Sábado

Viver com a Aria é sempre superar um pequeno desafio. Regra número 1, ela tem sempre o que quer e quando quer. Não que com isto queira dizer que ela é aquele tipo de menina mimada, eu já sabia isso. Ela preocupou-se muito comigo.

Ela também parece visivelmente melhor, não a vi outra vez enjoada. Estava mais enérgica e parecia sempre genuinamente feliz. Ela comentou que o pai reduziu a carga de trabalho. Eu adiantei alguns capítulos durante os meus tempos de pausas entre aulas ou quando vinha mais cedo para casa. Ela saía sempre muito sorridente do escritório quando terminava de ler cada um capítulo.

As brincadeiras dela ficaram mais ousadas, ela provoca-me absolutamente em todo o lado. Dá-me aquele olhar matreiro, beijos no pescoço e linguagem suja que me deixam louco. Mas esta manhã de sábado não foi assim, ela acordou foi incrivelmente sossegada e até um pouco carente antes de sair do quarto. Quando finalmente desci encontrei a porta da cozinha ligeiramente aberta para o exterior o que indicou que ela estava lá fora. O que me apanhou de surpresa foi vê-la sentada na relva com o Mike praticamente no colo dela.

"O que se passa querida?" O Ezra pergunta antes mesmo de perceber que ele estava no jardim.

Eu suspirei quando olhei para ele preocupado. "Hoje é o aniversário da morte do meu irmão."

Ele veio mais perto, sentou-se ao meu lado e abraçou-me. "Posso fazer algo para melhorar o teu humor?"

Eu neguei. "Eu estou bem." Ele confortou-me mais. "Eu estive a pensar ir ao cemitério."

"Queres que vá contigo?"

"Eu acho que devo fazer isto sozinha, o Oliver leva-me lá."

"Sabes que estou aqui para ti, faz como achares melhor."

"Eu sei." Eu abracei-o com mais força para sentir ainda mais o calor do seu conforto. Eu fui a única a afastar-me. "Estarei de volta em breve." Beijei-o e levantei-me enquanto o Mike esperava alguma atenção.

"Eu estarei a corrigir trabalhos à tua espera." O Ezra diz levantando-se também e voltando para o interior da cozinha.

"Certo. Até logo." Eu fui para a garagem onde encontraria o meu segurança Oliver.

No caminho parei na florista e num café para comer alguma coisa apesar de não ter grande fome. O trânsito estava caótico como sempre no meio da cidade. Parecia até o meu dia de azar, os sinais iam mudando para vermelho. O próximo sinal é o último e para nossa sorte virou verde assim que nos aproximamos. Mas a sorte vem camuflada de azar e assim que avançamos um estrondo forte vem do meu lado esquerdo seguido de um forte abanam que me fez bater com a cabeça e o ombro na janela do lado direito. Vidros partidos estavam por todo o lado, eu não tive muito tempo para pensar na dor que se instalou repentinamente no meu corpo... coloquei as mãos no tejadilho do carro quando o senti virar. Foi tudo muito rápido e quando o carro parou estava novamente na sua posição original. "Oliver? OLIVER?" Ele não respondeu. Eu queria sair do carro. Pessoas rapidamente se aglomeraram no exterior, a parte esquerda do carro estava desfeita, vidros e as flores que eram para o meu irmão espalhadas por toda a parte.

Toquei na cabeça onde senti dor e vi imediatamente sangue na minha mão. "Oliver?" Eu insisti.

Ouvi sirenes ao longe. Tomei consciência de que o meu pulso esquerdo também não estava bem quando tirei o cinto de segurança. Abri a porta para sair do carro... mas devo mesmo sair? A dor começou a instalar-se gradualmente e estava a atacar também as minhas costas.

Eu fiquei sobressaltada com a invasão súbita de um homem que pela farda era da emergência médica. Polícias também estavam na área. "Como se chama? Ele pergunta.

"Aria." Eu tentei sair do carro.

"Não se mexa vamos já tirá-la daí."


O toque do meu telemóvel interrompeu a avaliação dos trabalhos que estava a corrigir.

O número era-me desconhecido. "Sim? Quem fala?"

Eu alarmei-me quando a mulher do outro lado referiu um dos mais prestigiados hospitais da área. "Falo com o Sr. Ezra Fitz?" Ela pergunta.

"Sim."

"O seu contacto está na lista de emergência da Sr.ª Aria Montgomery."

Eu fiquei instantaneamente preocupado. "O que aconteceu?"

"Não estamos autorizados a dar detalhes, mas a Sr.ª Aria sofreu um acidente automóvel."

"Vou já para aí." Eu deixei a casa a correr fui à garagem e saí com o meu carro até ao hospital.

Assim que perguntei na recepção fui imediatamente encaminhado para outra parte do edifício. O design moderno fez-me pensar que este hospital é um lugar agradável se não viesse pelas piores razões. Assim que cheguei os pais dela receberam-me.

"Ezra querido, a Aria perguntou por ti quando a vi. Disse-lhe que ainda não tinhas chegado." Diz a mãe dela.

"O que aconteceu? Como ela está?"

"Um delinquente bêbado passou um sinal vermelho e embateu no carro dela. A parte esquerda do carro está totalmente desfeita, o condutor bêbado morreu na hora. O Oliver está inconsciente em estado grave. A Aria diz que está bem, mas bateu com o ombro e com a cabeça no vidro, queixa-se do pulso, tem alguns arranhões e estava ainda atordoada." Diz o pai.

"O polícia disse que ela teve sorte porque seguia do lado direito do carro senão as consequências seriam piores... eu nem quero imaginar, viste como o Oliver está?" Diz a mãe dela e faz a última questão ao Byron.

"Não posso vê-la?"

"Estamos à espera querido, ela foi fazer um raio-x e uma tomografia à cabeça. O médico disse que viria aqui assim que terminasse."

Eu concordei, mas isso ainda não me descansou. Eu só ficarei bem assim que souber se ela está bem. "Ela entrou há muito tempo?"

"Uns 10 minutos talvez. Sabes onde ela ia? Não tive tempo de perguntar." A mãe dela pergunta.

"Ela ia ao cemitério e queria ir sozinha." Foi o suficiente para se instalar um silêncio na sala.

Um médico apareceu pouco depois. "Já fizemos os exames necessários à Aria. O exame de tomografia não acusou nada fora do normal. Os raios-x região do tórax não indicou qualquer anomalia na coluna ou no ombro, mas a zona do pulso esquerdo apesar de não estar partido inchou o que indica que está torcido. Vamos mantê-la mais 1 hora para ter a certeza que não existe outro problema e depois terá alta, mas deve ficar em repouso absoluto durante 2 dias. O outro senhor ainda não tenho informações, mas a situação é delicada. Sei que a família foi contactada e devem chegar em breve."

Os pais dela agradeceram ao médico e seguiram até ao quarto onde a Aria estava, como é óbvio eu segui-os. A primeira coisa que vi quando entrei no quarto foi a ligadura na cabeça da Aria e os arranhões nos seus braços e rosto.

"Como te sentes querida?" A mãe pergunta.

"Bem mãe, os médicos deram-me algo para a dor."

"Tens a certeza?" O pai pergunta.

"Absoluta. O médico diz que tenho alta dentro de 1 hora, se quiserem podem voltar para casa."

"Claro que não." A mãe diz.

"Eu falo a sério, se for por mim podem ir. Eu estou bem, o Ezra leva-me para casa. Nada vai acontecer." A Aria esticou a mão para mim e eu dei-lhe a minha. "O Oliver? Ele nunca respondeu quando chamei e os médicos não me disseram nada."

"Sem notícias ainda, mas o estado ele é grave." Diz o pai. "Vamos esperar que a família chegue para falar com eles."

"Espero que fique tudo bem e desculpem." Diz a Aria.

"Porque pedes desculpa?" O pai pergunta.

"Pelo susto... pelo dia..." A Aria ficou visível abatida.

"Não foi culpa tua querida, esse condutor bêbedo e sem responsabilidade fez isto. Não estamos chateados, estamos felizes por estares bem." Diz o Byron.

Ficou um silêncio na sala, ninguém parecia querer quebrá-lo. Eu limpei a garganta. "Se quiserem podem ir Sr. e Sr.ª Montgomery, eu vou vigiar a Aria. Prometo que vou chamar se algo acontecer."

Os pais dela pareceram ponderar silenciosamente. "Tens a certeza de que ficas bem?" A mãe pergunta.

"Óptima, eu estou bem... podia ir já para casa se não fosse o médico."

"Então nós vamos deixar-vos os dois." A mãe diz.

"Vamos estar há esperar da família do Oliver e estaremos lá fora quando saíres." Ambos se despediram de nós e saíram.

Esperei alguns segundos depois deles saírem. "O que te dói?"

Ela deixou cair a sua máscara saudável. "Parece que um camião me passou em cima. Levei pontos na cabeça, o meu ombro vais ficar negro, o meu pulso inchado e as minhas costas ainda doem." Ela suspira.

"Queres que chame uma enfermeira?"

"Eu quero voltar para casa e ir para a nossa cama, adormecer nos teus braços e esquecer que o dia de hoje aconteceu. Coitado do Oliver... nem quero pensar que algo grave pode acontecer."

"Infelizmente não posso ajudar em relação a isso."

"O médico também teve antecipadamente os resultados no meu exame por causa do mau estar das últimas semanas e parece que foi um vírus que causou a minha má disposição. Agora vou tomar uma medicação nova." Ela suspirou.

"Pelo menos não é nada mais grave." Eu disse-lhe. "Agora vai descansar e ficar boa, vou ficar contigo estes dias."

"Tens aulas para dar Ezra."

"Vou faltar uns dias, pedir um substituto e cuidar de ti. Tu és mais importante."

Ela sorri para mim. "Desculpa."

"Porque estás a pedir desculpa?" Os olhos dela ficaram vermelhos com lágrimas. "Não chores."

"Eu não sei… eu só sinto que devia pedir perdão, por qualquer coisa que tenha dito ou feito e que não tenhas gostado." Ela disse.

"Tu não tens de te desculpar por seres quem és." Eu beijei delicadamente a sua testa para ter a certeza que não a magoaria.


Muito obrigado EzriaBeauty! Nem sei bem o que dizer sobre isto... Pelo menos a Aria vai ficar bem! Não se esqueçam que podem sempre dar a vossa opinião sobre a história e se tiverem alguma ideia é só dizer.

Imagens relacionadas no tumblr ;) shanalystuff (podem fazer perguntas, dar sugestões e comentar)

Obrigada a todos por lerem!