OS 12 CAÇADORES

OS 12 CAÇADORES

A mensagem de Anissina, finalmente chega nas mãos do rei. Assim que August entrega o pequeno papel e sai do quarto dele.

Drakon abre o envelope, assim que ouve o barulho da porta se fechando atrás de si. Os olhos encaram atônitas as pequenas linhas, que lhe diziam que ela estava feliz em arranjar um casamento.

Feliz...Aquelas palavras ecoaram em sua mente e fez ele ter se arrependido de ter vindo até seu reino e ter aceitado o pedido do falecido rei.

-Anissina - Drakon se apóia na vidraça da janela, as lagrimas lhe embaçavam a visão e uma forte dor lhe queimava no peito - Agora você já deve estar casada e devo conviver com essa dor, devo ser feliz com sua felicidade?? - Drakon olhava para a lua acima da colina, que brilhava intensamente em sua plena forma- Sim...eu a libertei e agora a perdi definitivamente.

A parir daquele momento uma camada de fria indiferença caiu sobre o jovem, que não sorria mais como antes, vivia trancado em seus aposentos e nada mais o admirava como antes.Só havia uma coisa a ser feita, dizer adeus ao seu passado e se entregar a suas obrigações maçantes.

Em todos os vilarejos de Crimms havia panfletos espalhados que anunciavam um grande evento.

"Todos os caçadores estão convidados a irem ao castelo, pois o novo Rei Drakon, iria eleger 12 melhores cavaleiros e serão sua Armada Real.

Suas obrigações são ficar constantemente ao lado do Rei e sendo seus fieis conselheiros.

P.S.: Proibida a "entrada de mulheres no torneio"

Na ultima linha do anuncia dizia de forma clara, que nenhuma mulher deveria se aproximar do castelo. E para evitar tal farsa o rei foi ganhou de um amigo mago, um animal de imensa sabedoria, que lhe indicaria os farsantes.

Num pequeno vilarejo próximo ao castelo, havia um quarto onde a luz do pôr-do-sol brilhava em tonalidades alaranjadas. Mechas de cabelos ruivos eram encontradas pelo chão. No reflexo do espelho Anissina estava cortando seus cabelos com uma tesoura de prata, a franja mais longa que o cabelo ocultavam os olhos azuis

-Eu vou te encontrar Drakon, pois você precisa ver a luz novamente.

Anissina dizia confiante ao espelho, ao depositar a tesoura no criado, limpa com as mãos os fios que lhe caiam sobre um conjunto de verde musgo masculino que estava usando sobre grandes botas de couro. Sobre os ombros uma longa capa de viagem e apertava entre as mãos cobertas por luva de couro, um convite real em nome de seu pai, para participar da eleição que acontecia no palácio.A jovem monta um cavalo bem selado e parte em direção ao sol poente.

No castelo as seleções já haviam começado e muitos homens interessados na posição de status que conseguiriam perante o rei, aceitaram o desafio e uma fila kilometrica se formava perante os portões reais.

No salão principal Drakon estava sentado ao lado do gato Sebastian, o presente dado pelo bruxo, que tinha o dom de dizer a verdade e a cada demanda de homens que passava pelo salão ele dizia se eram aptos ou não para participar do torneio. Em determinado momento, Sebastian eriça seus pelos e fica em posição de ataque.

- Rei, meu Rei...entre os caçadores há uma mulher, ela se veste como homem para se aproximar do senhor.

Drakon o olha assustado

-Isto é impossível

-Não meu Rei, digo a verdade e posso provar, espalhe pelo chão bolinhas de gude e peça para todos irem ao próximo saguão. A mulher pisará tão levemente que certamente escorregará.

- Como quiser, façam o que pediram - Drakon disse sem entusiasmo.

Rapidamente o saguão ao lado foi coberto por pequenas bolas de gude e todos os participantes tinham que atravessar para chegar ao saguão. Anissina se encontrava entre esses cavaleiros e estava entrando em uma crise nervosa, cobria o rosto para ninguém ver o seu real nervosismo.Afinal iria reencontra-lo depois de tanto tempo

-Psiu! HEI!!

Ani ouve uma voz conhecida por detrais de uma armadura e era seu amigo August a alertando das possíveis armadilhas. Ao entrar no saguão, desfila com passos firmes e chega ao outro lado da porta sem problemas.

-Hei...não empurra!!

Diferente de outros homens que se apoiavam uns nos outros e acabavam caindo no chão. No total 18 pessoas passaram para o saguão seguinte que estava repleto de jóias reais, havia uma imensidão de colares, brincos, pulseiras, tiaras e tudo mais lindo que o outro e acabavam ofuscando certas belezas.

Muitos se sentem tentados e acabam pegando algumas jóias e as escondendo nas roupas e por roubo eram desclassificados, restando 13 caçadores. Ao chegarem ao saguão principal, Anissina vê Drakon sentado em uma cadeira ordenada de ouro e ostentando uma coroa em sua cabeça.

Seu coração se acelera e ela dá alguns passos a frente, pronta para se declarar a ele, quando recebe um cutucão de seu amigo August, que estava ao seu lado no torneio.

Estranhamente havia uma maquina de tecer banhada de ouro, separavam os cavaleiros do rei e seu gato.

-Confie em mim realeza, nenhuma mulher resistirá aos encantos de tecer e logo descobriremos o impostor- o gato dizia confiante.

Drakon, não desconfiava de nada, nem si quer imaginava que Anissina se encontrava entre os 13 participantes e disse numa voz sem emoção

-Todos passaram no teste e são dignos de minha confiança, mas porém a um ultimo teste a ser realizado, aquele cavaleiro que souber tecer, dê um passo a frente.

Anissina sentia seu coração explodir no peito. Seria mais uma armadilha?? Drakon a teria descoberto, por isso a maquina de tear?? Ela engoliu em seco e continuou imóvel em seu lugar.

Timidamente um jovem franquizo, um pouco mais baixo que Anissina levantou o braço timidamente e se sentou no banco da maquina, começando a tecer, achando que esta seria uma prova que lhe valeria maior prestigio, já que fora o único a saber tear.

O jovem mal havia passado a agulha sobre a lã e foi encapuzado por 2 guardas que o levaram arrastado ao cômodo ao lado e fizeram o jovem provar que era de natureza masculina.

Ao ver que o plano do gato mais uma vez havia falhado, grita exasperado

-Já basta de bobagens, um animal deve fica na gaiola. Levem-no - disse Drakon impaciente.

- MIAU!! Mas alteza, há uma mulher aqui, deve ter um impostor no castelo! MIAU!!- o gato Sebastian foi retirado do local.

Os 12 homens se encontravam firme diante do rei, após tão embaraçosa cena.

-Muito bem, vocês serão meus fieis companheiros, quero que vocês se apresentem para mim - dizia drakon enquanto observava atentamente todas as pessoas a sua frente.- Você retire esse capuz, quero ver seu rosto.- disse apontando para a Ani.

Ela coberta pelo capuz ainda sorri

- Meu senhor, vim de terras distantes e meu único objetivo é protege-lo- Diz enquanto retirava o capuz e o encarava seria- Me chamo Hildegard, mas pode me chamar de Hilde senhor.

Os olhos de Drakon pairavam sobre si com olhar surpreso. Ele o havia reconhecido?? Pensava Anissina

Esse olhar...conhecia aqueles olhos, mas não podia ser... pensava Drakon

-Será um prazer servi-lo meu Rei - Anissina faz uma referencia como um perfeito cavaleiro e sussurra só para si- Drakon...

No 1º dia de caçada, Drakon preferiu se manter afastado dos demais caçadores, observava o céu e em seu braço carregava sua fiel amiga, a águia Lupin. Ele balança o braço fortemente fazendo a ave voar.

-Lupin, voe!

A ave roda em círculos pelo céu e sobre a cabeça dele, depois desce num vôo rasante e pousa no braço de Hildegard. Anissina se aproxima lentamente com o cavalo trazendo lupin sobre os ombros.

- É um belo animal senhor, bem manso. Posso acompanhar o senhor se preferir, estarei sempre ao seu lado, meu rei.

-Tah certo, Lupin, vamos!

Drakon parte para a colina mais alta e fica admirando as pastagens sozinhos. Anissina o olha com um olhar triste.

-Ani...quero dizer...Hilde, tah tudo bem??- August chega a cavalo ao seu lado.

-Sim, tudo esta é ordem - Sorri e parte em direção do Drakon e alguns caçadores murmuram entre si,

-Estranho o rei Drakon prefere caçar sozinho, então porque precisa de 12 caçadores?

-Ele prefere a companhia daquele pivete ¬¬

August olhava a tudo e sorria calmamente. Se alguém pudesse ajudar o Rei, está pessoa seria Anissina.

-Drakon...

A voz de Hilde o tira do devaneio.

-Não quer descansar um pouco majestade, o sol está muito forte, pode lhe fazer mal – disse sorrindo

Hilde desce do cavalo e se senta sobre a grama da colina, Drakon prefere se manter distante e observar o céu montado no cavalo.

-Não se preocupe, não há nada para se preocupar, pois ela voltará - disse Hilde de repente

Drakon o olha surpreso.

-Como assim ela voltará? O que quer dizer com isso??- Drakon desmonta do cavalo e rapidamente cobre a distancia entre os dois com dois passos e o agarra pela gola da roupa.

Anissina o olha assustada, havia falado demais...

-Digo...a...ave, ela voltará, não importa a distancia que ela se encontra, ela sempre voltará se o senhor a chamar- diz sorrindo aliviada e o puxando pela mão para Drakon sentar-se ao seu lado.

-Lupin é uma águia da espécie masculina (¬¬")

-Oh! Me desculpe, realmente não sabia- rindo embaraçada.

-Mas obrigada...

A expressão de Drakon se suavizou e Anissina o encara feliz e juntos eles ficam observando a paisagem em silencio.

CONTINUA...