CALEIDOSCÓPIO
Parte 16 - A Vez de Harry e Rony.
Harry já havia recebido alta, mas não havia sido retirado do quarto onde ficara internado, pois ainda lhe faltava uma última medicação antes de ir embora, então foi para lá com Snape, fechando a porta logo que entraram. O rapaz acreditava que seria uma conversa rápida, afinal não queria detalhes e sabia que Snape não faria rodeios, então manteve-se de pé junto à porta.
—Não vai se sentar, Potter?
—Não. Quanto mais rápido falarmos, mais rápido resolveremos a situação de Rony. E precisamos ser rápidos, ele não tem tempo para esperar.
—Potter, a coisa não é nem simples e nem rápida. Não pense você que tenho em minhas mangas uma solução milagrosa para isso, que basta entregá-la e você poderá resolver tudo agora mesmo.
—Snape! Não estamos mais em Hogwarts, não ofenda a minha inteligência! Apenas não quero alongar isso como fosse um bate-papo entre amigos e.. acho que já estamos perdendo muito tempo! Você tem que me dizer o que fez para salvar Hermione! Dr Behrens disse que você fez algo por ela, e isso significa que também posso fazê-lo por Rony, desde que me diga como!
Apesar do tom de intimação de Harry, Snape não se deixou abalar, afinal já não possuía mais tanto orgulho burro a ponto de se irritar com uma pessoa em desespero, pois era assim que Harry estava: desesperado. Tinha certeza que ele seria capaz de fazer o mesmo pelo amigo que morria na UTI. O que deveria saber agora era o quanto teria de sua responsabilidade em entregar algo perigoso e proibido ao rapaz. Ele sabia lucidamente o que estava fazendo, mas talvez Potter não tivesse tanta consciência assim, principalmente porque estava abalado e perturbado.
—Então serei curto e grosso, Potter: a srta Granger estava em coma, literalmente entre a vida e a morte, seu espírito pairando nos dois mundos... o que usei foi uma magia, uma poção muito antiga de arte obscura, e fui até ela, através de uma projeção astral forçada e induzida, no 'outro mundo' e a convenci a retornar, uma vez que o corpo dela estava em boas condições vitais. Entenda apenas uma coisa, Potter: isso é extremamente perigoso, pode levá-lo à morte, como quase me levou! Tive uma parada cardíaca em meu último regresso! Você precisa estar plenamente ciente de que irá correr um grande risco de morte ao usar essa poção, garoto!
Harry ficou sem ar, estupefato. Caminhou como um sonâmbulo até o leito, sentando-se e levando a mão ao queixo caído. O que Snape lhe dizia era quase inverossímil, mas já havia visto o suficiente de magias para saber que aquilo poderia ser, sim, crível, e possível. Aliás, a Projeção Astral é tão possível e real que é até conhecida pelos trouxas e hoje é tratada como uma neociência, uma ramificação da Física Quântica, mas... o incrível era ver que Snape quase se matou para trazer Hermione de volta! Certamente ela valia uma tentativa, um sacrifício, mas... de Snape?!
—Eu... eu não... – Harry, quase num tom infantil, encara pasmado Snape, que ainda o fita de forma séria e tranqüila, porém densa. —...você fez isso por Hermione! Esse tipo de sacrifício só seria feito por alguém de nossa extrema importância, pois é dar a sua vida por ele! Não consigo crer que você, Snape... você...
Harry não teve coragem de terminar sua frase. Snape, por sua vez, o cortou seca e grosseiramente.
—A minha intensão por trás desse ato não lhe diz absoluto respeito, Potter! Preocupe-se apenas em ponderar se o SEU sacrifício seria válido para o seu amigo e... – Harry já ia protestar asperamente, mas Snape o interrompeu com energia. —... não é uma questão de honra e altruísmo, garoto! Falamos aqui de um risco real de morte, de arriscar a SUA vida por alguém que talvez sequer sobreviva aos ferimentos do corpo! Ronald Weasley ainda está vivo, mas seu corpo está em péssimas condições! Você pode fazer uso dessa arte obscura que lhe ofereço, mas seu esforço pode ser em vão se o invólucro corporal de Weasley não oferecer mais condições para manter seu espírito! Pense bem, Potter! Analise, pondere muito bem essa questão! Weasley está morrendo e você pode vir a morrer também ao tentar salvar algo que não tem mais salvação!
Snape sentiu-se amargo com suas próprias palavras e não queria ver mais Potter em sua frente e nem ver qual reação o rapaz teria com suas palavras. Eram palavras duras, ele sabia muito bem, mas era a verdade: Weasley ainda estava vivo, mas talvez lhe fosse melhor a morte, visto o estado em que seu corpo estava. Não havia nenhuma magia, nenhuma poção que fosse capaz de restaurar a sanidade à carne que foi destruída. A única solução drástica para isso seria um transplante múltiplo de órgãos, que também não era garantia de uma vida saudável e longa, SE houvesse sucesso na cirurgia... seja lá o que fosse feito, Ronald Weasley seria apenas mais que um vegetal...
Hermione parecia hipnotizada enquanto olhava a paisagem urbana através da janela de seu quarto. A leve cortina alva deslizava sobre ela com o vento quente que por ali entrava. Estava com seus pensamentos tão longe que parecia estar em outro plano, e, com tudo que aconteceu, a sua percepção de realidade havia mudado como se outras janelas tivessem sido abertas dentro dela. Aquele mundo palpável não parecia mais tão real quanto antes, e seus antigos conceitos lhe pareciam pueris diante de sua experiência quase-morte.
Minerva a observava silenciosamente da porta do quarto, segurando firmemente nos braços uma bandeja de chá. Apesar de não estar agindo sorrateiramente, estranhou que Hermione não tivesse percebido sua chegada; deu uns instantes ainda para a moça, mas a inércia dela a preocupava.
A mulher depositou a bandeja no canto inferior sobre a cama e com cautela foi até Hermione, segurando-a levemente pelo braço, fazendo-a retornar ao mundo real. Hermione a olha como se não a conhecesse, até que Minerva se manifesta:
—Hermione, querida! Minha filha, o que você tem?! Porque fica parada por horas, olhando o nada desta forma?! – McGonagall realmente a tratava como a uma filha.
—Eu não saberia explicar, Minerva... bem... a sensação que sinto é.. é como a que eu sentia quando meus pais... bem, quando meus pais morreram! Mas.. não há a dor e a angústia que eu sentia junto com essa sensação de... de que o mundo não é tão real quanto aparenta!
McGonagall sorriu um sorriso triste e compreensivo e perpassou seu braço esquerdo pelos ombros de Hermione e a conduziu até a própria cama, deixando-a sentada na beirada e já servindo-a com uma xícara fumegante de chá.
—Minerva! A senhora vai me deixar ainda mais intragável com tantos mimos! – Brincou Hermione, não conseguindo conter um sorriso de satisfação que esse tratamento lhe causava.
—Esse risco não é possível, Hermione, uma vez que você não tem nada de intragável! Você não perde esse hábito horrível de se autodepreciar! Essa coisa de 'intragável'... não aceito que Snape tenha lhe marcado com esse adjetivo pejorativo!
Minerva ralhou seriamente com Hermione, pois não gostava de vê-la se autodepreciar, mas acabou falando demais, não deveria ter tocado no nome de Snape...
Hermione se sentiu desconcertada e baixou a cabeça para a sua xícara de chá, que estava envolta em suas mãos. O vapor translúcido bailava ao subir até se tornar totalmente transparente antes de chegar ao rosto da moça, que pensava se deveria mesmo falar abertamente com Minerva a respeito de uma dúvida que a menção de Snape lhe trazia a tona naquele momento.
—O professor Snape tinha esse costume mesmo... de me chamar de "intragável sabe-tudo"... – Hermione sorriu tristemente ao se lembrar disso e outros tratamentos de Snape para com ela; uma mágoa repentina, já que nunca se importou verdadeiramente com isso. — ... e, tinha também o costume de me tratar sempre tão... secamente, quando militávamos pela Ordem da Fênix...
—E... – Minerva arriscou. — isso a incomoda ainda hoje, depois de tantos anos e de não haver nenhum vínculo entre vocês?
Hermione olhou rápido e assustada para Minerva, que mantinha sua expressão sisuda de sempre, mas a moça sabia que a velha maga estava jogando um verde para ela, sabia que Minerva queria algo ou não tocaria nesse assunto assim... possivelmente, mencionar Snape agora a pouco tenha sido até mesmo proposital.
Então, para que rodeios, para que adiar algo que seja apenas uma tolice e se livrar dessa dúvida que lhe oprimia?
—Snape... ele... teve alguma coisa a ver com minha recuperação, Minerva?
McGonagall estreitou os olhos e ergueu o queixo, avaliando a pergunta de Hermione. Sabia que era isso que incomodava a garota e faria o possível para tirar isso dela.
Harry passou uma hora inteira sentado em seu leito e olhando fixamente o céu nublado visto da janela. Em sua mão direita estava seguro um chaveiro com uma pequena replica de um pomo de ouro, que zunia as asinhas de vez em quando... um presente de Rony em seu aniversário de vinte e um anos, há muitos anos atrás.
O rapaz levantou-se, por fim, esticando o corpo e jogando a cabeça ao alto, olhos fechados, como se esperasse uma luz divina a cair sobre sua mente e lhe clarear com respostar exatas. Os segundo passaram e isso não ocorreu, mas uma decisão já havia sido tomada. Em passos decididos, Harry sai do quarto, batendo ruidosamente a porta, e igualmente decidido, vence o longo corredor repleto de ramificações de portas e outros corredores. Seu sexto sentido levaria até Snape.
Foram necessários cinco minutos para chegar até onde Snape estava, tranqüilamente sentado ao ar livre no pátio ajardinado do hospital, tomando, talvez, a sua décima xícara de café enquanto folheava uma grossa revista cientifica de medicina bruxa.
Harry parou mudo frente a Snape. Não era necessário palavras. Pelos olhos bravios e decididos de Harry Potter, Snape sabia qual a decisão que o rapaz tomara e sua resposta ao silêncio do moreno foi um assentimento leve de cabeça. E levantou-se, encarando-o no mesmo nível.
—O que fiz foi com a assistência constate de Alvo e Papoula, em Hogwarts. Não é algo que possamos espalhar aos quatro ventos e pedir auxilio a qualquer um. Eu o aconselho, Potter, de pedir auxílio ao Dr Behrens, discretamente, para que ele convoque um medibruxo de confiança para monitorá-lo. O problema da "viagem" não é a viagem em si; o problema é o retorno, ao menos que você tenha a sorte de retornar quando expirar o tempo da poção, mas, ainda assim, fazer uso desta poção por vezes seguidas, em intervalos curtos, inevitavelmente o levará ao envenenamento... ainda assim, quer prosseguir?
Harry sorriu: —Com toda a certeza, Professor Snape!
—Então... – disse snape, lentamente. —...providencie isso com Dr Behrens que irei até Hogwarts preparar a poção. Por precaução, eu lhe administrarei a poção e darei-lhe a assistência quanto ao uso dela. E se tudo correr corretamente, nas primeiras horas da manhã você poderá fazer 'a viagem'...
Harry a meio caminho de um sorriso, mas a incredulidade com o tratamento e oferecimento de Snape lhe tiravam qualquer ação.
—Snape... nem sei o que te dizer... – Harry arriscou, timidamente.
—Compartilhamos do mesmo ideal, Potter: salvar pessoas das Trevas. Não vá pensar tolices e achar que faço isso porque gosto de você ou do seu escudeiro.
Snape desaparatou em seguida e Harry apressou-se a entrar em contato com Dr Behrens Krokowski.
Hermione esperava apreensiva pela resposta de McGonagall, que desviou seu olhar da moça para um ponto quanto do quarto, inspirando fundo e falando por fim.
—Sim, Hermione, é claro que sim... Snape fez uso de poções para ajudar em sua recuperação...
Hermione deu um sorriso zombeteiro, para si mesma... afinal, o que ela esperava?
—É claro que sim, não é mesmo? É mais que óbvio! Não entendo porque certas vezes eu tenho um raciocínio tão distorcido! – Hermione se auto-censurou com raiva.
McGonagall olhou aborrecida para a garota, pois mais uma vez ela se autodepreciava, e uma atitude séria deveria ser tomada para mudar esse hábito de Hermione, que começava a se tornar muito contínuo.
—Eu já lhe falei, Hermione, para parar com esse hábito de se autodestruir moralmente! Não há nada mais pedante que alguém se fazer de vítima! Da mesma forma que se deve assumir erros e defeitos, deve-se ser honesto também em assumir seus acertos e qualidades, e você tem ambos em grande quantidade!
Hermione corou violentamente e voltou rapidamente sua atenção à xícara quase vazia de chá. Não só de mimos vivia McGonagall para ela, mas também de sermões como esse.
—Severus não apenas preparou as poções, mas fez muito mais, Hermione... – a velha professora prosseguiu, como se não tivesse havido uma pausa para a bronca. —... ele zelou por você, fez muito por você, se é o que quer saber para ter seu ego massageado! E seria muito educado de sua parte agradecê-lo por isso...
Hermione olhou boquiaberta para McGonagall, quase não crendo no que acabara de ouvir. Ia tomar satisfações e se aprofundar nisso que a professora acabava de lhe falar, mas foi bruscamente interrompida pelo som agudo e insistente – e irritante – da campainha que tocava longamente, sem pausa.
Fez menção em se levantar para atender a porta, mas Minerva foi mais energética e tomou a frente, mandando-a que ficasse descansada, esperando.
Instantes depois ouviu a porta se abrir e em seguida a voz estridente de mulher que falava muito rápido e animadamente. Antes que sua mente formulasse a quem pertencia tal comportamento e voz efusivos, rompeu pela porta uma loura alta e dramática que se agarrou num abraço apertado à Hermione que sequer teve tempo de se levantar da cama. A loura lhe falava com voz embargada, mas não dava pra dizer se embargada por choro ou riso histérico.
Definitivamente, era um riso histérico.
—Margareth?!
—Aaaah! Sua danada!!! Quase fico solteirona por sua causa! Como ousa cair doente quando estou prestes a me casar?!! Você é minha fada-madrinha! Só posso casar com Bob se você estiver presente!
Hermione sorriu com sinceridade. Era bom ser querida, mesmo que seja por uma perua histérica como Margareth!
Harry estava no gabinete asséptico do Dr Behrens Krokowski, que o olhava de forma penetrante e avaliativa. O rapaz já havia exposto seu propósito e agora aguardava a decisão do medibruxo-diretor se lhe daria a assistência que Snape afirmou ser necessária. Quando Harry estava para perder sua paciência – para ele cada minuto equivalia a uma hora! – Behrens levantou-se de sua cadeira e espalmou suas mãos sobre a mesa para dar-lhe apoio.
—Eu lhe darei toda a assistência necessária, sr Potter! Irei solicitar a presença de um medibruxo e o senhor poderá fazer uso de um dos quartos da enfermaria.
Snape fora imediatamente avisado e era alta madrugada, quase amanhecendo, quando ele aparatou em St Mungus trazendo consigo um frasco contendo a poção preparando, faltando apenas acrescentar um fragmento de Rony – como um fio de cabelo, por exemplo – e uma gota de sangue de Harry, que seria feito no instante em que o rapaz fizesse uso da magia.
Harry foi acomodado no mesmo quarto onde ficou internado dois dias antes, e estava na companhia de Snape e Behrens. Os três apenas esperavam o surgimento do medibruxo que Dr Behrens havia convocado para dar início ao experimento. Como cada minuto para Harry equivalia a uma hora, o rapaz estava impaciente, andando de um lado para outro no pequeno quarto, quando a porta se abriu e um rapaz de mesma idade dele entra.
—Dr Behrens! Desculpe a demora, mas precisei conseguir alguém para cobrir meu plantão no hospital muglle em que trabalho!
O rapaz adiantou-se para Snape, estendendo-lhe a mão em cumprimento e só então fitou Harry, que parou olhando-o de forma punitiva.
—Bom revê-lo, sr Snape! E... Harry Potter? Então será você quem fará o experimento?
—Sim, eu mesmo. – Harry respondeu secamente.
—Dr Behrens não nos havia dito que era você quem daria a assistência médica ao Potter, Dr Boot... – Comentou snape.
—Dr Terry Boot foi a melhor opção em que pensei, por ele ter cuidado da Srta Granger enquanto ela esteve aqui internada, e esteve a par de sua recuperação... – Justificou-se dr Behrens.
—Terry Boot...? Esse nome não me é estranho... estudamos na mesma época em Hogwarts, certo? – Indagou Harry, momentaneamente esquecido de sua "missão".
—Isso mesmo, sr Potter... – Terry respondeu meio ríspido. —Estivemos exatamente na mesma época, mas eu era da Corvinal... e fui um dos integrantes do ED...
—Ah! – Harry até tentou fazer uma força a mais para lembrar de detalhes do antigo colega, mas isso já estava além de seu alcance, visto que foi muito ele ter lembrando o nome e sua procedência. Snape resolveu cortar a conversa quase animada que estava naquele quarto, antes que todos se esquecessem o porque de estarem ali.
—Muito bem, já que todos estamos aqui, é melhor darmos início à viagem de Potter... e você tem plena ciência do risco que correr, não é Harry Potter?
—Snape... eu não sou mais um moleque... – Harry respondeu lentamente, enfatizando cada palavra. —Eu tenho plena consciência que eu posso morrer com essa loucura toda, e que Rony pode vir a morrer em breve e tudo pode vir a ser em vão e o desperdício de uma vida saudável e produtiva, que é a minha própria... satisfeito, professor? Ou quer que eu assine um documento em que eu assuma inteiramente minha responsabilidade?
—Vá se danar, Potter! – Snape pegou bruscamente a mão de Harry e com uma pequena agulha furou-lhe o dedo indicador, deixando que uma gota de seu sangue caísse dentro do frasco com a poção que já estava com um fio de cabelo de Rony.
Harry se assustou, mas sequer teve tempo de alguma reação. Rendeu-se quando viu a poção borbulhar e fumegar, e em seguida adquirir um tom verde escuro com cheiro apimentado.
Snape sorriu com escárnio, levando o frasco a altura dos olhos: —Então ainda há algo ofidiídeo em você, heim Potter? – O Mestre de Poções alcançou o frasco a Harry, que o pegou mas o olhava com grandes dúvidas.
—Ainda há tempo de recuar, Potter, se não se sente seguro para isso ou para confiar em mim.. ou em nós... – Provocou Snape.
Harry franziu as sobrancelhas, irritando-se com o tom debochado de Snape.
—Não confio inteiramente, mas não recuarei! – Harry, em seguida, virou o conteúdo quase todo num só gole garganta adentro.
Sentiu-se tonto no mesmo instante e deixou-se tombar no leito. Snape arqueou as sobrancelhas, estranhando o efeito repentino em Harry, mas nada disse e ajeitou o rapaz sobre a cama. Harry abriu a boca e engoliu grandes doses de ar, como se estivesse sufocando. Os outros três homens presentes ficaram muito apreensivos e Terry Boot sacou sua varinha de medibruxo, pronto para prestar socorro se Harry precisasse. Snape estava parcialmente debruçado sobre o rapaz, e sem dirigir o olhar para Boot, pediu para que aguardasse mais um pouco com um gesto, antes do medibruxo lançar um feitiço de primeiros-socorros.
Harry fechou parcialmente a boca, mas seus olhos esmeraldas mantinham-se arregalados. Respirava profundamente, de forma gradativa decrescente. A sensação que ele tinha, neste primeiro momento, é de que iria morrer: o formigamento em suas mãos e pés, um frio repentino a gelar seus membros, os sentidos se turvando – audição e visão sumindo. Para os que o observavam, ele estava apenas entrando em estado de inconsciência que levaria ao sono pesado.
As sensações estavam tão desagradáveis que queria desistir de tudo, queria gritar para que o trouxessem de volta, mas não tinha mais sua voz para fazê-lo, e a sensação de seu corpo sumia a cada instante, até que tudo parou e se tornou completamente escuro, sem luz, sem formas e sem sons.
Antes que o desespero se fizesse presente, sentiu sob os pés um baque pesado, como se tivesse pulado do alto de um muro. Seu corpo todo estremeceu e sentiu uma onda de calor, um vento quente a envolvê-lo como o colocasse no centro de um redemoinho.
E os sons e o ar e a claridade o invadiram como se acabasse de sair de um vácuo.
Harry abriu seus olhos e o que viu o fez desejar de não ter tentado essa loucura. Estava numa terra estranha, inóspita, quente, com labaredas de fogo que pareciam brotar do chão escaldante. A atmosfera era em tons de vermelho escarlate e faíscas voavam com o vento quente que soprava sem cessar. Pensou, então, estar dentro de um vulcão em atividade.
Fim do 16º capítulo - continua
Snake Eye's BR - Dezembro de 2007.
N/A: Depois do final de Animago, há uma semana atrás, trago um novo presente de Natal para vc: um novo capítulo de Caleidoscópio, que não recebia atualização desde 2005.
Com o fim de Animago Mortis, é esta fic aqui que é a bola da vez para ter continuação até seu término, sem interrupção por conta de outras fics. Será à Caleidoscópio que me dedicarei até escrever a palavra 'FIM' no último capítulo, que ainda não tenho previsão para quando, mas tentarei fazê-la sem rodeios e sem me desvirtuar da idéia original. Afinal, aprendi com Animago que não se deve enrolar para não perder o fio da meada, estender as pontas e deixá-las soltas, sem conclusões.
Espero que gostem deste capítulo, um presentinho a mais de Snake para o seu Natal de 2007 :)
E falando nisso, tudo de bom neste Natal! E tudo de maravilhoso em 2008 que já bate à porta!
Mta Luz, mta Força e mta Paz, a todos nós!
Mto obrigado por esperar e por tudo mais!
Snake ;)
