Capítulo II - Voltando as origens


Chovia muito, e Virgínia olhava as grossas gotas de chuva cair da janela de seu consultório. Depois que se formara, decidiu-se por trabalhar com as jovens órfãs, que na maioria dos casos tinham perdido seus pais na guerra, ela era uma espécie de pediatra, e tinha grande facilidade com crianças o que muito ajudou no seu trabalho. Ela trabalhava em uma parte ala especial, da qual só tinha meninas de dois a seis anos, e era muito apegada as pequenas, pois escolhera esta profissão, ainda nos tempos de guerra, quando ficou a ajudar no St Mungus, sentia-se mal ao saber que elas ficariam sozinhas, e passou depois de formada a trabalhar lá, com crianças com dificuldade de se relacionar, e esse era o trabalho dela: trazê-las de volta a realidade. Trabalho do qual ela consegui grandes resultados, mas depois de dois exaustivos anos de dedicação, ela precisava de umas férias, segundo sua família, porém essa idéia não passava pela sua cabeça.

- Não é hoje que a sua amiga vem?- disse Luna tirando Ginny de seus pensamentos.

- Ah? É...

- Então?

- Você não vai buscá-la?

- Vou, vai ser bom ter a suzan de volta.-disse Ginny vestindo o casaco

- É... Aí você me abandona de vez...

- Hum...Você adora um drama...Você sabe que não é verdade, eu também te adoro, e nós podemos andar juntas, as três como nos tempos de Hogwarts.

- É...Quando vocês viviam trocando segredinhos e me deixando de fora - disse a loira fazendo beicinho

- Não tocávamos segredinhos coisa alguma, só que tem coisas que você ainda não estava preparada para ouvir. -disse a ruiva calmamente, levantando e colocando algumas coisas em sua bolsa de couro.

- Que coisas? –indagou curiosa.

- Nada que agora tenham importância...

- Você vai aparatar ou vai de flú?

- Que horas são?

- 18h, por quê? Que horas vocês marcaram de encontrar-se?

Falou a loira sozinha, já que no momento que ela informara a hora à ruiva aparatou.


Chuva, roupas molhadas, isso realmente não era um bom sinal. Draco já estava há dois dias em Londres, havia chegado no Sábado, e tinha tentado hoje reaver o processo de liberação da sua Mansão, mas para sua infelicidade, não foi tão fácil assim, mesmo sendo ele o único herdeiro, e tendo ficado claro que não tivera participação na guerra, o ministério não poderia abrir novamente esse caso, sem antes fazer uma vistoria e ver se os níveis de magia negra ainda estavam impregnados na casa, e isso com certeza levaria tempo.

- Tinha que chover tanto assim!- disse o loiro entrando em um restaurante mais próximo que viu assim que saiu do ministério.

- O senhor deseja alguma coisa?-perguntou uma jovem atendente, assim que adentrou ao lugar, com um sorriso simpático no rosto, simpático até demais o loiro não pôde deixar de pensar.

- Gostaria de uma mesa, se possível, mais afastada dessa confusão - disse o loiro se referindo a um grupo de adolescentes, provavelmente jovens recém-formados.

- Vai querer tomar alguma coisa?- perguntou mais uma vez a jovem.

- Traga qualquer coisa que contenha álcool, um vinho, quem sabe, mas rápido! -ordenou o loiro com um sorriso afetado no rosto.


Já deveria ser a décima vez que Suzan olhava para o relógio, e nada da pequena Weasley aparecer, será que ela não havia mudado? Sempre foi assim, ela sentia falta dos atrasos da amiga ruiva, quando olhando para porta viu uma Jovem ruiva entrar. Não pode deixar de reparar, o quanto esses anos fizeram bem para a sua amiga, estava realmente bonita, e um tanto quanto molhada.

"Aí! Maldita chuva, se já não bastasse chegar atrasada ainda vou aparecer toda molhada...".

- Suzan?

- Virgínia Molly Weasley! Como você pôde deixar-me aqui, sabe que horas são?

- Hum...Hora de você me dá um grande e apertado abraço?- perguntou a ruiva comum ar infantil, o que a deixava muito bela.

- Você não muda...

- O mesmo não posso dizer de você, você ta M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!

A ruiva não havia exagerado ao dizer o quanto à amiga tinha se tornado uma bela mulher, os cabelos pelo ombro, negros como a noite o contrastava com sua pele rosada, os olhos profundo e negros, o corpo esbelto, realmente o tempo havia sido um bom amigo para as duas, que conversavam se notar que um certo alguém prestava atenção em cada palavra dita.


Não é possível?Não pode ser ela?

"-Virgínia Molly Weasley! Como você pôde deixar-me aqui, sabe que horas são?".

"Como? Não posso ter ouvido direito...Só me faltava essa, ter que olhar para essa aí, depois de tanto tempo deve ser castigo! Eu sabia que conhecia aquela amiguinha dela, como pude não reconhecer, essa duas pareciam que tinham um caso, viviam junto...Eu realmente não sei porque estou perdendo o meu tempo a pensar nisso..."

Pensava o loiro no quarto de hotel, no qual estava hospedado, logo que percebeu a presença da ruiva, saiu às pressas, sem nem ao menos ligar para a tempestade que estava a cair. Agora ele podia se lembrar perfeitamente do rosto dela, as sardas que agora eram poucas, as bochechas rosadas, e o corpo... Céus! Que corpo! Imagina o que tem por baixo daquelas roupas - pensou o loiro, mas logo depois se puniu por ter esses tipos de pensamento com a caçula dos Weasleys. Quando ela chegou toda molhada com os cabelos longos grudando na face e o mesmo sorriso faceiro de antes, ele não pôde deixar de contemplá-la, mas logo se lembrou do que havia acontecido.. .E acabou por dormir, cansado de lutar com seus pensamentos contraditórios.


- Aí! Eu estou exausta, Ginny...

- É...Eu também... - respondeu tirando o grosso casaco.

- Amiga, tem banheira aqui?

- Hum? Ah! Tem sim...- respondeu a ruiva se jogando no grande sofá branco que tinha em seu apartamento

- Ótimo! Só uma banheira que alivia minha dor nas costas... Aquele loirinho me cansou...

- Qual era nome dele?

- Era... Caramba! Esqueci!- disse rindo.

- Sabia, que mulher má, usa e depois joga fora...

- Pára agora ta! Eu apenas dancei com ele... E você também tava dançando com aquele deus grego...aquilo sim é homem!

- Aí!Gi - reclamou quando uma almofada atingiu sua cabeça.

- É pra você parar de falar besteiras...

- Ele me faz lembrar aquele rapaz sonserino, aquele que tinha um ar meio abobalhado...o Zabinini...acho que esse era o nome.

- Zabine! Blaise Zabini!

- Nossa! Em matéria de sonserino você é a melhor, conhece bem...

- Pode parar por aí...- disse a ruiva com um tom de raiva na voz.

- Desculpa, mas não resisti... Ele e o Malfoy era uma bela dupla...

- Gina? Cadê você?

- Estou aqui!-respondeu a ruiva do banheiro

O banheiro era bem grande, e chamava atenção pela grande banheira de acrílico, e um espelho que ficava de frente pra esta, umas plantas exóticas e velas espalhadas e enfeitiçadas davam um ar de romantismo ao lugar.

- Nossa! Que cheirinho bom... -disse Suzan já atrás da ruivinha.

- Gostou amiga, enquanto você estava a falar besteiras eu estava a fazer seu banho.

- Obrigada!mamãe! - disse em tom de sarcasmo.

- Por falar em mamãe, a minha deve querer lhe ver, e por isso talvez amanhã, nós venhamos a ir n'A Toca, mas antes você verá as minha pequenas princesas.

- Amiga, você leva jeito pra ser mãe - disse ainda rindo.

- Toma banho logo, e pára de falar besteiras, porque hoje você ta demais...

As amigas passaram uma noite inteira conversando, e brincando uma com a outra, como se o tempo não houvesse passado e, assim adormeceram.

Fim do capítulo II