Se eu não tiver você

Capítulo VIII

Enfim, o tão esperado evento comemorativo havia chegado. E não se tratava de qualquer evento. Dessa vez, diferentemente dos anos anteriores, uma parte de um parque público havia sido fechada, dando lugar ao grandioso espetáculo que estava previsto. Estava tudo muito bem organizado, com várias barracas de comidas tipicamente japonesas, música, exposições de arte e afins. "Um evento feito para a família inteira se divertir": esse era o desejo de Shion Toshio.

A noite já sobrepunha o dia e o enorme número de luzes acesas realmente afirmavam de que aquela era a grandiosa Tóquio. As pessoas já começavam a chegar em grande quantidade ao local. Já era possível avistar vários rostos conhecidos, inclusive de funcionários, que eram os convidados de honra e por isso não trabalhariam naquela noite.

- Ainda bem que todo trabalho que tivemos deu algum resultado. Ficou tudo muito lindo!- era Marin que chegava com Aioria. Estava maravilhada com o que via.

- Não tinha como não ficar perfeito. Tudo em que você põe a mão fica assim!- Aioria respondeu brincalhão como sempre, abraçando a namorada, mesmo sabendo que Marin não havia participado em nada da decoração local.

- Não acha que esse é o lugar perfeito para se pedir alguém em casamento?- a ruiva adorava jogar indiretas, que pra Aioria, eram mais do que diretas.

- Ca- casamento?- ele engoliu seco ao ouvi-la tocar no assunto, respondendo-a com uma risadinha sem graça – Eh... Hum... No meio dessa gente toda? Acho que... Que... Não?

Ela revirou os olhos, mostrando toda sua frustração. Era o sonho da vida dela casar com Aioria, mas parecia que o rapaz não a amava o suficiente para tomar essa decisão. E isso a estava deixando cansada.

- Ah, olha só a Shunrei e o Shiryu! Vamos falar com eles!- Aioria puxou a namorada pelo braço, indo em direção aos amigos e aliviado por ter saído daquela situação.

Shiryu brincava numa daquelas barracas de tiro-ao-alvo, tentando conseguir o tão sonhado ursinho de pelúcia para a amada. Ato extremamente clichê, porém romântico, e que ele sempre quis fazer.

- Você devia dar umas aulinhas de romantismo pra esse aqui, Shiryu. Ele tá precisando- Marin comentou, olhando de esguelha para Aioria.

- Marin, que bom que chegou!- Shunrei cumprimentou a amiga e seu namorado, sendo seguida por Shiryu.

- E você acha que eu ia perder o começo de uma festança dessas? Claro que não! Hoje sim, nada me impedirá! Eu vou me esbaldar!

Todos sorriram, imaginando que não poderia ser diferente quando se tratava de Marin.

- Vocês não viram o Seiya por ai?- Shiryu perguntou, procurando-o com o olhar.

- É verdade! Ele já deve ter chegado. Deve estar com muita saudade, não é Shiryu? - comentou Aioria, com um olhar maliciosamente sarcástico.

- Claro que sim! Ele é meu amigo, oras. Além do mais, tô louco pra encher a paciência dele um pouquinho. Faz quatro meses que não faço isso! E convenhamos... Você também está com saudades daquele mala.

- Que bonito você dois, hein! Vamos parar com o ataque "boiolístico" e procurar o homem então!

- Vamos... –Aioria concordou, já fazendo o que a namorada havia sugerido- Mas peraí... "Boiolístico"?

Mais uma vez Aioria e Marin conseguiram arrancar risadas dos amigos. Como ela conseguia inventar essas palavras?


Entregou a chave de seu carro ao manobrista do estacionamento ao lado do parque. Já deveriam estar no local há muito tempo, se a jovem que o acompanhava não tivesse demorado tanto tempo para se arrumar. Nenhuma novidade, em se tratando de uma mulher. A novidade estava no fato de essa mulher ser Saori.

Poucos passos depois, já se encontravam em meio às centenas de pessoas que apreciavam tudo que lhes era oferecido naquele evento. Saori também não pôde deixar de se surpreender com a beleza e grandiosidade que seus olhos miravam. Mas nada disso era superior à ansiedade que sentia naquele momento. Afinal, aquela pessoa estaria lá. Repreendia-se por sentir-se assim, pois apenas queria desculpar-se com ele. Isso era o que ela achava de início, mas acima disso tudo desejava poder vê-lo, poder ouvir sua voz... Pela primeira vez ela admitia para si mesma que realmente sentiu saudades dele nesses quatro meses. Se não fosse isso, por que estaria procurando-o com o olhar naquele momento?

- Saori, meu amor... Parece nervosa. Não se sente bem?- perguntou um preocupado Julian Solo.

- Não! Não é isso... Eu estou bem!- sorriu a garota, tentando disfarçar

O jovem Solo sorriu em resposta, aliviado com o que havia acabado de escutar, embora não tivesse total certeza do "bem-estar" da namorada. Saori não gostava muito de demonstrar seus sentimentos, mas respeitaria a individualidade da moça enquanto isso não lhe fosse prejudicial.

Dirigiram-se à sala "VIP", onde todos os sócios e amigos dos donos da empresa se reuniam para aproveitar as comemorações. Após apresentar Saori para os presentes, Julian começou a conversar com os vários empresários, deixando Saori à mercê das "malas da sociedade", ou seja, as esposas deles. Elas mantinham um papo totalmente chato e fútil, o que não estava agradando a jovem em nada. Aliás, ela estava perplexa com tudo que estava ouvindo.

- Hoje chegou o convite do casamento da neta dos Katsutoshi, donos da famosa linha de cosméticos. - gabou-se uma das senhoras

- Ah sim! Pra mim também. Mas estou em dúvida... Não sei se uso o meu vestido vermelho de fina seda chinesa que custou 970 mil dólares ou se uso o outro, confeccionado com fios de ouro...

- Nossa... Que pão-dura você é! Você já usou esses vestidos! Na Hime's Boutique, os vestidos estão na promoção. Comprei um por 500 mil dólares! Super barato!

- Depois eu que sou a pão-dura. Eu abomino a palavra "promoção", querida!

"Argh! Bando de chatas metidas... Não quero mais ficar aqui... Vou dar uma volta..." – resmungava mentalmente a moça que literalmente "se mandou" dali sem dar qualquer explicação de onde iria, deixando as mulheres horrorizadas com a "falta de educação" dela.


- Uau! Esse tal de Toshio sabe mesmo das coisas hein!- a moça elogiava enquanto puxava o rapaz pela mão. - Vamos Seiya!

- Ahhhhhh... Temos que ficar mesmo no meio de tanta gente? Não faz nem uma hora que chegamos de viajem! Estou cansado, com fome e você com esse ânimo todo!- respondeu indignado, parando a jovem que o puxava.

- Claro que temos que ficar! Estou de férias e quero aproveitá-las, entende? Devia fazer o mesmo. A vida não é só trabalho. - disse a jovem, de modo divertido.

- Eu sei disso, Yuuri. Apenas não estou com vontade de ficar aqui.

Yuuri era japonesa, mas vivia em Hong Kong. Havia ido à Tóquio para assistir a um seminário de medicina, área na qual havia se profissionalizado. Quando retornava à cidade que havia escolhido para fixar residência, conheceu Seiya e toda uma história teve início. Resolveu retornar com o rapaz à capital japonesa, mas dessa vez apenas a descanso.

- Ora, vamos Seiya! Só dessa vez!- ela tentava encorajá-lo- E além do mais, você não precisa falar com ela, caso a encontre.

- O quê?

- Isso mesmo! Não é por isso que não quer ficar? Tenho certeza de que ela estará aqui, já que trabalha nessa empresa. -Yuuri falava naturalmente- Lembra que você me prometeu encarar os fatos de frente? Ótima oportunidade de mostrar isso.

- Tem razão. Aqui estou eu, fraquejando de novo. - ele suspirou pesadamente, dando um pequeno sorriso logo em seguida- Eu nunca consigo esconder nada de você...

- Nem precisa! - a moça retribuiu o sorriso- Não se preocupe. Não me magoa que você fale ou pense nela.

- Yuuri, sabe que a última coisa que eu iria querer nesse mundo é te magoar. Você é uma pessoa incrível. Nunca vou esquecer o que fez por mim e tudo que aconteceu entre nós, mas...

- Você a ama... Eu sei disso, bobinho! Nunca cobrei amor de você, cobrei?

- Não... Mas é que eu não po...

- Shiiii!- ela colocou o dedo indicador nos lábios do rapaz, como se pedisse para que ele não falasse mais- Vamos continuar andando. Temos muito o que ver ainda.

Seiya fitou Yuuri nos olhos por um momento. Como queria poder esquecer Saori e ficar com alguém que realmente gostasse dele. Mas parecia que o destino assim não o queria.

- Obrigado por tudo... - disse seriamente, puxando a moça e beijando-lhe os lábios, ficando nesse beijo por alguns poucos instantes. Até que os dois fossem encontrados...

- Cof, cooooof!- alguém tossiu forçadamente, querendo com certeza chamar a atenção deles- Desculpa atrapalhar, mas já atrapalhando...

Seiya olhou para o "ser inconveniente" que havia feito aquilo e que por sinal, estava acompanhado por outros. Shiryu era uma pessoa muito indiscreta quando lhe convinha.

- Shiryu?? Droga... Digo... Olá! - ele estava completamente constrangido por ter sido pego daquela forma e abraçou o amigo, tentando disfarçar- Ora seu... Você me paga por isso! - cochichou.

- Seiya! Quanto tempo!- era a vez de Shiryu fingir que não estava sendo "ameaçado" e responder aos cochichos do amigo com um sorrisinho sem graça.

- Amigos!- O rapaz de cabelos castanhos cumprimentou a todos, abraçando-os também.

- Ora, ora. Não vai nos apresentar essa bela moça que vos acompanha?- agora era Aioria quem perguntava, sob olhar um tanto ciumento de Marin. Contudo, ela sabia que o namorado fazia aquilo para provocar o amigo. Ou seria para provocá-la?

- Hum... Eh... Claro que sim! Essa é a Yuuri, uma grande amiga! Nos conhecemos na viajem e agora ela está em Tóquio a passeio. - explicou- Yuuri, esses são Shiryu, Shunrei, Marin e Aioria.

- Muito prazer em conhecê-los! - cumprimentou a sempre sorridente jovem- Seiya falou muito de vocês. Parece até que os conheço há anos!

- Realmente essa viagem fez bem pra você, moleque. Está diferente, mais contente, mais bonito. Preciso conhecer os segredos de Hong Kong!- observou Marin, com uma pitada de ironia na fala. Mas realmente Seiya estava levemente diferente, com os cabelos um pouco mais curtos e arrumados- coisa que ele não costumava fazer- e havia deixado a barba ligeiramente rala, o que tirava um pouco o aspecto "adolescente" que ele ostentava antes.

- Vamos andando... – Seiya disse de forma divertida, pegando na mão de Yuuri-... Antes que a Marin resolva mostrar sua verdadeira face e troque esses elogios por aquelas palavras "gentis" que ela sempre me dirige. - Completou, vendo a amiga fazer uma careta como resposta ao comentário.


Mino e Milo também haviam ido ao evento a convite de Shina. Não sabiam explicar, mas ambos haviam notado uma súbita mudança no comportamento da moça. Se Mino não a conhecesse tão bem, poderia jurar que estava tramando algo. Era típico dela se meter em encrenca por pouca coisa, somente pelo prazer de estar envolvida em algo polêmico.

- Milo, acho que devemos ficar de olho na Shina. Ela está muito estranha. Não manteve contato comigo a semana toda e agora nos chama para vir a este lugar, como se quisesse nos mostrar algo- explanou seus pensamentos, a jovem.

- Então você também percebeu... Mas espero que estejamos errados e que aquela maluca não esteja planejando nada, seja lá contra o quê ou quem for...

Saíram rapidamente em busca da moça de cabelos verdes. Provavelmente estaria na companhia de um dos Toshio, assim como vinha acontecendo nos últimos tempos.


Uma das barracas mais visitadas era a do Tanabata Matsuri, onde as pessoas escreviam seus pedidos em tiras de papel colorido e as amarravam nos galhos de um bambu, que ao final do festival seria queimado para que a fumaça levasse os desejos ao céu, na esperança de que fossem concretizados. Shunrei aproveitava a oportunidade para fazer seus pedidos e o mesmo faziam os demais, com exceção de Shiryu e Seiya, que ficaram do lado de fora da barraca propositalmente.

- Vai me contar o que foi aquilo que eu vi ou vai me deixar na curiosidade?- Shiryu perguntou, quebrando o silêncio que se formara.

- Precisa explicar? É exatamente o que está pensando. – Seiya respondeu normalmente- Quero dizer, mais ou menos aquilo que está pensando.

- Mas e a Saori? Eu achei que...

- A Saori escolheu o caminho dela junto com o Solo. Acho que está na hora de escolher o meu também, não acha?

- Então você já sabia deles... Deveria ter imaginado. - Shiryu estava um pouco surpreso.

- Sabia...

- Certo... - Shiryu concordou, mudando de assunto em seguida- Aposto que aquela sua decisão ainda está de pé. Digo... Ainda pensa em se mudar de vez pra Hong Kong?

- Talvez. Tenho um ótimo emprego e uma pessoa que realmente gosta de mim ao meu lado. Talvez fosse idiotice minha largar tudo isso.

- Se você se contenta com isso, está bem. Eu sempre acabo apoiando as suas idéias idiotas no final. Fico feliz por você ter voltado. Mesmo que seja por pouco tempo.

- Valeu... - um pequeno silêncio voltou a se formar

- Prontinho! Já fiz o meu pedido!- Yuuri se aproximou dos rapazes juntamente aos outros, agarrando o braço de Seiya

- Ah, finalmente! E o que foi que você pediu, hum? – ele perguntou sorridente, vendo a moça se aproximar ainda mais e sussurrar algo em seu ouvido

- Vem comigo até um lugar que eu te conto...

- Mas...

Yuuri novamente puxava Seiya pela mão, deixando os outros que assistiam a tudo com um ponto de interrogação na cabeça.

- Menina louca... – Marin observou, sorrindo logo em seguida- Taí... Gostei dela!

Todos foram se divertir e aproveitar o resto da noite enquanto Seiya e Yuuri se afastavam cada vez mais. O rapaz não sabia ao certo para onde estava sendo levado; só sabia que estando Yuuri envolvida nisto, certamente o que vinha pela frente seria algo no mínimo, incomum.


Andava meio que sem rumo por aquele local. As pessoas pareciam se divertir; pareciam poder se livrar dos problemas nem que fosse por aquele instante. Naquela noite a lua parecia incrivelmente mais bela do que nos outros dias. Sem que percebesse, seus pés acabaram afastando-a um pouco da multidão, levando-a ao enorme píer localizado no lago do parque. Talvez, inconscientemente, desejasse aquele silêncio reconfortante. Algumas poucas pessoas também compartilhavam do mesmo pensamento da garota, mas não ousavam quebrar a atmosfera serena que havia se formado.

Uma brisa suave brincava com seus cabelos, arrancando-lhe um pequeno suspiro. Recostou-se à mureta, apoiando as mãos sobre a mesma, passando a mirar o lago a sua frente. Quanto tempo ficou ali pensando? Minutos ou horas? Não sabia exatamente dizer.

- Saori...

- Hum... Julian? – Saori se assustou ao constatar quem era- Como me encontrou aqui?

- Depois de procurar por todos os lugares, você só poderia estar aqui. – respondeu o jovem, se aproximando e abraçando-a por trás – Me perdoe por assustá-la. Parecia muito concentrada.

- Não se preocupe.

- Por que fugiu de mim?

- Não foi isso. Eu... Apenas precisava de um pouco de ar pra poder pensar melhor

- Entendi...

Permaneceram em silêncio por alguns instantes. Julian desfrutava da companhia e observava a paisagem a sua frente com um sorrisinho nos lábios. Saori se sentia incomodada. Sempre que estava com Julian, se sentia assim. E era exatamente nisso em que ela pensava antes dele chegar. Constatou que não tinha o direito de brincar com os sentimentos dele desse jeito e que Shunrei estava - pra variar- certa: ela não estava feliz daquele jeito... Nunca ficaria... Sua felicidade não estava ali.

- Eu... Eu estava pensando na minha vida. Em tudo que poderia ter feito e principalmente... No que não devia ter feito. Você... Já parou pra pensar nisso?

Julian não pôde deixar de notar um tom de culpa nas palavras da namorada, o que o fez desmanchar o sorriso que tinha. No fundo tinha certeza de que aquilo tudo tinha a ver com ele. Desde o começo estava claro para ele que Saori talvez nunca seria verdadeiramente sua; nunca sentiu que a decisão da garota de ficar com ele fosse firme. Talvez estivesse querendo que as coisas acontecessem rápido demais novamente, afinal, havia prometido que daria o tempo que ela necessitasse. Mas era o que ele sentia e isso o desanimava.

- Já... E digo que as descobertas dessas reflexões às vezes não são agradáveis... Mas sempre há tempo para se fazer o certo. Se for algo que você deixou de fazer por algum motivo, faça-o... - Julian aconselhou, sentindo a voz embargar com as últimas palavras - Se for algum erro que você cometeu... Concerte-o... O quanto antes...

Saori virou-se para fitá-lo, totalmente desconcertada, pois sabia o que ele estava querendo dizer. Abriu e fechou a boca várias vezes, tentando dizer algo e quando finalmente ia dizer, foi interrompida pelo rapaz

- Está ficando frio aqui e você pode se resfriar. Vamos?

Ela assentiu e acompanhou o jovem, ainda pensativa. Se os erros existiam para serem corrigidos, então estava na hora de ela começar a corrigir os seus... Definitivamente.


- Primeiro você praticamente me seqüestra; depois me arrasta pra longe da multidão e pra um lugar escuro como esse, bem no meio do bosque... – o jovem brincava com a situação, com um sorriso malicioso nos lábios e um olhar estreito- Agora eu confirmo que você não tem nada de puritano nessa sua mente...

- Não sei de onde tirou essa história de "puritano". Sabe que estou longe de sê-lo... – ela retribuiu o sorriso de forma sarcástica– Mas, embora não seja má idéia, não é nada disso que está pensando. Pode deixar que eu não vou te atacar... Pelo menos não aqui...

- Não?- Seiya continuava com o tom malicioso na voz- Droga...

- Hunf! Vocês homens são tão pervertidos e... Ah, veja! Já chegamos!

Depois de adentrar o bosque e subir uma colina, haviam chegado ao local. Era uma pequena planície coberta por delicadas flores amarelas e perfeitamente iluminada pela luz da lua. Frondosas árvores rodeavam o lugar e por entre seus troncos era possível ter uma magnífica visão da cidade

- Sr. Ogawara, bem vindo ao meu cantinho predileto no Japão!

Yuuri fazia um gesto divertido com as mãos, pedindo para que Seiya "adentrasse" o local. Ele olhava tudo, meio que incrédulo. Pensava conhecer aquele parque muito bem, mas aquele lugar lhe era totalmente desconhecido. Como era de praxe, Yuuri mais uma vez o surpreendia. Tanto pelo novo local que ela lhe mostrava quanto pelo fato de chamá-lo pelo sobrenome.

- Ogawara... Hunf! Só você mesmo pra me chamar assim...

- Não seja chato! Ogawara é um sobrenome lindo! Tanto quanto o dono. - ela sorriu travessamente, sentando-se sobre o "tapete amarelo" e tendo uma das árvores como apoio para suas costas.

- Se você acha... - respondeu-lhe, dando de ombros- Eu sempre soube que "bom gosto" não é o seu forte. Quero dizer, pelo menos você acertou na escolha do seu "cantinho preferido". É realmente bonito...

- Que bom que gostou... Porque agora ele é seu! Eu te dou de presente...

- Agora é meu? Você fala como se realmente fosse propriedade sua... – ele observou, achando graça das palavras da moça, mas logo entrou no jogo dela - Mas está certo, eu aceito... Obrigado pelo presente.

- Como eu acho que essa é minha última visita ao Japão, quero deixá-lo como uma espécie de herança. E o escolhido foi você... - ela dizia tudo com um lindo sorriso nos lábios- Espero que você só divida este lugar com pessoas especiais pra você, assim como eu fiz hoje.

Ele não entendeu muito bem as palavras da moça, afinal, também iria pra Hong Kong com ela, não? E ele a traria muitas vezes ao Japão. Mas compreendê-la não era uma tarefa das mais fáceis, por isso não havia com o que se preocupar. Sentou-se ao lado de Yuuri e esta o puxou, fazendo-o repousar a cabeça sobre seu colo. Permaneceram daquele jeito por um bom tempo e a combinação de silêncio e cansaço acabou fazendo o jovem adormecer ali mesmo.

- Bobinho... Por fora, você é só sorrisos, brincadeiras... Mas por dentro... Por que não demonstra o que realmente sente?- Yuuri murmurou, enquanto acariciava os cabelos dele- Eu odeio isso em você, Seiya...


- Ele está ali. Então, faremos como o combinado. A mulher irá até o alvo, e o fará distanciar-se um pouco dos demais convidados. Isso deve ser executado com a maior discrição possível. Feito isto, entraremos em ação. Em caso de resistência do alvo, vocês estão autorizados a usar força bruta. E em caso de o público perceber a ação, somente um tiro para o alto será suficiente para desviar a atenção de todos e fazê-los dispersarem-se dali. No meio da agitação, será mais fácil retirar o alvo do local. Entendido?

As instruções eram passadas minuciosamente pelo pequeno microfone contido na lapela. Todos os participantes do vil plano estavam em seus postos, prontos para agirem. Apenas esperavam a ação da moça de cabelos verdes.

Passos agudos eram ouvidos devido ao atrito do finíssimo salto com o piso de madeira. Por cada centímetro que andava, despertava a atenção dos presentes. Realmente a moça de sedosos cabelos verdes era sedutora, estonteante e incrivelmente... Perigosa.

- Shion Toshio? É realmente um prazer conhecê-lo!- disse estendendo a mão ao empresário que estava rodeado de amigos. - Permita-me apresentar-me: Keiko Misato.

- Em quê posso ajudá-la, senhorita Misato?

- Sei que não é o momento mais oportuno, mas creio que é imprescindível lhe falar sobre algumas dúvidas que tenho sobre negócios. Poderíamos conversar em particular? Se não for um incômodo, logicamente.

- Incômodo algum. Sempre se encontra tempo para se falar sobre tal assunto. - respondeu-lhe com um amistoso sorriso

- Aqui não é um bom local para conversarmos. Poderia me acompanhar?

CONTINUA...


Carambaaa... Não acredito que consegui postar esse capítulo. Tô tão feliz! -

Bom, primeiro, mil desculpas pelos meses sem atualização... Mas isso aconteceu, primeiro, porque eu tava desanimada. Não com a fic, mas com a minha vidinha mesmo T.T... E como conseqüência disso, veio um enorme bloqueio criativo, ou seja, eu não conseguia terminar esse capítulo... E entre escrever qualquer porcaria e não escrever, eu fico com a segunda opção.

Quero agradecer ao pessoal que me deixava review cobrando a fic, pedindo pra não parar de postar e que sempre ficava me apoiando, como a Dragonesa, a Marina Jolie, o Felipe Nani, a Branca Takarai. Então esse capítulo é especialmente dedicado a vocês o/. Espero que apreciem o/

OBS: Pessoal que escreve ou que quer começar a escrever e que tá lendo esse recado: postem mais fics Seiya x Saori – ou outros casais clichê-, please! Eu leio e adoro Yaoi, mas tem fic demais nesse gênero... Mas enfim, cada um escreve sobre o que gosta . Foi só um pedidinho ç.ç

Aliás, tô lendo uma fic Saori x Seiya tão legal -. Se chama "Apenas um acordo?" da Ravena Taisho, eu acho... Recomendada! xD. Quando a fic é boa, eu recomendo mesmo uú.

Reeditando todos os capítulos... as divisórias sumiram çç

Kisus