Esse capítulo trás uma continuação do anterior. Ele ainda se passa no casamento.

Estou tirando o atraso das postagens viram?

Boa leitura!


Minutos depois nós retornamos à mesa, eu me sentei ao lado de Sesshoumaru e Kagome ao lado de seu futuro marido.

Sesshoumaru olhou para mim e eu sabia que minhas palavras durante a nossa conversa o haviam atingido em cheio. Ele me entregou a taça de vinho que eu havia solicitado e eu sorri levemente para ele antes de tomar o líquido.

Voltei minha atenção para a pista de dança e esta estava cheia, de jovens em sua maioria e parecia de fato a pista de uma boate com jogo de luzes e música dançante. Eu sorri ao ver os noivos totalmente descontraídos dançando sem parar.

- A Sango é maluca! – Disse Inuyasha vendo a amiga rebolar de forma sensual segurando a saia volumosa do vestido enquanto provocava o marido que ria muito.

- Ah Kami-sama! – eu falei também rindo. – Imagine se todos aqueles políticos que estavam ali momentos antes vissem aquilo.

- Se houvessem repórteres aqui, amanhã haveria uma foto deles em todos os jornais. – Kagome disse também fitando o casal.

Eu olhei para Sesshoumaru, ele estava recostado à cadeira diferente de mim que tinha meus braços apoiados na mesa.

- Eles estão se divertindo muito e isso é ótimo. – falei.

- Sem dúvida. – Inuyasha concordou.

Enquanto conversávamos distraídos, o casal de noivos veio até nossa mesa e puxou Kagome e Inuyasha para dançarem também.

- Vamos! Vocês estão parecendo monges sentados aí. – Miroku disse divertido. – Eu já disse que isso aqui é uma festa.

- Venha Kagome, a gravidez ainda não impede você de dançar, não é? Basta não abusar. – Sango disse.

- Se você diz doutora. – minha prima falou aceitando a mão que a amiga, que é médica pediatra, lhe estendia.

- E vocês dois? – Miroku perguntou e Sesshoumaru manteve-se calado.

- Nós já vamos. – eu respondi sorrindo – Eu vou tentar convencer o seu amigo.

- Tá bom.

Eles seguiram para a pista de dança e eu me movi na confortável cadeira em que estava para encarar Sesshoumaru que tinha o olhar perdido entre os amigos.

- Você vai ficar assim a noite toda?

- Acho que essa noite já acabou pra mim... – o tom de voz dele pareceu estranho a mim, nunca o tinha o visto daquele jeito.

- Você não está acostumado a ser confrontado com seus erros, por isso está se sentindo mal.

- Cometer erros não é algo que eu considere natural.

Eu me aproximei mais dele e ajeitei sua gravata.

- Mas deveria, porque todos cometemos erros, uns mais do que os outros, mas todos cometemos. Tire essa nuvenzinha negra de cima de sua cabeça, você fica muito mais bonito quando não está com essa feição preocupada.

Eu vi um pequeno sorriso surgir no canto dos lábios dele, tímido, mas ainda assim me trouxe certo alívio. Eu não gostava de vê-lo daquele jeito.

- Eu já ouvi essa mesma frase hoje.

- De quem? – perguntei enquanto pegava minha taça para tomar mais um gole de vinho.

- Minha mãe.

- Sua mãe é uma mulher extremamente sábia, devia ouvir o que ela diz.

- É? - Ele estava fazendo de novo, usando a manha que imediatamente fazia meu coração derreter com aquela carinha triste e cativante.

Sesshoumaru acariciou meu rosto ternamente e vendo que eu não o repelia, aproximou o rosto do meu e me beijou. Eu correspondi ao beijo com intensidade, amava aquele homem demais e como havia prometido a mim mesma, não o perderia facilmente. Não deixaria que nada me afastasse dele, nem mesmo aquela "amiga" oferecida, que como ele bem disse, infelizmente não desapareceria da vida dele.

Depois de um tempo nos levantamos e passamos a circular pela festa. Sesshoumaru cumprimentou várias pessoas e me apresentou a todas elas como sua namorada. Paramos próximo à pista para admirar a festa que estavam fazendo, todos se divertiam. Aquele com certeza seria um dia inesquecível para Miroku e Sango.

- Quer outra bebida? – Ele falou ao meu ouvido e eu movi a cabeça de forma negativa. - Eu já volto.

Olhei rapidamente para trás e vi que ele fora até o bar que estava logo atrás de nós. Miroku me viu parada ali e veio me puxar pela mão para dançar. Forçadamente eu fui e sorri quando ele me fez girar. Logo depois eu olhei e Sesshoumaru já havia voltado ao lugar de antes com outra dose de uísque nas mãos e me olhava intensamente. Os amigos o chamaram e ele recusou com apenas um gesto. Eu caminhei em direção a ele e Miroku me chamou de volta.

- Volta Rin!

- Depois, não posso deixar meu acompanhante sozinho. – Eu disse e voltei a ficar em frente a Sesshoumaru. Ele logo enlaçou minha cintura com a mão livre e beijou meu pescoço, me dando a sensação boa de costume.

- Você está linda nesse vestido Rin.

Eu apenas sorri ao ouvir a voz rouca no meu ouvido. Ele continuou agarrado a mim e eu me virei para ele o abraçando. Nos beijamos mais uma vez e tive minha atenção chamada por uma voz feminina familiar.

- Meninos! – Era a voz doce de Izayoi.

Eu imediatamente desfiz o abraço que dava em Sesshoumaru e me virei vendo que ela estava em companhia do senhor Taisho. Eu sorri para os dois enquanto Sesshoumaru voltou a enlaçar minha cintura.

- Nós já estamos indo, meu filho sua mãe está cansada. – o senhor Taisho disse.

- Tudo bem pai.

- Os Nagami também estão indo e gostariam de se despedir de você. – foi a vez de Izayoi falar.

Sesshoumaru respirou fundo antes de me soltar e depois pegou minha mão direita, eu o fitei querendo entender o que ele pretendia.

- Venha Rin-chan, você precisa conhecer os Nagami, são ótimas pessoas. – Izayoi me incentivou percebendo a minha relutância com o característico sorriso abrilhantando sua face.

Eu acabei cedendo e Sesshoumaru apertou minha mão, talvez numa tentativa de me transmitir apoio. Nós caminhamos então até o local, onde os Nagami já estavam de pé e conversavam com a filha.

- Sesshoumaru! – O homem exclamou ao nos ver.

Sesshoumaru sorriu a estendeu a mão para apertar a dele. O homem pareceu realmente satisfeito ao vê-lo.

- Já estão indo Nagami-san?

- Sim meu rapaz, nós estamos indo.

- Imani, foi um prazer revê-la. – ele se dirigiu à bela mulher que eu sabia ser a mãe de Kagura com intimidade.

- E quem é essa bela jovem com você? – O homem alto e de expressivos olhos escuros se referiu a mim sorrindo de forma simpática.

Sesshoumaru sorriu levemente ao olhar para mim e com o braço ao redor da minha cintura que foi mantido ali durante todo tempo, me apresentou.

- Essa bela mulher é Kawasagi Rin, minha namorada.

- Oh! É um prazer conhecê-la senhorita. – O homem disse de forma gentil.

- O prazer é meu Nagami-san. – Eu sorri e fiz uma breve reverência.

- E com esse sorriso radiante torna-se ainda mais bela. – falou galanteador, o que conseguiu me deixar encabulada.

- Papai?! – Kagura o repreendeu. – Por Kami comporte-se. O que a Rin e o Sesshoumaru vão pensar do senhor?

- Não fique sem jeito querida, meu marido por vezes perde a medida de seus galanteios. – A senhora Nagami se pronunciou. – mas ele tem razão, você tem um sorriso lindíssimo.

- Obrigada! – agradeci ainda sem jeito e senti o olhar de Sesshoumaru sobre mim.

- Bom, nós já vamos. Viemos para cá assim que chegamos de viagem, nem tivemos tempo de descansar, mas não poderíamos deixar de prestigiar o casamento desses jovens que vimos crescer.

- É verdade. Quando Kagura nos disse que estavam viajando, nós achamos realmente que não conseguiriam chegar. – Izayoi disse.

- Mas graças a Kami, tudo deu certo. A cerimônia foi lindíssima assim como todo o resto, e nós ficamos muito satisfeitos em ver o quanto eles estão felizes. – Imani disse. – Vamos querido? Já é hora de irmos.

- Vamos sim. Até mais Sesshoumaru, foi um prazer revê-lo e conhecer sua graciosa Rin. Tome conta dela meu rapaz, moças bonitas assim costumam dar trabalho.

- Eu cuido dela sim. Até mais Nagami-san. – respondeu.

- Nós estamos indo também Sesshoumaru. – O senhor Taisho disse.

- Tudo bem pai, acho que nós vamos ficar mais um pouco, não é? – Sesshoumaru indagou se dirigindo a mim e eu concordei com um aceno de cabeça.

- Até mais Rin, Sesshoumaru. – Kagura disse de forma educada e sorriu para Sesshoumaru, depois ela o abraçou novamente tendo seu gesto correspondido, o que me irritou profundamente.

Logo nós voltamos à companhia de Inuyasha, Kagome e dos noivos que estavam conversando e bebendo algo depois de dançarem por mais de uma hora sem parar. Conversamos por algum tempo e por volta das três da manhã, a festa já ia sendo finalizada.

- Ai, eu estou morta! – Sango exclamou, mas o sorriso no rosto dela evidenciava sua felicidade.

- Depois de tudo o que nós fizemos hoje isso é perfeitamente natural meu amor. – Miroku disse e a beijou levemente nos lábios.

- Eu também estou cansada.

- Nós já podemos ir se você quiser Kagome. – Inuyasha disse ao acariciar o rosto de minha prima.

- Acho que quero sim.

- Nós também já vamos. – Eu falei. – Está tarde e os noivos têm que ir para sua lua de mel, não é?

- Nós vamos descansar um pouco, nosso vôo sai amanhã no final da manhã. – Miroku disse.

...

Os irmãos Taisho e suas acompanhantes despediram-se de Miroku e Sango e caminharam para a saída após pegarem seus casacos. Os carros já estavam estacionados na frente do prédio a espera deles.

Entraram nos carros, onde logo Sesshoumaru ligou o aquecedor por causa do frio intenso daquela madrugada. Ele deu a partida no carro e o conduziu de forma cautelosa pelas ruas cujo asfalto estava escorregadio pela água da chuva. Continuaram em silêncio durante o trajeto e enquanto Sesshoumaru dirigia, Rin observava a rua através da janela.

- Eu quero ir pra casa. – a mulher disse antes que ele seguisse o caminho contrário ao do carro de Inuyasha que estava logo a frente.

- Tudo bem. – respondeu simplesmente sem desviar a atenção da rua.

Ele não discutiu, o clima já estava tenso o suficiente, manteve-se calado até que chegassem até a casa dela, o que aconteceu cerca de trinta minutos depois.

Desceram do carro assim como Inuyasha e Kagome. O telefone celular de Sesshoumaru tocou e ele o atendeu. Rin pôde perceber pela conversa que era o pai dele falando, queria certificar-se de que chegavam bem em casa diante da chuva e da pista escorregadia.

Quando Sesshoumaru pegou o telefone para atender a chamada, Rin retirou a chave do carro de sua mão e travou as portas acionando logo depois o alarme. Caminharam pelo jardim e Kagome abriu a porta de entrada da casa após retirar as chaves da bolsa entrando rapidamente sendo seguida por Rin e Sesshoumaru que veio logo atrás.

- Boa noite gente, eu estou louca pra cair na cama. – Kagome disse pegando a mão de Inuyasha e subindo as escadas enquanto a prima e Sesshoumaru permaneceram no pequeno hall.

Inuyasha também desejou boa noite aos dois e Rin os observou até que sumissem depois do último degrau pelo corredor.

Sesshoumaru estava parado com as mãos nos bolsos da calça olhando para a jovem lindamente arrumada naquele vestido, ela se virou para ele. Ficaram encarando um ao outro por um tempo, até que ele disse:

- Você não vai dormir, não está cansada?

- Vou sim, mas antes vou preparar o quarto de hóspedes pra você.

- O que? – ele indagou incrédulo.

- O quarto de hóspedes – Rin respondeu como se ele não a tivesse ouvido, mas logo percebeu que ele a ouvira bem, apenas não entendera o motivo ou não acreditara no que estava ouvindo. A jovem voltou seu olhar para ele e continuou - Eu ainda estou zangada Sesshoumaru, não quero dormir com você hoje.

Sesshoumaru balançou a cabeça positivamente indicando que compreendia seus motivos.

- Ok. Eu mereço isso. Me dê as chaves. – Pediu e pôde perceber a expressão de dúvida na face da mulher. - Me dê as chaves Rin. – ele repetiu calmamente.

- Pra quê?

- Eu vou pra casa. Não há razão para que eu passe a noite aqui se não vamos dormir juntos. – Disse olhando para ela de forma direta enquanto lhe estendia a mão querendo receber a chave.

- Isso quer dizer que você só passa a noite comigo se formos pra cama? Se eu não estiver disposta a fazer sexo, então você vai embora, é isso?

- Como é que é? – Sesshoumaru indagou com evidente indignação expressa em seu rosto e no tom de voz.

Rin pareceu imediatamente se arrepender do que havia dito e tentou desviar o foco daquele tema, mas era tarde.

- Eu não quero que você dirija alcoolizado até sua casa, sozinho e com essa chuva. – Disse nervosa.

- Não fale comigo como se eu fosse um canalha Rin. – Ele iniciou com a voz alterada. – Eu nunca desrespeitei você, sempre a tratei com o carinho e o cuidado que uma mulher deve ser tratada. Nunca enxerguei você como um objeto pra satisfazer minhas vontades. Como você... como pode dizer isso? – a face transtornada de Sesshoumaru assustou Rin, a indignação dele e a raiva eram algo que ela jamais havia visto. O coração batia acelerado e apertado no peito e ela ficou atônita sem saber o que dizer.

- Me dê as chaves. – Sesshoumaru falou num tom imperativo tentando controlar-se.

- Não! – Ela respondeu escondendo a chave entre as mãos e apertando-a contra o peito num gesto infantil e tentativa desesperada de impedir que ele fosse embora naquele estado.

Rin não obteve êxito. Sesshoumaru virou as costas e abriu a porta com violência para deixar a casa. O vento frio que soprava lá fora juntamente com a chuva fina que caía adentraram a casa e ele saiu de forma intempestiva caminhando a passos decididos.

Rin caminhou até o batente da porta sentindo o vento frio e cortante atingirem sua pele nua naquele vestido. Ela o viu se distanciar, caminhando no frio e na chuva sem hesitar ou olhar para trás.

Ao perdê-lo de vista a jovem voltou a entrar na casa e as lágrimas já escorriam por seu belo rosto. Ela abraçou o próprio corpo e deixou-se cair ao chão chorando de forma contida sentindo a uma dor imensa no coração.

- O que eu fiz?...


Também não farei comentários aqui.

Beijos!