Capítulo XXIII - Não importa quem somos


O que na verdade somos.

Gina estava frente ao espelho dando os toques finais na maquiagem, queria ficar perfeita para essa noite. Mal podia acreditar no que estava prestes a fazer. Não tinha outro jeito, Luna precisava pagar o que havia feito, nunca imaginaria que as coisas chegariam a este ponto. Mas a partir daquele momento, sabia que tudo iria mudar, e era o que mais ansiava, estar com o Draco sem precisar se esconder. Sua relação com Narcisa estava cada vez melhor, ela não parecia ser o monstro que pensava, agora via de onde o loiro tinha puxado o jeito amável... Não que amável fosse a melhor maneira de classificá-lo, mas Draco era sensível sim, ainda que vestisse uma máscara de indiferença.

Estava tudo pronto para o espetáculo, pelo que via a mansão Malfoy estava toda decorada. Seria de fato uma grande festa, tudo perfeitamente planejado para o "grande momento". O plano de Narcisa incluía tudo isso, festa, imprensa, alta sociedade bruxa... Tudo milimetricamente planejado.

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Olhava da sacada do quarto de hóspedes para os convidados que entravam pelos grandes portões, não acreditando que enfim tudo estava caminhando para dar certo. Agradeceria eternamente à Narcisa, nunca imaginou que receberia tanto apoio, mas também carregando o herdeiro dos Malfoys, não podia ser diferente. Riu lembrando de como havia sido esperta ao armar seu plano. Depois de anos, conseguiria ter Draco pra si, não importava se ele a amava ou não, na verdade, ela já havia pensado em como fazê-lo ficar apaixonado, nada que as poções não ajudassem... Não tinha medo de arriscar, afinal valia a pena. Daria tudo para ver a cara de perdedora de Gina Weasley... Sempre ela no seu caminho. O amor de Harry, de Draco... Mas o que ela tinha de mais? Nada. Anos observando o jeito simples demais... Não importava, o Draco seria dela e não havia mais nada que a Weasley pudesse fazer.

- Você já está pronta, Luna? – perguntou o loiro do lado de fora da porta.

- Pode entrar, meu amor. – respondeu e logo após ouviu a porta ser aberta. – O que acha? – indagou referindo-se ao longo vestido azul que vestia.

- Está muito bonita, como sempre. – respondeu o loiro automaticamente.

Draco não agüentava mais aquela situação, por ele Luna já estaria bem longe dali. Mas sua mãe não deixaria barato o fato de ter sido enganada, e ele sabia bem disso. Luna não fazia idéia do que era mexer com a Black Malfoy.

- Vamos antes que minha mãe venha atrás de nós. – Luna sorriu, tentando beijar-lhe os lábios, mas o homem desviou. Tudo bem, ela tinha paciência, um dia ele se renderia.

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A festa ocorria da melhor forma possível, tudo impecável. O show iria começar, já era hora de Narcisa se manifestar. Gina havia chegado, e sorria para a Sra. Malfoy.

Draco olhava tudo de longe, nunca pensou que sua mãe pudesse gostar tanto de Gina, tudo bem que se ele era capaz de gostar da ruiva, era porque de fato ela era muito especial. Não havia como não gostar da sua pequena. Sorriu, não via a hora dessa noite acabar e ter Gina do seu lado.

Narcisa pediu atenção de todos, a orquestra havia parado de tocar e agora só se ouvia a voz suave e firme dela em cima do palco.

- Gostaria de agradecer a presença de todos esta noite. Espero que estejam gostando da nossa festa... Não sou muito boa em discursos, mas como a ocasião é especial pensei em algo que pudesse expressar bem o motivo da celebração. – ela sorriu pra Luna e Draco, que estavam sentados de frente para o palco. – Como vocês sabem, o Draco é o meu filho único, sempre pensei no melhor para meu filho, sempre pensei que pudesse protegê-lo de tudo... Mas nem sempre é assim. Tenho a sorte de ter criado um homem decente e que me surpreende cada vez mais. Acredito que o amor que o meu filho sente supera todas as barreiras e estarei sempre para apoiá-lo, sei que foi difícil para os dois ficarem juntos, muitas intrigas, mentiras... Hoje é o dia para celebrar o amor... – parou o discurso, enquanto eram servidas taças de champagne.

- O amor verdadeiro que ultrapassa barreiras de cor, classe, ou orientação política. O amor que transforma e faz das pessoas seres melhores. O amor que fez meu filho se transformar, fato que eu dedico, com toda a minha gratidão...

Narcissa deu um grande sorriso para o casal, mas não os estava saudando, longe disso, saboreava o impacto que suas seguints palavras causariam.

- Que eu dedico, definitivamente, à Gina Weasley.

No silêncio confuso do salão lotado de personalidades bruxas, Gina apareceu timidamente ao lado de Draco, que se levantou e a beijou suavemente. Luna nem tinha reparado, pois ainda olhava fixamente para a loira em cima do palco.

- O QUE SIGNIFICA ESSA PALHAÇADA, NARCISA? – gritou Luna chamando atenção de todos os convidados.

- Antes de mais nada, gostaria de chamar os guardas da Azkaban. Pelo que sei, a poção que a senhorita toma para fingir essa gravidez, é proibida. E você sabe o que o Ministério faz com pessoas que utilizam de poções proibidas, não é? – sorriu de leve. – Espero que sua estadia seja prazerosa em Azkaban, e que você lembre de nunca mais pronunciar o nome de um Malfoy. Você não é digna, Lovegood.

- MAS EU ESTOU GRÁVIDA SIM! – disse desesperada, mas os guardas a pegavam pelos braços. – VOCÊS NUNCA SERÃO FELIZES! EU AINDA VOLTO PARA TOMAR O DRACO DE VOCÊ, WEASLEY! – saiu arrastada aos gritos, deixando todos os convidados comentando.

- Um brinde ao amor? – Narcisa levantou a taça, mas todos pareciam ainda chocados com os acontecimentos.

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Draco corria com Gina para estufa, era o lugar que ele sempre lembrava dela. Não acreditava que depois de anos a teria pra si, o tempo que fosse. Sorriu ao vê-la tão feliz, um peso grande saía de suas costas, estava livre novamente.

- Não acredito que estamos aqui! – ele a abraçou, beijando a face. – Nada vai nos separar, pequena.

- É, se nem todos esses anos separados conseguiram, acho que nada mais conseguirá. – beijaram-se apaixonadamente. – Acho que a Suzan e o Blaise vão gostar de saber que voltamos.

- É verdade. Blaise torcia muito pra isso. – puxou a ruiva para fora da estufa. – Minha mãe deve estar querendo nos ver, nem acredito que ela armou tudo isso...

- Ela é uma Malfoy, não ia deixar as coisas assim... – Draco sorriu ao ver Gina falar de sua mãe.

- Pelo visto vocês duas se aproximaram bastante, né? – disse bobo. – Muito perigosa essa combinação... Devo ter medo de vocês duas juntas, não? – brincou.

- Hum... Desde que você ande linha, não é preciso ter medo. – sorriu, puxando para um beijo.

- Vejo que já estão aproveitando o tempo juntos, não é mesmo? – Narcisa comentou ao vê-los, abraçando Gina em seguida. – Fico feliz pela escolha do meu filho, vejo que você é uma mulher e tanto.

- Mãe, eu sempre escolho o melhor, sabe?! – comentou arrancando risada das mulheres.

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Alguns meses depois...

O quarto estava escuro ainda, mas Gina sentia o toque de Draco em seu ombro. Maldito! Sempre a acordava na melhor parte do seu sono, tudo bem que na maioria das vezes era acordada, pois perdia a hora... Mas ainda assim odiava ser acordada.

- Gina, acorda... – ela se cobriu completamente. – Pequena, temos que ir... Vamos deixe de ser preguiçosa... – realmente era um trabalho acordar a ruiva. – A Suzan precisa de você, que madrinha desnaturada é essa que nem vai visitar a afilhada quando ele nasc-

- Aimeudeus! – levantou-se da cama rapidamente, tropeçando e caindo em seguida, fazendo o loiro gargalhar. – Não tem graça! – fez um bico de zangada.

- Calma, amor. O Blaise foi com ela pro hospital, então se arrume e vamos logo, sim?! – estendeu a mão para que ela levantasse. – Vai ocorrer tudo bem com o bebê, ela será tão dura na queda como os pais. – Sim, o loiro sabia como confortá-la.

- Tudo bem. Vou me arrumar e já vamos. – respondeu empolgada, entrando no banheiro em seguida.

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Blaise andava de um lado para outro. Já faziam mais de duas horas que Suzan estava lá dentro, queria estar com ela, mas não sabia se era o certo.

- Sr. Zabine? – chamou a enfermeira. – O senhor já pode me acompanhar.

A cada passo que dava sentia seu estômago afundar... Céus! Que desespero era esse que sentia ao pensar em Suzan e o bebê. Sua filha, sua linda filha, sua princesa. Nunca imaginou que iria querer tanto essa criança. Entrou no quarto, enquanto via Suzan com sua pequenininha no colo, ela nem piscava enquanto parecia gravar cada pedaço do rostinho da filha. Era visível seu cansaço, mas a ternura que ela transmitia o acalmava.

- Amor? – chamou assim que chegou ao lado da cama. Suzan apenas riu, mostrando o rostinho da bebê que estava quase dormindo. – Ela é linda como você, Su. – a moreno deixou uma lágrima escapar.

- Obrigada por tudo, meu amor. Nunca pensei que fosse tão boa essa sensação. – ela olhou mais uma vez pra filha que agora estava dormindo. – Ela tem seus olhos, pelos menos por enquanto, já que a cor pode mudar, né?

- Eu te amo, Suzan. – ele respondeu, enquanto passava o braço por trás da cabeça da mulher. – Descanse, eu ficarei cuidando de vocês, princesas. – ela riu, e se deixou levar pelo cansaço.

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Draco e Gina entraram no quarto onde Suzan estava, depois de passarem dois dias juntos a Blaise, que não parava de reclamar querendo que a esposa e sua filha voltassem logo para casa.

- Meu Deus! Que linda... – disse Gina já próxima a Suzan, que estava com a bebê no colo. – Ela é bem cabeluda, e tem os olhos do Blaise. Linda...

- Tá ouvindo, Draco? Se ela diz que a Natalie é linda, e que se parece comigo, então ela me acha lindo. Lamento, amigo. Não tem como se comparar a mim. – disse bobo, enquanto, arrumava as coisas de Suzan.

- Sua filha é linda, Zabine. Espero que ela puxe a mãe. – comentou, abraçando Gina enquanto a ruiva carregava a criança no colo.

- É, acho que vocês já podem pensar em dar um amiguinho pra ela, né? – comentou Zabine, deixando o casal sem jeito.

- Não se mete Blaise! – respondeu Suzan, jogando um coelhinho de pelúcia em cima do noivo, arrancando gargalhadas da sala.

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Gina estava nervosa, depois de um longo tempo de namoro, escolheu o melhor momento para comunicar oficialmente seu relacionamento com Draco. Não queria apressar as coisas, mas queria que a família entendesse. Afinal de contas, já estavam juntos há tanto tempo e todo mundo já sabia que eles namoravam, depois de aparecer nos jornais a noite em que Luna foi presa e o a notícia do casal inusitado. Um escândalo! Sua família pareceu ignorar a notícia, deixando de lado. Embora soubessem do relacionamento deles, todos tinham esperança que a ruiva caísse em si.

O casamento de Suzan era dentro de duas semanas, e seria inevitável o encontro de sua família com Draco. Então, depois de uma longa conversa decidiu que a melhor maneira seria levá-lo lá. Afinal de contas, o máximo que poderia acontecer é um nariz quebrado, é claro que essa parte ela preferiu não comentar com Draco.

O loiro estava impaciente, Gina percebeu que ele queria que o dia corresse, para que logo eles estivessem sozinhos. Chegaram para o almoço n'a Toca, como sempre um barulho enorme de pessoas falando, até eles entrarem. Todos ficaram mudos com a presença de Draco, que fingiu não notar, logo sendo agarrado por Rebecca.

- Tioooooooooooooooooooooooooooooooooo!! – agarrou as pernas do loiro, logo sendo abraçada por ele e levantada. – Você é namorado da tia Gina de novo, né? – perguntou, agora com menos dificuldade na fala. Estava bem maior do que da última vez que a vira, como criança cresce rápido, não pôde deixar de pensar.

- Sim, princesa. – ela sorriu, dando um beijo na face dele, todos pareciam abismados com a cena, como se a qualquer instante Draco fosse fazer alguma maldade a todos.

- Bom, acho que já estava na hora de vocês se habituarem ao meu namorado, né? – comentou Gina, recebendo um olhar estranho de Draco.

- Você está brincando, Virgínia? – ela ficou mais perto de Draco, quando viu Rony chegar perto dele. – Como você trás este traste pra cá? – perguntou inconformado, sendo seguido por Hermione.

- Isso não é da sua conta, Ronald! – disse áspera.

- Largue a minha filha, Malfoy! – disse puxando a Becca do colo do loiro.

- Pára, papai! – disse a criança chorando. – O tio Draco é meu amigo e eu gosto dele.

- Rebecca, o Malfoy é ruim e...

- Chega, Ronald! Sua irmã não é mais criança e a Rebecca gosta do Malfoy, não vá colocar minhocas na cabeça dela. – disse Hermione puxando a menina.

- Nós somos uma família, Ronald. Devemos apoiar a Gina. Venha aqui minha filha, mamãe estava com tantas saudades suas. – disse Molly abraçando a filha. – Malfoy, seja bem vindo, meu filho. E não se importe com os meninos, eles não farão nada a você. – disse em tom de ordem, dando um caloroso abraço no loiro em seguida.

A tarde passou tranquilamente, Artur Weasley parecia impressionado com Draco, que parecia realmente envolvido na conversa com ele e os irmãos de Gina. Todos pareciam estar gostando, menos o Rony é claro.

- Espero que vocês formem uma família logo, aqui nós preservamos muito isso. – disse Artur sorridente, completando. – Gina, não pode ser tratada como uma qualquer.

- Eu sei disso, Sr. Weasley, penso em casar com Gina em breve e...

- Como é que é? – perguntou a ruiva surpreendendo os homens. – Papai, eu e o Draco somos muito novos e temos muita coisa pela frente. Não pensamos em casar agora. Pensei que isso, havia ficado claro.

- Não é bem assim, Gina. Seu pai tem razão, você sabe como é a tradição e...

- Sei disso tudo sim. Mas não vejo porque apressar, quero deixar as coisas como estão. – disse sentando ao lado do loiro, que parecia não gostar muito do rumo da conversa. Logo, os irmãos e o pai de Gina saíram, deixando-os a sós.

- Pensei que você queria uma família, assim como Suzan e Blaise... Não entendo porque disso agora. – respondeu sinceramente, sem olhá-la.

- E quero, Draco. Só não precisa ser agora. Não precisamos de pressa. – disse alisando o ombro dele. – Eu te amo e isso me basta, claro que pretendo um dia casar com você, mas quero viver todas as etapas e não me deixar levar pela pressão social. Vivemos bem juntos, não vivemos? – ele apenas concordou com a cabeça, sendo logo beijado pela ruiva.

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Merlin! Como estava nervosa. Nunca havia se imaginado em um vestido de noiva, sua idéia sobre casamento era sempre a mesma, uma comemoração social sobre a perda de individualidade de duas pessoas. Sim, ela não era normal. Suzan sempre teve consciência que fugia de qualquer tipo de envolvimento por conta de seu passado. É na infância que estabelecemos valores, e foi justamente na infância que ela se viu perdida. Primeiro seu pai havia sumido, depois apareceu e estragou a vida que tinha. Ou seja, sempre tivera péssimos referenciais quanto a casais.

Seus relacionamentos amorosos também não podiam ser classificados como bons. Desde seu primeiro namorado, percebeu o motivo que os faziam ser atraídos por ela, era beleza e só. Não se preocupavam com o que ela pensava, ou se pensava. Era sempre a mesma coisa. Ela se entediava facilmente, por melhor que fosse a pessoa. O único que havia despertado algo a mais tinha sido Ronald Weasley. Claro que hoje ela entendia o porquê, Rony representava tudo que ela nunca teve, tinha uma família incrível e estar com ele significava estar mais perto de Gina. Como se pudessem ser irmãs de verdade... Era namorá-lo e ganhar a família de brinde. Só que isso não bastava, ela sabia. E tinha todo o envolvimento dele com Hermione, tudo muito previsível.

Sentimento de verdade é algo muito mais complicado, não tem como se escolher. Ela entendeu isso quando conheceu o Blaise e tudo o que menos pensava era ficar com ele por mais que uns meses. Ele era a diversão dela e ela a dele. Quando que as coisas saíram do controle? Ela nem saberia dizer, foi tudo rápido e inexplicável. Eles eram parecidos demais em muitas coisas e tinham dificuldade de se envolver, e foi pensando nisso que se envolveram, na segurança que um não seria nada para o outro e de repente se viram como parte um do outro. E para selar isso tinha a filha deles... A princesa, como Blaise chamava. Era incrível como um filho muda a vida de uma mulher, ela se sentia mais realizada e completa, mais mulher. E ver a felicidade estampada na face do moreno só fazia seu coração bater mais acelerado.

Os meses passaram tão rapidamente, os preparativos do casamento ficaram de lado com o nascimento de Natália, a pequena roubava completamente a atenção deles. Claro que tiveram ajuda de Gina e Molly nos primeiros meses, mas logo se habituaram a realidade de pais. Realidade deliciosa, ainda que às vezes a pequenininha atrapalhava certos momentos, e deixava o pai louco. Mas isso era passageiro. Agora de frente ao espelho, ajeitando o véu de noiva é que entendia que a felicidade de um casamento é maior do que pensava. Não é como se perdesse sua individualidade, permaneceria do mesmo jeito, só que agora caminharia acompanhada. Teria sua base, seu conforto. Teria seu marido. Seu amor.

- Você está linda, Suzan! – disse Gina entrando no quarto da mansão dos Zabines. – O Blaise tá quase enfartando já, e a Natália está destruindo a gravata do Draco, então acho melhor nós irmos rápido. – a amiga sorriu ao ver Gina que parecia tão nervosa quanto ela.

- Gin, você sabe que é mais que uma amiga pra mim, é uma irmã, né? – a ruiva apenas afirmou com a cabeça. – Diz pra mim que tudo irá dar certo?

- Tudo dará certo, Su. Você e o Blaise estão há um tempão juntos, não há motivos pra duvidar de nada. Pega o buquê e fique tranqüila. – disse abraçando a amiga.

- Não sei o que seria de mim sem você, Gin. – disse retribuindo o abraço.

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Olhava para todos os convidados, para sua filha no colo do amigo, que aliás parecia uma boneca. E já estava deixando o padrinho nervoso de tanto que puxava e apertava a gravata dele. Quem diria que o amigo ficaria tão à vontade com uma criança... Riu. Virgínia Weasley faz milagres! Sua cabeça vagava por infinitos pensamentos... Não agüentava mais a espera, Gina já havia saído para chamar Suzan há pelo menos vinte minutos. Não acreditava que sua noiva estava seguindo a tradição torturante de atrasar.

- Zabine, eu acho que você será pai solteiro... – comentou Draco em um sussurro, deixando o amigo ainda mais nervoso. – É, Nathy, sua mãe trocou o papai por outro e olha que o tio aqui avisou. – a menininha sorria sem entender nada.

- Cala boca, Draco! – disse irritado. – Quero ver quando for sua vez, vou torcer para o Potter roubar a ruiva de você.

- Hei! Tire o Harry dá história. – disse Gina chegando na hora, pegando Natália do colo de Draco. – Dá pra vocês dois pararem de infantilidades. Cruzes!

Antes que qualquer um se pronunciasse a marcha nupcial tocou, e Suzan apareceu com um longo vestido de noiva tomara-que-caia, ornado por milhares de cristais de fadas, com uma tiara de diamantes na cabeça e o véu de renda francesa. (EU QUERO -)Uma legítima princesa, Blaise não pôde deixar de pensar. Os olhos de Suzan brilhavam tanto, e o sorriso parecia contagiar. Nunca sorrira tanto na vida, era felicidade demais.

A cerimônia ocorreu perfeitamente, ainda que Blaise tenha deixado a aliança cair de tão nervoso, arrancando gargalhadas dos presentes. Natália já havia caído no sono, e os pais dançavam por entre os convidados. Gina e Draco já estavam para sair da festa, quando Suzan chamou a ruiva.

- Amiga, amanhã eu e o Blaise iremos para o Egito, estou tão feliz... De lá vamos pra Dubai. E depois... E depois eu nem sei. Só sei que pretendemos viajar bastante. Aproveitar muito! – relatou eufórica. – Como eu sei que o Malfoy é um apressadinho, aposto que vocês já estavam pensando em sair, né? Espera até eu jogar meu buquê, eu quero que você pegue.

- Não acredito que você leva sério essa história de quem pega o buquê é a próxima a casar. – respondeu incrédula.

- Ah, Gina. Larga de ser chata, eu vou jogar na sua direção.

E logo um aglomerado de mulheres se juntou para pegar o buquê de Suzan.

- É um... é dois... é três e... Não quero jogar é tão bonito. – comentou Suzan fazendo as mulheres rirem. Jogando de surpresa em seguida, o que não contava era que o buquê voasse tanto e caísse nos braços de Draco, que pegou por reflexo.

- Era pra Gina, Malfoy! – ela comentou rindo da cara de irritado que o loiro fez.

- Dá no mesmo, ela vai casar comigo. – disse galanteador, puxando a ruiva para um beijo. (espero né ¬¬)

Os Zabines saíram sorrateiramente da festa, despedindo-se da família Weasley, da família Malfoy e do casal. (lindo - Blaise não tem família? u.u)

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Dois anos depois...

- Gina, você está acordada? – perguntou Draco, fazendo carinho no ombro dela.

- Ainda estou. – respondeu com a voz sonolenta. – O que foi?

- Estava pensando aqui... Acho que já está na hora, né? – a ruiva se mexeu inquieta, olhando nos olhos prateados do namorado.

- Na hora? Do que você está falando? – ele não respondeu, apenas se desvencilhou da ruiva, saindo do quarto em seguida.

Gina estranhou. Nos últimos dias Draco estava se comportando de maneira esquisita, ainda mais na presença de Suzan e Blaise, sempre ficava calado. Não gostava disso, imaginava o que estava atormentando o loiro, mas esperava que não fosse algo como o "amor passou", pois desde que começaram a morar juntos, tinha cada vez mais certeza que o amava. Levantou-se da cama, e foi em direção ao pequeno escritório que tinha no apartamento, sabia que ele estaria ali. E não foi surpresa ao vê-lo em pé de frente para a janela. Caminhou silenciosamente até ele, abraçando-o por trás. Draco puxou seu braço e beijou sua mão, olhando atentamente pra ruiva.

- Eu gosto tanto de você, pequena. – disse sério.

- O que está havendo? Você está romântico e quieto demais... – ela suspirou. - O que você aprontou Draco? – ele não respondeu novamente. – Olha, eu percebi que você anda quieto demais e não acho justo você não me dizer as coisas e...

Ficou muda. Draco havia colocado um ursinho em suas mãos. O ursinho idêntico ao que os gêmeos haviam explodido quando ela era pequena, o Pipe.

- Um ursinho de pelúcia? – ela gargalhou. – O que é isso, Draco?

- Pequena, olhe bem. – ele estava cada vez mais nervoso.

- O quê? – ela olhou e logo entendeu. Havia um ponto brilhante na mão do urso, quando Gina puxou, quase teve um ataque. Aquilo era um anel de brilhantes então... – O que significa?

- Pensei que fosse mais esperta. – respondeu brincalhão, puxando-a para um abraço, enquanto ela continuava pasma olhando para a aliança. – Isso significa, Srta. Weasley, que eu quero você pra sempre e que já chegou a nossa hora, não? – puxou o anel das mãos dela e colocou no dedo direito, beijando-a em seguida.

- Eu não disse sim. – comentou depois de recuperar o fôlego.

- Não precisava, eu sei que você me quer, querida. – respondeu arrancando uma risada dela.

- Eu estou louca, vou me casar com você um dia. Isso é loucura! – ela ria extasiada.

- Como você disse não precisamos ter pressa, mas eu queria oficializar. Então? - ele passou as mãos nas bochechas sardentas dela.

- Hum... Acho que posso me acostumar com esse anel de brilhantes no meu dedo. – o loiro beijou os lábios da mulher rapidamente. – Eu te amo, mesmo você sendo sem jeito para pedir as coisas.

- Sem jeito? Não tenho culpa de você ser lerda. E olha que me deu um trabalhão achar um urso como esse aí, sabe como é, estamos na fase de curar os traumas do passado. – deu risada. – Sério, pequena, eu também amo você, mesmo com esse jeito desastrado e lerdo de entender as coisas.

- Ai meu Merlin! Você não sabe mesmo fazer declarações... Mas ainda assim eu me derreto. Como pode? – a ruiva o puxou para um beijo, sabendo que sempre seria assim.

- Não importa, pequena. Não importa quem somos, e sim o que na verdade somos quando estamos juntos. Isso é o que importa. – beijou-a novamente.

- Acho que estou errada quanto a você não saber fazer declarações. – ele a calou com um beijo que transmitia muito mais do que apenas desejo, era tudo. Era o que ele não conseguia expressar com palavras, era amor.

Mesmo que não fossem o casal mais perfeito do mundo, e que para muitos o relacionamento deles era algo como uma simples diversão e um dia ele cairiam na real. No fundo, sabiam que sempre foram mais. O tempo, a distância, as pessoas... nada disso conseguiu destruir o que sentiam. Juntos tudo fazia mais sentido, mesmo sendo uma estranha combinação, era como se um completasse o outro. E o que para ninguém fazia sentido, para eles fazia e era isso que importava. Não era um relacionamento perfeito que almejavam, pois isso não existe. As pessoas são completas, cheias de defeitos e qualidades. Um relacionamento de verdade passa por crises, por provações. Porém quando se existe o sentimento verdadeiro nada disso importa, tudo é pequeno. Draco e Gina sabiam disso, e não tinham medo de enfrentar nada, eles tinham a vida inteira pela frente. Brigas não deixariam de existir, mas teria sempre a manhã seguinte para a reconciliação. A certeza de amar e ser amado, a certeza de existir no outro. Isso só entende é quem ama, ou amou alguém de verdade.


Fim


N/B: Emoção. É isso. Quatro anos. Não dá pra definir melhor, e tudo que eu posso oferecer é o meu grande orgulho por acompanhar a fic e betar e participar desse processo! Mil vezes obrigada pela oportunidade amore!

Beijoos mil!

Ly Anne Black.


N/B: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH histérica com o último cap QUE LINDO, QUE LINDO, QUE LINDO - Ficou TÃO PFRFEITO - ainda com os olhos brilhando Eu nem acredito que OQNVS acabou! pega o lençinho e enxuga as lágrimas A Luna teve o fim que mereceu, vaca loira maldita! E tudo terminou tão lindo entre Blaise e a Su e a filhinha deles - e DG foi MUITO perfeito! - O final não ficou lindo? Eu sei que sim xD Mandem MUITAS REVIEWS para a dona Rafa, afinal depois de tanto tempo sem atualizar e com um final como esse ela merece, e MUITO! E quem quer a continuação de OQNVS escreva "OQNVS 2 já" na sua review - Rafa, muito obrigada por ter me dado a honra de betar esse último cap. Te amo muito.

Obrigada leitores por acompanharem a fic, até a próxima betagem da doida aqui, beijos Lou!


N/A: Nem eu estou acreditando que depois de longos quatro anos tudo acabou. Essa fic era pra ser em Hogwarts, fiz dois capítulos dela assim, porém perdi. Depois de alguns meses comecei a reescrever, mas optei por fazer pós- Hogwarts. Há muitas mudanças no rumo e na própria escrita da fic, afinal de contas, eu estava entrando no ensino médio quando comecei a escrever e já estou praticamente no meio da faculdade. No ínicio, tive vergonha de publicar, gostava mais da vida de leitora... Grande vício! Em 2005 comecei a postar e vim a conhecer as pessoas incríveis e que sem elas a fic não teria ido tão longe. Agradeço a Ly Anne que me ajudou MUITO desde o comecinho, a Franinha que deu altas dicas e quase foi minha beta, a Lou que sem ela eu já teria me perdido no enredo, a Miaka pelas reviews revoltadas, a Camy-lindinha por sempre me apoiar e indicar a fic no extinto Portal DG, a Tataya Black que acabou virando a Natalie da fic, a Su que é quem me inspirou a escrever a Suzan, e a todas as pessoas maravilhosas que mandaram reviews:

Miaka-ela, Tataya Black, Dessinha McGuiller, Franinha Malfoy, Lana, Fioccos, Shadow Malfoy, aNiTa Joyce BeLice, Lou Malfoy, DudiNhaziNha,Hyoku-yusuki Kinomoto, Arwen Mione, Ginevra Sophie Malfoy, Ly Anne Black, ThaiUndomiel, NeSsa Black Malfoy, Jéssica Malfoy, Sakura Scatena, Bruna G. Weasley, Julia Malfoy, srtas. Weasel, Srta Felton leg, Miracles, Bruna Black, Aline, LolitaMalfoy, licca-weasley-malfoy,Angelina Michelle, Musa-sama, Sabina Pereze, Gabiii, Bibica, NelianeMalfoy, Marih, Caroline Granger, Mione. G Potter – Rj, Karen, Likah, Ly W., Erica W. M., Laís, Tre Star, Pati Black, Jessy Malfoy, Thaty, Mandy, Bárbara Granger, Ginny Danae Malfoy, Ape Malfoy, Hannah Guimarães, Lydhyamsf e Luiz Malfoy.

Não sei mesmo como agradecer vocês.

Não tem coisa melhor do que abrir meu email e ver suas reviews, fico sempre radiante e motivada.

Desculpem por qualquer coisa e sintam-se a vontade em comentar, hein?!

Beijão e até a próxima!!

Rafinha (agora sem o M. Potter).