CAP 3 – UM NOVO HORIZONTE
Na manhã seguinte Inuyasha estava feliz, como há muito tempo não estava; era uma felicidade que não pode se explicar com palavras.
Estava indo para sua empresa quando seu celular tocou, ele pegou o pequeno aparelho que vibrava no banco do carro a seu lado, deu uma rápida olhada no visor para verificar quem era.
-Fala Kikyo – disse sem paciência
-Buenos dias, cariño. Estava com saudades.
-Deixa eu adivinhar, você está na Espanha – disse sem dar muita importância ao fato.
-Em Madrid para ser mais precisa.
-Ah – disse sem animo
-Esperei você me ligar ontem a noite
-Estive ocupado – respondeu de pronto
-Olha Inuyasha, só porque eu não estou ai saiba que continuo sendo sua namorada; poderia ser mais atencioso comigo.
-Kikyo, nos falaremos depois estou chegando a empresa e tenho muita coisa para resolver hoje – desligou sem esperar resposta da moça.
Assim que colocou os pés na sua sala sua secretaria Kagura entrou carregando um monte de papéis na mão. Kagura era uma secretária eficiente, apesar de as vezes querer resolver as coisas a seu modo sem consulta-lo, o que o irritava, mas ela já estava na empresa há muitos anos e melhor do que ninguém conhecia os tramites burocráticos da empresa, por isso seus pequenos deslizes eram perdoados.
-Senhor Inuyasha, estes documentos de exportação devem ser assinados; seu irmão pediu lhe telefonasse e devo lembra-lo de seu almoço com os executivos da Sword S/A. – disse a moça sem quase tomar fôlego.
-Obrigado Kagura – a secretária fez menção de sair, quando Inuyasha a chamou novamente – Ah, quero que desmarque todos os meus compromissos no horário das 15:00 as 18:00h, e não marque nenhum compromisso para esse horário pelos próximos 3 meses. Só isso, pode se retirar.
Inuyasha teria que adaptar a sua punição a sua rotina de vida. Não gostava muito de ter que passar 3 horas por dia num lugar de malucos, como se referia ao hospício, mas era obrigado a cumprir a pena.
-Maldito delegado, poderia muito bem ter me passado uma multa; ao invés disso me mandou cuidar de um bando de doidos – disse dando um soco na mesa - ...Tomara que aquela garota esteja lá – disse abrindo um leve sorriso.
As 15:00h Inuyasha compareceu ao hospício conforme marcado, aquele lugar lhe causava arrepios, não via a hora de terminar esse pesadelo. Quando estava prestes a entrar no velho casarão seu celular tocou novamente, olhou rapidamente no visor para verificar a origem da chamada e atendeu amarrando a cara.
-Kikyo você novamente, não disse que estava ocupado.
-Inuyasha que raios está acontecendo com você. Por que está me tratando dessa maneira? Saiba que eu não sou uma de suas vadias.
Inuyasha já começava a se sentir mal por trata-la daquela maneira, afinal era sua namorada e já estavam quase noivos, se ele não segurasse o relacionamento, por Kikyo já estariam casados. Percebendo o quão indelicado estava sendo com a moça resolveu se desculpar.
-Me desculpe Kikyo. A sua partida e essa maldita pena estão sendo difíceis para mim – mentiu, pelo menos na primeira parte.
-Meu amor, tem que se controlar; dentro de um mês estaremos juntos novamente. Sabe que eu te amo.
-Eu também – disse sem animo – agora eu preciso ir.
-Está certo, me liga quando você chegar.
Inuyasha não disse mais nada apenas desligou o aparelho celular, não queria mais ligações enquanto estivesse lá, nem de Kikyo, nem de qualquer outra pessoa.
Inuyasha pensou nas palavras de Kikyo, 'eu te amo' ela havia dito. Amor, não sabia se era isso o que ainda sentia por Kikyo; talvez no começo da relação ela o fizesse feliz, mas agora sentia que a relação deles era baseada num comodismo; ele custeava seus luxos e com isso tinha noites de paixão, uma relação sólida e uma companhia para eventos sociais. Era isso que Kikyo representava na sua vida, mas porquê questionar isso afinal todas eram iguais: interesseiras e fúteis, mas enquanto houvesse noites preenchidas de paixão bastaria.
Ao adentrar na recepção viu o lugar da recepcionista vazio, ao lado do balcão estava a pessoa que ele queria tanto encontrar.
-Kagome – disse chamando a atenção da jovem
-Olá Inuyasha, vejo que compareceu novamente ao seu compromisso.
-Como se eu tivesse escolha – disse desanimado
A jovem sorriu. A recepcionista abriu uma pequena porta que dava acesso ao interior do hospício, e ao avistar o rapaz abriu um sorriso malicioso.
-O senhor rapidinho está de volta. Pensei que depois de ontem não voltaríamos a vê-lo.
Definitivamente aquela mulher o irritava, já estava prestes a dar uma resposta mal-educada a mulher quando Kagome interviu por ele.
-Oras Hatuki, deixe o rapaz em paz. Ele parece ser muito responsável, tenho certeza que o que fez foi um deslize e nada mais.
Inuyasha gostou de ouvi-la defendendo-o, claro que se Kagome o conhecesse não diria que o que aconteceu foi um deslize; e sim resultado de muitas noitadas terminadas da mesma maneira: bêbado ao volante. A recepcionista levantou os ombros e se sentando na cadeira começou a digitar no computador.
-Venha eu te acompanho – disse gentilmente a jovem para Inuyasha que apenas balançou a cabeça em sinal de concordância.
-Obrigado pelo que disse, mas talvez não me conheça o suficiente para me defender dessa maneira.
-Talvez eu saiba que o que fez não foi a primeira vez, e que essa pena é muito bem aplicada.
-Como se ficar com malucos me ajudasse em alguma coisa.
A jovem virou irritada para Inuyasha, seu semblante sempre calmo agora mostrava um misto de raiva e desapontamento.
-Nunca mais os chame de malucos.
-Bah por que ficou tão nervosa? Se o que disse é verdade, são todos malucos.
-Já disse para não os chamar assim – repreendeu a garota
-Acha que algum deles tem consciência do que acontece, não! Por que se preocupa tanto? Vem aqui por caridade.
-E você só está aqui porque foi obrigado.
-E que outro motivo uma pessoa teria para vi a um lugar desses?
Uma lágrima escorreu do rosto da jovem, e ao vê-la chorar Inuyasha se arrependeu amargamente de ter dito aquilo.
-Escute me desculpe pelo que disse.
Kagome limpou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto, no fundo não culpava Inuyasha por pensar daquela maneira; afinal todos pensavam como ele, o que ninguém sabia era a história de vida de cada uma daquelas pessoas que eram escravas de sua própria mente. Kaede se aproximou dos dois.
-Bom tarde, senhor Inuyasha vejo que compareceu hoje novamente.
Inuyasha já estava irritado com aquele tipo de comentário, afinal por que não viria? Não estava sendo obrigado a vir?
-Hoje vou lhe apresentar a um paciente – continuou a velha enfermeira.
-Com licença – disse Kagome se retirando.
Inuyasha olhou a jovem caminhar pelo corredor e sumir nas sombras. Inuyasha e Kaede seguiram por outro caminho, ao passar pelos corredores, o jovem arriscava uma rápida olhada para dentro dos quartos e o que via era a mesma cena se repetindo pessoas gritando, chorando e batendo com a cabeça na parede.
-Este é o quarto
Estavam em frente ao quarto de número 12. Inuyasha entrou seguido de Kaede; o quarto não era diferente aos demais tinha uma cama de solteiro com um lençol de pano branco e uma travesseira branca, as paredes também brancas estavam com a tinta se desprendendo da parede. A cor branca por todo o quarto dava uma certa monotonia ao ambiente. Próximo a janela estava uma velha senhora, olhando para o horizonte. Kaede se aproximou da velha senhora lhe tocando no ombro, Inuyasha ficara observando de longe.
-Meu filho já chegou – perguntou a velha com certa esperança no olhar
-Não, seu filho ligou e disse que não poderá vir hoje. – respondeu Kaede.
-E meu marido por que não veio?
- Ele também não poderá vir, quem sabe amanhã
-Eu sei que eles vão vir – a velha olhou para Inuyasha e abriu um terno sorriso – que rapaz mais bonito, se parece com meu falecido filho.
Inuyasha estava mais confuso do que a velha, pois esta acabara de perguntar se o filho não tinha vindo e agora dissera que o filho estava morto.
-Esse rapaz vai ficar conosco por um tempo – respondeu Kaede – não quer se apresentar para ele?
-Sim. Meu nome é Lyu.
-Lyu era uma importante pesquisadora do câncer, ela recebeu até mesmo um importante premio da ciência por suas descobertas com células tronco – completou Kaede
-Eu trabalhava num importante laboratório que patrocinava minhas pesquisas. Fizemos importantes descobertas e recebemos muitos prêmios – continuou Lyu.
-E por que você está aqui, Lyu? Conte ao Inuyasha.
-Eu estava trabalhando em outra cidade, e meu filho e meu marido disseram que vinham me ver, mas eles tiveram um acidente de carro; depois disso me trouxeram para cá para esperar por eles.
Inuyasha logo desconfiou que a mulher havia perdido o marido e o filho no acidente, e se recusava a aceitar a morte deles.
-E eles vão vir, não é mesmo? – disse Kaede passando confiança para a velha senhora
-Sinto que eles estão cada vez mais próximos de mim.
Inuyasha e Kaede saíram do quarto, Inuyasha ainda estava perplexo com que escutara; não compreendia como uma mulher tão culta e inteligência estava num lugar daqueles esperando o marido e o filho que nunca viriam.
-Ainda acha essas pessoas malucas?
-Por que ela está num hospício municipal?
-Depois da morte de seus entes queridos, sua família a internou aqui como louca e ficou com todo o seu dinheiro.
Inuyasha estava espantado com o que ouvira; como poderia existir pessoas assim, pensava.
-Ah, preciso ajudar a Lyu para tomar seu medicamento, me espere aqui no corredor volto em seguida – disse entrando novamente no quarto.
