N.A.

Oie!!

Mais um capítulo e só posso dizer que a coisa vai esquentar!

Eu não faço idéia de quantos capítulos essa fic vai ter, mas sei que não vão ser poucos por que ta tão legal escrever essa história hehe... E muuuuuuuito obrigada a quem ta lendo a fic, espero de verdade que estejam gostando... Mesmo sem deixar reviews, eu sei que tem gente que tá lendo e acompanhando... Então muito obrigada a esses "anônimos" também!!

Boa leitura!


Se eu não tiver você

Capítulo V

Acordou espontaneamente, sem que dessa vez o despertador fizesse esse "favor" a ela. Fez menção de levantar-se, mas seu corpo não a obedecia completamente. Levando a mão à cabeça após sentir uma forte dor, Saori ergueu-se de sua cama com grande esforço, quase não conseguido manter-se de pé.

- O que houve comigo?- murmurou a garota ao dar-se conta de que não estava vestida com seu pijama e sim com uma calça preta e uma blusa.

O fato era que a moça estava confusa e não se lembrava do porquê de estar naquele estado, digamos, deplorável. Lembrava-se apenas do que havia acontecido antes de ter ido ao bar da boate na noite anterior. Olhou o curativo que tinha em seu braço e teve certeza de uma coisa: havia aprontado algo.

Praticamente se arrastando e se apoiando nas paredes, procurou por Shunrei por todo o apartamento, até finalmente encontrá-la na sala, totalmente concentrada vendo televisão. Parou um pouco a fim de evitar os movimentos bruscos que atenuavam sua dor de cabeça, chamando assim, a atenção da chinesa.

- Ai meu Deus!- Shunrei deu um pulo e encostou-se em um canto do sofá, assustada com a imagem que via: Saori, parada ali na sala, com a roupa toda amarrotada e os cabelos lilases totalmente bagunçados e embaraçados. Fora a maquiagem borrada e as olheiras que a moça tinha, fazendo-a parecer uma personagem de filme de terror.

- Ahhh!!- Saori também se assustou com o grito da moça, levando a mão à testa logo em seguida - Ai, minha cabeça!- completou com uma voz chorosa.

Shunrei recuperou-se do susto rapidamente e foi correndo ajudar a amiga fazendo-a sentar no sofá.

- Desculpa Saori! Não queria te assustar! Mas é que você ficou ai parada, olhando pra mim com essa cara e... Quero dizer, como você está?

- Hunf! Tá tudo perfeito! Não consigo ficar de pé direito, eu estou um caco, com uma dor de cabeça infernal e acabei de levar um baita susto. Não era para eu estar bem?- ela respondeu ironicamente, ainda sentindo a cabeça latejar.

- Nossa! E está com um ótimo humor também né?- Shunrei falou em tom de brincadeira.

- Ah, desculpa amiga. Mas algo me diz que hoje não vai ser um bom dia. – Saori lamentou – Por isso, não quero nem saber o que eu fiz ou deixei de fazer ontem, por que só pelo meu estado já sei que foi besteira, tá bom?

- Como assim "não quer saber"? Você não se lembra?- a chinesa perguntou

- Não!- ela respondeu secamente, com um sorrisinho nos lábio- Quer dizer, só um pouco. Mas agora vou tentar tomar um banho pra parar de assustar as pessoas por aí. Mas você também, hein! Poderia ter tirado minha maquiagem pelo menos! - terminou já se levantando e "arrastando-se" de novo para seu quarto, resmungando coisas inaudíveis.

Shunrei riu da amiga enquanto ia para a cozinha preparar o almoço. Realmente Saori estava mal, e nem ao menos se lembrava do que tinha feito. Mas com certeza sabia que havia bebido um pouquinho de mais e que estava sentindo os sintomas de uma bela ressaca.

Ao chegar ao quarto, Saori sentiu que tinha algo dentro do bolso. Era um papel onde estava escrito "Julian" e embaixo o que provavelmente seria um número de telefone. Jogou o papel em cima do criado mudo, não se importando muito com o "achado". Tudo o que importava agora era tentar acabar com aquela situação.


- Alô?- Seiya atendeu ao telefone com uma voz baixa, típica de quem havia acabado de acordar com o toque do aparelho. - Quem é que tá me ligando a essa hora, hein?

- Sabia que você ainda estava dormindo. Que horas você acha que são? O que foi que nós combinamos ontem?

- Ah... Shiryu... - ele falou desanimado, ainda com os olhos fechados- Tinha que ser você.

Seiya acomodou-se melhor na cama e passou a mão nos olhos para poder ver as horas no despertador em cima da mesinha de cabeceira. Já passava do meio-dia. Depois da confusão de ontem, todos haviam combinado que no dia seguinte iriam a um almoço na casa da amiga para ouvir o que ela e Shiryu queriam tanto falar com eles.

- Vamos! Levanta logo, que eu tô passando ai! E já é pra você estar esperando na frente do prédio. Até logo! – Shiryu falou bruscamente

- Mas peraí, eu... - Seiya pára de falar ao ouvir um barulho de ocupado- Hunf! Desligou na minha cara!

Shiryu já esperava há dez minutos por Seiya, quando o avistou saindo do prédio devagar e sonolento. Buzinou na tentativa de chamar sua atenção.

- Muito bonito! Eu já estou te esperando há um tempão!- exagerou Shiryu, aborrecido, vendo Seiya aproximar-se do veículo com os olhos quase fechando.

Seiya entrou no carro imaginando que iria ouvir bronca do amigo o caminho todo. Ele e Shunrei eram iguaizinhos quando o assunto era "cuidar" dos amigos.

- Eu tenho mesmo que ir? – Seiya brincou. Já sabia da resposta de Shiryu.

- Não me faça perguntas idiotas, tá? Você sabe muito bem que sim.

- Tá certo. Tá certo. - Seiya bocejou- Mas só porque eu adoro a comida da Shunrei.

- E qual é a comida que você não gosta? Se te derem pedra pra comer, você come!

Os amigos ficaram falando sobre coisas banais durante o caminho. Algumas vezes, Shiryu flagrava Seiya tirando um cochilo, mas nada que não se resolvesse com um bom beliscão.

- Ai!- Seiya passava a mão no braço, tentando aliviar um pouco a dor.

- Já chegamos. – Shiryu mantinha um sorrisinho sacana nos lábios.

- Chegamos onde?- ele olhava para os lados tentando reconhecer o local onde estava.

- Ah, Seiya! Acorda! Na casa da Shunrei né?

- É mesmo. – o rapaz já saia do carro, mas parou quando algo lhe veio à mente -"Espera aí... Casa da Shunrei? Casa da Shunrei é igual a... casa da Saori!".

Parecia que só agora é que Seiya havia acordado de verdade. Que havia se lembrado da noite de ontem... E do beijo que não o havia deixado dormir direito. Agora ele entendia o motivo de sua sonolência excessiva. Shiryu apenas viu Seiya voltar a entrar no carro, fechar a porta e abaixar o vidro.

- Amigo, se você quiser mesmo dar seu recado, é melhor eu não subir. Acredite, é para o bem de todos!

- Como?- o rapaz não entendeu nada- Pára de brincadeira, Seiya! Sai daí logo!

Shiryu puxou o jovem para fora do carro e o empurrou para dentro do prédio. Não havia outro jeito! Se Seiya exitasse mais, Shiryu iria começar a enchê-lo de perguntas e acabaria sabendo mais do que devia. E no final, deu-se conta: estava fugindo da Saori? Fugindo de uma garota? Será que até isso ela teria conseguido despertar nele?

- Tudo bem. Eu vou!- disse erguendo a cabeça e tomando a dianteira, deixando Shiryu parado, observando tudo mais confuso ainda

- Esse aí não tem mais jeito... Ele tá começando a me assustar!- disse já indo atrás dele.

Já estavam no corredor onde ficava o apartamento da noiva de Shiryu. Seiya estava um pouco "agitado" demais. Parecia que toda aquela vontade de encarar os fatos ocorridos havia ido embora ao sair do elevador.

Saori ajudava Shunrei a cortar alguns legumes para o almoço que fora comunicado a ela há pouco tempo. Depois do banho já se sentia um pouco melhor e sua aparência já estava bem mais agradável. Só aquela maldita dor de cabeça que não passava, nem com o analgésico que a amiga a havia feito tomar. Ouviu toques na porta e agradeceu mentalmente por não terem tocado aquela campainha barulhenta, que tantas vezes ela tinha vontade de quebrar. Shunrei estava muito ocupada e por isso fez o grande esforço de ir abrir a porta.

Seiya viu a porta se abrir e já imaginava todas as formas de insulto que ouviria da moça que por azar era quem os receberia. Engoliu seco ao vê-la.

- Boa tarde, Saori!- Shiryu cumprimentou a moça educadamente, como sempre- Você está melhor?

- Mais ou menos- ela falava baixo- Mas entrem!

Saori viu Shiryu entrar e ir direto procurar a noiva, enquanto Seiya ainda estava parado lá fora

- O que foi? Não vai entrar?- ela perguntou calmamente

Seiya fitou a moça, completamente desconcertado, e abaixou a cabeça logo em seguida, já entrando no apartamento, fazendo com que ela ficasse desconfiada. Sentou-se no sofá e permaneceu em silêncio por alguns minutos esperando as primeiras manifestações de fúria da garota. Saori ficou observando o jovem. Ele estava muito estranho.

- O que aconteceu? Por que está com essa cara?- ela perguntou, não escondendo sua curiosidade

Seiya levantou a cabeça para fitá-la, surpreso. Estava esperando o pior e tudo que ouvia dela era "o que aconteceu"?

- Como assim? Você não está brava comigo?- Seiya perguntou confuso

- Ora, Seiya. Por que eu estaria brava com você? - ela respondeu com um sorriso, o que o fez suspirar aliviado. – Não entendo o porquê da pergunta.

Um tempo de silêncio se formou, até que Saori tornasse sua feição séria e estreitasse os olhos

- A não ser que... - ela completou

Agora Seiya havia se dado conta de que havia perguntado demais. Para sua sorte ou azar, a garota havia demonstrado não se lembrar de muita coisa da noite anterior e ele acabara de deixá-la intrigada. Ele se recriminava mentalmente por isso. Saori já havia deixado de sorrir há muito tempo e agora mantinha um olhar bastante intimidador sobre ele.

- Seiya, Seiya... - disse calmamente, sentando-se ao lado dele no sofá - Você pode enganar todo mundo, menos a mim. O que foi que você fez, hã?- resmungou ela, tentando se manter calma para não piorar a dor de cabeça. Depois de pensar um pouco deduziu que Seiya e aquele corte em seu braço tinham muito em comum. Ainda mais depois das últimas atitudes do rapaz.

- Eu? Eu não fiz nada, Saori! – ele falava com uma risadinha sem graça, ainda recebendo o olhar de reprovação da garota.

Nesse momento Marin chega com Aioria. Não perdeu a oportunidade de brincar com a amiga

- Olá!Cadê a Senhorita Pé-de-Cana?- Saori dirigiu um olhar mortal para ela, fazendo com que fechasse o sorriso que trazia nos lábios- Digo, como está Saori?- concertou logo em seguida.

- Mal.- ela respondeu secamente

- Posso imaginar. - Marin cumprimentou Seiya também - Olá!

- Marin! Que alegria te ver!- ele abraçou a ruiva, que não estava entendendo a suposta felicidade do rapaz em vê-la- Oi Aioria!

A jovem de cabelos lilases assistia a tudo aquilo incrédula. Seiya realmente escondia algo demasiadamente sério dela. E ainda ficava usando desses artifícios para escapar do assunto.

- Oi Seiya! Poxa, sabia que você gostava da Marin, mas não tanto!- Aioria brincou

Seiya apenas sorriu. Marin sempre chegava nas horas erradas, mas algum dia ela teria que acertar. Ele a agradeceu em pensamento quando viu que ela praticamente arrastava Saori- contra sua vontade, diga-se de passagem- para a cozinha à procura de Shunrei e o tirava daquela enrascada.

- É impressão minha ou a Saori estava muito brava com você?- Aioria observou

- Não!- Seiya respondeu sorrindo e coçando a nuca- Ela não tem motivos pra isso!

- Sei. - Aioria não acreditou muito naquilo

Shunrei aparece para avisar aos rapazes de que o almoço já estava pronto. Seiya foi o primeiro a se dirigir à mesa. Como sempre, já estava morrendo de fome, mas dessa vez com motivo, pois mal teve tempo de comer algo, com Shiryu o apressando.

Todos já estavam acomodados em seus lugares na mesa e se servindo com as delícias que Shunrei, com uma pequena ajuda de Saori, preparou.

- Nossa Shunrei! Acho que vou vir almoçar aqui todos os fins de semana!- Seiya elogiava a comida da moça pela décima vez, arrancando sorrisos de todos os presentes, menos da senhorita Kido que às vezes, entre uma garfada e outra, olhava para ele com o mesmo olhar reprovador de antes.

Ao fim do almoço, Shunrei achou que aquela era a melhor hora para contar sobre o casamento aos amigos. Bastou um sorriso para que Shiryu entendesse o que ela queria.

- Bom, amigos. Shunrei e eu organizamos esse almoço especialmente para anunciar a data do nosso casamento!

- Ah, que maravilha!- Marin abraçou a moça com grande alegria- Shunrei sua danadinha, estou tão feliz por você, amiga! Já era tempo hein, Shiryu!

- Poxa, meus parabéns! Vocês dois merecem ser muito felizes, de verdade!- agora era Aioria que os cumprimentava.

Seiya já abraçava Shiryu e Saori à Shunrei

- Por que não me disse que o motivo de você ter me acordado tão cedo era esse? Eu não teria resistido em vir com você por motivo algum!- nesse momento ele olha pra Saori. – Meus parabéns!- Seiya parecia ainda mais contente que Marin.

- Só você pra achar que meio-dia é cedo pra acordar. - Shiryu retrucou

- Acho que eu vou ficar sozinha nesse apartamento mais rápido do que pensei, Shunrei!- Saori sorri abraçando a moça- A única coisa que eu desejo é que você seja muito, muito feliz, amiga!

Shunrei e Shiryu estavam emocionados. Era muito bom ter o apoio dos amigos nessas horas de felicidade.

- Eu já me considero madrinha de vocês!- Marin brincou, fazendo com que todos rissem.

A chuva que se anunciara no dia anterior agora caía quase que torrencialmente, deixando o clima agradável para a conversa dos amigos, que seguiu por toda a tarde e adentrou a noite. Todos estavam muito ocupados acertando detalhes, convidados e tentando imaginar como seriam os filhos do casal. Mas em nenhum momento entraram no assunto "noite de ontem", para alívio de Seiya e infelicidade de Saori, que agora queria saber com detalhes tudo que havia acontecido, mas que não havia ousado estragar a animação dos amigos fazendo perguntas.

Aioria olhou para o relógio e viu que já estava ficando tarde.

- Pessoal, foi tudo muito divertido, mas eu já tenho que ir. Amanhã tenho que acordar cedo.

- Ah, meu amor! Você já vai? Está chovendo muito! – Marin se manifestou. Aioria já se despedia de todos, enquanto Marin o convencia a ficar mais um pouco.

Seiya estava distraído quando sentiu que algo o puxava, sem que desse tempo se quer de ele reagir. Ninguém havia percebido que Saori literalmente o arrastava dali e o levava para seu quarto. Lá ele não teria como escapar do assunto de novo.

- Entra aí!- Saori empurrou Seiya para dentro do cômodo e trancou a porta, colocando a chave no bolso- Tá pensando que vai fugir de mim assim?

- Eu? Fugindo de você? Não sei do que você está falando. - mentiu ele - Agora, seja boazinha e abra aquela porta.

Saori sorriu ironicamente e sentou-se em sua cama, vendo Seiya cruzar os braços, como se esperasse uma atitude dela.

- Seiya, eu já disse que você não me engana. Eu quero saber tudo que aconteceu ontem!

O rapaz não estava gostando nada do tom de autoridade com que Saori lhe falava. Mas tentou não demonstrar isso e contar à moça tudo que aconteceu. Afinal, ele não teria como escapar mesmo e poderia omitir algumas partes.

- Tá bom! Se é isso que você tanto quer, eu vou te contar. – ele puxou uma cadeira para se sentar- Do que você se lembra?

- Bom, a última coisa que eu lembro é que eu estava no bar com o Julian, tomando algo e depois disso já não me vem nada à mente.

Agora Seiya tinha mesmo que se controlar para não demonstrar toda raiva que sentia. Ela não lembrava de quase nada, mas do Julian ela se recordava perfeitamente! Fechou os olhos na tentativa de se acalmar, antes de terminar

- O Julian... Claro... - ele suspirou longamente, aborrecido- Você apareceu com ele na pista de dança e a Shina partiu pra cima de você. - ele omitiu boa parte da história

– Já entendi tudo. Foi ela quem fez isso no meu braço.

- Foi... Depois nós tivemos que separá-las, se não iam acabar se matando. E eu tive que te levar pra fora, enquanto Aioria continha a Shina. Pronto! Já contei tudo. Agora acabou o interrogatório. - ele falou seriamente, já se levantando da cadeira.

Saori percebeu que ele estava estranho de novo. Pôs-se à frente dele, não deixando que ele escapasse, embora a porta estivesse trancada

- Não! Não vou abrir ainda porque tem algo que você não quer me contar!

Agora Seiya estava mais encurralado do que nunca. Estava dividido entre acabar com tudo de uma vez ou continuar omitindo tudo.

"Por que é tão difícil contar isso a ela? Do que eu tenho receio?"- pensava o rapaz, no ápice de suas dúvidas. Dúvidas que o deixava irado e isso ele não permitiria mais. Resolveu pôr fim a tudo, de uma vez.

- Tem algo sim. Eu nunca fui de ficar fugindo de nada e nem de ninguém. E você não vai me fazer continuar com essas atitudes infantis. – disse isso aborrecido, fitando-a bem nos olhos- Vamos acabar com isso de uma vez. Você vai acabar se lembrando mesmo.

- Ah! Finalmente você entendeu!Era isso que eu queria desde o começo! Eu só quero saber a verdade!- ela falou subindo o tom de voz, o que deixou Seiya extremamente irritado. Ele tentou se manter imparcial, mas Saori conseguia tirá-lo do sério de uma maneira que ninguém conseguia. Aliás, só ela conseguia que ele chegasse aos extremos da calma e da raiva em uma mesma conversa

- É isso que você tá querendo ouvir, garota? Que eu te... Que você me... Ahhhh... Que nós nos beijamos? Taí, eu já falei!- exasperou o rapaz, passando as mãos nervosamente pelos cabelos logo em seguida

Saori praticamente paralisou, tentando digerir tudo que havia ouvido. Ela e Seiya haviam se beijado? Não podia ser verdade.

- O-o-o quê?- murmurou ela ainda não acreditando, quase não conseguindo falar direito

Seiya controlou um pouco sua raiva ao ver o choque que a menina havia tomado. No fundo se sentia culpado por ela se sentir assim. Ele queria sim contar tudo, mas não da forma que fez. Queria se explicar, tentar entender junto com ela o que havia acontecido naquela noite, mas a garota não deu chances para isso.

- Eu não acredito nisso! Como pôde?!- ela voltou a gritar

Agora quem não acreditava era Seiya. Ela estava jogando a culpa toda nele, como se ele a tivesse beijado à força. Sentiu seu sangue ferver com as palavras da moça.

- Ah, você quer se fazer de vítima, né? Foi você que começou tudo, dizendo que "adorava quando eu sorria" e não parou mais de me provocar! Mas claro! Como você iria lembrar de tudo isso, se a única coisa que te importava era o Julian?

- Isso não é verdade! Você não sabe o que está dizendo! Agora você passou dos limites!- Saori estava realmente alterada e já não se importava nem com a dor de cabeça que sentia. - Eu já tinha te perdoado por tudo que você me fez, mas isso eu não vou perdoar nunca! Nunca!

- Ótimo! Eu não preciso que você me perdoe de nada! Esquece que eu existo, tá bom? Vai ser melhor pra todo mundo!- Seiya falava na mesma altura que ela, mas abaixou drasticamente o tom de voz logo em seguida, falando com a voz embargada- Agora abra aquela porta.

Marin já havia descido com Aioria por que não o havia convencido a ficar, quando Shunrei e Shiryu ouviram os gritos de Seiya e Saori vindos do quarto da jovem. Estavam tão entretidos com as palhaçadas da ruiva que nem haviam percebido a ausência dos dois. Assustados, foram ver o que estava acontecendo.

Saori já havia aberto a porta para Seiya. Ele olhou para a jovem, como se ainda esperasse que Saori pedisse para que eles conversassem sobre o assunto, mas ela tentou demonstrar imparcialidade e com um gesto pediu que ele saísse do quarto. Seiya passou rapidamente pelo casal que já estavam quase chegando ao quarto da jovem, parando um pouco mais a frente.

- M-me desculpem por tudo. E parabéns novamente. - ele disse completamente transtornado, sem ao menos virar-se para fitá-los e saiu deixando a porta da sala aberta.

Shunrei, preocupada, pediu que Shiryu fosse atrás dele enquanto ia falar com Saori. Encontrou a moça de cabeça baixa, parada de costas para a porta. Parecia muito exaltada e ainda pensou em deixá-la sozinha. Não o fez por que Saori parecia estar... Chorando?