Acordei sentindo beijos quentes no meu rosto. Um corpo nu estava junto ao meu. Um corpo mais alto, com mais massa muscular e definitivamente masculino.
_ Bom dia – disse ainda sonolenta, mas não pude evitar um sorriso bobo – dormiu bem?
_ Quer que eu responda ou só demonstre?
_ Acho que a demonstração vem bem a calhar.
Começamos a nos beijar mais à sério. Senti as mãos gentis de Riley descendo pelo meu corpo, passando pelas minhas costas, minhas nádegas, minha barriga, até chegarem aos meus seios.
_ Sabe o que gostaria de fazer e que eu não fiz ontem – sussurrou no meu ouvido.
_ O quê?
_ Te provar lá embaixo.
_ Nenhuma objeção aqui.
Sorri enquanto Riley aos poucos ia descendo. Parou um pouco para beijar e mordiscar os seios, beijou o meu abdômen até chegar onde eu mais precisava. E para a minha surpresa, aquele engenheiro esforçado e soldado certinho sabia muito bem fazer as coisas com a língua. Estava quase tendo um orgasmo quando a porta do meu quarto foi aberta.
_ Dawn!? – arregalei os olhos e travei as minhas pernas. No susto, Riley subiu depressa e bateu a sua cabeça no meu queixo, me fazendo morder a língua. Por causa da dor, eu me virei de lado, com a mão na boca e acabei me descobrindo, ficando nua na frente de Dawn... ou seja, da pessoa que menos precisava presenciar esse tipo de coisa.
_ Desculpe – vi que Dawn ficou assustada, mas não se virou – eu achei que... não dava para ouvir nada do lado de fora e a porta não estava trancada...
_ Ok – me cobri, ainda sentindo muita dor e vi que ela ainda continuava parada. Só então me veio a cabeça que talvez ela estivesse paralisada – Dawn, esse é Riley, meu namorado. Riley, essa é Dawn, minha irmã caçula – ele apenas acenou sem jeito e completamente envergonhado.
_ Falo contigo mais tarde, então – ela finalmente se mexeu e foi saindo – desculpe por ter interrompido.
Quando a porta se fechou, soltei um grunhido por conta da língua cortada enquanto Riley começou a rir. A principio fiquei com raiva, mas as risadas aos poucos foi me contagiando até que terminamos os dois às gargalhadas.
_ Sua família é inacreditável – ele disse – e eu achando que era só Buffy que era mestre em nos interromper.
_ Bem-vindo à família Rosenberg!
Tomamos banhos juntos pela primeira vez, mas não fizemos nada além de trocarmos beijos. Não arriscamos nada melhor com receio de alguma Rosenberg resolver nos interromper novamente. Descemos as escadas que davam acesso ao refeitório, onde Buffy costumava dar as instruções do dia. Riley me deu um leve beijo antes de se dirigir a mesa do grupo de capitães que se destacaram na resistência e retomada, da qual ele fez parte. Nenhuma novidade nisso. Ele sempre tomava café com os amigos. Eu fui em direção a minhas duas irmãs. Isso era novidade.
_ Bom dia, mestres... Dawn – sentei e fui logo pegando um pedaço de pão na sexta da mesa e o engolindo.
_ Dia Will! – Buffy respondeu.
_ Bom dia, padawan – foi a vez de mestre Skywalker.
_ Spike já comeu? – perguntei.
_ Não... – Buffy respondeu com certo desânimo – ele precisou atender um chamado da BARD e viajou ontem de madrugada.
_ Pena! Quais as tarefas de hoje? – falei ainda sem tirar os olhos da sexta de pão.
_ Nenhuma. Pensei que nós poderíamos tirar um dia de folga... nós três nunca saímos juntas. Vamos aproveitar a oportunidade!
Claro, porque oportunidades assim são raras! Às vezes acho que Buffy era inocente demais em forçar situações. Talvez porque ela acredite demais nas pessoas. Se por um lado devo a minha vida a essa fé estranha, por outro ainda acho que isso vai leva-la ao fim. Se ela tivesse reparado melhor na expressão de indiferença de Dawn, talvez pensaria melhor. Mas como Buffy é uma eterna otimista... Assim que terminamos a primeira refeição do dia, nós três pegamos um dos carros e saímos em direção ao litoral. Concord Dawn é um planeta frio, cujo verão lembra mais o fim do outono serennino, mas tem paisagens belas, em especial no litoral, com seus mares salgados e ondas que arrebentam furiosas contra as rochas. Onde íamos havia uma faixa de areia que se estendia por alguns quilômetros. As ondas quebravam nos recifes em alto mar, formando uma grande piscina rasa de águas tranqüilas e lar dos pequenos peixes e crustáceos. Seria um convite para entrar na água e tomar um banho se a água não fosse fria demais. Buffy não parou de falar um minuto durante a viajem, a maior parte do tempo contava histórias do papai e de como foi a nossa infância em Serenno e o início do nosso treinamento na lua florestal de Endor. Mas parecia que tudo entrava por um ouvido de Dawn e saía pelo outro. Esperei pela bomba e ela não tardou a chegar.
_ Por que vocês não me contaram a outra parte da história? Aquela que dizia "p.s.: você também é neta de Lorde Rack"?
_ Quisemos te proteger - a voz de Buffy saiu pequena - você já estava confusa por tudo que tinha acontecido, e tinha o negócio da Willow... soltar essa bomba poderia ser bem mais devastador.
_ Pois erraram! E feio! Já estava tão abalada que uma notícia ruim a mais ou a menos não faria diferença. Vocês não tem noção do que fizeram comigo. Aliás, vocês são duas egoístas que nunca se preocupam com o sentimento alheio. Tudo o que importa são as suas vontades e mais nada!
_ Não é verdade! - protestei feio - Acha que a notícia de que você era a nossa irmã foi fácil de engolir? Em especial por tudo que estava acontecendo entre a gente? E Rack? Sem querer ferir seus sentimentos, mas quem dera se eu e Buffy descobríssemos isso por terceiros e não comigo apontando um sabre na jugular da minha própria irmã diante do próprio! Se você está com raiva e confusa por tudo que passou, bem-vinda ao clube, pequena! Quer brigar? Pegue a senha e aguarde na fila, porque já tem muita gente querendo descontar suas desgraças EM MIM!
_ CALMA! - Buffy parou o carro - É verdade que temos muitos problemas a resolver, mas levantar a voz e se descontrolar não vai levar a lugar algum... será que vocês não entendem que é isso que Rack gostaria? Que a gente se desentendesse e se separasse? Então ele poderia nos atrair para o lado negro com mais facilidade - respirou fundo e colocou a mão no ombro de Dawn - eu sei que errei... que erramos. Perdão! - Dawn não respondeu. ficou olhando para os pés - Se pudesse voltar atrás, faria diferente, mas isso é impossível, certo? Então o que nos resta e trabalhar os nossos atritos o melhor possível antes que essas coisas nos façam cair em desgraça.
_ Eu já estive ao lado de Rack, Dawnie... - falei baixinho - acredite quando falo que não desejo esse destino para ninguém.
Buffy voltou a pilotar e fizemos o resto do percurso em completo silêncio. Da minha parte, ainda incerta de como as coisas iriam fluir daqui pra frente. Chegamos ao litoral depois de duas horas de viajem por terra. Deixamos a sexta de comida no veículo e passamos a andar na areia. Foi difícil desarmar os nossos espíritos, mas aos poucos voltamos a conversar como pessoas civilizadas e a relaxar um pouco. Buffy fez algumas brincadeiras que adorava quando éramos crianças e foi gratificante ver que Dawn começou a entrar no espírito da coisa. Também foi bom ver Buffy se desfazer um pouco da carranca de mestre jedi e ser ela mesma para variar. Tomamos suco, comemos frutas e biscoitos, brincamos de jedi numa luta improvisada de sabres de ganhos de árvores. O dia passou rápido e quando menos percebemos o frio incômodo da noite já se fizera presente. Pegamos as nossas coisas e voltamos para a capital em reconstrução cientes que havia muito que trabalhar. Mas que o primeiro passo havia sido dado.
Chegamos ainda no início da noite. Buffy se permitiu não voltar ao modo "mestre jedi" e ainda interagiu em rodas de danças de alguns ex-combatentes. Riley estava no meio da dança também, se divertindo e rindo como uma criança. E fiquei os observando de longe, e às vezes, quando Riley e eu trocávamos olhares, jogávamos beijos.
_ Agora você gosta de homens? – Dawn me surpreendeu com a pergunta ao ficar ao meu lado. Na hora bateu um nervosismo. Sabia que ela não ignoraria totalmente o meu novo relacionamento e estava esperando só uma oportunidade para ficarmos a sós para me bombardear. Respirei fundo. Estava bom demais para ser verdade...
_ Eu sempre gostei de homens – tentei soar natural – Na verdade, eu não me importo com o gênero. Gosto é do indivíduo.
_ Achei que você só gostasse de mulheres, assim como eu...
_ Olha, sobre hoje de manhã...
_ Não, está tudo bem! – ela segurou minha mão – não esperava que você fosse fazer voto de castidade depois... de nós! Só fiquei surpresa por ser um homem. Nada demais.
_ Escute Dawn – fiquei de frente para ela – não pedi para que fosse mandada para Hoth. Nunca desejei isso. Era eu quem deveria ser isolada. Sei que você ficou furiosa com a decisão dos mestres... bom... só queria esclarecer que não tive nada com isso.
_ Sei disso – disse com convicção – Por outro lado foi bom eu ter ido para Roth... aprendi muita coisa sobre mim mesma e mestre Skywalker me ajudou muito. Acho que precisava de algo assim... quer dizer, a rotina era dura, o lugar era um inferno gelado, mas foi bom para colocar meus pensamentos em ordem.
_ Fico feliz por você ter encarado por esse lado – sorri e foi sincero – estou orgulhosa!
_ Obrigada – nos abraçamos pela primeira vez desde que ela chegou – bem... – disse assim que nos separamos – acho que o seu namorado está acabando com os pés de Buffy na dança – disse com uma ponta de humor.
_ Hum – olhei para Riley e Buffy que dançavam uma música folclórica juntos – acho que terei de salvar nossa irmã mais velha.
