NA1: Sugestão de música para se ouvir enquanto se lê este capítulo: "You look like rain", de Morphine, no álbum Bootleg Detrid. Relaxem e aproveitem XD

NA2: Capítulo para twinzita, porque ela está carente hoje. Amo o jeito como você escreve, twin!

Capítulo 2 - Avareza

. apego demasiado e sórdido ao dinheiro .

. mesquinhez . sovinice . cobiça . ciúme .

. desejo veemente, intenso, violento, de possuir alguma coisa .

Ele estava ali, e não havia volta.

Draco fechou a porta do quarto e empunhou a varinha, sussurrando feitiços de silêncio e tranca em todo o cômodo. Nada entraria ou sairia dali àquela noite.

Os olhos verdes brilhavam na semi-escuridão do aposento. O moreno estava sentado em uma poltrona velha, a conta vermelha na ponta do cigarro que pendia frouxo entre os lábios se destacava. Ele sorria. E não disse nada.

Draco olhou para a cama de casal poeirenta ao seu lado e fez uma careta de asco. Agitou mais uma vez a varinha, e uma poltrona, semelhante à que o moreno se sentava, só que mais nova e confortável, apareceu e ele se acomodou.

Diretamente à frente dele.

- Boa noite, Malfoy.

- Poupe sua educação, Potter. Eu serei direto.

- E o que você quer?

Draco se endireitou em sua poltrona e encarou Harry mais sério, baixando um pouco o tom de sua voz.

- Quem é Sin?

- Sou eu. – a resposta veio rápida e cortante – Quem você veio procurar, o Harry ou o Sin?

- Você. – Draco devolveu, sério. E não gostou da forma como os olhos verdes se estreitaram – O que você quer comigo?

- Não fui eu que marquei este encontro, Malfoy.

- Não, mas o jeito como você agiu... – Draco desviou os olhos por um segundo, lembrando da noite no hotel, e neste segundo Harry riu. E o som do seu riso o fez se sentir vulnerável. E os olhos verdes sabiam disso.

- Você conheceu Isabelle aonde? – Harry perguntou, ainda rindo.

- O nome dela não é Isabelle.

- E o meu não é Sin.

- Isto não é relevante. – Draco o cortou.

- Ela é minha cliente, Malfoy. – Draco o olhou meio espantado pela clareza da frase, e Harry fez um aceno afirmativo com a cabeça que o loiro não soube dizer o que significava.

- Eu a conheci em uma festa trouxa, naqueles lugares que trouxas vão à noite dançar. Estava com Goyle, ele tem evitado ambientes bruxos e eu estou tentando... Enfim... Não vem ao caso.

- Vocês não namoram, então?

- Potter, foi a primeira vez que eu a vi. E a última. Não tenho tempo para gastar me relacionando com trouxas.

- Mas tem tempo para gastar em conversas com um garoto de programa em um motel trouxa. – Harry se inclinou em sua direção, apoiando os braços nos joelhos e entrelaçando os dedos em um gesto prático – O que você quer, Malfoy?

Draco imitou sua postura, alongando o silêncio sem tirar os olhos dos dele.

- Por que você não foi à imprensa?

Foi a vez de Harry se assustar. E o susto de Harry deixou Draco de sobreaviso.

- E por que eu iria? – havia na voz de Harry uma indignação e uma sinceridade que, Draco notou, era a primeira coisa naquela noite que lhe soava familiar – Eu esperava que você corresse até lá.

- E que armas eu teria contra você? Minha palavra de que Harry Potter, o Salvador do mundo bruxo, recebe chamados pouco ortodoxos de madrugada e atende com o nome sugestivo de "Sin"? Por Merlin, Potter – a voz de Draco se alterou, mostrando toda a tensão que ele sentia desde que entrara no quarto -, era só você dizer qualquer coisa que eu estaria de volta a Azkaban em um piscar de olhos.

Harry o olhou com um sorriso no rosto que teria feito Draco recuar, se ele já não se sentisse acuado o suficiente.

- Então você não quer me chantagear? – Harry perguntou, ainda rindo.

- Não, cabeça rachada, eu só vim aqui para saber o que você precisa para manter essa sua maldita boca fechada.

O rosto de Harry se fechou.

Foi rápido. E Draco deveria saber o que significava estar em frente ao bruxo que passara boa parte de sua vida enfrentando Voldemort: mais do que prestar atenção em suas palavras, gestos e ações, saber onde estava sua varinha era crucial.

A varinha de Harry estava na manga do sobretudo preto de Sin. E ele não precisou mover um único músculo para que o feitiço paralisasse Draco.

- Potter... – a voz trêmula não escondia o medo que se espalhava pelo rosto do rapaz, única parte do corpo que ele conseguia mover.

- Vamos ser objetivos, então, Malfoy. – Harry ficou de pé, jogou o sobretudo sobre a poltrona e começou a andar pelo restrito espaço do quarto, girando a varinha entre os dedos – Não gosto do jeito que você fala comigo, como quando tínhamos treze anos. Não sei se te dar um soco faria eu me sentir melhor nos dias de hoje.

- Talvez um sectumsempra ajude. – Draco respondeu com raiva. Raiva maior do que o medo.

E Harry sorriu.

- Talvez não. Sabe o que vai ajudar, Malfoy? Você me dizer, de verdade, o que quer de mim. Sabe, você pode não ter tempo para mim, mas o meu tempo vale dinheiro, e eu estou desperdiçando com você.

Draco o encarou em silêncio.

Harry arregaçou as mangas e se ajoelhou em frente a ele e sua varinha começou a correr de leve a calça do loiro, subindo pelos seus joelhos.

- Certo. Você estava com medo de que eu o chantageasse. Por quê?

- Potter... O que... O que você está fazendo?

- Meu trabalho. Responda. – a voz de Sin era baixa e gentil e fez Draco engolir em seco. Aquilo estava ficando perigoso.

- O que você acha? – respondeu entre dentes, para em seguida segurar a respiração enquanto as mãos de Harry abriam sua calça.

- Eu? Eu achei que você poderia ter me chamado aqui por dois motivos: ou porque se arrependeu de sair daquele quarto correndo; ou então porque você quisesse me chantagear. Mas acho que fui um tanto... egoísta. – Harry sorriu ao ver o loiro ofegar e fechar os olhos conforme o tocou – Mas também não vejo que argumentos eu poderia usar contra...

- Tire as mãos de mim! – Draco resmungou.

- Não. – disse, simplesmente, sabendo que a resposta viria.

- Certo. – Draco falou de um fôlego e Harry parou, esperando – Potter, o que você acha que ia acontecer se o mundo soubesse que eu estava em um hotel de luxo com uma trouxa e um garoto de programa? Eu sou um Malfoy, e, sendo muito cretino, isso não significa muita coisa hoje, e é esse o problema. Se você jogasse isso ao vento, o meu trabalho de anos estaria perdido por... nada.

Harry se ergueu, se apoiando nos braços da poltrona e o encarou diretamente.

- O que os Malfoy são? – perguntou, sério.

- Você quer que eu me auto-humilhe também, é isso? – Draco perguntou, ofegante.

- Não. Quero que responda minhas perguntas. Por que os Malfoy são o nada que você disse? Não é isso que eu tenho visto.

Draco riu. Um riso amargo.

- Não sei o que tem visto, Potter, mas, enquanto você se dedicava a atividades mais... proveitosas, eu passei seis meses em Azkaban, minha mãe ficou por um ano e meu pai ainda está lá. Nossa fortuna foi tomada pelo governo, perdemos tudo.

- Eu sei disso. E dei depoimentos que ajudaram a diminuir a pena de vocês. Por que eu iria querer te prejudicar agora?

- Não me peça para entender uma pessoa como você. – Draco cuspiu, com raiva.

Harry ergueu uma sobrancelha, o encarando, sério.

- Alguém como eu. – repetiu – E o que eu sou, Draco?

O loiro fechou os olhos e respirou fundo. Sentiu o toque leve sobre seu peito enquanto os dedos de Sin abriam os botões de sua camisa. Não importa o que ele fizesse, não ia responder àquilo.

A boca quente depositou um pequeno beijo no meio de seu peito e sua respiração se alterou. Ele virou o rosto para o lado, ainda de olhos fechados, e, como se acompanhasse seus movimentos, a boca correu na mesma direção, até envolver um de seus mamilos.

- Merda. – ofegou, enquanto amaldiçoava as reações de seu corpo àquilo.

Harry sorriu, mantendo a pele do loiro ainda entre os dentes, sua mão voltou à função anterior e mesmo com os diversos palavrões que se seguiram àquilo, sabia que seria uma resposta mais difícil de ser dada. Desceu a boca pelo ventre do loiro, beijando e chupando, até chegar onde queria. E conseguiu, no primeiro gemido de Draco, o sinal de sua recompensa.

- PÁRA! – Harry riu daquele desespero. E seu riso, naquela situação, só fez com que o loiro jogasse a cabeça para trás e mais uma série de palavrões o atingisse até ouvir o que queria – Harry... Por Merlin... Eu falo...

Harry se endireitou, ainda ajoelhado, e esperou que Draco se recuperasse o suficiente para juntar as palavras logicamente.

- O que... O que você quer saber?

- O que você pensa de mim.

- Merlin, Potter... – Draco fechou os olhos, tentando organizar os pensamentos de alguma forma, o que pareceu muito difícil – O que eu penso de você? Penso que você é o filho da puta mais sádico que eu já conheci e que eu gostaria muito de poder te processar até a quinta geração depois de sair daqui, mas sei que não posso porque você ainda é o queridinho da Inglaterra e pode me fuder fácil. E isso não foi uma sugestão, por favor. – acrescentou, meio desesperado.

Harry ria abertamente da reação do outro. Draco não pareceu considerar uma boa resposta, e continuou em seu desabafo.

- O que foi? Vai dizer que não é verdade? Você já parou para contar quantas vezes você conseguiu me deixar em uma situação deprimente desde que tive o desprazer de te conhecer? E não estou falando de detenções. – Draco riu, respirando fundo – Você pode ter salvado minha vida, Potter, mas as tentativas de me matar me soam mais válidas.

- Eu só me lembro de uma. – Harry respondeu, sério – E, se vale de alguma coisa, eu realmente não sabia o que estava fazendo.

Draco o olhou e fez uma careta, sem dizer mais nada. Harry achou aquilo... doce.

- Malfoy, você foi hostil comigo minha vida inteira. Mesmo se eu tivesse cogitado a hipótese de ser minimamente mais amigável com você, você me repelia. Como você queria que...

- Potter, você não faz ideia do que... – ele suspirou – Deixa para lá, isso é passado. Não importa agora. Eu estou ferrado, você está fudido, e estamos bem assim. Será que poderia me soltar? Eu realmente não devia ter vindo aqui...

- Você não me parece bem, Draco.

- Seu brilhantismo. – Draco girou os olhos.

- O que está acontecendo?

Draco o olhou... triste, e fez um gesto de negação com a cabeça.

- Nada que lhe interesse. Se você me der sua palavra de ex-Gryffindor, eu posso ir embora feliz e juro, pelo meu senso de auto-preservação, que ninguém vai ficar sabendo de nada sobre você, ou Sin, ou o que for, ok?

Harry suspirou, se levantando.

- Sabe, Draco, eu demorei a perceber o que eu me tornei como Sin. Mas uma coisa é fato: se aprende muito sobre gente fazendo programa.

Harry tirou os sapatos, os chutando para um canto, e tirou as meias com os pés. Foi até a poltrona, pegando o cigarro que havia deixado aceso apoiado no cinzeiro e que se consumira quase por completo, terminando de fumá-lo, enquanto voltava a falar.

- Gente que aborda estranhos na rua atrás de sexo sempre tem algo errado. A maioria é casado, tem filhos e tal. Sabe, podia ter uma vida realmente feliz, mas tem coisas que nunca parecem o suficiente. Tem outros que são solitários, procuram companhia sem compromisso, uma trepada mesmo, sabe? Tesão. – Harry amassou a bituca no cinzeiro – Uma vez eu me recusei a tirar a virgindade de uma menina.

- Muito digno da sua parte. – Draco disse em tom de riso.

Harry o olhou, sério, e depositou a varinha com cuidado em cima da poltrona vazia. Concentrou-se em desabotoar sua camisa devagar, voltando a falar.

- Eu perdi a minha na rua. Meu primeiro programa. Mas, sabe, ninguém se preserva na rua. Eu nunca estaria pronto para tudo o que eu vivi. Uma das coisas que eu achei mais curioso é a quantidade de homens que procuram garotos de programa para serem passivos. A sociedade oprime, Draco.

- A sociedade trouxa, nesse caso. – Draco corrigiu, se perguntando se aquela conversa levaria a algum lugar.

Harry deu de ombros, jogando a camisa em cima da cama e abrindo o cinto e a calça, gesto que não passou despercebido por Draco.

- Potter...

- A sociedade bruxa oprime de outras formas. Todo mundo que procura sexo com estranhos tem problemas consigo mesmo. Eu falo com muita experiência.

Harry, completamente nu, se ajoelhou sobre a poltrona em que Draco estava imobilizado, colocando uma perna de cada lado de seu corpo e se sentando sobre o seu colo, encostando seus tórax enquanto uma mão voltava a estimulá-lo.

- Olha para mim, Draco.

A voz rouca contra seu ouvido o fez estremecer. Draco sentiu a mão correr do seu ombro pelo seu pescoço até se enredar em seus cabelos e o puxar para encará-lo.

Encarar aqueles olhos verdes que ele não queria ver.

- Eu não quero, Potter. Me solte. – ele pediu com a voz fria, mas muito ciente de que ela também estava trêmula.

Não era fácil se manter firme com um homem nu sentado de frente em seu colo, uma mão em sua calça, o acariciando de forma enfática, a outra passeando pelo seu corpo, a boca em seu ouvido, em seu pescoço, seu peito, seus ombros... o quadril que não para.

- Pare, Potter... Por favor...

- Qual é o seu problema, Draco? – Harry sussurrou em seu ouvido, gemendo, sentindo o loiro puxar o ar com força conforme seus corpos se uniram.

Draco jogou a cabeça para trás, sentindo o ar faltar a cada movimento de Harry, envolvendo seu corpo por completo de uma forma tão lenta que parecia que o levaria a loucura a qualquer segundo.

- Ah, Harry... – o sussurro escapou por entre seus lábios com tanto desejo que fez Sin abrir os olhos e observar o rosto do loiro. Os olhos cinzas fechados, a boca entreaberta, ofegante.

Tocou com os dedos os lábios rosados enquanto aumentava a velocidade, e os olhos o encararam, perdidos, enquanto acariciava seu rosto. A outra mão deslizou pelas vestes do loiro e encontrou sua varinha. Harry sussurrou o contra feitiço e se impulsionou mais forte contra o corpo de Draco ao sentir suas mãos correndo pela sua cintura e seu quadril se movendo junto com o dele.

Harry estremeceu, sentindo uma mão de Draco apertar sua perna com força, enquanto a outra se enredava em seus cabelos, o puxando para um beijo. Um beijo envolvente.

Sabia que não devia gozar, não era assim que as coisas funcionavam. O prazer ali era de Draco... E foi Draco que o fez perder o controle, puxando-o contra ele para entrar mais fundo enquanto rompia o beijo com uma frase que Harry nunca ouvira antes em sua vida.

- Eu te amo.

-:=:-

NA3: Bem, temos que conversar uma coisa séria, povo...

Segundo sugestões da Dark e da Nyx Malfoy, e porque vocês responderam bem e eu acredito no potencial de Sin, eu resolvi que vou postar um capítulo a cada 15 comentários.

Mas quero deixar claro que eu não sou mercenária. Sou uma pessoa ansiosa sem noção que tem impulsos contraditórios. Tipo, eu postaria um capítulo por dia ou até mais, porque fico roendo as unhas para saber o que vocês acharam, mas por outro lado eu não quero que a fic acabe nunca, então poderia muito bem me educar a postar um por mês, se não fosse o risco de eu esquecer também.

E as pessoas reclamam. Muita gente diz que não consegue ler minhas fics porque eu posto rápido demais. Aí eu passo a postar um por semana, e as pessoas ficam no meu ouvido pedindo capítulos. E isso não é legal, mesmo porque a fic já está toda escrita e eu não preciso exatamente de pressão.

Então postando segundo a frequência de comentários significa que eu posso colocar outro no ar porque o capítulo anterior já foi lido. Não é lindo assim? Quem determina o fluxo da coisa, no fim das contas, são vocês! 8D

E tudo isso significa que, se vocês quiserem saber o que vem depois dessa frasesinha aí no final, vão ter que me dizer o que acharam desse, mesmo eu seja um "que coisa sem noção!".

Então... até! ;P

Beijos