CAPÍTULO 13 – POR NÓS

Ainda que contrariado Inuyasha deixou que Kagome fosse morar no hospício, sabia que Kaede cuidaria bem dela. Para Kagome também não foi fácil tomar essa decisão, aquele lugar era frio e a noite ficaria longe dos braços de Inuyasha que a embalavam; mas não ficaria ali por muito tempo, sabia que logo perderia a razão e que sua vida seria apenas um vazio; imaginava-se numa cama olhando para o nada e Inuyasha vindo visita-la e abraçava e dizia que a amava, no entanto ela estaria lá imóvel sem sequer notar a presença do rapaz. Esse tipo de pensamento lhe doía demais, mais do que saber que estava condenada a morte, por isso não deixaria a doença vence-la.

Três dias depois que foi para o hospício Kagome teve outra crise de mudança abrupta no comportamento, e dessa vez precisou de algumas horas para recuperar a razão. Isso a assustou ainda mais. Inuyasha vinha visita-la todos os dias e passava horas conversando com ela, ainda que a jovem começasse a perder parte das lembranças, o rapaz a lembrava de todos os detalhes.

-Inuyasha, isso é o que mais me dói, me esquecer do que vivemos juntos

-Eu posso lembra-la quando quiser, qualquer coisa que tenha esquecido eu vou te lembrar, até mesmo das nossas noites de amor – disse beijando-lhe o pescoço

-Aposto que essa é a parte que você mais gosta de me lembrar.

-Acertou em cheio – disse correndo os lábios até seu peito, e depois beijando-lhe a boca.

Inuyasha e Kagome tiveram seu primeiro momento de amor no hospício, era um lugar um pouco exótico para essas coisas, mas o que importava eram os sentimentos dos dois. Inuyasha vestiu-se novamente e quando terminava de abotoar a camisa, Kagome o abraçou e Inuyasha sentiu um imenso vazio no seu coração; era como se pressentisse que algo estava errado, mas não sabia o que era.

-Inuyasha, me perdoaria por qualquer coisa que eu fizesse por nós?

-Kagome do que está falando?

-Apenas me responda

-Claro, sempre vai estar perdoada não importa o que faça – disse beijando-lhe a testa

-Fico feliz em ouvir isso – Kagome deixou uma lágrima escorregar por seu rosto – "meu amor, sei que talvez não diga isso amanhã, mas hoje eu quero acreditar que seja verdade"

-Agora eu vou para casa, e amanhã eu venho lhe ver novamente. Coloque um casaco grosso, a noite está bem fria.

Kagome não agüentou ouvir aquilo e começou a chorar, e Inuyasha correu para ampara-la.

-O que foi Kagome?

-Nada, é que eu sou mesmo uma boba emotiva, choro por qualquer coisa

-Você tem motivos para chorar, não precisa se fazer de forte.

-Inuyasha eu te amo – disse entre lágrimas

-Eu também te amo muito Kagome

-Em nome desse amor que sente por mim, eu quero que refaça a sua vida. Viva por nós, porque enquanto você viver, eu viverei dentro de você.

-Kagome...

-Não esqueça disso – disse em tom firme olhando nos olhos do rapaz – agora é melhor você ir para casa descansar.

-Não posso deixa-la sozinha nesse estado.

-Não pode ficar vivendo para mim, deve seguir seu caminho.

-Meu caminho está junto com o seu, e é você que não deve se esquecer disso.

-Não podemos partilhar o mesmo caminho – disse segurando a mão do jovem.

-Já o partilhamos – disse Inuyasha elevando a mão de Kagome a seus lábios, e beijando-lhe as costas da mão.

Inuyasha puxou-a contra seu corpo, e antes que a jovem dissesse algo mais a beijou ternamente, depois deu-lhe um beijo na fronte e foi embora. Depois que Inuyasha saiu, Kagome sentou-se no chão e apoiou a cabeça na cama e começou a chorar novamente, estava assustada e com medo, mas tinha que ser forte e não deixar-se vencer; neste momento Kaede entrou no quarto e encontrou a moça aos prantos, sentou-se perto dela, a jovem limpou o rosto e segurou firme nas mãos da velha enfermeira.

-Vovó Kaede, sempre olhando por mim. Obrigado por tudo

-Kagome, minha menina, não sabe o quanto sinto em vê-la nesse estado – disse com os olhos marejados.

-Vovó Kaede quero pedir que não chore por mim, porque eu estarei bem. E quero pedir que cuide do Inuyasha, ele vai precisar de alguém que fique perto dele, sei que vai ser difícil para ele no começo, mas o tempo vai cicatrizar as feridas de seu coração; me promete que vai olhar por ele.

-Claro que prometo, minha querida. Fique tranqüila. Mas por que me pede isso?

-Sinto que essa doença começa a tomar conta de mim, e é hora deu enfrenta-la.

Kagome abriu um sorriso terno e continuou.

-Agora vovó Kaede eu gostaria de descansar um pouco

-Certo, é melhor dormir um pouco.

Inuyasha havia chegado em seu apartamento, jogou o paletó sobre o sofá

-Kagome – chamou pela jovem, mas não houve resposta

Andou até o barzinho e pegou uma garrafa de vodca que estava intacta, fez menção de pegar um copo, mas não havia mais nenhum Kagome os havia quebrado todos; abriu a tampa e começou a tomar da própria garrafa, sentou-se no sofá e só levantou-se depois de beber mais da metade da garrafa; arrastou-se até o quarto segurando a garrafa quase vazia, ao chegar próximo a cama deixou a garrafa de vodca cair no chão e jogou-se sobre a cama, onde logo pegou no sono.

A noite estava fria, e a chuva que caia a tornava ainda mais gelada. O vento soprava pelas frestas da janela do quarto de Kagome, a jovem estava sentada na cama onde com certa dificuldade escrevia num papel; quando terminou de escrever dobrou o papel e colocou-o sobre a mesa de cabeceira, foi até sua mala e do meio das roupas tirou um pequeno frasco azul, dirigiu-se novamente para a cama e colocou um pouco de água em um copo que estava ao lado de sua cama, abriu o pequeno frasco e despejou o conteúdo do frasco em suas mãos, de lá caíram várias cápsulas de medicamento, a quantidade era tamanha que não cabendo na mão da jovem caíram no chão espalhando-se por todo o quarto. Kagome suspirou e enfiou várias daquelas cápsulas na boca, usando a água para ajudar a engoli-las; depois de ter tomado várias cápsulas se deitou de lado na cama onde ficou ali encolhida.

-Inuyasha, só peço que me perdoe pelo que fiz por nós.

Na manhã seguinte, Inuyasha despertou com seu celular tocando; levantou-se ainda sonolento e de ressaca e foi atender o aparelhinho que vibrava desesperadamente, nem verificou a origem da chamada, apenas atendeu.

-Alô

-Inuyasha venha até o hospício rápido – era a voz de Hatuki

Inuyasha desligou o aparelho e correu para o carro, só uma coisa lhe vinha a cabeça

-Kagome

Temia que algo houvesse acontecido com a jovem, e pela maneira que seu coração estava apertado sabia que estava certo.

Inuyasha chegou ao hospício em menos tempo do que normalmente costumava a levar para chegar ao local. Hatuki estava em prantos na recepção, ao vê-la naquele estado, o jovem não se deteve para perguntar nada, saindo correndo pelo corredor que dava acesso ao quarto de Kagome; quando avistou o quarto percebeu uma movimentação de enfermeiros a porta do quarto que estavam em volta de Kaede, que não continha seu choro. Inuyasha parou e ficou alguns instantes observando a cena, com receio de se aproximar; ao ver o rapaz parado como se fosse uma estátua Kaede saiu do centro da roda que havia em volta dela e se dirigiu até Inuyasha, que nem esperou a velha enfermeira se aproximar começou a caminhar novamente, quando se cruzaram não foram preciso palavras para dizer o que havia acontecido, Inuyasha fechou os olhos e levantou a cabeça em direção ao céu, quando as palavras de Kaede entraram por seus ouvidos como facas afiadas que romperam sua alma e pararam seu coração.

-Ela está morta! – disse a enfermeira entre lágrimas e soluços

Inuyasha abaixou novamente a cabeça, e abrindo os olhos voltou a caminhar em direção ao quarto de sua esposa, nenhum dos enfermeiros que estavam a porta do quarto o impediu de entrar. Assim que colocou os pés no quarto de Kagome, Inuyasha viu várias cápsulas de medicamentos espelhadas pelo chão, e ao olhar para cama viu o corpo de Kagome estendido nela. Inuyasha caminhou até a cama, e viu a face pálida da garota que outrora estava tão cheia de vida, vida que preenchia a dele de felicidade; ergueu o corpo da jovem e colocou-o contra o seu, começou a chorar em silêncio; não gritou, nem lamentou e nem a amaldiçoou por ter feito aquilo, afinal ele a havia perdoado.

Foi difícil escrever esse capítulo, a toda hora vinha um nó na garganta e eu tinha que parar de escrever.

Esse capítulo marcou a despedida da Kagome, de forma triste e inesperada Kagome deixa a história.

Querem chorar mais? Continuem lendo, muitas emoções ainda vem pela frente.

QUERO SABER QUEM CHOROU LENDO ESSE CAPÍTULO !!!

E obrigada pelas reviews que venho recebendo com elogios a fic.

RESPOSTA DAS REVIEWS

Uchiha Danii-chan você tinha achado o outro capítulo triste, imagino só o que você achou desse.

Lele Tatah obrigada pela presença

Maiyu .Mad.Hatter. e aí aconteceu o que você estava pensando? Eu não sou má #biquinho#

Jack Chan e Uchiha Danii-chan que bom que estão gostando da história!

Dúvidas e perguntas sobre a fic, é só deixar postado que prometo responder.

Agora uma super novidade: ANJO DE VIDRO PARTE II

Isso mesmo a história não termina por aqui, teremos ainda a segunda parte dessa emocionante história que é uma verdadeira lição de vida.

MINHAS OUTRAS FICS DE INUYASHA:

- UM REFLEXO NO ESPELHO,

- JOGO DE ESPIÕES – essa é a mais recente,

- RAZÃO E LIBERDADE – Mirok e Sango,

- APENAS UM SONHO – threeshot