As pessoas julgam como um milagre, outros acreditam que foi um resultado de intensas negociações diplomáticas. Darth Rack mandou Wilkins e outros representantes do bloco vermelho, como a Aliança os apelidou, para negociar um cessar fogo. A proposta de Rack é que a todos os sistemas conquistados permaneçam sob seu domínio e de seus aliados, enquanto a Aliança continua com o que restou. Ainda há muita coisa. Em sete anos de guerra, o bloco vermelho tomou á força metade do total da Aliança e seus territórios. É muita coisa, considerando o tamanho da galáxia e de todas as regiões que ainda permanecem inexploradas.
Eu não acredito nisso. Para mim as negociações não passam de uma estratégia ousada de Rack para forçar um baixar de armas. Era o que eu faria. Deixar o inimigo baixar um pouco a guarda e aproveitar o momento para fazer um ataque fulminante. Mas é difícil saber se tratando de siths. Não se pode confiar em pessoas que conseguem até mesmo esconder seus poderes e sentimentos de um jedi experiente e poderoso.
O caso é que a proposta surgiu, o cessar fogo aconteceu e por seis meses a bonança imperou. Buffy aproveitou a oportunidade e me levou para sistemas que ajudei a destruir como Darth Rubra. Foi doloroso ver como as pessoas me recebiam com ódio, aterrorizadas. Foram três meses duríssimos ajudando gente que me queria ver pendurada pelos pés até morrer de inanição. E isso era o mínimo porque enquanto ajudava a reconstruir casas, socorrer doentes e fazer as tarefas mais simplórias, como distribuir água aos trabalhadores, ouvia também constantes declarações de repúdio. E eu agüentava firme, me controlava e até me surpreendi por não ter reagido mal nenhuma vez. Buffy estava orgulhosa.
E são nessas situações que você acaba encontrando coisas inusitadas. Buffy e eu nos encontramos com alguns dos aliados da BARD em Concord Dawn. Devo dizer que minha irmã ficou feliz até demais em reencontrar Spike. Os dois se entenderam e começaram uma relação improvável, tamanho era o abismo social entre eles. Spike era um pobretão de Tatooine, enquanto Buffy e eu éramos filhas de um dos maiores empresários de Serenno. E mais, éramos netas de Yuri Gu Dasperet, apesar de ninguém fora do Conselho Jedi saber. Se não fosse só por isso, ainda descobrimos na gravação do diário que papai nos deixou que éramos bilionárias. Uma fortuna tão grande e expressiva, que poderíamos comprar um planeta se quiséssemos. Por justiça, abrimos uma conta no mesmo banco em nome de Dawn e cada uma doou 25% da fortuna para ela, o que era o suficiente para ela viver com luxo pelo resto da vida. E o que Spike tinha? Uma nave sucata e uma posição de capitão numa organização rebelde. Porém ele e minha irmã tinham gênios parecidos. Ambos eram muito determinados, odiavam certas regras e convenções. Eram almas gêmeas. E o que era melhor é que não havia nada que impedisse o relacionamento dos dois. Buffy era uma mestre jedi, cumpria todas as suas obrigações no Conselho e era livre para ter o caso amoroso que quisesse.
Eu não. Ainda era padawan, mesmo que carregando o título por causa de uma punição. Podia estar mais madura emocionalmente e seria difícil cometer o mesmo arroubo que me levou ao lado negro, ainda assim, continuaria a ser uma padawan. No enquanto isso não me impediu de achar alguém em Concord Dawn. Um engenheiro esforçado, que compensava a falta de genialidade com muito trabalho chamado Riley Finn. Era apenas três anos mais velho que eu, mas não tinha metade da minha vivência. Ele morou a vida inteira em Concord Dawn e poucas vezes deixou do planeta. Precisou sair mesmo quando o bloco vermelho invadiu. Fiz parte dessa campanha, mas quem a liderou foi Darla. Foi um massacre. Riley lutou muito, mas quando as forças do planeta minguaram, foi obrigado a ir embora. Ou era isso ou seria morto. Depois que Darla e eu deixamos o comando nas mãos de um general, a Aliança contra-atacou e Concord Dawn talvez tivesse sido o campo de batalha mais sangrento da guerra. Riley voltou como voluntário da Aliança e sobreviveu. Agora ajudava na reconstrução.
Quando ele me viu pela primeira vez, sua reação foi a mesma de dezenas: me insultou, se recusou a ficar perto de mim. Mesmo assim fiquei ali, trabalhando e o ajudando a consertar as máquinas. Aos poucos Riley foi se acostumando a minha presença. Um dia ele baixou suas armas e descobriu que gostava mim. E eu, para a minha surpresa, estava encantada com ele. Antes de começarmos qualquer coisa, falei com Buffy e ela me abençoou. Entendia que essa regra não deveria se aplicar a mim, devido a minha vivência e maturidade. Depois disso, namoramos e foi doce. Não tanto quanto Tara, eu acho, porque esse envolveu paixão juvenil arrebatadora e pura. Com Riley, me sentia segura, forte e no controle das minhas emoções.
Acho que o que mais gostava nesse novo relacionamento é não ter que escondê-lo. Posso beija-lo na frente de qualquer um, apresenta-lo pelo o que ele é meu, e uma outra vantagem é que podíamos participar da vida um do outro. Depois de um mês de namoro, Riley passou a observar os meus treinamentos com Buffy e até ensinava alguns truques na luta corpo-a-corpo que aprendera na prática em um campo de batalha sangrento. E eu, quando tinha tempo, o ensinava um pouco de esgrima.
_ Você está morto – disse pela quinta vez naquela tarde. Riley estava na minha frente, de joelhos, com a ponta de uma espada de madeira apertando o seu pescoço.
_ Não é justo – ele se levantou – você apelou para aqueles saltos jedis, e aqueles giros...
_ Não gostou?
_ Gosto quando faz isso, você fica sexy – me deu um beijo de leve nos lábios – só não gosto quando a vítima sou eu!
_ Homens! – revirei os olhos.
_ Desculpe se não sou um desafio tão bom quanto sua irmã – passou a mão nos meus ombros e saímos andando daquilo que um dia foi um parque ecológico – se comigo, você vence todas, com ela acontece sempre exatamente o contrário – deu um murro no ombro dele por causa da pirraça e ele riu alto.
_ Buffy é bem mais técnica que eu... dificilmente algum mestre do Templo consegue derrota-la em condições normais.
_ Por falar em Buffy, será que ela está por aqui?
_ Não a sinto por perto! Por quê?
_ Ótimo – ele me abraçou – assim posso te beijar sem correr o risco de ter a minha cabeça arrancada! – ele chegou a encostar nos meus lábios mas eu me afastei.
_ Oras! – protestei – Falando assim, até parece que Buffy é um cão de guarda! Ok, ela é super-protetora, mas não faz nada para nos impedir.
_ É que você não reparou no olhar que ela direciona para mim... dá medo!
_ Bobo... – estiquei o pescoço para beija-lo. Riley era bem mais alto que eu.
No começo, nossos beijos eram sempre suaves, quase casuais, que terminavam sempre intensos, sexuais. Mas nós nunca chegamos a consumar o namoro. Nas primeiras vezes era porque eu não me achava preparada para ter novamente relações sexuais. Depois que isso foi superado, o problema passou a ser o trabalho pesado e as inúmeras interrupções feitas, em especial e sem nenhuma cerimônia, por Buffy. Dessa vez, quando Riley estava colocando a mão dentro da minha camisa, minha irmã chegou. Comecei a achar que era perseguição.
_ Will – ela andou até nós – notícias de Corellia - olhou para Riley - Será que poderíamos conversar em particular?
_ Claro - acenou sempre prestativo e se retirou. mas não antes de me dar um último beijo, de leve. Riley sempre fazia coisas doces e adoráveis.
Esperei até me certificar que eu e Buffy estivéssemos realmente a sós. Então sentei à grama e esperei. Buffy não estava com uma cara boa, sinal de problemas sérios de verdade. Ela suspirou e também sentou à grama na minha frente.
_ O que foi?
_ Dawn voltou ao Templo e o Conselho achou que seria uma boa idéia manda-la para cá para tentarmos nos entender mais uma vez.
_ E ela está bem?
_ Wood disse que ela está distante. Pareceu muito preocupado. Mas mestre Sywalker a acompanhou de perto e disse que ela estava bem...
_ Essa é a notícia que precisava ser dita em particular? - fiquei incrédula.
_ Não! Representantes de Rack entraram em contato com a Aliança e marcaram uma conferência para decidir as novas fronteiras da galáxia.
_ Isso é bom, não é? Ao menos pode ser interpretado como razoável.
_ Will, uma das condições para o começo das negociações de paz é a nossa presença - o calor sumiu do meu rosto no mesmo segundo - Ele revelou o nosso parentesco aos diplomatas. Disse que nos quer diretamente envolvidas no caso.
_ Mas se ele exigiu isso...
_ É porque quer abalar a influência da Ordem Jedi na Aliança. Qualquer passo em falso, a culpa recairá em cima dos jedis que abrigaram duas.. não TRÊS "herdeiras sith".
_ Merda!
_ É uma palavra que resume bem a situação.
_ O que o Conselho disse disso?
_ Vamos aguardar um pouco. Ficar aqui e não nos expôr o máximo que conseguirmos.
Meu estômago começou a pesar. Não estava preparada para ver Dawn ainda. A despedida em Corellia foi melancólica demais e eu ainda não consegui tirar da cabeça a imagem dela entrando na nave cabisbaixa, nos amaldiçoando baixinho. A revelação de Rack também era grave, mas na minha cabeça Dawn era prioridade. Entramos no prédio improvisado da Aliança, que ficava ao lado da construção imponente do edifício do governo central de Concord Dawn. As acomodações eram simples, mas boas o suficiente para proporcionar um bom descanso. Tomei um banho e depois me encontrei com Buffy, Spike e outros voluntários da Aliança no salão de refeições. Coloquei alguns vegetais no prato e sentei ao lado do meu cunhado.
_ O que foi? – Spike me olhou com ironia – brigou com o soldadinho? – ele não gostava de Riley e fazia questão de deixar seus sentimentos óbvios.
_ Não... – falei arrastada. Provei uma batata... doce demais! Que raios de estômago tinha essa gente para gostar de comida sem tempero?
Larguei o prato e fiquei um pouco na mesa escutando a conversa do casal. Ainda discutiam sobre a peça de teatro que assistimos na noite anterior. Buffy tinha adorado, Spike odiado e eu e Riley não prestamos muita atenção. Minha irmã preferia morrer a demonstrar que está preocupada com a vinda de Dawn tanto quanto as negociações com o Bloco Vermelho. Depois do jantar, aconteceriam algumas festividades das quais eu e Buffy ao participaríamos. Fomos direto para o hangar aguardar a chegada da nave.
_ Tudo bem? – Buffy segurou minha mão.
_ Não! Mas acho que vai ser só mais uma coisa a ser superada da minha longa lista.
_ Pode ser. Pelo visto você não contou toda a história para Riley...
_ O que eu ia dizer? "Quer saber? Eu tive um rápido caso amoroso com minha irmã caçula, que por um acaso está chegando! E a propósito, o Imperador é o meu avô".
_ Tem razão...
Vimos a nave com assinatura da Ordem Jedi descendo. Era um modelo Wing-6, para dois tripulantes, o que quer dizer que Skywalker também veio junto, para a nossa surpresa. Desceram com suavidade e meu coração disparou ao ver Dawn no banco de co-piloto através do vidro do cockpit.
_ Saudações – Buffy se aproximou – fizeram boa viajem?
_ Tranqüila – mestre Skywalker estendeu a mão para cumprimenta-la.
Dawn desceu com cara de poucos amigos. Se curvou para cumprimentar Buffy.
_ Oi Willow – disse de longe, tão fria que minha espinha arrepiou.
_ Venha... vamos acomodar vocês! O povo da cidade está comemorando um feriado importante, por isso não espere muito silêncio no dia de hoje.
Logo que Buffy acomodou em quartos próximos ao nosso, Dawn desejou boa noite e se recolheu. Disse que estava cansada demais e que já estava passando da hora de dormir de acordo com o fuso que se acostumara. Nenhuma objeção até aí. Buffy ainda ficou conversando com Skywalker, muito provavelmente a respeito da nossa irmã caçula. Ela não admite, mas sei que se pudesse voltar atrás, não teria mandado Dawn para Hoth. Não quis ir para a festa e procurar Riley, tão pouco consegui dormir. Tinha de falar com ela, ver se as coisas estavam ao menos toleráveis entre nós. Bati em sua porta e me identifiquei. Dawn demorou para abrir a porta. Ela ainda estava com a mesma roupa que chegou. Entrei devagar, como se pedisse autorização para cada passo que dava. Dawn se sentou na cama enquanto eu fiquei de pé, encostada da parede e de frente para ela. Ficamos em silêncio por um tempo considerável.
_ Fez boa viajem? – disse depois de alguns minutos.
_ Sim... normal.
_ Vejo que você sobreviveu ao planeta gelado! – procurei ser positiva.
_ É!
O assunto morreu cedo demais e veio o silêncio desconfortável.
_ Estou atrapalhando o seu descanso – fui me direcionando a porta – até amanhã!
_ Até – mais uma vez a minha espinha gelou.
Ao sair do quarto, tomei ar. Ia ser complicado tanto eu quanto Buffy conseguirmos nos reaproximar de Dawn. E pensar que tudo era mais fácil quando achávamos que ela era apenas mais uma padawan do Templo. Riley me surpreendeu em frente ao quarto de Dawn.
_ Mudou de quarto?
_ Não... minha irmã caçula chegou e ela está aqui.
_ Pela sua cara, parece que as coisas não foram bem!
_ Conversar com uma pedra de gelo é mais fácil... e mais caloroso!
_ Tão ruim?
_ Me beija?
Nos beijamos. Eu o puxei para o meu quarto e ali, na necessidade do momento, consumimos o nosso namoro.
