CAPITULO 19 – EM BUSCA DA VERDADE

No dia seguinte Kagome-chan saiu de casa antes que sua mãe acordasse sabia que tinha ido um pouco longe demais no outro dia, ao dizer que sua mãe não era sua verdadeira mãe. Isso a estava incomodando as diferenças que tinha de sua mãe e sua semelhança com a garota da foto, tinham que ter alguma relação.

Naquela manhã Kagome-chan não foi para o cursinho, tinha problemas maiores do que a matemática pudesse resolver; talvez somente a genética pudesse responder a essas perguntas que vinham a mente da garota. Kagome-chan voltou ao parque que estivera na noite anterior, aquele lugar lhe trazia uma certa tranqüilidade, foi até o lago e começou a admirar seu reflexo nele.

-"Como posso ser parecida a Kagome? Será que ela é a minha verdadeira mãe? Minha mãe nunca mais pode ter filhos depois que eu nasci, ou será que ela nunca pode ter filhos? E por que a Kagome se matou? Será que meu pai a trocou por outra, por Kikyo, aquela que se diz ser minha mãe? Mas meu pai a amava, lembro como falou com ternura dela, e como admirava seu retrato."

Perguntas sem respostas e afirmações sem prova era tudo o Kagome-chan tinha na mão naquele momento.

-Não pode viver com essas dúvidas e incertezas preciso saber quem foi essa Kagome com a qual meu pai casou, mas por onde começar?

A pessoa certa a procurar não era a mais indicada, sua mãe com certeza saberia algo sobre Kagome, mas com certeza não lhe contaria nada sobre a primeira mulher de seu pai; a qual sua mãe nem sequer mencionara perante ela.

A outra maneira para começar sua busca seria entre os pertences pessoais de seu, os quais sua mãe guardava com zelo. Kagome-chan correu para casa.

Ao chegar em casa encontrou-a vazia, a empregada não viria naquele dia e sua mãe estava na empresa, com cautela foi até o quarto de sua mãe, arrastou a cadeira da penteadeira até o guarda-roupa, subiu na cadeira para finalmente alcançar a pequena caixa azul onde estavam os últimos pertences de seu falecido pai. A garota espalhou tudo na cama de sua mãe, e começou a procurar por qualquer pista que levasse a alguém que conhecia Kagome. Entretanto por mais que a garota vasculhasse somente encontrava antigos documentos, não havia nada que pudesse ajuda-la, começou então a olhar com mais cuidado cada documento, cada cartão. Por fim a garota encontrou duas pistas, ou pelo menos o que achava que eram.

A primeira era um número de telefone anotado inadvertidamente sobre a capa de um contrato de compra e venda; e a segunda era o cartão de uma floricultura chamada SHIKON FLOWERS. O que chamou a atenção de Kagome-chan na segunda pista foi o fato do cartão estar guardado entre os bens pessoais de Inuyasha, porque seu pai iria guardar o cartão de uma floricultura em meio a documentos importantes, tudo bem que essa era a pista menos valiosa, o que importava era o número.

Kagome-chan voltou a guardar os demais pertences na caixa e colocou-a no lugar, foi para seu quarto e discou o número que encontrara anotado no documento, depois de várias tentativas frustradas finalmente alguém atendera.

-Hospício Municipal. Bom dia.

Ao ouvir Hospício Municipal Kagome-chan desligou imediatamente, essa era uma pista que valia a pena, porque seu pai teria o número de telefone de um hospício, deitou-se na cama e começou a pensar em algo que relacionasse seu pai ao lugar. Até que finalmente lembrou de certa vez que seu pai a levara para tomar sorvete na praça e encontraram uma senhora que tinha problemas mentais, a velha senhora ficava andando de um lado para o outro falando sozinha e jogando comida para as pombas.

FLASHBACK

-Kagome-chan o que faz atrás da árvore?

-Tem uma velha maluca ali, olha pai – disse a garota assustada

-Não precisa ter medo dessas pessoas, venha – esticou a mão para a filha

Receosa a garotinha saiu de trás da árvore.

-Quer ir conversar com ela?

-Não – respondeu de pronto

-Já disse que não precisa ter medo. Sabia que eu já trabalhei num lugar onde tinha um monte de gente como essa velha senhora, foi há alguns anos atrás.

FIM DO FLASHBACK

Lembrou-se que seu pai já havia trabalhado num lugar onde tinha pessoas com problemas mentais, talvez esse fosse o lugar. Pegando sua bolsa saiu e foi de táxi até o referido lugar.

Ao chegar na recepção encontrou uma jovem senhora magrela sentada em frente a um computador, a mulher digitava freneticamente as informações contidas em algumas folhas que estavam espelhadas por todo o balcão de recepção.

-Bom dia – começou Kagome-chan, sem saber sequer o que perguntar – eu gostaria de saber se você conhecia um homem chamado Inuyasha que costumava a vir aqui...

A mulher respondeu sem parar de digitar.

-Olha aqui garotinha eu não tenho o dia inteiro, não vem ninguém aqui com esse nome.

-Já faz algum tempo que ele não vem, acho que cerca de uns 20 anos

A mulher havia parado de digitar e encarava Kagome-chan

-Isso é alguma brincadeira?

Kagome-chan olhou séria para a mulher

-Eu preciso muito saber sobre essa pessoa, poderia me ajudar?

A mulher bufou e pegando o telefone pediu para falar com uma enfermeira. A enfermeira imediatamente compareceu a recepção. Era uma senhora de idade avançada que usava um uniforme branco com o símbolo do hospício.

-Essa é a funcionária mais antiga da casa, talvez ela possa lhe ajudar – disse a recepcionista que voltara a digitar.

A velha senhora que não havia dito nada desde que chegara a recepção, continuava encarando Kagome-chan e a olhava de perto como se a reconhecesse de algum lugar. Kagome-chan já estava incomodada com os olhares que a velha senhora lhe lançava.

-Bom dia, senhora. Meu nome é Kagome

-Oh meu Deus, será possível! – finalmente falou a mulher – meus olhos não me enganaram, então, você deve ser mesmo a filha da Kagome.

-O que disse? – Kagome-chan estava espantada, a velha dissera que ela era a filha da Kagome.

-Sim, o mesmo rosto e os mesmos olhos; sim só pode ser a filha dela. Quanta felicidade em vê-la.

Kagome-chan estava atônica, não entendia o que estava acontecendo, será que suas suspeitas estavam certas? Ela era mesmo a filha de Kagome, sendo assim Kikyo não era sua verdadeira mãe.

-Venha – a velha senhora a puxava pelo braço – venha ver, uma velha amiga de sua mãe está aqui.

A velha enfermeira a puxou ao longo de um corredor escuro e frio, até finalmente chegaram no jardim onde havia alguns internos tomando sol, entre eles se destacava a figura de uma mulher que conversava alegremente com os internos.

-Veja ali está ela – apontou para a mulher

A mulher percebeu a aproximação da velha enfermeira com a garota, e Kagome-chan viu uma expressão de surpresa nos olhos da mulher quando esta a viu. Igualmente surpresa ficou Kagome-chan ao ver melhor o rosto da mulher. Ambas se encararam por alguns instantes até que Kagome-chan quebrou o silêncio.

-Tia Sango! – disse alegre

A mulher imediatamente abriu um sorriso e abraçou a garota. Mirok e Sango freqüentavam ocasionalmente a casa de Inuyasha e Kikyo, mas acabaram se afastando depois da morte de Inuyasha; e desde então Kagome-chan nunca mais tivera contato com Sango ou seu marido.

-Eu não posso acreditar, como você está mudada Kagome-chan. O que está fazendo aqui?

Mas antes que a garota pudesse responder a velha enfermeira falou

-Com certeza veio ser voluntária como a mãe. A Kagome tinha um bom coração.

-Senhora Yatsu, ela não é filha da Kagome – explicou Sango serenamente

-Mas os olhos e o rosto, não pode negar a semelhança.

-Eu sei, mas a mãe dela é a Kikyo.

A velha enfermeira parecia desapontada em saber que Kagome-chan não era filha da Kagome.

-Preciso cuidar de uns pacientes, com licença – a velha enfermeira retirou-se.

-Não a culpo por pensar isso, eu também começo a acreditar que seja filha da Kagome – desabafou

-Kagome-chan o que está dizendo?

-Tia Sango, como ela disse a minha aparência e meu modo de agir são tão diferentes dos da minha mãe.

-Isso não prova que você não é filha dela. Aliás como pode saber se não conheceu a Kagome.

-Foi por isso que eu vim, quero descobrir mais sobre a primeira esposa do meu pai, sobre a Kagome.

-Veio porque sabia que Kagome era voluntária aqui.

-Na verdade acabei de descobrir agora, vim porque sabia que meu pai havia trabalhado aqui. Tia Sango você a conheceu, poderia me contar alguma coisa sobre ela.

-Bem. Não sei se deveria sua mãe...

-Não importa o que minha mãe diz – disse firme.

- Vamos para a minha casa, e assim aproveita para visitar o Mirok que acredito que ficara deslumbrado em vê-la; depois contaremos sobre a Kagome.

COMENTÁRIO DA AUTORA

Kagome-chan parte em busca do seu passado e essa nova jornada poderá trazer a tona segredos ocultos há muito tempo.