Durante a minha parcial desintoxicação, uma das coisas que mais gostava era, além de receber o brilho, passar algumas horas com Wesley. De todos os aprendizes de Rack, ele era o mais discreto e misterioso. Era um historiados de prestígio em Naboo que foi recrutado a se unir à equipe do rei logo após às eleições. Ele passava horas debruçado sobre arquivos, analisando estratégias, desenhando mapas de guerra. Eu ficava sentada num canto da sala, muda, cuidando para que nem a minha respiração tirasse a sua concentração. De alguma forma, aquilo mantinha meus pensamentos em ordem. Às vezes ele falava comigo.

_ Soube que você falhou em Nar Shaddaa – ele disse calmamente de costas para mim, ocupado demais com seus estudos.

_ Pelo menos foi uma ótima tentativa. Nar Shaddaa representa muito para a Aliança.

_ Hum – se voltou para mim – você já ouviu falar de um antigo mestre sith chamado Darth Sun Tzu?

_ Não! Mas acho que você vai me contar a história... – bufei.

_ Cuidado com a arrogância, aprendiz – ele sentou numa cadeira de frente para mim – você estava ficando tão boa que achou que conquistaria tudo que tocasse. Mas, você caiu uma vez. Quis investir em algo que estava fadado a fracassar.

_ Se fosse assim, então porque lorde Rack autorizou? Ele é esperto e poderoso o suficiente para enxergar essas coisas.

_ Rack é poderoso – Wesley sorriu no canto da boca – mas tem suas falhas – e me encarou – agora, você quer aprender alguma coisa ou não?

_ Ok, conte a história.

_ Darth Sun Tzu foi um sábio mestre que viveu há cerca de três mil anos, quando a velha república ainda imperava. Ele serviu a guarda real no extinto planeta Alderaan e foi o mais estudioso dos generais e ficou famoso por nunca ter perdido uma batalha. Como você, ele ficou tão bom que deixou a arrogância tomar conta de si. Esqueceu seus próprios ensinamentos e acabou morto por um mero padawan.

_ E o que ele pregava?

_ Ele dizia que a guerra era uma arte que se baseava no engano. Se você pode atacar, demonstre incapacidade; se as suas tropas movem, finja que estão estáticas; se você está perto, faça o inimigo crer que está longe. Use iscas para atrair sua presa. É preciso golpear o inimigo enquanto ele está desnorteado. Mas se ele está mais forte e organizado, evite-o e procure desarticula-lo.

_ Interessante, mas parece um tanto óbvio.

_ Sim, mas será que você pensou nisso? Sun Tzu pregava que o estudo da situação de suas tropas e das inimigas era fundamental para antever se você sairia vitorioso ou derrotado. Por um acaso você fez isso?

_ Não! – respondi com sinceridade – Nunca passou pela minha cabeça...

_ É claro que não! Nunca procurou saber quem era o general responsável, o número de tropas e a tecnologia que utilizavam, quais suas maiores virtudes e fraquezas. O que aconteceu, Rosenberg, é que você tinha dado sorte até então.

_ Talvez você possa me explicar algumas coisas... – disse com mais humildade.

_ Um dia – ele se levantou – hoje eu tenho mais o que fazer.

...

Todos os grandes centros de sustentação da Aliança foram atacados de surpresa nas últimas horas, incluindo Corellia sob a alegação de que não havíamos cumprido a nossa parte no trato. Quando soube, fiquei em pânico. Pensei principalmente em Dawn e Xander. Rezei para que eles estivessem bem, apesar do fogo cruzado. Sem nenhum contato, Buffy e eu decidimos embarcar imediatamente para a capital, enquanto Spike seguiu para alguma base da BARD. Seria uma loucura voltar lá, mas era preciso. Nenhum dos mestres jedis do Conselho enviaram o código de dispersar ou agrupar. Se não houve comunicação, era porque as coisas estavam piores do que imaginávamos. Riley ficou em Concord Dawn. Nesse momento de crise, era preciso reagrupar todas as tropas o mais rápido possível, e o meu namorado comandava a melhor tropa de fuzileiros. Antes de embarcar na nave jedi, nos despedimos com beijos e promessas. Meu coração ficou apertado com a sensação de que nunca mais o veria de novo. Levantamos vôo e rapidamente ganhamos o espaço. Pelo menos naquela região havia ainda um mar de serenidade reinando no vácuo negro (embora os cientistas dissessem que na verdade era verde escuro).

_ Acionando o motor hyperdrive – Buffy anunciou.

_ De repente estou nervosa.

_ Mau pressentimento?

_ Tenho medo do que vamos encontrar do outro lado. E também tenho medo do que vamos encontrar quando voltarmos a Concord Dawn.

_ Eu sei que Rack voltou a atacar, mas não quer dizer que ele possa ganhar dessa vez...

_ Às vezes você é tão otimista que chega a ser ingênua.

_ Pensamentos ganham corpo, por isso sempre prefiro esperar o melhor. Encare a vida dessa forma, padawan, e ela será melhor.

_ O meu fardo é pesado...

_ Novamente essa lamentação?

_ Não é lamentação, Buffy! – elevei o tom – você não tem o sangue nas mãos que eu tenho! Você não sabe o que é ir para o lado negro e voltar! Você nunca esteve lá! E agora Rack lançou um ataque maciço contra a Aliança dizendo que isso a culpa é nossa que não fizemos a nossa parte no trato. NÃO ME DIGA PARA NÃO LAMENTAR.

_ Desculpe – ela se quietou – é que toda essa situação... a grande verdade é que não sei o que fazer. Pelo que soube, Rack reuniu um exército poderoso em poucos meses a ponto de atacar os principais membros da Aliança... é uma situação tão irreal.

_ Não acho que ele tenha reunido um exército em poucos meses – disse com franqueza.

_ Como sabe? – Buffy ficou em alerta – Há alguma coisa que por um acaso você... esqueceu de nos contar?

_ Sem insinuações, ok? – disse elevando o tom mais uma vez – eu contei todos os segredos que sabia, a Aliança destruiu as bases, houve o cessar fogo.

_ Sim, mas...

_ Não escondi uma vírgula do que sabia dos planos de Rack para você. Nem house duvidar disso – disse entre os dentes.

_ Desculpe – pela terceira vez ela baixou o tom. Acho que era um recorde e também um claro sinal de que Buffy estava perdida, o que era mal.

_ Já ouviu falar em Sun Tzu?

_ Não.

_ Foi um antigo mestre sith que era especialista na arte da guerra. Wesley era um grande estudioso e fã de seus ensinamentos.

_ Wesley...

_ Um dos seguidores de Rack... talvez o mais discreto e menos conhecido deles. Não é sensível a Força, mas é muito inteligente e era um estrategista de primeira além de ser um grande espadachim... dizia que combates longos cansam e desestimulam exércitos porque mina energia dos homens. Que o ideal é estudar o adversário a exaustão e quando possível, fazer um ataque rápido e fulminante. O que acho é que eles passaram todos esses anos minando as forças da Aliança, até recuarem. Sabiam que meses não seriam suficientes para a Aliança se reorganizar, belicamente falando. E depois, o corpo diplomático aproveitaria para a reconstrução dos sistemas. Aproveitando que o inimigo estava desatento e fraco, Rack ordenou um novo ataque, provavelmente usando um exército que mantinha em segredo. Esse seria rápido e fulminante.

_ O que está dizendo...

_ Não tenha muitas esperanças em encontrar Corellia de pé... – Buffy permaneceu em silêncio enquanto outras coisas vieram a minha cabeça. Dawn... e se ela não conseguiu escapar do ataque? E se ela já estivesse com Rack?

_ O que foi? - Buffy deve ter percebido minha angústia e meus pensamentos voltados a Dawn.

_ Tenho medo de que Dawn esteja nas mãos deles.

_ Eu também!

_ Vamos ter que pega-la, Buffy, antes que eles a achem primeiro. Dawn tem tendências... ela pode ser facilmente atraída para o lado negro. Só o criador sabe o que ela é capaz de fazer, o que ela será capaz de contar...

Ficamos o restante da viajem em silêncio, perdidas em nossos próprios pensamentos. Sinceramente estava pessimista. Sentia que o meu breve tempo de paz, curtindo uma vida de muito trabalho ao lado de Buffy e Riley num planeta em reconstrução chegara ao fim. O alarme de saída do hiperespaço soou e assim que voltamos a velocidade padrão Buffy precisou usar seus reflexos de piloto para desviar de uma nave que quase bateu em nós. Mal deu para recuperarmos do susto quando um tiro acertou em nós.

_ SUBIR ESCUDOS! – Buffy gritou.

_ Feito!

Buffy começou a fazer manobras evasivas e eu, na condição de atiradora, me apressei para começar a nos defender. Havia uma guerra no sistema que estava espalhada ao redor de Corellia. Pelo menos dez destroiers nubian e outros dez serenninos estavam atirando sem folga contra outros grandes destroiers de defesa de Corellia. Caças de ambos os lados voavam feito moscas no espaço. Podia ver que a atmosfera do planeta estava encoberta com muitas nuvens, o que era um claro sinal de ataque direto às cidades. Buffy sabia que precisava driblar centenas de obstáculos para chegarmos ao sul do continente principal do planeta, que era o nosso objetivo. Era onde Dawn estava, podia sentir. Eu atirava sem poupar energia e pouco ligava se era inimigo ou aliado. Também não havia como saber mais uma vez que o primeiro tiro atingiu justamente a antena de comunicação. Logo o meu critério era "atirou em mim, leva o troco". Buffy usou toda a sua habilidade para entrar na atmosfera, mas a pressão e os tiros que estávamos levando fez com que descêssemos com muita angulação.

_ SUPERAQUECIMENTO DOS SISTEMAS! – gritei ao olhar os dados do meu monitor, coisa que Buffy certamente não estava prestando atenção – MOTORES À BEIRA DO COLAPSO. BUFFY, NÓS VAMOS EXPLODIR!

_ Não vamos não!

Segurou o manche com mais firmeza e procurou empinar o bico da nave. E ela conseguiu! Passamos pela ionosfera com uma das asas em chamas. Buffy deu um mergulho na nave para furar uma das nuvens e assim tentar apagar o fogo. Só que ela se esqueceu que pilotar dentro da atmosfera de um planeta é muito mais trabalhoso com uma nave avariada do que no espaço, onde os comandos se tornam ultra-sensíveis. Sob ação da gravidade, o manche endurece, há oxigênio para alimentar o fogo. Desacelerar foi um sufoco.

_ VAMOS CAIR – a essa altura já estava em pânico.

_ NÃO! Só precisamos fazer um pouso de emergência.

Buffy usou todos os recursos de desaceleração de emergência que tinha disponível. Teve algum sucesso, mas ainda não era o suficiente para aterrissar com segurança. Então ela deu um vôo rasante na reserva ao lado do Templo. Havia um rio de leito largo por ali que seria a nossa "pista de pouso". Bateu a barriga da nave contra a água e contra a correnteza. Quicamos várias vezes, levantando ondas enormes, até parar aos pés de uma cachoeira. Mais velocidade e nós certamente colidiríamos contra o paredão rochoso. A água começou a invadir depressa e o vidro de proteção não abria. Foi preciso usar o sabre de luz para rompê-lo. Nadamos até a margem e, para me recuperar um pouco, deitei de costas em uma rocha. Estava amanhecendo naquela parte do planeta e era possível ver a grande confusão lá em cima, fora os caças que passavam a toda velocidade acima de nós.

_ Onde estamos? - perguntei.

_ Acho que caímos na ilha da Ordem... esse é o rio Yastis se não me engano... ao menos essa cachoeira não me é estranha.

_ Você lembra a que distância essa cachoeira está do Templo?

_ Uns 65 km – uma chutou.

_ Vamos gastar a manhã inteira para chegarmos lá! Talvez um pedaço da tarde.

_ Acho que formos naquela direção – apontou para o norte – vamos encontrar a cidade em mais ou menos uns 20 quilômetros.

_ É uma opção bem melhor.

Vinte quilômetros num ambiente urbano não são quase nada. Dá para fazer em meia hora se nosso condicionamento físico estiver em ordem. Mas andar essa mesma distância num lugar acidentado como aquele, e ainda por cima no inverno do hemisfério sul, que era mais rígido do que no hemisfério norte, levava mais tempo. Por sorte não estava nevando ainda, mas não demoraria muitos dias para que a paisagem começasse a ficar branca. Não que me importasse com isso, porque o meu plano era pegar Dawn e cair fora, ir para um outro lugar da galáxia onde Rack não pudesse colocar as mãos nela. O único inconveniente era estar completamente molhada e precisar andar num frio horrível e na floresta, onde a temperatura é menor ainda que nos centros urbanos.

_ Que saudades de Endor – resmunguei assim que chegamos a um paredão de uns quinze metros a nossa frente – Pelo menos era quente e bem menos acidentado.

_ Você reclama demais!

_ E você de menos.

O paredão não era problema, nunca poderia ser, bastava se concentrar um pouco e deixar a Força fluir para vencermos num grande e único pulo. Mas antes precisávamos vencer nosso cansaço mental e físico. Com mais vinte minutos de caminhada acelerada, encontramos o campo verde de faixa desmatada que fazia fronteira com a cidade. Havia muitas pessoas indo em nossa direção, porque era quase um instinto para alguns se refugiar na floresta em épocas de guerra. Mas a maioria corelliana não deveria se preocupar. Se conhecia Rack e, especialmente, Wesley e Wilkins, as partes do planeta que estaria sob forte ataque seriam apenas o Templo, o distrito de engenharia onde se desenvolvia o arsenal bélico e as naves, e a ilha de Caldraan. O resto seria desnecessário, até porque um ditador precisa de pessoas para pisotear. No meio da confusão das ruas (justificada porque ali era vizinhança do Templo), encontramos um speeder bike. Sentamos nele e fomos em direção ao Templo, onde podíamos sentir Dawn. Em menos de cinco minutos vimos uma grande confusão em frente ao lar jedi. Havia fumaça e incêndios para todos os lados. Metade do Templo estava completamente destruído, mas resolvemos entrar assim mesmo. Sentíamos que nossa irmã estava viva e perto, e essa era a nossa única motivação. Deixamos o speeder no saguão principal chocadas pela quantidade de corpos que havia ali. Padawans, younglings e até cavalheiros... todos mortos, com corpos dilacerados. Deu vontade de chorar.

_ Willow? Mestre Rosenberg? – ouvimos uma voz por trás.

_ Dawnie? – corri para abraça-la e lágrimas corriam em meu rosto – Graças ao criador você está bem!

_ Também estou feliz em te ver... ver vocês duas! – ela me soltou para abraçar Buffy.

Dawn estava com ar cansado. Havia sangue em suas roupas e em seu rosto.

_ Está ferida? – Buffy perguntou a analisando com atenção.

_ Não.

_ Ossos quebrados... nada?

_ Não.

_ Onde está Wood? – perguntei.

_ Morto... todos estão mortos! Só eu e o mestre Skywalker escapamos.

_ Cadê ele? – perguntei.

_ Aqui! – mestre Larz Skywalker apareceu do mesmo lugar que Dawn havia saído.

_ É bom saber que está bem, Larz!

_ Igualmente, Buffy!

_ Como isso aconteceu? – perguntei ainda com lágrimas nos olhos – Quem matou todos eles... até as crianças? – aquilo era uma visão brutal para mim. Nem mesmo na minha época mais sangrenta e de mais ódio e vício eu poderia matar crianças de forma direta.

_ Dois traidores e dois seguidores de Rack – ele disse em voz cansada – a explosão matou muitos na hora. Depois esses quatro entraram em ação e fizeram o resto do serviço.

_ Tem razão – vi Drussila entrando junto com Gunn – fizemos o resto e foi muito divertido – ela abriu um sorriso, mas sem soltar nenhum som dele, como lhe era típico – sem falar de prazeroso – sua voz se tornou pastosa enquanto ela passava a mão nas curvas do corpo - agora precisamos levar as crianças para casa para que o vovô possa tomar conta delas.

_ Vocês decidem se será por bem ou por mal – Gunn sacou o seu sabre vermelho.

Mas a minha mente não estava ligado nas ameaças de Gunn. Sabia que ele não era páreo para mim nem se eu estivesse num péssimo dia. O que me intrigava eram os números. Quatro pessoas fizeram o massacre. Haviam quatro ali presentes, tirando Buffy e eu... foi fácil ligar os pontos.

_ Eu não acredito que você fez isso – falei sentindo nojo e repúdio de Dawn ao mesmo tempo que agarrei o braço de Buffy e a puxei para longe daqueles dois – Não acredito que vocês fizeram isso! – fomos andando para trás na direção da saída do saguão, com cuidado para não esbarramos em algum dos corpos. Dawn sorriu, Skywalker arrumou a postura e Buffy também ligou os pontos.

_ Quando isso aconteceu? – a voz de Buffy saiu pequena, tamanha era a sua decepção.

_ Em Hoth – ela acionou o sabre de cor verde – curei a minha dor de cotovelo com a ajuda do mestre Skywalker.

_ Que bom que você conseguiu me superar... amorzinho – disse seca e com ironia, mas por dentro estava dilacerada.

_ Você vai se arrepender tanto... – Buffy disse entre os dentes e com a voz embaçada pelo choro silencioso.

Dawn e Larz Skywalker correram em direção de Buffy. Eu fiquei com os dois siths. Tinha a vantagem de conhecer bem o estilo robótico de Gunn. Ele era um grande idiota burocrata quando se tratava de lutar com um sabre, embora fosse eficiente com uma pistola e com os punhos. Não tenho dúvidas que foi esse cretino quem acabou com os younglings. Covarde! Drussila não... essa era imprevisível. Tinha uma excelente técnica e um jeitão maníaco e debochado de lutar. Ela sentia prazer naquilo. Matar era um ato sublime que durava poucos segundos até ter sede de fazer de novo. Mas eu estava preparada e muito bem treinada. Minha técnica já era quase tão boa quanto a de Buffy. Gunn lutou com o vigor físico de sempre, usando muita força nos braços e pouca flexibilidade nos punhos. Logo em meus primeiros movimentos, consegui me defender de Drussila e fincar o meu sabre no meio do abdômen de Gunn. Um a menos. Drussila, que tinha a sensibilidade de uma pedra, pegou o sabre do companheiro e se reforçou. Por incrível que pareça lutar no mano-a-mano com ela recobria mais atenção. Ela gostava de se movimentar bastante, de fazer sons com a boca, de mostrar a língua, de provocar. Era um custo fazer o sabre ir a sua direção e era um custo defender suas investidas. O pior é que não podia entrar no ritmo dela e começar a fazer grandes saltos porque traria desvantagens. O ideal era lutar mais fixa para ter condições e equilíbrio de contra golpear com um soco, um chute, e até mesmo com telecinésia. Mas por alguma razão ela não estava tão agressiva quanto o de costume. Parecia que queria mais era me fazer cansar. Talvez por eu ser quem era. De repente vi um clarão e em seguida o corpo de Buffy se chocando contra a parede. No desespero, avancei em cima de Drussila e a derrubei no chão. Também caí, mas logo levantei, mesmo patinando no chão liso e corri até minha irmã. Cheguei à tempo de evitar que Dawn a degolasse. Buffy estava com o braço esquerdo decepado na altura do cotovelo.

_ Sua estraga prazer... você não pode impedir o meu destino – ela parecia insana.

_ Matar sua própria irmã é o seu destino? – disse ofegante.

_ Matar uma e fuder a outra. O que acha disso?

_ Vai se fuder! – dei um chute na altura do estômago dela.

O quadro era Skywalker e Drussila se aproximando, e Dawn se levantando. Eu era a única coisa entre eles e Buffy. Com certeza eles queriam vê-la morta. Só não tinha certeza quanto a mim. De um jeito ou de outro, se a gente ficasse ali o resultado seria um só: nós perderíamos. Sempre fui considerada a jedi com maior potencial entre todos. Sempre soube que a medida que fosse aprendendo, iria ser a mais poderosa da galáxia. Poderia me igualar a lendas como mestre Yoda e Anakin Skywalker. Mas era frustrante que naquele momento era apenas um potencial, alguém que não sabia usar a força que tinha. Só que precisava fazer alguma coisa diferente para surpreendê-los, pegar Buffy e dar o fora dali. Foi quando decidi concentrar todo meu ódio, meu desprezo, meu nojo, minha vergonha, minha decepção, meu desespero. Deixei que os três estivessem numa distância certa e então liberei uma onda de choque que nunca tinha feito antes. Por um momento minha vista ficou escura sem eu ter desmaiado. Era mais uma cegueira momentânea. Quando recobrei a visão e até parte da consciência segundos depois, descobri que os três estavam caídos no chão, se recuperando do "seja lá o que fiz" com alguma lentidão. Era o tempo que precisava. Minhas pernas estavam bambas, mas não podia me dar o luxo de fraquejar. Ajudei Buffy a se levantar e coloquei o seu braço direito em volta do meu pescoço. Ela estava consciente e fora testemunha da minha ação, só que não havia tempo para comentários. Andamos até o speeder bike. Buffy ficou na minha frente, entre os meus braços e eu acelerei o máximo que podia para nos tirar dali. As ruas estavam um caos, apesar de não haver nenhum front terrestre por ali. A batalha era sobretudo aérea e imaginei que confronto homem a homem só estivesse acontecendo mesmo na ilha de Caldraan. Ouvi Buffy murmurando alguma coisa.

_ Buffy? O que foi?

_ Seus olhos – ela disse mais alto. Parecia estar mais recuperada apesar da dor intensa.

_ O que tem os meus olhos?

_ Estão negros, Will.

_ Eles não nos deram chances, Buff. Foi só isso...

_ Para onde vamos?

_ Um lugar que conheço... mais ou menos uns 400km daqui.