O Ezra tratou-me quase como se fosse feita de vidro. Ele telefonou ao Stefan para me trazer algumas roupas limpas para vestir e ajudou-me a trocar. Os meus pais estavam na sala de espera quando saímos e também se colocaram totalmente à disposição de ajudar no que fosse possível, mas com as dores que ainda tenho a única ajuda que preciso é chegar o mais rapidamente à minha cama. A família do Oliver ainda estava abalada e eu não tinha muito a dizer sobre o acidente.

O Ezra levou-me para casa, o Mike percebeu que algo estava estranho e seguiu-me. Eu consigo caminhar apenas parei quando cheguei às escadas. As minhas costas ainda limitavam um pouco os meus movimentos. "Queres que te leve ao colo?" O Ezra pergunta-me.

Eu concordo envergonhada e então ele agarrou-me com cuidado. O Mike que nunca subia as escadas seguiu-nos e entrou no quarto. O Ezra deixou-me sentada na cama, tirei a roupa enquanto ele pegou uma t-shirt. A t-shirt era dele e tinha o seu fantástico cheiro que sempre me deixa mais calma. "Espero que não te importes de usar a minha roupa… eu ainda não sei onde guardas as tuas." Ele diz.

Eu coloquei a camisola que ele me deu. "Eu gosto de usar a tua roupa, tem o teu cheiro." Com esse comentário deitei-me calmamente na cama. O Mike sentou-se ao lado da cama a olhar para mim.

"Estás confortável?"

"Dentro do possível." Eu dei-lhe um pequeno sorriso. "Não precisas ficar aqui a fazer de ama, eu sei que tens coisas para fazer."

Ele concordou. "Chama-me se precisares." Diz antes de sair.

"Ok." Eu tentei-lhe passar o lado forte, mas eu estava um farrapo. Eu queria chorar, este foi o pior dia para tudo acontecer. Tentei fechar os olhos para adormecer e eventualmente o desgaste de toda a situação deixou tudo negro.


Ela moveu-se ao meu lado e gemeu de dor. Verifiquei a hora. Ela não almoçou porque estava a dormir e achei melhor deixá-la descansar. Em breve tem de tomar um dos remédios para a dor. Ela parecia estar a acordar e o Mike ficou alerta. Tem graça como os animais são sensíveis aos seus donos. Terminei de corrigir mais um dos trabalhos e coloquei tudo de lado.

"Aria… está na hora de um remédio." Ela começou a tomar consciência e está rabugenta. "Tens fome? A Natalie veio, acho que os teus pais lhe ligaram para vir fazer comida." A Natalie era empregada/cozinheira dos pais da Aria, eles referiram que a Natalie adora a Aria e ofereceu-se para vir.

"A Natalie está cá?" Ela pegou o comprimido da minha mão e na água e tomou.

"Sim, ela esteve aqui para te ver, mas estavas a dormir. Como te sentes agora?"

"Parece que levei com dois camiões e não um carro." Ela fechou os olhos, mas voltou a abri-los. "Estavas aqui a trabalhar?" Ela reparou nas folhas e no meu portátil.

"Sim, achei melhor ficar perto de ti no caso de precisares e também para eu não estar preocupado."

"O que a Natalie fez para o almoço?" Ela pergunta.

"Ela fez risoto de frango, disse que era um dos teus favoritos."

"O risoto dela é sempre tão bom." Ela comenta.

"Tens razão." Eu levanto-me e ela tenta fazer o mesmo. "Fica aí eu vou lá abaixo buscar. O que queres para beber?"

"Apenas água." Ela diz.


Eu não parei de mudar canais enquanto o Ezra estava ao meu lado a ler. A Natalie já tinha saído deixando o resto do risoto, o jantar e ainda mais algumas refeições para os dias seguintes no frigorífico. "Estou a sentir-me uma inútil." Eu soltei o controlo remoto sobre a cama.

"Desculpa?" O Ezra pergunta ao meu lado, ele estava tão atento à leitura que nem percebeu o que eu disse.

"Odeio estar assim."

Ele deixou o livro na mesa de cabeceira e virou-se para mim. "Só mais alguns dias e vais ficar bem outra vez."

"Felizmente tenho-te por perto." Eu disse aproximando-me dele com cuidado e beijando os seus lábios. Ele fez-me deitar sobre a almoçada enquanto nos beijamos. Nós temos sempre tanta química e desejo entre nós. Eu posso sentir o meu corpo florescer com o seu toque quando ele colocou uma das suas mãos na minha cintura. Por alguns segundos eu não senti dor, outro tipo de sensação percorreu as minhas veias e fazendo-me sentir mais viva outra vez. Seria errado desejá-lo dentro de mim depois do meu acidente?

Ele quebrou o momento e olhou-me nos olhos. Ele também me deseja dessa forma, eu vi isso no seu olhar. "Não podemos." Ele diz num sussurro antes de se afastar.

Eu suspirei tentando-me acalmar. O meu corpo pode não aguentar a minha participação durante sexo selvagem ou algo do género, mas… e se fizermos amor lento e tranquilo? Será que ele quer selvagem desta vez? "Eu acho que posso." Eu tentei.

"O médico disse 2 dias de repouso absoluto." Ele diz sendo ele agora mudar canais de televisão.

"Se eu não me mexer vai ficar tudo bem." Eu disse.

"Tu não és assim… tu gostas de te mover." Ele diz antes de olhar para mim.

"Eu consigo me manter quieta." Eu digo. "Eu apenas gosto de mover porque… eu gosto de me sentir no controlo depois do que aconteceu com o Noel. Eu sempre fui muito passiva quando tinha um relacionamento com ele. Depois dele outros homens dominaram apenas quando eu permiti."

"Mas tu és passiva na fantasia de professor e aluna. Isso é uma diferença?" Ele pergunta.

"Eu permiti porque é a minha fantasia… tu tens de estar no poder." Ele concordou. "Eu entreguei-me e confiei em ti nessas ocasiões. Eu acho que está na altura de te deixar decidir por ti, quando queres… como queres. Eu acho que estou pronta para isso."

"Eu acho que devemos decidir isso juntos. A mim não me interessa tanto dominar ou ser dominado… eu só quero estar contigo e que confies em mim." Ele diz.

Eu sorri. "Eu confio e quero estar contigo."

"Eu quero esperar até estares sem dor. Vamos respeitar estes dois dias apenas para o teu bem." Ele diz.

Eu concordei e aninhei-me nele. "Apenas dois dias."

Ele riu, abraçou-me com cuidado e beijou a minha testa. "Estão a contar."


Muito obrigado EzriaBeauty! Quem gostou de ver esse lado da verdade sobre a Aria? E da atitude do Ezra sobre isso?

Imagens relacionadas no tumblr ;) shanalystuff (podem fazer perguntas, dar sugestões e comentar)

Obrigada a todos por lerem!