Ainda que contrariado Inuyasha deixou que Kagome fosse morar no hospício, sabia que Kaede cuidaria bem dela. Para Kagome também não foi fácil tomar essa decisão, aquele lugar era frio e a noite ficaria longe dos braços de Inuyasha que a embalavam; mas não ficaria ali por muito tempo, sabia que logo perderia a razão e que sua vida seria apenas um vazio; imaginava-se numa cama olhando para o nada e Inuyasha vindo visita-la e abraçava e dizia que a amava, no entanto ela estaria lá imóvel sem sequer notar a presença do rapaz. Esse tipo de pensamento lhe doía demais, mais do que saber que estava condenada a morte, por isso não deixaria a doença vence-la.
Três dias depois que foi para o hospício Kagome teve outra crise de mudança abrupta no comportamento, e dessa vez precisou de algumas horas para recuperar a razão. Isso a assustou ainda mais. Inuyasha vinha visita-la todos os dias e passava horas conversando com ela, ainda que a jovem começasse a perder parte das lembranças, o rapaz a lembrava de todos os detalhes.
-Inuyasha, isso é o que mais me dói, me esquecer do que vivemos juntos
-Eu posso lembra-la quando quiser, qualquer coisa que tenha esquecido eu vou te lembrar, até mesmo das nossas noites de amor – disse beijando-lhe o pescoço
-Aposto que essa é a parte que você mais gosta de me lembrar.
-Acertou em cheio – disse correndo os lábios até seu peito, e depois beijando-lhe a boca.
Inuyasha e Kagome tiveram seu primeiro momento de amor no hospício, era um lugar um pouco exótico para essas coisas, mas o que importava eram os sentimentos dos dois. Inuyasha vestiu-se novamente e quando terminava de abotoar a camisa, Kagome o abraçou e Inuyasha sentiu um imenso vazio no seu coração; era como se pressentisse que algo estava errado, mas não sabia o que era.
-Inuyasha, me perdoaria por qualquer coisa que eu fizesse por nós?
-Kagome do que está falando?
-Apenas me responda
-Claro, sempre vai estar perdoada não importa o que faça – disse beijando-lhe a testa
-Fico feliz em ouvir isso – Kagome deixou uma lágrima escorregar por seu rosto – "meu amor, sei que talvez não diga isso amanhã, mas hoje eu quero acreditar que seja verdade"
-Agora eu vou para casa, e amanhã eu venho lhe ver novamente. Coloque um casaco grosso, a noite está bem fria.
Kagome não agüentou ouvir aquilo e começou a chorar, e Inuyasha correu para ampara-la.
-O que foi Kagome?
-Nada, é que eu sou mesmo uma boba emotiva, choro por qualquer coisa
-Você tem motivos para chorar, não precisa se fazer de forte.
-Inuyasha eu te amo – disse entre lágrimas
-Eu também te amo muito Kagome
-Em nome desse amor que sente por mim, eu quero que refaça a sua vida. Viva por nós, porque enquanto você viver, eu viverei dentro de você.
-Kagome...
-Não esqueça disso – disse em tom firme olhando nos olhos do rapaz – agora é melhor você ir para casa descansar.
-Não posso deixa-la sozinha nesse estado.
-Não pode ficar vivendo para mim, deve seguir seu caminho.
-Meu caminho está junto com o seu, e é você que não deve se esquecer disso.
-Não podemos partilhar o mesmo caminho – disse segurando a mão do jovem.
-Já o partilhamos – disse Inuyasha elevando a mão de Kagome a seus lábios, e beijando-lhe as costas da mão.
Inuyasha puxou-a contra seu corpo, e antes que a jovem dissesse algo mais a beijou ternamente, depois deu-lhe um beijo na fronte e foi embora. Depois que Inuyasha saiu, Kagome sentou-se no chão e apoiou a cabeça na cama e começou a chorar novamente, estava assustada e com medo, mas tinha que ser forte e não deixar-se vencer; neste momento Kaede entrou no quarto e encontrou a moça aos prantos, sentou-se perto dela, a jovem limpou o rosto e segurou firme nas mãos da velha enfermeira.
-Vovó Kaede, sempre olhando por mim. Obrigado por tudo
-Kagome, minha menina, não sabe o quanto sinto em vê-la nesse estado – disse com os olhos marejados.
-Vovó Kaede quero pedir que não chore por mim, porque eu estarei bem. E quero pedir que cuide do Inuyasha, ele vai precisar de alguém que fique perto dele, sei que vai ser difícil para ele no começo, mas o tempo vai cicatrizar as feridas de seu coração; me promete que vai olhar por ele.
-Claro que prometo, minha querida. Fique tranqüila. Mas por que me pede isso?
-Sinto que essa doença começa a tomar conta de mim, e é hora deu enfrenta-la.
Kagome abriu um sorriso terno e continuou.
-Agora vovó Kaede eu gostaria de descansar um pouco
-Certo, é melhor dormir um pouco.
Inuyasha havia chegado em seu apartamento, jogou o paletó sobre o sofá
-Kagome – chamou pela jovem, mas não houve resposta
Andou até o barzinho e pegou uma garrafa de vodca que estava intacta, fez menção de pegar um copo, mas não havia mais nenhum Kagome os havia quebrado todos; abriu a tampa e começou a tomar da própria garrafa, sentou-se no sofá e só levantou-se depois de beber mais da metade da garrafa; arrastou-se até o quarto segurando a garrafa quase vazia, ao chegar próximo a cama deixou a garrafa de vodca cair no chão e jogou-se sobre a cama, onde logo pegou no sono.
A noite estava fria, e a chuva que caia a tornava ainda mais gelada. O vento soprava pelas frestas da janela do quarto de Kagome, a jovem estava sentada na cama onde com certa dificuldade escrevia num papel; quando terminou de escrever dobrou o papel e colocou-o sobre a mesa de cabeceira, foi até sua mala e do meio das roupas tirou um pequeno frasco azul, dirigiu-se novamente para a cama e colocou um pouco de água em um copo que estava ao lado de sua cama, abriu o pequeno frasco e despejou o conteúdo do frasco em suas mãos, de lá caíram várias cápsulas de medicamento, a quantidade era tamanha que não cabendo na mão da jovem caíram no chão espalhando-se por todo o quarto. Kagome suspirou e enfiou várias daquelas cápsulas na boca, usando a água para ajudar a engoli-las; depois de ter tomado várias cápsulas se deitou de lado na cama onde ficou ali encolhida.
-Inuyasha, só peço que me perdoe pelo que fiz por nós.
Na manhã seguinte, Inuyasha despertou com seu celular tocando; levantou-se ainda sonolento e de ressaca e foi atender o aparelhinho que vibrava desesperadamente, nem verificou a origem da chamada, apenas atendeu.
-Alô
-Inuyasha venha até o hospício rápido – era a voz de Hatuki
Inuyasha desligou o aparelho e correu para o carro, só uma coisa lhe vinha a cabeça
-Kagome
Temia que algo houvesse acontecido com a jovem, e pela maneira que seu coração estava apertado sabia que estava certo.
Inuyasha chegou ao hospício em menos tempo do que normalmente costumava a levar para chegar ao local. Hatuki estava em prantos na recepção, ao vê-la naquele estado, o jovem não se deteve para perguntar nada, saindo correndo pelo corredor que dava acesso ao quarto de Kagome; quando avistou o quarto percebeu uma movimentação de enfermeiros a porta do quarto que estavam em volta de Kaede, que não continha seu choro. Inuyasha parou e ficou alguns instantes observando a cena, com receio de se aproximar; ao ver o rapaz parado como se fosse uma estátua Kaede saiu do centro da roda que havia em volta dela e se dirigiu até Inuyasha, que nem esperou a velha enfermeira se aproximar começou a caminhar novamente, quando se cruzaram não foram preciso palavras para dizer o que havia acontecido, Inuyasha fechou os olhos e levantou a cabeça em direção ao céu, quando as palavras de Kaede entraram por seus ouvidos como facas afiadas que romperam sua alma e pararam seu coração.
-Ela está morta! – disse a enfermeira entre lágrimas e soluços
Inuyasha abaixou novamente a cabeça, e abrindo os olhos voltou a caminhar em direção ao quarto de sua esposa, nenhum dos enfermeiros que estavam a porta do quarto o impediu de entrar. Assim que colocou os pés no quarto de Kagome, Inuyasha viu várias cápsulas de medicamentos espelhadas pelo chão, e ao olhar para cama viu o corpo de Kagome estendido nela. Inuyasha caminhou até a cama, e viu a face pálida da garota que outrora estava tão cheia de vida, vida que preenchia a dele de felicidade; ergueu o corpo da jovem e colocou-o contra o seu, começou a chorar em silêncio; não gritou, nem lamentou e nem a amaldiçoou por ter feito aquilo, afinal ele a havia perdoado.
Foi difícil escrever esse capítulo, a toda hora vinha um nó na garganta e eu tinha que parar de escrever.
Esse capítulo marcou a despedida da Kagome, de forma triste e inesperada Kagome deixa a história.
Querem chorar mais? Continuem lendo, muitas emoções ainda vem pela frente.
QUERO SABER QUEM CHOROU LENDO ESSE CAPÍTULO !!!
E obrigada pelas reviews que venho recebendo com elogios a fic.
RESPOSTA DAS REVIEWSUchiha Danii-chan você tinha achado o outro capítulo triste, imagino só o que você achou desse.
Lele Tatah obrigada pela presença
Maiyu .Mad.Hatter. e aí aconteceu o que você estava pensando? Eu não sou má #biquinho#
Jack Chan e Uchiha Danii-chan que bom que estão gostando da história!
Dúvidas e perguntas sobre a fic, é só deixar postado que prometo responder.
Agora uma super novidade: ANJO DE VIDRO PARTE II
Isso mesmo a história não termina por aqui, teremos ainda a segunda parte dessa emocionante história que é uma verdadeira lição de vida.
MINHAS OUTRAS FICS DE INUYASHA:
- UM REFLEXO NO ESPELHO,
- JOGO DE ESPIÕES – essa é a mais recente,
- RAZÃO E LIBERDADE – Mirok e Sango,
- APENAS UM SONHO – threeshot
