CAPÍTULO 14 – ANJO QUEBRADO

Poucas pessoas compareceram ao enterro de Kagome, dentre essas pessoas havia uma inesperada, pelo menos pela parte de Inuyasha; essa pessoa era seu meio-irmão Sesshomaru.

Sesshomaru acompanhou a cerimônia do velório de longe, nem mesmo quando chegou foi cumprimentar seu meio irmão. Inuyasha estava abatido e ficava o tempo todo segurando a mão de Kagome, como se não quisesse que ela fosse embora; mas ela já tinha partido.

Outra pessoa que compareceu ao velório foi Kikyo, que havia regressado de Londres há poucos dias; esta também se manteve afastada de Inuyasha, depois de dar-lhe os pêsames não dirigiu mais a palavra ao rapaz, pois devido à história passada de ambos não quis dar margem a boatos maldosos a respeito deles. Achou que a memória de Kagome e a dor de Inuyasha mereciam respeito nesta hora.

Depois que Kagome foi enterrada, Inuyasha se aproximou de Sesshomaru.

-Sei que isso não significa muito para você, mas obrigado por ter vindo – agradeceu Inuyasha.

-Deveria ter me dito sobre sua esposa – disse Sesshomaru secamente.

-Ninguém podia ajuda-la, nem mesmo eu. – disse Inuyasha por fim se retirando.

Sesshomaru o olhou caminhar por entre os túmulos e pensou no que seu meio-irmão havia feito por aquela garota, nunca imaginou que ele fosse capaz de suportar tanta dor e sofrimento ao lado de uma mulher.

-"Ela foi muito especial para você, não é mesmo Inuyasha?" – pensou vendo-o se afastar.

Ao ver Inuyasha partindo, Kaede se dirigiu ao jovem levando nas mãos um pedaço de papel dobrado entregando-lhe.

-Era de Kagome – disse entre soluços – suas últimas palavras para você.

Inuyasha guardou no bolso de seu paletó, sem dar muita importância; do que adiantava uma carta de Kagome naquele momento se tudo o que ele precisava era te-la a seu lado.

Ao chegar em seu apartamento vazio, Inuyasha tirou os sapatos e jogou o paletó sobre o sofá, afroxou a gravata e desabotou os primeiros botões de sua camisa; foi até o barzinho e pegou sua velha companheira uma garrafa nova de vodca; nessas horas quem precisa da sobriedade, se era para lembrar o que ele havia perdido, não queria lembrar. Pegou um porta-retrato com a foto de Kagome, e sentou no chão encostando as costas no sofá; e deu um golada na bebida enquanto olhava para o quadro. Não chorou mais, já não lhe restavam lágrimas; nada disse e nada pensou apenas ficou em silêncio olhando a foto sorridente de sua esposa; até que sentindo-se cansado tombou para o lado e adormeceu. E assim Inuyasha passou os 3 dias conseguintes a morte de Kagome: bêbado e largado.

Já era noite quando Inuyasha acordou com uma dor de cabeça horrível, pudera passara os últimos 3 dias bebendo e sem se alimentar, ele esticou os braços para trás e acabou tocando em seu paletó que permanecia jogado no sofá; puxou a peça para o chão e foi então que lembrou-se da carta de Kagome que estava no interior do bolso deste. Enfiou a mão no bolso, pegou a carta e começou a ler, talvez escutar, ainda que em sua mente, as palavras de Kagome pudessem reconforta-lo nesse momento.

"Inuyasha espero que não esteja jogado no chão de seu apartamento com uma garrafa de bebida vazia a seu lado, esse é um tipo de atitude que não espero que tome após a minha morte; sei que deve estar sendo difícil para você, tampouco foi fácil para mim fazer o que fiz, mas de espero que tenha me compreendido. Não podia deixar a doença me vencer e me transformar num vegetal; apenas saiba que a decisão de tirar minha própria vida não tem a ver com você, desde que descobri a doença já havia tomado essa decisão de nunca deixa-la me superar, só estava esperando o momento certo; mas aí você apareceu e mudou a minha vida, me fez acreditar no amor e me deixou viver a seu lado os melhores dias da minha vida. Inuyasha você fez com que a minha vida tivesse um significado, e a seu lado descobri que eu não tinha vindo a este mundo para estar sozinha. Inuyasha você é o meu anjo, que me ajudou e me amou como jamais pensei que alguém um dia pudesse me amar. E nesse meu último momento de vida é seu rosto que habita meus pensamentos. Levante-se e siga seu caminho, eu estarei sempre com você por isso não precisa ficar com saudades. Viva por nós, e assim saberá que eu estarei sorrindo para você. Não guarde mágoas no seu coração e nem viva nas sombras, mostre ao mundo seu bom coração. Cuide-se. Eu te amo. Kagome.".

Ao terminar de ler a carta Inuyasha chorou como jamais havia chorado, chorou como uma criança que pede amparo em meio a solidão.

No dia seguinte Inuyasha se levantou cedo tomou um belo banho e foi para a empresa trabalhar.

Alguns dias após a morte de Kagome, Inuyasha foi até o Hospício Municipal buscar os pertences pessoais de Kagome, ao chegar na recepção encontrou-se com Hatuki que lhe entregou um envelope lacrado.

-Inuyasha, deixaram esse envelope aqui no hospício, mas acredito que lhe pertence. Esse é atestado de óbito de Kagome – disse a recepcionista a qual sentia um nó na garganta sempre que falava no nome da jovem

-Obrigado Hatuki – agradeceu Inuyasha pegando o envelope

-E, a senhora Kaede pediu a esperasse no jardim.

Inuyasha cruzou novamente os corredores escuros que davam acesso ao jardim, havia sido naquele lugar que ele a vira pela primeira vez; se naquele momento que a viu pela primeira vez pudesse adivinhar o que viveria ao lado dela, e como esta seria como uma tempestade de verão: rápida e destrutiva, mas ao mesmo tempo fazendo brotar a vida em tudo o que tocava. Ele sentou-se num dos bancos, o vento frio batia em rosto, decidiu abrir o envelope e ler seu conteúdo; não que tivesse interesse em saber qual havia sido o laudo, pois isso ele já sabia, ela havia morrido por overdose medicamentosa de analgésicos. Inuyasha leu cada detalhe contido no papel, todas as informações pessoais, e ao ler uma pequena nota não quis acreditar que pudesse ser verdade o que estava escrito.

Kaede chegou e viu Inuyasha no banco com um papel branco na mão, segurava o papel com certa dificuldade, pois suas mãos estavam trêmulas e ao se aproximar mais do rapaz viu seus olhos marejados; preocupada com o que afligia o jovem, pegou em sua mão.

-Inuyasha, o que foi? O que está escrito?

Inuyasha mal conseguia falar, começou a gaguejar até conseguir pronunciar as palavras.

-Grávida... a Kagome estava grávida.

Kaede soltou imediatamente a mão de Inuyasha, elevando suas mãos a cabeça.

-Inuyasha, vocês sabiam? – perguntou a velha enfermeira temerosa em ouvir uma resposta positiva.

Inuyasha balançou a cabeça em sinal de negação, e já não contendo as lágrimas deixou que essas escorressem por seu rosto até o chão.

-Foi melhor assim – Inuyasha olhou para Kaede espantado com o que acabara de escutar dela – Inuyasha, com a doença de Kagome progredindo a cada dia talvez ela não conseguisse levar a gestação até o final; foi melhor que ela não soubesse que carregava uma vida dentro de si.

-Talvez tenha razão – disse Inuyasha levantandos-e e enxugando as lágrimas.

Depois de pegar os pertences pessoais de Kagome, Inuyasha voltou para a empresa.

SOBRE O CAPÍTULO 14

Eu quase não conseguia terminar de escrever esse capítulo! Essa última parte foi acrescentada depois que a fic estava pronta, mas analisando agora ficou bem carregado de emoção essa parte da gravidez da Kagome; além do Inuyasha perder a esposa perdeu o filho também. Voltaram a chorar muito? Viu providenciei alguma coisinha acerca deles terem um bebê, mas infelizmente a Kagome nunca poderia levar a adiante a gravidez devido as medicações que ela tomava e também pela doença.

ANJO DE VIDRO 2º PARTE

A minha fic chega ao final, e o capítulo 15 marca o final da primeira parte dessa emocionante história. No entanto, uma nova história está prestes a começar.

Não percam essa emocionante nova história que vai começar!!!

Srta. Lenita – que bom que gostou da história, e espero que continue acompanhando a segunda parte dessa história que guarda muitas surpresas

Sylvana Melo – não foi maldade, era isso que a Kagome queria desde o começo, antes mesmo de conhecer Inuyasha, não queria deixar a doença vence-la iria deixar a vida vitoriosa

Littledark – essa foi a idéia da fic, que os leitores acompanhassem toda a bonita história do Inuyasha e da Kagome, e a maneira como cada um transformou a vida do outro. Se lerem com atenção verão que o Inuyasha do começo da história foi gradativamente modificando suas atitudes, deixando de lado seu lado arrogante e deixando transparecer o lado sentimental e romântico.

Lele -- eu vou postar o começo da segunda parte junto com o último capítulo da primeira parte. Em termos práticos isso vai acontecer na minha próxima postagem.

Polly – que bom que você está gostando da minha fic apesar de ter chorado na último capítulo, espero que não tenha chorado muito nesse também.

Anna Black – calma não precisa chorar tanto, foi apenas uma história; espero que não tenha se afogado no seu mar de lágrimas e tenha podido acompanhar esse último capítulo.

Bianca Kyozaki -- não vou nem perguntar se você chorou nesse também, ah, vou perguntar sim. Você chorou?

Lory Higurashi – que bom que gostou da minha outra fic. Um reflexo no espelho foi a minha segunda fic.

Clarice -- sua resposta sobre o que tinha na carta já foi respondida nesse capítulo

Gheisinha Kinomoto – as surpresas eu vou deixar para você mesma ler. Vai se surpreender, eu garanto!!

Aline Higurashi – o Inuyasha ficou mal mesmo depois da morte da pessoa que ele tanto amava, mas ele vai descobrir uma maneira de superar tudo isso, mesmo em meio a escuridão uma luz sempre aparece!

MariInha – espero que não tenha desistido de ler a fic logo agora que está acabando a segunda parte. Valeu pelo apoio, e obrigada.

Obrigada a todos os leitores que vem acompanhando a história.