Capítulo 3 – Escolhas
- Então a coelha Babbitty se virou para o toco e disse...
Harry sentiu o calafrio do feitiço o percorrer. Acontecera.
- Disse o que, papai? – a voz de Lily o desconcertou.
- Desculpe, querida... O papai precisa sair.
- Aonde você vai?
- Trabalhar. Estão chamando o papai no trabalho, querida.
- Tudo bem. – a menina se virou entre as cobertas, a voz triste – Amanhã você continua?
- Amanhã... – resmungou Harry. Não sabia se estaria com a filha no dia seguinte. Talvez demorasse muito para voltar a vê-la – Vamos terminar, minha querida...
Abriu o velho livro e retomou a leitura de "Babbity, a coelha, e o toco que cacarejava"
- Ginny. – chamou, alguns minutos depois, procurando pela esposa no quarto escuro – Está acordada?
- Harry? Não vem dormir?
- Eu... Eu recebi um chamado...
Ele ouviu barulho da cama rangendo quando Ginny se sentou e acendeu o abajur, olhando para ele de forma reprovadora.
- Há quanto tempo você está nessa vida, Harry? Não era assim antes... O que está acontecendo?
- Problemas, Ginny... Não depende de mim eles acontecerem ou não... Algumas épocas são mais perturbadas que outras...
Ginny respirou fundo.
- Estou indo para o campeonato inglês semana que vem. Quando você volta?
- Eu não sei. Vou ter que ficar incomunicável por um tempo. Aviso quando puder.
- Vou deixar as crianças com minha mãe, então. – ela se virou de costas para ele, se cobrindo até o ombro.
Harry correu o quarto, arrumando uma pequena mala. Não sabia o que Draco estava planejando fazer, mas era melhor se prevenir. Depositou um pequeno beijo na testa de Ginny, que já dormia, e se dirigiu ao quarto dos filhos.
A respiração pesada de James não negava seu sono. Albus, porém, se mexeu quando ele entrou no quarto.
- Pai?
- Oi. Pensei que estivesse dormindo. – sussurrou, se sentando na beirada da cama do filho e acariciando seus cabelos bagunçados – A tarde foi agitada hoje – disse sorrindo -, você deve estar cansado.
- Um pouco... Estava pensando...
- No quê?
- Depois que eu fui para o colégio, tenho falado tão pouco com a Lily. Quero dizer, ela é bem chata quando quer, mas eu sinto falta dela.
- Você pode escrever para ele quando quiser, e ela vai para o colégio no próximo verão.
- Eu sei... Mas não é a mesma coisa... Você e a mamãe quase não param em casa. Acho que ela deve se sentir sozinha.
Harry sorriu, triste.
- Eu vou ter que trabalhar. Vou passar muito tempo fora.
Albus se sentou, o olhando sério.
- Quanto tempo?
- Eu não sei. Mas acho que será muito tempo... Talvez um ano.
- Um ano? – sua voz saiu baixinha.
- Eu quero que me escreva se precisar de qualquer coisa, entendeu? Qualquer coisa, Al. Inclusive conversar. Diga isso aos seus irmãos. Eu não posso ficar com vocês, mas vocês podem ficar comigo. Não se esqueça disso. Eu não estou te deixando, entende, Al?
O garoto confirmou com a cabeça. Harry o abraçou e o beijou. Em seguida foi à cama de James e o beijou também. Voltou ao corredor, apanhou a mala e aparatou.
oOo
Estava em frente a uma construção rústica. Um chalé feito de madeira envelhecida, mas muito bem tratada, o esperava no centro de um pequeno jardim. O vento frio cortava seu rosto e balançava as grades de ferro em torno da casa. Em volta havia uma floresta distante, circulando tudo, o barulho de água e montanhas azuladas ao fundo. Algo lhe dizia que não estava na Inglaterra.
Aproximou-se do portão e percebeu imediatamente que estava enfeitiçado. Sacou a varinha, murmurou algumas proteções e o abriu. O som das dobradiças rangendo o arrepiou mais do que o vento frio. Avançou pelo pequeno caminho de pedras até a pesada porta de madeira. Levantou o pulso para bater quando ela se destrancou e entreabriu. Ele apertou a varinha com mais força e a empurrou um pouco, abrindo espaço para olhar.
O ambiente estava iluminado pela luz natural que ultrapassava as cortinas brancas das grandes janelas. Pela fresta ele podia ver um jogo de sofás de couro branco, móveis de madeira escura, como as paredes, e alguns outros utensílios que evidenciavam uma sala de estar. Nenhum sinal de vida.
Abriu um pouco mais a porta e passou devagar para dentro do ambiente. Imediatamente sentiu algo pontiagudo espetar sua nuca.
- Não se mova. Solte a varinha e se vire lentamente.
- Sou eu, Draco. Harry.
O silêncio surgiu entre eles.
- Solta a varinha.
- Draco...
- SOLTA E SE VIRA!
Harry obedeceu, ficando de frente para ele. Draco estava pálido e tinha pequenas olheiras, parecia cansado. Ele ainda o encarava desconfiado.
- Draco sou eu mesmo. Harry Potter, casado com Ginny Weasley, pai de três filhos, Lily, Albus e James, e que mesmo assim te encontra às escondidas nos porões do Ministério há dois anos e que sabe que você está esperando um filho meu.
Draco baixou a varinha e o empurrou com força, o fazendo cair no chão, aparentemente descontando uma tensão que evitava colocar na forma de feitiços, ao que Harry agradeceu.
- O que você está fazendo aqui e como me encontrou?
- Coloquei um feitiço rastreador em você. Imaginei que ia tentar se esconder...
- Se imaginou isso, devia saber que é porque não queria que ninguém me encontrasse.
- Você estava desesperado... Podia fazer qualquer coisa...
- Qualquer coisa? Qualquer coisa? O que você esperava que eu fizesse? Me atirasse no Tamisa?
Harry se levantou devagar e o encarou.
- Como você está?
- BEM! Agora vai embora!
- Draco...
- Potter! – Draco recomeçou, visivelmente tentando se controlar - O que você veio fazer aqui?
- Vim ficar com você.
- Você não pode ficar comigo, Potter! – Draco disse como quem explica algo a uma criança.
- Por quê?
- Por quê? Talvez porque você tenha uma família! Talvez porque você tenha um trabalho! E não vai ser como se você pudesse ficar aparatando e desaparatando aqui quando bem quiser sem ninguém perceber!
- Eu não vou ficar indo e vindo. Vou ficar aqui com você o tempo todo.
- Potter, você...
- Eu pedi dispensa no Ministério por tempo indeterminado. Aleguei investigações em um caso particular. Já fiz isso antes. Falei para minha família que precisava trabalhar em um caso difícil, que teria que ficar fora por tempo indeterminado.
- Você não fez isso... Você não pode estar pensando seriamente em abandonar a sua vida durante nove meses por causa de mim...
- Eu calculo que talvez até um pouco mais. O bebê e você vão precisar de um tempo até poderem simplesmente voltar.
- Potter...
- Eu entrei com um pedido de afastamento em seu nome também. Motivo de doença. Foi aceito. Quando voltar, você pode conversar com o Kingsley e se explicar. Até lá, imagino que podemos conversar melhor sobre a situação.
Draco deu as costas para ele, passando a mão no rosto, nervoso.
- Como você está? – Harry repetiu, pousando as mãos nos seus ombros.
Draco balançou a cabeça em negação.
- Potter, eu não vou deixar você fazer isso!
- Você não tem que deixar nada, Draco! Você está grávido de um filho meu! Eu não vou deixar você sozinho trancado nessa casa! Sei que você não está doente, mas sei também que vai precisar de ajuda e de companhia e eu não vou fugir agora!
- Eu fugiria. – Draco disse em um sussurro.
Harry o virou de frente para ele, o encarando.
- Eu tive medo que você abortasse.
Draco o encarou com raiva.
- Eu... Eu não quis... Eu não faço idéia de como... Draco! Eu não quis esse filho! Mas eu tenho medo de perdê-lo. E tenho medo por você também...
- Eu... Eu pensei... Eu não poderia matar o meu filho. – Draco falou baixo, duas lágrimas correram pelo seu rosto.
Harry se aproximou e o abraçou. Draco o envolveu com os braços e permitiu que todo o medo que estava sentindo o deixasse na forma de lágrimas, compartilhadas com a única pessoa a quem podia confiar o que estava acontecendo.
- Vai dar tudo certo.
oOo
N/A: Amo vocês, já disse isso hoje? A lógica da coisa é a seguinte: mínimo de 10 comentários por capítulo, e eu posto o próximo! XD
Beijos
