Parte IV

Relutantemente eu tinha decidido ir para a aula de pintura. Porque eu não podia simplesmente deixar de tocar minha vida por ter tido algo dentro do meu peito estilhaçado. Mas eu já tinha passado o final de semana inteiro amargando na maior fossa sem praticamente sair do quarto e preocupando bastante Ikki a ponto de fazê-lo esmurrar a porta e ordenar para que eu saísse.

Desnecessário dizer a vontade que eu tinha de sumir.

Porque eu me sentia enganado e usado. Eu me perguntava se aquele Hyoga gentil e que me escutava com atenção era o verdadeiro ou se aquilo não passava de uma fachada para me levar pra cama mais facilmente. E não é como se eu fosse uma garota indefesa e apaixonada, mas se ele tivesse sido sincero talvez assim eu soubesse melhor com quem eu estava lidando.

Éramos homens afinal. Eu sabia que sexo sem compromisso era mais do que comum.

Mas isso não significava que aquilo se aplicava a mim. Eu havia me entregado e confiado nele; e em resposta a isso Hyoga havia sido carinhoso e tão cuidadoso, fazendo me apaixonar por ele ainda mais. E no final ele agia como sequer me conhecesse, me deixando claro que eu não passava de uma simples conquista.

E agora eu estava ali, na sala de pintura, tentando me concentrar na tela completamente branca a minha frente. June me lançava olhares a cada cinco segundos, chegando a me perguntar umas três vezes se estava tudo bem. Então eu me limitava a murmurar um sim enquanto tentava parar de pensar no que tinha acontecido para poder me concentrar na aula e ter alguma idéia do que pintar.

Milo como sempre andava pela sala opinando sobre os quadros e mesmo após aparecer três vezes perto de mim, dando uma olhada na minha tela não tinha feito comentário algum. Ao invés disso tinha apertado meu ombro em sinal de conforto, o que apesar de me parecer muito doce e atencioso da parte dele já estava me irritando.

Os minutos foram passando arrastados e quando a aula terminou minha tela ainda estava em branco. Juntei todo o meu material rapidamente, me perguntando por que mesmo que eu tinha ido para a aula se estava sendo um completo inútil.

- Shun, você está mesmo bem? – June me perguntou novamente e eu assenti. – Aconteceu alguma coisa?

Lancei um rápido olhar para ela, sorrindo fracamente ao responder.

- Está sim. Não se preocupe, June.

- Eu estou indo para a aula de teatro, você não quer vir junto? – ela me olhou com aqueles olhos esperançosos e carinhosos, talvez esperando me animar um pouco.

- Não, eu disse ao Ikki que voltaria mais cedo para casa e prepararia o jantar – respondi, o que não era nenhuma mentira, já que eu tinha me comprometido com Ikki de voltar a chegar cedo em casa antes que ele morresse desnutrido.

- Certo... – ela murmurou, não sem antes me lançar um último olhar preocupado e se afastar ao terminar de pegar suas coisas.

Não demorou muito para que eu fizesse o mesmo caminho que ela em direção a saída da sala, mas ao chegar na porta, ouvi Milo me chamar.

- Shun, você pode vir aqui um instante – me virei, vendo ele guardar alguns pinceis já secos no armário e andei até ele, ficando ao seu lado.

Ele se virou na minha direção só depois de arrumar o que estava fazendo no armário e deu um sorriso singelo antes de começar a falar.

- Você evoluiu muito nesses dois meses, sua pintura está com mais vivacidade e acho que tem conseguido expressar melhor o que sente ao pintar.

O olhei um pouco confuso, já que não era muito comum ver Milo elogiando. Ainda mais alguém que não pintava muito bem como eu.

- Não foi pra isso que você chamou aqui, foi? – era mais fácil Milo me dar uma bronca por não ter pintado nada na aula do que vir me dizer aquelas coisas.

- Hm... – ele pareceu meio desconcertado, mas em seguida me olhou decidido. – Certo, eu detesto ficar de rodeios então vamos logo ao ponto. Você e Hyoga tiveram algo?

Quase engasguei com a própria saliva ao escutá-lo, sentindo as bochechas queimarem e aquilo já devia ser resposta suficiente para ele.

- Como eu pensei... Eu já estava mesmo desconfiado ao ver ele vindo aqui nos dias que você tinha aula – ele se virou para a mesa ao lado, pegando algumas tintas e guardando-as no armário. – Eu não quero me meter nem nada, mas levando em conta a forma como ele agiu com você no dia da apresentação e no fato de você estar com essa cara de quem levou o fora do ano as coisas não vão muito bem, certo?

Permaneci em silêncio não me sentindo muito confortável com o assunto e ele pareceu perceber isso, não insistindo para que eu respondesse.

- Olha, Hyoga andava com um ótimo humor nos últimos tempos e até mesmo conversando mais em casa, mas ele é um idiota quando se trata de paixão assim como Camus – murmurou em um tom meio inconformado. – Aqueles dois acham que isso é sinal de vulnerabilidade. Só eu sei o quanto foi difícil convencer Camus do contrário, mas estamos juntos hoje.

- Ah, eu não acho que seja a mesma coisa... – me limitei a dizer.

- É claro que não é. Vocês dois são diferentes, nunca é a mesma coisa com ninguém. O que eu quero dizer é pra você não desistir do Hyoga, ele só deve estar assustado e talvez um pouco confuso.

Deixei escapar um suspiro inconformado, tentando não me apegar as palavras de Milo. Ele até podia estar certo, mas eu ainda me sentia tão inseguro e usado, que eu só queria esquecer que tinha conhecido Hyoga e tudo o que se seguiu a partir disso.

- Você devia tentar conversar com ele – disse, afastando-se do armário e voltando a falar desanimado. – Eu preciso ir agora, minha vez de fazer a feira do mês.

Assenti mesmo que soubesse que não iria tentar nada e saí da sala antes de Milo, seguindo pelos corredores.

Se Hyoga tinha seus medos não seria eu a impor nada a ele. De qualquer forma não era como se ele tivesse me prometido algo, as coisas tinham simplesmente acontecido e eu tinha me deixado levar sem pensar muito. Mas eu não estava sabendo como lidar com aquela sensação chata de estar deixando algo importante para trás.

Eu só não queria sentir de novo aquele aperto desconfortável no peito e repetia, quase como um mantra, que deveria me manter longe o suficiente de Hyoga, querendo apenas não sentir mais aquela sensação.

Quando já me vi já perto da saída do Centro Cultural agradeci por não ter esbarrado com ele pelos corredores. Coloquei o cachecol e as luvas assim que me vi do lado de fora e senti o vento gelado anunciando o quanto seria rigoroso aquele inverno. E agora a única coisa que me preocupava era chegar o mais rápido possível em casa e me refugiar durante alguns instantes debaixo dos cobertores quentinhos antes de ir preparar o jantar, mas isso me fez lembrar que eu ainda tinha que passar no supermercado.

Mas como sempre as coisas iam além do meu controle e eu não pude deixar de me surpreender ao encontrar Hyoga mais adiante, parado em frente as escadas que davam ao subsolo da estação do metrô.

Parei abruptamente, pensando seriamente em dar meio volta, mas aquele era o caminho mais rápido para casa e eu podia contar com a sorte de Hyoga me ignorar assim como eu o ignoraria.

Recomecei a andar, apressando os passos e olhando reto, retorcendo as mãos nervosamente dentro dos bolsos do casaco, resistindo a vontade de lançar um rápido olhar na direção dele com o canto dos olhos.

E eu já estava quase contente comigo mesmo ao passar por ele, sem tropeçar ou sem parecer ridículo, mas desisti da idéia quando senti uma mão no ombro me fazendo parar de andar.

Virei o rosto me deparando com os olhos azuis de Hyoga. Ele tirou a mão do meu ombro parecendo tão desconfortável quanto eu. Desviei os olhos, ouvindo-o deixar escapar um suspiro inconformado antes de falar.

- Podemos conversar, Shun?

Eu ergui o rosto, voltando a fitá-lo confuso ao mesmo tempo em que uma vozinha sussurrava irritantemente que eu deveria simplesmente ir embora sem dizer nada. Como seu eu conseguisse tratar alguém dessa forma por mais magoado que estivesse...

- Sinceramente... – comecei meio hesitante, voltando a desviar os olhos. – Eu acho que você já deixou tudo muito claro, então não temos o que conversar.

Ele levou a mão a nuca e eu mais uma vez o fitei, só então notando suas bochechas levemente coradas, talvez devido ao frio. Ele não usava luvas, apenas um casaco e um cachecol tão azul quanto seus olhos.

- Eu sei que fui um idiota com você aquele dia, mas é que eu não sabia o que fazer quando você apareceu na apresentação.

- Não sei você lembra, Hyoga, mas foi você mesmo que me convidou – retruquei sem muita paciência.

- Eu sei, eu sei... Mas é que eu não estava entendendo o que estava acontecendo. Foi tudo tão rápido – murmurou e lancei um olhar magoado para ele, voltando a falar em um tom igualmente baixo.

- E você acha que não foi rápido pra mim também? Estava tudo exatamente como sempre foi antes do dia em que eu te vi naquele palco – confessei, recebendo um olhar surpreso dele.

- Podemos... podemos ir em outro lugar para conversar, estamos no meio da rua.

Neguei com um aceno, não querendo prolongar ainda mais aquilo, mas Hyoga se aproximou me olhando diretamente nos olhos e eu não ia conseguir resistir a aquele pedido mudo.

- Por favor, Shun.

- Se você quer se desculpar, considere-se desculpado já, oka? Você não me deve nenhuma explicação, nem nada parecido – me afastei, virando para descer as escadas e ir finalmente para a estação, mas ele voltou a falar rapidamente me deixando ainda mais incerto.

- Eu não quero só me desculpar... Eu quero... eu quero entender isso, está bem? – me virei novamente, vendo-o tão perdido quanto eu, nem sinal daquele Hyoga sempre tão seguro de si e no controle de seus próprios atos.

Então eu lembrei do que Milo havia dito mais cedo, talvez começando a entender melhor e me pegando a uma ínfima fagulha de esperança de que Hyoga estava sendo totalmente sincero pela primeira vez e que aquilo devia significar algo importante.

- Eu não posso ficar muito tempo, ainda tenho que preparar o jantar então acho bom você ser rápido – ele assentiu e eu andei até ele, voltando a falar em um tom mais ameno. – Acho que podemos ir naquele café – Hyoga concordou novamente em silêncio e fizemos o percurso de volta.

Ao chegarmos em frente ao café, entramos e eu me livrei das luvas com a temperatura agradável que estava ali dentro. Hyoga indicou uma mesa mais ao canto e nos sentamos, pedindo chocolate quente que vinha acompanhado de alguns biscoitos amanteigados.

Ele pousou as mãos na mesa e eu esperei que começasse a falar, mas ao invés disso ele desvio os olhos para a janela de vidro transparente como se buscasse as palavras.

- Hyoga, eu realmente não tenho o tempo todo – disse, ainda tentando ser casual o quanto àquela situação me permitia e ele voltou sua atenção para mim, abrindo a boca para falar, mas parecendo desistir.

Esperei pacientemente ele criar coragem para dizer algo, enquanto repousava as minhas luvas no colo, abaixando-o rosto e fitando-as falsamente interessado.

- Eu sempre estive acostumado a estar no controle de tudo o que acontecia comigo – começou e ergui o rosto, encarando-o atentamente esperando que continuasse. – E quando você apareceu eu não pensei que seria diferente. Até certo ponto tudo estava indo muito bem pra mim.

Ele inclinou um pouco mais o rosto na minha direção, talvez inconscientemente, a franja loira quase cobrindo os olhos; contive a vontade de afastá-las de sua testa em um carinho suave.

- Mas quando eu vi, estava pensando em você quase o tempo todo. Querendo chegar logo no Centro Cultural pra poder ver você, negligenciado os ensaios de balé... E tudo que envolvia você me interessava por mais simples que fosse – eu pisquei os olhos algumas vezes, tentando compreender o que ele dizia e qual o significado de tudo aquilo enquanto ele continuava, os olhos presos aos meus, me mantendo cativo. – E eu sei que é ridículo e imaturo o que eu vou dizer, mas eu pensei que se tivesse algo com você ao menos uma vez tudo isso iria passar.

Abaixei os olhos, não querendo entender aquela última frase mesmo sabendo que o entendimento já havia me atingido.

- Você... Então você realmente só queria me usar? – perguntei, não conseguindo conter o tom magoado e mesmo que não o fitasse diretamente pude vê-lo acenar afirmativamente ao mesmo tempo em que uma das garçonetes trazia nossos pedidos.

- Mas eu não consegui esquecer você. E quando você apareceu lá nos bastidores eu estava... acho que assustado. Eu não sei lidar com isso, Shun. E eu tentei apagar os momentos em que passei com você nessas últimas semanas, mas eu não consegui.

- Eu não posso fazer nada a respeito da sua negação, Hyoga.

- Eu sei. E sei também que estraguei tudo. Mas eu não queria me prender a ninguém dessa forma.

Passei a ponta dos dedos pela borda da xícara, ambos os chocolates quente intocáveis até o momento. Eu realmente não precisava ouvir de Hyoga que ele não queria nada sério comigo.

- Sempre que eu me apresento é esperando que algum olheiro de uma das maiores companhias de balé me veja e reconheça o meu talento. Eu sempre estive a espera do dia em que seria convidado para fazer parte de uma dessas companhias ao invés de um grupo de balé que se limita a viajar pelo Japão – ele tocou minha mão com a ponta dos dedos, me fazendo levantar o rosto e fitá-lo antes de continuar a falar. – E eu nunca quis me prender a nada aqui, porque quando o momento chegasse seria fácil ir embora.

Ele entrelaçou discretamente os dedos nos meus, mesmo que ainda parecesse relutante com algo e eu me deixei levar pelo toque suave e quente de sua mão, abaixando os olhos para nossos dedos entrelaçados.

- E naquele dia da apresentação, foi justamente isso que aconteceu. Um dos coreógrafos do balé Bolshoi viu a apresentação e veio falar comigo um pouco antes de você aparecer. Eu tenho uma audiência ainda essa semana e se for aprovado ganho uma vaga na Companhia. Você entende o quanto isso é importante para mim?

Assenti e ele aproximou mais o rosto, praticamente se debruçando sobre a mesa e eu pude ver seus olhos bem de perto, a íris em um azul quase gelo, fazendo com que um arrepio suave atingisse minha nuca.

Então era isso? Hyoga provavelmente seria aprovado e iria embora. Aquele devia ser o sonho dele e estar com alguém só atrapalharia o que ele sempre almejou.

- Hm... Foi por isso que você me tratou tão friamente?

- Foi... Eu só pensava em você e no que tinha acontecido; e quando me dei conta de que isso podia me fazer desistir do meu sonho, eu me assustei. Eu...

- Você não precisa falar mais nada – o interrompi, tentando sorrir e apertando seus dedos suavemente. – Eu já entendi. E você seria muito idiota de deixar pra trás o que sempre quis por causa de um simples caso.

- Você não foi apenas um caso, Shun – e quase pude sorrir com seu tom repreensivo. – Pra falar a verdade eu até preferia que você tivesse sido apenas um caso, seria mais fácil assim. Mas eu me apai...

- Shhhh – coloquei o dedo indicador em seus lábios o impedindo de falar e negando com um aceno. – Não diz isso, Hyoga. Só vai dificultar ainda mais as coisas.

- Shun, eu nem sei se vou conseguir ser aprovado...

- É claro que você vai ser aprovado – o interrompi pela segunda vez, sorrindo com sinceridade. – Você é maravilhoso dançando balé, não tem como você não ser aprovado, Hyoga. E eu vou torcer para que você consiga.

E por mais que eu tentasse parecer firme no que dizia, meus pensamentos estavam uma bagunça. Claro que eu estava sendo sincero e torcia mesmo para que ele conseguisse, mas ao mesmo tempo eu tinha que lidar com o fato de que ele iria embora para outro país e que provavelmente nunca mais nos veríamos.

Sem trocarmos mais nenhuma palavra começamos a tomar o chocolate quente e comer os biscoitos vagarosamente. Eu já nem lembrava mais que precisava voltar para casa. Só queria permanecer com Hyoga o tempo que me fosse permitido.

Mas assim que terminamos de comer, decidimos ir embora, vendo o tempo fechado indicando que nevaria e talvez não fosse pouco.

Quando saímos do café, Hyoga segurou minha mão não parecendo se importar se alguém iria olhar atravessado para fato de estarmos andando de mãos dadas. Eu apertei sua mão suavemente, não contendo o sorriso bobo que se formou nos meus lábios, nossos braços se tocando.

E não nos importamos com os poucos flocos de neve que começavam a cair enquanto caminhávamos sem pressa até a estação do metrô. Ao chegarmos lá paramos em frente as escadas, atipicamente sem ninguém ali por perto, talvez por conta do frio e da neve.

Hyoga ficou de frente para mim, a apenas um passo de distância me fazendo lembrar da primeira vez que ele havia me levado até a estação. Mas ao contrário da outra vez, em que ele apenas tinha quase roçado os lábios contra os meus, eu pude ver o exato momento em que ele se inclinou na minha direção, dando um passo e quebrando a distância.

Meu peito aqueceu ao vê-lo tão perto, o cheiro do seu perfume fazendo com que eu sentisse um frio gostoso na barriga. Então fechei os olhos segundos antes de sentir os lábios macios dele tocarem os meus levemente. Mas dessa vez eu não ia deixar que fosse apenas um toque suave.

Circulei com os braços o pescoço dele, puxando-o ainda mais para perto e selando nossos lábios antes de entreabrir os meus em um pedido mudo para que Hyoga aprofundasse o beijo. Ele apertou os braços em volta da minha cintura e nada me parecia mais perfeito do que estar beijando Hyoga em meio aos flocos de neve que caiam, mesmo que aquele fosse um beijo de despedida.

E quando ele partiu os lábios encostando a testa na minha, seus olhos presos aos meus, acho que me apaixonei uma segunda vez.

Ele sorriu, levando a palma da mão até meu rosto e acariciando minha bochecha com o polegar, enquanto minhas mãos estavam presas em seu casaco e eu relutava em ir embora. Mas fui o primeiro a se afastar depois de roubar um selinho dos lábios dele, sentindo os olhos arderem.

Nos despedimos. Sem promessas ou declarações. Apenas a certeza de que o quê sentíamos era de algum modo único e especial e que mesmo que não nos víssemos mais e tocássemos nossas vidas adiante, nunca conseguiríamos esquecer os momentos que tínhamos divido.

Desci as escadas apressadamente, antes que mudasse de idéia e pedisse que ele não fosse embora, que ficasse comigo. Tentei conter as lágrimas, mas não consegui segurá-las ao chegar ao metrô quase vazio. Um nó sufocando minha garganta juntamente com o aperto no peito.

E eu só podia desejar internamente que algum dia pudesse vê-lo novamente, pedindo que nossa história não tivesse acabado ali.


Terminei de fechar a mala, sendo ajudado por Ikki que ainda me olhava meio inconformado. Desnecessário dizer o quanto ele ficou chocado ao saber que eu tinha um namorado. Mas até que ele tinha digerido bem a informação mesmo que só tivesse ficado sabendo dela há uma semana atrás quando eu comunicara que iria viajar para a Rússia.

Na verdade eu desconfiava que ele sequer houvesse entendido realmente o que significava o fato de eu ter um namorado e não uma namorada.

Hyoga como já era de se esperar havia sido aprovado e agora fazia parte do seleto grupo de bailarinos do balé bolshoi. E eu estava indo vê-lo, passar as férias de verão com ele e ainda não acreditava que tinha conseguido as passagens. Já tinha quase seis meses que eu não o via.

- Eu já falei com June e ela disse que vai sempre dar uma passada aqui pra saber se tá tudo bem e vê se você está conseguindo sobreviver com a própria comida.

Ikki revirou os olhos ao me escutar, pegando minha mala e arrastando-a até a sala.

- Não preciso de uma babá, Shun.

- Eu sei, nii-san. Eu só quero ter certeza de que você ficara bem enquanto eu estiver fora.

- Eu ficarei ótimo – grunhiu em resposta e eu sorri, abraçando-o e pegando minha mala.

Eu ainda não conseguia acreditar que estava indo ver Hyoga, que ele havia me enviado as passagens dizendo que eu precisava ir vê-lo em sua estréia como um dos protagonistas em O Lago dos Cisnes.

E eu nunca esperaria que uma súbita idéia de fazer pintura, mesmo que eu não tivesse o menor talento para isso, faria com que eu me apaixonasse pela primeira vez e essa paixão me fizesse sair do Japão até a Rússia.

Mesmo assim eu podia dizer que aquela tinha sido a melhor idéia que eu já tinha tido naqueles dezenove anos de vida.

Porque tinha sido isso que havia me levado a encontrar alguém tão especial como era Hyoga.

FIM



N.A: Acho que ficou em aberto esse final, mas antes que vocês me matem, eu pretendo fazer uma continuação. Nada muito grande, uma one-shot ou two-shot de quando o Shun foi passar as férias de verão na Rússia e dessa vez acho que vai ser POV do Hyoga.

Eu não tenho idéia de quando vou publicá-la porque ainda nem comecei a escrever e eu sou muito lenta, mas eu vou tentar não demorar. E se alguém quiser ser avisado quando a continuação sair é só me avisar, caso não me tenha no author alert (porque eu não escrevo só fics deles dois e imagino que não deve ser muito legal para você ficar recebendo alertas de fics que você nem sequer vai ler, e eu também não quero incomodar ninguém). Então os que estiverem logados no site nem precisam deixar o e-mail, é só dizer que quer ser avisado que eu mando uma MP. Já os que não tiverem registro no site, deixem o e-mail que eu aviso assim que publicar.

Obrigada a todos que acompanharam e deixaram reviews. Fiquei feliz com cada uma delas. Se puderem comentar nesse capítulo aqui também e disserem o que acham de uma continuação eu agradeço.

Espero que vocês não tenham se decepcionado ^^~

Até a próxima!