CAP 10 – A VIDA DE QUEM SE AMA

A punição de Inuyasha havia acabado há 6 meses atrás, mas este ainda ia freqüentemente visitar os pacientes, e Kagome mantinha sua rotina de ir até lá diariamente.

-Kagome, tenho notado que anda um pouco abatida – disse Kaede a jovem que estava sentada a seu lado no jardim do hospício.

-Morando agora com Inuyasha a minha vida tem estado mais agitada; ele sempre tem muitos compromissos e faz questão de me arrastar para cada um deles.

-Tem se cuidado?

-Claro – respondeu abrindo um sorriso – agora preciso ir, Inuyasha não demorar para vir me buscar.

Kagome deu um impulso e se levantou do banco, foi quando sentiu uma tontura e perdeu os sentidos, caindo no chão. Quando despertou já era começo de noite, estava deitada numa cama e quando fez menção de levantar-se sentiu-se tonta novamente.

-Não deve se esforçar desse jeito – disse Kaede que permanecia a seu lado.

-Vovó Kaede, onde está o Inuyasha? – perguntou percorrendo os olhos pelo quarto

-Ele ainda não veio, deve ter se atrasado.

Kagome começou a se levantar novamente, mas dessa vez com calma.

-Quando ele chegar, por favor, não diga o que aconteceu – suplicou a jovem – não quero preocupa-lo

-Kagome, essa não é a primeira vez, não é verdade? – questinou Kaede

-Não.

-Há quanto tempo?

-Há dois meses os sintomas começaram a ficar mais fortes.

-E não contou nada a ele.

-De que adiantaria, preocupa-lo com bobagens. Se não há cura para esse mal – se apoiou no batente da porta – não vou faze-lo sofrer comigo a cada dia.

-E o que pretende fazer quando não puder mais esconder?

-Eu já tomei uma decisão há muito tempo, e quando chegar o momento certo será isso que farei.- disse com convicção.

Um dos enfermeiros entrou no quarto.

-Kagome, Inuyasha a espera

-Por favor, diga a ele que já vou – assim que o enfermeiro saiu, Kagome virou-se novamente para Kaede – eu lhe peço que não diga uma palavra.

-Está bem – concordou.

Com um pouco de dificuldade Kagome caminhou até a recepção onde Inuyasha a esperava com um olhar de preocupação e tristeza, Kagome imaginou que alguém houvesse contado a ele sobre seu desmaio, mas resolveu esperar que ele dissesse primeiro. Ao se aproximar do rapaz lhe deu um selinho.

-Me desculpe Kagome pelo atraso, tive que revisar alguns documentos antes de sair da empresa, e...- Inuyasha silenciou-se por um momento, abaixando os olhos para não encara-la - Kikyo sofreu um acidente

-Ah! – disse sem demonstrar nenhum sentimento.

Kagome se sentiu aliviada por Inuyasha não ter descoberto seu desmaio, mas por outro sentiu uma pontinha de ciúmes pela preocupação que Inuyasha estava demonstrando com a ex-namorada que havia sofrido um acidente. Não que Kagome odiasse Kikyo, mas digamos que algumas atitudes que Kikyo tomara para separa-los fizeram Kagome não gostar tanto da ex de seu noivo.

-E como foi? – perguntou fingindo interesse

-Faz dois dias, mas somente me ligaram hoje à tarde para avisar. Parece que ela estava com Narak que dirigia em alta velocidade e estava alcoolizado, ele perdeu o controle do carro e acabaram caindo num barranco, Narak morreu na hora, mas Kikyo foi hospitalizada – resumiu Inuyasha.

-Nesse caso deve ir visita-la.

-Vim te buscar para que me acompanhasse até o hospital.

-Sabe Inuyasha eu estou um pouco cansada, trabalhei muito hoje na floricultura, eu prefiro ir para casa, mas pode ir vê-la.

Kagome estava explodindo de ciúmes por dentro.

-Eu vou leva-la para casa.

-Não precisa se incomodar, eu pego um táxi.

-Kagome

-Já disse que está tudo bem, pode ir. Eu vou te esperar no seu apartamento.

Diante da insistência da garota, Inuyasha foi sozinho visitar Kikyo. Assim que Inuyasha saiu Kagome se encostou no balcão e apoiando as costas neste, escorregou até o chão.

-Tudo está sempre bem Inuyasha - colocou as mãos na cabeça

Inuyasha chegou no hospital e perguntou por Kikyo no balcão de informações, a enfermeira logo lhe indicou o quarto no qual Kikyo estava internada. Inuyasha entrou no quarto e viu Kikyo ali cercada de aparelhos.

-Oi

-Inuyasha, que surpresa. Não esperava que viesse me ver.

-Soube somente hoje o que havia acontecido.

-Parece que a minha imprudência me trouxe até aqui

-Sinto muito por Narak

-Oras Inuyasha, sabia que ele era meu amante, e me diz que sente pela morte dele.

Inuyasha mantinha um olhar triste e preocupado.

-Sei que também não agi certo com você – disse Inuyasha tentando explicar-se.

-Acho que nós dois nos machucamos demais. Eu com meu jeito e você com suas amantes.

Ambos se entreolharam, e o silêncio tomou conta do ambiente. Kikyo percebeu que o tempo todo Inuyasha permanecia cabisbaixo e com um olhar triste, era como se seu corpo estivesse ali diante dela, mas sua mente estava longe dali; e Kikyo arriscou um palpite de onde estaria seu pensamento.

-E a sua mulher? – perguntou Kikyo com pouco interesse, apenas para confirmar suas suspeitas.

-A Kagome foi para casa.

-Entendo. Eu também faria a mesma coisa no lugar dela.

-Eu a estou perdendo para um mal do qual não posso salva-la

Inuyasha tinha os olhos marejados, precisava desabafar ainda que fosse com Kikyo.

-O que disse? Por acaso sua mulher está morrendo? – perguntou incrédula e um pouco chocada.

Kagome chegou no apartamento vazio e foi logo tomar um banho; depois deitou-se na cama deu uma rápida olhada no relógio, já eram 10 horas, fechou os olhos e adormeceu. Acordou de repente com alguém a abraçando forte, viu Inuyasha agarrado a seu corpo.

-Inuyasha

-Kagome não me deixe. – pedia desesperado, nunca o tinha visto assim.

-Inuyasha, o que está dizendo? Pare com essas bobagens, eu estou bem e estou aqui.

-Já começou não é verdade – disse olhando nos olhos da garota.

-Do que está falando? – Kagome se levantou ficando frente a frente com Inuyasha

-Por que está escondendo isso de mim? – Inuyasha levanta-se também.

-Inuyasha, eu não sei o que aconteceu, mas é melhor você descansar; amanhã conversaremos.

-Não pretendia me contar que desmaiou hoje lá no hospício. – disse bravo passando a mão na cabeça.

-Como sabe? – surpreendeu-se.

Kagome ficou surpresa com o fato dele saber do ocorrido; mas agora ela entendia o porquê daquele olhar de preocupação e tristeza, era por ela e não pela Kikyo.

-Está escondendo isso de mim. Pensa que não noto como está abatida, e que à noite você senta-se na cama apoiando com as mãos a cabeça, e que finge não saber das coisas apenas para não admitir que não se lembra delas!

Kagome tinha o rosto ensopado de lágrimas, as quais ela tentava limpar em vão.

-O que quer que eu faça, eu já não posso controlar isso, eu não posso!

Inuyasha a abraçou e a beijou tirando-lhe todo o ar de seus pulmões, não queria perde-la, a amava demais para deixa-la partir, para afastá-la de seus pensamentos e da sua vida. No entanto Inuyasha sabia que estava começando; e desde começo ele sabia que teria que ser forte para apóia-la, mas quem o apoiaria?

Kagome tentava esconder os efeitos colaterais da doença de Inuyasha, mas este já os havia notado há muito tempo ainda que preferisse se calar quanto a isso.

Obrigado aos leitores que vem acompanhando a fic, e aqueles que deixaram reviews.