Capítulo 6 - Inveja
. desejo de possuir um bem que outro possui .
. ódio ou pesar por prosperidade de outrem .
. cobiça . desgosto .
A luz dourada brilhava sobre o espelho d'água do parque e Harry observava as pequenas ondas se formando com o vento que trazia as folhas de outono. Fazia três meses que não vinha ali. Desde que descobrira aquele parque, nunca ficara tanto tempo sem buscar aquele lugar. Era seu refúgio. O seu lugar. O lugar que surgiu junto com Sin para lhe trazer paz.
Acendeu outro cigarro e tragou lentamente, vendo a fumaça sumir em meio ao ar frio. No fundo, ele sabia que aquele lugar não era dele, era de qualquer um que passasse ali. Assim como Hogwarts não era dele ou Godric's Hallow. Ou mesmo Grimmauld Place.
Ele não tinha lugar.
E não tinha nome, e não tinha rosto e já não tinha ninguém.
E a sensação de perda se alastrava por ele de novo de uma forma desesperadora. E ele não sabia o que fazer, porque já não sabia o que queria.
Não sabia se queria pedir desculpas a Ron e Hermione por atitudes das quais ele não se arrependia. Não sabia se queria ir atrás de Draco e forçá-lo a algo que talvez não existisse. Não sabia se queria voltar para casa, não sabia se deveria voltar para a rua.
Então ficava ali.
Perturbado, pois não queria estar ali.
Ele sabia que as crianças que passavam às suas costas o olhavam espantadas e eram afastadas pelos pais para que não se aproximassem do homem que fumava, vestido com roupas imorais. E ele queria uma família, mas já não sabia que família iria querê-lo.
Queria sua paz de volta. Uma paz que nunca teve. Uma felicidade que nunca provou. Mas de que ele precisava, de forma quase fisiológica neste momento.
Sorriu com a lembrança da Sala Precisa. O que será que ela lhe ofereceria se passasse em frente a sua porta naquele instante? Ou o espelho de Ojesed, o que revelaria? Ou mesmo o lugar inócuo onde acordara após morrer, que lia seus desejos e suas necessidades de forma imediata?
O dia em que morrera.
Harry tragou e fechou os olhos, respirando fundo, e se lembrou da sensação de sumir, e ressurgir aos poucos, segundo sua fraca percepção. A sensação de única e exclusivamente existir, além de todo o resto. Seu tato, sua visão, seus olhos e mãos, em meio ao vazio informe.
Um vazio que nunca mais o abandonou.
E o choque de dor ao voltar. A dor que chegou a neutralizar a dor da maldição da dor. A dor de caminhar para a morte consciente, que nunca conseguiu esquecer. Dor que nem a dor conseguiu superar.
Pois ele sabia que estava se mutilando. Pouco a pouco, como um suicida sádico. A cada cigarro, a cada tapa, a cada trepada.
A cada dor.
Afinal, o que ele queria com tudo aquilo? Há muito tempo que o calor dos corpos, o carinho comprado, não o satisfazia. Mas o carinho incompleto de Ginny também não. E, se ele tinha alguma certeza desde que a guerra acabara, era de que ele não queria morrer.
Harry tragou lentamente. Ele nunca quis morrer.
Talvez o que ele precisasse era nascer de novo, com outro nome, outro rosto, outra história e menos dor.
o0o
Harry aparatou no largo e observou o número doze surgir entre as casas trouxas para recebê-lo.
- Mestre – Kreacher se adiantou, tomando sua capa -, o senhor tem visita.
- Quem é? – Harry perguntou, espiando para a luz que bruxuleava vinda da cozinha. Kreacher o ignorou, subindo as escadas, resmungando, mostrando que estava contrariado.
Harry se surpreendeu ao encontrar Ron sentado à mesa, o copo de whisky em sua mão pela metade.
- Oi? – Harry perguntou, incerto.
Ron se sobressaltou, voltando-se para o moreno como se não esperasse encontrá-lo na própria casa.
- Oi. – respondeu baixo.
- Aconteceu alguma coisa, Ron? – Harry perguntou, preocupado com a possibilidade do ruivo estar ali para dar alguma notícia. Ele não aparecia na Toca há muito tempo.
- Não... Eu... – Ron voltou a encarar o copo.
Harry suspirou e entrou finalmente no aposento, se dirigindo à pia e colocando a chaleira de água para esquentar. Um chá cairia bem.
- Isso é bom. – o ruivo comentou, tomando mais um gole da bebida que tinha em mãos.
- Você está bem? – Harry perguntou, se sentando a sua frente. Ron somente concordou com a cabeça, e os dois se demoraram olhando para pontos diferentes do aposento, entremeados com breves lances na direção do outro, até que a água ferveu.
- Minha mãe está preocupada com você. – o ruivo comentou aleatoriamente, mexendo concentrado o chá que Harry lhe servira, sem olhar para o outro.
- Vocês contaram para ela? – Harry perguntou, inseguro.
Ron negou com a cabeça e tomou um gole da bebida.
- Nós ainda não tínhamos decidido sobre contar ou não quando George ouviu eu e a Mione conversando. E ele contou para o Bill, que contou para a Ginny. – Harry engoliu em seco e Ron o encarou – Ela decidiu ir para a França, vai ficar uns tempos na casa da família da Fleur e ver se arranja um emprego por lá.
Harry queria perguntar como ela ficou, mas não conseguiu. Não tinha certeza se queria ter essa conversa. Ron pareceu entender seu silêncio.
- Ela não ficou tão mal. – ele fez uma careta – Eu não sei o que ela pensou, para ser sincero. Eu mesmo não sei direito o que pensar ainda. Mas a Mione também estava preocupada, então... Eu resolvi vir te ver.
Harry ensaiou um sorriso, cruzando o olhar com o do amigo pela primeira vez.
- A doninha está aqui?
Os olhos de Harry caíram para sua xícara.
- Não. Ele vai se casar amanhã. Então, não acho que vá voltar.
Harry viu os dedos de Ron tamborilarem na madeira da mesa e rodarem a xícara no lugar, antes de correrem para o copo de whisky inacabado e o virar. Harry tomou um gole de seu chá calmamente.
- Como está a Mione?
Um sorriso brincou no rosto de Ron antes dele responder.
- Bem. – e suspirou.
Harry se permitiu sorrir. Aquilo era bom. Ron estava feliz e ele se sentia bem com isso.
- Vocês estão bem, sabe, juntos?
Ron sorriu tímido.
- Eu acho que está ficando sério, cara. Eu gosto dela, muito.
E Harry sabia que ela também gostava muito dele, e que o sorriso dele era sincero e que isso era bom e desejado. E os dois estariam completos. E de repente Harry desejou isso para ele também. Aquela tranquilidade e aquele calor que havia no sorriso de Ron. E não viu possibilidade.
- Ela não quis vir? – retomou a conversa, buscando ignorar que seu sorriso esmaecera.
- Eu não disse para ela que vinha... Eu meio que decidi de repente... – Ron respondeu, rodando o copo entre as mãos – Mas ela viria, se eu tivesse chamado. – ele completou, percebendo a ansiedade do amigo.
- Você... ainda está com raiva?
- Eu... Eu não sei, cara... Eu não entendo...
Harry fez um gesto de negação com a cabeça e o ruivo se calou. Não havia o que entender.
- Ron...
- Não, Harry... Eu... Você está bem? – Ron perguntou, ansioso. Harry confirmou com a cabeça, mas não conseguiu sorrir – Então está bem, cara.
E o sorriso de Ron o convenceu. Estava tudo bem.
o0o
Sin tocou a campainha do apartamento e esperou. Ouviu barulho de risadas e movimento até que a porta fosse aberta. Um homem mais ou menos da sua altura o encarou de cima a baixo, os cabelos curtos, castanhos, estavam arrepiados, a boca muito vermelha sorriu, malícia.
- Você deve ser Sin.
- Ao seu dispor. – Sin sorriu e o homem abriu passagem para ele. A porta foi trancada.
Sin mal olhou o ambiente, ele olhou o homem. E sorriu. E quando o homem sorriu de volta, sabia que tinha sua permissão. Aproximou-se, fazendo o moreno se encostar à porta, colando seu corpo ao dele, se movendo devagar, sugou a pele de seu pescoço enquanto as mãos que estavam pousadas em sua cintura começaram a correr, apertando de leve. Sentiu a respiração do homem se alterar, mas deixou que ele o empurrasse, desabotoando sua camisa.
- Vem. – ele disse baixinho, puxando-o pelo colarinho para uma porta do outro lado da sala.
Um quarto, óbvio. Sentada na cama estava uma mulher que mais parecia uma boneca: o rosto jovem, os olhos claros brilhantes, os cabelos loiros em cachos. Até o vestido curto, rosa, tinha uma certa infantilidade. Ela sorria, e mordeu o lábio quando o homem o prensou contra o batente da porta, beijando e mordendo seu peito.
Sin entrelaçou os dedos em seus cabelos, gemendo baixinho, enquanto a boca do homem não parava, a cada segundo mais próxima do seu cinto. A menina se ajoelhou e sua mão sumiu embaixo da saia. Sin fixou os olhos verdes nela, e puxou o homem de volta, pondo-o de pé, o jogando sobre a cama ao lado dela e se deitando sobre ele.
- Beija ele, Rafael¹. – ela pediu, baixinho, ao que o homem obedeceu, puxando Sin pela nuca, tomando sua boca.
Sin rompeu o beijo e tirou a camisa, jogando-a perto da menina, que a puxou e cheirou, enquanto ele se sentava sobre o quadril do rapaz, puxando até tirar a dele também. Os dois voltaram a se beijar, as mãos passando pelo corpo um do outro. Sin desceu a boca, mordendo o mamilo do homem, os olhos verdes fixos na menina que gemia baixinho, assim como o tal Rafael.
Ela se aproximou dos dois, o puxando pelos cabelos para que a beijasse. Sin sentiu mãos alheias abrindo sua calça, tocando-o em meio ao beijo, e as deteve, percebendo, pelo tamanho, que eram as mãos do homem. Às cegas, aprofundando o beijo ao segurar a menina levemente pela nuca, abriu a calça do homem, espelhando seus movimentos.
Sua boca foi afastada bruscamente da dela ao ter os cabelos puxados por Rafael, que empurrou a cabeça da loira contra o quadril de ambos, que se roçavam, e ela começou a revezar a boca entre eles, chupando ora um, ora outro, tentando fazer os dois ao mesmo tempo.
Sin a afastou, empurrando-a contra a cama, e voltou a beijar o homem com violência. Rafael se virou contra ele em um impulso, o jogando ao lado da menina, sobre o colchão, e no momento seguinte puxava a calça de Sin, tirando a própria e se deitando sobre ele, colocando suas pernas sobre seus ombros e o penetrando sem muito cuidado, rápido e com força, fazendo o moreno gemer, mordendo os lábios.
Os olhos verdes se abriram, fitando a menina sentada ao seu lado, que olhava com atenção o que acontecia a sua frente, a alça do vestido fora abaixada para que acariciasse seus seios. A mão trêmula de Sin se agarrou a sua perna, e devagar sumiu sob o vestido, a fazendo gemer no mesmo ritmo que ele, embalado pelos movimentos do rapaz, que investia contra ele cada vez mais rápido.
A mão livre da garota puxou o braço do homem, chamando sua atenção, e o corpo de Sin foi bruscamente abandonado quando Rafael se voltou para ela, deitando-a sobre a cama, se acomodando entre suas pernas e retomando o que fazia em um ritmo mais leve.
Sin deixou o corpo cair sobre o colchão por um minuto, observando a cena, arfante. Estava ali para dar prazer a eles, devia fazer alguma coisa. Beijá-la? Tocá-lo? Mas não conseguiu pensar em mais nada quando a viu abrir os olhos, fitando o homem enquanto a mão de unhas bem feitas acariciava seu rosto.
Ela estava apaixonada.
Era latente no carinho, na entrega presente entre os dois. Os beijos dele em seu pescoço, a forma como suas pernas envolveram o corpo dele, tudo gritava que o momento era dos dois.
E Sin, pela primeira vez em muito tempo, se viu perdido. E incomodado com aquele sentimento. Ele não era pago para sentir.
Levantou-se, trôpego pelas sensações que ainda se espalhavam pelo seu corpo, e recolheu a calça do chão, segurando a varinha sem nem mesmo tirá-la de seu encaixe no tecido. Aparatou direto para sua sala em Grimmauld Place, os móveis na penumbra o pareceram estranhos e ele se sentia tonto. Girou, nu, no espaço, e esbarrou na garrafa sobre a mesa. A mão trêmula a abriu e ele deu um longo gole antes de se deixar cair no sofá, fitando o nada.
Estava perdido.
-:=:-
¹ Isto é uma nota da beta, apenas para gritar – sim, GRITAR – a seguinte frase:
QUE SACANAGEM, DONA AGATA! ¬¬
Ok, me sinto melhor, capítulo lindo, vocês não acham? *-*
NA: Capítulo para twin, porque ela para mesmo doente pra betar a sacanagem alheia XD
E hoje eu acho que vai ter A Soma de todos os medos (Agy saí pulando, feliz).
E, bem, estamos caminhando para o fim de Sin. Faltam dois capítulos... Então sejam legais que eu to louca pra postar XD
Beijos pra todos.
Boa noite XD
