"A tua mãe vive aqui?" O meu queixo caiu quando o portão da propriedade abriu.
"Podemos voltar para trás e vê-la outro dia, o acidente ainda é muito recente tu ainda tens ferimentos." Ele diz.
"Tudo bem Ezra, podemos fazer isto agora… pode ser que ela não me trate muito mal se me vir ferida."
"Ela não vai encostar um dedo em ti para te magoar, eu vou estar sempre ao teu lado de qualquer forma." Ele diz. "O problema dela pode ser com as palavras ou as atitudes."
"Isso deixa-me muito mais tranquila." Digo quando o Ezra travou, desligou o carro e saiu para me ajudar a sair.
"Tu disseste-lhe que nós vínhamos?" Eu perguntei.
"Sim, ela está à nossa espera." Ele diz. "Eu não lhe disse que vinha com a minha namorada, mas ela sabe que estou acompanhado. Prefiro dizer pessoalmente."
Eu concordei. Um mordomo rapidamente abre a porta mesmo antes de batermos. Eu e o Ezra entramos e eu fiquei ainda mais espantada com o interior. Não pelo luxo que nela tinha, mas pelo requinte e perfeição do local.
"Cresceste aqui?" Perguntei.
"Sim, o tempo todo até sair para a faculdade." Diz o Ezra.
Ao contrário da minha casa de vários milhões dólares de estilo moderno e pacato esta casa é um autêntico palácio decorado no estilo vintage e mármore. "Wow!" Eu digo.
"Estou a ver que gosta." Uma voz feminina chamou a nossa atenção. A mulher de média idade indicou a sala com algum desprezo, como se não fosse nada demais. "Ezra já não te vejo há tanto tempo." Ela cumprimenta o Ezra com um simples beijo e pegou a minha mão cordialmente. Era sem dúvida a mãe do Ezra, os olhos era os mesmos, mas um pouco mais observadora. No momento senti-me mais consciente do meu estado ferido, ela levou mais do que 5 segundos a olhar para a faixa na minha cabeça. "Não me apresentas a tua amiga?" Ela pergunta.
"Mãe, esta é a minha namorada Aria Montgomery."
Os olhos da mulher cresceram. "Namorada? Tens uma namorada e não me dizes nada?" A mulher pergunta.
"Pois… eu não esqueci a última vez."
Os dois trocaram um olhar amargo. "Podes chamar-me Dianne querida." Ela diz indicando-nos para a seguirmos.
Não pareceu tão mau até agora. Ela levou-nos para uma sala igualmente decorada com luxo. Chá foi servido. Ficou um silêncio estranho na sala, mas tentei ficar neutra.
A mulher olhou para nós dois. "Ela está grávida? Vocês estão noivos e vão casar? É por isso que vens aqui ao final de tanto tempo?"
"Não!" Os dois dissemos ao mesmo tempo. Eu deixei o Ezra falar. "Nós não estamos noivos e a Aria não está grávida. Acontece que a Aria tem alguma influência mediática, ela é filha do dono de uma das maiores editoras do país e uma pessoa tentou terminar a nossa relação para conquistar a Aria. Ele tentou usar o nome da nossa família para ela se afastar de mim."
"Eu não vi nada sobre vocês por aí. Essa pessoa fez alguma coisa?" Ela pergunta.
"Não, mas eu também já não me importo mais. Eu vou assumir a relação com a Aria, vou admitir quem sou e deixar as sombras."
A mulher pareceu ligeiramente espantada. "Então é sério…" Ela bebe um pouco de chá. "Também trabalhas na editora?" Ela pergunta-me.
"Sim."
"E o que aconteceu contigo? Foi essa pessoa que te ameaçou?"
Eu neguei. "Um condutor bêbedo bateu no carro onde eu ia com o meu motorista."
"Que marginais." A mulher admite com desgosto. "Bom… talvez vocês queiram passar no museu amanhã à noite. Talvez seja uma boa ocasião para aparecerem em público."
"Não com a Aria ainda neste estado." O Ezra diz.
Ela olhou para mim. "Apenas uma pequena aparição, eu conheço uma pessoa que pode fazer milagres." Ela diz.
Eu olhei para o Ezra. "Por pouco tempo não faria mal."
"Nós ainda vamos pensar. De certeza que não vão faltar ocasiões." Diz o Ezra um pouco antes de se levantar. "Nós temos de ir agora."
"Já?" A mãe dele pergunta.
"Tenho trabalho para fazer e a Aria ainda tem de descansar." Ele diz.
"Nesse caso devem ir." Diz a mulher levantando-se também e eu fiz o mesmo. Ela olhou para o Ezra. "Sabes que não gostei das tuas escolhas, mas sabes que és bem-vindo aqui." Ela diz.
"Eu também não gostei da forma que tentaste controlar a minha vida. Foi por isso que me afastei e tu sabes. Desta vez será diferente." Ele colocou a mão à volta da minha cintura.
A mulher parecia querer explodir, mas ficou calada por alguns segundos. "Eu percebi. Foi bom ver-te e um prazer conhecer-te Aria." Diz a mulher acompanhando-nos até à saída.
"Igualmente Srª Fitzgerald." O Ezra não me deixou parar por um minuto para me despedir da mãe dele.
"Adeus mãe, eu ligarei em breve." Diz o Ezra mantendo o movimento.
"Fico à espera." Diz ela. E sem um beijo ou um cumprimento final ambos saímos da grande casa para o carro do Ezra.
Já fora da propriedade e a caminho de casa senti-me à vontade de falar. "A tua mãe não foi assim tão má." Eu disse. "Tu fizeste a maior parte da tempestade."
"Ela ia começar e acredita que não ia levar a nada de bom. Eu apenas cortei o mal pela raiz." Diz o Ezra com um tom mais alto e nitidamente ainda irritado.
Eu calei-me, a última coisa que queria era começar uma discussão. A mãe dele não é um monstro de sete cabeças, as pessoas podem mudar. Apesar da atitude arisca ela não fez nada para me ofender e foi minimamente agradável.
A música continuou a preencher o silêncio e eu observei as pessoas agitadas na rua. "No que estás a pensar?" Ele pergunta.
"Achas que devemos mesmo tornar a nossa relação pública?"
"Eu não me vou esconder mais, mas se tu não quiseres tornar a nossa relação pública por mim tanto faz." Ele diz.
"A nossa relação vai ser pública mais cedo ou mais tarde, existe sempre alguém a controlar as entradas e saídas da minha casa e tu vives lá então…" Ele concordou sem tirar os olhos da estrada. "É apenas o facto de sermos nós a fazer a relação oficial ao público."
"Tu sabes melhor do que eu." Ele diz.
"Nunca poderás andar sozinho." Eu disse.
"Eu sei… é um pequeno preço que tenho a pagar por estar contigo." Ele diz. "Eu não mudaria nada disso." Ele acrescenta.
"É um pouco irónico acabares por aceitar viver do que fugias."
"Eu fugi da ganância da minha mãe, ela gosta de ostentar. Não fugi do luxo." Ele diz chegando ao acesso da minha casa. "Tu és totalmente diferente e exactamente o que precisava na minha vida."
"Achas que não devemos ir amanhã?"
"Acho que não temos de ter pressa agora, tu tens de te recuperar."
"Eu quero fazê-lo, quanto mais cedo melhor."
Ele parou o carro na garagem e pegou a minha mão. "Então vamos fazê-lo juntos."
Muito obrigado EzriaBeauty! A mãezinha do Ezra vai meter as garras de fora? xD
Imagens relacionadas no tumblr ;) shanalystuff (podem fazer perguntas, dar sugestões e comentar)
Obrigada a todos por lerem!
