N/A: Fairy Tail é do Mashima x3

ElfEver, dnv, porque meu OTP merece mais amor. Sempre. Eternamente.

E eu vou dedicar essa ficlet mimizenta a uma nova leitora e amiga de fandom que me mata de rir a cada review/PM. Já pegou que é sua, né Ikathy?!

Possíveis spoilers dos últimos capítulos do mangá. Se você não sabia que o Laxus foi com a Raijinshuu para a Blue Pegasus, well, você acabou de descobrir. Ta-daa.


Blue,

Elfman Strauss x Evergreen


— Você está maravilhosa hoje.

Os olhos azuis percorreram por todo seu rosto, demorando em seus lábios. Ela sorriu levemente, e o viu se aproximar para tomar sua mão. Ela sentiu a respiração do jovem antes dos seus lábios encostarem-se à sua pele. Em seguida, ele tomou seu pulso e inspirou seu perfume, uma rotina que ela já estava acostumada e que não a afetava. Ela o guiou para uma mesa afastada do bar da guilda, mas não tão distante dos olhares curiosos, e ajudou-o a tirar seu casaco.

— Vou pegar nossas bebidas. – Ele lhe sorriu encabulado, e passou a mão em um dos fios de cabelo que lhe caiam sobre o rosto para disfarçar. Ela piscou um dos olhos e foi na direção do bar.

Assim que estava fora do seu ponto de vista, Evergreen suspirou pesadamente e sem perceber, passou a ponta dos dedos levemente sobre o decote do seu vestido onde a marca da Blue Pegasus estava. Ela sentia a magia ali, e sabia que ela seria substituída por sua antiga marca verde facilmente se quisesse.

Ela sentia falta da Fairy Tail.

Quando o mestre Makarov havia decidido que não havia mais uma casa para eles retornarem, Laxus diferentemente dela, Fried e Bixlow pensaram entender as razões do avô. Eles queriam espernear o mesmo tanto que os outros, mas apenas ficaram em silêncio e seguiram Laxus que, mesmo tendo acordado depois de dias, ainda estava muito debilitado da sua luta contra a Tartaros. Ele havia decidido que ficaria mais forte, e que eles precisavam do mesmo.

A Raijinshuu não teve tempo de se despedir de ninguém.

Quando saíram do hospital, duas noites após o final da batalha, e passaram pelos escombros do que havia sobrado da guilda não havia mais ninguém ao redor. Pisando no que um dia foi o salão mais barulhento que eles haviam estado, Evergreen olhou para seus companheiros e viu que eles estavam se segurando para não fazer nenhum tipo de comentário. Ao invés disso, eles olhavam para ela de forma um tanto preocupada.

Afinal, foi Elfman quem mandou tudo pelos ares.

E só de pensar na dor que ele deve ter sentido, no pesadelo revivido com a ameaça a Lisanna, na vergonha ao explodir a própria casa e a culpa que deveria estar corroendo cada milímetro do seu corpo, ela tremeu levemente.

Onde o idiota deveria estar naquele momento?

Laxus se aproximou; se conheciam a tantos anos que ela não se surpreendeu ao ser um livro aberto para ele também. O loiro passou a mão carinhosamente em sua cabeça, afagando seu cabelo, e virou as costas se afastando do lugar que trouxe tantas alegrias para o grupo. A Raijinshuu apenas o seguiu, afinal, Laxus era o porto seguro deles.

Mas os três nunca imaginariam que Laxus iria levá-los para a Blue Pegasus.

Mestre Bob não pensou duas vezes antes de aceitá-los. O nome da Laxus era conhecido em todo país, afinal. Então a Raijinshuu também havia sido facilmente aceita, de forma que havia sobrado apenas o trabalho difícil de fazer amizade com os demais. Foi surpresa para os quatro ver que a parte que seria mais difícil para eles se tornou a mais fácil diante dos magos extrovertidos da Blue Pegasus. Eles não precisaram fazer esforço algum.

E os meses se passaram, sem que ela percebesse.

Mas não se passou um dia sem que ela pensasse na Fairy tail, e nos antigos companheiros.

Não se passou um dia sem que ela pensasse no Elfman.

— Aqui está.

Ela buscou a garrafa de vinho que Nobu estava acostumado a beber e duas taças. O serviu habilmente, e colocou um pouco menos de vinho na sua própria. Ela não beberia, apenas o fazia para acompanhá-lo.

— Obrigado, Ever.

Piscando varias vezes, Evergreen olhou para o rapaz que, assim que ela sentou, lançou seu braço no ar o pousando em seus ombros. Ele estava sorrindo, afinal, muitas vezes havia feito aquilo. Nobu era um ótimo rapaz, e eles se conheciam há mais de sete meses. Era seu cliente mais fiel e um amigo. Acordou de seus devaneios quando os olhos azuis focaram nos seus.

Um tom de azul diferente do que ela estava acostumada.

Um tom muito claro comparado ao que ela queria encontrar.

— Não me chame de Ever, Nobu. – Apesar das palavras duras, sua voz era um misto de cansaço e tristeza, o que fez o homem retirar o braço de seus ombros. Vendo o gesto, a mulher lembrou-se que ela não podia tratar clientes daquela forma. – Me desculpe... – Sorriu, um sorriso forçado. – N-Não estou acostumada com esse tipo de tratamento.

— Não se desculpe, Evergreen. – O rapaz era bonito, ela tinha de admitir, principalmente envergonhado daquela forma. – O erro foi meu em ser tão indelicado ao chamá-la por um apelido. Imagino que apenas pessoas intimas a você tem esse direito. Apenas Laxus-sama e seu time, certo?

Errado.

— Correto. – Ela ignorou a lembrança da voz do homem que ela inutilmente dizia que não amava, a chamando inúmeras vezes, mesmo quando ela insistia para ele não fazê-lo. Tentou outro sorriso. – Vamos mudar de assunto. Como foi sua ultima viagem?

Enquanto o jovem contava de maneira detalhada sua viagem, Evergreen tentou parecer interessada. Às vezes ela buscava entre a multidão e encontrava Bixlow rindo dela – ele jamais fazia o trabalho de anfitrião, Fried servindo algum cliente no balcão – já ele, adorava o serviço de anfitrião – ou até mesmo, Jenny piscando e levantando o polegar para o alto como se estivesse apoiando seu trabalho. Ichiya-san não era visto desde a noite anterior e os queridos Trimens estavam rodeados com o fã-clube particular deles.

— Eu passei por Magnolia.

À menção da antiga cidade, Evergreen olhou para Nobu. Ele voltou a sorrir, feliz de ter sua atenção.

— Natsu Dragneel fez um estrago e tanto no castelo Mercurios, na Capital. Em todos os cantos da cidade, as pessoas estão aguardando o retorno da Fairy Tail. – O olhar dele pousou em seus seios, mas ela sabia que não era de forma maliciosa. Ele estava focado em sua marca. – Quando você voltar para casa, será que eu ainda poderei te visitar?

— Meu lugar é na Blue Pegasus agora. A Fairy Tail não existe mais. – Ela deu de ombros, ignorando seus batimentos cardíacos que aceleraram com a nova informação e ignorando a pergunta do rapaz gentilmente. – Esses caras são tanto a minha família quanto a Fairy Tail foi um dia. Eu não sei se Laxus voltaria apenas porque Natsu quer reconstruir a guilda...

— Mas... não há ninguém da Fairy Tail que aguarda o seu retorno?

Antes que ela pudesse responder amargamente que os únicos que se preocupavam com ela estavam ali, que ninguém havia procurado por ela durante esse ano e que ela tinha tudo que precisava com eles, um barulho inesperado chamou a atenção de todos. Parecia um ataque, já que a porta da frente havia sido derrubada com um pontapé. Evergreen levantou-se em um reflexo rápido e se posicionou na frente de Nobu, já que o rapaz não era um mago.

A poeira que havia sido levantada sumiu e no lugar dela várias pessoas entraram em foco. Ela precisou piscar varias vezes e olhar na direção de Fried e Bixlow no balcão para confirmar que eles assim como ela, estavam vendo alguns antigos companheiros de guilda aparecerem um a um. Bixlow riu e correu na direção deles, enquanto Fried subia as escadas do salão para chamar, ela presumiu, Laxus.

— Viemos pelo Laxus! – Os cabelos revoltos de Gajeel eram inconfundíveis, assim como sua voz. – Devolvam-no!

— E a Raijinshuu também!

Um ano havia se passado desde que ela ouviu aquela voz.

Elfman entrou na guilda completamente, confirmando sua presença, e começou a olhar para todos os cantos. Seria uma questão de tempo até ele encontrá-la.

Ia pedir ajuda para Jenny, para que ela o distraísse por um tempo até ela se recuperar do choque, mas ela já a olhava rindo maliciosamente. Evergreen mordeu os lábios e ela ergueu as sobrancelhas e assobiou como resposta; maldito tinha sido o dia que Jenny havia juntado dois mais dois e entendido que o tal de Elfman, que Bixlow tanto falava, era o irmão da sua eterna rival. O mesmo Elfman que havia chamado à atenção de todos nos Grandes Jogos Mágicos.

A loira abanou o rosto ao olhar para Elfman, talvez para provocá-la, talvez porque gostou do que viu.

Ah... Ela queria transformá-la em pedra. E quebrá-la.

— O-O que está acontecendo? – A voz de Nobu a fez voltar o olhar para trás. Ele havia levantado e pousado suas mãos na sua cintura. – Estão sob ataque? Vieram atrás de vocês?

— Não exatamente. – Ela pensou em dizer muitas coisas, mas sabia que não tinha tempo. – Eu preciso que você vá embora agora, Nobu.

— Não! – Ele a virou, e segurou os ombros dela dessa vez. – Eu sei que não posso ser muito útil, mas quero ajudar você.

— Eu acho que ela mandou você ir embora, agora. Seja homem.

Se não fosse Nobu a segurando tão firme, Evergreen tinha certeza que cairia já que seus joelhos vacilaram. Ela sentiu a presença atrás dela emanando uma aura tão poderosa e familiar que ela teve de morder os lábios pra não sorrir na sua frente. Assim que o rapaz a largou, uma mão grande, forte, e quente pousou sobre seu ombro arrepiando todo seu corpo. Ele a puxou, sem dificuldades, a tirando totalmente dos braços de Nobu. Evergreen não teve coragem de olhar imediatamente para trás. Seu corpo traidor já havia lhe entregado o suficiente apenas com o pouco que aconteceu.

— E imaginar que você iria virar anfitriã. Eu só conseguiria acreditar com meus próprios olhos.

Ele riu, sem graça, antes de ser interrompido.

— E você, quem é?

— Elfman Strauss. – Se aproximou mais um passo, as costas de Evergreen agora pressionadas totalmente contra o corpo dele. – Sou da Fairy Tail.

Nenhuma outra palavra foi trocada. Os olhos azuis de Nobu pararam de encarar o rosto de Elfman e voltaram para o dela. Ele estava visivelmente chateado, talvez porque o semblante dela estava entregando totalmente o que a presença de Elfman causava. Evergreen pensou em como ele havia sempre a tratado bem, em seu carinho, e em sua alegria ao vê-la sempre. Pensou no que poderia dizer para se despedir; se Elfman e os outros estavam ali para buscá-los, bem, aquilo só poderia significar uma coisa.

— Acho que isso responde a pergunta que eu te fiz agora pouco. – "não há ninguém da Fairy Tail que aguarda o seu retorno?". – Espero vê-la novamente, Ever.

Ele pegou seu casaco, e saiu de perto deles sem ao menos olhar para trás. Ela quis chamá-lo e se despedir, mas ao ouvir Elfman murmurar "não a chame de Ever" sabia que não seria uma boa ideia. Respirou fundo e, tomando a coragem necessária, girou fazendo com que a mão que estava em seu ombro se soltasse. Levantou a cabeça aos poucos, absorvendo a presença dele, forçando seu corpo a acostumar-se novamente a sua proximidade, e quando seu queixo ergueu o suficiente para encará-lo, ela cruzou os braços abaixo dos seios.

— Posso ter sido anfitriã, mas o trabalho de garçom em um restaurante de quinta categoria não é muito diferente, concorda?

— As únicas que trabalharam naquele restaurante foram as minhas irmãs. Eu estive treinando por todo esse tempo. – Ele inclinou o corpo na sua direção, o rosto pairando a poucos centímetros do seu. – Como você soube do restaurante? Está parecendo que você me procurou.

— Não seja idiota. – Ela colocou uma das mãos na cintura enquanto a outra apontou acusadoramente na direção dele. – Porque eu iria procurar um idiota como você?

— Porque sentiu saudades.

— Eu não sentiria saudades de alguém como você, Elfman.

— Tudo que você precisava ter feito, era ter perguntando a Mirajane. Ela lhe diria onde eu estava. – Ele passou a mão nos cabelos brancos, e coçou a nuca; estava nervoso. – Eu não estava escondido.

— Você está querendo insinuar que eu me escondi?

— Não comece a colocar palavras na minha boca!

— Eu estive aqui! Todo esse tempo!

— Eu não sabia!

Só então os dois perceberam a proximidade que estavam. Seus rostos estavam a apenas um palmo de distancia, e os olhos de Evergreen arregalaram ao se encontrarem diretamente com os dele pela primeira vez na noite, os intensos olhos azuis, escuros, no tom correto dessa vez. Ela deu um passo pra trás e ajeitou o óculos no nariz enquanto ele mantinha o olhar intenso, fixo nela.

— Isso não combina nem um pouco com você.

Ela só percebeu que ele estava falando da sua marca da Blue Pegasus quando ele pousou a mão no seu ombro direito. Vendo que ela não fez menção de afastá-lo, com a ponta trêmula dos dedos ele o mais delicado que pôde, apagou com magia a marca azul dando lugar a verde. Seu toque deixou seu corpo arrepiado, mas passou despercebido diante do próprio nervosismo dele.

Evergreen só percebeu que estava segurando a respiração quando seus dedos deixaram a sua pele.

— Temos uma guerra para vencer.

— Tsc, sempre há uma guerra para vencermos.

— Ever...

Ela mordeu o lábio inferior quando ele segurou sua mão. Nem ao menos se lembrava da ultima vez que ele havia lhe chamado daquela forma. Estavam afastados da bagunça, o corpo dele bloqueando a vista de qualquer um que os olhasse. A mão que mais cedo havia sido acariciada por outro homem agora era lavada com o gentil toque dele. Havia tanto naquele gesto que ela sentiu vontade de se afastar. Era demais para suportar em poucos minutos.

— Vamos pra casa?

Evergreen ergueu os olhos e o viu sorrindo. Ela amaldiçoou mentalmente seu coração traidor que acelerou apenas com isso e amaldiçoou a sua incapacidade de segurar o próprio riso.

Estava feliz, como há muito não ficava.

Evergreen soltou sua mão da dele e empurrou o seu ombro. Quando Elfman se afastou ela começou a caminhar na direção da porta sabendo que os olhos dele estavam seguindo o movimento dos seus quadris. Um ano havia se passado, mas velhos hábitos são difíceis de mudar.

— Mostre o caminho.

Ela olhou para trás a tempo de ver o sorriso dele aumentar ainda mais.

— Vamos pra casa. – Elfman confirmou, e começou a andar do seu lado, não deixando de olhar para ela nem por um segundo.

A minha casa está onde está o meu coração, afinal.


N/A: Ever estava na Blue Pegasus com o Raijinshuu. Elfman foi buscá-la junto com os outros. E o Mashima, pra variar, não mostrou o reencontro; se você observar no capítulo 461 eles não aparecem em momento nenhum da bagunça... Há. (se um dia rolar flashback, blza. Mas quem lê FT sabe que só rola flashback com casal principal. Pff.) E depois, eles aparecem juntos. Não é suficiente pra mim, Mashima u.u

Ah, sobre o azul... Os olhos do Elfman são azuis, bem bem beeem escuros. No começo do anime era bem nítido.

Outra coisa: Blue Pegasus é uma guilda de anfitriões. Se você leu/assistiu Ouran Host Club, fica mais fácil de entender o trabalho deles, hehe'

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