Nhaaaaaai... puxa... Desculpem-me a demora, a semana passada foi uma loucura, por motivos pessoais eu não tive a chance de tocar no teclado. E nessa semana que enfim termina, eu tive uma pequena crise de depressão, alguém que eu amo muito me disse algo horrível, que até o momento me abala, disse que eu era uma inútil, que eu não deveria existir. Sei que pode parecer bobagem, mas sempre fui muito influenciável com palavras ditas pelas pessoas ao meu redor, e isso somando a minha alta tendência depressiva... Já devem imaginar que nesses últimos dias eu virei um mar de lagrimas.
Mesmo que por pura lógica eu soubesse que não era verdade, que havia outras pessoas que me viam como "importante", eu não conseguia me sentir melhor, a dor de ouvir isso logo daquela pessoa era muito forte, me sinto ainda hoje um pouco estranha, e não acho que passe tão cedo. Mas quando recentemente vi os reviews que me enviaram eu fui inundada de uma grande felicidade, assim como de uma grande vergonha, sinto muito pelo atraso, motivos pessoais a parte, quando uma pessoa faz uma promessa deve cumpri-la, infelizmente eu quebrei o fluxo de atualizações diárias e mesmo assim não ouvi uma única reclamação, aqueles que me pediram para atualizar foram gentis e não mostraram grande aborrecimento, sinto muito por fazê-los esperar.
Obrigada a Srta.Kinomoto, Fabrielle, St. Luana, Tehru, Tainá, srt silver, Rose Snape Malfoy, Helchi, Gika Black, mfm2885, nicky-Evans e a todos que acompanham a fic.
Este é um capítulo um pouco triste, essa fic, como disse antes, era um one-shot e para postá-la como uma série tive que fazer titânicas mudanças. Esse capítulo em questão aborda em sua maior parte um tema que não existia antes, a dor daqueles que ficam para trás, peço desculpas aos que acharem isso tudo melodramático, mas depois de um horrível final de semana, eu sinto como esse capítulo é um pequeno desabafo meu diante de uma perda recente. Por isso eu não o ofereço para minha tia que morreu no domingo passado, pois não sei se ela gostaria do tipo de trama que produzo, mas ofereço a dor que nesses últimos dias estou sentindo, que cada palavra nesse capítulo leve embora um pouco desse horrível sentimento.
Desculpem novamente a demora, e esse pequeno desabafo e tenham uma boa leitura.
Disclaimers: O céu é azul, a grama é verde e a terra gira. Existem algumas verdades no mundo que nunca mudaram, e uma delas é que Harry Potter e seus personagens não me pertencem e que eu não ganho nada com o que escrevo... Fazer o que?
Capitulo 12 : A mão que o seu medo pede.
- O que você faz quando sente medo?
Foram apenas essas poucas palavras que consegui arrancar daquela estranha garota, antes que as coisas nesse dia dessem novamente uma drástica reviravolta.
E acredite. As coisas realmente tomaram um rumo estranho.
De tudo o que aconteceu hoje, eu realmente não esperava estar agora servindo de chofer para essa desconhecida nanica.
Uma nanica muito mandona.
- Vire aqui! Aqui! AQUIIII!! Droga, preste atenção nos sinais!! Agora pegue a esquerda... Não! NÃO! Desculpa, era para pegar a direita.
Cristo... Hermione, a nanica em questão, olhava nervosa a estrada, me guiando para algum lugar que eu ainda não tenho a mínima idéia de onde ficava.
Espere! Esse trajeto... Se não me engano esse trajeto pode dar tanto na área do Shopping "London", como na do supermercado preferido do Harry, ou também na do... do hospital "st. Mary".
Por Deus, que essa louca só esteja me raptando para comprar umas batatinhas.
Por tudo o que mais amo – o que no momento se resumia ao Harry – que essa nanica doida não esteja me levando para onde eu realmente acho que está.
Que ela realmente não esteja me levando para...
- Onde está Harry? – consegui finalmente perguntar quando entramos em um acirrado engarrafamento e minha co-piloto parou de dar pulinhos no banco do passageiro.
- ... – ela me olhou por alguns segundos como se escolhendo as palavras apropriadas – O que... O que você faz quando sente medo?
Aquela pergunta estúpida de novo?
- Quando eu era pequena eu fechava os olhos bem forte. – ela responde sua própria pergunta evitando meus olhos desviando os dela na direção da janela – Uma vez, quando minha avó teve um ataque do coração, meus pais saíram tão desesperados para levá-la ao hospital que acabaram me deixaram sozinha em casa. Eu deveria ter uns seis anos na época. Estava morta de medo quando a noite chegou e ninguém voltava. Então eu fechei os olhos como sempre fazia, mas o medo não diminuiu. Foi aí que eu pensei que se apagasse todas as luzes da casa talvez funcionasse melhor, que a escuridão ao meu redor me tranqüilizaria tanto quanto fechar os olhos, mas quando tudo ficou escuro, e meus olhos se acostumaram ao escuro, eu comecei a ver vultos e sombras estranhas... Meu medo apenas aumentou. Aumentou tanto que eu me encolhi no canto da sala e chorei baixinho. Eu estava tão assustada... Foi então que senti alguém pegar minha mão. Senti um calor tão gostoso que minhas lagrimas pararam, e quando as luzes se acenderam, eu vi minha mãe agachada perto de mim, falando que tudo estava bem e sorrindo de modo carinhoso. Acho que nunca em minha vida eu me senti tão bem.
Eu apenas olhei sua face sonhadora dizendo aquelas palavras que a ligavam ao passado, mas o que isso tem haver com Harry?
- Existem varias maneiras de superar o medo, mas em minha opinião, a mais eficaz é ter alguém que segure a sua mão e que possa lhe dizer que tudo está bem. Mesmo sabendo disso... Eu o abandonei.
Como?
- Depois que Rony morreu... – seu corpo estremeceu ao pronunciar o nome da criança falecida e tentando se conter ela se envolve com seus braços e continua a falar com a cabeça baixa – Acho que os gêmeos chegaram a contar sobre o que aconteceu com ele. Bem, depois do que aconteceu, eu parei de freqüentar o orfanato. Antes eu entrava lá escondida para brincar com os meninos, mas depois daquilo... – não pude ver, mas por sua voz quebrada pude ao menos supor que a menina deixava cair lagrimas que não podia mais conter.
- Se não quiser continuar a falar disso, eu entenderei – tento ser razoável com a figura tremula ao meu lado.
– Eu simplesmente não consegui... – continuou a dizer com dificuldade – Sabia que Harry e os gêmeos deveriam estar sofrendo tanto ou mais do que eu, mas não consegui... Era como aceitar que aquele pequeno sentimento que nascia dentro de mim por Rony nunca teria chance de se desenvolver... Era como... como... se aceitasse que essa estranha alegria que sentia ao vê-lo nunca mais... voltaria... Que eu nunca descobrirei se o que sentia poderia ser, ou se já era... amor.
Não pude julgá-la por isso.
Por abandonar Harry a sua sorte.
Era uma criança quando tudo aconteceu, era normal estar assustada.
Fora que o destino não poderia ter sido mais injusto ao escolher como inimigo para aquele amor pequeno e ainda em desenvolvimento, algo tão cruel como a "morte".
A menina hipava ao meu lado enquanto eu me esforçava a apenas olhar para frente, tentando dar a ela tempo para se recompor, me pergunto quantas vezes ela teve a chance de desabafar assim.
Contendo o choro ela apenas me dava pequenas indicações de para onde seguir. Passamos pelo shopping... Passamos pelo supermercado... E a menos que nosso destino seja a residência de alguém, eu não posso evitar pensar o pior.
Assim que se refez, ela voltou a sua aparentemente longa explicação.
- Mas três anos passaram – sua voz era baixa, mas sem deixar de ser firme – eu nunca soube o que aconteceu com os de mais. Um dia, há cinco meses atrás, eu ouvi alguém batendo na janela do meu quarto à noite. Era Harry, e ele estava muito ferido. Nunca me disse o que aconteceu, mas era meio óbvio quem o feriu.
- Dursley.
- Ele conseguiu fugir, acho que para isso teve a "mão" dos gêmeos como ajuda. Mas o fato é: na mesma noite meus pais ligaram para os tios dele, apenas por que era o certo a se fazer – a olho como se fosse uma completa estúpida, e como resposta ela me encarou com seus olhos vermelho e sorrindo balançou a cabeça negativamente – mas não o devolveram quando exigiram que o fizesse. Dês desse dia meus pais estão lutando para conseguir a guarda de Harry – perdendo novamente seu ar frágil ela bufa exasperada – e deveria ser algo fácil com todo o histórico de violência não apenas contra o Harry, mas contra varias outras crianças do orfanato, mas os Dursleys...eles...
- Tem as costas quentes.
- Isso, alguém parece estar protegendo eles, acho que ouvi alguém falando sobre uma tia Marge ou algo do gênero. De qualquer jeito, as coisas estavam difíceis na época e hoje mesmo não estão melhores. Mas o pior veio depois.
Pior? Como as coisas poderiam ficar piores?
- Mesmo quando os ferimentos de Harry se curaram após os dois meses ao nosso lado e ele pode se alimentar decentemente, meu amigo continuou a se sentir fraco, sentia dores pelo corpo, dizia que era como se os ossos estivessem doloridos e às vezes quando vomitava havia manchas de sangue... No começo meus pais acharam que poderia ser alguma seqüela dos abusos que sofreu, então fomos ao medico. – sua vitalidade mais uma vez caia a cada palavra – Ele... ele tinha... ele tem... leucemia.
Meus olhos se abriram até não poder mais e senti como se algo áspero descesse por minha garganta rasgando tudo o que encontrava em seu caminho.
Leucemia? Mas... mas... eu...
Leu... cemia...
Eu não sou um leigo sobre essa doença, para ser sincero nesse momento eu gostaria de não ser tão bem interado.
E uma imagem que eu tentei borrar de minha mente durante essa semana voltou com tudo.
A imagem do lenço de Harry.
Branco...
Vermelho...
Sangue...
A ausência de Harry foi algo tão forte que agregar mais aquele pequeno fator me levaria a loucura, então quis ignorá-lo, bem, agora não posso mais.
Depois da revelação ela parou de me indicar o caminho, era óbvio para onde íamos.
Harry...
- Como... – minha voz falhou – Como eu passei três meses com alguém com leucemia e não percebi? Eu sei que dependendo da fase os sintomas não são tão aparentes mas...
- Você se surpreenderia do quão obstinado Harry pode chegar a ser quando se propõe. E acredite, ele apostou todas suas fichas nisso. – ela sorriu com algo semelhante a simpatia para logo em seguida a retomar seu ar sombrio – Assim que a noticia foi dada, meus pais quiseram internar Harry na hora, mas ele se negou. Disse que o tratamento para leucemia, segundo o medico, era algo lento, angustiante, que os sintomas se tornariam mais fortes e debilitantes, e que no final suas chances de sobreviver dependeriam não apenas da sorte de achar um doador compatível, como sobreviver a operação. Ele simplesmente se negou.
- Como se negou?? Mas se ele não o fizer vai morrer e...
- Esse é o ponto, ele não se importa em morrer.
Aquelas seis palavras quase me fizeram bater o carro no caminhão a minha frente, mas nem minha passageira reclamou, como nem eu me importei muito, em minha mente aquelas tristes palavras apenas se repetiam.
"Ele não se importa em morrer... Ele não se importa em morrer... Ele não se importa em morrer..."
- Nunca teve nada com o que as apegar. Nunca teve um futuro ao que se apoiar. Suas pessoas importantes eram tiradas, afastadas ou simplesmente... – ela me encara com pesar – estavam distantes demais para sequer notar sua existência. Uma existência totalmente solitária. – seus olhos mais uma vez se enchem de lagrimas – Ele não se importava em morrer, pois apenas seria partir para uma solidão mais extensa... Uma solidão mais serena... – leva suas mão ao rosto e continua entre soluços – Por Deus ele disse essas mesmas palavras para mim, sorrindo... Como ele pode sorrir e ainda acrescentar que... "Finalmente terei meus dias de paz" com tanta serenidade?
- E... – minha mente era um turbilhão tentando descobrir o que mais Harry teve que sofrer nesses anos para poder chegar a essa conclusão em tão pouca idade – o que aconteceu?
- O que você acha que aconteceu?? – ela levanta o rosto com fúria e quase pude ver chamas naquelas esferas castanhas quando me olhou de maneira feral – Depois de dois meses vivendo juntos, meus pais, eu e Harry, como uma família, o que você acha que pode ter acontecido depois de descobrirmos essa coisa horrível e ele dizer na minha cara e na de meus pais que o único jeito dele ser feliz nesse mundo é morrendo? O que você acha que aconteceu? Eu meti um soco tão forte na cara dele que o joguei para fora da cama em que estava na hora.
Medo... Depois desse brado ferido e enojado eu realmente senti uma pouco de medo, mas também um pequeno orgulho de estar ao lado daquela garota. Acho que deveria apresentá-la a Tonks, elas se dariam muito bem.
- Fiz questão de esfregar na cara dele o quão idiota era por dizer uma coisa tão egoísta, que por mais que doesse o rumo que a vida dele teve, que no final o "desaparecer" que ele tanto almeja deixaria uma grande dor no coração dessas pessoas que lhe foram tiradas, mas que de certo ainda pensavam muito nele; nas afastadas, mas que quando achassem um meio de refazer seus passos até ele não hesitariam um segundo em voltar a vê-lo; e até mesma nas que... – sorriu ao me encarar novamente – mesmo distantes um dia poderiam encontrar um caminho até ele. O lembrei de Rony, sei que foi golpe baixo, mas tive que lembra-lo de Rony, da dor egoísta que senti, ao não poder mais vê-lo, meus sentimentos egoístas de pensar que não poderia mais "construir" recordações com ele. Houve uma grande discussão entre nos dois, foi a primeira vez que vi Harry gritar, chorar e lamentar. – depois de expressar tantas emoções ela parecia simplesmente cansada ao continuar sua narrativa – Ele estava tão assustado quanto nós, mas como sempre tentava aceitar tudo o que acontecia com ele como sendo seu destino. O destino que lhe foi dado debaixo dessa estrala de má sorte em que nasceu. No fim eu consegui, eu o convenci a fazer o tratamento, e futuramente a operação, mas sob uma condição.
- Qual? – pergunto um pouco aliviado, era difícil ficar ao lado daquela garota, que lutou tanto para manter a vida de minha pequena estrela, sem querer abraça-la.
- Ele apenas faria o tratamento, se antes pudesse realizar o maior desejo dele. Poder te ter por perto por todo o tempo que lhe for possível. E ser o causador de pelo menos um de seus sorrisos. Poder saber que realmente o senhor era feliz.
O ar de meu pulmão sumiu.
- Meus pais não gostaram da idéia, mas no fim aceitaram, acho que acreditaram que você nunca aceitaria algo assim – ela sorri nostálgica – nem Harry acreditava que você fosse acolher um simples desconhecido, então armou todo aquele teatro. Vestiu-se de maneira bem esculachada para causar um grande impacto inicial e fingindo ser uma estrela quis entrar na sua vida tanto quanto pode. Eu não queria deixá-lo completamente sozinho, então sempre rondava sua casa. Vez ou outra a invadia e entrava no quarto de Harry pela janela – a olho de rabo de olho ligeiramente estupefato e ela contem uma baixa risada e tenta se explicar – acredite, se eu conseguia invadir, quando mais nova, aquele orfanato a hora que eu quisesse, me esgueirar até dentro da sua casa era mamão com açúcar. Principalmente se era para cuidar dele, de meu amado amigo. Pois mesmo se fazendo de forte, todas as dores e vômitos que ele dissimulava do lado de fora ele tinha que extravasar em algum lugar.
Ele realmente se fechava em seu quarto varias vezes durante o dia... e ela estava lá?
- Depois de três meses, Harry sabia que era uma bênção você não ter percebido, mas não teria essa sorte para sempre, por isso resolveu se... – ruborizou – se despedir.
Se despedir... Ooooowu Deeeus...
- Você estava lá? – pergunto entre envergonhado e irritado.
- Oh não, não, não... Estive antes, conversando com Harry. Foi naquela mesma noite que me disse que partiria. – se remove incomoda em seu banco ficando cada vez mais vermelha – Um pouco depois você entrou no quarto.
Então naquela hora que parecia tão melancólico ele não estava pensando nas estrelas... digo, em seus amigos, mas em mim?
Chegamos à frente de um hospital, como temia ela não disse nada de que eu tinha errado o lugar de nosso destino, engolindo em seco eu estacionei o carro, e quando estava para descer ela segura minha camisa me impedindo de descer.
- O plano era ele passar todo o tempo que podia ao seu lado e partir, sabe por que ele fez isso?
Por que queria me ver feliz? Não foi o que me disse a cada dia que esteve ao meu lado?
- Por mim?
- Você realmente ouviu algo do que eu disse? – ela bufa novamente com raiva – Sr. Snape, o que você faz quando sente medo? Se minha teoria estiver certa, mesmo estando com uma doença tão horrível Harry deu tudo de si para esticar sua mão para te alcançar. Ele pode se fazer de forte, pode dizer que não teme a morte. Que a quer. Mas ele ainda é humano, talvez mais do todos nós juntos, e está apavorado... Snape... O plano era ele te ver, e voltar, mas ele foi e quando voltou deixou uma parte da alma para trás... – sua lagrimas caem novamente – Ele... Ele agora realmente não se importa em morrer, ele parece apenas feliz. Feliz em ter te visto... Feliz que mesmo partindo sabe que você foi feliz e que talvez ainda seja. Como você acha que uma pessoa que vai enfrentar um tratamento como a da leucemia vai sobreviver com esse tipo de pensamento? Tendo se entregado de maneira tão... Sei que Harry invadiu sua vida de mais de uma maneira nesses meses, mas se você for até seu quarto apenas para pedir explicações ou perdões... Se não for para apoiá-lo sem maiores questionamentos, por favor, nem suba.
Eu olhei para a face chorosa a minha frente e a acariciei.
- Menina... Mas se é assim mesmo como você acaba de falar: Harry entrou em minha vida de mais de uma maneira, e agora ele se entrelaçou tanto nela que a simples idéia de que ele possa morrer me aterra... Não, me da à certeza de que o momento em que ele deixar esse mundo eu irei atrás.
Saio do carro ainda podendo ouvir os soluços entrecortados da garota, e um baixo murmúrio.
- Fico feliz de ouvir isso... Fico feliz em saber que ele não estará mais sozinho... Que ele tem alguém para segurar a sua mão.
PSSE
Assim que perguntei pelo número do quarto do meu amado moleque, e ignorando cada enfermeira que me reganhava por correr pelos corredores do hospital, eu não pude fazer nada a não ser me dirigir para onde poderia achar minha pequena estrela.
Órfão.
Excluído.
Leucêmico.
Agora que eu já sei de tudo do passado de Harry eu só pude me perguntar como era que depois de tudo isso por que tinha passado e por que ainda teria de passar, aquele garoto conseguia sorrir de maneira tão pura para mim.
"Por que estou sorrindo para você, isso já e motivo o suficiente"
As palavras de Harry golpeiam minha mente.
Então eu me decidi. Se o que faz Harry sorrir é estar em minha presença, nunca mais me separarei dele.
Chegando na frente da porta, no exato momento que acho a resolução de todas as minhas duvidas, eu entro e finalmente o encontro.
Ele estava adormecido na cama de hospital.
Sento-me em uma cadeira ao lado de sua cama e observo seu peito subir e descer lentamente.
Estava tão sereno que não tive coragem de desperta-lo.
Mas após algum tempo seus olhos abrem ainda sonolentos e me encaram por alguns segundos, como se estivesse descrente que eu estivesse mesmo ali.
- Se... verus? – sua voz era fraca.
- Sim Harry, sou eu.
- Severus... – repetiu e começa a se sentar com dificuldade, mas eu ponho minhas mãos em seus ombros e o faço se deitar. – como você me achou?
- Um anjo me guiou até aqui. – sorrio com sarcasmo.
Harry franziu o cenho confuso, por certo ainda estava com o raciocínio lento pelo sono, e quando se lembra de suas próprias palavras ruboriza levemente. Ganhando pela segunda vez meu coração.
- Hermione... – murmura – ... Mesmo depois de três anos tem a língua maior do que o conveniente.
- Não diga isso – sorrio agora com carinho. Ah, como é bom poder estar novamente em sua presença – os anjos existem para guiar os passos dos mortais no seu caminho que foi predestinado desde o dia em que nasceu.
Os olhos de Harry se arregalam diante do peso de minhas palavras, nunca fui tão direto sobre meus sentimentos para com ele até o momento. Seu rosto se ilumina em um belo sorriso, para logo em seguida assombrear de dor.
O que ouve? Por que parece estar triste?
- Mas Severus – sua voz não era mais alta que um murmúrio – eu estou apagando.
O câncer.
O motivo por ele ter fugido de minha casa. Como pude esquecer?
Levo minha mão a sua face ele fecha os olhos ao sentir a caricia, sem se desfazer da expressão dolorida por seu destino.
- Então que se apague – digo sério.
Ele abre os olhos assustado. E me olha, tudo para ver o sorriso que lhe ofereço.
- Por favor, que se apague, pois assim eu "te farei lua", para logo após "me fazer sol", e nem que tenha que me consumir por inteiro farei você brilhar novamente, um brilho tão cálido quanto o sentimento que me inunda quando te tenho por perto. E no final, reinaremos supremos, não em uma constelação, mas em todo um sistema solar. Por favor, deixe-me ser o seu sol, por favor, deixe-me te iluminar.
E o beijo.
Nada mais poderia estragar aquele momento
Nosso momento.
Nada mais poderia nos separar.
FVQP
Nhaaaaaa buaaaaaaaa, snif snif... Eu tenho que dizer, na hora de digitar eu chorei em varias partes desse capítulo, os sentimentos de Hermione eram algo que não existiam na versão original, para ser sincera ela só tinha uma fala na fic inteira. Mas devido a acontecimentos recentes em minha família eu meio que fiquei sensível com esse negócio de morte, muitas descobertas sobre mim mesma foram feitas.
Coisas que sinceramente ainda doem.
De qualquer forma, não vou incomodá-los mais com minhas lamurias, afinal, o próximo é o último capítulo úl-ti-mo. Resolvi fundir o epílogo e o último capítulo em um só, nada que estrague o ritmo do final da historia.
E não se preocupem, esse foi o último resquício de angust da fic, daqui pra frente são só flores... E quem ficou com peninha do Rony (ele nem teve chance de participar ativamente da fic), digo que dêem uma conferida no final alternativo. Prometo que vocês vão amar.
No próximo capítulo Harry dará o que seria as últimas explicações sobre os eventos dos últimos meses. A felicidade é uma planta que desabrocha aos poucos para ele e as pessoas ao seu redor quando aos poucos a conclusão dessa pequena historia chega ao seu final, que para vencer a maior das barreiras daquele amor, terão a ajuda de um último, verdadeiro e doce milagre.
Até o próximo capítulo.
