CAPÍTULO III
Kagome estava visivelmente aturdida.
— Você não pode estar falando sério! Ele é grego.
— Bem, e daí? Sesshomaru é metade grego.
— Mas ele não vive aqui. Não é grego no comportamento.
— Não é? Ele me disse que era. Ele disse: "Fui criado como un cidadão inglês, mas continuo grego até os ossos".
— Que absurdo! É claro que ele não é — contrariou Kagome. — Não parece nem um pouco com os verdadeiros gregos.
— O que há com os verdadeiros gregos? A pergunta deixou Kagome confusa.
— Bem, não são como nós, não? Têm alguns hábitos particulares. Quando eu estava esperando por vocês no saguão do hotel, alguns homens estavam brincando com colares de contas marrons.
— Oh! Aquilo era komboloia — explicou Rin. — Nunca ouviu falar? Eles ficam mexendo com as contas, produzindo um pequeno som; para acalmar os nervos.
— Eis aí, então — disse Kagome com mordacidade. — Os cidadãos ingleses não precisam de contas para acalmar os nervos.
— Não. Mas fumam cigarros, sacodem moedinhas e roem as unhas.
— Eu acho que brincar com um colar de contas é meio afeminado — disse Kagome com desprezo. Depois prosseguiu ilogicamente:
— E não gosto da maneira como eles olham de soslaio para as pessoas. Nunca me olharam tão atrevidamente como quando eu estava a sua espera no saguão do hotel. Foi horrível. Fiquei mais do que embaraçada.
— Bem, Bankotsu contou que é um dos costumes do país. Portanto, temos de não ligar. Na verdade acho que os ingleses também nos consomem com as suas olhadelas. Apenas são mais furtivos.
Essa resposta frívola estava tão em desacordo com a irmã que Kagome arregalou os olhos.
— Posso telefonar para mandarem o seu café? Quero praticar o meu grego — disse Rin. Dirigiu-se ao telefone e chamou a telefonista, pedindo a sala de serviços.
— Kaliméra. Boró na paro to próyevma stó thamatiómoo para. Isso deixou Kagome ainda mais perplexa. Que significaria tudo aquilo? — Eu não sabia que você falava grego.
— Conheço apenas um grego básico — disse Rin. — Se Sesshomaru lhe propuser casamento, obviamente vai esperar que você aprenda-o realmente bem.
Kagome pareceu alarmada.
— Eu nunca poderia aprender grego. Nem usam o nosso alfabeto!
— Algumas das letras são iguais. Não se leva muito tempo para dominar as outras. com Sesshomaru para ajudá-la, você aprenderia num instante. A parte mais difícil é pegar a pronúncia correta.
Piraeus, porto de Atenas, ficava a alguns quilómetros do centro. No trajeto, no táxi, Bankotsu informou que o tempo para se chegar a Marina era de quatro horas.
Assim que o navio partiu, Kagome começou a ficar pálida.
— Estou me sentindo mal — murmurou ela, a Rin.
— vou levá-la para baixo. O enjoo não é tão mau quando a pessoa está deitada — disse Bankotsu. — Não, fique aqui Rin. Colocou o braço em volta da cintura de Kagome e pôs-se a caminhar com ela.
— Não posso deixá-la nesse estado sozinha, Bankotsu — disse Rin, ansiosamente, quando ele voltou.
— Ela não está sozinha. Há uma criada de bordo para tomar conta dela. Você não pode fazer nada por ela, Rin, e eu quero que veja o templo de Poseidon quando passarmos por ele. Além disso, você precisa comer alguma coisa. — Indicou a cesta de vime que trouxera. — Vamos fazer um piquenique aqui no convés. Isso se você também não estiver indisposta.
— Não, estou me sentindo perfeitamente bem — Rin assegurou-lhe. — Nunca me ocorreu que uma de nós poderia sentir-se mal. Se tivesse, eu poderia ter comprado alguns daqueles tabletes anti enjôos.
— Não é comum alguém sentir-se mal num dia como este. No verão, quando o matemi está soprando, às vezes é muito penoso entre as ilhas. Eu, por exemplo, nunca me sinto mal, mesmo durante uma tempestade. Mas há pessoas para quem uma viagem marítima é sempre um martírio. Esperemos que Kagome não seja uma dessas. Ela está cansada da viagem de ontem à noite e excitada. Talvez seja por isso que está se sentindo mal, hoje. É possível que não aconteça de novo.
Rin, que se deliciava com o suave balanço do navio e o soprar da brisa que lhe remexia os cabelos, sentiu uma picada de remorso por estar fazendo um piquenique com ele enquanto sua irmã estava prostrada lá em baixo.
Mas mais tarde, quando o navio passou pelo Cabo de Sounin ficou contente por ter podido vê-lo. No alto havia doze colunas dó ricas de um branco reluzente, tudo o que restou do templo de Poseidon, construído há vinte séculos atrás. Várias vezes, durante o cruzamento, ela desceu para ver como estava Kagome. Felizmente, depois de uma hora de sofrimento, no início da viagem, sua irmã adormeceu. Ela estava ainda dormindo quando, à tarde, o esboço da ilha Marina foi avistado, e à medida que o navio se aproximava da ilha as apreensões de Rin retornavam. Um nó de tensão começava a apertar-se dentro dela. Não havia esquecido o que dissera a Sesshomaru ao telefone, e tinha certeza que ele também não o havia esquecido. Na primeira oportunidade ele iria se sentir todo feliz em provocá-la a respeito.
A primeira vista de Marina era a de uma cadeia de montanhas, circundadas de recifes calcáreos. Mas esse aspecto era apenas o do norte da ilha. Quando o navio tomou a direção da costa, os recifes se substituíram por promontórios rochosos, protegendo pequenas praias vazias.
Kagome foi desembarcada, apoiada por Rin de um lado e Bankotsu do outro. Apesar de ter dormido muito ela ainda parecia fraca.
— Ah! O jeep está lá — disse Bankotsu, apontando para um carro estacionado fora da confusão.
Por um instante, Rin pensou que o homem de pé ao lado do jeep fosse outro dos parentes de Sesshomaru. Estava usando uma camisa rosa e calças azuis desbotadas e parecia tão robusto quanto os homens que descarregavam a carga. Mas, de repente, ele caminhou na direção deles e tirou os óculos escuros. Era o próprio Sesshomaru.
— Oi, como estão vocês? Bem-vindas à Marina! Antes que pudessem dizer alguma coisa, Bankotsu disse:
— A senhorita Kagome sentiu-se mal durante a travessia, Sesshomaru. Teve um enjoo.
— Teve? Oh! pobre garota. E você, Rin?
— Eu estou bem, obrigada. Mas acho que Kagome deveria descansar durante algum tempo para se recuperar devidamente — disse ela, esperando que ele compreendesse a sua insinuação.
— Claro, ela precisa descansar. Não jantamos antes das nove. Até lá ela estará bem. Você vem com a gente Bankotsu?
Não, preciso voltar ao hotel e ver se está tudo em ordem. Mais tarde darei uma chegada lá. — Bankotsu colocou as malas no banco a frente do carro. — Até mais tarde, senhorita Kagome. Até mais tarde, Rin. Se eu não as vir hoje, estaremos juntos amanhã. — E com uma palmadinha no ombro de Sesshomaru e um olhar ardente a Rin, ele os deixou.
Sesshomaru acomodou Kagome no banco de trás do carro.
— Acho que vai ser uma viagem difícil até em casa, mas não é longe. Assim que chegarmos, você poderá descansar. As pessoas estão todas na praia e não voltarão imediatamente.
Logo que deixaram a cidade, a estrada tornou-se quase um caminho para carroça. Sesshomaru dirigia devagar e com cuidado, mas mesmo assim eram jogados de um lado para outro e Kagome parecia prestes a explodir em lágrimas.
— Estamos chegando — disse Sesshomaru finalmente, olhando por cima dos ombros.
Logo o mar tornou-se novamente visível. Da altura em que se achavam, ele parecia até mais azul do que do convés do navio. Então avistaram a casa. Era de um branco ofuscante, como as da cidade. Depois o caminho transformou-se numa descida que os conduziu ao nível do prédio, e sua porta principal. O interior da casa estava frio e penumbroso.
— Vou levá-las diretamente para o seu quarto — disse Sesshomaru, tomando a dianteira, enquanto as duas irmãs o seguiam. No fim de um longo corredor, abriu uma porta.
— Este é o seu quarto, Kagome — ele informou e colocou a mala de Kagome sobre uma cadeira, perto da cama. Em seguida conduziu Rin através do banheiro que ligava os dois quartos e guardou a sua mala. — Quando você tiver posto Kagome na cama, venha tomar um drinque comigo. Estarei no terraço, que fica do lado de fora da sala grande, atravessando o hall.
Depois que ele saiu, Rin voltou ao quarto. Encontrou a irmã sentada na beirada da cama, chorando.
— Tenho a impressão de que minha cabeça está rachando. Estou muito mal — disse ela em voz lamentosa.
Kagome estava tão parecida com uma criança doente que Rin sentou-se ao lado dela, envolvendo-a com o braço.
— Pobre Kagome, como a viagem está sendo desagradável para você! Mas você vai ficar boa logo.
Deixe-me ajudá-la a tirar a roupa e em seguida lhe darei uma aspirina.
Você ouviu o que Sesshomaru disse, eles jantam bem tarde na Grécia. Você não terá que encontrar as demais pessoas imediatamente.
Quando ela terminou de desfazer a sua mala e a de Kagome, a irmã havia dormido novamente. Rin tomou o seu banho e trocou de roupa. A casa não era o que ela havia esperado. Embora seu quarto fosse espaçoso e de teto alto, as paredes brancas e nuas faziam-no parecido com um quarto de convento. A coberta da cama parecia sido tecida a mão numa cabana de camponês. Além da cama de casal, havia um guarda-roupa entalhado, um baú que servia de criado-mudo e uma poltrona.
Depois, incapaz de protelar o momento do encontro por mais tempo, ela atravessou o hall em direção ao grande salão que ele havia mencionado. Não havia nenhum traço da decoração moderna que esperava encontrar. Sesshomaru estava lá fora, sentado numa cadeira lendo um jornal.
— Ah! é você! Como está Kagome? — perguntou, levantando-se e jogando o jornal de lado.
— Está dormindo. É possível que ela tenha de ficar de cama até amanhã.
— Pobre Kagome, que péssima apresentação a Marina.
— Sim — disse Rin. — Antes de regressarmos vou conseguir algumas pílulas anti enjôo, se puder comprá-las aqui. Se ela se sentiu mal num dia como este, imagine se na volta tivermos um mar tempestuoso.
— Vou buscar alguma coisa para bebermos.
O que? Não havia empregado para lhe trazer a bebida?, pensou Rin. Em seguida lembrou que na Grécia, e na maioria dos países quentes, as horas da tarde eram ociosas.
Eram pouco mais de cinco horas.
Ele voltou com dois copos numa das mãos e uma jarra de suco de laranja gelado, na outra.
— Você quer suco? Ou prefere algo mais forte?
— Não, obrigada. Quero suco.
Sesshomaru encheu dois copos, passando um a Rin.
— Ya sãs! — disse ele, erguendo seu copo na direção dela. Enquanto ela bebericava, ele fez uma ou duas perguntas polidas a respeito da viagem.
— Como está o braço da garotinha, agora? — perguntou Rin, lembrando-se do incidente com a menina.
— Oh! Está ótima, brincando na praia — disse ele, apontando com o queixo na direção do caminho inclinado. A praia não era visível do terraço, mas de vez em quando ouviam-se vozes e gargalhadas.
— Foi um desses acidentes que fazem as mulheres gritarem, apertarem as mãos, mas que não são tão graves como parecem à primeira vista. — Prosseguiu Sesshomaru.
— Não quero sugerir que todas as mulheres fiquem em estado histérico em qualquer emergência. Tenho certeza de que você se sairia até melhor do que eu. Deve estar acostumada com esses acidentezinhos.
— Sim, bastante — concordou Rin.
Ela havia quase terminado seu suco. Ele pegou a jarra e ergueu na direção do copo dela. Fitando-a, perguntou:
— Esse vestido foi comprado para as férias?
— Foi.
— Na Grécia, quando alguém usa algo novo, nós dizemos: use-o em boa saúde.
A maneira como ele a examinava deixava-a embaraçada, mas ela conseguiu dar um sorriso em resposta.
— Efharisto, Kyrie.
— Quer dizer que teve o cuidado de estudar um pouco de grego?
— Meu pai sempre disse que ninguém deveria visitar um país, sem aprender a dizer pelo menos "por favor" e "obrigado".
— Seu pai tinha razão — disse Sesshomaru. — Mas é surpreendente como poucas pessoas têm esse cuidado. Os britânicos então... Sempre esperam que todos os estrangeiros falem inglês, mas raramente se dão ao trabalho de aprender um pouco da língua dos outros. Mesmo as pessoas que geralmente se consideram bem-educadas conseguem apenas gaguejar algumas palavras em francês.
— Acho que você fala grego como um grego — disse ela.
— Sim, foi meu primeiro idioma. Até os sete anos nunca falei outra língua. Nasci nesta ilha. Se não tivesse sido a guerra, eu provavelmente passaria minha vida aqui.
Mas em 1947, quando as coisas se tornaram difíceis na Grécia, meu pai mandou-me para a Inglaterra. Ele foi morto em Creta em 1948. No ano seguinte minha mãe morreu num desastre de avião.
— Oh! Que coisa terrível para você! — disse Rin, com voz trémula.
— Na época foi, realmente. Eu tinha dez anos e a escola preparatória inglesa era um ambiente estranho para mim. Mais tarde cheguei à conclusão de que foi a melhor coisa que me aconteceu.
— Quem tomou conta de você depois da morte de sua mãe?
— O irmão mais velho do meu pai e sua esposa. Eles não aprovavam o meu sangue misturado. Por isso gastaram bastante dinheiro para me proporcionar uma boa educação, na esperança de que isso afastasse o que era grego em mim. Infelizmente, do ponto de vista deles, foi tudo em vão.
— Se você se sente mais grego do que inglês, por que não vive aqui, definitivamente?
— Meus gostos demandam muito dinheiro. Aqui em Marina, o homem que ganha mil dracmas por semana é um Cresus. Para mini é apenas um dinheirinho para comprar um par de sapatos ou para um jantar a dois no White Tower — disse ele, com um relancear de olhos provocativo.
Rin, que se comovera há pouco por ele, de calças curtas, ter ficado órfão e exilado num país estranho, sentiu uma rápida mudança nos seus sentimentos. Aos trinta e oito anos, Sesshomaru era o ser mais intolerável e auto-suficiente que ela jamais conhecera. Procurou esconder o que sentia e disse quase impassivelmente.
— Se seu pai viveu aqui por algum tempo, como ganhava a vida?
— Era um escultor, por isso conseguia viver praticamente onde lhe aprouvesse. Era... — Interrompeu, ouvindo vozes vindas da praia, mais próximas agora. — Parece que os outros estão vindo. Quando lhes disse que você é uma professora, acharam que você poderia ser um empecílio entre nós — disse ele com uma pontinha de gozação.
Rin ficou imaginando como seriam aquelas pessoas, e teve quase certeza de que iria achá-las tão incompatíveis como elas a achavam. É possível que Sesshomaru tivesse adivinhado que ela não estava ansiosa por conhecê-las. Ele disse:
— Não se preocupe. Elas não vão mordê-la. — Assim que ele falou, as pessoas apareceram. Três crianças, com as pernas sujas de areia e os cabelos molhados. Estavam tão sem fôlego que ele demorou alguns instantes para fazer as apresentações. Depois disse: Esses são os rebentos de minha irmã: Francesca, Stephen e Keira. Esta é a senhorita Hirugashi, crianças.
Francesca, a mais velha, tinha pouco mais de treze anos. Usava um biquini amarelo e sua figura já parecia muito linda. Stephan parecia ter uns doze anos e também era alto e bem-feito. A mais jovem, Keira, tinha o rosto redondo e a gorduchice da infância.
— Como vai ?— disse Francesca avançando para apertar as mãos de Rin.
Em seguida Stephan aproximou-se e depois dele a pequena Keira. Terminadas às formalidades, Sesshomaru disse:
— Tenho que ir à vila buscar tia Abbe. Tomem conta da senhorita Hirugashi, ouviram, crianças? Talvez ela queira ver a praia. Sorriu para Rin. — Você não se incomoda de ser deixada à mercê deles incomoda? Volto em meia hora. — E, sem esperar resposta desapareceu no interior da casa.
Francesca sentou-se na cadeira desocupada por Sesshomaru.
Sesshomaru pregou-nos uma boa peça. Pintou-a para nós como um verdadeiro dragão que iria nos manter em ordem. — Respirou fundo e ficou rubra.
— O que você quer dizer? — perguntou Rin.
— A senhorita é a professora, não é? — perguntou Francesca com voz de desapontamento.
— Sim, sou.
— Oh! glória! Graças a Deus! Se fosse a outra, talvez ele estivesse dizendo a verdade. — Explicou ela mais ou menos confusa. — Onde está sua irmã, senhorita Hirugashi?
— Ela se sentiu mal no navio e está deitada.
— Oh! compreendo. Coitada! Que chato para ela. Deve ter sido o azeite de oliva. Ele sempre faz mal aos ingleses.
— Não, foi enjoo do mar.
— Enjoo, hoje? — perguntou Stephan, incrédulo. — Mas o mar está tão calmo!
— Não seja tão estúpido — disse a irmã. — Algumas pessoas têm enjoo mesmo num barco rolando devagarinho. Não é verdade, senhorita Hirugashi?
— É, acho que é — disse Rin.
— Eu tive enjoo em Harrods. Isso foi antes de eu ter sarampo. Vomitei tudo sobre o carpete. Minha mãe disse que ela só faltou sumir no chão
— Eu também — disse Francesca. — Você deveria tê-la avisado a tempo de correr para o banheiro.
— Mas eu não sabia — protestou ela. — A coisa saiu da minha barriga.
— Ufa! Que menina terrível — disse Francesca, franzindo a testa. — Você vai acabar fazendo a senhorita Hirugashi sentir-se mal. Podemos lhe mostrar a praia agora, senhorita Hirugashi. Por que não vem nadar conosco? A água está bem quentinha.
— Está bem, vou me trocar — disse Rin. — E acho que seria melhor vocês me chamarem por Rin.
Ela não demorou para pôr o seu novo maio verde-escuro. Espiando no quarto de Kagome, notou que a irmã ainda estava dormindo.
As duas crianças menores já haviam retomado o caminho da praia, quando ela reapareceu no terraço.
— Como você é morena e linda — disse ela a Francesca, comparando os membros dourados da menina com os seus braços é perna empalidecidos pelo inverno.
— Ah! logo você também estará morena — disse Francesca. - Eu era branca, quando chegamos. O segredo é não se queimar.
Você trouxe algum bronzeador? Se não trouxe, podemos emprestar-lhe.
— Tenho um, obrigada — disse Rin. — Os seus pais estão aqui com vocês, Francesca?
Pode ter sido somente impressão sua, mas pareceu-lhe que os olhos azuis da menina anuviaram-se repentinamente.
— Não, papai está em casa, em Londres e mamãe está em Paris — disse ela. — Aqui estamos somente nós, Sesshomaru e tia Abbe.
— Mas há outros hóspedes que vão chegar?
— Não, não, acho que não. Pelo menos Sesshomaru não os mencionou. Há também Bankotsu e toda a horda de parentes de mamãe e de Sesshomaru. Mas eles chegam e saem. Não é o que você poderia chamar de hós pedes.
— Compreendo — disse Rin, contemplativamente.
Volteado o caminho, Rin viu a praia, uma areia crescente banhada por água cristalina, da cor de água-marinha e não muito profunda. Stephan e Aríadne já estavam dando os seus mergulhos.
— Não temos permissão para nadar, a não ser que haja um adulto conosco — disse Francesca. — Sesshomaru nos deixa fazer coisas que papai e mamãe jamais deixariam. Mas com relação ao mar, ele é rigoroso. Se quebrarmos o regulamento, tenho certeza de que fará um pacote e nos mandará para casa. Você precisa vê-lo nadar disse ela com admiração. — Poderia ganhar uma medalha de ouro facilmente.
As crianças nadavam como peixes, e a seguiram sem protestar quando retornou para a areia.
— Não posso ficar aqui muito tempo, porque minha irmã pode acordar e precisar de mim — disse ela, tirando a touca. — Todos vocês jantam às nove horas?
— Às vezes Stephan e eu jantamos às nove, mas Keira nunca — explicou Francesca. — Ela janta às sete. Esta noite nós três vamos para a cama cedo.
Rin seguiu-os caminho acima. Nenhum deles levara toalha.
— Posso lhe dar uma ajuda para subir? — perguntou Stephan, quando atingiram a parte mais íngreme do caminho, perto do topo.
Como são bem-educados, pensou Rin. Quando chegaram no terraço, Sesshomaru já havia voltado. Sentado com ele, estava uma senhora idosa, trajando luto. Sesshomaru levantou-se e seus olhos passaram pelos braços e pernas nus de Rin, de uma maneira que a deixou envergonhada. Ele disse, invertendo a ordem natural de apresentações.
— Esta é minha tia, Rin. Tem vivido toda a sua vida aqui na ilha e não fala inglês.
As duas mulheres se entreolharam. Rin achava o olhar das mulheres gregas intimidativos. Ela tinha lindo olhos pretos, mas eles não revelavam seus pensamentos.
Era impossível dizer se ela dava boas-vindas ou desaprovava a visitante estrangeira, convidada do sobrinho. Quando pareceu que a expectativa era que ela falasse primeiro, Rin disse acanhadamente.
— Héro poli, Kyria.
Imediatamente, um sorriso exprimindo a maior cordialidade iluminou o rosto cor de oliva da senhora grega. Segurou a mão de Rin com ambas as mãos.
— Kalos irthate, Thespoinis.
Felizmente Rin sabia a resposta correta para essa expressão formal de boas-vindas:
— Kalos sãs vrikama — respondeu ela.
A tia Abbe voltou-se para Sesshomaru e disse algo que Rin não conseguiu captar. Primeiro ele abanou a cabeça e riu. Em seguida sacudiu a cabeça e disse alguma coisa depressa demais para que ela pudesse entender.
— Acabo de explicar à tia Abbe que você fala apenas unn pouco de grego, por isso não adianta ela despejar uma saraivada sobre você — disse ele a Rin.
A senhora voltou a sua atenção para as crianças. Pelos gestos, ela parecia dizer que fossem para os seus quartos e se arrumassem para o jantar.
— Tenho que ir e também me arrumar — disse Rin. Deixou Sesshomaru no terraço e seguiu as crianças para o interior da casa.
Ela havia deixado a porta do banheiro aberta e, ao entrar no seu quarto, Kagome disse:
— É você Rin?
Rin passou para o outro dormitório.
— Como está se sentindo? Melhor?
— Sim, um pouco. — Kagome estava deitada com as costas voltada para a porta de ligação. Então ela rolou para o outro lado e viu a irmã de maio. — Você foi nadar?
- Quanto tempo dormi?
— Cerca de uma hora e meia. Há ainda muito tempo para o jantar.
— Você encontrou os outros? Como são?
— Sim, são encantadores.
— Conte-me. As mulheres são terrivelmente elegantes?
— Não, não digo elegantes. São ambas de muito boa aparência — disse Rin, mantendo um ar sério.
— Quantos homens há?
— Só um. Parece maravilhoso também. — Ela sentiu que não ficava bem continuar enganando a irmã e disse: — São todas crianças, Kagome. São o sobrinho e sobrinhas de Sesshomaru.
Kagome ficou boquiaberta:
— Crianças! Não compreendo. Sesshomaru não me disse que haveria crianças. Onde estão os outros? Os adultos, os demais participantes do grupo?
— As crianças são os demais — explicou Rin. — Fora Sesshomaru e nós, a única outra pessoa adulta é sua tia Abbe que, suponho, dirige a casa para ele.
— O quê? Oh! deve haver outras pessoas. Três crianças e uma tia não constituem um grupo, uma reunião social. As demais pessoas devem estar em algum lugar.
— Não, de acordo com Francesca. Perguntei-lhe se havia alguém mais aqui. ou para chegar, e ela me disse que não.
— Eu chamo isso o absurdo — disse Kagome, no máximo da indignação. — Ele disse claramente que ia ser um grupo em sua casa. Não vim aqui para montinhos de areia com três crianças.
— Achei que você vinha para estar com Sesshomaru — observou Rin. — Importa quem mais está ao redor?
— É claro que importa. É muito mais divertido com bastante gente. Pensei que haveria pelo menos dez pessoas.
— Duvido que haja acomodação para tanta gente. Não há muitos quartos.
— Esse é outro ponto — disse Kagome irritada. — Este quarto não me agradou. É muito vazio. Nem um pouco como o apartamento dele. Olhe para estes lençóis. Parecem feitos de sacos!
— São de linho não alvejado. Têm longa duração — disse Rin. Abaixou para aspirar o cheiro. — Que cheiro agradável. Provavelmente foram secados sobre arbustos, ou guardados com ervas.
— Bem, eu gosto de lençóis macios, de carpete no assoalho e de um toucador — disse Kagome com amuo. Desceu da cama e foi inspecionar o banheiro.
Depois de tomar o seu banho — qualquer fosse a falta de outros refinamentos a casa tinha excelentes encanamentos e muita água quente nas torneiras - Rin se vestiu, lavou o seu maio e, em seguida, colocando-o num saco plástico para não pingar no assoalho, saiu para procurar onde pendurá-lo. Encontrou Francesca no hall, que a levou ao varal para secar roupas.
— Venha ao nosso quarto — convidou Francesca, quando entraram novamente em casa. — Stephan está dividindo o seu com Sesshomaru, e Keira e eu ocupamos o que fica ao lado do da tia Abbe. O quarto das crianças era semelhante ao de Rin e Kagome, com a diferença de que ali havia camas-beliches e duas cómodas. Keira estava ainda na cama superior e, com ela, Sesshomaru. Ele lia uma brochura enquanto a menina tomava sua refeição. Não notou a entrada de Rin e continuou lendo a história. Para surpresa dela, ele lia com entonação usando as vozes apropriadas dos personagens e segurando Keira na curvatura do seu braço, exatamente como Mioga Hirugashi segurava Rin, há tempos atrás, quando se sentava com ela na hora de dormir.
Minutos depois ele terminou o capítulo e fechou o livro.
— Oh! Só mais um capítulo, por favor, Sesshomaru — pediu a garota.
— Não, não esta noite, querida. — Saltou para o chão. — Oh! alo, Rin. Desculpe, não a vi chegar. — Não havia constrangimento nas suas maneiras. — Como está Kagome?
— Muito melhor, eu acho. Está tomando um banho. Há alguma coisa que eu possa fazer para ajudar sua tia?
— Acho que não. Francesca lhe dá uma mão, quando ela precisa.
— Quer ler um pouco mais para mim, Rin? — pediu Keira esperançosa. — Ela disse que podíamos chamá-la de Rin — acrescentou ela. quando o tio ergueu as sobrancelhas.
Rin sorriu.
— Sim, vou ler para você.
— Bem, só um capítulo — disse ele firme à Keira. E depois, antes que Rin começasse a subir na cama beliche, ele colocou-lhe a mão na cintura, erguendo-a e sentando-a ao lado da sobrinha. Fez isso com tanta rapidez e sem nenhum esforço, como se não passasse de uma criança. As crianças riram de sua surpresa.
— Sesshomaru não é forte? — perguntou Keira. — Ele consegue me levantar até o teto.
Sesshomaru alvoroçou-lhe os cabelos.
— Você é uma tagarela. Trate de terminar a sua refeição. — Em seguida saiu do quarto, lançando a Rin um olhar brincalhão, como se soubesse que não foi somente de surpresa que ela corou.
Kagome estava dando os últimos toques na sua maquilagem quando Rin retornou.
— Onde você esteve todo esse tempo? — perguntou ela.
— Estive lendo para a garotinha mais nova.
— Agora percebo por que Sesshomaru estava tão ansioso para que você viesse. Não acho que era apenas para que nos fizesse companhia.
Obviamente sua intenção era que você afastasse as crianças do seu pé.
— Ele parece adorá-las — disse Rin. — E as duas maiores são perfeitamente capazes de tomar conta de si, a maior parte do tempo.
— Que idade tem a mais jovem?
— Seis anos.
— Bem, espero que ele não vá ficar agarrado com ela. Ele não é do tipo paternal, graças a Deus — disse Kagome.
— Talvez você não o conheça tanto quanto pensa.
— Bem, ele nunca falou delas antes. Não pode ter tanta loucura por essas crianças. Acho que elas lhe foram entregues para que os pais tivessem uma folga, e ele chegou à conclusão de que você seria a pessoa ideal para cuidar dos pequenos terrores.
Quando Francesca disse que Sesshomaru a havia pintado como um dragão, Rin tinha tomado isso como uma brincadeira. Mas agora ela começava a imaginar se, na realidade, ele não tinha falado sério. Talvez Kagome tivesse razão. Aquela estranha expressão de infelicidade no semblante de Francesca, quando Rin lhe perguntou a respeito dos pais, pareceu sugerir que havia uma razão oculta para que as crianças estivessem sob os cuidados do tio.
A possibilidade de Sesshomaru não ter sido sincero no que dissera na cozinha em Montrose e a suspeita de estar sendo ludibriada deixou Rin tão irritada que ela se trancou no quarto. Não era a primeira vez que tinha pensamentos vingativos a respeito de Sesshomaru! Na verdade, toda vez que o encontrava acabava zangada. Mas esta noite sua suspeita e fúria estavam misturadas com mágoa. E desde aquele momento no quarto das crianças, em que ele a ergueu para colocá-la sobre o beliche, ela não pôde mais negar a si mesma a causa de sua mágoa. Quando sua mão lhe pressionou a cintura, ela sentiu o coração pular tão selvagemente como um pássaro numa rede.
Cada músculo do seu corpo se contraiu com o contato e o excitamento. Mesmo agora, pensando no caso, ela sentiu calor e frio. O pior de tudo é que, no fundo, ela havia sentido a atração desde o começo, desde a noite em que chegou em casa e o encontrou beijando a irmã.
Às quinze para as nove Bankotsu chegou. Abbe estava ocupada na cozinha e Sesshomaru oferecia às duas irmãs o aperitivo mais popular da Grécia.
— Ah! a senhorita está melhor agora, Kagome — disse Bankotsu entrando na grande sala conhecida como estúdio. Mas, embora ele se mostrasse cortesmente satisfeito por vê-la recuperada, foi à Rin que lançou o sorriso mais cheio de calor. — E você, linda Rin, que está achando da minha ilha? Não é uma beleza?
— Sim, parece um lugar adorável. Bankotsu — disse ela lançando um olhar rápido a Sesshomaru, para captar-lhe a reação diante do cumprimento lisonjeiro de Bankotsu. Mas ele estava acendendo um cigarro e ela não pôde ver a expressão dos seus olhos.
— Amanhã vou mostrar-lhes o hotel — disse Bankotsu, servindo-se da saborosa guloseima chamada meies.
— Amanhã é Sexta-feira Santa — ela lembrou-lhe.
— A igreja ortodoxa não festeja a Páscoa como a católica ou a protestante — disse Sesshomaru. — Às vezes as datas coincidem, mas este ano a Páscoa na Grécia será mais tarde que na Inglaterra.
Abbe pôs a cabeça na porta e pediu que tomassem lugar à mesa porque o jantar estava quase pronto.
O estúdio era uma sala para vários fins, com dois grandes sofás e várias cadeiras agrupadas ao redor da ampla lareira, numa extremidade, e uma área de jantar na outra. Sesshomaru puxou a cadeira em que Kagome deveria sentar-se e Bankotsu cuidou da de Rin.
— Vocês vão notar que a comida grega é semelhante à inglesa disse Sesshomaru, tomando o seu lugar à cabeceira da mesa. — Quando é mal feita é horrível, quando bem feita, uma delícia. Esta noite vamos comer moussaka, que é uma espécie de pastelão de pastor. Quer provar um pouco de retsina, Rin? Ou prefere vinho comum? Rin sabia que o vinho resinado tinha um sabor diferente mas estava curiosa por experimentá-lo.
— Quero um pouco de retsina, por favor.
— Achei que você ia querer — disse ele, num tom que ela não conseguiu interpretar. Para a irmã, ele disse: — Quanto a você, é melhor que tome vinho, Kagome. Tenho certeza de que não vai gostar de retsina. A maioria dos ingleses diz que tem gosto de terebentina.
A moussaka de Abbe estava deliciosa. A base do prato era carne picada, berinjelas, tomates e cebolas, cobertos com uma camada de molho com queijo ralado.
Kagome foi a única pessoa que não apreciou muito a comida. Rin não tinha certeza se ela realmente não gostou da moussaka ou se ainda estava indisposta.
— Bem, que acha? — perguntou Sesshomaru quando ela tomou o primeiro gole da retsina. Rin tomou um pouco mais. O gosto era diferente de tudo que já havia experimentado antes.
— Não tenho certeza ainda — disse Rin cuidadosamente.
— Não precisa ser polida. Não nos ofenderemos se você não gostar - disse ele satiricamente. Poucos gregos não o apreciam. Tome do outro vinho.
— Não, prefiro tomar deste. . . obrigada. — Ela se voltou para a tia e disse em grego: — Está excelente, Abbe, inclusive a moussaka.
A senhora grega sorriu e, assim que Rin terminou, insistiu para que ela comesse mais. A refeição terminou com frutas e café. Mais tarde Rin perguntou, através de Sesshomaru, se ela podia ajudar sua tia a tirar a mesa e lavar a louça. Mas quando a consulta foi traduzida, Abbe pareceu muito chocada e respondeu que Rin precisava descansar depois de sua longa viagem.
— Vamos subir ao terraço de cima da casa e observar o mar à luz do luar — disse Bankotsu pegando-lhe na mão e puxando-a da sala. Subiram por uma escada externa.
— Está meio frio agora. Talvez fosse melhor você buscar um agasalho — sugeriu ele, quando encostaram no parapeito.
— Não está frio. Está uma noite maravilhosa — disse Rin, respirando profundamente o ar marítimo. Ele a envolveu com o braço e acariciou-lhe o braço nu.
— Você está quentinha. Gosto do seu perfume. Que perfume é esse?
— É água de toalete "Blue Grass". — Ela fez menção de afastar-se, mas a mão dele apertou seu braço e segurou-a. Aproximou o nariz de sua nuca. — Hum! é muito bom — murmurou. Em seguida ele a beijou atrás da orelha.
Para sua própria surpresa, Rin não se sentiu chateada nem embaraçada. Mas quando Bankotsu virou-a, com evidente intenção de beijá-la na boca, ela o empurrou dizendo com voz mansa:
— Não, Bankotsu, por favor, não.
— Por que não? — perguntou ele, perplexo. — Você gosta de mim, não gosta?
— Sim, gosto de você — começou ela. — Mas...
— Você tem algum compromisso?
— Não.
— Então por que diz que não devo beijá-la?
— Ontem, a esta hora, não nos conhecíamos ainda — disse ela, lembrando-o.
— Tive vontade de beijá-la quando nos encontramos — disse ele sorrindo. — Se isso nos causa um prazer recíproco, por que temos que esperar?
Era uma pergunta para a qual ela não tinha resposta, a não ser a convencional, que já havia dado. Negar que gostaria de ser beijada era pura hipocrisia, pois até o braço dele em sua cintura lhe causava uma agradável sensação. E, embora fizesse menos de vinte e quatro horas que o conhecia sentia que havia muito o que gostar nele, além de sua beleza física. Tomando sua hesitação por aquiescência, Bankotsu escorregou o braço direito mais firmemente ao redor dela e, com a mão esquerda, acariciou-lhe o rosto voltado para cima.
Mas, no exato momento em que ela tinha de resistir ou ser beijada, ele percebeu que não tinha mais o terraço só para eles. Sesshomaru estava perto da escada, de pé, observando-os.
Sua respiração ofegante e a pressão de sua mão contra o peito dele fizeram Bankotsu rir e dizer baixinho:
— Não se sinta envergonhada, linda Rin.
Apesar de Bankotsu falar baixo, Sesshomaru ouvia.
— Você está enganado, Bankotsu — observou ele, caminhando em sua direção. — Rin não está envergonhada. Ela simplesmente é contra o beijo à primeira vista e sem significado, não é verdade, Rin?
Ela não respondeu. Mas Bankotsu, completamente despreocupado pela intromissão do primo, manteve o braço em volta de sua cintura e disse bem-humorado.
— Não o ouvi subir, Sesshomaru. Onde está Kagome?
— Ela ainda não recuperou bem a sua cor, por isso a aconselhei a ir para a cama mais cedo.
— Eu. . . acho que também vou, se vocês não se incomodam disse Rin rapidamente. — Boa noite, Bankotsu. Boa noite Sesshomaru.
Ela estava em seu quarto há apenas alguns minutos quando a porta de ligação dos dois quartos se abriu e Kagome entrou...
— Estas vão ser umas lindas férias — disse ela petulante. — Não há nada a se fazer nesta ilha. É um túmulo!
— Bem, não adianta se queixar para mim — disse Rin, quase irritada. — Foi você quem quis vir.
— Mas também não é motivo para querer arrancar minha cabeça com os dentes. Por que você está assim irritada?
— Por nada, estou cansada, é só isso. Vá se deitar, Kagome. Nós duas precisamos de um bom descanso.
