Olá pessoal!

Uffa! Acho que esse é o capítulo mais longo que eu já postei. Mais de cinco mil palavras!!

Bom, eu tinha em algum momento que dar uma conclusão para essa fase, não é? Então vamos lá. Espero que vocês apreciem.

Boa leitura!


Era uma manhã de sol, mas fazia frio lá fora. Na casa das meninas Kagome estava na cozinha preparando-se para tomar o café da manhã. A senhora Higurashi havia preparado tudo e deixado um bilhete na geladeira informando que iria ao mercado e não demoraria.

A jovem ainda vestia seus pijamas e um robe de cor rosa por cima da roupa. Ela pegou o bule de chá e encheu a xícara que já estava sobre a mesa com a bebida.

A campainha tocou e Kagome moveu-se preguiçosa para abrir a porta. Surpreendeu-se ao ver quem chamava e sorriu.

- Oi amor! O que você está fazendo aqui há essa hora? Achei que estava no escritório a essa altura.

- Eu estava com saudade e vim ver vocês. – Inuyasha disse já a envolvendo pela cintura e a beijando. Depois se voltou para o filho ainda no ventre e o cumprimentou acariciando a barriga de Kagome.

- Você estava com saudade, é? – Kagome indagou enquanto o conduzia até a cozinha.

- Estava. Cada dia fica mais difícil passar um dia longe de vocês e como não nos vimos ontem, eu já estava morrendo de saudades.

- Bom, já que está aqui tome café comigo. – Ela convidou, já colocando uma xícara para ele na mesa e servindo-lhe chá. - Hoje você vai chegar tarde ao trabalho...

- É, mas tudo bem. Eu tenho uma reunião às 11h00 e é a única coisa importante que tenho para hoje.

- Você vem pra cá mais tarde?

- Venho, não vou perder mais uma noite longe de vocês. A casa estará vazia de qualquer forma. – O jovem falou descontraído enquanto passava geléia em uma torrada.

- Por que vazia?

- Meus pais viajaram. Foram encontrar com uma amiga que está com alguns problemas de sáude. Vão ficar até domingo em Yokohama.

- Hummm. Inu e o seu irmão?

- Continua arredio e mantendo distância de todo mundo.

- Ele já tem planos para amanhã? – Kagome perguntou enquanto acariciava a barriga.

- Eu falei com ele, perguntei se queria sair, fazer alguma coisa, um jantar quem sabe.

- E?

- Ele disse não tinha motivo algum para comemorar. – Kagome exibiu um semblante tristonho ao ouvir isso e Inuyasha também.

Rin que descera a escada calmamente segundos antes ouvira tudo. Ficou pensativa por alguns instantes depois entrou na cozinha cumprimentando os dois que ali estavam.

- Bom dia Rin-chan! – Kagome respondeu sorridente.

- Bom dia Rin!

- Por que você está aqui há essa hora Inuyasha, não deveria está no trabalho? – Rin perguntou ao amigo assim que se sentou em uma das cadeiras em frente a ele.

- Resolvi passar aqui antes de ir. – Respondeu. – Eu posso fazer a mesma pergunta a você. Nesse horário você também não costuma já está no trabalho? -Rin sorriu levemente antes de responder.

- É, mas ontem eu fiquei até muito tarde na Agência. Por isso hoje, vou chegar um pouco mais tarde. – A jovem explicou.

Os três continuaram conversando e por vezes Rin perdia-se em pensamentos e era tirada deles pelas perguntas de sua prima que tentava fazê-la participar da conversa.

Rin pensava no que ouvira antes de entrar na cozinha entre sua prima e Inuyasha. Sesshoumaru estava cada vez mais se isolando das pessoas e isso a fazia sentir-se triste. Ela o amava demais e saber que ele não estava bem lhe doía muito, mas a jovem ainda tinha medo, medo do que poderia acontecer se tentasse uma reaproximação.

- Rin-chan? – A voz de Kagome chamou sua atenção e ela voltou seus olhos lacrimosos para a prima. – Está tudo bem?

- Uhum. – Ela murmurou e acenou com a cabeça. – Eu tenho que ir, não posso chegar tão tarde ao trabalho. A gente se vê mais tarde.

Rin deixou o cômodo em que estava e seguiu para o quarto retornando logo depois e saindo pela porta da frente. Ela caminhou pelas ruas sentindo o vento gelado atingir sua pele. Andava pensativa como sempre estava nos últimos dias, mal percebeu que já havia chegado à estação do metrô. Apenas se deu conta quando ouviu a voz do velho senhor da banca de jornal cumprimentando-a sorridente.

- Oh, bom dia senhor Tadashi! – Ela respondeu ao cumprimento dele com um leve sorriso antes de tomar a escada rolante que levava até a estação.

...

Na sede da Coorporação Taisho, o presidente da instituição estava trancado em sua sala concentrado no trabalho desde as sete da manhã. Acordou naquela manhã irritado e com uma dor de cabeça insuportável. Quando chegou ao escritório se trancou na sala sem falar com ninguém e lá permaneceu até aquele horário, onze da manhã, horário marcado para uma reunião.

O executivo abriu a porta de sua sala subitamente assustando a secretária, que já não esperava vê-lo naquele dia. Ela se levantou rapidamente e se colocou de prontidão para atender a qualquer solicitação de seu chefe.

- Nazuna, leve uma aspirina para mim na sala de reuniões. – Ordenou seriamente.

- Sim senhor. – A mulher respondeu prontamente e pegando suas pastas com documentos necessários para a reunião e seguiu pelo corredor para providenciar o que Sesshoumaru havia pedido.

Quando Nazuna chegou à sala de reuniões o presidente e todos os outros membros da diretoria já estavam acomodados em seus devidos lugares na enorme mesa. Ela se aproximou de Sesshoumaru e entregou a ele o comprimido que logo foi engolido com o auxílio de um copo de água.

Inuyasha observava o irmão atentamente, conhecia-o bem e pelos sinais sabia dizer que ele estava irritado. Sesshoumaru não dissera uma palavra desde que entrara na sala, apenas fitava os papéis a sua frente e parecia nem tomar conhecimento das pessoas que estavam ali.

A reunião foi iniciada e assuntos importantes foram discutidos sob a batuta de Sesshoumaru que mesmo querendo não estar ali, não deixava de agir com o profissionalismo e responsabilidade característicos dele.

Cerca de uma hora e meia mais tarde a reunião foi encerrada. Sesshoumaru deixou aquela sala e seguiu diretamente para a sua. O executivo pegava alguns papéis e colocava dentro de sua valise o semblante permanecia sério pelo que o irmão que estava parado na porta da sala observando-o pôde perceber.

- Vai sair? – Inuyasha indagou chamando a atenção do mais velho.

- Vou para casa. Não estou com paciência para nada hoje. – Sesshoumaru respondeu secamente e logo após pegar seu sobretudo caminhou até a porta e seguiu pelo corredor sem dizer uma palavra sequer à secretária que ficou atônita enquanto via o belo homem se afastar.

- Se houver alguma coisa importante vá até minha sala Nazuna. Acho melhor não incomodar Sesshoumaru hoje. – O vice-presidente disse de forma tranqüila enquanto mantinha as mãos nos bolsos da calça e fitava a mulher.

- Sim senhor. – Nazuna respondeu voltando a se sentar em sua cadeira.

...

Rin saiu do escritório às 13h00 com a intenção de almoçar. Foi convidada pelas colegas de trabalho, mas queria ficar sozinha, então deu uma desculpa qualquer e recusou o convite.

Ela deixou o edifício e caminhou pela calçada por alguns quarteirões até ver um café, onde entrou e se sentou em uma das mesas no canto. Logo uma garçonete se aproximou com um bloquinho na mão e indagou o que ela queria. A jovem pediu croissant e chá verde para acompanhar.

Após o lanche que substituiu o almoço, Rin voltou para o trabalho. Ela tinha que finalizar os esboços do novo projeto em que estava trabalhando e que tinha que ser apresentado em breve aos clientes.

A jovem trabalhava em seu computador. Os óculos de grau colocados sobre o nariz pequeno e arrebitado a ajudavam a se concentrar nas imagens e informações exibidas na tela.

- Rin? – Uma voz feminina chamou sua atenção e ela voltou seus olhos castanhos para a jovem recostada à sua mesa.

- Oi Tatsuki! O que foi?

- Eu e as meninas vamos a uma happy hour mais tarde, você não quer vir conosco?

- Humm.. Não Tatsuki obrigada, mas eu não estou com ânimo para sair.

- Ah Rin, vamos lá! Nós todas precisamos relaxar e nos divertir vez ou outra. Não dá pra ficar só se matando no trabalho. – Rin sorriu levemente diante da colega de trabalho que estava sempre pronta para algum agito.

- Eu sei, mas realmente eu não estou no clima.

- Você vai ficar parada perdendo tempo? Rin o seu príncipe encantado, o homem da sua vida está lá fora em algum lugar sozinho e carente só esperando você aparecer.

Rin ficou surpresa com as palavras de Tatsuki. Elas lhe diziam tanto, talvez não o que a jovem tencionava exatamente, mas diziam muito.

- E então? - Tatsuki voltou a falar.

- Não Tatsuki, não vai dar mesmo. Vamos deixar para a próxima.

- Ok então. Mas aviso que você vai perder uma noite e tanto.

Tatsuki deixou o local e uma Rin pensativa para trás. As palavras da jovem ecoavam na cabeça dela. "Você está perdendo tempo... ele está sozinho esperando por você..."

Rin apertou os olhos com força tentando livrar-se daqueles pensamentos. Precisava parar de pensar naquilo, precisava se concentrar ou jamais terminaria a tempo seu trabalho.

...

Algumas horas mais tarde Rin se despedia das amigas na porta do prédio em que trabalhavam. Como todas haviam feito hora extra naquela semana foram liberadas mais cedo do trabalho naquele dia para que pudessem descansar, mas essa não era a intenção de nenhuma delas. Tatsuki perguntou mais uma vez a Rin se ela não queria acompanhá-las e a jovem confirmou que não.

Logo depois elas seguiram em direções contrárias, com as quatro mulheres indo em busca de um táxi que as levassem ao seu destino e Rin seguindo a pé para a estação do metrô.

Algum tempo depois Rin chegava em casa e logo percebeu que não havia ninguém lá. Ela caminhou até a cozinha e abriu a geladeira em busca de algo para beber. Encontrou suco de morango seu favorito e sorriu sabendo que a tia o havia preparado pensando nela.

Rin encheu um copo com suco e devolveu a jarra à geladeira antes de sair dali e seguir para o seu quarto.

Abrigada em seu doce refúgio, a jovem retirou suas roupas e seguiu para o banheiro onde tomaria um gostoso banho quente enquanto sua mente não parava de trabalhar pensando no quão vazia estava se sentindo e no único capaz de livrá-la daquela angústia.

...

Ficar naquela casa sozinha naquele momento parecia uma tortura para Rin. Ela não fazia idéia de quando sua tia ou Kagome retornariam e sentia que ficaria louca se continuasse naquela estagnação.

A jovem foi ao closet que encarava incessantemente há alguns minutos e decidiu agir. Escolheu roupas, se trocou, pegou uma de suas bolsas colocando nela alguns objetos indispensáveis e saiu fechando a porta atrás de si.

...

Dentro do táxi, Rin mal conseguia conter seu nervosismo. Ela mordia os lábios e esfregava as mãos repetidamente enquanto observava a paisagem pelo lado de fora da janela. Contava os segundos para chegar ao seu destino e embora o medo estivesse presente, era a determinação que dominava seu estado de espírito. Ela resolveria aquela questão. De um jeito ou de outro tudo se resolveria naquela noite.

O táxi estacionou em frente ao edifício. Rin pegou o dinheiro e entregou ao motorista para pagar a corrida e orientou que ele ficasse com o troco. Ela caminhou até a entrada do prédio e seguiu decidida até a portaria. Após falar por alguns segundos com o porteiro, tomou o elevador e assim que viu as portas se fecharem encarou seu reflexo na parede espelhada e respirou fundo tentando manter-se controlada.

Ao sair no corredor, a bela jovem caminhou com seus saltos altos até a porta e tocou a campainha aguardando que viessem atendê-la enquanto seu coração batia tão freneticamente, que o som parecia ecoar por todo ambiente. A porta se abriu.

- Boa noite senhorita Kawasagi! - Disse a mulher que surgiu.

- Oh, boa noite Mizumi-san! - Respondeu soltando o ar dos pulmões, já que havia prendido a respiração inconscientemente no momento em que viu que a porta se abriria. - Sesshoumaru está em casa? - Indagou recuperando o fôlego.

- Ele está na academia senhorita. Por favor, entre.

- Obrigada. - Rin deus passos lentos em direção ao interior da casa e alcançou a ampla e bem decorada sala de estar, que estava vazia.

- Eu já terminei meu serviço e estava indo avisá-lo da minha saída. Já que está aqui, a senhorita pode avisá-lo por mim?

- Sim claro.

- Obrigada! Eu estou indo então. Tenha uma boa noite.

- Boa noite Mizumi-san!

Rin despediu-se da senhora que trabalhava para Sesshoumaru. Mizumi mantinha aquele apartamento organizado, cuidava das roupas dele e da limpeza. Apesar de aquele ser um apartamento muito grande, por ter apenas um único morador e este ser extremamente organizado, ela não tinha muito trabalho a fazer, por isso não ia todos os dias a casa de Sesshoumaru. Havia dias específicos para a presença dela ali e Rin parecia ter esquecido isso.

Após ver a empregada ir embora fechando a porta atrás de si. Rin depositou seus pertences sobre uma das poltronas da sala e seguiu a passos lentos, mas determinados pelo longo corredor até alcançar uma das salas que havia ali. Ela podia ouvir ruídos lá dentro e quanto mais se aproximava mais alto eles ficavam.

No interior, em uma ampla sala equipada com os melhores aparelhos de ginástica e musculação, Rin viu Sesshoumaru aplicar socos em um saco de areia. Aquela era uma das atividades físicas preferidas dele além da corrida, não só porque o mantinha em forma, mas porque ele conseguia aliviar suas tensões e descarregar as emoções que costumava conter tão bem no dia-a-dia.

O som dos punhos dele atingindo aquele enorme saco de areia e o ruído da respiração pesada e intensa ecoava pelo ambiente silencioso. Sesshoumaru estava absolutamente concentrado naquele exercício, os olhos dourados estavam fixos na superfície negra do oponente que ele espancava sem piedade com as luvas também negras. Os músculos trabalhavam intensamente e tornavam-se rígidos a cada movimento, as veias dos braços visíveis pelo esforço e o suor escorria pela testa fazendo com que os fios prateados aderissem à pele.

Ele vestia uma calça de malha específica para a prática de esportes e uma camisa sem mangas na cor branca que estava molhada de suor. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo baixo e balançavam no mesmo ritmo de suas investidas contra aquele saco.

Rin permaneceu por algum tempo apenas o observando, mas viu que ele não percebia sua presença ali e a agressividade de seus movimentos, dos socos aplicados no saco de areia começavam a perturbá-la. Ela piscava os olhos a cada batida, o ruído entrando em seu ouvido e era como se ela sentisse aquelas batidas no próprio coração.

O ritmo foi aumentando tornando quase impossível para ela conseguir agüentar. Rin respirou fundo buscando se livrar daquela angústia e não soube de que forma isso chamou a atenção de Sesshoumaru, fazendo com que os olhos dourados dele se cravassem nela.

Demorou alguns segundos para que a jovem recuperasse o senso e percebesse que ele a encarava em silêncio com a respiração ainda ofegante pelo exercício. Sesshoumaru estava apoiado no grande saco de areia e nada disse, mas isso já era esperado por Rin. Ela estava ali com um objetivo específico e seria ela a tomar a iniciativa.

- Mizumi-san me deixou entrar. - Disse para que ele soubesse que ela não havia utilizado as chaves do apartamento que ainda estavam em seu poder. - Nós podemos conversar? - Indagou também encarando a face bela e séria dele. A voz saiu em um tom audível e ao contrário do que pensou que aconteceria nada trêmula.

Sesshoumaru franziu o cenho e respirou fundo. Deu alguns passos até sair do tatame e quando alcançou uma bancada que havia ali, começou a retirar as luvas que protegiam suas mãos. O silêncio dele causava agonia a Rin, mas ela manteve-se firme e aguardou pacientemente por uma resposta. Ela o viu pegar uma garrafa de água mineral e levá-la a boca, sorvendo alguns goles. Ao terminar finalmente a voz normalmente calma e em tom grave pôde ser ouvida.

- Vamos conversar como adultos que somos? - A pergunta foi feita de forma direta e ele a olhava nos olhos. Rin apenas confirmou com um aceno de cabeça e ele aquiesceu.

Sesshoumaru se sentou na bancada longe pelo menos dois metros de onde Rin estava. Utilizando uma das toalhas alvas que estava ali ele enxugou o rosto e o pescoço sem deixar de fitá-la e aguardou que ela iniciasse.

- Eu... - Iniciou e respirou fundo buscando a força necessária para continuar. - quero conversar sobre o que aconteceu. Sobre nós dois. – Deu uma pausa tentando talvez captar alguma reação dele, mas esta não veio. - Acho que por tudo o que nós vivemos juntos, nós devemos um ao outro essa conversa. As coisas não podem simplesmente ficar assim no ar como vem acontecendo. Nós nos afastamos um do outro sem qualquer diálogo, sem uma conclusão para a nossa história.

- Nós perdemos a capacidade de dialogar. - Rin o ouviu dizer e não soube precisar se sentia-se aliviada ou não por ouvi-lo dizer alguma coisa. - Ela parece ter sido substituída pela capacidade de ferir um ao outro. – Ele concluiu.

- Eu quero recuperar essa capacidade.

- Acha que isso é possível depois de tudo o que aconteceu e depois do que foi dito? - A pergunta foi feita em um tom sério, mas sem qualquer agressividade. Ainda assim o coração de Rin apertou dentro do peito.

- Nós magoamos um ao outro sim e muito. Eu lamento por isso. Os últimos meses foram os mais confusos e difíceis da minha vida Sesshoumaru. Eu tive tanto medo, me senti tão frágil e insegura... Eu tentei lutar contra esses sentimentos, mas não consegui. Acabei agindo de forma impulsiva e dizendo coisas que eu não pretendia. - Sesshoumaru continuava a ouvi-la e em momento algum desviou o olhar dela.

- Eu sei que parece loucura... - A jovem continuou sua argumentação e mordia os lábios como sempre fazia quando estava nervosa. - ...mas no dia do casamento quando eu o vi abraçado a ela, eu só conseguia enxergar vocês dois juntos como homem e mulher, não como amigos e eu me senti jogada de lado Sesshoumaru, me senti insignificante.

- Isso é absurdo Rin. Eu não posso acreditar que você ainda pense que eu mantenho o mesmo envolvimento íntimo de antes com a Kagura. - Sesshoumaru disse balançando a cabeça negativamente enquanto a fitava diretamente nos olhos. - Se eu quisesse a Kagura como mulher, eu teria ficado com ela e sequer teria me aproximado de você. Eu poderia ter me casado com ela há anos atrás se quisesse, pressão por parte da família e dos amigos não faltava. Todos julgavam que nós formávamos um casal perfeito e que deveríamos nos unir, mas não era o que nós dois queríamos naquela época e continua não sendo agora.

- Minha parte racional sabe disso. - Rin estava trêmula e demonstrava impaciência com a própria fraqueza. - Sempre soube, mas por alguma razão que eu não sei explicar eu me sinto ameaçada por ela. - As palavras estavam carregadas de emoção assim como seus belos olhos castanhos. - A imagem da Kagura, desde a primeira vez em que a vi tão altiva, linda e inteligente me intimidou já naquela época. E quando tudo aconteceu, quando nós ficamos juntos essa sensação ficou pior, eu passei a vê-la como um fantasma que ficaria sempre nos assombrando. Eu morria de medo de que algum dia você caísse na real de que ela era a mulher certa pra você e não eu.

- Eu achei que tinha dado a você todas as provas de que a nossa relação era séria de que os meus sentimentos por você eram verdadeiros, mas eu me enganei, nada do que eu fiz foi suficiente. - A voz permanecia serena e ele falava pausadamente.

- Eu acredito nos seus sentimentos por mim.

- Acredita? Não parece. Você age como se eu fosse capaz de traí-la a qualquer momento, como se pudesse usar você e ao mesmo tempo me comportar da forma mais sórdida saindo com outra mulher debaixo do seu nariz.

- Eu não acho que você me trairia assim e nem que você estivesse me usando.

- Mas... e o que você disse naquela noite? Ouvi-la dizer que eu ficava com você apenas por sexo Rin, não só me enfureceu, mas doeu, doeu muito. - A mágoa era visível no semblante antes impassível dele. – Eu amava você e sempre procurei demonstrar isso. Eu me dediquei a esse relacionamento e a você como nunca havia feito na vida. Eu não merecia ouvir aquilo Rin.

- Eu sei. Eu estava com raiva e irritada naquela noite, falei sem pensar. – A jovem já tinha lágrimas nos olhos. Ele disse que a amava, amava, no passado. " Isso quer dizer que ele não me ama mais?" Pensou enquanto lutava para se manter calma.

Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes. A respiração de Rin estava bastante alterada e ela tentava se controlar para não ceder ao desespero. Após alguns segundos ela voltou a falar.

- Eu posso parecer uma mulher forte e independente na maior parte do tempo, eu tento ser assim, mas parte de mim ainda é apenas uma garota medrosa e insegura. Eu tenho consciência de que preciso crescer e amadurecer sob muitos aspectos. Já você Sesshoumaru, você é um homem experiente, seguro de si e que tem total controle sobre a sua vida. A minha insegurança pode ser absolutamente surreal, uma bobagem para você, mas para mim ela é real muito forte e presente. Eu preciso que você tente entender isso e que me ajude...

- Ajudar você?

Ela confirmou com um aceno sentindo a vontade de chorar começar a subjugá-la. Eles estavam tão próximos agora, mas ela jamais o sentira tão distante. Era difícil conter a vontade de correr para os braços dele em busca daquele calor que fazia tanta falta a ela.

- Você me disse uma vez que havia se tornado um homem melhor por minha causa. Lembra-se? - Recordou-o do fato. - É isso o que eu quero. Eu quero me tornar uma mulher melhor Sesshoumaru.

- Rin, isso não pode dar certo se você não confia em mim. Se não confia no que eu sinto, nós viveremos em uma tensão eterna porque eu nunca vou saber quando você terá outra explosão como aquela, quando você terá outra crise de ciúmes e agirá da mesma forma impulsiva outra vez.

- Eu sei que preciso superar isso. – Rin disse convicta. - Eu quero me tornar a mulher que você merece que eu seja e eu quero fazer isso estando ao seu lado. – O olhar dela demonstrava toda sua sinceridade enquanto falava e o homem a sua frente não deixou de fitá-la um momento sequer. - Se você acha que existe a mínima chance da gente fazer isso dar certo, eu quero que me diga agora. Se você não tiver dúvidas quanto a isso eu também não terei e vou estar aqui disposta a agir de forma diferente e a restaurar o que nós tínhamos. Nos últimos dias eu entendi que não posso simplesmente seguir com a minha vida deixando pra trás aquilo que é mais importante pra mim. Eu quero você de volta Sesshoumaru, quero meu amor de volta.

Rin fechou os olhos e se deixou dominar pelo choro que ela continha até aquele momento. Não dava mais para conter a enxurrada de emoções que se apoderavam dela e estavam sendo contidas a tanto custo.

Ela não pôde perceber a aproximação de Sesshoumaru alguns segundos depois. Ele havia se levantado de onde estava e caminhou até ela rapidamente, mal contendo o desespero que sentia em abraçá-la.

- Rin, não chore, por favor. - Ele disse num sussurro enquanto segurava o rosto delicado dela entre as mãos. Rin abriu os olhos ao sentir o toque das mãos quentes em sua pele por onde as lágrimas escorriam.

Sesshoumaru a fitou intensamente por alguns instantes e depois a envolveu em um abraço apertado que fez com que Rin chorasse ainda mais.

- Meu Deus que saudade... - A voz masculina soou ao ouvido dela e Rin estremeceu sentindo naquele abraço o quanto ele também estava tenso e com a respiração alterada.

- Me perdoe Sesshy. - A voz saiu abafada pelo contato com o corpo dele.

- Shiii...

Os dois ficaram abraçados por um longo tempo até que ambos se acalmassem. O choro de Rin foi cessando aos poucos e sua respiração se tornando mais serena enquanto a força utilizada para abraçá-lo permanecia inalterada.

Quando finalmente o abraço foi desfeito, Sesshoumaru a fitava de forma doce. Os olhos e a ponta do nariz, vermelho por causa do choro, davam um ar infantil à mulher. Ele acariciou o rosto delicado dela e viu uma última lágrima fugir pelo canto dos belos olhos castanhos quando ela piscou.

- Minha garotinha tola. Por que não enxerga que enquanto eu tiver você, não preciso e nem quero nenhuma outra?. – Disse com suavidade.

Sesshoumaru a fitou por um bom tempo em silêncio até que Rin tomou a iniciativa de colar seus lábios aos dele em um beijo intenso e profundo. Ambos fecharam os olhos entregues aquela maravilhosa sensação que não tinham há tanto tempo.

- Diz que você me perdoa Sesshy. - A voz suave de Rin chamou a atenção dele.

- Perdôo se você também me perdoar. - Respondeu. - Acho que você não foi a única a cometer erros nessa história e a ter problemas para lidar com certas emoções. Eu lamento que minhas ações tenham feito você sofrer. Não era minha intenção. - Rin voltou a beijá-lo, dessa vez levemente.

- Nós dois cometemos erros e devemos superá-los juntos.

- Você está certa.

Os lábios se tocaram mais uma vez sedentos um do outro.

- Eu preciso tomar um banho. - Ele disse ao finalizarem o beijo utilizando um tom de voz suave e a viu envolvê-lo mais uma vez com os braços delicados não se importando nem um pouco com o suor que cobria o corpo dele. – Rin? – A chamou mais uma vez e finalmente ela o soltou e o fitou.

- Eu espero. – Respondeu finalmente. - Posso ir até a cozinha pegar um copo d'água?

- Claro que pode. - Respondeu e após depositar um beijo na testa dela a conduziu para fora da sala em que estavam caminhando pelo corredor.

Já no quarto Sesshoumaru se livrou das roupas que usava e foi até o banheiro onde logo depois de ligar a ducha se colocou debaixo da água quente. Seus músculos estavam enrijecidos não só por causa do exercício, mas pela tensão que a conversa com Rin causara a ele. Tê-la ali em seu apartamento depois de tanto tempo e querendo conversar, foi algo totalmente inesperado para ele. Seu coração disparou no exato momento em que a viu ali olhando para ele com aqueles vivos e brilhantes olhos castanhos.

Sesshoumaru pensava em todas as novas sensações que sentira naqueles minutos de conversa. Era impressionante o poder que Rin exercia sobre ele e ela sequer tinha consciência disso.

O homem pegou um dos frascos depositados nas prateleiras de vidro ali e despejou parte de seu conteúdo nas mãos levando-o logo depois aos cabelos. O cheiro agradável se espalhou pelo ambiente enquanto ele esfregava os longos fios. Ele ensaboou o corpo sentindo os músculos ainda tensos ao deslizar as mãos sobre eles.

Minutos depois o homem desligou a ducha, retirou o excesso de água dos cabelos e saiu do box embaçado pelo vapor. Pegou a toalha e secou o corpo e com outra secou os cabelos. Logo ele retornou ao quarto e viu Rin de pé olhando a paisagem noturna da cidade através da porta da varanda. Ela estava linda como sempre, vestindo calças jeans ajustadas ao corpo, uma blusa romântica de manga curta e botões na cor vermelha e um cinto grosso preto estava colocado sobre a peça acima da linha da cintura. Os sapatos de salto alto também eram pretos e davam um ar elegante ao conjunto.

Sesshoumaru foi até o closet onde escolheu roupas confortáveis e as vestiu, quando voltou Rin já havia saído da porta da varanda e em seus olhos ainda era possível ver certa tensão. Ela viu Sesshoumaru voltar ao banheiro e parar frente ao espelho sobre a pia, então se aproximou dele com passos lentos parando à suas costas.

- Posso ajudar? - Ela indagou após vê-lo pegar um dos pentes sobre a bancada de mármore branco. Em resposta Sesshoumaru entregou o pente a ela sabendo o que ela queria e Rin o pegou pela mão seguindo de volta ao quarto.

A mulher retirou os sapatos utilizando uma das mãos livres e os deixou cair displicentemente no chão, subiu na cama indicando que ele se sentasse a sua frente, ao que ele logo atendeu. Com as mãos delicadas Rin passou a pentear a longas madeixas prateadas que tinham um perfume maravilhoso. Ao mesmo tempo em que o penteava, Rin o acarinhava e Sesshoumaru tinha os olhos fechados aproveitando a sensação.

Quando a tarefa foi finalizada, a jovem voltou a abraçá-lo por trás tão apertado como se não quisesse se separar dele nunca mais. Sesshoumaru a puxou com delicadeza fazendo-a deixar suas costas e se sentar em seu colo. Ele a beijou de forma calma e minuciosa, sugando os lábios rosados e carnudos.

O homem se deitou de costas sobre a fina roupa de cama e a trouxe junto a seu corpo sentindo o calor dela. Continuaram se beijando matando a saudade do gosto um do outro, mas sem desespero ou pressa, apenas sentiam um ao outro. Finalizado o beijo os dois se encararam, o dourado e o castanho refletidos um no outro.

- Eu quase enlouqueci de saudades... – Ele declarou. - Você me deixou sem chão. - Rin verteu novas lágrimas ao ouvi-lo falar e ver a verdade na profundeza daqueles orbes dourados. Ele deslizou os dedos pelo rosto dela secando aquelas que não caíram sobre seu peito. - Eu quero muito que você entenda o quanto significa pra mim.

Rin deitou o corpo sobre o dele e sentiu seu abraço. A boca estava colada ao ouvido dele, dessa forma ele podia ouvir sua respiração entrecortada por baixos soluços.

- Eu te amo... eu te amo muito Sesshy. Eu não quero nunca mais me separar de você, nem por um minuto, nem um segundo sequer. - Disse extremamente manhosa e ainda chorando.

- Isso quer dizer que nós vamos viver grudados um ao outro vinte e quatro horas por dia? Como vai ser isso? - Rin não conseguiu conter o riso ao ouvi-lo ainda com o rosto escondido na curva de seu pescoço. Sesshoumaru ouviu o ruído familiar e que lhe agradava muito mais que o do choro. Ele a fez erguer o rosto para fitá-lo e o encontrou tímido, permeado por lágrimas ainda, mas estava lá.

- Eu já disse que prefiro vê-la sorrindo, não disse?

- Disse. - Ela confirmou.

- Então pare de chorar, por favor. Vai ficar tudo bem agora minha Rin.

- Você sabe que sou uma boba que chora por tudo.

- Sim eu sei. - Respondeu tocando o rosto dela. - Por que não vai tomar um banho e tirar essa roupa? Assim vai se sentir melhor.

- Eu vou. - Disse o beijando levemente e se movendo para sair da cama. Sesshoumaru permaneceu deitado enquanto viu a mulher caminhar até o banheiro já retirando o cinto que atava a blusa.

- Tem roupas suas no closet. – Ele falou.

- Tem? - Ela indagou voltando a aparecer na porta do banheiro ao ouvi-lo. Ele apenas confirmou com um aceno.

Rin voltou ao banheiro e sentiu um alívio tremendo ao se colocar debaixo da água quente que fez todo o seu corpo relaxar. Deus sabe como ela precisava daquilo após todas as emoções daquele dia. Naquele momento sentia o alívio por ter conseguido finalmente se reaproximar de Sesshoumaru, finalmente teria a chance de recuperar o tempo perdido com o amor de sua vida, quase desperdiçado por atitudes infantis e impensadas. Agora a jovem estava decidida a fazer tudo a seu alcance para mantê-lo no lugar de onde ele jamais deveria ter saído ao seu lado.

Momentos depois Rin voltava ao quarto, vestindo um top rosa e um shortinho da mesma cor próprio para dormir que de fato estavam dobrados em uma das gavetas do closet. Provavelmente esquecera-o ali durante uma de suas visitas. Ela apagou a luz do banheiro e caminhou até a cama se deitando logo depois ao lado de Sesshoumaru.

- Sente-se melhor? - Ele indagou enquanto se movia indo ao encontro dela.

- Eu estou bem agora que estou aqui com você. - Rin viu Sesshoumaru buscar seu colo como um garotinho indefeso. Ela o recebeu nos braços e o viu deitar a cabeça em seu peito, acariciou o rosto dele e os cabelos vendo-o fechar os olhos.

- Que bom. - Ele respondeu depois de algum tempo demonstrando estar sonolento.

Rin ficou admirando aquele homem. Ela o amava tão profundamente como jamais achou que fosse possível. Ele era o dono do seu coração, ela se entregara por completo a ele, corpo e alma e naquele momento, pensava, faria isso mil vezes se fosse preciso.

Não demorou muito e Sesshoumaru adormeceu no colo dela, sob as carícias dela. Ele respirava tão tranqüilamente e ronronava como um gatinho quando a mulher o acariciava na orelha. Ela sorriu e ajeitou-se de forma confortável na cama. Olhou para o relógio digital sobre o criado mudo e viu que era 00h05, voltou seu olhar para Sesshoumaru sorrindo mais uma vez ao ver a face serena dele.

- Feliz aniversário, meu amor. - O beijou levemente no rosto e depois apagou a luminária deixando o quarto completamente escuro de forma que ambos pudessem dormir confortavelmente.


Ok! Eu sei que algumas de vocês, ou melhor, todas esperavam um belo hentai nesse capítulo, mas eu optei por algo diferente.

Não fiquem decepcionadas. Lembrem-se, naquela madrugada se iniciava o dia do aniversário do Sesshy. Depois de tanto tempo de afastamento e visto que sempre é ele quem faz as coisas mais legais por ela, acho razoável pensarmos que nossa heroína pode fazer alguma coisa para surpreendê-lo, vocês não acham? Estou aceitando sugestões, apesar de já ter o próximo capítulo escrito.

Diante de tantos protestos resolvi acabar logo com o sofrimento dos dois, mas eles ainda terão conversar sérias sobre esse relacionamento que para ambos se tornou muito mais sério do que esperavam. Essa briga e o tempo separados serviu para alertá-los quanto a isso. Viram o quanto um é importante para o outro.

Agradeço muito a todos os comentários que foram feitos durante essa fase "ruim" da fic. Ela gerou bastante polêmica e eu adorei isso. Vou tentar causar mais polêmica de agora em diante.

Muito abrigada mesmo a todos os que estão acompanhando e aos novatos que surgiram durante o percurso.

Nossa! Agora me liguei que isso está parecendo uma despedida rsrsrs. Não se enganem ainda falta um pouco para a fic terminar e muitas emoções ainda irão ocorrer.

Beijos queridos!