NA1: Música indicada como fundo para a leitura: "Tear", Red Hot Chilli Pepers.
Capítulo 8 - Redenção
. O regaste do gênero humano
sob o aspecto de libertação da escravidão do pecado .
Um ano, três meses e vinte e sete dias separavam a data do seu não-casamento com Astoria e o dia em que Draco finalmente recebeu notícias de Harry Potter de novo.
Ele não o procurou de imediato, mesmo depois da conversa com Granger. Estava com raiva demais para se dedicar a procurar o filho da puta, mesmo que a preocupação fosse constante. Foi quando seu pai finalmente voltou para casa e sua mãe recebeu alta que o novo sentimento surgiu: remorso.
Ele sabia que estava em dívida com Potter, e um Malfoy paga suas dívidas. Mas, mais do que isso, e ele tentou negar esse fato com todas as forças, ele desejava rever Harry. Aquele último beijo, que durante tanto tempo o instigou raiva e revolta, agora o fazia levantar dúvidas sobre o seu significado. Ele precisava falar com Harry.
E ao sentir essa necessidade, começou a temer. Pois Potter não dera noticias para Granger ou Weasley ou para qualquer outra pessoa, ou mesmo reapareceu na mansão – e Draco chegou a passar dias em Grimmauld Place, esperando, até que Kreacher o pusesse para fora. Então ele voltou às boates trouxas e a lugares onde achava que Sin pudesse estar, chegou a conversar com outros garotos de programa e quase apanhou de um segurança de uma boate de quinta. E nada.
A ideia de que Harry poderia ter sido morto começava a assombrá-lo, assim como via que assombrava Granger quando foi procurá-la para conseguir mais informações. Foi nessa época que resolveu fazer algo de efetivo a respeito: colocou detetives atrás de Harry Potter, armados com fotos e descrições de hábitos e comportamentos, de Harry e de Sin.
No começo foram dois, em Londres. Logo eram cinco em toda a Inglaterra. Depois eles se tornaram 10, viajando pela Europa inteira, e quando Draco aumentou seu número para 15, com todo o suporte que sua fortuna poderia oferecer, e decidiu que precisava pensar em uma forma de tornar aquilo mais efetivo em termos globais, foi que começou a cogitar a ideia de obsessão.
Então veio uma resposta. E Draco chegou à conclusão de que não conseguiria respirar até que visse Harry Potter novamente.
E foi assim que pegou a primeira chave de portal para uma cidadezinha no sul da Itália.
o0o
Um homem com a descrição de Harry morara por algum tempo em um hotel daquela cidade na mesma época do casamento de Draco. Em seguida sumiu após uma ida a uma vila de pescadores, onde o detetive ouviu o nome de Harry Potter. Mas ele não estava lá.
A pequena cidade mais parecia um aglomerado de casinhas empilhadas na encosta de uma montanha. O mar batia revolto contra as pedras da costa e, onde a montanha vencia o homem, uma estrada teve que ser aberta para ligar a cidade à vila mais isolada. E no meio da estrada havia uma escada cravada na rocha que levava a uma praia, uns dois quilômetros de areia e mar azul que começava e terminava nas pedras. No meio, uma casa simples, branca, não muito grande, pertencente a um homem que ninguém sabia o nome, e os pescadores diziam que ele havia levado a mulher que o chamara de Harry Potter e uma criança, há alguns meses.
E agora Draco encarava um menino: os olhos eram claros, de uma cor indefinida, os cabelos castanhos encaracolados, a pele levemente bronzeada pelo sol do Mediterrâneo. A criança de não mais de três anos o encarava de longe, como se nunca tivesse visto nada parecido, parado na beira da praia, olhando a casa sem coragem de se aproximar.
Draco sorriu e o menino sorriu de volta.
- Martín! – a voz grave despertou a atenção de Draco.
O menino se levantou, dando um gritinho, e com um estalo sumiu e reapareceu a alguns metros, começando a correr na direção contrária a que Draco estava. No mesmo momento, um homem moreno apareceu na varanda da casa, usando roupas leves e claras, descalço, e o coração de Draco acelerou e ele se sentiu quase agradecido quando os olhos verdes se voltaram diretamente para o menino, sem notá-lo.
Harry riu, e o som do seu riso fez Draco sorrir, vendo-o correr pela areia atrás da criança até abraçá-lo por trás, puxando-o contra o corpo e erguendo-o no ar, os dois rindo e girando até caírem juntos na areia, em uma felicidade tão simples que era como se Draco se sentisse ser lavado.
- E aí, moço, vamos tomar banho? – Harry sugeriu, sorrindo, tendo o menino sentado sobre seu peito, jogando areia em cima da camisa branca. Martín concordou com a cabeça, sentando ao lado, deixando que Harry se levantasse e o pegasse no colo, voltando em direção à casa.
No caminho, porém, seus olhos caíram em Draco.
O moreno caminhou diretamente até ele, sem deixar de encará-lo nem por um segundo, a respiração alterada. Harry estava a dois passos dele agora, e parou. E Draco não sabia o que fazer, não sabia o que falar. Os dois se olharam por um tempo indefinido, até que Martín se declarou.
- Papá? – Draco olhou do menino a Harry, surpreso, e viu o moreno fazer um sinal quase imperceptível, e o seguiu para a casa.
A casa térrea não tinha nada de luxuosa, uma sala, uma cozinha, alguns quartos, móveis de madeira simples. Draco o seguia em silêncio e o moreno o levou a um banheiro, começando a despir o menino.
- Harry... – Draco começou.
- Giuliana! – Harry chamou, sério, e Draco se sobressaltou quando uma moça surgiu instantaneamente atrás dele – Temos um hóspede, pode arrumar o quarto, por favor?
A moça se voltou de frente para Draco e ele recuou um passo ao ver seus olhos brancos. Ela era cega. Morena, mais alta que ele, tinha um sorriso bonito e o corpo magro era moldado de uma forma arredondada como ele nunca havia visto igual. Sua observação a acompanhou quando deixou o aposento, e isso aparentemente chamou a atenção de Harry.
- É a única bruxa na região. Além de mim e Martín, claro. – Draco se voltou a ele e o viu ajoelhado ao lado de uma banheira, lavando Martín com cuidado - Me reconheceu no mesmo instante que eu cheguei à cidade. Quando disse a ela que queria um local seguro para ficar, ela me trouxe nesta praia. Imagino que foram os boatos dessa época que o trouxeram até aqui.
- Foi difícil te encontrar.
- Há quanto tempo está me procurando?
- Desde que você sumiu. Havia 15 detetives atrás de você por toda a Europa.
- E quem sabe que eu estou aqui? – Harry perguntou, preocupado.
- Só eu. Quem te achou foi bem pago para ficar quieto.
Harry concordou com a cabeça, continuando seu trabalho sem olhar para Draco.
- Ela é a mãe dele?
- Não. – Harry sorriu – Ela é prestativa e me ajuda muito. Ele é órfão. A mãe morreu no parto, o pai era pescador, morreu em uma tempestade. Eu o encontrei na vila de pescadores e me apeguei a ele. – Harry beijou o corpinho do menino enquanto o secava e o vestiu.
Na sala, a mesa estava posta para três. Harry indicou para que Draco se sentasse ao seu lado e Giuliana os serviu.
- Qual o nome do visitante? – ela perguntou, o rosto voltado para Draco como se o visse, de uma forma que incomodou o loiro.
- Draco Malfoy. – ele respondeu, colocando segurança em sua voz.
- Posso vê-lo? – ela perguntou, e Draco olhou confuso para Harry.
- Ela quer tocar seu rosto. – ele explicou.
- Er... Pode. – respondeu, claramente desconfortável.
Giuliana se aproximou, passando os dedos delicadamente sobre sua face, marcando os contornos, seus cabelos, o fazendo fechar os olhos.
- Ele é bonito. – ela declarou, sorrindo, e fez Draco sorrir sem graça – E está nervoso... é bruxo... e gosta de você. - os olhos verdes brilharam em sua direção, mas ambos permaneceram sérios – E vocês devem ter problemas antigos a resolver. – ela concluiu, se afastando - Venha, Martín, é hora de dormir.
O garoto desceu da cadeira, depositou um beijo na face de Harry, e deu a mão para que a moça o conduzisse ao quarto. Draco a observou se afastar, o rosto fechado.
- Vamos andar. – Harry sugeriu, saindo da casa.
A noite havia caído e a areia brilhava branca à luz da lua, o vento soprando leve e quente entre as pedras.
- O que você veio fazer aqui? – Harry perguntou, sério. Era evidente que ele estava querendo conversar com Draco desde que o vira, mas evitara fazê-lo na frente de Martín ou Giuliana.
- Eu estou te procurando há meses, Harry! Você simplesmente desapareceu! Todos pensavam que estava morto!
- Eu morri. – Harry respondeu, simples, encarando o loiro, o vento agitando os cabelos negros, seus olhos brilhando na luz fraca.
- Granger e Weasley estão preocupados. Eles sofreram muito quando você simplesmente desapareceu.
- O sofrimento passa. Eu disse que ficaria bem.
- Não é tão simples, Harry...
Harry aparatou, ressurgindo sobre as rochas, se sentou e olhou o mar. Draco o imitou, se sentando ao seu lado.
- Eu não podia continuar daquele jeito, Draco. Eu estava me destruindo.
O loiro engoliu em seco.
- Eu sei. – Draco respondeu, e havia angústia na sua voz.
Harry o olhou, examinador.
- Como você está?
Draco deu de ombros.
- Bem. Meu pai saiu da prisão, minha mãe do hospital. Meio que voltou tudo ao normal...
- E como você ficou com a Astoria? – Harry perguntou, voltando a fitar o mar.
- Fiquei solteiro, graças a você.
Harry riu.
- Eu deveria pedir desculpas?
- Você não deve nada, Harry. – Draco respondeu, sério, e sustentou os olhos verdes.
- Como estão Ron e Mione? – Harry perguntou, voltando a encarar o mar.
- Acho que vão se casar. E, por Merlin, que Granger tenha mais bom senso do que os Weasley e não resolva povoar o mundo de ruivos. – Draco acrescentou, rápido, frente ao olhar sério de Harry – Estou brincando. Mas não sei, acho que seus amigos estão bem, tirando a preocupação com você... E Kreacher continua cuidando da mansão.
- A vida continua. – Harry suspirou, voltando a fitar o mar.
Draco ficou olhando seu semblante. Harry parecia definitivamente mais calmo. De um jeito... jovem, como ele nunca tinha visto, mesmo que os traços de adulto o dominassem, o rosto mais másculo, o corpo mais forte.
- Você mudou muito. - constatou.
Harry o olhou por um momento, interrogativo.
- É a primeira vez na minha vida que eu tenho... sei lá... condições de respirar. Eu encontrei um lugar para mim. Eu não preciso de mais nada.
- Uma praia deserta, um filho, uma mulher, sem pressões, sem obrigações... É... Não me parece ruim. – Draco fitava o mar, sorrindo.
- O que você vai fazer quando voltar, Draco? Quero dizer, você vai...
- Eu não vou destruir o que você conquistou, Harry, não se preocupe. Posso falar para a Granger que você está vivo?
Harry abraçou os joelhos, fitando o mar.
- Não. – respondeu, firme – Quero dizer, quando eu sumi, eu estava ciente de que teria que abrir mão do que eu tinha para tentar algo de que eu precisava... E eu aceitei isso. Eu abri mão deles, Draco. E não quero voltar atrás. Gostaria, sim, de poder revê-los e visitá-los, e mostrar esse lugar para eles e levar Martín para brincar na Toca... Mas eu sei que isso teria consequências também, e eu não quero perder o que eu tenho agora. E meias verdades a essa altura só trariam mais sofrimento. Está bem como está.
Draco o olhou por um tempo, pensativo.
- Vale a pena, Harry?
- Valeu a primeira vez e vale agora. É uma certeza.
Draco abraçou os joelhos, deitando o rosto sobre eles, fitando Harry em silêncio.
- Você teria feito o mesmo? – Harry perguntou de repente.
- Eu não sei. Temos vidas diferentes. – Harry concordou com a cabeça, em silêncio – Mas eu acho que não. Quero dizer, na guerra. Eu não abriria mão dos meus pais por nada...
- E hoje?
- Depende.
- De que?
- De pelo quê eu faria isso. Eles estão bem, em segurança, têm um ao outro. Eu não teria medo de deixá-los. De certa forma, eu também sinto falta de um pouco de vida própria... Agora que está tudo certo, eu estava mesmo pensando no que fazer... Mas para deixá-los de vez, como você, que abandonou tudo, teria que ser por algo que valesse a pena.
- E o que vale a pena para você, Draco?
O loiro o olhou por um momento, depois fitou o mar, suspirando. E não respondeu. Sabia que os olhos verdes o estudavam, mas manteve o silêncio. Valia a pena? Ele deitou o corpo sobre a pedra, olhando o céu e a lua, piscando devagar.
- Eu não tenho nada com a Giuliana. – Harry acrescentou, e Draco respirou fundo - Ela é somente... uma amiga. Uma companhia. E me ajuda com o Martín.
- Seu filho.
- Eu sempre quis uma família. Essa sempre foi uma constante para mim, desde o momento em que eu entendi que eu não tinha pais. Mas...
A frase de Harry ficou no ar. O silêncio se colocou entre eles e Draco se apoiou nos cotovelos para poder olhar o moreno, que havia se voltado na direção dele, se aproximando.
- Mas? – perguntou, baixinho.
- Falta alguém. – Harry respondeu no mesmo tom, e Draco quase podia sentir seus olhos sobre ele.
Aquilo era uma proposta. Era um convite que Harry fazia, não para uma transa, mas para entrar em sua vida. Ser uma família, Harry, ele e Martín. Naquele lugar, longe de tudo. Abrir mão de tudo.
- Você vale a pena. – Draco respondeu, e quase imediatamente sentiu os lábios de Harry nos seus.
A primeira coisa que Draco percebeu foi a ausência do gosto de cigarro. Em seguida, a doçura o fez parar de pensar. Beijar Harry era familiar e aconchegante, como voltar para casa. E correspondeu, puxando-o para perto, deixando que ele se deitasse sobre ele, aprofundando o beijo enquanto seu peito se enchia com uma alegria limpa, que ele não sentia há anos.
- Eu te amo. – Harry sussurrou, e Draco soube.
Queria aquela vida.
FIM
NA2: E esta, crianças, é Sin. E eu gosto pacas dela XD
E este é o final que me deixou meio O.õ, mas é o final. Espero que vocês sejam gentis e me digam o que acharam XD
Obrigada a todos que leram e obrigada especial a todos que comentaram. E um obrigada particular à Dark, que leu antes, comentou e fez a capa da fic.
NA3: Agora, um comentário necessário e muito importante.
Eu já respondi review nos capítulos em fics passadas, mas não costumo mais fazer isso porque prefiro algo mais pessoal, por isso as MPs e emails. Mas a Moi Lina deixou um comentário no capítulo passado que merecia resposta, e não deixou nenhuma forma de contato, então estou respondendo aqui, e é legal que todos leiam.
Ela criticou o fato de eu ter pedido reviews para postar os capítulos, argumentando que muitos leitores não têm tempo para comentar ou não sabem o que comentar.
Eu aceito a crítica, Moi, não estou, logicamente, chateada com você nem nada disso. Confesso que não acho a prática das mais nobres e sei que você não é a única a reprovar, assim como sei que a maioria dos escritores não pedem reviews.
Eu já expus parte da minha argumentação no capítulo em que estipulei a frequência de postagem segundo os comentários: é uma forma prática de saber qual a velocidade que a fic está sendo lida, e, assim, acompanhar os leitores na postagem. Respondendo sua pergunta: não, eu não deixaria a fic inacabada, sob hipótese nenhuma, muito menos se caso não recebesse o número de comentários que eu exigi. Só que postaria mais espaçadamente, já que ninguém tem pressa para ler.
Eu escrevi a fic para ser lida, seja por 5, seja por 50 pessoas. E esse é justamente um dos motivos pelos quais eu só posto fics que eu já terminei de escrever: para que a falta eventual de comentários ou leitores não me desestimule a ponto de eu parar de escrevê-la.
Agora, não vou ser hipócrita e negar que não ter leitores não é desestimulante. "Sin" foi um caso a parte, pois eu escrevi a fic em uma semana em um ritmo quase compulsivo. Mas, em geral, eu levo de dois a três meses para terminar uma fic desse tamanho, com essa complexidade. E, infelizmente, eu ainda não ganho para escrever, o que significa que eu também gasto um tempo precioso fazendo isso. Escrevo porque gosto e me esforço para fazer algo que mereça ser lido, e me permito criar expectativas quanto à recepção do leitor.
"Pelos olhos teus", por exemplo, foi uma fic sobre a qual eu criei muitas expectativas quanto à recepção, pela própria temática da fic. E ela me frustrou um pouco, ainda que só no começo, porque eu sinceramente esperava mais. Em seguida postei "Vidas", e estava tendo a mesma resposta em uma fic totalmente diferente. Mas então eu percebi pelos hits do site que a fic tinha acesso, mas não tinha comentário, só que eu precisava desse feedback, e foi a primeira fic em que eu pedi reviews. E depois dela, só em "Sin", o que mostra que não é uma prática usual, mesmo para mim.
E as reviews aparecem, Moi. Eu peço 10, 15, porque eu sei que eu tenho 10 ou 15 leitores fiéis que têm disposição, tempo e vontade para comentar – só precisam muitas vezes de algum incentivo, porque eu mesma, como leitora que também sou, sei que não é tão imediato apertar o botãozinho "go" lá embaixo. Mas sei também – porque sempre recebo mais comentários do que peço e pelo número de acessos da fic – que eu tenho mais do que isso de leitores, e sou muito grata por esse fato. E assim não desrespeito aqueles que não têm tempo ou disposição ou palavras para mim. Há uma margem que permite que comentar não seja uma obrigação, e eu conheço o meu trabalho a ponto de estar ciente disso.
Mas de qualquer forma, independente do seu comentário, eu já havia decidido parar de fazer isso – pedir reviews em troca de capítulos. Conversando com a Dark, chegamos à conclusão que uma fic como "Sin", por exemplo, acaba tendo um tempo de vida muito curto com esse tipo de postagem: eu atendo aos meus leitores mais fiéis ao postar segundo a frequência de leitura, mas não dou tempo para que a fic se espalhe e crie um certo enraizamento que é necessário para que ela permaneça depois que eu termino de postar.
Obrigada pelo seu comentário. Ele não me disse muito sobre o que você achou de Sin, mas espero que minha resposta tenha sido satisfatória com relação ao meu comportamento.
Beijos para todos.
Agy
