma vez, a sensação da pele nua dela através das roupas que ele ainda usava provando ser um tormento que Gaara mal conseguia suportar.
Hinata estava perdida na dominação quente e íntima do beijo de Gaara, um beijo que acendia faíscas de desejo por todo o seu corpo, fazendo-o pulsar, latejar. Seus seios ansiavam para serem tocados, os mamilos inchados como uma fruta madura pronta para ser saboreada. Ela queria sentir as mãos dele em seu corpo, acariciando, satisfazendo o desejo que não parava de crescer. Queria que os lábios dele beijassem e sugassem o latejar dos seus seios, transformando-o em prazer líquido e quente.
Mas ao invés disso, Gaara a afastou, abandonou-a quando ela precisava dele tão desesperadamente. Ela sacudiu a cabeça, frenética, gemendo em protesto, enquanto se sentava na cama.
Como se soubesse exatamente como ela se sentia e o que temia, Gaara pegou a mão de Hinata e a pousou sobre seu corpo, deixando-a sentir a ereção poderosa que se destacava na calça do terno, o olhar nunca deixando o rosto dela, registrando a paixão que dominou os olhos de Hinata ao senti-lo tão rígido.
Muito lentamente, os dedos dela correram por toda a extensão do membro dele e o prazer que ela sentia ao fazer isso ficava claro no modo como entreabriu os lábios e passou a língua por ele e no modo como seus olhos escureceram, concentrados no que faziam.
Impaciente, Gaara começou a desabotoar a camisa. Distraída pelos movimentos dele, Hinata levantou os olhos e chegou mais perto, ajoelhando-se diante dele na cama e assumindo a tarefa. Ela se inclinou para frente para beijar o peito dele a cada botão que abria. Depois, cedendo ao impulso de experimentar mais, deslizou a língua pelo seu tórax, inspirando o aroma másculo do corpo de Gaara, que estremecia sob suas carícias. O peito dele era musculoso, seus mamilos, escuros. Perdida no prazer de estar tão próxima daquele corpo, Hinata estendeu a mão e tocou a carne firme como a ponta dos dedos. Então, em um impulso, inclinou a cabeça e beijou o mesmo ponto que havia tocado, explorando-o com a ponta da língua.
A reação à carícia de Hinata foi tão violenta que ricocheteou através de Gaara, engolfando-o e consumindo-o. Ele estava desabotoando a calça enquanto Hinata o acariciava e agora se livrou do que restava de suas roupas e puxou-a para os seus braços, beijando-a com toda a força do desejo crescente.
A sensação do corpo de Gaara contra o dela, sem barreiras entre eles, levou embora qualquer inibição que porventura restasse a Hinata. Ela passou os braços ao redor do pescoço de Gaara e retribuiu o beijo com igual paixão, suspirando em aprovação quando sentiu as mãos que envolviam seus seios.
Era por aquilo que seu coração vinha ansiando, admitiu Gaara. Aquele dar e receber, aquela intimidade sem barreiras, e com aquela mulher, acima de todas. Hinata era tudo o que ele queria e mais ainda, admitiu, redescobrindo mais uma vez o corpo macio e delicado da esposa.
Ele se orgulhava de ser um amante talentoso, mas nunca se vira naquela posição antes. Nunca se sentira daquela maneira. Não estava preparado para sua própria reação ao que estava sentindo. Não estava preparado para a intensidade que seu desejo alcançou, desconhecida, ameaçando seu autocontrole, criando dentro dele uma ânsia de possuir cada parte dela e de levar prazer a cada uma delas, de levá-la ao orgasmo muitas e muitas vezes, até que fosse dono absoluto do prazer de Hinata... e dela. Queria ficar decalcado no desejo dela, para que nenhum outro homem jamais experimentasse aquela doçura. Queria Hinata, reconheceu Gaara, e satisfez o apetite urgente de seu próprio desejo ao ouvir o som instável da respiração dela, intercalado com soluços de prazer, enquanto ele sugava seus mamilos e massageava a carne macia de seus seios.
Hinata arqueou o corpo contra o dele, as mãos crispadas ao redor do seu pescoço, para mantê-lo junto dela.
Até aquele momento, acreditara que Gaara já a havia levado ao máximo de prazer sensual que poderia experimentar, mas estava errada. Agora que as barreiras entre eles haviam sido derrubadas, sabia que o que acontecera antes era apenas uma sombra do que sentia naquele instante. Centelhas de um prazer quase insuportável atravessavam seu corpo a cada movimento da língua de Gaara sugando seus mamilos, fazendo com que o centro da sua feminilidade latejasse de tal maneira que o mero arquear do corpo contra o dele já não era o bastante para apaziguar o desejo selvagem que a possuía.
Então, ela abriu as pernas e pressionou com mais força o corpo contra o dele, ofegando agradecida quando Gaara respondeu à sua insinuação pressionando com firmeza a mão sobre seu sexo.
Gaara podia sentir contra a palma da mão o calor pulsante do desejo de Hinata. Isso fez com que ele percebesse que estava prestes a enlouquecer de vontade de possuí-la rapidamente. Foi obrigado a lutar com todas as suas forças para manter um mínimo de autocontrole enquanto deixava os dedos invadirem mais fundo a umidade do sexo de Hinata.
Aquilo era quase mais do que ela poderia aguentar. Gaara tocando-a com tanta intimidade, mas ao mesmo tempo não com intimidade o bastante, ainda. Ele acariciou com o dedo seu sexo aberto e foi como se um raio a atingisse. Hinata podia sentir seu corpo se abrindo, faminto, podia ouvir o som de alívio desesperado que escapou de sua garganta quando Gaara deslizou dois dedos para dentro dela.
Ele não precisava sentir as unhas dela se enterrando em seus braços para saber o que Hinata estava sentindo. Sentia o desejo dela em sua própria pele e na dela, enquanto os corpos de ambos se movimentavam mais rapidamente, cada vez mais juntos. Mesmo antes de ouvir o grito de Hinata ele teve consciência de que o orgasmo rápido e poderoso dela enchia seu próprio corpo de uma poderosa satisfação máscula, fazendo com que seu membro inchasse mais, ansioso por fazer a sua parte naquele jogo de prazer.
Mas ainda não. Não até que Gaara estivesse certo de que dera a ela todo o prazer que podia.
Para Hinata, a sensação de ter os lábios dele acariciando-lhe as costas a princípio foi relaxante, doce, como uma carícia terna depois de toda a explosão de calor que acontecera antes. Ela não se deu conta da urgência que voltou a acometê-la subitamente, até sentir os lábios de Gaara deslizarem mais para baixo, em seu ventre, e o desejo que achou já estar satisfeito voltou a pulsar em uma nova onda que a chocou com sua violenta intensidade e a fez tentar escapar, negar.
Mas Gaara não permitiu. Ignorou-lhe os protestos, e o prazer que voltou a dominá-la foi atiçado pelas carícias que a língua dele fazia na carne rígida e pulsante do clitóris dela, levando Hinata a abandonar qualquer tentativa de autocontrole e a se entregar sem reservas a ele.
Dessa vez o orgasmo foi curto e intenso, deixando-a trêmula e ansiosa por ir mais além. Agoniada com a força do desejo que sentia, Hinata estendeu a mão para tocar o corpo de Gaara, mas ele a deteve, dizendo com a voz rouca:
— Não. Deixe que eu mesmo faça isso.
Ela o sentiu deslizando para dentro de seu corpo, seu sexo duro e quente, experimentando o calor úmido do dela, em movimentos deliberadamente lentos, indo cada vez mais fundo.
Aaahh, como ela se lembrava da primeira vez em que ele lhe mostrara e revelara os mistérios do sexo. O modo como a levara além daquela dorzinha aguda que a paralisou por apenas alguns segundos, até que seu desejo voltou a assumir o controle, seus músculos abraçando a carne dele, exatamente como acontecia agora, seu corpo fazendo de tudo para tê-lo cada vez mais fundo dentro dela.
Era por aquilo que ansiara, por aquela completude, diferente de tudo o que já experimentara. Hinata se agarrou a Gaara, puxando-o para o mais fundo do seu ser e prendendo-o ali, acompanhando, satisfeita, o ritmo crescente que ele impunha.
Gaara reconheceu que estava perdido. Seu autocontrole estava perdido e ele já não tinha o poder de fazer nada além de se submeter ao desejo que o dominou com uma força impossível de ser detida.
Gaara ouviu o próprio coração gritar, um som másculo que mesclava agonia e triunfo, enquanto acompanhava Hinata em um orgasmo que levou ambos ao ponto mais alto, seu corpo se fundindo ao dela no êxtase.
O corpo de Hinata, ainda dominado por pequenos tremores remanescentes do abalo sísmico que atingira até o mais fundo de seu ser, descansava contra o peito de Gaara, enquanto ela ouvia em silêncio os corações de ambos se acalmarem gradualmente.
Naquela noite os dois haviam compartilhado algo muito especial, precioso mesmo, ela pensou. E sentiu o coração transbordar de amor.
