Capítulo XX – Natal: tempo de escolhas.


Estava na estufa da mansão Malfoy, olhando para a rosa que estava dentro da redoma, sentia-se como ela: preso por não poder mostrar quem realmente era. Não agüentava mais fingir que estava indo tudo bem, quando na verdade queria estar longe, em outro lugar, com uma outra pessoa. Olhava para a rosa e lembrava dela... De como a pele era macia e aveludada, e mesmo com os milhares de pontinhos que a cobria não perdia sua suavidade... E a pureza que se prevalecia em seus olhos... Mesmo que Gina não tivesse agido certo no passado, nada mudava o que ele via nos olhos amendoados, quase dourados de tão brilhantes. Quando voltaria a olhá-la? Não saberia dizer, talvez fosse por essa razão que sentia um nó na garganta só de lembrar de tudo, do último beijo, da neve... Queria que ela estivesse ali para aquecê-lo, era como se Virgínia fosse uma chama, que por onde passasse levasse luz e calor... Sua vida precisava disso agora, mais do nunca. Porém, tinha que tomar o caminho mais difícil, tinha que seguir seu nome, tinha que ser um Malfoy.

Era véspera de natal na Mansão Malfoy, nunca havia ligado para essa época do ano, sempre achara tedioso estar em volta de uma mesa desejando uma coisa que nunca seria realidade: paz, saúde e amor. Quando se é um Malfoy o amor não existe, no máximo uma valorização de si próprio, mas amor não... Então o que era aquilo que estava lhe incomodando tanto? Odiava épocas que lembravam sua infância, e como tinha seu lado mais sentimentalista, de quando as coisas eram mais fáceis, e que acreditava que tudo poderia ser resolvido se tivesse uns galeões e uma varinha em punho. Ledo engano! As coisas não são fáceis, o destino é mutável, e parece brincar com a razão das pessoas.

Caminhou em direção a Mansão reparando que as flores do jardim estavam todas cobertas de neve, o que dava um toque mais frio ao lugar. Assim que entrou em casa, viu que o grande salão já estava pronto e que no dia seguinte estariam longe dali definitivamente. Se uma pessoa normal visse a casa, não diria que ali moravam os Malfoys. Estava tudo decorado de forma mais aconchegante possível. A árvore grande de natal com bolas enfeitiçadas e diversas fadinhas douradas dançando em volta. Em cima havia uma grande estrela, que pelo que sua mãe dizia era para honrar seu lado Black Mas para ele não passava de uma estrela comum que brilhava demais, tanto que chegava a ser irritante.

A lareira estava acesa e acima dela havia uma pintura de família, onde estava ele, seu pai e sua mãe. Na época ele tinha apenas 11 anos, mas já estava todo vestido igual ao seu pai. Os movimentos do quadro quase imperceptíveis, a não se que prestasse atenção, pensaria que era uma pintura trouxa. Não conseguia se ver com a Luna nessa mesma situação, só de pensar nisso seu estômago revirava. Como poderia? Lovegood não podia ser comparada a sua mãe. Não tinha o mesmo porte, a mesma beleza. Definitivamente, ele não entendia como um dia já havia se aproximado dela, embora fosse atração física, ela o enojava. Talvez fosse pelo fato de ela, ser a razão de tudo que havia dando errado nos últimos tempos.

Seu avô conversava animadamente com o pai de Luna, que parecia empolgada com a viagem. Sua gravidez não era algo que ele chamaria de estável, sempre ia ao médico com alguma dor, e como fez questão, o doutor que a tratava iria viajar com eles. Se não fosse um velho feio e barrigudo, cogitaria a idéia dela estar o traindo. Riu da sua desgraça. Até que ponto havia chegado, de tentar achar traições onde não tinha. Estava perdido!


Olhava-se no espelho, a barriga não estava aparecendo ainda, mas de certa forma se sentia diferente. Para seu agrado (e o de Blaise também), seus seios estavam maiores, e a tendência era crescer mais. Se bem que se crescesse mais pareceria uma vaca, e ao pensar nisso, logo, sua mente foi para uma certa loira: Luna Lovegood. Pelo que Eliza havia contado, muitas coisas a loira havia armado no passado, porque não armaria uma gravidez agora? Se bem, que Draco Malfoy não seria enganado assim, no passado as coisas haviam sido bem armadas, mas agora tudo havia mudado de figura. Descobriria se havia algo de podre naquela história. Olhou mais uma vez com ternura para o espelho, seu filho teria seus padrinhos ao seu lado. E quem sabe não ganharia um amiguinho?

Suzan não se reconhecia mais, como pudera se entregar tanto assim, agora até mesmo sentimentalista havia se tornado. Mas gerar um ser era algo mágico e inexplicável. Um sorriso bobo tomou a sua face, quando voltou seu olhar ao espelho, viu que atrás de si, estava Blaise. O moreno sorria de forma encantadora, nunca lhe parecera tão belo.

- Você é tão linda. – disse enquanto passava os braços envolta do corpo da mulher, acariciando o ventre dela com delicadeza. – Será que ela vai ser como você? – a morena virou para ele com a sobrancelha erguida:

- Como você pode afirmar que é ela, e não ele? - perguntou virando-se totalmente para ele.

- Eu já disse, ela me contou. – disse beijando Suzan com carinho. – Precisamos de um nome para ela.

- Já que você insiste tanto que é menina, pode escolher o nome. Se for menino, eu escolho. – disse puxando um dos casacos do cabide.

- Hum... Emile? – indagou de frente para o espelho, enquanto via a reação da noiva sentada frente a penteadeira acabando de prender os cabelos com diversos grampos de brilhantes.

- Você está brincando, né? – respondeu a pergunta com outra. – Eu não vou dar um nome desses para minha filha. Imagina, esse nome é tão sério. Não, escolha outro. – cheiro alguns frasquinhos e espirrou o líquido cheiroso de um frasco rosa.

- Não é possível, Suzan! Você só diz que não gostou porque fui eu quem escolhi. Deixe de ser do contra. – respondeu zangado, tentando inutilmente dá um nó na gravata listrada preto e prata.

- Não faça biquinho! – ela disse séria. Ajeitando o nó da gravata de forma frouxa. – Eu quero que você escolha. Vamos pense em outro! – ordenou, dobrando a camisa social chumbo até os cotovelos dele.

- Faith? – a morena olhou com desagrado. – Lívia? – continuou séria. – Megan? – tentou vendo que não estava surtindo muito efeito.

- Ahh... Blaise Zabine, dê o seu melhor é seu primeiro filho, pelo menos que eu saiba. – neste momento as mãos dela deslizaram sobre o peito dele, que apenas sorriu, respondendo:

- Fica tranqüila. É sim o primeiro, ou melhor, primeira. – ele acariciou as pontas do cabelo dela, que haviam crescido bastante desde que se conheceram, agora estavam bem abaixo do ombro. – Pelo menos aqui na Inglaterra... Por outros países, quem sabe? – a mulher o empurrou com força.

- Porque você não volta lá nesses países e não procura os filhos que você deixou? Assim me poupa de ter que ouvir suas asneiras. Quer saber, Zabine? Esqueça! – falou tudo de forma rápida não dando a oportunidade de o moreno retrucar, saindo do quarto batendo a porta.

- Suzan? – chamou no corredor, mas sua noiva já devia estar nas escadas. Como era teimosa! Não entendia como havia se apaixonado por ela. Mas sabia que de certa forma os dois foram feitos um para o outro, por mais piegas que isso pudesse parecer.

Quando chegou perto da escada viu a morena sentada, nos últimos degraus, de forma rápida e silenciosa, sentou-se ao lado dela.

- Será que você está com tanta raiva que nem sequer pode olhar pra mim? – perguntou acariciando o ombro dela que estava desnudo, por conta da bata vinho que ela usava.

- Desculpa, amor. – disse a morena encostando-se nele. – Não gosto quando você fala dessas outras, se lembro bem você é muito mulherengo. – ele sorriu ao ouvido dela.

- Já fui. Hoje sou um apenas mais um tolo que fica desesperado só com a possibilidade de sua noiva não o olhar por um dia. Que faz as maiores loucuras para estar ao lado dela. Que se entrega e se declara com uma facilidade tão assustadora e intensa que o faz pensar que está enfeitiçado. Não sou nem de longe o que eu já fui, mas não me arrependo de estar ao seu lado...- respirou fundo, continuando.- Su, eu amo você. – ele disse a última sentença em um sussurro. Enquanto ela o respondia com um beijo cálido nos lábios.

- Eu também te amo. – disse assim que cessaram o beijo. – E não vou querer colocar esses nomes em minha filhinha.

- Uau! Até que fim você admitiu que é uma menina. Está ouvindo Natalie? – perguntou passando os dedos longos por debaixo da blusa de Suzan.

- Gostei! – exclamou a morena. – Enfim você arranjou um nome interessante.

- Hã? – ele indagou confuso, ao que ela gargalhou.

- Natalie, você chamou de Natalie. Um bonito nome. – comentou levantando-se da escada,

- Feito, será Natalie. Nem sei o porquê de tê-la chamado assim. – respondeu levantando-se também.

- Digamos que isso seja o destino dela. Agora vamos, não podemos chegar atrasados.


Colocaram um casaco por cima da roupa, o inverno estava rigoroso demais este ano. E Suzan estava apenas com uma bata e calça jeans, enquanto Blaise estava vestindo uma blusa social gravata e uma calça jeans despojada. Ambos simples, afinal iam passar o natal em família. Pegaram uma caixa onde havia diversas caixas menores dentro.

Véspera de natal n'A Toca estava mais animada do que nunca. Havia crianças correndo para os lados atrás das fadinhas, e muitos presentes chegando por corujas. A senhora Weasleys juntamente com Fleur, Clarisse (noiva de Carlinhos), Lara (esposa de Percy), Angelina, Marietta (namorada de George) e Hermione, arrumavam a mesa na parte externa da casa. Havia sido feito um grande banquete e ao fundo já havia sido conjuradas músicas para animar o lugar. Gina terminava de arrumar Mille (filha de três anos de Fleur e Gui) e Rebeca, que já estava morando com seus novos pais, Rony e Hermione.

Tudo parecia estar correndo bem, e Gina até forçava um sorriso, mas por dentro se sentia sozinha, ainda mais por ver que todos seus irmãos estavam acompanhados, até mesmo George que parecia ter tomado juízo. Olhou para os gêmeos de seis meses que estavam no colo de Fleur e Hermione, os dois com a cabecinha loira, logo sentiu um peso no estômago, e sua garganta fechou. Imaginou uma cena pouco agradável de Luna com uma criança loira nos braços. Não pôde conter a lágrima que escorreu em seu rosto, como se para disfarçar, foi para o banheiro para retocar a maquiagem. Saindo de lá, encontrou Suzan e Blaise, que estavam com um sorriso lindo no rosto. Via tanta felicidade naquela imagem, que os pensamentos de poucos minutos atrás se dissiparam.

- Gina! – festejou a amiga assim que a avistou. – Venha me dar um abraço. – a ruiva não pensando duas vezes foi em direção à amiga, dando um caloroso abraço.

- Como anda o meu afilhado? – disse beijando a face da morena, sendo logo abraçado por Blaise.

- Bom, já decidimos o nome. – respondeu o moreno no lugar de sua noiva. – Irá se chamar Natalie. Fui eu mesmo que escolhi, nome de princesa, você não acha? – a ruiva riu, nunca pensou em ver esse lado tão pai de Blaise Zabine.

- Com certeza um belo nome. – respondeu sorridente.

- Tia Gin! – gritou uma vozinha conhecida pela ruiva.

Rebeca corria em direção da ruiva, logo pulando em seu colo.

- Oi tia Su!- disse a menininha, brincando com uma mecha do cabelo da Gina.

- Oi Beca, tudo bem, anjinho? - perguntou a morena sorrindo para a menininha, enquanto a ruiva e o moreno apenas as olhavam.

- Tudo sim, tia! Agola eu tenho papa e mamã. Ali ó. – apontou para Hermione que estava os observando de longe. Suzan olhou pra Gina que apenas confirmou com a cabeça.

- Beca, a Tia Suzan vai ter um bebê. - disse Gina no ouvido da loirinha.

- É? – ela olhou para a morena que sorria. – Cadê ele tia? – olhou confusa.

- Está na barriga dela. – respondeu Gina, rindo da expressão de Blaise.

- Hummm... E esse é o papai dele? - perguntou pra Gina apontando o moreno ao lado de Suzan.

- É sim, Beca. Esse é o tio Blaise. – a ruiva disse por fim.

A loirinha se jogou no colo do seu mais novo tio. E começou a brincar com ele, o que fez Gina e Suzan caírem na gargalhada.

- É isso aí, Zabine. Vai treinando com a Beca. – disse Gina, sentando com Suzan no sofá. O moreno apenas riu, e continuou a brincar com a loirinha desajeitado, mas tentando agradar, o que rendeu sonoros "Que fofo!", entre as mulheres.

Suzan pensava em uma forma de dizer pra Gina tudo que Eliza havia dito a eles na noite anterior. De como Luna havia espionado Gina durante meses, e de como já sabia o que seria dito na conversa entre ela e a ruiva. Eliza havia participado do plano de separar Draco e Gina com a Luna, mas não imaginava que a intenção da loira era tomar Draco de si. A morena viu a oportunidade perfeita de contar tudo a Gina, assim que a ruiva subiu para o quarto para se limpar e trocar o suéter que havia sido alvo de uma gosma que as crianças brincavam de jogar, presente antecipado dos gêmeos.

- Gina? – perguntou a morena entrando no quarto da ruiva.

- Estou aqui. – respondeu atrás do biombo.

- Eu precisava falar a sós com você... – disse Suzan tentando ficar calma.

Gina saiu de trás do biombo, vestindo um grande suéter vinho e com a varinha secando os cabelos.

- O que houve? Você parece preocupada. – a ruiva sentou-se ao lado da amiga a olhando com ternura.

- Não queria ter que falar dessas coisas justamente na véspera de natal, mas não conseguiria ficar com isso dentro de mim. Vou tentar ser o mais breve possível e...

- Calma Suzan, você está me deixando nervosa. – disse a ruiva tão rápido quanto a amiga.

- Bem, é que Eliza Dylin esteve lá em casa e tivemos uma longa conversa, sei que isso pode parecer estranho, mas o que ela disse é muito importante...

- Você não deve acreditar nela, Su! É lógico que ela não aceitaria o seu casamento com o Blaise, e que inventaria um monte de mentiras, não se deixe enganar!

- Não é isso. Ela na falou nada do Blaise, ela falou de você...

- O que essa daí falou de mim? – indagou fazendo a amiga rir de leve, sabia do ciúme que Gina tinha da ex-sonserina.

- Coisas do passado. Sobre você e o Draco, como...

-Pode ir contando! – ordenou a ruiva ansiosa, agarrando-se a uma almofada.

- Eu vou contar, mas você tem que ficar quieta primeiro, né!

- Ok desculpa. Vai, pode falar.

- Bem, ela e a Luna fizeram um pacto no passado... Eliza desconfiava de seu namoro com o Draco, mas não tinha total certeza de que você era realmente especial, até Luna aparecer e propor que se juntassem para acabar com tudo que vocês tinham. A Dylin não havia pensado em nada, apenas em armar algum flagra, algo desse tipo. Mas a Lovegood queria ir mais longe, queria que você saísse ferida e que os dois guardassem mágoas. Alegando que você nunca fora uma boa amiga, disse a Eliza que queria se vingar e que ela poderia ficar com o Draco. E foi o que fez. Espionou todas as nossas conversas, e sabia que a gente conversaria muito naquele dia e por isso, combinou com a Eliza de colocar o Draco para ouvir nossa conversa. Depois, incentivou você a ver o Draco e pegá-lo no flagra e a depois aceitar o convite de Harry, confirmando a idéia ao Draco de que você havia escolhido o Harry. O tempo todo Luna soube que você teria que escolher um dos dois, ela sabia de tudo, dos pesadelos, das visões... E aproveitou isso contra você.

- Suzan, eu não posso acreditar nisso... - disse em choque. - Mas como ela poderia saber que o Draco correria risco de morrer se ficasse ao meu lado?

- Não sei, a única coisa que sei é o que Eliza disse. E pelo que parece até ela se assustou com a forma que a Luna criou ódio de você.

- Mas isso não encaixa com todos esses anos. Luna nunca procurou o Draco, e sempre esteve comigo, me ouvindo, me ajudando... Estou confusa. – disse passando as mãos entre os fios ruivos. – O que Eliza ganha contando isso a você? Acho que ela está armando para que eu faça papel de idiota, isso sim.

- Claro que não. Ela vai casar e no fundo ela ama o Draco e prefere o ver ao seu lado, ao da Luna. Pelo menos com você ele é feliz. – Gina abaixou a cabeça ao ouvir. – Amiga, você não entende? Pelo que a Eliza falou o Draco nunca te traiu, ele apenas pensou ver a verdade. Vocês precisam conversar.

- Agora já é tarde demais pra isso...- uma lágrima solitária percorreu peloo rosto da ruiva.

- Eu não acredito nisso. Você não pode deixar o homem que você ama nos braços de uma vaca loira que só está interessada no dinheiro dele e que já os separou uma vez.

- Eu sei, Su. Mas ela tem uma coisa que eu não tenho. Ela tem um Malfoy dentro dela. – a morena respondeu com um abraço apertado.


Eram dezenove horas, a mesa já estava repleta das mais nobres especiarias culinárias, um verdadeiro banquete. Os castiçais de ouro iluminavam o ambiente e envolta da mesa de carvalho rostos que ostentavam falsos sorrisos. Draco não conseguia se ver ali, confirmava com a cabeça quando era solicitado e a taça de vinho sempre esvaziava surpreendentemente rápido quando estava a sua frente. Do outro lado da mesa, olhos idênticos ao dele o olhava, suspeitos.

Narcisa parecia estar desconfortável ao ver seu único filho com os olhos tão escuros, tão sombrios. Draco nunca parecera tanto com Lucius quanto agora. O olhar vago e distante as mãos firmes a taça de vinho e o descaso e um certo nojo ao olhar a mulher ao seu lado. Luna parecia não se importar com isso, mas Narcisa sabia que a loira tinha conhecimento dos sentimentos de Draco quanto à ela, o que fazia a questionar se ela realmente amava o seu filho. No lugar dela, já teria tido um conversa com Lucius, como teve antes do marido se tornar um ser inescrupuloso que ele se tornara após a segunda grande guerra bruxa.

O jantar fora servido, e depois todos já estavam na sala de chá, onde de longe se ouvia a risada de Luna e de Alexander Malfoy. A loura estava empolgada com a viagem para a França, dizia todo momento, que já estava se habituando a falar francês e que dentro de um tempo já não seria preciso andar com um dicionário nas mãos, como uma turista.

Draco parecia estar com sono. Os olhos vermelhos e semi-cerrados, e a voz embargada, de certo havia bebido demais. De repente Luna colocou a mão na barriga e caiu no chão, o que fez todos os presentes voltarem a atenção para a loira.

- O que houve? – perguntou Narcisa, que correu em socorro à loira. Luna não respondia, apenas revirava os olhos de dor.- Draco me ajude! - o loiro segurou Luna em seus braços, enquanto a respiração dela aos poucos voltava ao normal. – Fique com ela, enquanto eu chamo o medi-bruxo da nossa família.

- Não... Não precisa...- disse tentando levantar do chão com ajuda de Draco.

- Não é uma opção sua, querida. Meu neto está em sua barriga. – respondeu Narcisa, não admitindo ser contrariada.

- Ninguém coloca as mãos em mim! – respondeu ácida, praticamente recuperada do tombo. O que fez Narcisa a olhar desconfiada e visivelmente consternada com a resposta nada amigável.

- Não preciso lembrá-la que meu filho está aí dentro e se eu quiser você será examinada pelo meu médico, querida. – disse Draco.

- Ok, desculpe-me. Mas é que exames são exaustivos e acho que tenho tido dias muito puxados ultimamente e essa barriga pesa demais. - Comentou a última parte sorrindo.

- Ainda sim, acho que não faria mal se estivéssemos com um médico antes de viajarmos, não queremos surpresas, não é mesmo? – disse Narcisa, ajudando-a a sentar-se no sofá.

- É, o meu médico me examinará antes de viajarmos. Por enquanto, tomarei uma poção revitalizante e logo estarei melhor. Qualquer coisa, o médico estará conosco e saberá como agir.

- Pedirei para um elfo trazer e...

- Não é preciso!- disse a loira apressadamente, depois respirou fundo e continuou. – eu já tenho uma pronta, indicada pelo meu médico.

- Ah sim... – respondeu Narcisa olhando para Draco que parecia não se importar com nada.


- Acho melhor você se controlar, amiga. – comentou Suzan sentando-se ao lado de Gina, que levava o copo de firewhisk aos lábios mais uma vez.

- Eu só estou bebendo um pouco, afinal falta pouco para o Natal, preciso de motivação, não concorda? - respondeu a ruiva, enchendo o copo mais uma vez.

- Gina, não sei como posso ser sua amiga. Você é tão teimosa! – disse a morena revirando os olhos. - Até parece que beber fará você esquecer alguma coisa. Beber fará você ter um baita dor de cabeça isso sim.

- Esquecer o que Suzan? – bebeu mais uma dose.- Esquecer que neste momento ele está com a Luna? - riu alto. – Isso não é tão fácil de esquecer... – completou fechando os olhos.

- Eu imagino, mas não adianta em nada você ficar assim. É natal, estamos em família. Não faça besteiras.

- Não farei. – afastou o copo de si. – Já parei, satisfeita?

- Aliviada, seria o termo mais apropriado.

- Tia,tia! – chega Rebeca correndo. – Vamos blincar de esconde-esconde, blinca com a gente? – disse com os olhinhos brilhando.

- Eu não sei querida. A tia está cansada e...

- O tio Blaise, o tio Harry vão blincar também. E a tia Su se quiser também pode, tá?- piscou o olhou para morena, que ainda estava chocada com a possibilidade de ver seu noivo brincando de algo tão infantil. Pelo visto não foi somente a amiga que havia bebido.

- Ok, eu me rendo. Mas não está comigo! – disse meio cambaleante.

- Talvez não seja uma boa idéia, Gin. – falou Suzan analisando o estado da amiga, que estava corada demais e parecia não estar fixa no chão.

- Não se preocupe, mamãe. – respondeu dando um beijo no rosto da morena, se juntando aos demais participantes.


Conversas tediosas. Sorrisos falsos. Era assim que sua noite estava passando, não agüentava mais estar ali... Olhou para sua mãe que parecia estar incomodada com alguma coisa, provavelmente gostaria de assegurar que o futuro herdeiro Malfoy estava bem. Seu avô já havia bebido muito e agora falava sobre a Copa Mundial de Quadribol com o pai de Luna, e a loira parecia estar muito abatida, mas ouvia a conversa sorrindo de leve. Todos pareciam estar em seus devidos lugares, porém Draco sentia como se fosse uma peça mal encaixada neste quebra-cabeça. Seu lugar não era ali. Não queria ouvir mais nada. Ver mais nada.

- Logo, será a hora de trocarmos presentes. Você não imagina o quanto demorei para arranjar um presente para você, Draco. – comentou Luna, tirando-o de seus devaneios.

- Não precisava se dar ao trabalho. – respondeu tentando ao máximo não parecer ríspido.

- Nunca é trabalho presentearmos quem amamos, Draco. Por isso passei horas procurando um presente para você e para o nosso filho. – disse a loira ignorando a forma com que o loiro havia falado com ela.

- Ahhh, mas seu quero ver o presente do meu neto. Sabe, Luna, agora que vamos para França podemos completar o enxoval, podemos ficar uma semana em Paris resolvendo isso. Ou quem sabe, eu peça a uma estilista para desenhar roupas para ele.

- Por Salazar! Não acredito no que estou ouvindo. Ele nem nasceu e já está sendo tão paparicado. – disse Alexander Malfoy de forma amistosa, fazendo todos sorrirem, menos Draco.


- Eu estou te vendo, Gina – disse Blaise para uma mesa, enquanto Gina assistia tudo do alto da árvore.

- Desiste, Zabine. Você é péssimo até em jogos trouxa. – zombou Harry, ao que o moreno arqueou a sobrancelha.

- Não fui eu que corri como uma mulherzinha ao ser pego por uma criança de três anos. – retrucou.

- Mas eu quis ser pego, entenda! – disse gesticulando com as mãos.

- Tsiu, tsiu, tsiu. Péssimo perdedor! – comentou o moreno, deslocando-se para a parte interior da casa, deixando o moreno sozinho.

- Pode descer, ele já foi. – Gina olhou para Harry, que estava com os braços na frente do corpo, para ajudá-la a descer, se preciso.

- Uau, obrigada por não contar que eu estava aqui em cima. – Disse sentada, prestes a pular.

- Eu sempre te encobri nas brincadeiras, agora não seria diferente. – sorriu, olhando para os pés. – Venha, deixa que eu te ajudo a descer.

- Não precisa eu...- escorregou, caindo em cima dele, tombando os corpos no chão. – auuu! – chiou assim que sua perna bateu no chão, por cima da de Harry.

- Eu que devia estar gritando, a minha cabeça que foi ao chão e não a sua.

- Meu Merlin! Harry você está bem? – disse a ruiva levantando a cabeça de leve para olhá-lo nos olhos.

- Porque eu não estaria? Você está aqui. – respondeu o moreno acariciando o rosto dela, enquanto a ruiva fechava os lhos, deliciando-se com o carinho. Era disso que ela precisava no momento. – Gin?

- Oi... – sussurrou abrindo os olhos.

- Você lembra como nós dávamos certo? – perguntou o moreno, passando as mãos pelos fios ruivos. Gin apenas concordou com a cabeça. – Você acha que um dia poderíamos a voltar a dar certo assim?

Gina rolou para o lado, sentando no chão.

- Eu disse algo errado, Gina? – perguntou Harry acariciando o ombro dela.

- Não, Harry. Mas eu não posso fazer isso, não posso te iludir...

- Desculpa, Gin. Eu não devia ter tocado neste assunto. – disse a abraçando, enquanto ela encostava a cabeça no ombro dele.

Mais uma vez havia dispensado Harry, sabia que não devia brincar com os sentimentos dele. Talvez fosse bom tentar novamente, mas não agora. Não quando nem conseguia colocar a cabeça no travesseiro sem ver a imagem de Draco sorrindo. Olhou para o céu escuro e pediu por respostas. Respostas estas que talvez nunca viriam...


Luna estava radiante com o presente que ganhara de Alexander Malfoy: uma bonita gargantilha de água-marina, que pertencera a avó de Draco. Narcisa tinha uma parecida com aquela, havia ganhado no dia de seu noivado, de seu sogro. Várias roupas de bebê e um broche com um "M" feito por serpentes estavam entre a lista de presentes do seu filho com Lovegood.

Por vezes, Draco sentia-se mal por não conseguir sentir algo de bom pelo seu filho, por mais que tentasse muito, era difícil. O papel de pai nunca havia passado por sua cabeça, e o exemplo de vida que teve não foi dos melhores. Como poderia ele ser responsável por uma frágil vida, se ao menos havia tido controle da sua! Fora que sempre havia magoado as pessoas... Como poderia agora evitar isso! Por mais que não se sentisse ligado a seu filho, não gostaria que tivesse a imagem que ele teve do que era ser pai. Lucius nunca mostrara ser a melhor das pessoas, lembrava de como eram os castigos e de como cresceu sendo moldado para ser um Malfoy.

- Draco, olha que lindo? – sua mãe chamou a sua atenção para um par de brincos de safiras que seu avô havia lhe dado.

- Isso não é nada, abra o meu presente, e verá como o seu filho tem bom gosto. – sorriu petulante para o avô.

Narcisa abriu uma caixa preta de veludo e não teve como conter o largo sorriso. Um belo cordão de outro branco, com um pingente de estrela e outro de "N".

- Mas... Mas é lindo, Draco.- disse beijando a face do loiro, fazendo o corar como um menininho, que sempre odiava demonstrações públicas de afeto.

Comprara um vestido para Luna, mas nem sabia a cor, apenas havia dado o número dela para a uma grande estilista bruxa. Pela reação da loira, havia gostado bastante, não que ele se importasse com isso. Ganhara de Lovegood um relógio, apesar de bonito sabia que não usaria.

Depois de mais alguns minutos de conversa, se retirou. Não havia mais razão para estar ali. Estava entediado demais para apenas uma noite. Deitou na cama e logo ela veio em sua mente, sem pedir licença, dominando qualquer vestígio sanidade que ainda estivesse presente. Lembrava de todos os momentos, de todas as loucuras vividas entre eles desde Hogwarts, como estaria Virgínia agora?


Todas as crianças já estavam dormido, depois de tanta correria, brincadeiras e travessuras. Suzan havia ficado louca tentando colocar elas para dormirem juntamente com Gina, Fleur e Hermione. Ao menos agora seria mais tranqüilo, troca de presentes, felicidade, tudo em perfeita harmonia.

Gina recebera de Blaise um grande caixa com um monte de caixinhas pequenas dentro, presente para todos. Ela pegou o seu sorrindo, a ruiva sempre gostara de receber presentes. Sorriu ao ver o presente de Blaise: um livro sobre educação infantil. De Suzan ganhou botas marfim de salto agulha, lindas!

Deu uma maleta de maquiagem para Suzan da última linha lançado por uma famosa marca bruxa, um prendedor de gravata para Blaise e uma boneca de porcelana rosada de cabelos longos e lisos negro, a cara de Suzan. E o presente que o casal mais havia gostado.

Foram embora logo em seguida, logo Gina se despediu de todos e fora dormir.


A manhã chegara e logo estavam todos reunidos na grande mesa de carvalho da Mansão Malfoy, viajariam a tarde. Draco acordou tarde, pois ficara até altas horas pensando em como seria sua vida dali para frente. Tomaram o café harmoniosamente, Luna se despediu do pai e em seguida subiu para arrumar suas coisas, junto com Narcisa.

Draco caminhou mais um pouco pela mansão tentando repassar cada momento vivido neste último ano, por mais que agora estivesse voltando sem Gina e com uma mulher esperando um filho seu, não se arrependia de ter voltado. Sempre lembraria de tudo que acontecera e levaria todos aqueles momentos com ele. Talvez se ele e Gina não fossem tão cabeças dura no início nada disso estaria acontecendo, mas não adiantava mais pensar sobre isso. Hoje teria que retomar sua vida, longe dali...


A ruiva acordara com cócegas no pé. Aí como odiava o Gui! Ele fazia isso desde que ela se conhecia por gente, uma forma perversa de acordá-la. Odiava quando mexiam no seu pé. Ainda de olhos fechados agarrou o travesseiro e jogou na cara do irmão, que desprevenido caiu no chão.

- Aí, como você é má, Gin! – disse o ruivo se recompondo.

- Bem feito! Isso é pra você largar de ser chato! – disse cruzando os braços e fazendo biquinho.

- Nem venha com esse biquinho, você já é um mulherão pra fazer isso.

- Sou é? Então, deixa eu ir lá acordar o Harry... - sorriu a cara de ciúme do irmão.

- Não é pra tanto, já que você é minha irmã. Você ainda sente alguma coisa por ele?

- Não. Na verdade, acho que isso já acabou a muito tempo.

- Acho bom... - disse Gui sem pensar, fazendo a irmã gargalhar.


Estava dentro da sala de embarque, via pelo vidro a grande máquina branca e trouxa que os levaria dali, o avião. Sentia-se enojado por estar na presença de tanta gente de diversos lugares do mundo e de pouca classe. Fora o receio que tinha de entrar naquela geringonça trouxa. Luna e Narcisa reclamavam do atraso do vôo, enquanto sua atenção fora tomada pela briga de duas criancinhas. Uma menininha ruiva de pouco mais de cinco anos e ao que parecia seu irmão, que parecia ser no máximo dois anos mais velhos.

- Você puxou meu cabelo, mamãe, ele puxou meu cabelo. – dizia a menininha fazendo biquinho, por instantes o loiro não conseguiu ver mais nada a sua frente a não ser aquela cena. A sensação de dejavú foi sentida. A menina lembrava muito ela.

- Josh! Eu já disse pra você não puxar o cabelo da sua irmã. – apareceu a mãe com as mãos na cintura repreendendo o filho.

- Ela é boba mamãe, quebrou meu carrinho! – disse mostrando um carrinho quebrado.

- Sou não! – gritou revoltada e muito corada.

- Christine não grite! – disse a mãe olhando para os lados, percebendo que Draco os observava. – Vamos, vocês já estão incomodando as pessoas.

A menininha olhou curiosa para a mãe e logo depois para Draco. O bico que ela ostentava no rosto, foi trocado por um sorriso tímido, e enquanto sua mãe a puxava pelo braço ela deu uma tchauzinho para Draco. Não conseguiu mais deixar de pensar no que aquela imagem significava, talvez aquele fosse um aviso... De qualquer forma havia mexido demais com ele, era como se fosse a sua ruiva dando esse adeus...

Mas dessa vez ele não se deixaria levar pelo que era certo para ele, ele recomeçaria tudo... Levantou da poltrona, abraçou a mãe, sorriu pra Luna dando um beijo no rosto da loira. Sua escolha estava feita.

Precisava seguir o caminho que tanto queria...


Fim do Vigéssimo Capítulo

N/A: Oiee, estou viva gente!

Estou atualizando hoje, porque sei que faz muito tempo que não atualizo, então não seria justo com vocês demorar mais tempo. Minhas provas de qualificação começam em outubro, logo estarei mais atarefada que o normal. Mas não deixarei minhas fics. Infelizmente, este capítulo não foi betado. Na verdade, até que foi, já que a Lou corrigiu os erros, mas como foi rápido nem ela sabe se deu pra ver tudo. Agradeço demais, a Lou por isso. Fofaa! Espero em breve postar este capítulo betado e com a nota de beta da Aninha, que está um pouquinho ocupada , por isso ainda não me deu o cap., assim que ele vir para as minhas mãos, eu posto direitinhoo! Não respondi aos comentários farei quando postar a versão betada. Mais uma vez, obrigada a todos que comentaram! Muitos me abandonaram, mas aos que ficaram, muitooo obrigada! A Aninha e Lou, não sei o que faria sem vocês aqui! E a todas minhas amigas!


Nota da Lou: Amigaaa!

Fico radiante de alegria por vc ter me deixado corrigir os erros aqui, qria ter comentado, mas essa n é a minha função e eu faço isso na rvw!

Amei demais isso aqui, e está super perfeitoso! aperta

Bjinhosss, Lou! (futura Zabine)


Bjinhoos,

Rafinha

PS: Logo o capítulo será re-postado com a versão betada e com agradecimentos.