Capítulo 6 – Tédio.

JUNTOS NO MESMO CAMINHO

Uma semana havia se passado depois do incidente com a vaca premiada. Sakura passava longe do curral, sentia-se mal pela sua atitude impensada, o que causou na morte de um animal inocente. E isso se aplicava a toda vez que ela olhava e usava o notebook novinho, sentia seu estômago embrulhar. Era impossível não mexer no presente que seu pai lhe deu com tanto amor e não pensar na vaca. E isso ficava impossível matar seu tédio eminente, mexendo em algo que fazia se sentir no século XXI, e não no fim do mundo onde ela estava naquele momento.

Parecia que tudo estava conspirando contra ela, tudo por culpa de sua mãe idiota que havia a mandado para aquele fim de mundo. Sentia que estava pirando aos poucos. Não tinha seus amigos ali para passar o tempo, mas iria aguentar aqueles dois meses pelo seu pai que parecia está radiante com a sua presença.

Bufou, fechando o notebook e se levantando da cama. Olhou pela janela vendo o céu azul com algumas nuvens naquela tarde. Saiu do quarto, resolvendo matar um pouco o tédio pela fazenda. A casa estava vazia. Mikoto havia saído e levado Mya consigo. Seu pai estava trabalhando, e Sasuke completamente deveria estar com ele.

A única coisa o que ela tinha para fazer era se arrumava algo interessante que pudesse matar sua onda de tédio.

Meia hora depois Sakura bufava irritada, nada naquela fazenda não havia nada de interessante a não serem, animais, insetos e mato.

Sentou-se debaixo de uma árvore, encostando suas costas no tronco, sentido logo a brisa gostosa bater em sua pele, causando-lhe uma sensação gostosa. Por um momento gostou disso, permitindo fechar os olhos para sentir mais daquela sensação prazerosa.

Quando voltou a abrir os olhos, seu foco foi direto para um certo moreno sem camisa carregando alguns quadrados de feno enrolado de uma caminhonete velha para dentro do curral.

A distância de ambos não era muito, mas também não era pouco, mas sua visão era boa o bastante para reparar que o idiota do enteado do seu pai tinha um corpo legal.

Ele tinha músculos.

Mordeu o lábio sem perceber quando o viu voltar até a caminhonete e tirar mais outro daqueles fenos. Os músculos do braço e das costas se tencionavam mais quando ele erguia um daqueles quadrados enormes até o ombro.

Sasuke ofegava, cansado, o sol daquela tarde queimava sua pele, fazendo o suor descer por suas costas. Só poderia tirar seu devido descanso depois que terminasse de carregar as pilhas de feno para abastecer o curral para quando o inverno chegasse. Não via a hora de poder entrar em casa, tomar um banho e cair na cama.

Depois de descarregar a última pilha de feno, encostou-se na caminhonete com o corpo curvado para frente, passou as costas da mão na testa, tirando um pouco do suor que descia. Mas algo lhe incomodava, sentia-se aquela sensação estranha aguçando seu sentido, como se alguém o observasse. Ergueu a cabeça para cima e a virou para o lado, não podendo deixar de sentir-se surpreso quando se deparou com os olhos de Sakura a alguns metros, sentada debaixo de uma árvore, o fitando.

Não sabia como, mas algo dentro de si se revirou, causando uma batida a mais em seu peito.

Sakura virou seu rosto para o lado, quando sentiu o olhar de Sasuke em si. Ele havia a pego no flagra e ela odiou isso, ao contrário de Sasuke que agora estava com um pequeno sorriso no canto direito de sua boca.

Ele balançou a cabeça para os lados e resolveu aproximar-se dela. Era raro as vezes que a via fora daquele quarto, andando pela fazenda. Ele poderia entender um pouco ela, por ser uma garota da cidade deveria estar cansada de ficar sempre sozinha. Aquela era a sua chance de tentar se enturmar com ela.

Sakura fitava algo sem graça no chão, arrancando algumas graminhas quando sentiu a presença de mais alguém se sentando ao seu lado. Automaticamente ela ergueu seu olhar para cima só para constar que Sasuke estava sentando ao seu lado, com o corpo suado fitando o céu.

Sasuke sentiu o olhar da garota, mas ela desviou na mesma hora quando ele a fitou.

— O que faz aí sozinha? - sua voz saiu calma e descontraída, ele era péssimo em puxar assunto, mas estava fazendo uma exceção.

Sakura fez uma careta em desagrado e bufou, olhando para o outro lado.

— Estou tentando não morrer de tédio. Essa fazenda é uma droga!

Sasuke ergueu as sobrancelhas, puxando sua camisa que estava pendurada no cós da calça suja e secou seu rosto suado. Percebeu o perfil da garota, ela usava uma bermuda jeans rasgada que ia até os joelhos, e uma camiseta preta e larga com as mangas arrancadas e com uma estampa de um gesto obsceno. Prendeu o sorriso, desviando o olhar para o lado.

— Seu cabelo ficou legal, está mais humana. — a última frase soou para que quebrasse o constrangimento de elogiar a garota. Pois mesmo que o corte reto nos cabelos rosados estivesse todo bagunçado, Sakura tinha ficado bonita. Ela era bonita e... diferente.

Sakura não evitou em não olhar para o garoto ao seu lado, seus lábios estavam pressionados, reprimindo um sorriso que queria escapar, mas ela não conseguiu e logo as gargalhadas preencheu todo o silêncio que havia ficado.

Sasuke voltou a fitar a garota que gargalhava com vontade, curvando seu corpo para frente. Ele reprimiu um sorriso, tentando não ser contagiado com as gargalhadas dela.

A Haruno ergueu sua cabeça para cima, se controlando.

— Humana. - ela riu mais um pouco e o fitou. - Geralmente sou tratada como um lobo mal e faminto que ataca os cordeirinhos enquanto eles dormem.

Sasuke ergueu o olhar para ela, com as sobrancelhas erguidas.

— Isso é para me assustar?

Ela sorriu debochada.

— Você se assustou?

Algo se revirou em seu estômago, quando via de perto os olhos verdes dela, eram grandes e brilhantes, um tipo de verde hipnótico. Engoliu em seco, voltando sua atenção para frente. Não respondeu à pergunta.

O sorriso que estava no canto da boca de Sakura ergueu-se mais, voltando a fitar o chão.

— Você é a pessoa mais chata que eu já conheci em toda a minha vida. - ela soltou de repente.

— Obrigado pela sinceridade. - a voz de Sasuke havia soado um pouco mais fria do que o normal. Ele não havia gostado de ouvir aquilo.

— Vou ser bem honesta com você. - ela começou, atraindo a atenção dele para si. - A primeira vez que te vi, eu senti uma vontade enorme em te dar um soco.

Os olhos de Sasuke arregalaram-se, incrédulos, e Sakura sorriu mais e continuou:

— E agora mesmo estou com uma vontade enorme de te socar.

— E posso saber por quê?

— Vi sua notificação no facebook, e te aceitei. - ela disse. - Admito que tem umas fotos suas bem legais, mas as páginas que você curte são uma droga.

Sasuke franziu o cenho e crispou os lábios.

— Como se o seu fosse grande coisa. - ele atacou, levemente ofendido. - Cheio de símbolos satânicos, crânios, florestas sombrias e imagens feias de pessoas esquartejadas.

— Garanto que é melhor do que o seu. Sertanejo? Ninguém merece.

— Cada um tem o seu gosto.

Sakura suspirou.

— Pode ser... acho que esse tédio está me deixando assim. - pausa. - Estou sentindo que estou morrendo aos poucos com esse ar puro. Preciso da poluição e da agitação da cidade. Preciso sair para um bar beber. Preciso de diversão. Preciso destruir algum patrimônio público. Preciso fazer coisas erras. - ela o fitou com os olhos arregalados. - Eu preciso matar!

— Você é louca! - ele disse com a voz incrédula.

Ela sorriu diabolicamente.

— Você ainda não me viu louca.

O silêncio reinou entre os dois, Sasuke sabia que Sakura não batia muito bem da cabeça, mas não sabia o quanto ela era doida. Aquela garota era totalmente pirada, e só a presença dela fazia mal para a sua saúde psicológica.

Suspirou, levando a mão no chão e dando impulso para ficar de pé. Ainda havia coisas a serem feitas para dar aquele dia por encerrado, e ficar sentado de papo com Sakura só iria o atrasar mais.

— Está com medo? - a voz de Sakura chamou sua atenção.

— Ao contrário de você eu tenho coisas para fazer do que ficar morrendo de tédio.

Ele não esperou para ver qual seria a reação da garota, apenas deu as costas e saiu, mas não sem antes de escutar um Babaca vindo dela.

Depois de fazer seus afazeres na fazenda, Sasuke deu graças a Deus por estar tomando seu tão merecido banho. Agora com o corpo mais relaxado podia senti-lo dolorido pelo trabalho pesado, mas já estava acostumado com isso. Entrou em seu quarto já vestido com uma bermuda de linho azul escuro e uma camiseta branca, secava seus cabelos de seu jeito, tirando o acesso de água neles.

Ainda faltavam duas horas para que o jantar fosse servido, sua mãe havia chegado um pouco atrasada da casa de sua amiga com Mya. Ele usaria esse tempo para tirar uma cochilada, mas antes dele chegar a sentar-se na cama o celular começou a tocar.

— O que foi? - perguntou assim que atendeu, e não demorou para que a voz espalhafatosa de seu melhor amigo soasse do outro lado:

Teme, tenho um ultimado de emergência para você, e não vou aceitar um não como resposta.

— Não vou sair de casa, estou cansado. - respondeu, se jogando na cama.

O quê? Você nem me deixou explicar direito.

— Mas a resposta é não.

Naruto pareceu ignorar e continuou:

Cara, eu consegui chamar a Hinata para sair! Vou levá-la ao Dallas Bar, e você sabe que o pai dela é chato e nunca a deixa sair com a gente.

Sasuke pareceu mais atento.

A gente? Pode me tirar disso.

Qual é teme, você tem que ir, vai ser divertido.

— Naruto, você chama a garota para sair e quer que eu vá junto? Não vou segurar vela, esquece.

Por favor, teme, se você for o clima vai ficar mais leve e não aquela coisa estranha. Você sabe como a Hinata é tímida e eu meio que travo quando estou com ela. Vamos Sasuke... ah, leve a Sakura também, assim você não vai se sentir excluído.

Ele suspirou, agora ficando sentado na cama. Sabia que Naruto era insistente o suficiente para ficar o perturbando até ele ceder. Também tinha a consciência do tempo que seu amigo ensaiava para conseguir chamar Hinata para sair. E sabia que a garota era tímida o suficiente e juntando com o jeito destrambelhado de Naruto, iria ser um desastre. Também tinha Sakura, a garota reclamava que não tinha nada legal para fazer e se queixava de tédio. Talvez essa fosse à chance de mostrar para ela que o campo não era tão ruim assim.

— Tudo bem Naruto.

Te devo essa, amigão. — a euforia de Naruto era notável do outro lado da linha. - Nos encontramos lá.

— Tá.

Ele jogou o telefone num canto e fitou as horas que marcava um pouco mais das dezoito. Suspiro mais uma vez, se levantando da cama e saiu do quarto, indo em direção ao quarto da frente. Hesitou por um segundo, mas logo levantou a mão e bateu a porta.

— Não tem ninguém!

A voz abafada de Sakura soou do outro lado da porta, o fazendo sorri. Levou a mão na maçaneta e a girou, abrindo a porta e encontrando a garota deitada na cama com o celular na mão.

Sakura ergueu a cabeça para cima e franziu o cenho, fitando o moreno parado no portal do seu quarto.

— O que você quer? - seu tom havia saído grosseiro.

— Estou indo ao um bar na cidade, vai ter uns amigos... quer ir?

— Bar?

Sasuke assentiu, e ela sorriu.

— Até que fim está falando a minha língua.

— Você só tem uma hora. - ele disse, reprimindo um sorriso que queria aparecer por ela ter aceitado de boa vontade.

Viu-a balançar a cabeça concordando antes de fechar a porta e entrar em seu quarto. Procurou uma roupa em seu guarda-roupas e optou por um jeans, uma camisa preta aberta na frente com as magas enroladas até os cotovelos, seu cinto de couro marrom e os sapatos pretos de bico, sem deixar de lado o chapéu preto de cowboy.

Já vestido, colocou a carteira no bolso de trás, pegou a chave de sua caminhonete e o celular, saindo do quarto e descendo as escadas. O som da televisão ligada chegou aos seus ouvidos quando entrou na sala e encontrou Kizashi sentado no sofá com uma latinha de cerveja na mão assistindo um jogo de beisebol.

O Haruno mais velho ergueu as sobrancelhas, fitando o enteado totalmente produzido e cheiroso se aproximando e sentando-se no sofá de frente para si.

— Vai sair? - sua voz atraiu a atenção do jovem que mexia algo no celular.

— Vou ao Dallas bar. Naruto chamou Hinata para sair e quer que eu vá para que a situação não fique estranha.

O mais venho franziu o cenho.

— Mas se você for à situação não vai ficar estranha?

Sasuke deu de ombros.

— Vai explicar isso para o dobe.

— Mas de qualquer forma estou surpreso dele ter chamando a filha do Hiashi para sair. - disse Kizashi pensativo.

— Tudo tem um dia, né?

— Pois é.

— Eu convidei a Sakura, tem algum problema de ela ir junto?

— Claro que não. - ele sorriu. - Vai ser ótimo. Eu estava preocupado pelo fato dela ficar sozinha... ela não conhece nada por aqui, e se enturmar com jovens da idade dela vai ser ótimo.

— Assim eu espero. - a voz de Sakura soou, atraindo a atenção deles para ela, que descia as escadas.

Sasuke na mesma hora se pôs de pé, observando-a meio que embasbacado. Sakura usava jeans preto rasgada nas cochas, uma regata branca um pouco folgada com uma estampa de uma cruz no meio, coturnos pretos nos pés, e pulseiras de couro escuro nos pulsos. Os cabelos estavam soltos e penteados e um pouco rebeldes, a maquiagem era forte nos olhos e o batom vinho na boca.

Sasuke engoliu em seco com a visão de Sakura, ela estava simplesmente... matadora.

Sakura também havia reparado no estilo country de Sasuke. Ela tinha que admitir que ele tinha charme, e aquilo a deixava meio que desconcertada, mas ocultou muito bem esse sentimento, colocando sua máscara de garota durona e rebelde.

Terminou de descer as escadas e se aproximou de seu pai, que estava com um sorriso no rosto.

— Filha, você está linda. - disse Kizashi ficando de pé e dando um beijo na testa de sua primogênita, que sorriu meio que sem jeito.

— Valeu. - em seguida fitou o moreno. - Bora?

Sasuke apenas assentiu com a cabeça.

— Vamos.

— Divirtam-se. - disse Kizashi com um sorriso no rosto.

Os dois saíram da sala, e desceram a escada de alguns degraus que ficava na varanda.

— Espera aqui que eu vou pegar a minha caminhonete.

Sakura apenas assentiu, cruzando os braços, vendo Sasuke rodar a casa e sumir do alcance de seus olhos. Alguns minutos depois o barulho do motor soou pelo local para logo uma caminhonete Chevrolet vermelha aparecer, parando em sua frente.

Sakura não evitou sua boca abrir-se enquanto seus olhos estavam incrédulos, fitando a caminhonete velha com uma pintura desbotada, com algumas marcas de solda cinzar-escuro pelo capô, e marcas de ferrugem corroendo em alguns pontos. Os vidros estavam embaçados e pouco sujos, e a caçamba havia réstia de feno saindo pelas laterais.

A caminhonete estava num estado lastimável, mas isso parecia não incomodar Sasuke, que estava no banco do carona, esperando para que Sakura subisse.

— Não vai entrar?

— A gente vai nisso aí? - ela pontou para a caminhonete com uma cara incrédula.

Sasuke franziu o cenho.

— Sim, algum problema nisso?

— Você está de sacanagem, né? - ela o fitou. - Esse carro está todo bichado!

Sasuke revirou os olhos, e abriu a porta do carona.

— Pode não ser o melhor carro do mundo, mas ele é meu.

— Mas podia ter um melhorzinho, isso aí está caindo aos pedaços.

— Você vai entrar ou não? - a voz de Sasuke soou, demonstrando a pouca paciência.

— E tenho escolha? - Sakura bufou, descruzando os braços e entrando na caminhonete, batendo a porta com força.

— Cuidado com a porta! – exclamou Sasuke, exaltado. – Tenha mais delicadeza com a Britney.

Sakura o olhou com uma expressão incrédula, como se ele fosse um alienígena.

— Você colocou um nome nessa lata velha?

Sasuke apenas revirou os olhos passando a marcha e acelerando a caminhonete até a estreita estrada de barro com buracos.

— Pense o que quiser, não importa a sua opinião. A Britney tem um valor sentimental para mim.

O rosto de Sakura se contorceu numa careta, desviando o olhar para a janela ao lado, observando as paisagens - mato - escuras da noite. Mas para o seu desespero deixando seu sensor em alerta, o barulho da caminhonete ficava cada vem mais alto e forte.

— Sasuke, essa lata velha está estranha.

Sasuke sorriu de lado, e fitou a expressão assustada da garota rapidamente, voltando sua atenção para a estrada sendo iluminada pelos faróis.

— Relaxa, é assim mesmo. É que a estrada está esburacada.

— Relaxar... - ela se interrompeu quando um barulho forte soou, fazendo toda a caminhonete balançar com força. - Eu estou sentindo que essa lata velha vai desmontar toda nesse fim de mundo!

Sasuke desta vez gargalhou com os gritos de Sakura, a cara de pânico da garota era simplesmente hilária. Era divertido vê-la assustada, acabando com sua pose de garota má e diabólica.

— Você é um idiota! - ela gritou, dando tapas no ombro dele. - Pare de rir seu imbecil!

— Ai! — ele a fitou. - Pare de ficar me batendo, estou dirigindo!

— Eu quero é te matar!

— Fique calma, a Britney é uma boa menina, não vai nos deixar na mão. Estamos quase chegando à estrada asfaltada, daqui a pouco o barulho para.

Sakura bufou irritada, cruzando os braços com os lábios crispados, voltando a olhar a janela, e se amaldiçoando por ter saído de casa. Não demorou para que Sasuke entrasse na estrada afastada, fazendo o sacolejar e o barulho que a caminhonete produzia se acessar.

— Viu? Como eu disse o barulho acabou.

Sakura não respondeu, apenas ficou olhando a janela com a cara emburrada.

Sasuke suspirou, tentando manter sua linha de paciência. Não entendia por que estava sendo legal com aquela garota, ela era grossa, desbocada e maluca. Não gostava desse tipo de gente, e se admirava por estar ao lado de alguém com esses defeitos. Mas Sakura era uma exceção, talvez por ser a filha de seu padrasto, e sua meia irmã...

Mas o fato era que ela havia chamado sua atenção. Não podia não deixar de reparar no quanto ela era bonita, no seu perfume impregnando a caminhonete, era bom. Seu coração ficava maluco, ele se sentia de alguma forma, nervoso, na presença dela. Era a primeira garota que o deixava assim, como se ele tivesse muitas garotas.

Ergueu seu olhar e a fitou de rabo de olho, o cabelo curto e cor-de-rosa caía em seu rosto, contrastando com o bico que estava em seus lábios. Ela ainda estava com raiva.

Voltou a prestar atenção na estrada, enquanto o silêncio reinava ali. Ele não havia feito um elogio a ela, sabia que garotas gostavam de elogio, e talvez um agora pudesse diminuir a raiva que a garota estivesse sentindo no momento, e quem sabe o clima ficasse um pouco mais descontraído?

Talvez ele pudesse tentar, certo?

— Você está bonita. - sua voz saiu baixa, mas audível, seu coação agora batia mais depressa, fitava a garota disfarçadamente, observando suas reações.

Sakura sentiu o peso naquelas palavras e algo dentro dela agiu diferente, fazendo-a morder o canto de sua boca. Ele havia a elogiado, e não era o primeiro cara que a elogiava, mas foi o primeiro que a fez se sentir diferente...

— Vai pro inferno.

A resposta soou clara e zangada, e Sasuke sentiu isso como uma pontada no fígado, um balde de água fria. E dessa vez ele concluiu que nem todas as garotas eram iguais. E Sakura era uma delas.

Ela era simplesmente estranha.