Usamos as duas semanas privada de ver a luz do dia para descansar dentro do possível. De tempos em tempos uma das meninas de Anya descia para nos reportar o que estava acontecendo no mundo exterior, e as notícias nunca eram boas. Buffy e eu estávamos sendo procuradas como criminosas. As tropas bateram à porta de Anya uma vez para uma vistoria. Todos os diplomatas foram presos, assim como os líderes politicos e comandantes militares. A população tinha de respeitar toques de recolher, tudo estava sitiado e qualquer tentativa de resistência era reprimida com violência extrema. As cenas se repetiam nos principais planetas que formavam a Aliança. Só em Corellia, o número de mortos ultrapassava cinco dígitos. Mas nós procuramos manter a calma pois não havia nada que pudéssemos fazer. As vezes treinávamos alguns movimentos com o sabre, muitas vezes meditávamos, e na maior parte do tempo dormíamos. No final da segunda semana, fui acordada às pressas por uma das garotas de Anya.

_ Vocês precisam fugir agora!

_ Como assim? – Buffy desativou o sabre e limpou o suor da testa.

_ Eles já estavam desconfiados porque acharam sangue de Buffy na moto. Então eles pegaram uma de nós, Lola... ela falou tudo... tropas estão cercando o prédio.

_ Pra onde podemos fugir? - comecei a ficar desesperada.

_ Há um túnel no fundo da sala que vai dar direto num hangar clandestino...

Ouvimos um barulho de alguém que estava forçando a entrada. Não daria tempo de escapar, a não ser que uma de nós ficasse enquanto a outra pudesse fugir. Olhei para a Buffy e beijei o seu rosto.

_ Acabe com Rack!

Antes que ela pudesse responder, a golpeei forte na cabeça para fazê-la desmaiar.

_ Qual o seu nome?

_ Kendra.

_ Muito bem, Kendra... pegue Buffy e suma daqui. Eu vou retê-los!

Kendra parecia ser uma menina muito esperta. Era uma negra forte e parecia ser uma sobrevivente. Ela pegou Buffy pelos braços e saiu a arrastando até o fundo da sala. De longe pude ver ela abrir uma portinhola e arrastando Buffy para dentro. Depois entrou e colocou a portinhola no lugar. Foi o tempo das tropas invadirem o depósito clandestino e eu me armar com o sabre. Matei os primeiros antes mesmo de terem a chance de pensar. Os tiros ficaram mais frequentes e ficou impossível conter os outros. Precisei recuar e desviar de muitos tiros até ouvir alguém ordenar para suspender fogo. Uma mulher... Dawn!

_ Que vergonha, Willow! - falou confiante - se esconder numa casa de cortesãs?

_ Não há vergonha nisso... elas são mais decentes que você e todos os seus novos amigos.

_ Acha que palavras de bravura, piadinhas e ofenças vão te salvar?

_ Não! - desliguei meu sabre - minhas chances aqui são perto de zero.

_ Você sempre foi mais sensata do que te dão crédito - sorriu triunfante enquanto guardas se aproximaram para me prender. Não resisti.

_ Alguém dessa família tem que ser.

_ Onde está Buffy?

_ Muito longe daqui - disse com segurança. Dawn se aproximou para tentar ver qualquer traço de mentira, mas não sabia que nesse jogo eu me garantia. A vida ensinou assim.

_ Aconselho que peça perdão ao vovô. E de joelhos, se quiser viver.

_ Não vou... não adiantaria. Ele não me faria esse favor.

_ Que favor?

_ Me matar!

Fim