Capítulo 7 – Alinhando os ponteiros

Draco abriu os olhos devagar. Uma luz amena inundava o ambiente que ele reconheceu vagamente. Estava deitado na cama do quarto de seus pais no chalé. Havia um perfume bom no ar e ele se sentia cansado. Piscou lentamente e tentou se mover. Seu corpo parecia rijo e pesado demais. Meio... anestesiado. Girou a cabeça sobre o travesseiro e o que viu o fez sorrir.

Em uma poltrona colocada a alguns passos de sua cama, Harry estava sentado com um bebê nos braços, que sugava ferozmente a mamadeira.

- Oi. – Draco tentou dizer, mas sua voz saiu fraca e rouca e fez sua garganta doer. Mesmo assim, foi o suficiente para quebrar a contemplação do moreno.

- Oi, meu amor. Eu... ah... só um segundo...

Harry terminou de amamentar a filha, se erguendo com ela nos braços para fazê-la arrotar, caminhando com o bebê para o berço, também recém-colocado no quarto, mas Draco o impediu.

- Não... Eu quero ver...

Harry sorriu e foi até a cama. Deitou a filha ao lado do loiro e puxou a poltrona para mais perto, o examinando.

- Como você está? – perguntou, alisando sua fronte.

- Hummm... Grogue. – Draco fez uma careta manhosa – Sua amiguinha me dopou.

- Sente alguma dor? – Harry voltou a questioná-lo, sorrindo ao ver que pelo menos ele estava consciente e em seu humor normal.

- Não... Não sinto praticamente nada... Mal consigo me mover...

- Ela disse que esse entorpecimento poderia acontecer. São os cicatrizantes, anestesiantes... sei lá. Mas logo passa, conforme você for se mexendo a partir de agora.

- Quanto tempo eu passei dormindo?

- Um dia, mais ou menos... Já vai escurecer.

Draco se remexeu um pouco, fechando os olhos, e resmungou.

- Hummm... Estou com fome...

Harry sorriu e beijou-lhe a testa antes de sair para a cozinha.

Draco girou a cabeça para o outro lado, encontrando a filha adormecida. Sorriu, permitindo que o cheirinho do bebê o acalmasse. Queria tocá-la. Testou a mobilidade dos dedos, flexionando-os, em seguida o punho e o braço. Suas juntas estalaram, mas logo ele conseguiu alongá-los e se espreguiçar. Tentou virar o corpo de lado para ver melhor a filha, mas o movimento enviou um pulso de dor pela sua coluna que o fez gritar. Tudo o que conseguiu fazer foi fechar os olhos com força e tentar respirar enquanto a dor se dissipava lentamente.

- Draco!

Harry estava ao seu lado, o olhando aflito, uma mão em seu ombro, outra enxugando o rastro da lágrima que escorreu pelo seu rosto.

- Eu... Merlin... Dói...

- Onde?

Draco teve que respirar fundo antes de responder, sentindo a dor se espalhando pelo seu corpo e enfraquecendo. Percebeu o choro ao seu lado. Seu grito havia acordado a filha.

- Não... Tudo bem... Eu só... Minha coluna.

- Você tentou se mexer?

- Oh, sim...

- Sua bacia, Draco. Você não pode... Repouso absoluto até segunda ordem. A Mione disse que você só vai conseguir sentar daqui uns dois dias ainda...

Draco fechou os olhos e deixou o braço cair sobre a testa, ainda tentando regularizar a respiração. O som de Harry cantarolando algo o fez voltar a olhá-lo. O moreno embalava a filha, que já parara de chorar e agora tentava retomar o seu sono.

- Quer pegá-la?

O loiro concordou com a cabeça e sorriu quando o moreno deitou o bebê sobre seu peito. Draco o acariciou e beijou sua mãozinha.

- Como você está se virando sozinho?

- Bem. – Harry deu de ombros – Já é a quarta vez que eu passo por isso, não é mesmo? Quer dizer, fralda suja, mamadeira e berreiro não é exatamente novidade para mim... Além do quê, Kreacher me ajuda no que pode.

Suas palavras pareciam displicentes, mas Draco podia ver seus olhos brilhando ao olhar para o bebê e todo o carinho que ele tinha com a filha.

- E a mobília, roupas, acessórios... Onde arrumou tudo isso? – perguntou, parecendo pouco interessado.

- Bem... – Harry respondeu meio sem jeito – Você estava meio inseguro e disse que não queria ver nada disso antes de ter certeza de que o bebê nasceria. Eu não quis insistir com você, mas cada vez que tinha que sair, aproveitava para dar uma olhada no que tinha aqui nas cidades da redondeza... Quando eu me vi sozinho com um bebê que nem roupa tinha, lancei um disfarce no Kreacher e mandei ele buscar as coisas... Outro tanto a Mione trouxe...

- Mestre. – Kreacher entrou no quarto com uma bandeja, que Harry pegou e começou a arrumar de forma que o loiro pudesse se alimentar.

- Ela voltou depois do parto?

- Duas vezes. Está te monitorando de perto... Você quase morreu...

A preocupação era evidente na voz de Harry e Draco desviou o olhar, recaindo sobre a bandeja.

- O que é isso?

- Sopa.

O loiro torceu o nariz, mas seu estômago reagiu bem ao cheiro que se espalhava da vasilha. Harry colocou mais um travesseiro, inclinando o seu corpo e o olhou em dúvida.

- Potter, eu consigo comer sozinho, obrigado. – Draco retorquiu, interpretando corretamente a indecisão do moreno, tomando o prato de sua mão.

O loiro comeu em silêncio enquanto Harry insistia para que a filha dormisse, mas ela parecia agitada agora que o pai a acordara.

- Ela precisa de um nome. – constatou Draco.

- Eu estava esperando você acordar.

- Pensou em alguma coisa?

- Achei que talvez você quisesse dar o nome da sua mãe...

Draco torceu o nariz.

- Potter, eu realmente acredito que uma pessoa deva ter um nome próprio, e não ficar remetendo a outras pessoas.

- O que sugere, então?

- Todos os Black têm nomes de estrelas ou constelações...

Foi a vez de Harry torcer o nariz.

- Pollux, Phineas, Andromeda? Não, obrigado. Além do quê, ela não é uma Black. Ela é uma Malfoy Potter. – Harry acrescentou com orgulho.

- Potter Malfoy. Soa melhor. – corrigiu o outro.

- Você deu a luz a ela, seu nome fica no meio!

- Ela é tão única... Quero dizer, olha isso: ela nasceu de dois homens e, não só isso, ela nasceu de um Potter e de um Malfoy.

Harry riu, se deitando na cama, mantendo a filha entre os dois.

- O nome dela precisa ter um significado... Algo... Ela.

Draco ficou sério, olhando para os dois ao seu lado.

- Ela é um mistério.

O nome de Riddle surgiu na mente de Harry e ele sentiu um arrepio correr seu corpo.

- Não... Ela é mais do que isso... Mistério é algo tão incerto, tão vazio... Eu prefiro algo que se saiba, mesmo que não se conheça.

- Potter, eu não sabia que você é filosofo, mas definitivamente entender o que você está querendo dizer é algo que eu julgo estar acima da capacidade até de Sócrates.

Harry riu e beijou o corpinho da filha.

- Sophie. É disso que eu estou falando.

Draco o encarou, curioso. Sem resposta, o moreno o olhou também, inquieto.

- O que acha?

- Gostei. – Draco disse, sério, ainda olhando para Harry de forma profunda. Acariciou a cabecinha da filha devagar – Minha pequena Sophie. Sophie Potter Malfoy.

Harry sorriu.

- Nossa Sophie.

oOo

- Certo. Como está se sentindo?

- Levemente tonto. – Draco resmungou entre dentes. Havia acabado de se sentar, com a ajuda de Harry, depois de dias sem poder sequer inclinar o corpo. As poções que Hermione lhe dera mais cedo ainda causavam um leve enjôo, e a mudança de ares depois de tanto tempo se movendo o mínimo possível parecia ajudar a mexer com seus referenciais.

- Dói?

- Não...

Granger fez algumas anotações em uma prancheta e separou umas poções.

- Você pode se mover mais e sentar, obviamente. Sua medicação vai mudar e diminuir significativamente, mas não abuse. Procure movimentar as pernas e amanhã acho que já pode levantar e tentar andar, mas eu volto antes disso para te examinar mais uma vez. Internamente, tem sentido dores?

- Um pouco de cólicas, mas nada que venha a me aleijar. – respondeu, já irritado com os exames.

Hermione suspirou e o encarou, séria.

- Malfoy, eu estou tentando evitar que você fique com seqüelas desse parto. Se você acha isso enfadonho, faça o que achar melhor, não sou eu que tive meu corpo quase rasgado ao meio há menos de três dias.

- Eu não pedi...

- Não, o Harry pediu. E pelo que me lembro você estava gritando de dor na ocasião, e não se incomodou quando eu o livrei dela. Agora, escute. Você já recuperou o sangue perdido, já recuperou o osso na bacia, já recuperou seu físico. Sua recuperação está sendo surpreendente, considerando o que você passou. Mais alguns dias e você estará com suas funções orgânicas funcionando plenamente de novo e sua musculatura pronta para uma olimpíada. Agora, se você continuar querendo me expulsar daqui cada vez que eu venho te examinar, vou deixar seu intestino se fechar e seu fêmur deslocado, e você realmente vai entender o que é ficar aleijado quando não conseguir mais levantar dessa cama.

Os dois se encararam, resolutos. Hermione realmente se sentia feliz por Harry ter saído do quarto por alguns minutos para que pudesse dizer a Draco o quanto ele estava sendo imprudente.

- Tome uma dose de cada uma dessas poções de oito em oito horas. Eu volto amanhã. Com licença, vou examinar sua filha.

- Hei, Granger, só me diz uma coisa... Depois que eu levantar, posso começar a pensar em fazer outro filho?

Hermione se voltou para olhá-lo e percebeu que, pelo sorrisinho na face do loiro, a pergunta tinha o claro intento de perturbá-la. Ela, porém, já esperava por ela em algum momento, embora a forma como Draco colocou as coisas tenha realmente a chocado com a imagem mental que se conjugou a sua frente.

- Isso só depende de como você vai se sentir. Aviso que, pela quantidade de cicatrizantes que você tomou agindo localmente, você estará... hummm... mais resistente. Talvez mais até do que quando era virgem. Converse com o Harry e tente não se machucar. Você definitivamente não é um paciente agradável.

Saiu batendo a porta, deixando um Draco risonho sentado na cama.

oOo

- Me fala da Weasley.

A voz de Draco cortou o silêncio repentinamente. Harry estava deitado sobre suas pernas, o bebê dormindo de bruços sobre seu peito. O loiro alisava os cabelos do moreno, sentado, encostado nos travesseiros apoiados na cabeceira da cama. Nevava, para variar, mas o quarto estava quente.

- Quê? – perguntou Harry, fitando o amante.

Draco parou o carinho, pousando a mão sobre sua testa como um sinal para que se acalmasse, mas desviou os olhos para responder.

- Me fale dela. Como ela é, como age, o que você gosta e não gosta nela. Quero saber o que você sente pela Ginny.

Era a primeira vez que Draco usava o apelido de sua esposa, e Harry não viu nenhum traço de malícia ou ironia na sua voz. Ele engoliu em seco, mas somente continuou encarando o loiro, que, lentamente, retomou o carinho em seus cabelos.

- Eu gostei dela, Draco. Gostei muito. Eu fui profundamente apaixonado por ela. Durante quase um ano inteiro da minha vida, ela foi o que eu mais desejei.

- Qual ano?

Harry pensou um pouco em silêncio.

- Nosso sexto ano. – Draco fez um barulhinho incrédulo com a boca e Harry franziu a testa – O que foi?

- Potter... No nosso sexto ano, as coisas estavam... acontecendo. E você estava simplesmente no olho do furacão... Mesmo se você fosse o maior garanhão de Hogwarts, e você não era, você não conseguiria colocar uma mulher acima de todo o resto que te rodeava naquele momento.

- Você tem razão. Eu não conseguiria, e não consegui. Tanto que, mesmo tendo ela como namorada no fim daquele ano, tive coragem para terminar com ela para poder ir para a guerra. Talvez ela realmente não fosse o mais importante na minha vida naquele momento. Mas certamente eu a desejava. Desejava poder ficar ao lado dela. Esse desejo existia forte.

Harry ficou em silêncio por um tempo, e Draco não o rompeu, esperando que o moreno voltasse a falar.

- Talvez esse tenha sido meu erro, afinal. Ninguém sabe o quanto eu senti a falta dela no ano seguinte, enquanto nós estávamos separados... Merlin, eu penei por isso... A saudade era quase desesperadora... E isso, somado a toda desesperança, a toda a merda que me rodeava... Céus...

Harry passou a mão, nervoso, pelo rosto e Draco pousou novamente a mão em sua testa, tentando acalmá-lo.

- E então tudo acabou... – Harry suspirou – E eu estava vivo... E ela também. E, enfim, estávamos livres para viver. Para ter uma vida juntos, uma família. Mas... Era como se ela não estivesse ali. Não, não como se ela fosse indiferente ou algo assim. Ela gostava de mim, eu sabia que gostava. Mas era como... Se ela não confiasse o suficiente. Ela nunca estava totalmente entregue, entende?

Harry suspirou.

- Hoje eu penso que de certa forma a culpa é minha. Tipo, eu a abandonei primeiro. Antes mesmo de termos qualquer coisa, eu disse para ela que se fosse preciso abandoná-la por uma causa, eu o faria. E eu o fiz. E ela nunca se esqueceu disso. Não que ela não tenha entendido meus motivos. Ela sabia que era porque eu queria protegê-la. Ela sabia disso. Mas não concordava e nunca me perdoou totalmente por não ter arriscado a sua vida, por não ter a levado comigo. E... E quando nós nos casamos, isso parecia superado, mas não estava.

Harry fez outra pausa e, quando sua voz voltou, estava repleta de tanto carinho e amargura que fez Draco encará-lo.

- Ela era perfeita. Companheira, alegre, bonita. Compartilhávamos o respeito pelo outro, o amor, o toque... O apartamento... Mas nunca completamente a vida. Eu queria uma família. Ela queria uma carreira. Tudo bem, eu respeitei as escolhas dela. Eu soube esperar. E eu admirei sua força enquanto ela se fazia notar ao mundo. Mas... – e sua voz falhou – Eu... Eu nunca pude deixar de pensar que a insistência dela em jogar, seus treinos à exaustão, seu empenho admirável, tinham muito de querer criar uma imagem. Talvez uma imagem que fosse digna da imagem "do Eleito". Eu nunca a questionei sobre isso. Ela nunca confirmou minhas suspeitas. Mas eu via muito do mesmo orgulho e determinação que eu vi no Ron algumas vezes, enquanto estávamos no colégio. E, além da imagem, Ginny tinha uma preocupação muito grande com dinheiro. Nós tínhamos dinheiro suficiente para viver uma vida toda juntos sem precisar trabalhar. E eu ainda ganhava bem... E, no entanto, ela se preocupava em economizar, em... em... coisas pequenas, sabe? Mas que, com o tempo, foram se tornando pontos de atrito entre nós. E então vieram os filhos.

Um sorriso brincou nos lábios de Harry e suas mãos, parecendo grandes demais, acariciaram com extrema delicadeza a cabecinha da recém-nascida adormecida sobre seu peito.

- Eu amo meus filhos, Draco. Amo mais do que qualquer coisa no mundo. Disso eu não te dou o direito de duvidar. Eu deixaria qualquer coisa por eles. Eu abandonaria tudo. Eu iria até o fim do mundo.

- Eu sei como é. – a voz de Draco chegou baixa e meio rouca e Harry pegou sua mão e a beijou.

- Ginny me deu três filhos lindos. Você me deu mais um. E eu sempre os amarei, acima de tudo. Aos quatro. – sua voz carregava uma emoção brilhante – E eu imagino que depois de ter gerado, você se sinta diferente com relação aos seus próprios filhos. Eu não sei como é esse sentimento. Mas não sei se é o mesmo que a Ginny tem.

Novo suspiro, e dessa vez a voz de Harry se carregou com tristeza.

- Esse talvez tenha sido o principal motivo que nos tornou quase dois estranhos vivendo na mesma casa. Eu sei que ela os ama. E ama muito. Mas não sei até que ponto ela iria por eles. E me sinto até mal de duvidar dessa forma do amor de uma mãe, mas é como se eles não fossem a total prioridade na vida dela, como são na minha. A ausência que eu sentia dela com relação a mim era a mesma que eu via dela com relação às crianças. Eu fiz questão de aprender a cuidar dos meus filhos, Draco, não porque eu goste realmente de trocar fraldas e passar noites e noites andando para lá e para cá em um quarto ouvindo berreiro. Mas é que eu senti a necessidade de dar carinho para eles, cobrindo a lacuna que os atos mecânicos da Ginny causavam. Não vou dizer que ela cuidava deles como obrigação, que não era dedicada... Mas ela nunca perdeu uma noite velando o sono deles, a menos que estivessem doentes. Nunca brincou com eles durante o banho. Nunca permitiu que eles a sujassem enquanto comiam, brincando com a papinha. Entende, Draco? Ela simplesmente... fazia. E eu tive medo dessa indiferença. Tive medo que meus filhos crescessem assim, e fui dedicando todo o meu tempo e atenção para eles. E, de repente, não restava mais tempo ou atenção para Ginny. E ela não se importou. Ela simplesmente se dedicou mais ao trabalho e parecia feliz assim. Mas eu não estava feliz. Tanto... Tanto que passei a procurar o carinho de que eu sentia falta em outra pessoa.

O silêncio voltou a envolvê-los e Draco voltou a acariciar os cabelos de Harry.

- O que você sentiu depois do nosso primeiro beijo? Sabe, com relação a ela.

- Senti culpa, claro. Eu cheguei em casa mais tarde naquele dia. Estava fazendo hora extra e você apareceu. Discutimos, para variar, e você se debruçou sobre a minha mesa... próximo demais, com aquele sorrisinho debochado no rosto. Você disse alguma coisa que me tirou do sério... O que foi mesmo?

- Que você era incompetente.

- Não, isso foi antes... No começo da briga... Nessa hora foi algo com um duplo sentido absurdo! Enfim... Aquele beijo virou dois, que virou três, que virou um amasso louco. E eu acabei chegando em casa muito mais tarde do que costumava chegar, mesmo para uma pessoa que fazia horas extras com freqüência. E ela sentiu seu perfume. Na verdade, foi o que a acordou. Ela se sentiu irritada com seu perfume. Eu tomei um banho, e quando voltei, ela já estava dormindo de novo. Eu não dormi aquela noite. Fiquei olhando para ela. Fiquei me questionando, questionando o que eu queria, o que eu sentia. Eu podia não a amar como amava antes, mas ainda a respeitava o suficiente para chegar no Ministério no dia seguinte decidido a dizer para você que aquilo tinha sido um erro e que não ia se repetir.

- E o que te fez mudar? – a voz de Draco soou repentinamente dura.

- A forma como você se entregou para mim naquela noite.

- Você podia ter me parado antes disso, se estava tão determinado. E eu não me entreguei para você, Potter. As coisas começaram a esquentar e eu disse que daria para você se você pedisse.

- Eu não precisei pedir, Draco. Eu cheguei na sua sala e o departamento já estava vazio. Você estava esperando que eu aparecesse. Você me pegou de surpresa, me abraçando por trás e beijando meu pescoço. Você me cheirava como se eu fosse alguma droga inebriante. Eu estava há quase três meses sem sexo devido ao último campeonato da Ginny e, naquele momento, tentava me concentrar no que eu tinha ensaiado para te dizer enquanto meu corpo reagia sozinho. Eu queria aquilo e tive medo de querer. Mas todo o medo se dissipou ao te ver, horas depois, trêmulo, quase desfalecendo nos meus braços, fechando os olhos e me procurando para um beijo, como se eu fosse seu porto seguro. Eu nunca havia tido alguém de forma tão completa quanto naquela noite. Mesmo que eu não quisesse fazer aquilo.

- Mas fez. E no dia seguinte também. E no outro. E fez de três a quatro vezes por semana nos últimos dois anos. Sempre foi só sexo, Harry? Sexo com culpa?

Harry se sentou, envolvendo Sophie nos braços para que não acordasse, e se virou, olhando firme nos olhos de Draco.

- Nunca foi só sexo, Draco. Não teria acontecido da primeira vez se fosse só sexo, entende? Sexo eu teria com qualquer vagabunda por aí. Você sempre foi algo mais. Foi desafio, foi envolvimento, foi carinho. Até que virou amor. – Harry esperou por uma resposta que nunca veio, somente os olhos metálicos fixos nos seus, procurando por algo – Se a dúvida que te atordoa é se eu a amo ainda, saiba que não. Eu ainda a respeito, como a mulher que esteve do meu lado por vinte anos, como a mãe dos meus filhos. Mas eu acho que não conseguiria transar com ela de novo sem me sentir o maior canalha da face da Terra. Nós não temos mais intimidade para isso, não conversamos mais o bastante para saber o que o outro sente, não nos conhecemos mais o suficiente para reclamarmos a presença um do outro. E eu realmente espero que você saiba que o que acontece entre nós dois é exatamente o contrário. Eu não sinto culpa por te amar, Draco. E eu sei que você sabe disso. Eu sinto uma cumplicidade tão grande com você que sei que você pode me ler o tempo todo e não me incomodo com isso. Eu sei que nossa intimidade não é só física, é até psicológica. Talvez isso tenha surgido com a necessidade do segredo, o que exigia troca de olhares que diziam muito, ou palavras inversas, ou toques sutis que eram capazes de despir a alma. Eu não sei quando surgiu. A gente não sabe dizer quando se apaixona. Mas eu me apaixonei por você, Draco.

A mão de Draco subiu ao seu rosto, o acariciando, trêmula, e Harry virou o rosto e a beijou. Draco se aproximou e depositou um selinho sobre sua boca, e depois outro, e outro, abrindo a boca mais a cada beijo, passando a língua pelos lábios do moreno, que se abriam também, até que ambos estavam envolvidos em um beijo profundo, as mãos do loiro correndo pelas costas de Harry, puxando-o contra seu corpo.

- Espera... – Harry pediu, se afastando.

Draco o observou se levantar e depositar a filha, que ainda dormia em seus braços, com extremo cuidado no berço no canto do quarto, antes de voltar para a cama.

- Você sabe que ainda não está pronto para o que eu quero fazer com você, não sabe? – Harry disse, se sentando sobre o colo de Draco, uma perna de cada lado de seu corpo.

O loiro resmungou e fez uma cara de sem vergonha, mas acabou admitindo.

- Eu sei o quanto ainda me dói essa brincadeira de pôr filho no mundo. Mas vem cá... – e puxou Harry pela cintura até que seus corpos estivessem colados – Eu só quero te beijar, uma declaração dessas não pode passar sem a devida retribuição... Então trate de controlar seus impulsos adolescentes...

O beijo começou suave, carinhoso, os dois sentindo vagamente a falta que aquele tipo de carinho fazia. As mãos de Harry se entrelaçaram em meio aos cabelos loiros, aprofundando o beijo, enquanto sentia o toque das mãos de Draco correndo pelas suas costas. Harry se remexeu no colo do loiro, mas o sentiu ofegar em meio ao beijo, gemendo de dor ao sentir a pontada em seu baixo ventre.

- Tudo bem?

- Ai... Tudo... Maldição... – ele gemeu, esfregando entre as pernas.

- Hermione falou alguma coisa sobre isso?

- Disse que minha musculatura ainda não percebeu que eu acordei e que eu preciso me mover... – ele olhou para Harry com malícia – Que tal uma massagem?

- Local? Sem poder terminar? Nem pagando! Eu quero você inteiro para mim, então trate de se cuidar... – disse, retomando o beijo.

Draco ficou sério quando Harry se afastou, ainda sentado sobre suas pernas.

- O que foi?

- Nada... Eu só estava pensando... – e parou, parecendo ausente.

- Em quê? – Harry perguntou, curioso frente ao silêncio.

- Você ainda me quer, Harry? – perguntou, baixinho, recebendo somente um olhar duro como resposta.

- Draco, você não ouviu uma palavra do que eu acabei de te falar? O que você acha?

- É que... Eu...

Harry ergueu o rosto do outro delicadamente para encará-lo.

- Você está com medo? Hermione me falou que vai demorar até que você esteja realmente pronto para sexo. Ela me disse que eu tenho que ter muito cuidado com você e respeitar seu corpo. Mas você sabe que ela não precisava ter me dito nada disso. Eu nunca te machuquei, não, Draco? Por que eu faria isso justo agora que eu sei que você está mais sensível?

Draco virou o rosto, olhando para a janela, e os dois permaneceram em silêncio por um tempo.

- Draco... - o loiro o encarou, sério - Já te machucaram?

Draco o olhou fixamente por um tempo, e quando respondeu continuava mortalmente sério e frio.

- O primeiro cara com quem eu saí não foi muito legal comigo.

- O que ele fez? – Harry perguntou, baixinho.

- Nada assustador. Ele só não estava pensando muito pelo meu lado, certamente. – ele suspirou – Eu só saí com ele uma vez, foi o bastante. Depois de um tempo eu conheci um outro... E então você. Não é como se eu tivesse muita margem para comparação.

Harry acariciou seu rosto quando ele voltou a desviar o olhar, aproximando seus lábios do ouvido do loiro.

- Você foi meu primeiro. – ele beijou sua face demoradamente – E o único.

Draco se voltou para ele e se permitiu ser beijado, mas não diminuindo sua tensão.

- É diferente, Harry... Você nunca... Eu... – ele suspirou – Tem muita diferença entre ser ativo e passivo.

- Ora, eu imagino. – Harry riu, mas o loiro continuava sério, ele resolveu desviar um pouco o rumo da conversa – Por que você procurou um homem, Draco?

- Eu não... Ele meio que me... Foi ocasional. – ele suspirou, encarando os lençóis antes de voltar a olhar para Harry – Eu chorei a noite toda depois que cheguei em casa. Não era isso que eu queria.

- Ele te forçou, Draco? – Harry perguntou com cuidado.

- Não, não foi isso... Potter, você quer mesmo falar sobre isso?

Harry suspirou, sério. Levantou-se, ajoelhando sobre a cama, e fez um gesto pedindo para que o loiro afastasse as pernas, se acomodando entre elas e deitando com as costas encostadas no peito do outro. Draco passou os braços pelos seus ombros, beijando seus cabelos.

- Quando eu estava em treinamento no Ministério, - começou Harry, baixinho - pouco depois que a guerra acabou e a gente prestou os NIEM's, um cara me molestou. Ele era instrutor, foi durante um treinamento em que a gente tinha que invadir uma casa e pegar um objeto mágico que supostamente fora roubado em meio à total escuridão e no maior silêncio possível. Ele estava me avaliando, cada um tinha um avaliador, era uma prova individual e não tínhamos contato com mais ninguém. Ele ficava esbarrando em mim toda hora, mas eu não me toquei. Quando eu consegui entrar na casa, ele me encurralou e começou a passar a mão em mim, me mandando ficar quieto ou ele ia me reprovar.

- O que você fez? – Draco perguntou, assustado.

- Quebrei o nariz dele, peguei o objeto e saí dali sozinho. Tive a pior nota da sala, só consegui passar por trabalhos complementares. Ele foi o primeiro que eu demiti quando me tornei chefe do departamento. Não foi difícil achar outros de quem ele tinha abusado, o cara era um filho da puta.

Draco riu, beijando o pescoço do moreno.

- Foi isso que te fez gostar de homens? – perguntou, irônico.

- Não, idiota. Mas me fez parar para pensar no fato. – Draco ergueu uma sobrancelha – Claro que eu sabia que a homossexualidade existia, mas nunca tinha pensado na possibilidade dela chegar até mim, entende? Eu nunca tinha olhado para outro cara com... malícia, sabe? Ou recebido esse tipo de atenção. Depois disso eu passei a cogitar a hipótese. Um tempo depois, tinha um estagiário que trabalhava junto com o Ron que vivia querendo sair para almoçar comigo. Eu aceitei um dia e ele me chamou para sairmos depois do expediente. Sabe, eu pensei seriamente no caso, ele era realmente bonito. Mas eu já estava junto com a Ginny e totalmente convencido da minha heterossexualidade.

Draco riu sonoramente.

- Potter, se vê que desde sempre você foi uma porta no que se refere à sua própria sexualidade. Sabia que tinha uma aposta no seu departamento?

- Como assim?

- Ora, você era um dos chefes de departamento mais jovens e bonitos do Ministério. Todo mundo sabia que sua esposa passava mais tempo jogando no exterior do que dentro de casa. As menininhas do seu departamento se mobilizaram para que você não se sentisse tão solitário. Mas, aparentemente, você era tão fiel à esposinha que elas simplesmente não conseguiam arrancar nem um olhar de você. Foi aí que surgiu a aposta, de quem catava primeiro o Salvador do Mundo Bruxo.

- Quê? – Harry perguntou, entre divertido e indignado.

Draco riu e o beijou.

- Eu estava dando em cima de você descaradamente há pelo menos um mês antes de você corresponder. Você é tão desligado que simplesmente ignorava toda a malícia e duplos sentidos das nossas conversas quando eu tinha que entregar relatórios ou pedir alguma coisa de trabalho para você. Eu nem sei como você se deixou levar aquele dia... Acho que estava mais sensível... Ou tinha batido a cabeça mesmo.

- E por que você estava dando em cima de mim? – Harry perguntou meio desconfiado – Por causa da aposta?

- Bem, no começo sim. Depois foi ficando divertido, porque todo mundo percebia, menos você. Era muito mais interessante, quando a gente batia boca no corredor e você se descontrolava me mandando calar, responder um gostoso "mal posso esperar por você tentar" e ver sua secretária enrubescer do que ficar me estressando por causa das merdas que você me falava.

- Mas e daí?

- Daí o quê?

- Draco, a gente transou no nosso segundo encontro. Você realmente me daria por causa de uma aposta?

Draco encaixou o rosto contra o pescoço de Harry e ficou em silêncio por um tempo. Quando voltou a falar, sua voz era baixa e carregada de uma emoção que Harry não conseguiu decifrar.

- Astoria não conseguia ter filhos. Não que ela não conseguisse engravidar. Ela ficou grávida cinco vezes antes de Scorpius nascer, sendo que duas gestações eram gêmeos, mas nunca passava do quinto mês. Ela abortava naturalmente. Nós casamos cedo e porque queríamos nos casar. Eu estava apaixonado por ela. Não algo arrebatador ou enlouquecedor, mas algo confortável com o qual eu podia lidar. Eu gostava dela, ela gostava de mim, e estávamos dispostos a sermos felizes juntos. Não foi um casamento imposto, como muita gente pensa, mesmo que formalmente contratual. Ser sangue puro e da alta sociedade eram, sim, requisitos desejáveis para minha esposa, mas nunca meus pais precisaram me dizer isso, afinal, eu só tinha relações com esse tipo de gente.

Draco beijou o pescoço de Harry, que acariciava sua mão pousada em seu peito.

- Mas não vou mentir dizendo que a pressão por um herdeiro não existia. Era latente. E depois do quarto aborto, em que Astoria quase morreu, pois o feto já estava muito desenvolvido, eu comecei a ficar realmente perturbado com isso. Um tempo depois ela me disse que estava grávida novamente, e eu fiz de tudo para que essa gestação vingasse. Mas não era algo que dependesse de mim. Meu filho morreu com dois meses de gestação. Eu estava cansado e sabia que ela também. No fim, eu me afastei. Queria dar um tempo para ela, mas precisava de um tempo para mim também. Só que eu acho que no final eu me afastei demais...

Ele puxou Harry para mais junto de seu corpo e fez uma pausa antes de voltar a falar.

- Eu pensava que talvez ela precisasse de um tempo consigo mesma. Descansar seu corpo e alma. Se entender, se colocar em paz. Talvez ela não precisasse dessa distância. Talvez fosse o contrário. – ele suspirou – Ela arrumou um amante. – Harry se retesou em seus braços – Um sangue puro da alta sociedade. Ele era quase tão rico quanto os Black e quase dez anos mais velho que ela. Tinha a sua beleza e o seu valor, não vou negar, mas isso não me fez me sentir melhor. Eu não sabia reagir a isso. Me sentia rejeitado e sentia raiva. Podia matá-lo, podia destruí-lo por roubar a esposa que eu abandonei.

- O que você fez? – Harry perguntou, sério.

- Arrumei uma amante. Devolvi na mesma moeda. Astoria sabia. E sabia que eu sabia. E sabia que eu sabia que ela sabia. E continuamos casados. Havia um contrato a ser cumprido, muitos interesses em jogo e era uma situação confortável. Vazia, mas conveniente. E quando eu ainda a procurava eventualmente no meio da noite, quando coincidia de estarmos os dois em casa, sem ter o que fazer, ela não resistia aos meus toques, tampouco dizia que me amava. Até que ela engravidou novamente.

- Scorpius...

- Sim. Legalmente precisávamos de um herdeiro. Eu duvidei que fosse meu. Entrei em um novo dilema. Saí imediatamente de casa quando ela me deu a notícia, fui para um hotel, só voltei no dia seguinte. Naquela noite, eu pedi que a mulher com quem eu estava então me encontrasse. Eu precisava conversar. Precisava de apoio. Mas ela não veio. Eu fiquei esperando por ela no bar do hotel até que ele me abordou. Eu já sabia que ela não viria. Ele não me ofereceu o que eu precisava. A forma como ele me olhava, as palavras dele, diziam exatamente o que ele queria, eu que não quis entender. Eu quis ver o que eu queria e foi... decepcionante. Eu esperava um pouco mais de um homem além daquela traição feminina do momento. Ele não me traiu. Ele só fudeu maquinalmente e foi embora.

- Foi ele que te machucou.

- Ele não me machucou. Quero dizer, não propositalmente. Ele não percebeu que havia me ferido. Não percebeu que era a primeira vez. E, no entanto, o que eu mais precisava era desse tipo de atenção, entende? Então eu voltei para casa e conversei com Astoria, quando ela chegou, e não saí com mais ninguém por um bom tempo. O Scorpius já falava quando o outro cara surgiu. Era um tipinho bem parecido com aquele que te chamou para sair, sabe? Cheio de gentileza, de conversinha e tal. Foi bom. Durou dois meses e ele me pediu para me separar.

Draco virou o rosto de Harry para olhá-lo.

- Sabe por que eu chorei quando cheguei em casa depois de ter trepado com um estranho, Potter? Porque eu estava sangrando por alguém que nem sabia o meu nome. E meu nome vale alguma coisa, Potter. Eu estava sozinho e estava trocando a mulher para quem eu dei meu nome por uma vagabunda qualquer que pouco se fodia para o que eu estava passando. Eu tinha um filho a caminho, que tinha poucas chances de nascer, mas, se nascesse, ia precisar de um pai e de uma mãe, e eu percebi que eu não era mais criança, que eu tinha alguém que dependia de mim e que eu precisava assumir isso de uma vez por todas. Você acha que eu ia simplesmente voltar a jogar o meu filho e a minha esposa pela janela só porque um viadinho qualquer estava me pedindo?

Harry o encarou por um tempo e Draco o beijou de forma repentina, tirando-lhe o fôlego.

- Você não era um estranho, Potter. Nós tínhamos anos de história. Depois de quase um mês brincando de te seduzir eu não esperava mais que você um dia fosse se tocar do que eu queria. Eu queria um beijo, Harry, não mais que isso, porque eu nunca tinha realmente pensado em você como homem. Você era o moreno gostoso concorrido no Ministério, meu inimigo de escola que eu adorava provocar e nada mais. Um beijo me faria rir de você e terminaria com a aposta. Mas quando você me beijou eu percebi que estava perdido, porque você não queria só um beijo. E pior! Você não queria uma transa ou uma noite ou mesmo uma companhia. Você não queria vingança. Você me beijava como quem beija alguém que se conhece há anos, que se sabe como pegar e como tocar, que se sabe o que falar.

Ele olhou fixo os olhos verdes.

- Você não estava comigo naquela noite. Você estava com alguém que você perdeu e precisava recuperar. Eu não estava com você. Eu estava com medo demais da sua reação para estar plenamente com você. Eu não estava com um passado também. – Draco suspirou – Quando eu cheguei na minha casa, eu também não dormi. Eu fui ficar com Scorpius, embora ele já estivesse dormindo. Eu sabia que você ia me procurar no dia seguinte. Você pode ser muito indiferente enquanto não percebe as coisas, mas você nunca conseguiu ser totalmente indiferente a mim, e eu sabia que ou você ia me chutar, ou eu teria que arcar com as conseqüências do que tinha feito. E eu decidi que se eu tivesse que arriscar, eu não ia permitir que você me negasse de novo. Nós não éramos mais crianças e aquilo era muito mais sério do que qualquer disputa que já tínhamos tido. Por isso eu arrisquei tudo no dia seguinte.

- Por que arriscou? Você já tinha sua família, Draco. Por que comigo foi diferente?

Draco encaixou o rosto contra o pescoço de Harry e aspirou seu perfume.

- Depois que você me beijou, eu sabia que eu te queria. E eu não queria transar e ir embora. Você nunca foi homem de deixar nada pela metade. Eu sabia que, se fosse para ser, ia durar. E eu quis que durasse. E quis mostrar isso para você.

Harry se sentou e virou de frente para ele.

- Draco, se eu te pedisse para se separar. Para casar comigo. Eu, você, o Scorpius, meus filhos e a Sophie. Juntos. Você viria?

- Potter, as coisas não são tão simples.

- Não, não são. Mas não importa. A gente resolve. – ele pegou o rosto do loiro entre as mãos, se aproximando, sussurrando contra seus lábios – Não tem mais volta, Draco. Nós não somos nada sozinhos.

O loiro somente o segurou pelos cabelos, selando o beijo.

oOo

N/A: Todas as reviews respondidas e capítulo novo postado

Beijos e obrigada à Didi, Isis, Meline, Alissa, Thais, Lithos de Lion, Ju Chan e Mah, que comentaram como anônimos e não deixaram email para que eu respondesse u.u

Espero mais 10 comentários para postar o próximo. Agora só faltam mais 3. XD

Beijos