Capítulo 4 – Em Família.
JUNTOS NO MESMO CAMINHO
Depois de um dia inteiro trabalhando duro nas cercas que haviam se arrancado na tempestade de dois dias, Kizashi entrou em casa depois que tirou as botinas sujas de terras, deixando-as do lado de fora.
Já na sala, o cheiro de comida caseira invadia todo o cômodo, fazendo assim seu estômago reclamar. Caminhou com passos largos e calmos, chegou à cozinha encontrando sua linda esposa Mikoto terminando de arrumar a mesa com travessas de comidas que só de olhar, sua boca salivava. Sua pequena bonequinha Mya estava sentada na cadeira, alisando os cabelos cor-de-rosa de sua boneca favorita que ele havia dado a ela no natal passado.
E assim quando a menor percebeu sua presença, um sorriso enorme iluminou seu rosto, revelando a pequena janelinha no canto de seus dentes de leite.
— Papai! - a voz eufórica de Mya ecoou pela cozinha, enquanto descia da cadeira e corria até abraçar as pernas do pai.
— Mya, eu estou todo sujo. - o tom de voz de Kizashi saiu risonho, enquanto afastava a filha delicadamente de si, passando a mão nos cabelos fininhos e lisos da pequena, que ergueu o olhar para cima e sorriu mais.
Mikoto sorriu com a cena e fitou seu esposo.
— Querido, já vou servir o jantar.
— Eu vou tomar um banho e logo desço. - ele disse se afastando para o portal da cozinha, mas parou e voltou a olhar sua esposa. - E Sakura, saiu do quarto?
— Ainda não.
— Papai, eu falei com a Sakura. - disse Mya, trazendo a atenção do patriarca para si. Era notável o tom animado na voz da menina. - Ela é muito legal papai.
Kizashi não evitou o sorriso que se abria em seu rosto, estava contente que suas duas filhas estejam se dando bem, apesar de conhecer o gênio forte de sua primogênita.
— Me alegra em saber que esteja gostando de sua irmã. - ele disse, vendo a menina voltar a sentar na cadeira. - Bom, eu vou subindo, chamo ela antes de descer.
O Haruno saiu da cozinha, deixando mãe e filha ali. Mya ainda ficou olhando por onde seu pai havia saído, mas logo voltou sua atenção para sua mãe preparando um suco de laranja.
A mais velha ergueu seu olhar para a filha, e sorriu levemente.
— Meu amor, vai chamar seu irmão para jantar.
— Posso chamar a Sakura também? - ela perguntou, seus olhinhos verdes brilhavam.
Mikoto sorriu.
— Pode.
A pequena Haruno não esperou duas vezes, desceu da cadeira e saiu correndo pela casa, podia escutar a voz alta da mãe a repreender por correr. Subiu as escadas, segurando o corrimão que era de seu tamanho para não cair. Passou pelo corredor até parar na porta do quarto de seu irmão mais velho. Levando a mão na maçaneta, girou e abriu a porta lentamente, encontrando Sasuke sentado na cadeira giratória, teclando no computador.
O pequeno chiado da porta atraiu a atenção do mais velho, fazendo-o virar sua cabeça para trás e encontrando aquela pentelha fofoqueira entrando em seu quarto de mansinho.
— O que foi, Mya?
Ela deu alguns passos para frente.
— Suke, a mamãe está te chamando para jantar.
— Já estou descendo. - ele respondeu um pouco seco, voltando sua atenção para o computador.
Ainda estava irritado com a menina por ser uma língua de trapos e falar tudo o que se acontece em casa para uma desconhecida. Sim, Sakura era uma desconhecida para ele, apesar de ter achado a garota bonita, mas ela era tão grossa quanto um javali.
Mya como toda a criança era curiosa, e só o fato de Sasuke ter dado mais atenção à tela do computador do que para ela, havia atiçado sua curiosidade infantil.
O que ele tanto olhava? O que tinha de mais interessante ali do que ela?
Devagarinho e com passos leves, ela se aproximou do irmão, que estava tão entretido clicando o mouse que não havia a notado se aproximando e parando um pouco atrás de si. No monitor apareciam algumas fotos de uma garota de cabelos cor-de-rosa, e um rosto muito conhecido para ela, o rosto de sua irmã mais velha e legal.
— Olha, é a Sakura!
Sasuke deu um pulo da cadeira, não havia notado que Mya ainda estava em seu quarto. As fotos de Sakura que ele via do facebook dela que estava em público, havia tomado toda a sua atenção. Fitou a menor ao seu lado, o cenho levemente franzido e o coração que parecia que iria sair pela boca.
A pequena sapeca riu, tinha achando graça do jeito espalhafatoso de seu irmão quando tomou aquele susto, ela não tinha a intenção de assustá-lo, mas não tinha como não achar engraçado. Mas logo seu sorriso morreu quando percebeu que as expressões de Sasuke eram sérias.
Ele estava zangado com ela.
— O que você ainda está fazendo aqui, sua enxerida? - foi inevitável sua voz não sair fria, Sasuke estava realmente irritado, deixando Mya um pouco acanhada.
— Eu queria ver o que você estava fazendo. - ela respondeu de um jeito totalmente inocente. - Você estava olhando a foto da Sakura?
— Isso não é da sua conta. - respondeu, voltando sua atenção ao computador, fechou a janela e desligou em seguida. - Sabia que é feio ficar xeretando as coisas dos outros?
Voltou a olhar a pequena que agora apoiava o seu pequeno corpo na mesa de seu computador.
— Desculpe, Suke. - ela pediu com a voz manhosa, fazendo beicinho, um gesto totalmente fofo.
Sasuke suspirou cansado diante daqueles olhos grandes e verdes de sua irmãzinha sapeca e enxerida. Ele não conseguia ficar com raiva dela por muito tempo, a danada sabia como driblar a situação a seu favor, e só aquele gesto com aquela carinha arrependida e fofa já havia o derrubado.
— Tudo bem, Mya. - se levantou da cadeira e pegou a pequena nos braços. - Vamos descer.
— Não. - ela o interrompeu. - A mamãe me mandou chamar a Sakura também.
Ela não podia esquecer-se daquela missão ultra-hiper-mega importante. Sua mãe havia confiado a ela a responsabilidade de chamar a sua irmã legal com cabelo de boneca para descer para jantar.
Seu corpo se contorcia nos braços de Sasuke, até ele a colocá-la no chão novamente. A pentelha correu até a porta aberta, mas parou com o pé no corredor e olhou para o irmão que a fitava com uma sobrancelha negra erguida.
— Você vem comigo chamar ela, Suke?
Sasuke quis rir daquela pergunta. Ir até o quarto daquela louca varrida e chamá-la? Se ele fosse lá era bem capaz dela o acertar com alguma coisa afiada ou o jogasse pela janela. Aquela garota tinha jeito de ser sanguinária. Passar longe da porta do quarto dela era o melhor para a sua saúde física e psicológica.
— Não. - sua resposta veio curta e seca.
A pequena não se importou, apenas deu de ombros e aproximou do quarto da Sakura que era de frente do seu irmão. Levou a mão na maçaneta e a girou, abrindo-a devagarinho, percebendo a presença de Sasuke atrás de si, fechando sua porta do quarto e sumindo pelo corredor, em direção as escadas.
Sakura estava deitada atravessada, com a cabeça para fora da cama, sentindo o sangue descer para o seu cérebro, mas não se importava. Os chiados de seu fone de ouvido ecoavam por todo o quarto devido à altura.
Mya se aproximou curiosa, sabia que a irmã não estava dormindo, pois quem dormiria naquela posição desconfortante? Além do mais, as pernas cruzadas dela estavam balançando.
A pequena continuou se aproximando até se agachar de frente para o rosto de cabeça para baixo de Sakura e tocar levemente a sua testa com o dedo.
Sakura abriu os olhos subitamente com o pequeno susto, encontrando dois pares de olhos verdes a fitando.
— O que faz aqui, pirralha? - a voz de Sakura havia saído mais grossa que o normal enquanto se ajeitava na cama, tirando um dos fones do ouvido, sentindo o sangue que havia descido para sua cabeça voltar ao normal.
Franziu o cenho ainda olhando aquela criatura adorável e intrometida que havia se erguido e ficado de pé.
— Eu vim te chamar para jantar. - o sorriso iluminou seu rosto redondo e corado.
Sakura revirou os olhos e se jogou de costas na cama.
— Daqui a pouco eu desço. - murmurou, mexendo na playlist de seu celular.
Mya observava a irmã mais velha que resolveu a ignorar, colocando a outra perna do fone no ouvido e fechando os olhos, voltando a escutar o seu rock pesado.
Delicadamente ela aproximou-se mais da cama e subiu, fazendo Sakura abrir os olhos na mesma hora e fitar aquela pequena intrometida que estava agora sentada, a olhando.
— O que você ainda quer? - Sakura não se importou em não ser rude com a menor. - Eu não falei que desço daqui a pouco?
— O que você está escutando? - a mais nova perguntou, ignorando os protestos de Sakura e muito menos se importando com o tom grosseiro.
Sakura revirou os olhos.
— Música.
A resposta de Sakura foi um pequeno passe para que Mya se animasse e continuasse suas perguntas de criança curiosa que ela era.
— Que música é?
Sakura bufou impaciente com aquela pirralha intrometida. Sentou-se na cama, ficando ao lado da menor que agora a olhava com mais atenção.
— Rock.
Mya piscou duas vezes, processando o que Sakura havia falando. O que era rock? Aquela palavra era nova para ela, inédita.
— Ah. - sua cabeça inclinou para o lado. - Eu nunca escutei rock.
Sakura fitava aquela figura infantil confusa. Suspirou cansada, tirando a perna do fone do ouvido.
Ser legal com aquela pirralha não iria matá-la, não é?
— Você quer escutar?
Os olhos verdes de Mya brilharam, ela assentiu com a cabeça sem pensar duas vezes. Sakura entregou a perna do fone branco e a menor pegou, colocando no ouvido em seguida. No começo levou um susto com o som alto e potente, enquanto a voz grave de Corey Taylor invadia seus tímpanos, deixando-a um pouco tonta.
Sakura comprimiu os lábios, prendendo uma risada com a figura de sua irmãzinha inocente experimentando uma coisa nova. Talvez estragar aquela pirralha com seu excelente gosto musical não fosse tão ruim assim.
Mya a olhou, confusa, sua mão segurava o fone para não cair do ouvido.
— Por que ele está gritando?
— Por que é rock.
— Quem canta?
— Slipknot. - respondeu, sem tirar os olhos da menor.
— Eslipinot.
Sakura acabou rindo, balançando a cabeça para os lados.
— Pirralha você tem muito que aprender ainda.
— O Suke não escuta rock.
— Ah é? - questionou, prevendo o que poderia vir daquela pequena fofoqueira. - O que o Suke escuta então.
Mya olhou para cima, colocando um dedo na bochecha, pensativa.
— Ele escuta Bruno e Marrone, Luan Santana, é... Hm... Chitãozinho e Xororó... - olhou para Sakura. - Isso!
Sakura acabou rindo de novo, se perguntando que droga de música o Suke escutava?
— Você gosta de escutar isso? - ela perguntou, atiçando a garotinha a falar mais.
— Não sei. Quando o Naruto vem aqui, o Suke coloca o som beeem alto. Aí a mamãe fica brigando com ele, aí o Suke fica com raiva e não deixa eu entrar no quarto dele. - a pequena fez uma careta e balançou a cabeça para os lados. - Eu não gosto não.
Sakura sorriu debochada, enquanto via a pequena garotinha tagarela ajeitar o fone que teimava em cair no ouvido. E nessa hora a atenção das duas foi direto para a porta aberta do quarto de Sakura onde Kizashi fitava suas duas filhas com certo orgulho.
Estava animado em saber que Sakura estava se dando bem com Mya, admitia que sentiu um certo receio que a sua primogênita rejeitasse a irmã caçula, mas pelo jeito estava enganado.
— Vejo que minhas duas princesas estão se dando bem. - um sorriso escapou por sua boca, olhando aquela cena com ternura.
— Papai. - Mya sorriu mostrando todos os seus dentes.
— Vamos descer para o jantar? - ele questionou, desviando seus olhos para Sakura que tomava o fone de Mya e saía do reprodutor de músicas, levantando-se da cama.
Mya a imitou, pegando a boneca que ela tinha depositado ao seu lado na cama.
— A mamãe fez uma comida bem gostosa. - Mya fitou a irmã. - Você vai gostar Sakura, eu ajudei.
Sakura abaixou os olhos para a pirralha que a seguia até onde seu pai esperava no corredor.
— É mesmo? - mesmo que seu tom tenha saído sem um pingo de interesse, Mya como uma criança que adora uma atenção não percebeu.
Ela balançou a cabeça para cima e para baixo, concordado.
— Sim.
Kizashi ficou ao lado de Sakura, passou um braço ao redor de seus ombros.
— Faminta? - seu tom saiu bem humorado.
— Um pouco.
Os três desceram e logo chegaram à cozinha. A mesa já estava posta e Sasuke já estava sentado na cadeira, esperando que os outros integrantes da casa chegassem para poder se servir, como uma boa e bela família unida que eles eram.
O jantar foi tranquilo, apesar de Sakura fitar só o seu prato e calada o tempo todo, ignorando algumas perguntas de Mikoto e as de Mya também. Mas a matriarca da família entendia, estava sendo difícil para a adolescente está num ambiente diferente daquele que estava acostumada. Mas ela iria fazer de tudo para deixar Sakura o mais confortável possível.
Já Sasuke, a cada hora que passava ele tomava mais antipatia por aquela garota mal-educada. Não gostava desse tipo de gente esnobe e mimada. Sakura teria muito que aprender pela frente.
Mas o que todos não imaginavam era que Sakura apenas estava perdida em devaneios, mexida por dentro. Pois ali, naquele momento que ela estava jantando com todos em volta da mesa, que ela percebeu:
Era a primeira vez que ela fazia uma refeição na mesa em família.
