Disclaimer: Saint Seiya, muito infelizmente, não é de minha autoria. Quem me dera se fosse... Mas Saint Seiya tem dono sim! Como: Kurumada, Toei e Bandai. E essa fanfic não tem fins lucrativos.

Obs: O nome Camus Lefevre é de minha autoria (não é fácil encontrar sobrenomes franceses ¬¬). Se alguém já usou, ou quer usar (isso é, se alguém ler essa joça), contate-me, please.

CONTEÚDO YAOI

Pronto, está avisado. E que não me venham encher a paciência depois.

Boa leitura.


Prólogo

Estavam a caminho do local, ainda abalados pelo acontecimento. Shaka dirigia em silêncio, enquanto Mu mantinha o olhar perdido no céu chuvoso da paisagem ao lado de fora. O ariano tinha os olhos vermelhos, como se estivessem cansados de chorar. Shaka o observava pelo canto dos olhos, sem perder a atenção do trânsito. Viu Mu recostando a cabeça no vidro e viu lágrimas se formarem novamente nos olhos verdes, tão tristes desde que tudo acontecera. Aquele dia nublado e chuvoso de outubro combinava perfeitamente com a situação que enfrentavam naquele momento.

Terna e suavemente, o indiano levou a sua mão até a de Mu, entrelaçando os dedos nos dele. Sem tirar os olhos da rua, sorriu para o companheiro, tentando conforta-lo. Ainda chorando, Mu olhou para ele e sorriu, com uma profunda tristeza nos olhos. O tibetano era assim: sentia tudo profundamente, mesmo que por vezes não demonstrasse.

Tomou a mão de Shaka entre as suas e levou-a até a boca, beijando-a suavemente e derramando algumas lágrimas sobre ela. Apesar de ter adorado o carinho, o semblante de Shaka voltou novamente à seriedade e, soltando a mão das de Mu, acariciou os fios lavanda que naquele dia pareciam estar sem o brilho característico.

-O Milo ficou lá, Mu?

-Eu disse a ele para ir até em casa, tomar um banho e descansar um pouco, mas ele recusou. – Respondeu, enxugando as lágrimas com um lenço de papel – Falou que ficaria mais um pouco e que depois pediria ao Dite para levá-lo até o apartamento dele...

-Então o Afrodite ficou lá com ele?

-Não, ele disse que queria ficar um tempo sozinho... Para pensar, não sei. Talvez isso faça bem á ele, ontem ele ficou muito rodeado pelas pessoas, precisa de um tempo.

Shaka sorriu discretamente, sem o outro perceber. Mu sabia como agir em cada momento. Nunca deixaria alguém como Milo, um grande amigo, sozinho em um momento difícil. Mas o ariano sabia perfeitamente que, naquele momento, nada confortaria o escorpiano. Só o tempo.

Depois de alguns minutos, chegaram ao local. Estava praticamente uma loucura aquele lugar: os canteiros da avenida em que se localizavam estavam circundados de carros de pessoas e da imprensa. Repórteres e câmeras na calçada, esperando algo acontecer. Mu olhou incrédulo para tudo aquilo. Oras não era um circo! Muito menos uma atração circense... A imprensa realmente não tinha limites.

Shaka estacionou o carro algumas ruas para cima da entrada do local, pois não havia mais vagas na movimentada avenida. Mu desceu do carro e parou na calçada, arrumando o grosso sobretudo preto e ajeitando os longos cabelos. Enxugou novamente as lágrimas e colocou os óculos escuros, enquanto esperava Shaka fechar o carro. O indiano, depois de também vestir um casaco, esse cor de creme, foi até o ariano, dando-lhe a mão para poderem seguir até o seu destino. Shaka também escondeu os tristes olhos azuis atrás dos óculos escuros.

À medida que chegavam perto do portão de entrada, repórteres os abordavam, reconhecendo quem eram. Optaram por não responder a nenhuma das perguntas, querendo chegar o mais rápido possível até o portão. Shaka abraçou Mu pela cintura e ambos iam se desvencilhando dos microfones, celulares e gravadores que estendiam a eles.

Finalmente chegaram na entrada, onde encontraram um homem vestido de preto, que carregava um rádio-informador em uma das mãos. O homem lhes sorriu, acenando com a cabeça e abrindo o portão para entrarem. Mu, entes de cruzar o portão, parou, olhando para o homem de preto.

-Deba, o Milo já voltou?

-Não... – Respondeu com uma voz forte e suspirou – Na verdade, ele não saiu. O Dite foi embora há quase uma hora e me pediu para avisar você que o Milo não quis ir de maneira alguma.

Mu, que ainda estava de mãos dadas com Shaka, suspirou. Milo não tinha jeito mesmo e, se ele não o ouvira, não ouviria a mais ninguém.

-Obrigado, Deba... – O ariano agradeceu o segurança e, junto de Shaka, adentrou o local.

Iam subindo os últimos degraus de mármore cinza, quando Mu avistou uma cena que o deixou no pior do que já se encontrava: Sentado no chão, frente à uma placa negra, pregada na parede que era voltada para a porta do lugar, estava Milo. Olhos vermelhos e inchados, boca entreaberta, mãos largadas no colo e alguns curiosos a sua volta, olhando para o grego. Os longos e cacheados cabelo loiros caídos sobre os ombros, os olhos de um profundo azul cravados em uma palavra escrita em dourado, bem no centro da placa negra. Mu seguiu o olhar do loiro e leu a placa... Sim, ele já havia visto aquela palavra escrita ali, mas naquele momento era diferente. Milo estava ali, perdido e sem chão.

Shaka sentiu Mu estremecer depois que havia olhado a cena. Sentiu uma imensa pena do escorpiano e, com certeza, não poderia sentir o que Milo estava sentindo ali. Levantou o olhar até a placa e leu novamente a palavra, ou melhor, a frase toda.

Camus Lefevre

! 07.02.1983 + 10.04.2008 1

Continua...


1 - Substituam o ponte de exclamação por uma estrelinha, que quer dizer data de nascimento. A cruz é data de falecimento.

Suenne Bardot

19.04.2008

16h51