Nunca participei de um julgamento jedi mesmo porque eles são raros, ao contrário das sessões de advertências, que também têm votações e discussões dos fatos, mas são usados para coisas corriqueiras. Um julgamento é coisa mais formal, que envolve gente de fora da Ordem, há interesses em jogo. Eles funcionam de um jeito simples. Um dos mestres do Conselho é escolhido como relator do caso. É aquele que vai ficar fazendo infinitas perguntas para arrancar todas as informações possíveis. Geralmente eles escolhem o mais eloqüente. Enquanto há o interrogatório, ninguém além do julgado e do relator fala. Depois há um momento em que são abertas perguntas para os outros mestres, geralmente para esclarecer qualquer dúvida. O direito da minha defesa vem em seguida. Nada de terceiros elaborando textos impactantes. No último momento o julgado e convidados, se esses forem permitidos, se retiram da sala e ficam aguardando o parecer do Conselho. Por questões políticas um representante da Aliança foi convidado a participar da discussão.

No meu caso, posso ter dois grandes destinos possíveis. O primeiro é Conselho considerar que sou assunto deles e nesse caso, o meu destino estará nas mãos dos grandes mestres. A segunda possibilidade é eles concluírem que não sou da conta deles e me entregarem para a justiça da Aliança. Nesse caso, a minha vida vai depender do parecer que os mestres entregarão a promotoria. Um ruim vai me condenar à morte.

Passei os três dias presa em uma cela reforçada sem o direito de receber visitas. Foi bom para pensar nas coisas!

No dia "D" fui conduzida até a sala do Conselho. Todos os membros estavam sentados, incluindo Buffy, que estava mais tensa do que nunca. Podia sentir! Entre os convidados estavam três representantes do alto escalão da Aliança, o que era sinal de que minha cabeça era importante para os políticos. Quando cheguei em frente ao Conselho, me curvei em cumprimento antes de sentar em meu lugar. Anil Orvelos se levantou mostrando que seria o interlocutor.

_ Ano galáctico 459 DBY, processo 035, categoria A. Começa agora o julgamento de Willow Rosenberg, humana, 21 anos, nascida em 438 DBY, planeta de origem: Serenno. Willow Rosenberg é irmã caçula da mestre jedi membro desse Conselho Buffy Summers Rosenberg. Segundo nossas leis, Mestre Summers Rosenberg poderá participar dos questionamentos, mas não da discussão e dos votos pelo caso envolver um parente de sangue direto. Por isso minha jovem – direcionou para mim – não espere qualquer privilégio – e continuou para os demais – ela abandonou a Ordem Jedi aos 18 anos recém completados ainda padawan, e se aliou ao Lorde Sith Darth Rack, inimigo de guerra da Ordem Jedi e da Aliança Galáctica. Willow, você nega alguma dessas informações?

_ Não senhor!

_ Willow Rosenberg, você é procurada pela Aliança Galáctica por cometer crimes de guerra. Você matou de forma cruel o mestre jedi ex-membro deste Conselho, Hupert Giles, e o padawan Li-Saad, além de ferir e aleijar muitos outros. Confirma isso?

_ Sim senhor!

_ Registro feito! Willow, assim como sua irmã, você é conhecida por não gostar muito das regras. Quebrou o seu voto de castidade ao se relacionar com a embaixatriz Tara McLay, que era quatro anos mais velha que você. Um relacionamento proibido não apenas por causa de seus votos, mas também que feria as leis de proteção a integridade da infância e da juventude da Aliança Galáctica. O artigo 12F3 considera que é desaconselhável um jovem, no caso do humano, com menos de 18 anos a fazer sexo, pois ainda não tem maturidade suficiente para tal. E o artigo 12G1 considera crime que qualquer ser maior de idade faça sexo com menores de idade das raças que assinaram o termo, entre elas a humana. O que você tem a declarar sobre isso?

_ Eu... eu sei que as leis existem por uma boa razão. Não nego que violei meu voto de castidade e tive sim relação sexual antes dos 18 anos com alguém maior de idade. Mas acontece que amei Tara com todo meu ser, e o amor não reconhece regras, convenções ou leis. O amor também não reconhece racionalidade, pois se fosse assim teria escutado os conselhos e avisos de minha irmã.

_ Qual é exatamente o envolvimento da mestre Summers Rosenberg?

_ Contei tudo a ela e a fiz prometer que nunca revelaria isso a ninguém até que pudéssemos assumir nosso relacionamento publicamente. Ela cumpriu sua promessa e sou grata por isso – Buffy e eu trocamos olhares cúmplices – Mas também nunca deixou de me aconselhar. Sugeriu em diversas ocasiões para que me afastasse de Tara e só retornasse o meu relacionamento depois de ordenada jedi. O que recusei sumariamente a fazer. Essas conversas eram motivos de brigas constantes entre Buffy e eu. Ela dizia que não tinha maturidade o suficiente para sustentar um relacionamento difícil e complexo como aquele. Hoje eu sei que minha irmã estava coberta de razão.

_ A morte da embaixatriz tem alguma relação com sua traição?

_ Tem tudo a ver. Tara morreu nos meus braços porque não conseguiu receber tratamento à tempo. Horas antes Buffy implorou para que ela desistisse de visitar as fábricas porque não teria como fazer um planejamento de segurança eficiente. Tara não ouviu aos apelos e eu também não fiz a minha parte... havia brigado com Buffy no dia anterior e quando a questão veio a tona, preferi me omitir a dar razão a ela. A visita à fábrica, na verdade, era uma armadilha para matar Tara. Na ocasião todos os seguranças foram mortos. Nossa nave foi abatida. Mestre Giles, Buffy e eu precisamos ainda enfrentar siths. Por um momento Tara ficou sozinha e levou um tiro de bala de chumbo. Ficamos à deriva e demorou um tempo até conseguirmos roubar uma nave para voltar para casa. Infelizmente Tara não resistiu a esse tempo... – começou a ficar difícil de falar – eu me desesperei... – meus olhos começaram a lacrimejar – a vida... a vida... tudo ficou... nada mais fazia sentido. Tara havia me pedido em casamento na noite anterior e eu estava disposta a largar a Ordem assim que chegássemos a Corellia... – Buffy e eu trocamos olhares pela segunda vez. Ela não sabia e por isso entendi sua perplexidade – Culpei Buffy pela morte de Tara... eu... eu culpei todos vocês e a Aliança, por tê-la mandado numa missão tão difícil – pausei um pouco porque aquele ainda era um assunto que provocava uma dor quase insuportável. Depois de respirar fundo diversas vezes, tentei continuar – Tara era minha luz... o meu tudo. Quando ela me olhava, me sentia a pessoa mais importante da galáxia.

As lágrimas corriam livres em meu rosto. O relator fez uma pequena pausa para que eu pudesse respirar e voltar a me acalmar, o que agradeci. Não esperava esse tipo de sensibilidade.

_ Você disse que culpou a todos nós pela morte da embaixatriz – Anil Orvelos continuou após alguns minutos – foi por isso que procurou Lorde Rack de Sith e cometeu o seu ato de traição?

_ Fui a Naboo logo após o funeral de Tara, mas o meu objetivo nunca foi me aliar aos siths. Estava tão desesperada e cheia de ódio que fui a Naboo para morrer! Como não tinha coragem para fazer isso com minhas próprias mãos, resolvi ir até lá para matar o máximo que pudesse, mas consciente que em um momento eles me matariam também.

_ O que aconteceu então?

_ Matei muitos soldados assim que pulei da minha nave, mas ao invés de retribuírem o fogo, eles me prenderam e me conduziram até Lorde Rack. Ele disse que sentiu a minha dor e que tinha a solução para fazê-la desaparecer. Foi quando me deu o brilho pela primeira vez... é um tipo de injeção de energia que faz a nossa mente ficar entorpecida por algum tempo e o nosso corpo tem algumas reações...

_ Reações? Pode descrevê-las?

_ De puro prazer, como se estivéssemos tendo um orgasmo – senti o meu rosto corando.

_ E Darth Rack prometeu te dar esse... brilho... se você se unisse a ele?

_ Não. Primeiro ele me viciou, depois impôs certas condições para me dar o brilho. Uma delas foi o meu treinamento nos moldes sith. Quando estava completamente convertida, ele me rebatizou de Darth Rubra.

_ Como era a sua vida como um sith? Que posição você ocupou?

_ Nos primeiros meses não fiz muito. Eu treinava e acompanhava outros aprendizes em algumas coisas. Se fizesse bem, recebia o brilho, se não, amargaria uma pequena crise de abstinência.

_ O brilho foi a única droga que você tomou?

_ Não. Também experimentei drogas sintéticas como o líquido rosa, ou pílulas de astrasux, mas Lorde Rack me fez parar com boa parte delas depois que ganhei alguma importância. Passei a me contentar com o brilho, mas havia momentos que precisava de um reforço e apelava para as pílulas basicamente.

_ Como e quando foi isso? Digo, quando você acha que ganhou importância?

_ Foi depois que matei mestre Giles e lutei contra Buffy pela primeira vez. Ele sentiu pleno domínio do lado negro em mim a ponto de me confiar missões mais importantes.

_ Sobre o seu confronto com mestre Giles. Você o matou de forma cruel e grotesca. Segundo testemunhas você primeiro fez uma luta de sabres e cortou seus membros. Depois você atirou o corpo de seu mestre inúmeras vezes contra as prateleiras e mesas do bar até jogar o seu corpo inerte para fora. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ali mesmo nos braços de mestre Summers Rosenberg. Você sentiu tanto ódio dele a ponto de cometer tal barbaridade?

_ Já não sentia raiva do meu antigo mestre. Talvez nunca tenha sentido de fato. Nunca parei para pensar no assunto. Na verdade, naquele dia estava tão drogada que mal lembro do que fiz exatamente. Mas se fiz, foi porque pude. Estava sendo fiel a maior motivação que um sith pode sentir.

_ E o que é isso?

_ Poder! Tudo para um sith baseia em ter poder e usa-lo de acordo com o que lhe convier. Naquele dia, sabia que tinha o poder da vida de Giles em minhas mãos e poderia fazer que quisesse com ele.

_ Você tinha esse poder, então porque não conseguiu matar sua irmã? Vocês lutaram logo em seguida, não foi?

_ Não poderia ganhar de Buffy naquele momento. A fúria que ela sentiu contra mim ultrapassava todos os sentidos. Eu teria caído diante dela se não tivesse recuado.

_ Isso nos leva ao mestre jedi Robin Wood. Você o confrontou meses depois em Nar Shaddaa e cortou suas pernas.

_ Nar Shaddaa foi um erro, uma precipitação de planos. Quisemos tomar um planeta que era fiel e estava fortemente protegido pela Aliança. Não foi à toa que saímos derrotados de lá. Confrontei com mestre Wood quando estava batendo em retirada. Ele me interceptou e nós lutamos. Eu fui melhor e cortei suas pernas. Depois fui embora

_ Por que simplesmente foi embora? Você poderia ter eliminado mestre Wood ali mesmo, assim como em outras ocasiões. Em Cerea você lutou contra o cavalheiro jedi Kit Piell, cortou sua mão, mas o deixou fugir. Nas luas Romodian você lutou contra três padawans de uma só vez, os empurrou em um barranco que não oferecia muitos riscos às suas vidas e foi embora. Em Mustafar você lutou comigo por uma hora seguida, me desarmou, mas ao invés de me jogar na lava quando pôde, você fez parte das instalações desabar sobre mim e foi embora. Com o cavalheiro jedi Lup Espa foi ainda mais emblemática: você simplesmente o desarmou, virou as costas e foi embora. Mestre Buffy nos revelou que vocês duas lutaram em Yavin 4 diante de Darth Rack e você não só a desarmou como chegou muito perto de degola-la. Mas desativou os sabres para entregá-la ao mestre sith. O que te impediu de nos matar, Willow Rosenberg?

_ No caso da Buffy, mata-la nunca foi o objetivo. Ela é minha irmã e eu a amo – disse com sinceridade – E também porque estava há algumas semanas sob tutela dela, me recuperando do vício e reencontrado meu equilíbrio. Matei o padawan naquele mesmo dia, diante de Rack, mas talvez porque estava me sentindo frustrada. Apesar de todo esforço que fiz, na primeira crise eles me trancafiaram numa solitária e eu só saí dali horas depois quando Gunn, um outro sith, me libertou. Estava com raiva porque Buffy não me deu chance de escolha. Muito menos Rack, se for pensar bem.

_ O que você está querendo dizer é que quando estava com os dois sabres em forma de tesoura no pescoço de sua irmã, você teve uma escolha?

_ Sim e não! Matar Buffy significaria desrespeitar uma ordem direta de Lorde Rack, mas, ao mesmo tempo, me elevar entre os aprendizes que adorariam vê-la sem a cabeça. Você não faz idéia do quanto eles a odeiam! E se matasse minha irmã, estaria erradicando tudo que restou da minha família, incluindo eu mesma. Willow Rosenberg morreria também. No entanto eu a escolhi... por deus... eu escolhi isso! Quis voltar pro Templo e me submeter a um julgamento...

_ E o amor que sente por Buffy fez tudo isso?

_ Não! Quer dizer, em parte... Não foi só por causa disso. É que só agora percebo que toda a mágoa que sentia por causa da morte da Tara passou, assim como a necessidade de... entorpecer a minha mente... oh... – levei minhas mãos a cabeça ao perceber o que acabara de falar.

_ Foi por isso que não nos matou, jovem Rosenberg. Você sempre teve o poder de escolha em suas mãos. Mestre Summers Rosenberg estava certa quando disse do imenso conflito que sentiu dentro de você quando ela nos procurou pela primeira vez para pedir exílio em seu nome. Tenho vergonha por ter sido um a recusar o pedido desesperado que ela fez. Não acreditamos que você pudesse ser salva. Felizmente estávamos errados. Estou tão certo disso quanto afirmo que você só não teve a mesma epifânia porque estava dependente demais das drogas. No momento que você nos deixou viver, era a Willow que estava fazendo um apelo desesperado por ajuda que só a sua irmã foi capaz de escutar. Nem imagino como deve ter sido doloroso lutar contra Darth Rubra.

_ Mas isso não me impediu de matar. Outros não tiveram a mesma sorte – falei seca.

_ Eu sei. Nós sabemos do seu antigo apelido: Rubra, a Sanguinária.

_ Exagero. Começou com Giles, por causa da forma que o matei. Depois, qualquer coisa que fizesse, as pessoas aumentavam a história. De todos esses atos, apenas um condisse aos boatos. Foi quando matei um outro aprendiz sith de forma muito cruel.

_ Posso saber qual foi o motivo?

_ Ele blasfemou a memória de Tara. Por isso o matei sem piedade. Cortei sua língua, seu escalpo e por fim o degolei. Mas não foi o mesmo com os outros casos. Posso ter usado um pouco de ironia e sarcasmo, posso ter sido fria. Mas eu não torturava minhas vítimas... a não ser que fosse uma ordem expressa.

_ Que tipo de gente você matou?

_ Muitas vezes Lorde Rack me mandava matar pessoas em específico, que estivessem atrapalhando seus planos. Foi o caso de Giles, alguns reis do crime, políticos... boa parte dos senhores também estão nessa lista. Matei pessoas em combates diretos também, mas esses considero um confronto de soldado contra soldado onde nenhum tribunal da galáxia poderia me condenar.

_ Rack revelou seus planos a você?

_ Não! Ele é inteligente o bastante para guardar o plano inteiro para si mesmo. Quando ele nos ordenava a fazer alguma coisa, nos concentrávamos apenas naquela missão e não podíamos fazer muitas perguntas. Talvez as únicas pessoas que saibam partes do plano completo sejam Wesley, Darla e Wilkins.

_ Você tem certeza de que não sabe de mais nada?

_ Não sei mais nada. Tudo que sabia a respeito dos planos de Lorde Rack eu disse para Angel Connor, um agente da inteligência da Aliança.

_ Será que você poderia repeti-los para nós?

_ Até onde sei, os planos de Lorde Rack incluíam manobras militares vindos de Aok para tentar um ataque definitivo a Malastere. Ele também planeja reforçar seu exército com novos dróides desenvolvidos em Stunds. Minha missão seguinte ao sequestro de Buffy, seria voltar ao meu planeta natal, pela primeira vez desde que nós o deixamos. Eu deveria assessorar um encontro político entre líderes dos planetas aliados a Naboo e caçar alguns traidores.

_ Tem idéia do por que Darth Rack foi pessoalmente a Yavin 4?

_ Não posso afirmar com certeza, senhor, mas na minha opinião ele queria capturar Buffy pessoalmente. Ele gostaria de ter minha irmão ao seu lado porque ela daria um excelente "braço direito" para seu governo. Não vejo outra razão para que Rack fosse pessoalmente. Ele só deixa Naboo em casos importantes.

_ E você não se acha importante o suficiente?

_ É uma pergunta que não sei responder. Lorde Rack trata todos seus discípulos muito bem, mas tem seus favoritos e eu não era um deles.

_ Não podia ser um dos favoritos, mas certamente um dos mais poderosos. Arquivos de seus exames do Templo dizem que a medição de midi-clorians de você e sua irmã são as mais altas desde Jacen e Jaina Solo, além de Ben Skywalker.

_ Se somos, então somos. Eu não tenho nada a dizer quanto a isso – era óbvio que eles tentavam me levar a confessar a minha verdadeira origem. Mas nunca iria revelar aquilo na presença de pessoas estranhas ao Conselho. Além disso, era óbvio que aqueles velhos já sabiam. Tinham conhecimento de que eu e Buffy somos netas de Lorde Rack desde antes de deixarmos Serenno. Meu pai deve ter contado a Giles, que por sua vez contou aos seus superiores.

_ Você poderia descrever como era o seu relacionamento com Rack?

_ Nada especial. Ele me treinava, me dava o brilho e às vezes me permitia fazer algum tipo de recreação. A única coisa que ele nunca tentou foi me seduzir, no sentido sexual da palavra – minha insinuação provocou alguns murmúrios e pude ver perplexidade no rosto de alguns, em especial no de Buffy. Ela não esperava uma brincadeira ousada, dessa natureza. Resolvi explicar melhor – é que Rack gosta de levar o relacionamento com suas aprendizes a um nível mais íntimo. Darla e Drussila são suas favoritas. Ele considera que o sexo e a sedução são grandes ferramentas, e ganha muitos aliados assim. Com isso, ele os envolve sem precisar sujar as mãos. Prefere deixar isso para os aprendizes. O que não quer dizer que ele não tenha poder, pois isso é inegável. Suas demonstrações de força assustam até mesmo Wilkins, que como vocês todos sabem, é extremamente cético e não se impressiona facilmente.

_ Poderia dar exemplos de que tipo de demonstrações de poder ele faz para assustar até mesmo um homem experiente como Wilkins?

_ De alguma forma, ele cicatriza mais rápido que um humano normal e é muito mai velho do que aparenta. Ele nunca falou nada a respeito, mas suspeita-se que ele beira seus 200 anos. Também é capaz de absorver a energia do seu corpo colocando a mão no seu peito, tem a capacidade de entorpecer e viciar alguém usando a Força. Além disso, é um lutador formidável. Provavelmente o melhor que já vi...

_ E ele ensinou coisas assim para você ou para algum dos seus aprendizes?

_ Minha técnica de luta melhorou sensivelmente depois que ele me treinou. O mesmo posso dizer da minha telesinésia. Mas esses poderes especiais... não era algo que ele ensinava gratuitamente... e depois certas habilidades necessitam de experiência.

_ Você gostaria de aprende-las?

_ Por um lado sim, porque elas revelam um lado oculto da Força que todos jedis temem se aventurar, mas o sith ousa ir além. A grande verdade é que o que fazemos aqui não chega nem perto do limite real desses poderes. Por outro lado, desvendar todos esses poderes ocultos exige um preço alto demais. Rack pagou para ver e se tornou muito diferente e bem mais perigoso que os outros siths aprendizes juntos. Posso assegurar que sua motivação vai muito além do poder político.

_ E você saberia explicar que motivação seria essa?

_ Só posso dizer suposições aqui... mas acho que o plano real de Rack vai muito além de governar a galáxia... o que ele quer, de alguma forma, é recriar tudo a sua semelhança. O que acho que Rack quer ser o próprio Criador – e houve um silêncio na sala, como se todos os mestres tivessem se colocado a refletir.

_ Muito bem Willow Rosenberg. Encerro aqui a primeira parte do julgamento e a partir de agora abro espaço agora para que os outros mestres deste Conselho e nossos convidados façam seus questionamentos.

_ Willow Rosenberg – mestre Rosse Fisto se pronunciou – você ainda se considera uma sith?

_ É outra pergunta que não tenho certeza se sei responder – suspirei – são apenas dois meses longe de tudo aquilo que era a minha rotina nos últimos três anos. E a maior parte desses dois meses fiquei presa numa cela sofrendo por causa da crise de abstinência, meditando com Buffy ou mesmo conversando bobagens com Dawn Wood. O que posso afirmar é que não tenho certeza de absolutamente nada ao meu respeito, mas sei o que quero fazer. Se me considero uma sith? Talvez não mais. Se tenho o lado negro forte dentro de mim? Você mesma pode sentir. Se há conflito em mim? Essa é uma outra pergunta que todos vocês sabem a resposta.

_ Will – foi a vez de Buffy se manifestar – aquela promessa que te fiz, infelizmente já não posso cumpri. Não por minha culpa, porque eu teria feito valer a minha palavra...

_ Você quer saber qual é a minha resposta mesmo assim?

_ É!

_ Creio que já respondi em Yavin 4.

_ Sei que sim, mas eu queria que você dissesse nesse julgamento. Se você tivesse o livre arbítrio agora, quem você escolheria? Eu, Rack ou nenhum de nós?

_ Você! – Buffy abriu um sorriso.

_ Willow Rosenberg – mestre Acker disse em voz austera – você se arrepende do que fez nos últimos três anos?

_ Me arrependo de ter me descontrolado e ido a Naboo na primeira vez. Quanto ao resto, eu só posso lamentar e aprender a viver com isso.

_ Jovem Rosenberg – foi a vez do mestre Larz Skywalker – você acredita que possa voltar ao que era antes da morte da embaixatriz?

_ Não! Jamais poderei voltar ao que era. Por mais que eu tome o caminho de volta e dê o melhor de mim, ainda vou ter que arcar com as conseqüências do meu passado como sith. Tenho muitos assassinatos nas minhas costas, matei o meu mestre. Tudo que posso fazer agora é tentar reparar parte do mal que fiz.

_ Então você busca a redenção?

_ Redenção é uma boa palavra para descrever isso, mestre Skywalker

_ O que a motivou a querer a redenção? Foi a sua irmã?

_ Em parte sim. Buffy ajudou a clarear minha mente ao forçar a minha desintoxicação e para que eu pudesse reencontrar meu equilíbrio. Também penso em Tara. Acho que ela sentiria vergonha da mulher que acabei me tornando e preciso concertar as coisas em honra da memória dela. Mas quem me motivou a tentar a redenção foi a mãe de Spike, um agente da BARD – esse comentário provocou dezenas de interrogações – Depois que fugimos de Yavin 4 – resolvi explicar melhor – encontramos com Spike em Tatooine e ele nos hospedou em sua casa. Sua mãe nos recebeu com gentileza, mas horas mais tarde a anciã resolveu me confrontar. Há pouco menos de um ano eu matei o seu irmão, Osny, numa situação que desconheço, mas pelo relato da mãe e do próprio irmão, o sujeito estava no mundo do crime. A mãe deles quis se vingar e fez o filho prometer que de um jeito ou de outro ele traria o assassino de Osny para que ela mesma pudesse o encarar e o matar com suas próprias mãos, mesmo que isso ferisse sua integridade. E ela realmente me encarou e disse que eu fosse para o inferno, mas que não tentaria matar porque a pessoa que chegou na casa dela era alguém que tinha acabado de receber sua segunda chance e ela jamais tiraria isso de mim. Então me perdoou fez jurar que eu iria lutar para me redimir de tudo que tinha feito.

_ Will – Buffy se manifestou outra vez – Você acha que um dia ainda pode voltar a ser uma jedi?

_ Bem... – olhei para ela surpresa. Uma maldade guardar a pergunta crucial para o fim – se por um lado não posso mais me considerar uma sith, acho que o mesmo se aplica ao outro lado. No momento mal sei o que sou, Buffy!

Olhei para todos os membros do Conselho esperando mais perguntas. Ninguém mais se manifestou, o que para mim foi um alívio porque já estava ficando exausta. Mestre Anil Orvelos se levantou novamente e anunciou.

_ Se não há mais perguntas, chegou a hora de sua defesa. O que tem a declarar Willow Rosenberg?

_ Não tenho mais nada a dizer, mestre.

_ Sendo assim, gostaria que você e mestre Buffy Rosenberg se retirassem da sala.

Quatro cavalheiros jedis me escoltaram de volta a minha cela. Estranhamente não estava ansiosa pelo resultado. Tinha mais vontade era de saborear o prato de comida que prepararam e o leite azul. Mais tarde, Dawn me visitou para falar mais frivolidades e saciar pequenas curiosidades, o que agradeci.

_ Hey, Will. Porque você é apenas Rosenberg e Buffy é Summers Rosenberg? Eu ainda não peguei a lógica da coisa.

_ É que nós somos irmãs apenas por parte de pai. Buffy quis prestar homenagem a mãe biológica dela e por isso deixou o Summers.

_ Oh! Legal!

_ É sim!

Ficamos conversando um pouco mais até que, horas depois da julgamento, três jedis aparecerem para me escoltar de volta para receber a sentença. Ao chegar no local procurei fixar o olhar em Buffy e tentar passar confiança. Mas o rosto dela estava sério e distante. Me posicionei de pé em frente ao Conselho e esperei.

_ Nós consideramos cada ponto do seu caso e entendemos que sua atitude não foi deliberada e sim conseqüência de um grande sofrimento. O descontrole pela morte da embaixatriz Tara McLay, o vício, a dor. A vida não foi exatamente fácil para você e sua irmã. Nós fizemos o possível para amenizar a dor ao mantê-las juntas na fase inicial do treinamento, mas se por um lado acreditamos que fizemos certo em não separa-las, por outro, nós falhamos ao não considerar as diferenças de temperamento das duas no trato da disciplina. Temos inclusive uma confissão a fazer. Sabíamos de suas origens e o que o sangue de vocês trazem. Sabíamos do envolvimento ilegal de Buffy Summers Rosenberg com o agente da inteligência. Discutimos o assunto e não fizemos nada para repreender porque acreditamos na força de caráter dela. Foi quando nós cometemos no nosso primeiro grande erro. Se tivéssemos punido Mestre Summers Rosenberg, teríamos desencorajado deslizes posteriores de outros aprendizes. Felizmente ela foi forte o suficiente para superar o impacto emocional do rompimento sem que isso trouxesse prejuízos para sua própria formação como jedi e missão. Descobrimos o seu envolvimento com Tara McLay semanas antes da tragédia em Aok e resolvemos também não fazer nada por acreditar que você teria a mesma força de sua irmã. Creio que fomos indiretamente responsáveis pela sua ida para o lado negro, mas não vou entrar em especulações do que poderíamos ter feito. O que aconteceu, aconteceu! Tudo que nós podemos fazer agora é aprender com o passado para que os erros não se repitam – fez uma pausa, dessas dramáticas que só nos deixa mais ansiosos – Por tudo isso, nós chegamos a conclusão que por mais que suas ações tenham afetado uma galáxia, Willow Rosenberg, nós consideramos que tudo que se passou e que envolveu o seu nome é assunto exclusivo da Ordem Jedi e não vamos permitir a sua ida a um tribunal da Aliança Galáctica – respirei aliviada nessa parte. Era uma vitória. A minha primeira em muito tempo – por outro lado, não podemos ignorar suas ações e você deverá ser punida ao nosso modo. O Conselho ordena que você fique confinada ao Templo por 15 anos, cumprindo tarefas e se submetendo à restrições e condições. Só poderá sair deste prédio ou mesmo visitar as áreas restritas com autorização expressa deste Conselho e acompanhada de, pelo menos, um mestre jedi. Seus estudos e sua recuperação serão acompanhados diretamente pelos membros deste Conselho, cabendo a nós a aplicação de penas extras ou gratificações pelo esforço. Haverá mais algumas medidas de segurança. Serão colocados dois dispositivos em seu corpo: um chip de localização e outro de repreensão. Quando acionado, este último provocará dor aguda em seu abdômen e será usado sempre que detectarmos ações irregulares de sua parte. Caso você não se adapte às nossas exigências e não mostre vontade na reabilitação, o Conselho voltará a se reunir e discutir a sua expulsão da Ordem. Nesse caso, Willow Rosenberg, você será entregue diretamente as autoridades da Aliança e será submetida ao julgamento deles. Alguma dúvida? Há alguma parte que não ficou clara?

_ Não senhor. Está tudo cristalino.

_ Você será escoltada agora para a sala onde terá os chips implantados em seu corpo e depois você seguirá para seus novos aposentos onde vai aguardar por instruções e ordens. A sessão está encerrada!