CAP 5 – O CONVITE
Já havia se passado mais de um mês desde Inuyasha havia começado a cumprir a pena trabalhando no Hospício Municipal. Durante esse tempo, sem que percebesse, Inuyasha tinha mudado bastante, o convívio com aqueles pacientes e conhecer a história de cada um o fez tornar-se mais sensível; e a grande responsável pela mudança era uma jovem que trabalhava de voluntária naquele lugar. Inuyasha e Kagome haviam te tornado bons amigos, uma relação construída a cada dia, durante o café da tarde que tomavam quando saiam do hospício.
Inuyasha se sentia feliz ao lado da moça, ela transmitia uma certa segurança que o rapaz jamais experimentara ao lado de nenhuma outra mulher; ele lhe contava sobre tudo o que acontecia na sua vida: seu irmão, sua empresa, a herança de seu pai, problemas que empresa enfrentava, seus amores passados, até mesmo sobre seu relacionamento de comodismo com Kikyo; era estranho para Inuyasha poder contar tudo isso a uma garota que ele conhecia a tão pouco tempo, nem mesmo com Kikyo havia aberto seu coração dessa maneira, mas também Kikyo nunca o deixava falar, quando se encontravam par conversar o assunto preferido da moça eram as fofocas do meio social ou então as maravilhosas coisas que ela queria comprar. Já Kagome era diferente, ela o escutava, as vezes durante horas sem questionar ou dizer que estava aborrecida. Inuyasha também a escutava e se fascinava com a vida simples que a moça levava, sendo órfã e trabalhando numa loja de flores; quantas pessoas, assim como ele, compravam seus magníficos arranjos e nunca a elogiavam pessoalmente, pois nem se quer a conheciam, numa pequena sala atrás da bela loja, a moça criava os mais belos arranjos e buquês da cidade.
Não posso esquecer de mencionar o relacionamento do Inuyasha e da Kikyo durante esse tempo; ainda que estivessem longe um do outro o relacionamento de ambos estava conturbado, de um lado Inuyasha que estava cada mais próximo a Kagome, e do outro Kikyo que já estava cansada da maneira fria que o namorado a vinha tratando. Kikyo imaginava o motivo dessa atitude, seria porquê ele estava apaixonado por outra vadia. Desde que estavam juntos Inuyasha já havia se apaixonado por 3 outras mulheres, eram romances bobos que não duravam mais do que alguns dias e acabavam sempre da mesma forma: Inuyasha na cama dela depois de uma noite de amor; era uma questão de esperar sabia que esse 'casinho' não ia durar muito, e se o que ele precisava era de tempo para comprovar que todas eram iguais e por fim decidir voltar para seus braços arrependido, Kikyo lhe daria tempo; para isso ela mudou a data de sua volta ficaria mais um mês na Europa, afinal boa parte da viagem estava sendo patrocinada pela empresa de Inuyasha. A outra parte da viagem estava sendo paga por seu amigo e amante Narak.
Narak era o tipo de amigo que Kikyo mantinha perto para as noites de solidão, era nos braços dele que ela adormecia enquanto seu namorado se deitava com uma puta qualquer. E agora ele estava na Europa com ela, esse também foi um dos motivos dela ter adiado sua volta, poder aproveitar a vida na Europa ao lado dele. Narak era vice-diretor de uma empresa de viagens, não era tão rico quanto Inuyasha e nem tão jovem; mas a maturidade de Narak era o fazia Kikyo se sentir protegida ao lado dele, ainda que no fundo Kikyo soubesse que Narak a usava apenas para diversão, afinal nunca lhe propôs algo mais sério, mas também Kikyo queria mesmo ser a futura esposa de Inuyasha e assim colocar as mãos no dinheiro da empresa Tessaiga&Cia
Inuyasha já estava de saída para o seu compromisso com a justiça, quando sua eficiente secretária se aproximou do rapaz para lembrar-lhe do jantar com os executivos da WORLD COMPANY.
-Senhor Inuyasha, deve comparecer ao jantar as 21:30h. Lembre-se que os britânicos prezam a pontualidade.
-Já sei Kagura, obrigado – disse terminando de vestir o paletó, elevando a mão ao queixo começou a pensar – "Devo ir acompanhado, essa maldita Kikyo me deixou na mão outra vez. Para que ela serve afinal de contas? Quem pode ir comigo? Deve ser alguém apresentável e distinta."
Durante todo o caminho até o hospicio Inuyasha foi consultando sua vasta lista de contatos femininos que pudessem acompanha-lo, mas ao chegar na porta do hospício encontrou a mulher ideal para acompanha-lo, bastava apenas ela aceitar.
O dia já estava se acabando e Inuyasha não tinha se encontrado ainda com Kagome, resolveu ir até o jardim, talvez ela estivesse lá.
Ao chegar no jardim Inuyasha ficou observando a bela moça conversando com um dos internos, ao perceber a presença do rapaz, Kagome pediu licença ao homem que falava pela décima vez sobre sua casa imaginária em Miami Beach e foi até Inuyasha.
-Sabia que lhe encontraria aqui
-Vovó Kaede me disse que tinha ido visitar a Senhora Lyu
-Ela me acha parecido com seu filho. O estado de saúde dela está piorando a cada dia, achei que seria legal ir visita-la.
Kagome abriu um sorriso ao escutar Inuyasha falar sobre a Senhora Lyu
-O que foi? Por que essa cara? – perguntou intrigado com o sorriso da garota
-Eu estava certa!
-E no que você estava certa?
-As pessoas tem mais no coração do que os olhos podem ver – disse colocando o dedo sobre o lado esquerdo do peito de Inuyasha.
Inuyasha sorriu em cumplicidade com a moça.
-Kagome você conhece a garota do quarto 13, a Meyu?
-Não muito – disse fingindo não muito interesse.
-Ela é uma garota muito bonita que vive em cima de uma cama, com certeza deve conhece-la – insistiu
-Inuyasha já disse que não a conheço – disse um pouco irritada.
O rapaz achou estranho Kagome não conhecer, afinal ela falava com todos os pacientes e conhecia cada um pelo nome, no entanto continuou.
-Kaede me disse que ela tem chamada leucodistrofia – Kagome olhava para o chão enquanto escutava Inuyasha falar – Kaede me contou que a leucodistrofia é uma doença degenerativa rara...
-Inuyasha, eu sei o que é leucodistrofia – disse irritada
Inuyasha a olhou surpreso, não esperava esse tipo de reação por parte da garota, e também não entendia o porquê dela ter ficado tão chateada. Kagome também percebeu o que estava fazendo e tentou se redimir, afinal ele não tinha culpa.
-Me desculpe Inuyasha. É que não gosto de pensar nessas coisas.
-Eu fiquei com pena da garota, sabe deve ser difícil você ter uma vida normal e de repente estar numa cama...
-Inuyasha, que tal falarmos sobre outra coisa – cortou Kagome
Inuyasha não entendeu o motivo de Kagome não querer tocar no assunto da garota com leucodistrofia, mas concordou em mudar de assunto; tinha algo que ele perguntar-lhe, ainda que o momento não parecesse assim tão ideal resolveu arriscar, não tinha muito tempo mesmo.
-Kagome, poderia te pedir um favor?
-Claro, se puder ajudar – disse a garota solicita
-Poderia me acompanhar a um jantar esta noite?
Kagome estava surpresa com o pedido do rapaz.
-Inuyasha por está me pedindo isso?
-Vou ser sincero com você. Kikyo está em Londres, não que ela ligue muito para mim, já sabe, mas normalmente é ela que me acompanha a esses jantares sociais, não posso aparecer sozinho.
-Então quer apenas companhia para o jantar, talvez sua namorada não goste de ser substituída – disse com desdenho
-Kagome, a Kikyo tem sido para mim apenas uma companhia para eventos sociais, e nada mais; e se a questão é substistui-la acredito que já devia ter feito isso há muito tempo.
Kagome sabia que Inuyasha usava Kikyo apenas para manter as aparências, pois uma vez presenciara uma conversa entre ele e a namorada no telefone, e surpreendeu-se com a maneira fria que se tratavam. A verdade é que Inuyasha se escondia atrás desse relacionamento para não se envolver com mais ninguém, tinha medo de se apaixonar; e esse fato Kagome havia percebido há um bom tempo; Kagome o conhecia melhor do que Inuyasha imaginava que ela pudesse conhece-lo.
No entanto a questão era se ela devia ou não aceitar a proposta de Inuyasha. Não que tivesse medo dele ou receio de estar fazendo algo errado, mas o fato de que eles já estavam próximos demais para o conforto dela; assim como Inuyasha, Kagome não queria se envolver afetivamente com ninguém, e sabia que se aceitasse estaria dando mais um passo para estreitar os laços que começam a se formar entre eles.
-Kagome já está a um tempão me olhando em silêncio. Quero saber se vai ou não aceitar ser a minha companhia.
-Não sei sou uma companhia ideal para esses jantares, além do mais, não tenho roupa para a ocasião.
-É só isso? – disse Inuyasha aliviado
-Como assim é só isso?
-Quando sairmos daqui vamos passar no shopping, onde compraremos um belo vestido para você e sapatos a combinar; te deixo na sua casa e passo lá as 9 para te buscar.
-Inuyasha espera um momento, quem disse para você que eu aceitei ir?
-Bah! Não se preocuparia com a roupa se não quisesse ir.
-Então acha que conhece as mulheres
-Não conheço todas, mas conheço muitas – disse zombando.
-Ah! Eu não acredito no que disse; eu vou jantar com um pervertido.
Inuyasha a puxou pela mão, e correram pelo meio do jardim em direção a recepção; os pacientes olhavam o jovem casal, alguns batiam palmas e outros ficavam olhando admirados. Do canto do jardim Kaede os observava e seu pensamento foi para Kagome.
-"Minha querida sei que merece ser feliz, mas não pode se enganar e nem engana-lo."
Kaede se preocupava com o futuro da relação de ambos, sabia que Inuyasha não era o tipo ideal de homem para Kagome, pertenciam a mundos distintos; mas essa não era a única barreira que os impedia de ficar juntos havia outra ainda maior, uma barreira incapaz de ser quebrada. Entretanto, no momento Kaede se preocupava que Inuyasha estivesse brincando com os sentimentos da jovem.
