CAP 4 – O QUARTO DE NÚMERO 13

Ainda perplexo com a história da velha senhora, Inuyasha olhava para a porta aberta do quarto vizinho, o quarto de número 13. Dentro do quarto estava uma garota que aparentava ter seus 16 anos, ela estava sentanda na cama com as costas apoiadas numa travesseira. A garota de cabelos loiros e olhos azuis vazios olhava fixamente para a parede; viu um dos enfermeiros lhe empurrar uma colher de comida que a garota imediatamente começou a mastigar, notou que a garota tinha os braços relaxados e mantinha sempre a mesma expressão; o jovem se aproximou mais da porta quando sentiu alguém lhe tocar o ombro, assustou-se.

-O que tanto olha Inuyasha?

-Quem é essa garota?

-O nome dela é Meyru. Ela era ginasta, até descobrir aos 8 anos ser portadora de leucodistrofia().

-O que isso? – perguntou intrigado

-Como posso explicar de uma maneira que entenda? – pensou alto Kaede – Inuyasha – começou a explicar - de uma maneira simplificada nessa doença ocorre uma destruição da camada de proteção dos neurônios; pouco a pouco uma pessoa até o momento saudável passa progressivamente a apresentar sintomas sérios como cegueira, paralisia parcial, perda do tônus muscular, convulsões, perda da coordenação motora, enfim a pessoa começa a ter uma regressão na sua atividade de vida.

Inuyasha estava perplexo com o que ouvira, não sabia que existia um tipo de doença como esse onde uma pessoa normal vira um vegetal, por assim dizer.

Inuyasha se dirigiu ao jardim que estava vazio, a ameaça iminente de chuva havia feito com que os internos ficassem em seus quartos.

-"Ela não está aqui, será que já foi embora?" – pensava olhando para o céu.

Uma fina chuva começou a cair, e logo essa fina chuva se transformou numa tempestade. Inuyasha verificou as horas, já eram 18:10h, era hora de partir. Passou pela recepção, o balcão estava vazio, mas na porta lá estava ela olhando a chuva forte que caia.

-Pensei que tivesse ido embora

-Gostaria de já ter ido – respondeu apontando para fora

-Aceita uma carona? – perguntou educadamente

-Não sei se devo – disse olhando para o rapaz e em seguida virando a cabeça para fora novamente - talvez espero a chuva passar.

-Talvez passe a noite inteira aqui – disse se aproximando

-Não quero pensar nessa possibilidade, tenho que terminar uns arranjos florais para amanhã cedo – disse preocupada

-Meu carro está aqui próximo. Eu não vou lhe fazer nada de mal

Kagome olhava para o rapaz que estava bem próximo dela, não sabia se fazia bem ou mal em aceitar a carona oferecida pelo jovem, mas como não podia passar a noite naquele lugar resolveu aceitar.

-Está bem, aceito sua carona – disse abrindo um sorriso

A chuva caia torrencialmente, e a visibilidade da estrada era fraca. Kagome estava sentada ao lado de Inuyasha, ambos estavam calados e não trocavam uma palavra; até que Inuyasha resolveu quebrar o silêncio.

-Ainda está brava comigo?

-Não, de maneira alguma – disse balançando a cabeça.

-Escute Kagome sinto muito pelo que disse.

-Sabe Inuyasha, ninguém acreditava que você fosse durar mais de um dia naquele lugar. Eu achei que as pessoas estavam lhe julgando mal, e que você poderia aprender alguma coisa com esses malucos, como você os chama.

-Por isso me defendeu?

-Eu acredito nas pessoas; e sei que elas podem ser mais do aquilo que aparentam – disse abrindo um discreto sorriso.

-É acho que não são todas iguais – sussurrou abrindo um largo sorriso

-O que disse? – perguntou Kagome curiosa

Inuyasha apenas balançou a cabeça e continuou dirigindo

-Sabe Kagome, hoje fui visitar a velha Lyu.

-Vovó Kaede lhe contou sobre ela?

-Sim, e pensei na minha mãe.

Inuyasha não sabia por que havia dito aquilo para Kagome, mal a conhecia e já estava falando sobre sua mãe com ela, ele nunca sequer comentou algo a respeito de sua mãe com Kikyo, talvez Kikyo também não se interessasse em saber.

-Por que pensou na sua mãe?

-Minha mãe morreu quando eu tinha 5 anos, não me lembro muito dela.

-Inuyasha, você pelo menos conheceu sua mãe e ainda que não se lembre muito dela sabe que ela existiu e com certeza lhe amou muito. Quanto a mim não posso dizer se minha mãe realmente gostava de mim, porque nunca a conheci; cresci num orfanato.

Inuyasha não sabia o que dizer, realmente não devia ter sido fácil para Kagome crescer num orfanato. A chuva já havia diminuído sua intensidade.

-Esse é o endereço, chegamos – disse Kagome apontando para uma loja.

Inuyasha olhou para fora do vidro e viu uma floricultura. No alto da loja havia uma placa branca com letras rosas, onde se lia o nome da loja: SHIKON FLOWERS.

-Você mora numa loja de flores? – perguntou intrigado

- Depois que sai do orfanato vim trabalhar nessa loja, e o dono dela me deixa dormir nos fundos da loja.

-Kagome eu sempre compro flores nessa loja, mas nunca a vi trabalhando aqui.

-E nunca me veria, eu trabalho na parte interna da loja fazendo os arranjos.

-Você faz os arranjos! – disse surpreso - Eles são muito lindos.

-Obrigada. Aliás, Inuyasha, eu sei que você sempre compra flores aqui; é um dos nossos melhores clientes – disse saindo do carro.

Inuyasha sai do carro também

-E sabe para quem eu mando essas flores?

-Eu só cuido dos arranjos e não das encomendas. Eu sempre o vejo na loja comprando flores, acredito que seja para sua namorada.

O que ela diria se soubesse que Kikyo não era a única que recebia flores dele? Nem quis arriscar falar nada mais, pois poderia se comprometer.

-Inuyasha obrigado pela carona.

-Amanhã vai estar lá?

-Como todos os dias.

# LEUCODISTROFIA#

Explicando um pouco melhor essa doença: nosso cérebro é formado por redes de neurônios, por sua vez esses neurônios são recobertos por uma camada de gordura que lhes confere proteção, essa camada é chamada de bainha de mielina.

Na leucodistrofia ocorre uma destruição progressiva dessa bainha de mielina, ocasionando alterações neurológicas pronunciadas.

Essa doença normalmente se inicia na infância em crianças aparentemente normais; e existem vários tipos de leucodistrofia.

CURIOSIDADE: Leucodistrofia era o nome da doença que o menino apresentava no filme O ÓLEO DE LORENZO.

AUTORA: VOU DAR UMA ADIANTADA NO TEMPO, ASSIM A HISTÓRIA NÃO FICA TÃO LONGA.