Disclaimer: eu não sou dona do nariz de ninguém!

Qualquer semelhança com a realidade não é mera ficção, é mania minha mesmo.


A Dor Dela

A janela aberta, vazia.

Botan esperava, sem muito saber por quê. Era isso o que ela queria? Esperar? Sem nunca saber?

Ele viria, sim, ele viria. Hiei podia demorar, atravessar mundos e chegar com a cara mais irritada que ela conhecia, mas ele vinha. Tarde, sem carinho, sem certezas.

E quando Hiei chegava, Botan continuava esperando.

Sem resposta.

"Se é o que você pensa, onna."

Um dia, ela finalmente disse. Com todas as letras. Com dor e medo. Porque acreditar no amor do koorime não bastava. Não era o que uma garota podia querer, era?

Botan esperava pelo próprio amor, e não pela confiança.

Ele pegou as coisas e saiu. A janela continuou aberta. E vazia.

Botan se sentou quieta, naquela noite. Confiança era uma coisa muito engraçada. E covarde também. Ele tinha razão, ela não confiava no amor do koorime. Podia ter certeza da confiança dele nela. Da lealdade. Da preocupação. Mas isso não era amor.

Amor era estar... e Botan sempre sentia medo, quando ele simplesmente não estava.

Ela fechou a janela, deixando uma fresta para entrar ar. Uma bobagem, ela sabia. Porque nunca fora boa em desculpas.

Sentou-se quieta, imaginando que agora não teria mais que esperar. Se isso era bom ou ruim...

Só não era.

Botan esperava. De janelas fechadas, entreabertas, esperava como se não fosse uma simples decisão.

Não era dela.

Respirou fundo, o barulho dos galhos batendo na madeira a faziam tremer de quando em quando. Sempre. Ela acreditava. Ainda acreditava. E acreditou, mais uma vez, no amor que ela mesma sentia. Não deu nenhuma boa desculpa para ignorar.

Esperar lhe dava um aperto no peito. Mas a falta da espera... era simplesmente grande demais pra toda ela.

Como sempre fora, e ela não entendia nunca... que esperar era confiar também. E ela teria que confiar no amor dele.

Existisse ou não, ela confiaria. Se era mesmo dela, aquela janela iria ser aberta. Tarde, com mau humor, cheia de rabugice.

Ou ficaria vazia.

Botan acreditava em qualquer verdade ou resposta.

Porque só isso traria o fim de toda aquela espera.