Ficar dentro de uma cela reforçada, fortemente vigiada e com uma mestre jedi parada na minha frente lendo um livro primitivo. Não podia me ver numa situação mais irritante. Isso sem contar com essa fraqueza do corpo por causa da falta de alimento. Se não houvesse nenhuma alteração nesse quadro, mesmo que pequena, eu explodiria. Fiquei sentada em cima do fino colchão e com a manta em minhas pernas. Olhava para a parede em minha frente e percebi que já sabia de cor quantos frisos tinham cada bloco de metal. Meditar era impossível em minhas condições. Tudo era pior do que na minha primeira cela rochosa que fedia a urina. Pelo menos lá usava toda a minha concentração e força de vontade para sobreviver aos maus-tratos e aos ferimentos.
_ Quero que feche os olhos e procure acalmar seu espírito, padawan. Não ter paciência sempre foi um dos seus graves defeitos.
_ E a prepotência sempre foi um dos seus – repliquei irritada.
_ Prepotência? – deixou o livro de lado e finalmente me encarou, mas continuou falando baixo, sem demonstrar muita emoção – Não, Will! Você é prepotente. Tem um poder incrível nas mãos e o que fez com ele? Assassinou pessoas inocentes, comandou tropas em massacres – e a calma se transformou em indignação – Você tinha o potencial para ser o maior dos jedis. No entanto nos abandonou para ser capacho de um sith.
_ Eu deixei vocês porque vocês falharam, foram fracos – disse entre os dentes – Vocês a deixaram morrer.
_ Tara! – ela disse mais para si mesma do que para mim.
_ Não ouse falar o nome dela, sua VAGABUNDA! – gritei e Buffy recuou.
_ Nós falhamos na segurança dela, Will. Eu falhei e vou ter que carregar essa culpa para o resto da vida – disse baixinho, olhando para o chão – mas isso não justifica o que você fez – voltou a me encarar – você quis vingar a morte dela se aliando com aquele que ordenou o ataque para matá-la. Nem eu cometeria ato mais estúpido. Você foi para o lado negro porque foi fraca demais para enfrentar a própria dor. Você preferiu se perder numa ilusão de poder fácil. Você ficou dependente de uma droga que Darth Rack dá para que você não sinta nada. Se eu sou prepotente, Will, você é patética! Tara sentiria desprezo pela mulher que você se tornou!
_ CALA A BOCA! – explodi.
As palavras de Buffy me cegaram. Não pude pensar em nada a não ser deixar me levar pelo desejo de ver a cabeça dela esmagada na parede. Concentrei minha energia para manifestar uma onda de choque. Ela provocou pequenas explosões nas câmeras de segurança, rachou o sanitário e entortou várias barras da minha cela. A onda também jogou Buffy contra a parede, mas não com o impacto que eu queria. Tudo que ela fez foi cair no chão por algum tempo. Usando a telecinésia, arranquei a metade do sanitário e o joguei com toda a força que pude contra as barras. Repeti o processo com a outra metade até que consegui abrir espaço suficiente para sair. Tentaram ligar o choque, mas eu pulei contra as barras assim que senti a eletricidade queimando os meus pés e dali mesmo saí. Buffy estava ainda se levantando quando eu pulei em cima dela louca para estrangulá-la. Podia sentir toda a fúria, raiva e ódio tomando conta do meu ser e isso invariavelmente se refletia nos meus olhos que perdiam a coloração verde natural e davam lugar ao negro total. Eu a mataria com toda certeza se não me visse, de repente rodeada de jedis e mais alguns outros militares que não pude identificar a origem. Um deles atirou em mim com força mínima de energia, o suficiente para que eu sentisse dor. Mas eu não me importava com a dor. Queria matar. Então levei mais tiros que me enfraqueceram. Havia alguns jedis presentes e esses acionaram seus sabres. Eu pude enxergar as luzes azuis e verdes iluminando a silhueta dos cavalheiros. Mal conseguia ver os seus rostos, mas vi o de Buffy se levantando e andando em minha direção. Pensei que ela fosse me dar um chute ou um soco tão violento que me faria desmaiar. E depois eu acordaria em outra cela ainda mais reforçada, mas dessa vez para esperar a minha morte. Ao invés disso, ela me abraçou tão forte e apertado que mal dava para respirar.
_ Eu também a amei – ela sussurrou em meu ouvido – Porque ela te fez feliz.
Minha respiração estava acelerada, a adrenalina corria livre em minhas veias. Fazia força, mas não conseguia me livrar do abraço de Buffy.
_ Eu te amo, Will – ela continuou dizendo – muito mais do que você imagina!
_ Cala a boca! – eu dizia entre os dentes.
_ Eu amo sua inteligência, sua força, sua doçura, sua timidez, sua humanidade. Amo tudo em você, Will, até mesmo sua intransigência e o seu eu Darth Rubra de olhos negros.
_ Pára – minha voz fraquejou. Podia sentir um principio de uma onda violenta de emoções que queria sair do meu peito.
_ Você é minha família, minha irmã e minha melhor amiga. Não vou desistir nunca de você. E eu tenho certeza que Tara também não desistiria. Ela gostaria de ver você aqui, lutando do lado certo, pelos ideais que ela acreditava e morreu defendendo – beijou o meu rosto – Tem que voltar para nós, Will. Você tem que voltar para mim.
A explosão de emoções saiu em forma de um choro alto e desesperado.
...
Eu tinha recém-completado 17 anos quando vi Tara pela primeira vez numa manhã ensolarada. Era feriado em Corellia, mas as coisas andavam inquietas na ilha Caldraan, uma antiga reserva natural ao sul do continente principal que foi cedida pelo governo corelliano para a instalação do centro político da Aliança Galáctica. Era um pedaço de terra enorme que poderia ser considerado um pequeno continente. Era a única faixa de terra do planeta totalmente urbanizado. Buffy havia sido ordenada cavalheiro jedi e logo após a rápida cerimônia, embarcou para uma missão junto com o alto-comando militar da Aliança Galáctica para impedir um dos avanços de Rack sob um dos sistemas aliados. Eu havia cometido uma falta na ocasião, um pequeno trote para fazer graça com minha irmã. Mestre Giles não gostou nada e me puniu. Como castigo, deveria lavar e fazer pequenos concertos em dezenas de caças de defesa jedi ancorados no hangar. Eu odiava concertos, embora fosse brilhante com engenharia mecânica e computadores. Naquele dia, o Templo ficou agitado com a presença de uma jovem embaixatriz de Asgar, Tara Mclay. Um ano antes, o planeta foi atacado de surpresa pela Liga Independente, liderada pelo mestre sith, Darth Rack, também conhecido como Yuri Gi Dasperet, o rei de Naboo.
Tara tinha 21 anos quando a conheci. Era uma idealista carismática, com muito poder de influência entre jovens politizados. Depois que o planeta foi tomado, ela fez papel de agente duplo. Passava informações preciosas para o Conselho Jedi, para o comando da Aliança e também estava organizando secretamente um plano de revide para libertar Asgar. Quando foi desmascarada, precisou fugir do planeta às pressas. Naquela época eu já conhecia sua história e a admirava muito. Havia ouvido dezenas de discussões a respeito das informações valiosas que ela enviava. Várias permitiram que a Aliança desenvolvesse ações efetivas para impedir o avanço de Rack. Depois de desmascarada, Tara foi jurada de morte. Foi pensando em protegê-la, que a Aliança e o Templo formaram um corpo de seguranças, e três mestres jedis fariam um rodízio desse comando.
Naquele dia, enquanto eu gritava com um dróide mecânico por causa de uma ferramenta, ela apareceu no hangar com um discreto, mas lindo vestido azul.
_ Será que você consegue colocar essa nave para voar? – ela sorriu tímida.
_ Todas elas podem voar de imediato – respondi meio acanhada – só precisam mesmo de uma boa limpeza e pequenos retoques mecânicos.
_ Ainda assim parece trabalhoso.
_ É verdade!
_ Por que não deixa os dróides fazerem isso por você, padawan?
_ É que... que... – fiquei vermelha – é que... estou de... castigo!
Então ela sorriu. Achou graça da minha vergonha, dos meus cabelos vermelhos bagunçados, da pequena mancha de óleo na minha testa. E eu caí num feitiço profundo. Me apaixonei sem poder.
Tal foi a minha alegria quando soube que Giles havia pego o primeiro turno de segurança de Tara. Nesse período nós duas conversávamos muito e ficamos próximas. Depois me afastei dela por dois meses porque tinha de acompanhar meu mestre em outras missões. Por motivos diversos Giles e eu precisamos fazer a segurança dela muito antes do esperado. Foi quando eu me declarei e nós começamos um romance secreto e complicado. Tara se tornou uma peça importante na diplomacia da Aliança e volta e meia apareciam assassinos de aluguel, mercenários, atentados e todo o tipo de situação de risco. Mas ela não se abatia e continuava a fazer o seu dever. Nós nos desdobrávamos para ficar sozinhas e namorar. Para mim tudo valeu à pena. Por pouco mais de um ano, Tara me ensinou a amar de uma forma que eu não conhecia. E em troca lhe dei o meu corpo, a minha virgindade, minha devoção, minha fidelidade, todo o meu ser. Nunca fui tão feliz.
Um dia partimos para uma missão delicada no sistema Aok. Seria a primeira que assumiria sem o meu mestre e estava anciosa. Os aoks era uma raça agressiva, desconfiada e xenófoba. Não tinham tecnologia de dobra espacial, mas possuíam naves capacitadas para explorar o próprio sistema solar. Eram veículos lentos e sem grande poder bélico. Não havia mais nada de interessante em Aok, a não ser a sua localização estratégica na galáxia. A Aliança queria montar uma base no planeta, mas antes precisava negociar com alguns dos líderes. Tara foi escalada para a missão por ser a mais habilidosa para negociar com povos agressivos ou atrasados.
Buffy tinha acabado de retornar de uma campanha vitoriosa e como não nos víamos há muito tempo, ela decidiu ir junto por teimosia e desobedecendo uma ordem direta do mestre Skywalker. Acabei concordando com sua intromissão. Buffy e eu dividimos um caça de escolta corelliano VZ200. Uma nave muito eficiente e com bom poder bélico. Era projetada para dois tripulantes: o piloto e o atirador. O piloto, que ficava no assento da frente, tinha o controle dos dois canhões fixos na frente da nave, enquanto o atirador, que geralmente era eu no acento atrás do piloto numa poltrona um degrau mais alto, além de fazer o papel de co-piloto, na hora do combate controlava os quatro canhões laser móveis. Buffy era sempre a piloto.
_ Então – assim que entramos no hiperespaço ela girou a cadeira para ficar de frente para mim – você e a embaixatriz ainda...
_ É, nós ainda! – odiava falar a respeito do meu relacionamento com Buffy.
Um dia eu tive a idéia idiota de contar tudo a ela porque precisava desesperadamente dividir o que sentia com alguém que não Tara. Achava que Buffy iria me dar todo o suporte, porque ela mesma foi a primeira a quebrar as regras de que um padawan não deve se envolver romanticamente com ninguém. Aos 16 anos ela iniciou um romance com Angel, um agente da inteligência. Só eu sabia do caso. No aniversário de 17 anos dela, os dois foram para cama. Foi a primeira vez dela e acho que não foi bom porque os dois se afastaram por um tempo. Depois eles viveram altos e baixos terríveis por ano até que Angel rompeu o namoro dias antes de Buffy ser ordenada cavalheiro jedi. Hoje eles são apenas bons amigos e grandes aliados de guerra.
A questão é que quando contei tudo, Buffy reagiu mal. Muito mal. Disse que não queria que tivesse a mesma má experiência, mas no fundo sei que sua irritação foi porque me apaixonei por uma mulher. Ela só me deixou um pouco em paz depois que conheceu Tara e viu que se tratava de uma ótima pessoa. É claro que ela também deu o famoso aviso "se você a magoar, eu te mato".
_ Will, você sabe que só quero o seu bem! Manter uma relação assim é complicado...
_ Sei disso, Buff. Sei de todos os riscos, mas eu a amo e não vou desistir por causa de alguns obstáculos.
_ Só queria que você tivesse esperado a sua ordenação de cavalheiro para se envolver com alguém.
_ Você não esperou!
_ Me arrependo por ter atropelado as coisas. Foi difícil manter meus pensamentos em ordem depois que Angel rompeu comigo. Eu me senti tão perdida que...
_ O quê, Buff? – pressionei – o que você quis fazer?
_ Quis abandonar tudo. Por um segundo quis que a galáxia se danasse, que o lado negro me tomasse, que o mundo explodisse. Foi teste muito duro. Não quero que você passe pelo que eu passei.
_ E você acha que SE Tara rompesse comigo – fiquei irritada – e digo SE, porque ela não é como Angel e diferente DELE, ela me ama! Então SE a gente rompesse você acha que EU não agüentaria? Você acha que EU sou tão FRACA assim?
_ Não disse isso, Will – ficou indignada – não coloque palavras na MINHA BOCA!
_ Mas é EXATAMENTE isso que VOCÊ PENSA. QUE EU SOU FRACA E QUE PRECISO DE SUA ETERNA PROTEÇÃO – por um momento fiquei aliviada em saber que ninguém mais poderia estar escutando nossa conversa, uma vez que a comunicação entre naves ou o envio de mensagens é impossível dentro do hiperespaço.
_ EU SÓ NÃO TE ACHO MADURA O SUFICIENTE PARA SUSTENTAR UMA RELAÇÃO DE TANTOS RISCOS – ela berrou. Depois respirou fundo e continuou com a voz baixa – Primeiro porque você é uma padawan e não pode ter relações de natureza romântica. Será que nunca parou para pensar que se essa regra existe é porque existe uma boa razão para tal? Hoje eu sei que ela é importante, mas precisei sofrer na carne para descobrir. E segundo, Tara é uma diplomata em franca ascensão política! A carreira dela seria arruinada se a pegarem contigo. Não entendo porque vocês não dão um tempo separadas até que você seja, pelo menos, ordenada cavalheiro jedi! Você acabou de completar 18 anos! Não deve demorar muito para que isso aconteça.
_ Você deu um tempo com Angel? Você pensou nisso? Não!
_ Se eu tivesse sido um pouco mais racional, talvez não teria sofrido tanto. Quem sabe até estaria feliz com ele. Pense nisso, Will, por favor!
_ Não preciso da sua opinião e nem de suas sugestões – falei seco, sem emoção.
_ ÓTIMO! – e virou a cadeira de frente para o painel de controle, voltando a ficar de costas para mim – faça o que quiser da sua vida! Arruíne tudo se desejar.
Passamos as duas últimas horas no hiperespaço num silêncio terrível dentro daquele caça de escolta. Sair daquele túnel retorcido preto e branco nunca foi tão bom. Buffy logo entrou em modo jedi e nós falamos apenas o estritamente necessário. Descemos no maior e mais influente território Aok. Não foi uma recepção calorosa, mas Tara estava disposta a virar o jogo. Ela tinha ótimas e vantajosas ofertas da Aliança que incluíam o envio de engenheiros ao território mais influente para o aprimoramento tecnológico. Os líderes locais mostraram entusiasmo com a possibilidade do progresso e naquela noite Tara foi dormir animada com os avanços que fizera. Quanto a mim, na primeira oportunidade que tive, entrei em seu quarto.
_ Oi minha milady – engatinhei em sua cama e a beijei no rosto.
_ Olá minha padawan – ela virou o rosto para nos beijarmos propriamente.
_ Você fez um grande trabalho hoje!
_ Obrigada! E quanto a você... não vi um sorriso seu durante todo o dia – ela cedeu espaço em sua cama e levantou as cobertas para que eu me cobrisse. Eu respondi com beijos e quem sabe assim ela esquecesse e não fizesse mais perguntas. Mas Tara não era de deixar se enganar – Willow – ela me afastou de leve – não fuja do assunto! O que está te chateando?
_ Não vamos falar de coisas chatas por hoje, ok? – continuei com meus beijos.
_ Willow Rosenberg – ela se afastou – você não vai beijar mais um centímetro do meu rosto... ou em qualquer outro lugar, enquanto não me contar o que está acontecendo.
_ É que... – suspirei – briguei com minha irmã... como sempre!
_ Aposto que foi por minha causa! – ela me olhou triste.
_ Buffy não entende! – disse entre os dentes.
_ Não fique chateada – acariciou o meu rosto – ela só quer o seu bem estar e por isso se preocupa tanto.
_ Não entendo porque ela é contra o nosso relacionamento.
_ Sua bobinha – me deu um beijo na ponta do meu nariz – ela não é contra o nosso relacionamento. Se fosse já teria tomado providências mais sérias, como te denunciar ao Conselho Jedi, por exemplo. Ou me denunciar ao Corpo Diplomático da Aliança por dormir com uma humana menor de 18 anos.
_ Já não sou mais uma menor de 18 – a beijei de leve e ela sorriu. Deus, como eu adorava o seu sorriso – quanto essa parte, estamos dentro da lei.
_ Mas – ela me afastou – você ainda é uma padawan!
_ Pareceu até a Buffy falando, agora – e minha voz endureceu – ela quer que a gente se separe até que eu seja ordenada jedi.
_ E você quer isso?
_ Deus, Tara! Não! Já é duro demais quando preciso me afastar de você para lutar nessa guerra idiota. Eu não agüentaria! Prefiro sofrer toda a pressão do mundo e nunca mais falar com minha irmã do que me afastar de ti.
_ Então ficaremos juntas!
_ Até o fim!
_ Mas não quero que deixe de falar com sua irmã por minha causa! Quero que fique bem com ela, afinal, quando nos casarmos – ela me beijou na boca – gostaria de ver minha cunhada nos abençoando.
_ Casar? – meu coração bateu forte.
_ Quer casar comigo, Willow Rosenberg?
_ ÓBVIO QUE SIM – gritei e depois me conti com medo de alguém ter escutado – caso hoje mesmo se quiser. Eu largo a Ordem, eu largo tudo para ficar contigo, Tara McLay.
_ Não tão depressa! – ela me deu o sorriso mais doce que era capaz – primeiro vamos resolver essa missão... depois temos de legalizar a nossa situação em Corellia para então nos casarmos. O que acha?
_ Acho perfeito! – e fiquei sonhando – serei a senhora Rosenberg McLay!
Fizemos amor pela última vez naquela noite.
No dia seguinte, havia um evento marcado para logo após a segunda refeição, como dizem os aoks. O líder supremo convidou Tara para um passeio na cidade e em algumas fábricas. Não era um evento programado e por isso passamos a manhã inteira planejando o esquema de segurança. Buffy e eu escoltaríamos Tara com duas motos. O resto do corpo de segurança acompanharia o veículo principal um pouco mais atrás. Além disso, teríamos alguns agentes espalhados em pontos do percurso que consideramos estratégicos. Foi um plano muito bem pensado por Buffy. Praticamente não havia falhas ou riscos nessa primeira parte do trajeto. O problema seria dentro das fábricas porque a assessoria deles não forneceu as plantas internas dos edifícios.
_ Recomendo não cumprir essa parte do evento, milady – Buffy disse em seu tom profissional – não é seguro. Vamos ter que manter o pessoal plantado nas passagens estratégicas da cidade e temos de usar no mínimo seis agentes para cobrirem o lado de fora desse complexo industrial. Vão restar nós três e mais dois agentes acompanhando a senhora dentro de cada prédio.
_ Estarei nas mãos de uma condecorada cavalheiro jedi e uma padawan muito talentosa – ela sorriu gentil para minha irmã – ao meu ver, não poderia ficar mais segura.
_ Ainda assim, milady...
_ Você confia em suas habilidades? – Tara a interrompeu e tocou em sua mão com delicadeza.
_ Sim!
_ Então o que temer?
_ Não é porque confio em minhas habilidades que vou me superestimar, milady. Jedis também estão sujeitos à falhas.
_ Essa missão é importante demais temer nossas próprias inseguranças. Podemos dar um grande passo para vencer essa guerra contra Naboo se formos bem sucedidos aqui. Eu não vou falhar e vocês também não.
_ Sim, milady! – Willow, Buffy disseram juntas.
_ Então todos ao trabalho. Temos apenas duas horas até o encontro – esperou que uma boa parte se dispersasse, incluindo Buffy, para poder falar comigo – Willow, você que é tão habilidosa com consertos, será que você poderia me ajudar com o comunicador?
_ Com todo prazer, milady.
Claro que não havia problema algum com o comunicador. Era só uma desculpa esfarrapada para me levar a um lugar sossegado para que a gente pudesse se beijar um pouco. E foi o que fizemos assim que nos vimos sozinhas no quarto, mas não por muito tempo. Buffy entrou sem se anunciar, nos pegando em flagrante. Mas ela estava preocupada demais com a situação para se importar com isso.
_ Milady... Tara. Reconsidere! Eu sinto um distúrbio na Força... Will, diga a ela!
_ Desculpe Buffy, mas eu não sinto nada de errado.
_ É porque você não está mais em harmonia com a Força como deveria.
_ O que está sugerindo? Que eu não me importo?
_ Estou sugerindo você deixar de pensar um pouco com seus hormônios e sua... – ela foi educada o suficiente para não completar a palavra na frente de Tara. Mas eu entendi e a encarei pronta para brigar.
Tara se colocou entre nós duas.
_ Hey! Vamos baixar os ânimos!
_ Tara – Buffy me encarou primeiro e depois olhou para Tara – ao contrário do que a minha irmã ou você possam estar pensando, eu vim aqui com a missão de te proteger e é isso que tenho em mente.
_ Eu sei que sim, Buffy, e confio em seu julgamento. Mas é que há tanto em jogo e eu não quero recuar agora.
_ Entendo sua posição e a da Aliança. Só que minha pouca experiência me ensinou que é preciso ter paciência e cautela para conquistar certos objetivos. Às vezes é preciso admitir derrotas e esse é o caso dessa missão!
_ Você deve ter entrado em contado com o seu mestre, não é mesmo? - Buffy acenou positivo - O que mestre Giles acha disso? – Tara respirou fundo e voltou a ter postura profissional – Digo, do seu esquema de segurança e da visita às fábricas?
_ Ele diz que não haverá problemas se nós duas trabalharmos juntas... – e me encarou – como antigamente.
_ Então que assim seja – ela deu um beijo respeitoso no rosto de minha irmã – confie no julgamento de mestre Giles... minha cunhada – sorriu de leve.
_ Ok! – Buffy finalmente cedeu – Verei como poderei remanejar o pessoal para que mais dos nossos possam entrar no prédio.
Buffy tinha razão. Estava tão cega de amor por Tara que relaxei onde não devia: na razão do porque estávamos todos naquele planeta. Estava pouco concentrada e sem sintonia com a Força. Deixei de sentir. Nos encontramos com a comitiva em frente ao palácio do governador e dali seguimos viajem em direção às fábricas. Nada de anormal aconteceu nas ruas, mas quando entramos no primeiro prédio, tivemos a surpresa. Ao invés de assassinos de aluguel, aprendizes siths nos interceptaram. Eu acionei o meu sabre e rapidamente corri atrás de um deles. Buffy mandou os seguranças tirarem Tara dali e deixar o planeta imediatamente enquanto ela acabava com o segundo sith. Nós duas travamos uma batalha feroz durante alguns minutos, até que eles, do nada, recuaram. Foi quando os próprios seguranças aoks começaram a atirar em nós. Eu corri para a saída e o que vi me deixou em choque. Tara estava desacordada nos braços de Giles e havia a marca de um tiro na altura do seu peito. Entramos todos em um carro e pedimos socorro a nossa principal nave, que durante as missões sempre ficava orbitando em volta do planeta por questões de segurança. Nada! Ela havia sido destruída. Precisamos fugir e nos esconder até conseguir roubar uma nave capaz de nos levar de volta para casa. Todo o processo de escape durou algumas horas, o que para Tara foi muito tempo. Ela não resistiu e morreu nos meus braços assim que nós conseguimos entrar no hiperespaço a caminho de Corellia.
Primeiro eu fiquei em choque, depois uma raiva insana tomou conta de mim. Precisava destruir, matar, fazer qualquer coisa para aliviar um pouco daquela dor. Primeiro fiz o mais fácil: culpei a Aliança Galáctica por tê-la mandado para aquela missão. Depois culpei a Ordem Jedi e por último Buffy. Culpei todos, menos a mim mesma. Na noite da cerimônia de cremação, deixei Corellia rumo a Naboo. A princípio, para matar Darth Rack numa missão tão suicida que tinha certeza que morreria antes mesmo de sair da nave. Era o que eu queria! Mas não foi o que aconteceu. Rack sentiu a minha dor, minha fúria, e gostou. Ao invés de me matar, estendeu sua mão. Disse que tinha o que precisava para não sentir mais dor e tudo que ele queria em troca era a minha fidelidade. Aceitei sua oferta sem reservas. Assim virei Darth Rubra.
