CAPITULO 12 – DIAS DE INVERNO

Nos meses seguintes ao casamento de Kagome e Inuyasha, o estado de Kagome havia piorado bastante, e a jovem não pode mais esconder isso de Inuyasha. Tarefas simples do dia a dia começavam a ficar mais difícil de serem executadas por Kagome, pouco a pouco estava perdendo a coordenação motora, motivo que a fez abandonar seu serviço na floricultura, ela chorou muito no seu último dia de trabalho. Sua memória também começava a falhar, no começo não se lembrava de coisas sem muita importância como datas e recados informais, mas depois começaram a desaparecer suas lembranças. Kagome sentia-se cada vez mais se perder para esse mal que a consumia e a matava pouco a pouco; Inuyasha via esposa passar por tudo isso calado, a acompanhava as consultas médicas, mas sem perspectivas positivas para o futuro da doença.

Os dias de inverno chegaram, e Kagome começou a perder a razão.

-Kagome eu estou em casa.

A jovem o olhava com desconfiança, Inuyasha se aproximou dela e a abraçou, mas Kagome o empurrou para longe.

-Fique longe de mim – gritou

-Kagome, o que está acontecendo? – disse se aproximando novamente da jovem

-Não quero que me toque – disse Kagome colocando a mão na cabeça

-Kagome, fique calma. Você precisa descansar.

-Estava com ela, não é verdade

-De quem está falando?

-Kikyo, estava com ela

-Kikyo está em Londres, se lembra.

-Não, ela estava com você. Eu vi vocês juntos.

-Não pode ter visto se estava aqui o tempo todo, além disso, a Kikyo está em Londres; ela mora lá.

-Não! – gritou

Kagome correu até o barzinho onde Inuyasha guardava as garrafas de bebidas, ela pegou uma garrafa de wisky e jogou no chão espalhando líquido pelo chão, depois com o braço empurrou a bandeja de copos que se fragmentaram em mil pedaços em contato com o solo.

-Kagome pare com isso, vai se machucar – pediu Inuyasha se aproximando da jovem que estava descalça.

Kagome sentiu as pernas fraquejarem, tentou se agarrar no balcão, Inuyasha percebendo que a jovem estava cambaleante correu para ampara-la, Kagome acabou perdendo os sentidos e caiu, Inuyasha tentou segura-la com o braço direito, mas o peso do corpo da garota fez com que ambos caíssem em meio aos cacos de vidro, foi quando uma lasca do vidro da garrafa de wisky atravessou o braço de Inuyasha que protegia Kagome com seu próprio corpo, o sangue começou a escorrer pelo chão, manchando o piso e as roupas de Kagome.

Com dificuldade Inuyasha retirou o caco de vidro de seu braço, e levantou-se e pegando a garota no colo, colocou-a no sofá. Kagome havia sofrido apenas alguns arranhões nas pernas e no braço, nada muito sério, pois Inuyasha havia se interposto entre ela e os vidros que estavam no chão. A jovem despertou e olhou para os cacos de vidro manchados de sangue no chão e viu que do braço de Inuyasha escorria muito sangue, ela elevou a mão a boca e começou a chorar em desespero, Inuyasha sentou-se a seu lado e a abraçou.

-Eu sinto muito Inuyasha – repetia entre soluços.

Inuyasha foi até o banheiro se limpar, ele tirou a camisa fez um curativo no seu braço que ainda sangrava. Depois voltou a sala trazendo nas mãos uma loção anti-séptica e alguns curativos.

-Deixe me ver isso Kagome – disse puxando o braço da jovem onde havia um arranhão mais profundo.

Com uma gaze molhada com loção anti-séptica Inuyasha começou a limpar o local da ferida, Kagome enrugou a testa em sinal de dor e Inuyasha riu da garota.

-Oras não seja chorona, agüente firme – disse por fim colocando um curativo em cima do arranhão.

Kagome estava um pouco constrangida com o que havia acontecido, havia causado tudo aquilo por uma paranóia; sentia que estava perdendo o controle de sua mente, e tinha medo do que poderia ser capaz de fazer.

A jovem colocou a mão sobre o braço machucado de Inuyasha e o olhou com ternura, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, ele a beijou e pegando-a no colo levou-a para o quarto. Inuyasha começou a desabotoar a blusa de Kagome enquanto a beijava e ela deslizava sua mão pelas costas nuas do rapaz, e o desejo que havia entre eles não pode ser contido culminando em uma noite cheia de paixão e desejo.

Na manhã seguinte, Inuyasha acordou primeiro e viu Kagome deitada de costas para ele, o jovem se aproximou e beijou as costas desnudas de Kagome, que mexeu-se ao sentir os lábios quentes do rapaz sobre sua pele. Inuyasha a abraçou e encostou sua cabeça nas costas da jovem que permanecia dormindo. A verdade é que estava assustado com a cena que presenciara na noite passada, Kagome estava transtornada, não era a mesma Kagome que conhecia, pensou que isso estava sendo ocasionado pela evolução da doença, mudanças no comportamentos e psicoses estavam entre os possíveis sintomas; era terrível a dor que sentia de saber que a estava perdendo a cada dia.

Kagome também já havia despertado, mas permanecia imóvel na cama, sentiu Inuyasha a abraçando e por isso ficou ali quietinha, queria se sentir assim para sempre protegida, protegida dela mesmo. A garota sabia que o que havia acontecido à noite era resultado do processo de evolução da doença, e sentia perder-se a cada momento; tinha medo dela própria, mas temia ainda mais machucar a quem tanto amava. Já havia tomado uma decisão há muito tempo, não se entregaria a doença; superaria o próprio destino, no entanto Kagome somente não sabia qual seria o melhor momento para isso, talvez já fosse tempo, pois quando se perdesse de uma vez não poderia mais retornar.

A jovem se virou na cama, o que fez Inuyasha solta-la, eles ficaram frente a frente com o rosto a poucos centímetros.

-Bom dia – disse Inuyasha

-Oi – disse Kagome timidamente

Inuyasha colocou a mão no rosto da garota.

-Como está se sentindo?

-Bem melhor... Inuyasha, eu quero ir morar no hospício.

-O que?! – Inuyasha levantou num impulso sentando-se na cama

-Olha Inuyasha – Kagome sentou-se também – você viu o que aconteceu ontem, não quero que se repita.

-Não vai repetir.

-Sabe que isso não é verdade

-Kagome eu posso cuidar de você

-Você tem suas responsabilidades e sua vida, o que pretende passar o dia inteiro em casa cuidando de mim?

-Se for preciso...

-Não Inuyasha – cortou Kagome – eu nunca quis isso você sabe

Kagome elevou as pernas para junto do corpo abraçando-as.

-Inuyasha não se engane, sabe muito bem o que vai acontecer comigo. É algo que não podemos controlar; agora disse que queria me fazer feliz, pois saiba que eu nunca fui tão feliz em toda a minha vida – Kagome tinha um nó na garganta, custava até mesmo continuar falando – quero que siga com a sua vida, por mim.

Inuyasha a puxou para junto de si, tinha lágrimas nos olhos.

-Apenas me diga como eu posso fazer isso

-Se quer me fazer feliz de verdade me deixe partir, não me deixe presa a minha mente.

-Você é o meu anjo Kagome, veio até mim me salvar; mas agora eu não posso salva-la.

-Não, Inuyasha – disse a garota olhando nos olhos do rapaz e segurando seu rosto com as duas mãos – você é que é o meu anjo, me salvou da minha vida vazia e sem sentido e me fez conhecer o amor; ter encontrado você foi o melhor presente que a vida poderia ter me dado, nunca se esqueça disso.

Inuyasha ficou surpreso com as palavras da jovem, como ele poderia ter sido o anjo dela; nunca fora o modelo de rapaz ideal, aliás, a única coisa certa que tinha feito na vida foi ter escolhido ficar ao lado dela, mesmo nos momentos difíceis.

Olha gente eu sei que pessoas que tem esse problema não são tratadas num hospício, e que

Inuyasha com tanto dinheiro não teria necessidade de deixar Kagome ir para um hospício municipal, mas quero que pensem no lado sentimental, na relação que Kagome tem com aquele lugar que é especial para ela, isso ajuda a entender o fato dela ter tomado essa decisão.

Não percam o próximo capítulo é o capítulo mais emocionante da minha fic (na minha opinião).

Eu posto a resposta das reviews no próximo capítulo.