CAPITULO 27 – A CRISE NA EMPRESA
Kagome-chan agachada próxima ao lago, o parque estava bem escuro apenas iluminado pelas luzes dos postes que cercavam o parque. A garota olhava seu reflexo na água, esperando ver Kagome nele.
-Sabia que te encontraria aqui – disse uma voz onhecida
A garota se levantou e fitou o rapaz a sua frente.
-Houjo
Houjo percebeu que Kagome-chan tinha os olhos vermelhos e o rosto úmido pelas lágrimas.
-Kagome-chan não deve ficar preocupada, não há certeza sobre esse diagnóstico de leucodistrofia. Aliás, se não fosse por sabermos que Kagome era sua tia, nem sequer cogitaríamos essa hipótese.
A garota ficou mais aliviada ao escutar as palavras de Houjo, que continuou seu discurso enquanto abraçava a namorada.
-Leucodistrofia é uma doença muito rara, um médico pode passar a vida inteira dele atendendo numa cliníca sem nunca vir a atender um paciente com essa doença; além disso, não é porque você é sobrinha da Kagome que vai ter a mesma doença do que ela.
-Houjo, você está me falando isso apenas para me confortar.
-Kagome-chan se houvesse sequer a mínima possibilidade disso ser verdade, acredite que faria questão de contar-lhe pessoalmente.
Kagome-chan quis acreditar nas palavras reconfortantes de Houjo, que permaneceu ao lado dela por algumas horas. Depois Houjo a levou para a casa de seus pais, Kagome-chan não tinha vontade de voltar ao apartamento naquela noite; não queria encarar a sua mãe.
Kikyo não conseguiu dormir pensando no que Kagome-chan havia dito sobre Kagome ser sua irmã. Sentada em frente ao espelho no seu quarto, Kikyo lembrou de uma conversa que ouvira de seus falecidos pais.
FLASHBACK
-Onde ela está? – perguntou o homem de idade avançada
-Aquela vagabunda foi embora, levando o bastardo na barriga – respondeu a mulher que aparentava ser pelo menos uns 20 anos mais nova.
-Você a expulsou!! – o homem tinha a face vermelha – Ela estava esperando um filho.
Kikyo que a época tinha uns 6 anos observava a cena do alto da escada escondida, por ser ainda uma criança não entendia o porquê da discussão; somente entendeu que a empregada tinha ido embora levando um filho e anos depois concluira que a empregada havia sido expulsa porque engravidara.
FIM DO FLASHBACK
Agora de frente para o espelho se dava conta que o filho que a empregada carregava era de seu pai, então, havia mesmo uma possibilidade real de Kagome ser a irmã, meia-irmã, dela. No entanto, o que isso importava agora que a Kagome estava morta; Kikyo preferiu deixar esse assunto aonde ele pertence que é ao passado.
No dia seguinte, Kikyo saiu cedo para a empresa. Não havia conseguido dormir a noite, e sentia-se péssima.
Ao chegar à empresa notou que sua eficiente secretária Kagura, que continuava a trabalhar na empresa, estava um pouco agitada, o que era raro sendo ela uma pessoa muito discreta. Kagura não só estava agitada como também estava bem desastrada; derrubou uma pilha de papéis, a xícara de café e o telefone em menos de 2 minutos. Kikyo pareceu indiferente à mudança de comportamento de sua secretária, tinha coisas mais importantes para se preocupar; não somente com o que escutara na noite passada, mas também com a crise que a empresa vinha enfrentando. E ao lembrar-se da crise na empresa, lhe veio a mente uma reuniãozinha que ela teria naquele dia com seu amado cunhado Sesshoumaru, que havia vindo novamente ao Japão; Sesshoumaru de volta ao Japão em menos que um mês, isso era mau presságio.
Kikyo olhou para a secretária, que particularmente naquele dia, estava tendo dificuldade em executar as tarefas mais banais do dia-a-dia de uma secretária. Kikyo se aproximou da mesa de Kagura que até aquele momento não havia notado a sua presença.
-Kagura, pelas suas atitudes patéticas, não preciso nem perguntar se o Sesshoumaru já chegou.
Pela primeira vez Kikyo viu Kagura corar com o comentário inoportuno e indiscreto que fizera. A verdade é que Kagura nutria uma paixão secreta por Sesshomaru desde os tempos que ele trabalhava na empresa com seu pai; mas com a morte do patriarca e a mudança de Sesshomaru para a América, as esperanças de Kagura em ser notada pelo patrão sumiram. Nos anos seguintes a partida de Sesshoumaru para assumir a Tenseiga&Cia, Kagura pedira muitas vezes para Inuyasha a transferir para a América, no entanto, Inuyasha era acomodado demais para deixar que uma secretária que conhecia tanto da empresa o deixasse na mão, e ainda por cima ficasse ao lado de seu meio-irmão.
Kikyo que a época era namorada de Inuyasha assistira a tudo isso de camarote e achava graça da maneira como Kagura se insinuava para que Inuyasha lhe transferisse para a América; e o mais engraçado era ver que Inuyasha nem sequer sabia o motivo da insistência de Kagura na tal transferência, claro que Kikyo não fez questão de alertar o namorado sobre os motivos que a levavam a isso.
O fato de Kikyo nunca a ter ajudado a conseguir a transferência era um dos motivos que faziam com que Kagura odiasse a atual patroa, mas a aturava uma vez que dependia do ótimo salário que ganhava na empresa. O desprezo e o ar de superior de Kikyo também alimentavam esse sentimento de ódio, nunca acreditou que Kikyo houvesse mudado; e quando soube da morte de Inuyasha desejou que tivesse sido Kikyo no lugar dele.
Kikyo entrou na sala de reunião, e encontrou seu cunhado revendo alguns documentos.
-Até que enfim está aqui, mulher.
-Sesshoumaru saiba que não estou afim dos seus sermões.
-Onde está o seu contador? – perguntou sem se importar com o comentário anterior de Kikyo
-Ele não virá – respondeu asperamente
Havia uma semana que seu contador sumira, deixando para trás um rombo nas contas da empresa.
-Você o despediu, ou ele simplesmente lhe enganou fugindo com a grana? Que vergonha que não respeite a memória de meu irmão.
Kikyo ficou irritadíssima com a pergunta sarcástica, e o comentário malicioso de Sesshoumaru.
-Meio-irmão – corrigiu Kikyo – e me parece que tem informantes muito bons.
-Não vou permitir que leve essa empresa a ruína. Se não pode cuidar dela, como vejo que não pode – lançou alguns documentos que deslizaram sobre a mesa indo parar perto de Kikyo – me entregue a empresa.
Kikyo pegou os documentos e riu.
-Do que está rindo? – perguntou Sesshoumaru que começava a perder a aparente tranqüilidade.
-Como quer que eu lhe entregue a empresa. Por um acaso não sabe que a empresa não é minha? – disse Kikyo que parecia estar se divertindo com a situação.
-O que disse mulher? – Sesshoumaru não segurou mais sua raiva.
-Isso mesmo, meu caro cunhado. Acaso não sabe que sou apenas a representante legal da empresa.
-Representante legal?! – repetiu com descrença
-Sim. A empresa foi deixada, em testamento, para a sua sobrinha.
-Não acredito nisso – disse firme dando um soco na mesa, mas Kikyo permanecia firme sem se assustar com o som abafado do soco.
-Procure então o tabelião, ele lhe mostrará o testamento de Inuyasha – Kikyo encarava Sesshoumaru se divertindo com a cara de espanto do cunhado – Inuyasha deixou a empresa para K-chan.
Sesshoumaru não prolongou o assunto, saiu rapidamente da empresa; passou apressado pela recepção, deixando Kagura curiosa com o ocorrido.
COMENTÁRIO DA AUTORA
Kikyo lança um banho de água fria em cima de Sesshoumaru que não esperava pela notícia que a empresa estava em nome de sua sobrinha, isso mudava seus planos em se tornar o dono da Tessaiga&Cia.
Somente um parenteses nessa história. Sesshomaru queria a Tessaiga&Cia, mas ficou com a filial Tenseiga&Cia, com a morte do irmão Sesshomaru pensou que poderia finalmente realizar seu sonho já que apostava que Kikyo não ficaria com a empresa, iria preferir venda-la para ele; o que não aconteceu e Kikyo se tornou a dona da empresa, não bem a dona e sim a representante legal já que a pessoa a quem a empresa fora favorecida era a sua filha Kagome-chan que por ser uma criança não podia dirigir uma empresa. Com a crise que a empresa passava Sesshoumaru pensou que essa era a sua nova oportunidade de por as mãos na empresa, mas ao saber que a verdadeira dona da empresa era Kagome-chan a situação dele se complicou já que será mais difícil tirar a empresa da sobrinha por razões sentimentais.
RESPOSTA DAS REVIEWS
Luna – tudo está indicando que a Kagome-chan posso ter a mesma doença de Kagome, mas ainda nada foi confirmado.
Yasmiin – fico feliz que tenha gostado. Quanto a chorar muito, isso é algo que não pode ser evitado; confesso que até mesmo eu quando estava escrevendo também chorei.
Melina – que bom que gostou. Obrigado pela presença.
Criz – obrigada pelos elogios, e pode deixar que eu não vou desistir de postar. Valeu a presença por aqui.
