CAP 2 – O HOSPICIO MUNICIPAL

Na semana seguinte, Inuyasha compareceu ao local marcado, a assistente social havia lhe dito para procurar a enfermeira Kaede, que lhe mostraria o local.

O hospício municipal era um velho casarão de muros altos cobertos por trepadeiras, no topo havia uma cerca elétrica, quem olhava de fora poderia facilmente confundir o hospício com uma cadeia.

Ao chegar na recepção encontrou uma senhora ruiva gorda, obesa na verdade, aparentava ter seus 50 anos. Ela usava óculos pequenos e tinha os cabelos crespos presos por um coque.

-O que deseja? – perguntou asperamente

-Estou procurando a enfermeira Kaede

-O que quer com ela?

-Vim cumprir a pena – disse entre os dentes

-Então você é o senhor rapidinho – começou a gargalhar

Inuyasha já estava a ponto de explodir, mas se conteve ao pensar na prisão.

-Vou chama-la – disse a recepcionista depois que terminou de rir.

Uma velha senhora veio acompanhando a recepcionista, a velha era baixinha que usava uma roupa branca, ela tinha uma expressão serena no rosto que transmitia tranqüilidade.

-Eu sou Kaede – disse se aproximando do jovem – pode me acompanhar.

-Eu sou o Inuyasha, caso queria saber – disse seguindo a velha que para a idade dela era bem rápida

-Eu já sei quem você é; agora vou lhe mostrar o lugar.

Inuyasha seguiu-a por toda a parte, e ficava chocado ao ver as pessoas gritando e batendo contra a parede, aquilo parecia o inferno em plena terra, pensava como poderia passar ali 3 meses; receava que ao final de 3 meses obrigatórios precisasse ficar lá mais tempo. Até que chegaram ao jardim, o local mais bonito daquele lugar sombrio. Havia uma bela fonte no meio do jardim que jorrava água cristalina que brilhava com os fracos raios do sol.

-Sei que esse não é o tipo de local que está acostumado a freqüentar – disse Kaede após um longo período em silêncio.

-Acertou em cheio velhinha

Inuyasha percorreu com os olhos toda a extensão do jardim; haviam muitos pacientes vestidos com suas camisolas brancas; eles brincavam, cantavam ou até mesmo falavam sozinhos.

-Inuyasha, você verá que essas pessoas tem mais a oferecer do aquilo que você vê.

De repente a figura de uma jovem que lhe chamou a atenção; a jovem conversava com uma mulher de cabelos negros longos e olhos da mesma cor, a mulher vestia uma camisola branca, era uma das internas. Inuyasha fitou a roupa da jovem, esta usava um vestido azul de mangas longas que ia até o joelho, isso fez Inuyasha deduzir que aquela jovem não era uma interna, tampouco uma enfermeira senão estaria com uma roupa branca, e, então, se perguntou quem seria a jovem. Kaede continuava falando com ele, mas este estava perdido em seus pensamentos, quando retornou a sua consciência ouviu a última frase da velha enfermeira.

-Há mais no coração do que podemos ver com os olhos.

Não sabia porque, mas aquela frase lhe causou um certo impacto. Inuyasha e Kaede permaneciam em pé no jardim quando notaram a aproximação de um rapaz de meia idade vindo em direção a eles.

-Senhora Kaede, venha depressa é a Ikko novamente.

-Inuyasha fique aqui. Retornarei em breve.

O rapaz balançou a cabeça e viu a velha se afastar dele rapidamente, sumindo no escuro corredor de acesso ao jardim; voltou novamente seu olhar a jovem que começava a caminhar pelo jardim, foi em direção a jovem que tanto lhe havia despertado interesse. Ao perceber a aproximação do rapaz a jovem se deteve em seu caminho e se aproximou de Inuyasha.

-Oi – disse a jovem

-Oi – respondeu sem jeito

-Você é novo aqui não é verdade? – perguntou a jovem amavelmente.

-Sim – respondeu a contragosto.

-Meu nome é Kagome – disse a jovem estendendo a mão ao rapaz

-Eu sou Inuyasha – apertou a mão da moça.

-Ah, então você é o rapaz que a Vovó Kaede esperava.

-Ela lhe contou o que eu faço aqui? – disse surpreso

-Veio cumprir pena por dirigir em alta velocidade. Todos já sabem da sua vinda.

Inuyasha parecia meio encabulado, não gostava de estar ali, pior ainda que sabiam o porquê dele estar ali. Kagome percebeu o constrangimento do rapaz.

-Olha não precisa ficar chateado. Eu posso ajuda-lo a se adapatar, não é tão ruim.

-Você também está cumprindo pena.

-Não, eu sou voluntária – disse a jovem abrindo um sorriso.

Inuyasha se surpreendeu ao saber que aquela jovem era voluntária num lugar daqueles, que trabalhasse ali era compreensível, mas ficar com aqueles malucos porque queria! Que tipo de pessoa poderia ser aquela moça se perguntava.

-Veja, Vovó Kaede está voltando. Eu tenho que ir.

-Verei você de novo? – perguntou sem jeito

-Claro! – respondeu sorridente enquanto retomava seu trajeto.

Kaede se aproximou de Inuyasha que ainda acompanhava os passos da moça.

-Vejo que já conheceu a Kagome. Ela é uma boa moça, poderá aprender muito com ela.

Inuyasha parecia bobo olhando para o caminho que Kagome havia trilhado, não se sentia assim há muito tempo. E nem mesmo quando voltou para casa pode tira-la do pensamento, não sabia se estava mais fascinado pela beleza da moça ou pela bondade de seu coração, e naquela noite nem teve vontade de sair, deitou-se em sua cama de lençóis de seda e ficou a pensar na moça, queria encontra-la no dia seguinte.