Caleidoscópio
Parte 11 – O Embarque


Dois dias haviam se passado depois da última viagem... e nada! Nada de Hermione Granger despertar de seu sono profundo. Snape demonstrava sinais de exaustão e raiva. O que aquela garota tola estava pensando, afinal? Por que ela não voltava de vez?!

Ele teria que fazer nova viagem, mas antes foi até St Mungus verificar com os próprios olhos o estado clínico da mulher. Analisando friamente os fatos, tudo ainda poderia ser uma alucinação pregada pela poção que usava. A probabilidade de que tudo fosse apenas um delírio não estava totalmente descartada, muito pelo contrário: era meio a meio as chances de aquilo estar mesmo sendo real quanto apenas delirioso.

Chegando em St Mungus, Snape encontra o medibruxo Terry Boot, que parecia muito contente em vê-lo, mas o sorriso do jovem médico desaparece ao fixar sua atenção ao semblante pálido e doentio de seu antigo professor.

—Snape, você tem dormido e se alimentado direito? Sua aparência está péssima. Terei que levá-lo ao ambulatório para alguns exames.

—Não. Não vim aqui para me consultar, Dr Boot. – Snape lançava seu olhar mordaz ao medibruxo que apenas retribui com um olhar triste. Lidar com Snape era sempre muito difícil, pois ele sempre achava que estava certo e tudo bem.

—Sei, veio ver a Srta Granger... mas você tem que se cuidar, Snape! Não adianta você se preocupar com a saúde dela enquanto a sua se esvai desse jeito. Ela acabará acordando e não o encontrará aqui. É isso que quer?

—Apenas quero que ela desperte... o resto não importa.

—Mesmo? Então eu terei as coisas fáceis assim, sem um oponente a quem competir por ela? A terei somente para mim, sem uma pedra no caminho?

Snape parou abruptamente o caminho que fazia pelo corredor, acompanhado de Terry. Olha-o com raiva nos olhos, sua expressão piorada com sua aparência doentia.

—Do que está falando, moleque?! Por acaso anda tomando ácidos para se manter acordado em seu plantão?!

—Snape, vamos ver a Srta Granger, está bem? Tenho certeza que gostará de saber que saiu do estado de coma...

—O QUÊ?!

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Hermione mantinha-se sentada em seu habitual banco, ainda voltada para o lado esquerdo da plataforma. Mesmo estando de volta ao seu estado letárgico, ainda conseguia sentir o calor daquele momento, daquele beijo. Foi como flutuar por uma brisa morna. Jamais sentiu algo parecido, mesmo os dois curtos meses em que esteve com Harry.

—A diferença é que Harry não me amava... nunca amou.

Baixou a vista para seus sapatos de salto alto e bico fino. Ainda trajava o mesmo conjuntinho social de saia e blazer de cor salmão que usava no dia em que foi atacada por comensais em pleno centro comercial da Londres trouxa. Tudo se tornara mesmo muito diferente nos últimos oito anos... até mesmo sua vestimenta. Jamais se imaginava em roupas tão formais, passando dias inteiros trancafiada dentro de um sisudo e frio escritório, trabalhando no mundo trouxa.

—Quando criança queria ser dentista, como papai e mamãe... daí fui pro mundo bruxo e perdi tudo isso. Não restou nem mundo mágico, nem a mamãe e nem o papai.

Mas agora havia uma chance de mudar isso. Aliás, uma chance de dupla alternativa. Sua vida mudaria de qualquer forma, fosse qual lado optasse por seguir.

—Não sei o que há para mim adiante e esse desconhecimento é até excitante... mas se eu voltar...

Novamente lembrou-se do que viveu algum tempo antes nos braços de Snape. Aquilo era ainda mais incrível que crer que a vida é eterna... Severus a amava? Ao menos fora isso que ele disse. Não, não foram meras palavras! Ele demonstrou isso de uma forma maravilhosa que ela jamais poderia imaginar. Aquilo seria o Nirvana? Sentiu a paz em sua plenitude... seria essa a verdadeira essência do amor?

Mas ela própria não o amava e jamais, em qualquer momento, cogitou tal possibilidade. Mas também não o odiava... nunca o detestou. Ele era injusto e um sádico tirano na maior parte do tempo, e a irritou muitas e muitas vezes. Depois de ter passado por tudo o que passou, ela, ao menos, compreendia o porque de Snape ser como era... ele sofrera muito e o sofrimento tende a enrijecer as pessoas, uma forma de auto-proteção contra esse mundo bárbaro.

Na verdade, ela até o admirava, por tudo o que ele fez, não pelo que se tornou. E agora também entendia o quando de si mesmo ele deve ter abdicado. E fez isso por todos os outros. Fez com que pensassem que ele odiava a tudo e a todos, mas sempre protegeu, sempre lutou para que os outros ficassem bem. E agora, ele lutava por ela...

E mesmo com tanta dor e amargura em sua alma ele era capaz de amar assim, tão profundamente, a ponto de lutar contra as Leis Naturais e pôr a própria vida em xeque!?

Hermione escondia o rosto em suas mãos. Sentia-se envergonhada. Vergonha por sua fraqueza. Vergonha por ter sucumbido. Mas seus pais foram mortos de forma tão brutal... como esperava que se comportasse, como agisse? E se tivesse tido todo o apoio necessário de seus amigos...? Se tivesse conhecido o amor de Snape naquela época...?

Mas ele jamais se aproximou dela, nunca, sequer, haviam conversado alguma vez. O contato entre eles era resumidamente aluno-professor e militantes pela Ordem da Fênix. Nunca trocaram palavras que não fossem estritamente referentes a esses assuntos...

—Eu só tinha olhos para Harry, talvez não tenha percebido algo a mais vindo dele... ou de qualquer outra pessoa. Apesar de tudo eu era apenas uma adolescente mimada que só se preocupava consigo mesma.

Hermione levantou-se e caminhou lentamente para o lado direito da plataforma, o lado por onde passava o trem do regresso. Abraçando a si própria, relembra novamente o momento em que esteve com Severus. E ela teria isso se voltasse... Será que teria mesmo?

Não havia do que duvidar, afinal ele não estaria vindo até ela à toa, apenas para se mostrar herói aos olhos de alguém, mesmo porque isso não era de seu feitio. Ao menos, tinha a certeza de que Snape só falava ou fazia quando tinha plena convicção do fato. Era real, de verdade. Ela teria esse amor se regressasse, teria uma nova vida. Mesmo ela não o amando agora, não seria um empecilho, afinal, aprender a amar mesmo que por retribuição não deve ser algo difícil ou penoso.

Ademais, o futuro para todos é o mesmo: seguir adiante. Se ela não o fizesse agora, o faria algum tempo depois. Afinal, a única certeza da vida é a morte e dessa ninguém escapa. A tendência da natureza é sempre a evolução e o aperfeiçoamento. E ela não teria que temer se o futuro é esse. Ela não perderia a sua chance de se aprimorar, ela apenas adiaria.

E se tudo fosse apenas uma ilusão? De qualquer forma, havia apenas um jeito de se descobrir isso. Uma decepção a mais não pioraria o que já estava bastante ruim. E se tivesse que retornar ao mundo mágico para isso? De uma forma ou de outra, esse mundo não deixou de existir apenas porque ela passou a ignorá-lo e ironicamente ela estava ali naquele Limbo por causa dele, mesmo tendo o evitado por tantos anos.

E mesmo que por muito tempo não quisesse admitir, mas os melhores anos de sua vida foram passados lá. E era lá que estavam as pessoas que a estimavam, mesmo que ela tenha lhes virado as costas.

Era hora de voltar. Encarar de cabeça erguida o que lá estivesse esperando por ela. E, de qualquer forma, a segunda opção sempre estaria ali, do lado esquerdo da plataforma, para sempre. E um dia, relutante ou não, iria seguir adiante.

A sua evolução estava assegurada pela natureza. A maior certeza da vida jamais lhe escaparia.

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Diante do leito de Hermione, Snape permanecia estático, admirando o belo rosto da moça que apresentava sinais claros de boa saúde. Sua face estava corada e não havia mais qualquer sinal de olheiras. Os cabelos estavam com um brilho extra e se espalhavam soltos e macios sobre o travesseiro. Seu semblante estava sereno e a impressão que se tinha era que ela estava mesmo apenas dormindo.

—Ela tem mostrado boa resposta aos estímulos aplicados em nossos testes. Não está consciente ainda, mas está tendo reflexos, e isso é muito bom. Há dois dias atrás, entre três e três e meia da tarde, ela praticamente despertou do coma.

—Mesmo?! – Snape olhava de súbito para Terry, seu olhar num misto de incredulidade e alegria.

—No mesmo horário da outra vez em que ela apresentou pela primeira vez uma reação. Ela abriu os olhos, por breves instantes. Sabe... algo me diz que o senhor tem alguma coisa a ver com isso, Snape.

—Como é que é? – Snape dirigia um sorriso cínico ao medibruxo. —De onde o doutor tirou essa brilhante idéia?

—Não sei ao certo... – Terry cruzava os braços e olhava para a parede branca, com um falso ar de sonso. —Talvez seja por causa do seu apego à magia negra, e também a sua súbita preocupação com a moça e porque eu acho ter ouvido você falar sobre fazer algo por ela...

—Realmente, brilhante conclusão, Dr Boot! Faz jus à casa da Corvinal. – Snape falava entediado, ainda com o sorriso cínico nos lábios. Por ele, pouco importava se descobririam ou não sobre suas viagens astrais.

—Que ironia... como as coisas mudam, não é Prof Snape? Ah, se ouvisse falar isso na minha época de Hogwarts... acharia que estava sob a maldição Imperius!

—Entenderei isso como um elogio, meu caro. Agora, com sua licença, voltarei para a sua antiga escola.

Snape já dava as costas à Terry, saindo, quando o jovem médico o interrompeu.

—Seja lá o que esteja fazendo por Hermione, isso o está consumindo, Snape. Cuide-se, professor. Será muito ruim quando ela despertar e não o encontrar aqui... o sujeito que a trouxe de volta.

—Você está aqui, não está? Como lhe falei, garoto, o importante é a vida dela de volta. Por mais que isso me desagrade, acho que você cuidaria muito bem dela.

Terry Boot permaneceu parado e sério, com os braços cruzados diante do peito, vendo Snape desaparecer pelo corredor de acesso à UTI. Voltando-se para Hermione, aproxima-se de seu leito, e toca levemente com a ponta de seus dedos a testa da moça, acariciando seu rosto. Com um esboço de um sorriso, lhe sussurra algumas palavras:

—Como conseguiu isso, garota? Como pôde fazer Snape amar alguém desta forma tão incondicional? Ele está totalmente entregue a você. Isso é incrível, sabia?

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Hermione estava novamente sentada no banco de espera da plataforma, perdida em pensamentos, quando sentiu, com grande alegria, a aproximação daquele calor tão confortante que lhe era já conhecido – e desejado.

Olhou, com um leve sorriso que a letargia ainda lhe permitia, para cima, vendo aquele homem alto parado ao seu lado. Hermione levanta-se para observá-lo melhor, e vê uma grande tristeza em seus olhos.

—Por que ainda está aqui, Hermione? – Snape falava calmamente, enquanto levava sua mão aos cabelos da moça, enterrando seus dedos entre os cachos. —Posso estar sendo ridículo e tolo, mas esperava que você voltasse.. por mim.

Hermione não respondeu de imediato. Tudo o que ela queria era que aquele momento de antes de repetisse. Com um passo, aproximou-se de Snape, abraçando-o pela cintura e pousando o rosto em seu peito. Fechou os olhos para sorver ainda mais aquele precioso calor, aquele momento. Snape retribuiu o abraço, apertando-a ainda mais contra si. Ela lhe era tão real e concreto que sentiu seu perfume. Era a mesma fragrância de quando ela ainda era uma menina, a mesma da época em que estivera na Ordem da Fênix, a mesma da Hermione que jaze em sono profundo no hospital.

Snape escondeu o rosto sobre os cabelos de Hermione, fechando os olhos para poder captar todas aquelas emoções e sentimentos que pairavam sobre ambos naquele momento.

—Eu... estive analisando a situação, ponderando qual a melhor opção a seguir. Não sei quanto tempo passou...

—Muito tempo... – Snape respondeu num sussurro, sem levantar o rosto ou sequer abrir os olhos. —... tempo demais para estar longe de todos nós, Hermione... tempo demais para ainda vê-la naquele leito.

—Eu já me decidi, Prof Snape...

Snape nada disse, manteve-se abraçado à Hermione, com o rosto sobre seus cabelos. Apenas abriu os olhos e ficou na expectativa para ouvi-la completar a sua sentença.

—Desculpe-me por não amá-lo.. por jamais ter percebido isso de você... mas eu retornarei... e retornarei por você, Severus...

Apertando-a ainda mais contra o corpo, Snape respira profunda e lentamente de alívio. Começa a beijá-la, descendo seus lábios pelo rosto de Hermione até encontrar os lábios dela. Desta vez, o beijo fora ainda mais caloroso e apaixonado do que fora o primeiro. Era como se fosse o último, como se fosse uma despedida...

Um silvo agudo vindo dos trilhos anunciava a chegada de um novo trem na plataforma. Antes que ele aportasse ali, Hermione e Severus cessaram o beijo, afastando-se um pouco um do outro. A moça estava com um largo sorriso no rosto, que parecia irradiar luz. Snape, apesar da sua presente exaustão, estava mesmo muito feliz, e esboçava um sorriso.

O trem parou ao lado direito da plataforma, anunciando sua chegada com um longo apito, abrindo, assim, suas portas.

—Já está na hora de embarcar, Hermione...

—É verdade.. mas gostaria de parar neste momento, para sempre, com você.

—Teremos muitos momentos como esse, se você quiser. Agora vá!

Hermione abraça Snape pela última vez, tendo seu abraço retribuído por ele.

—Obrigado por tudo, Prof Snape...

—Não é necessário agradecer, querida... eu te amo, muito!

Hermione afasta-se com um sorriso, dando as costas à Snape. Sem relutâncias, finalmente embarca no trem do retorno, que encontrava-se totalmente vazio. As portas do vagão fecham-se instantes depois da moça entrar. Hermione vira-se para olhar para Snape pelo visor da porta.

Snape acompanha a saída do trem até este desaparecer em segundos pelo abismo negro que se imagina ser um túnel. Ainda com um semblante tranqüilo e levemente sorridente, olha por cima do ombro ao sentir a já conhecida aproximação daquele ente que controla a passagem das pessoas naquela estação.

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Ao abrir os olhos, depara-se com um ambiente branco, mas mergulhado numa leve penumbra. Sentia a cabeça pesada e a garganta seca. Tentou levar a mão até o rosto, mas o braço pesava muito. Tentou fechar as mãos em punho, mas não tinha qualquer força para isso.

Aquele lugar lhe incomodava e sentia uma leve pontada nas costas. Sentia com se tivesse dormido por dias seguidos. Uma leve e enjoada enxaqueca começava a doer num ponto acima dos olhos. Reunindo toda a força e energia que tinha, apóia-se sobre os braços e, com muito esforço, senta-se na cama.

Respirando profunda e lentamente, tenta firmar a vista para observar o ambiente estranho em que se encontrava. Estava escuro e silencioso, então deveria ser noite. Olhou a sua volta e viu leves cortinas balançarem suavemente com alguma brisa que corria ali. Olhou para o lado direito da cama e viu uma mesa de cabeceira com um grande buquê de flores miúdas ornamentando o local que parecia muito desinteressante.

Olhou para o outro lado e viu uma igual mesa de cabeceira com um outro vaso de cerâmica que ostentava um lindo buquê de rosas e sempre-vivas. Haviam duas caixas embrulhadas para presente e, sobre estas, alguns envelopes.

Com certa dificuldade, vira-se sobre a cama, colocando os pés no chão, que toca sobre algo macio e felpudo. Estica a mão trêmula para alcançar os envelopes, levando-os até a altura dos olhos, para enxergar os escritos.

"—Para Hermione Granger..."

Apenas a sua curiosidade era maior que a sua letargia. E abriu todos os envelopes e mesmo com certa dificuldade viu que eram cartas e cartões lhe desejando melhoras.

—Margareth... Profª Minerva... Prof Dumbledore... Hagrid...

—Afinal, o que aconteceu comigo?!

Sentindo-se mais disposta e com suas forças se estabelecendo, levanta-se cuidadosamente e caminha pé ante pé até às cortinas, afastando-as. Viu que estava numa sala e havia outros leitos como o seu. Deduziu estar num hospital... e parecia ser St Mungus.

Um vulto branco parecendo surgir do nada, aproxima-se de si rapidamente, segurando-a fortemente pelo braço. Hermione assustou-se com a aparição abrupta e quase caiu, sentindo suas pernas se enfraquecerem.

—Srta Granger! Finalmente despertou! Venha, sente-se em sua cama. Você não pode sair fazendo esforço logo assim que acorda.

O homem ajudava-a a sentar-se na cama. E era verdade o que dizia. Não devia ter se movimentado tanto. Estava sentindo seus músculos se contraírem e comichão nos pés e nas mãos. Abraçou ao próprio corpo, sentindo-se com calafrios.

—Lumus!

Com um leve aceno de varinha, o espaço reservado do leito de Hermione iluminou-se de forma suave a aconchegante, mas que deixava o ambiente claro o suficiente para se estar nítido. O medibruxo conjura em seguida uma grossa colcha de linho de tom claro. Carinhosamente, envolve a moça que já tremia com um frio inexistente, ajoelhando-se no chão, para manter seus olhos nos mesmos níveis dos olhos dela.

—É maravilhoso que tenha despertado, Srta Granger! Estávamos torcendo muito por isso. E você nos deu muito trabalho, sabia?

—O que aconteceu? Por que estou aqui? – Hermione tremia muito e o medibruxo a fez deitar-se novamente, cobrindo-a com a colcha de linho.

—Logo conversaremos e responderei a todas as suas perguntas, está bem? Antes preciso chamar os enfermeiros. Precisamos cuidar da senhorita antes.

—Eu.. eu não quero ficar aqui sozinha...

—Não ficará. Eu voltarei o mais rápido possível.

O medibruxo se retirou apressado. Hermione encolhia-se sob a colcha, sentindo-se muito desconfortável com aquele espasmos e um frio que parecia não querer ir embora. Poucos minutos depois o medibruxo reaparecia acompanhado de uma mulher que carregava uma bandeja com uma garrafa e um copo.

—Eu disse que voltaria logo... vamos, você precisa beber isso, para sentir-se mais confortável.

O medibruxo ajudava Hermione a sentar-se novamente na cama, tomando o cuidado para que ela não ficasse descoberta. Alcança-lhe o copo com um liquido escuro e fumegante, ajudando-a a segurar o recipiente.

Com certa relutância, Hermione bebe todo o conteúdo, que tinha um agradável sabor adocicado. Em instantes sente seu corpo se aquecendo e o espasmo cessando. O medibruxo entrega o copo à enfermeira, que se retira de imediato.

—Como se sente, senhorita? – O medibruxo mantém um sorriso feliz no rosto, enquanto arrasta uma cadeira para sentar-se em frente à Hermione.

—Muito melhor... mas, o que aconteceu, afinal? Não consigo me lembrar de quase nada...

—É uma historinha um tanto longa... se você não se importar...


Fim do 11º capítulo - continua
By Snake Eye's - 2004