O início...

Lembranças: parte I

Eis as minhas memórias.
Eu me chamo Edward Massen, este é um dos poucos fatos de que me lembro perfeitamente...
Eu vivia em Illinois, onde nasci e vivi até a minha "pós-vida", algo que eu não consigo denominar de morte e nem de vida, é no mínimo um... Pós-vida.
Nesta época, eu estava para completar meus 18 anos, quando minha família foi acometida pela temível gripe espanhola, que acabou por levar à morte meu pai e minha mãe, minha mãe a doce e bela Elizabeth.
ela foi a última a me deixar, não antes de fazer um pedido a Carlisle Cullen, um médico que todos achavam ser o humano mais bonito daquelas redondezas.
um pedido que mais tarde eu entenderia...
além da beleza dele, ele era extremamente branco e parecia ser um dos poucos "humanos" a serem imunes a doença, um fato que era no mínimo estranho...
Mas em meio a tantos devaneios, alucinações e dores, isso se tornou um fato de pequena importância.
Após a morte de minha mãe, eu ficava cada vez pior, a cada momento que passava, levava consigo um sentido meu...
Chegou a ponto de que a única coisa que me sobrou foi minha visão e uma certa "audição".
eu ouvia o que as pessoas falavam ao meu redor, mas eu não via seus lábios se mexerem.
A senhora Arielli, uma das enfermeiras que já deviam ter se aposentado na época, porém, ainda continuava firme ao seu trabalho.
devia ser algo que lhe agradasse demasiadamente, tendo em vista que ali só havia sofrimento, entretanto, eu me sentia feliz quando ela vinha cuidar de mim.
dos delírios que a febre me proporcionava e das lembranças que tenho, ela sempre estava ali junto com o Dr. Cullen, era comum ouvi-la:
- pobre rapaz, ele sonhava servir ao exército, me lembro dele chegar aqui com a mãe nos braços pedindo por ajuda, e com uma pequena bolsa com roupas e uma carta assinada pelo pai, oh Deus, faça com que ele consiga melhorar, faça com que ele possa levantar desta cama, ele só tem a você Deus, olhe por ele...
Não me lembro muito do momento que fui modificado, do momento que me curei.
Só o que me lembro, é que doeu muito, doeu até mais do que as dores que senti um tempo depois, quando deixei minha mãe na maca aos cuidados do Dr. Cullen.
A dor era lancinante, era no mínimo excruciante, até então, aquela tinha sido a pior dor que senti em toda a minha vida, haveria uma que me causou o que eu chamo de "inferno de dor", mas ela será contada em seu devido tempo.
Como eu lhes dizia, lembro-me do Dr. Cullen se aproximar de mim e dizer: - isso vai doer, mas você ficará bom logo e então desfrutarás de toda a saúde que Deus poderá lhe prover.

Não vou negar, a princípio, tudo o que eu queria era levantar daquela cama e ir para o quartel.
não estávamos em época de guerra nem nada do gênero, eu só estava apaixonado e queria proporcionar uma vida relativamente boa a ela, algo que a vida militar poderia me proporcionar.
fato é que o pai de Gabrielle nunca cogitou a possibilidade de um pobre rapaz como eu casar com sua adorável filha, até porque, o tenente-coronel Louis Edmund Wallbergh do 33ª batalhão de infantaria do Exército dos Estados Unidos, demonstrou interesse por ela em meio a festa para angariar fundos para as vítimas da G.E...
Algo que ironicamente se voltou contra mim, já que eu fui um dos que precisou da ajuda dele.
Vale lembrar que... Ela e eu fomos mais do que amigos, mais do que namorados, porém, o senhor promotor, Erick Magnus, jamais aceitaria tal união...
Como é de se esperar, eu acabei por desaparecer sem nem mesmo concretizar meus desejos de servir ao país, algo que se revelou completamente inadmissível, tendo em vista o meu posterior estado.
Quando Carlisle me falou sobre a dor, e devo dizer que não conseguiria impedi-lo mesmo que quisesse, eu apenas acenei com a cabeça, algo totalmente involuntário vindo de um ser debilitado e completamente inconsciente, porém, a meu ver, Carlisle tomou aqui como um "sim", e o fez, senti os lábios dele tocarem meu pescoço e seus dentes penetrarem em minha pele, e esta devo dizer que foi minha última lembrança.
É estranho, mas depois disso, tudo o que me restou foram flashes de momentos, eu me via preso a um cômodo escuro, e lembro-me dos meus gritos, altos e carregados de dor, e a dor...
A dor era tudo o que eu conseguia sentir.

Não me lembro quanto tempo passei ali, ou se foram dias ou apenas horas...
O que posso dizer-lhes é que me pareceu a eternidade...
Quando acordei, eu já não estava mais preso, via um feixe de luz que vinha da porta entreaberta, me levantei e cambaleante, andei na direção da mesma, quando a atravessei, vi o que parecia ser um salão, de um lado da parede, encontrava-se um grande Crucifixo, logo abaixo, uma tela com o que parecia ser sete homens, e de imediato, reconheci um deles.
era Carlisle, mas pelo estilo da pintura e estado da mesma, ela não podia ser recente...
Andei pelo lugar a procura de alguém, porém, minha busca foi em vão, em um determinado momento de minha andança, passei em frente a um grande espelho e pude me ver, porém, eu não estava nem um pouco parecido com o que costumava ser.
Obviamente eu estava curado da G.E, porém, alguma coisa estava muito errada, eu não sentia mais nenhum dos sintomas, mas sentia como se meu estômago estivesse comendo a si próprio, acredite, é horrível a sensação que isso pode lhe causar.
ali em frente ao espelho, pude ver com clareza...
Eu estava forte, meus cabelos estavam mais claros, meus olhos que originalmente eram verdes, estavam em um tom de preto, e remetiam a um horror que eu não conseguia denominar.
Era no mínimo... Pavoroso!
Sem saber o que fazer, eu fui até o sofá que ficava de frente para a lareira e para a tela onde o Dr. Carlisle estava pintado junto de outros que eu nunca tinha visto pelas redondezas, algo estranho e notável, era o fato de todos eles usarem túnicas que iam até os pés, incluindo alguns que não mostravam o rosto, estavam atrás de todos, como se fossem apenas sombras dos sete principais.
No início da noite, escuto vozes preocupadas, em questão de milésimos de segundo, me levanto e me assusto com a rapidez com que o fiz, e sem titubear pergunto na voz mais ameaçadora que consegui: - quem está ai?
Foi então que vi a figura de Carlisle, com seu jaleco branco dobrado sobre o braço e sua maleta na outra mão, ele apareceu e sorriu para mim, dizendo em seguida: - Olá Edward, que bom vê-lo acordado, sente-se bem?
A figura do homem a minha frente me pegou desprevenido, a gentileza com que falou, também não me foi comum, eu fui tão rude...
- eu estou bem doutor, só um pouco confuso... O que estou fazendo aqui?
Eu fiz a pergunta e a resposta saltou dele tão rápido, porém, seus lábios não se mexeram um segundo sequer...
- Edward, você está a salvo agora, a doença não mais lhe fará mal, gostaria de lhe explicar o que aconteceu com detalhes, se me permitir é claro.
Durante um pequeno tempo, eu titubeei e ouvi uma nova pergunta...
- você consegue ouvir os meus pensamentos?
Este foi o jeito que Carlisle encontrou de me falar sobre a minha habilidade em especial...
Ele começou, sua voz era calma e tranqüila, como se aquilo fosse natural para um ser humano...
-Edward, você passou por mudanças, seu corpo se transformou, você está mais forte, mais rápido, mas resistente, você não precisará mais de alimentos, comer, beber, respirar...
Isso tudo ficou para trás, sua... Humanidade ficou para trás.
Ele parou por um momento, respirou fundo e disse: - de agora em diante Edward, assim como eu também sou, somos o que os humanos chamam de vampiro.
A revelação foi como um choque de mil volts era como se milhões de agulhas me espetassem, mas a minha reação foi de sorrir, eu olhei para ele e dei uma gargalhada.
- Dr. Cullen... – eu falei e ele me cortou: - você pode me chamar de Carlisle, Edward.
E mais uma vez, ele falou e seu pensamento chegou primeiro que suas palavras.
- Carlisle – eu comecei... – o senhor poderia me explicar que brincadeira é essa?

Ele sorriu, balançou a cabeça e disse: - neste caso, você aceitará com o tempo, mas há uma coisa que me intriga... Você parece ter a capacidade de ouvir meus pensamentos...
neste momento, ele se calou e eu pude ouvir sua voz em minha cabeça...
- Edward, você pode me ouvir, você é um vampiro e este é um dos seus dons, dons que diferenciam cada um de nós, dons específicos por assim dizer, diga-me, sente fome Edward?
Sem pensar e de forma instantânea repondo: - sim!

Ele então balançou a cabeça e um sorriso se formou em seus lábios, levantou-se e disse: - venha, vou lhe mostrar o novo mundo...