Parte 13 – Lembranças Desvanecidas


Hermione entrou na sala de visitas de forma autômata, pois ainda sorria ante a surpresa de ver que um bruxo de família tão tradicional quanto Terry Boot se afeiçoava tanto assim ao mundo trouxa. Também sorria pela gafe cometida; o mau de subjugar o próximo trás desses pequenos vexames.

Saiu de seus devaneios quando sentiu sua cintura e ombros serem envolvidos por braços que não sabia a quem pertencia até ouvir as primeiras palavras embargadas que lhe eram ditas bem próximo de seu ouvido.

—Filha! Filha! Merlin a proteja, minha criança!

—Oh, Minerva... – Hermione se emocionou com a demonstração tão calorosa e tão atípica de sua antiga professora de Transfiguração. Retribuiu ao terno abraço, envolvendo seus braços em torno do pescoço da velha feiticeira e, por todos os instantes em que permaneceu abraçada a ela, sentiu, com toda a veracidade do mundo, que abraçava sua própria mãe, a quem padecia de saudades eternas.

A Professora soltou-se do abraço e envolveu com suas mãos longas e finas o rosto de Hermione, mirando-a com alegria e muito orgulho de sua pupila que demonstrou mais uma vez ser maior e superior a muitos que conhecia.

—Eu cheguei a temer jamais vê-la novamente assim, querida... você quase me deixou doente, menina danada!

—Desculpa, Minerva.. mas juro que nunca tive a intensão. - A moça terminava sua frase com uma risada faceira, conseguindo arrancar um sorriso alegre da austera Minerva McGonagall.

—Então Hermione Granger, a prodígio bruxa descendente de muggles venceu a mais terrível das novas maldições. Não gostaria de contar a todos, através do renomado Profeta Diário a sua magnífica experiência, Srta Granger?

Hermione e Minerva viraram-se para a dona da voz que falava. Minerva, que já sabia do que se tratava, olhou para a mulher como se quisesse matá-la com a própria Crucius Kedrava. Já Hermione olhou inocentemente, até ser dar conta de quem lhe falava em tom de sarcasmo e entender exatamente o que a mulher dizia.

Rita Skeeter, envelhecida em uns 20 anos a mais que sua real idade, ainda mantinha seu ar esnobe do tempo em que reinava absoluta com suas reportagens difamadoras no jornal Profeta Diário. Voltara anos recentes à edição do jornal, mas sem a pompa de outrora, mas o simples fato de seu retorno fora suficiente para a antiga arrogância e sarcasmo aflorarem novamente.

Com sua pena de repetição rápida e um bloco de pergaminho em mãos, Rita Skeeter, com um sorriso irritável no rosto, aproximava-se das duas mulheres, pronta para escrever uma única sílaba que fosse pronunciada por Hermione.

—Como vai, Srta Granger? Já faze quase 15 anos que não nos vemos e por muito pouco não nos veríamos nunca mais.. conte tudo o que aconteceu à senhorita durante todos esses anos de reclusão, conte sobre o atentado a sua vida, conte como é sobreviver à Crucius Kedrava.. conte como foi presenciar a morte de seus pais, há oito anos...?

—Ora sua vagabunda! Como se atreve?! – Indignava-se Minerva em favor de sua pupila.

Hermione fechou suas mãos em punhos, sentindo seu corpo queimar com o ódio que surgia ao ouvir a voz da repórter, e segurou-se para não voar no pescoço da mulher quando ela pronunciou sobre a morte de seus pais.

—Professora McGonagall... – Skeeter fingiu indignação, como se não fosse comum a ela ouvir semelhantes ofensas. —A Senhora é um exemplo a nossa sociedade! Como pode dizer palavra de tão baixo calão como essa? Será que devo salientar mais uma vez de que eu poderia tornar essas ofensas públicas e ainda poderia processá-la por isso? Seria muito desagradável ver na manchete de primeira página "Minerva McGonagall, professora de Hogwarts, ofende com palav..."

Rita Skeeter é interrompida bruscamente com um quase grito de Hermione, que reverberou pela sala de visitas. A voz da moça era firme e autoritária, que fez a repórter recuar em dois passos, acuada.

—CALE-SE! COMO OUSA?! Quero que saia daqui, imediatamente!

—D-de-vo s-salientar também que este hospital é-é um lugar pu-público e que não há nenhum motivo justificável para a minha expulsão daqui, visto que não estou cometendo nenhum ato ilíc..

—VOCÊ É SURDA?! Saia daqui! Saia da minha vista! Não pense que durante todos esses meus anos de exílio eu me esqueci das barbaridades que escreveu sobre o assassinato de meus pais nesse odioso jornal em que mendiga!!

McGonagall segurava fortemente Hermione pelo braço, que havia avançado em dois passos na direção da repórter. A professora temia que sua pupila se exaltasse demais e tivesse uma recaída.

—Srta Hermione Granger! Sou uma profissional responsável e os meus leitores e a sociedade bruxa têm o direito de saber sobre tudo o que ocorre no nosso mundo e com nossa gente! A Senhorita não tem o direito de expulsar-me de onde quer que seja e menos ainda me impedir de escrever sobre a verdade, de dizer a todos sobre os fatos que ocorrem em nosso meio! – A mulher magricela de óculos enormes disfarçava sua relutância com uma pose soberba, como fosse uma criança com falsa bravura.

Neste momento, ao ouvir a discussão que vinha da sala de espera, Terry Boot, acompanhado de Severus Snape, que havia chegado junto com McGonagall, mas achou por bem não estar presente no momento em que ela se reencontraria com Hermione, entram na pequena sala, temerosos, principalmente, pelo estado de saúde da moça, que poderia sofrer uma recaída com tal exasperação.

Hermione mantinha sua pose altiva, olhando de queixo erguido para a reporte, que parecia reduzida a metade diante dela. A voz de Hermione era baixa e letal e seus olhos pareciam flamejar diante da mulher magrela.

—Vou lhe dizer algo sobre direito e deveres, Srta Skeeter: se escrever uma linha sequer a meu respeito, se ousar escrever os fatos de minha vida ou pronunciar uma sílaba sequer do meu nome, a senhorita sofrerá a maior retaliação que jamais imaginou. Eu a processarei em todas as instâncias que forem necessárias, eu a arruinarei tanto financeira quanto moralmente. E não vou apelar apenas para a infeliz justiça bruxa não! Recorrerei aos tribunais muggles, nem que para isso tenha que ser revelada a existência desse maldito mundo mágico!

Hermione aproxima-se perigosamente de Skeeter, que se encolheu ainda mais diante de uma Hermione Granger que ela jamais vira, tão diferente daquela menina metida e quase ingênua que ostentava o uniforme de Hogwarts. Hermione apenas a olhava de queixo erguido, baixando ainda mais a sua voz de modo que apenas a reporte podia ouvir.

—Eu duvido muito que você tenha regularizado a sua situação diante o Ministério, Skeeter... seria uma imensa alegria vê-la jogada à Azkaban, maldito besouro!

Rita Skeeter deixou-se cair sentada na mesma poltrona que antes ocupava. Estava muda de perplexidade, olhando de olhos arregalados para a mulher que estava diante de si, que jamais reconheceria sendo a mesma Hermione Granger, a aluna modelo de Hogwarts e o orgulho da Grifinória – ou vice-versa.

Hermione esboçou um sorriso mau, afastando com seus dedos longos e finos os cachos rebeldes que caiam em seu rosto, girando em seus calcanhares e voltando para junto de McGonagall.

Os espectadores, McGonagall, Boot e Snape observavam mudos a reação de Hermione. Para Minerva, isso já não era nenhuma novidade. O medibruxo mantinha-se estático e boquiaberto. E Snape, mesmo admirado, mantinha seu semblante inalterado, não deixando transparecer nenhuma emoção – que não eram poucas naquele momento.

Hermione curvou-se na direção do chão, buscando a sua valise que havia deixado aos pés de sua ex-professora. A garota sorria friamente para Minerva, que parecia, com seu olhar, aprovar totalmente a atitude que ela teve com a reporte.

—Estou com saudades do meu apartamentinho... será que agora podemos ir, Professora?

—Mas é claro que sim. Pensei em lhe poupar dessazinha aí.. – Minerva indicava, desdenhosamente, com um erguer de sobrancelha a Skeeter, ainda sentada e perplexa na poltrona. —..mas achei que seria melhor que você mesma a colocasse em seu devido lugar.

—A Senhora, às vezes, é maquiavélica, Minerva...

Hermione levou sua bolsa ao ombro e só então se deu conta da presença de mais duas pessoas naquela saleta: Terry Boot, que já havia voltado ao seu estado normal, plácido, aparentemente.. e Severus Snape, que a olhava fixamente, porém ainda mantinha seu ar soberbo.

Snape tinha suas dúvidas. E mesmo que tivesse a mais absoluta das certezas de que sua bem amada Hermione tivesse a plena consciência do que ocorreu durante seu coma, não seria ali, naquela saleta de espera de um hospital, junto a outras pessoas, que ele manifestaria qualquer reação ou emoção para com a moça.

Hermione, por sua vez, embora por efêmeros instantes quase imperceptíveis, perdeu-se no vazio dos pensamentos confusos ao ver seu antigo professor de Poções, Severus Snape. A expressão da moça se abrandara e muito, dando-a o mesmo ar juvenil de sua época de estudante. Seu coração disparou no compasso, mas não entendeu porque... medo, receio talvez? Isso seria estúpido, pois ela jamais temeu ao Mestre de Poções de Hogwarts como fazia quase todos os alunos daquela escola. Também jamais teve motivos para recear algo a respeito dele. Talvez tenha sido a surpresa de vê-lo ali, muitos anos depois que ela se exilou do mundo mágico.

Mas como se mergulhasse fundo em águas revoltosas, seus pensamentos se misturavam a imagens que poderiam tanto ser sonhos quanto lembranças. Como uma seqüência rápida de flashes de imagens que se confundiam umas às outras, como um filme de baixo custo onde as locações eram feitas no escuro.

Temendo estar sendo uma idiota, como se estivesse fascinada por algo que ela jamais viu em sua vida, Hermione tentou disfarçar seu embaraço, cumprimentando polidamente ao Mestre de Poções.

—Professor Snape.. é uma surpresa revê-lo aqui, justamente neste momento. Como vai o senhor?

Snape ouviu aquelas palavras naquele tom seco e frio com decepção. Não que ele esperasse que ela simplesmente pulasse em seu pescoço e cobrisse-o de beijos, o que seria simplesmente ridículo e inverossímil, mas, mesmo que não quisesse pensar nisso, a polidez com que Hermione se dirigiu a ele o magoou um pouco.

Mas aquele olhar dela para si... talvez devesse interpretar isso com algum otimismo e manter sua esperança de que ela se recorde de tudo o que ocorreu durante o coma e, principalmente, que ela não se arrependa da decisão que tomou, a de retornar a este mundo. E, se arrependendo, que ela não o odeie por isso, já que fora ele quem a convencera em tentar uma segunda chance.

—Muito bem, Srta Granger. E fico satisfeito em ver que minhas poções surtiram um efeito positivo na senhorita.

Hermione sorriu, mas um sorriso de cinismo, um sorriso de quem não gostou do que ouviu.

—Ah, claro! Que bom, não é? Satisfeito consigo mesmo. Como sempre, aliás. Bom saber que nem sempre tudo muda...

Snape franziu as sobrancelhas, aborrecido com aquelas palavras de Hermione. Terry apenas franziu o cenho, quase inacreditando em seus próprios ouvidos. Minerva, sentindo o clima pesado, passa o braço esquerdo em torno da cintura de Hermione, conduzindo-a para fora da sala de visitas.

—Bem, bem.. teremos mais tempo no futuro para colocar a conversa em dia. Agora vamos, Hermione. Vamos para casa que há muitos presentes lá para você desembrulhar.

Quando as duas mulheres saíram, Snape e Terry não se atreveram a acompanhá-las. Snape parecia decepcionado, porém, Terry Boot, que deveria ter ficado satisfeito com a indiferença de Hermione em relação ao Mestre de Poções, sentiu-se abatido com a frieza da garota.

—Talvez ela esteja confusa, Professor..

—Confusa com o quê, afinal? – Snape respondia ao medibruxo desdenhosamente, virando-se para Rita Skeeter, que apurava os ouvidos para ouvir melhor a conversa em meia voz dos dois homens. —E a senhorita deveria ir tomar um café, Srta Skeeter... está mais parecendo um fantasma com toda essa palidez.

Snape girou em seus calcanhares, saindo pela mesma porta em que passaram, minutos antes, Hermione e Minerva. Terry Boot, um pouco constrangido, apenas se vira para Skeeter, afirmando a sugestão de Snape.

—...aah, e coloque bastante açúcar no seu café, Srta Skeeter. A senhorita está precisando de muita glicose. Se ainda estiver abatida depois disso, dê uma passadinha lá na enfermaria, ok?

Terry despedia-se com um sorriso maroto, saindo também da saleta de visitas.


A viagem de St Mungus até o apartamento de Hermione não levou uma hora sequer, embora as duas mulheres teriam chegado muito antes se tivessem simplesmente aparatado. Mas, respeitando a antiga decisão de Hermione em não usar magia e ainda temendo que a moça se esgotasse demais em desprender tanta energia na dobra espacial, as duas apenas fizeram a viagem de metrô.

Hermione foi praticamente calada durante toda a viagem, estranhando a familiaridade com tudo. Não parecia, para si, de que ela dormira por tanto tempo. Era como se tivesse vivido normalmente os dias anteriores quando ainda estava em coma. Entrar na estação do metrô lhe trazia uma pequena sensação de déjà vu, mas isso era mais que óbvio, pois utilizava-se desse meio de transporte, embora não freqüentemente.

Ao entrar em casa, Hermione já foi jogando sobre o sofá branco da sala sua valise e arrancando dos pés seus sapatos de saltos e bicos finos. Era um alívio sentir sob seus pés a maciez do tapete de lã felpuda que adornava o centro da sua sala de estar, entre seus sofás e mesa de centro. Ainda mantinha-se muda, o que incomodava muito à Minerva, mas que não se atrevia a questionar a moça. Sabia o porque de seu silêncio.. ao menos suspeitava o motivo.

Daria-lhe todo o tempo que necessitasse e, assim como sempre fora desde que decidira-se a "adotar" Hermione como a filha que jamais teve, esperaria que a garota, com sua boa vontade e livre de qualquer pressão, a confidenciasse as aflições de sua alma.

Hermione, depois de manter seu olhar perdido pelos felpos do tapete branco, vira-se para McGonagall, olhando-a por sobre o ombro, como se esperasse que ela dissesse-lhe algo, adivinhando as dúvidas que comprimiam seu coração naquele momento.

Obviamente que sua ex-professora não era capaz de enxergar as agruras de seu coração, quando ela mesma era incapaz de compreender o porque daquela aflição, daquela quase mágoa de quem deixa pendente algo importante.

—Minerva, eeh... – Hermione se calou novamente, pensando se era uma boa hora para levantar dúvidas sobre os dias em que esteve de coma, achando que o melhor talvez fosse dar tempo a si mesma. —aah.. nada! Não é nada...

—Hermione.. você precisa descansar mais, querida.. que tal um longo banho de banheira e um delicioso chá quente com bolachas? – Minerva sorria maternalmente para a garota. —Vá pra cama, se acomode e levarei o lanche e poderemos conversas mais tranqüilas, o que acha?

Hermione sorriu e assentiu com a cabeça, retirando-se para o seu quarto. McGonagall, sozinha na sala, expulsa todo o ar de seus pulmões num único expiro, deixando que seus ombros relaxassem da tensão.

—Seja lá o que tenha acontecido durante o coma, não sou eu que tenho que esclarecer algo... sequer saberia o que dizer.. talvez ela jamais acredite nessa história de estação entre dois mundos...


Dentro da banheira alongada de porcelana perolada, Hermione ia relaxando ao sentir o perfume e textura da espuma que a cobria por inteira. Havia muito a se pensar, retomar sua vida como se nada tivesse acontecido, mas, estranhamente, tudo que vinha a sua mente era a imagem de seu ex-professor Severus Snape. A última vez que o viu foi há oito anos, durante as investigações do Ministério da Magia sobre o assassinato de seus pais, depois disso, sequer tinha ouvido novamente o nome dele e juraria até que se esquecera de sua existência, mas...

—Por que essa sensação de ter estado com ele há pouco tempo...? – Sussurrou para si própria. —Por que... por que essa súbita afeição?? – Hermione assustou-se com suas próprias palavras, levando as mãos ao rosto como se a esconder-se.

Meneou raivosamente em negativa sua cabeça, como se quisesse apagar aqueles pensamentos estranhos, aquela idéia de carinho para com um homem arrogante e inexorável como Severus Snape... nem o fato de ter permanecido em coma por dias, nem a sua ciência de saber que sobreviveu a uma maldição horrenda, nem sua recente discussão com Rita Skeeter estavam povoando seus pensamentos quanto aquele ocasional reencontro com seu ex-professor, justamente uma pessoa por quem jamais teve, sequer, alguma simpatia.

Por que aquela aflição e desejo louco de estar com ele, como se lhe fosse necessário, como se tivesse acordado daquele sono de morte apenas para ficar ao lado de Snape?!

Nervosa, Hermione levantou-se da banheira num rompante, derramando água e espuma por todo o box. Sob o chuveiro, gira a torneira e deixa cair com força a água quente sobre sua garganta, escorrendo para o resto de seu corpo. Definitivamente, ela precisava descansar. Um coma não é algo simples e possivelmente sua mente estava sofrendo alguma perturbação neuroquímica.


Enrolada num grande roupão branco e fofo, Hermione mantinha-se confortavelmente sentada em sua cama larga, que ocupava um terço de seu quarto. Recostada na cabeceira, apoiada nos travesseiros, a moça olhava calmamente para tudo, como se deliciando ao ver todas aquelas coisas tão pessoais, como se fizesse anos que as tivesse visto pela última vez. O quarto, bastante claro e arejado, era mergulhado num ambiente de cores pálidas, onde predominava o branco. A cortina de renda branca, que ia do teto ao chão, tremulava preguiçosamente à brisa que adentrava através da janela semi-aberta. Seus olhos pousaram sobre a poltrona que estava apinhada com pacotes coloridos. O criado-mudo ao lado da poltrona ostentava um lindo arranjo de flores silvestres. No chão, três pequenos vasos de cerâmicas com crisântemos e violetas.

Neste mesmo instante, McGonagall entra no quarto, carregando uma bandeja com xícaras, bule e um prato com biscoitos. A mulher coloca a bandeja ao lado de Hermione na cama, sentando-se em seguida e encarando a moça com um sorriso suave.

—Aqui está um lanchinho para agüentar até a hora do jantar que eu mesma prepararei. Não devemos descuidar da dieta que o Dr Boot recomendou para você.

À menção de Boot, Hermione sorriu involuntariamente, e tentou disfarçar voltando seus olhos aos pacotes sobre a poltrona. Mcgonagall acompanhou o olhar da moça, encontrando os presentes que ela mesma amontoou ali.

—Não quis abri-los? São presentes de seus amigos, todos que se preocupam com você e querem o seu bem... tantos os daqui quanto os de 'lá'...

Hermione deu uma risadinha baixa de cinismo antes de responder.

—Não tenho tantos amigos assim.. aliás, tirando a senhora, todos não passam de apenas conhecidos ou colegas de trabalho. Isso, provavelmente, é apenas para fazer média, uma forma de serem comentados nem que seja uma única vez.

—Você está muito enganada quanto a isso, Hermione. Ao menos, eu posso lhe assegurar de que os bruxos e bruxas que desejaram a sua convalescença foram sinceros, que realmente gostam e se importam contigo.

Impaciente, Hermione balança sua mão em direção à professora, como se quisesse que ela se calasse imediatamente.

—Está bem, Minerva.. não quero falar sobre isso agora. Acho que teremos muito tempo para conversar a respeito e tempo ainda maior para abrir os presentes.

—Você anda geniosa demais, menina! Será que eu estou a mimando demais?

—Não, é que.. me desculpe! É que não me sinto ainda a vontade para falar sobre o seu mundo e relembrar daquelas pessoas.. sei que estou sendo uma egoísta ingrata, mas... não era dessa forma que eu gostaria de me lembrar delas e... reencontrá-las... oh, deus!

Hermione levou as mãos às têmporas, curvando-se sobre si mesma. Novamente a imagem de Snape formou-se em sua mente e a sensação de ter estado com ele recentemente retornou com força total. O pior era a estranha vontade de estar junto dele, a saudade que a incomodava.

Mcgonagall, aflita, leva as mãos aos ombros da moça temendo que ela estivesse passando mal. Hermione a encara e simula um sorriso a fim de acalmá-la, provando que estava tudo bem consigo.

—Hermione! O que você está sentindo, filha?!

—Não é nada, Minerva.. nada de mais... aliás, não é nada fisicamente, é só que... – Hermione calou-se alguns instantes e não prosseguiria se Minerva não a interpelasse.

—'É só que' o quê? Existe algo que a está atormentando. Quer falar sobre isso?

Hermione permaneceu ainda muda por mais um tempo, cogitando a possibilidade de contar à McGonagall essas estranhas sensações.. talvez devesse contar apenas uma parte delas e assim se aliviar um pouco desses sentimentos estranhos.

—...é que.. tenho a nítida impressão de que não estive dormindo todo esse tempo e... algumas pessoas, eeh... é como se eu estivesse estado com algumas pessoas há pouco tempo, pessoas estas que... não vejo desde que me exilei do mundo mágico...


Fim do 13º capítulo - continua...
By Snake Eye's - 2005 (o primeiro cap de fic minha postado no ano!!!)


÷÷÷Felizão 2005!! Muita sorte, saúde e grana! Com isso, o resto é mole!÷÷÷


n/a: Depois de quase seis meses sem um novo cap, ei-lo aqui. E definitivamente, estou escrevendo que é uma droga. Tenho detestado tudo que tenho escrito nos últimos tempos e nem sei como poderei retornar à Animago Mortis dessa forma...

Meus contatos pelo mundo virtual (se é que vai conseguir aparecer nessa droga de formatação :/)

MSN: snakeunderlineeyesunderlinefanficsarroba (email do hotmail)

Y! Messenger: snakeeyesunderlinebrarroba (email do yahoo br)

Site: snake-eyes.iespana.es.


Agradecendo aos REviews! (tá meio bagunçado, mas é só até pegar o ritmo de antes...)


♥Shadow Maid♥

Não sei pq, mas a sua review foi cortada pelo meio - acho q vc realmente infartou, não?

Ninguém me deu o direito a sair de férias, mas forças ocultas me obrigaram a isso: as almas penadas e inspiradoras que zelam pela literatura dos míseros mortais como eu, me abandonaram! E diria que estou órfão e abandonado até agora, estou escrevendo só de teimosia e em consideração as minhas maravilhosas e salve-salve leitorinhas!

Ah, e como pode já comprovar, minhas férias não chegaram até a leitura das fics que amo de paixão e leio mesmo sob o mais terrível cataclismo pessoal-psicológico-social-debilmental.

Bjus!


♥Mki♥

Sabe que cheguei a cogitar a idéia de fazer uma fic com esse shipper, Terry Boot e Hermione? A admiração que ele demonstrou por ela no 5° livro é algo a ser - e muito - especulado... mas... snif... sem tempo e sem massa cefálica para tal... snif!

E espero, mesmo depois desses trocentos séculos sem postar nada de Caleid, vc ainda esteja querendo acompanhar a fic...

Beijoks do Snake


♥Lilibeth♥

Por vc ter desaparecido completamente da minha vida, creio que já não me acha coerente há mto tempo, não? É, eu mereço....

Não matei o Snape, como pediu. E não pretendia msm matá-lo... desde o início era pra ser uma fic SS/HG daquelas água com açúcar, mas aí conforme o tempo foi passando e fui me hardcorezando, deixei-a mais pesada, mas a idéia inicial não foi totalmente descartada.

Não sei se vc ainda me honra com a sua leitura, mas se ainda o faz, quero dizer que estou com saudades e mais uma vez pedir desculpas por meu momento machista casca-grossa...

Baci!


♥Greyce Granger Snape♥

Mil sorrys, GeGe Snape, mas realmente demorei e MUITO com essa atualização, então não pude atender ao seu apelo... mas, se vc se conformar com um simples "antes tarde do que nunca..."

Como já disse outras vezes em outras fics, posso demorar até muito na atualização, mas não abandonarei uma fic sequer, mesmo que eu esteja a detestando. Meto um final forçado, mas não deixo inacabada.

Pobre de mim, que não tenho a msm sorte com os autores de algumas fics que leio e amo...

Bjus!


♥Juliana Mioni♥

Oba-oba, leitorinha nova!!

Fico realmente lisonjeado em saber que uma fic minha serve como inspiração para a esperança de prosseguir em frente em busca de um sonho.. nossa, puxa!

E espero que esteja tudo legal contigo a essa altura, que tenha aparecido um cara inteligente em querer ficar contigo na boa!

Não sei se ainda vai demorar pro reencontro real da Mione e o do Snape, mas como estou disposto a terminar o quanto antes esta fic, é provável que seja o mais breve possível, vamos ver...

Beijos!


♥LoD♥

Nessa fic não é pra ser levado a sério as personalidades dos personagens, pois estão um pouco deturpados, mais fora do canyon que o normal, afinal a Caleid é a primeira fic que escrevo e ela ficou meio perdida nas idéias.

Bjokass


♥Lara Sidney Snape Croft♥

Demorei muito, mas continuei logo, heheh...

Bjus!


♥Sheyla Snape♥

Que blasfêmia! Jamais abandonei essa fic - embora eu tenha ficado tentado a tal... - apenas não conseguia escrevê-la, só isso.. É a minha fic menos preferida e ela está me passando meio atravessada pela garganta.

E será que, depois de seis meses, os leitores desta fic ainda estarão dispostos a retornarem para a leitura dela?? Espero que sim...

Bjus!


♥Fênix♥

Ow! Nova ameaça de morte! Ainda bem, pois já estava com saudades, faz tempo que ninguém me ameaça com violência e extermínio.

É, ela acordou e não se lembra de nada, fazer o quê? É que nem nós quando acordamos e muito mal nos lembramos do nosso ultimo sonho.

E se alguém vai contar a ela? Não, não sei se algo como isso deva ser contado como se conta uma novidade ou uma fofoca qualquer... talvez ela chegue a tal conclusão por si própria, então precisamos esperar pra ver como isso vai se desenrolar, não é mesmo?

Bjus!


Valews também para quem e, cruelmente, me privou de seu precioso comentário.

Abraçus de cobra para todos!

E um chocalhar de guizos também ;)