600 palavras, mas ainda muito amor.
Estávamos tão juntos que não queria me levantar, embora o frio tivesse voltado e congelasse meus dedos do pé aos poucos. O rosto dela estava colado no meu pescoço e meu moletom cobria seu corpo, a respiração dela tão suave que fazia meus cabelos arrepiarem. Estava ciente da nossa nudez e de como aquilo era confortável, mas tinha medo do que viria a seguir. Aquela era nossa primeira vez – minha e dela – e do mesmo jeito que achava difícil beijar, achava igualmente ruim dizer qualquer coisa depois do que havia acontecido.
- Relaxe, Harry. – Sua voz me pegou de surpresa, porque eu achava que ela tinha dormido colada a mim. Deixei um suspiro alto escapar, como se o estivesse segurando há muito tempo. – Também não sei o que dizer. –
De algum modo, relaxei, soltando os pulsos flexionados e virando de leve o rosto para poder olhar-lhe nos olhos. – Você acha que não teria acontecido se não fossemos só eu e você? – Primeiras palavras depois de uma noite juntos, e eu falhei miseravelmente na escolha.
Hermione mordeu o lábio vermelho e fez círculos com os dedos na minha barriga. Não sabia se ela tinha consciência do quanto o gesto me enlouquecia, mas aguardei sua resposta. - É claro que não. Como poderia? – Eu esperava o golpe, conhecia-o, tinha dissecado inúmeras situações em que Rony estivesse conosco ainda, e em nenhuma delas eu e Hermione tínhamos tido qualquer relação íntima. Aflito, passei a tocar-lhe os cabelos que faziam cócegas no meu pescoço.
- Mas foi a melhor coisa que aconteceu para nós. Tive medo que fossemos nos amar no silêncio pelo resto das nossas vidas. – A sinceridade dela doeu em mim, causou-me um aperto no coração de tal forma que senti falta do oxigênio entrando nos pulmões. Quis fugir.
- Não sei como faremos depois da guerra acabar, Hermione. Você sabe que Rony ama você, e que isso destruiria ele. – Outra vez ela me surpreendeu, abrindo um sorriso. Triste, um sorriso que dizia muito. Ela se apoiou em um dos cotovelos e olhou para mim, os dedos gelados ainda em minha barriga.
- Eu o amo também, mas não sei se consigo perdoá-lo. – Tentei interrompê-la, por achar que não era totalmente justo.
- Nós dois estávamos errados, talvez se eu não tivesse... – Ela tocou meus lábios com os dedos, calando-me.
- Não posso perdoá-lo por todas as vezes que brigou comigo sem qualquer motivo, que me ignorou e me fez sofrer acreditando que ele estava feliz com outra. Não posso, nunca, perdoá-lo por ir embora e nos deixar aqui, uma vez que começamos tudo isso juntos. Não dá, Harry. – Duas lágrimas silenciosas escaparam daqueles olhos brilhantes, e eu não discuti mais. – Além disso... –
Hermione se virou sobre mim e me beijou, as mãos no meu rosto, minhas mãos nos seus quadris. Beijou-me até tirar meu fôlego e não restar qualquer dúvida de que ali era onde ela queria estar.
- Eu me apaixonei por você pela primeira vez que vi seus cabelos arrepiados e aqueles óculos precisando ser remendados. Acha que eu perderia quinze pontos pra Grifinória se não te desse algum valor? – Ainda atordoado, ri com a lembrança. – Você devia ter percebido. – Ouvi a reprovação em sua voz e lhe pedi desculpas pela demora com outro beijo, meu corpo sobre o dela e minha mente girando com todos os motivos do mundo para amá-la.
Mais tarde, quando ela se levantou no escuro para alcançar a varinha, meu coração palpitava.
- Hermione, você fica linda com meu moletom. –
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