CALEIDOSCÓPIO


Parte 18 – Despedidas & Reencontros.


As primeiras horas da manhã enevoada já haviam passado quando insistentes pancadinhas soavam da janela da sala de Hermione, que neste momento apreciava um desjejum farto – e calórico – na cozinha preparado por McGonnagal e em companhia desta. Hermione limpava a boca com o guardanapo de pano e já ia levantar-se para averiguar o barulhinho nervoso, mas a sua ex-professora foi mais rápida e logo alcançou a sala, fazendo Hermione permanecer com seu desjejum e esperar por saber do que se tratava tal incômodo.

Tratava-se de uma coruja branca que trazia consigo um envelope em pergaminho tingido de branco com o lacre vermelho que indicava ser do Hospital St. Mungus. A ave deixou a correspondência em mãos de McGonagall e tornou aos céus, em vôo direto para de onde saiu. Pelos instantes em que levou para abrir a carta, Minerva tentou instintivamente adivinhar o que ali vinha escrito, o que não conseguiu, obvio, mas o que leu nem no temor de sua imaginação poderia ter previsto. Minerva sentiu-se lívida e deixou-se cair sentada no sofá próximo, com uma das mãos à boca e o coração em compasso nervoso. Hermione, estranhando a demora da professora em voltar à cozinha, foi ter com ela na sala, pois sua curiosidade em saber o que se tratavam as tais pancadinhas na vidraça a impacientava em ficar mais que alguns 60 segundos esperando por respostas.

Hermione encontrou Minerva lívida, emocionada em choque, olhando o nada à frente. A moça a alcançou em dois passos e se postou ajoelhada diante da velha maga, assustada com a palidez dela. Segurou em suas mãos macilentas e sentiu como estavam geladas, embora há poucos minutos estivessem bem aquecidas sob a xícara quente de chá.

—Minerva! O que aconteceu?! Por que está assim? São noticia ruins, não são? Por favor, Minerva, não me deixe nesta expectativa!

A professora desceu lentamente seu olhar para Hermione, ajoelhada diante de si, e, como se desanuviasse a mente, respondeu em voz embargada de emoção:

—Ronald Weasley... ele... ele morreu esta noite…


Harry estava sentado no pátio ajardinado de St Mungus, cabeça baixa e braços apoiados sobre as pernas. Estava desolado. Mais que desolado. Estava incrédulo com a realidade, estava repleto de perguntas cujas respostas não o agradava. Custava a crer que Rony estava morto e que não foi capaz de fazer nada para que isso não ocorresse.

E, ainda mais, custava crer, não queria crer de forma alguma, que Rony havia sido enviado para um lugar tenebroso como aquele em que viu – e também esteve – naquela viagem astral louca.

Levantou a cabeça e fitou o céu nublado que ameaça desabar em chuva torrencial. Se havia alguém acima daquelas nuvens que controlava as vidas e mortes das pessoas neste mundo, pediria a esse alguém que acolhesse a alma de Rony e não permitisse que ele permanecesse naquele lugar horrendo.


O Funeral foi preparado para a manhã seguinte ao óbito de Rony, tempo suficiente para avisar aos amigos, conhecidos e familiares. E antigos afetos, agora distantes pelas diversas razões. No final da tarde do dia anterior, uma coruja negra adentra a sala do apartamento de Hermione carregando em seu bico um envelope em pergaminho negro e letras prateadas. A moça, que no momento estava a sós, mantinha sobre seu colo um álbum já velho, onde havia fotos suas em época de Hogwarts, com seus antigos amigos e colegas...

Uma amizade tão intensa que terminou de forma também intensa – para ela – e, agora, definitivamente acabada para, pelo menos, um dos três do famigerado "Trio de Ouro". O vulto negro da coruja assustou Hermione, que se encontrava bastante sensibilizada pela notícia que tivera pela manhã de McGonagall, embora a distância do tempo e a mágoa guardada ajudassem a amenizar aquela dor.

A coruja não se melindrou e jogou a carta sobre o colo da moça, dando meia volta no ar e saindo pela janela aberta de onde havia entrado. O envelope cuidadosamente trabalhado e lacrado em cera prateada como as palavras do endereçamento, trazia o brasão dos Aurores entrelaçado pelo brazão do Ministério da Magia. Não precisou muito para adivinhar do que se tratava, mas ainda assim Hermione estava surpresa por ter recebido tal comunicado.

Não sabia dizer se se sentia bem ou mal por isso, de ter sido lembrada.

No interior, uma carta solene, igualmente escrita em letras sóbrias e prateadas, informava o falecimento de Ronald Weasley e a data, hora e local do sepultamento.

Não era momento para orgulho. Iria ao enterro, mesmo que ficasse por pouco tempo e de forma mais discreta possível. No fundo, sentia não merecer participar de tal evento, e prestar a despedida para aquele que fora um grande amigo.


O sepultamento seria às nove horas de uma manhã ironicamente suave e tranqüila, onde pássaros voavam cantarolantes por um céu azul emplumado de nuvens finas e esvoaçantes. O cenário se completava com a visão de um cemitério que mais era um imenso jardim verdejante, com arvores espaçadas bem podadas e canteiros multicores de flores que brilhavam ao sol pelas pequenas gotas do orvalho que ainda resistiam aos primeiros calores do dia. Não fosse pela placas retangulares feitas de argamassa e dispostas simetricamente pelo gramado do grande jardim, não se saberia que, de fato, ali era uma cidade de mortos.

Hermione estava constrangida por sentir não merecer estar ali. Estava completamente calada e soturna, andando cabisbaixa ao lado de McGonagall. Como não queria chamar a mínima atenção para si, trajava uma veste bruxa, longa, escura e quase sem nenhum adorno. Embora nessa época quase já não houvesse mais, visualmente falando, diferença entre bruxos e trouxas, principalmente entre os bruxos mais jovens, Hermione pensou que seria mais rapidamente notada se estivesse com suas roupas comuns.

Desde longe avistou um caixão negro suspenso numa mesa portátil, ladeado por cabeças flamejantes que se tornavam ainda mais intensas sob o sol amarelado da manhã de outono. Aos poucos foi localizando as pessoas que já estavam ali, reconhecendo algumas, outras não. Reconheceu Harry abraçado com Gina e ambos envolvidos por três crianças de tamanhos gradativos e, um pouco mais afastado das pessoas que rodeavam o caixão, estava Severus Snape, e Hermione estacou no ato seu caminhar, atraindo de imediato a atenção de Minerva que estava ao seu lado.

—O que aconteceu, Hermione? Não está se sentindo mal, está?

—N-não.. eu... estou bem... só que...

—Está com receios de como irão recebê-la, é isso? Deve ter em mente que você recebeu um convite oficial para o sepultamento daquele que foi seu amigo e que aquelas pessoas que ali estão têm muito mais com que se preocuparem do que criticar sua presença aqui. Seria uma grande indelicadeza de sua parte se recusar a prestar os pêsames à família Weasley.

—Não, eu não faria isso! Seria infantil e grosseiro de minha parte! Mas.. apenas... preciso de mais alguns minutos... se a senhora não se importar...

McGonagall não respondeu à Hermione, mas em troca deixou seu olhar desafiador. Ascendeu com a cabeça e continuou o caminho, agora sozinha.

Hermione torcia as mãos, que estava um pouco suarentas. Não entendia o porque de ser muito mais difícil rever Snape do que rever todos aqueles que ali estão, inclusive – e principalmente – Harry e a família Weasley.

Começou por controlar seu nervosismo. Não seria irracional justamente num momento como esse. Ergueu a cabeça e viu que Minerva já se encontrava com os outros bruxos e estava em companhia de Dumbledore, oferecendo os pêsames à mãe e ao pai Weasleys. Quando a moça esboçou o movimento de tornar ao caminho, uma mão pousou levemente em seu ombro, quebrando sua concentração. A aflição durou apenas alguns instantes até perceber que quem aparecera ao seu lado era o medibruxo Terry Boot.

—Não esperava encontrá-la aqui... fico realmente feliz por isso, pois indica que está perfeitamente curada.

—Sim.. eu... bem, eu recebi uma coruja me informando do.. sepultamento e... como você e todo mundo sabe – ou talvez saiba – Rony foi um... grande amigo e... eu não podia... não podia simplesmente ignorar isso... é horrível, sabe?

—Sim, eu sei... não fui o médico responsável pelo Ronald, mas eu estive com ele... ele não merecia isso... aliás, não creio que alguém mereça morte tão cruel...

Hermione baixou de pronto sua cabeça, sentindo os olhos arderem e a garganta travar. Rony sempre foi um grande idiota, mas, certamente, não merecia o que lhe aconteceu... por que ele não conseguiu sobreviver e se curar, como ela? Instintivamente, ergueu rápido a cabeça e seu olhar foi de encontro a Snape, que permanecia estático no mesmo lugar onde antes estava. Como se tivesse pressentido o magnetismo do olhar de Hermione, o Mestre de Poções lançou um olhar furtivo para a direção da moça que, mesmo querendo o contrário, sustentou aquele olhar. Respirou profundamente (cansada ou decidida - não sabia) quando Boot perpassou o braço pelos ombros dela, incentivando-a a prosseguir caminho. Hermione apenas o olhou de relance e assentiu de leve, tomando o caminho até o local do funeral.

O ar estava grave e pesado. Havia muitas pessoas ali, embora os Weasley se sobressaíssem mais pelos cabelos ruivos e por serem mais altos que a maioria dos presentes. Havia pessoas do Ministério, alguns professores e colegas de Hogwarts e outras mais que faziam parte do círculo social de Rony. Hermione se aproximou, junto de Boot, o mínimo possível do aglomerado, mas ninguém deu por sua chegada ou mesmo do medibruxo, a não ser, claro, Snape, que já espreitava de antes.

Um sino tocou ao longe e Dumbledore posicionou-se frente ao caixão, sobre um pequeno tablado. Faria o réquiem de Rony.

—Diante de todos nós jaz mais uma vítima que tomba por uma guerra sem sentido... mesmo após tantos anos que Voldemort fora subtraído deste mundo, nos deparamos com a insanidade em níveis ainda mais alarmantes, vinda de novos seguidores das Trevas, ainda mais tolos e cegos que os primeiros. Mais uma vítima da ignorância e cegueira, alguém que muito prestou tanto ao mundo bruxo como ao mundo não-mágico através de seu intensivo trabalho em prol da liberdade e paz de todos nós, bruxos ou não. Ronald Weasley se foi antes do tempo, mas deixou a certeza e o exemplo de que devemos lutar até o fim, quando o objetivo for o bem de todos.

—Ronald Weasley tomba como vítima, mas se eleva a altos patamares em seu heroísmo, que ficará para sempre em nossas lembranças e que servirá de esperança e confiança de que devemos lutar ainda mais por nossas tão almejadas PAZ e IGUALDADE!

O pranto da mãe Weasley, Moly, sobressaiu aos demais, e teve de ser apoiada pela família, embora Gina a tivesse abraçado quase que de forma possessiva. Hermione presenciava isso tudo com uma grande dor comprimindo o peito, e tudo parecia tão surreal que podia quase afirmar de que se tratava de um sonho.

O sino distante badalou mais algumas vezes. O vento que sobrava como brisa forte deitava a grama alta do cemitério, parecendo um mar em ondas verdes. O silêncio era quebrado apenas pelo soluçar, agora mais controlado, de Moly Weasley. Dumbledore deu um sinal aos dois coveiros presentes e estes foram lacrar o caixão para, enfim, sepultar.

A cova funda já estava aberta ao lado, e com um leve aceno de varinha o caixão de Rony foi erguido e depositado lentamente dentro da cova. Flores amarelas e brancas foram atiradas sobre o caixão, que acabava de ser depositado em seu último recanto. À permissão dorida de Weasley pai, a primeira pá de terra foi jogada, enquanto os presentes ainda ofertavam as flores que haviam trazido. Em poucos minutos toda a cova estava preenchida e, com o uso de magia, gramas verdes e brilhantes cresceram em instantes onde antes era apenas terra pura. A lápide retangular com o epitáfio foi colocada. Tendo por encerrado o sepultamento, Harry, junto com outros aurores, se reuniram em pares ladeando o túmulo e, apontando as varinhas para o céu, conjuram uma salva de tiros, cujas faíscas transformaram-se em pombas brancas.

Os presentes começaram a dispersar. McGonaggal voltou para a companhia de Hermione, deixada sozinha por Boot, enquanto ele ia oferecer seus pesares à família Weasley. Dumbledore foi em companhia de Snape, impedindo-o de ir embora de imediato, como já estava se preparando a fazer.

McGonaggall encorajou Hermione a se aproximar da família Weasley. A moça, muito constrangida, caminhou com Minerva até onde estavam Moly e Arthur. Os demais irmãos de Rony, Harry com Gina, só então perceberam que alguém estranho estava ali presente... estranho pela distância e pelo tempo que tornou uns e outros estranhos aos olhos. Alguns perceberam quase que de imediato que aquela moça soturna era Hermione Granger, outros levaram ainda algum tempo para isso.

Hermione parou frente à Moly e Arthur, evitando trocar olhares com quaisquer dos outros que ali estavam. Vacilante, finalmente externa seus sentimentos aos pais daquele que, um dia, lhe fora um amigo.

—Senhora e senhor Weasley... eu... eu realmente sinto muito o que aconteceu! Eu sei que... não tenho o direito de estar aqui, mas...

—Hermione... minha filha!

Moly abraçou calorosamente Hermione, que finalmente sucumbiu à dor, chorando ao ombro daquela mulher que enfrentava a pior coisa que pode acontecer à vida de uma mãe.

—Filha, você tem todo o direito de estar onde quer estar! Você tem o direito de se ausentar ou estar presente! Você foi a melhor amiga que Rony teve! Você fez muito por ele, querida, muito! Ele teria sido um grande preguiçoso e irresponsável se você não tivesse lhe mostrado o que é diciplina!

Hermione fechou com força os olhos, engolindo um pranto mais intenso. Controlando-se, afastou-se um pouco do abraço de Moly, para poder olha-la de frente.

—Senhora Weasley.. preciso lhe dizer algo... Rony.. ele.. ele não podia ter morrido! O mundo é injusto, muito injusto!

—Quem somos nós, minha criança, para sabermos o porque das coisas acontecerem como acontecem? Que conhecimento nós temos para saber se o mundo age de forma justa ou não. Isso foi uma fatalidade...

—Mas... eu.. eu estou aqui! Se eu estou aqui, Rony deveria também estar! Ele principalmente, ele deveria estar, deveria ter sobrevivido!

—Não entendo o que está dizendo, filha...

Harry se aproximou, expressão pesarosa, e olhou fixamente para Hermione, que retribuiu a atenção, e então percebeu que ele já sabia da história e que se perguntava a mesma coisa: por que não Rony e sim ela? Por que Rony, com tantos vínculos, família e amigos, não pode ter sobrevivido e ela, que está praticamente sozinha no mundo, e tendo apenas por afeta sua antiga professora de Transfiguração, mereceu o prêmio da sobrevivência à Crucius Kedrava?

Voltou-se para Moly. Distante, instintivamente Snape sabia o que ia ao coração de Hermione, e sentiu-se completamente exaurido de energias por saber que ela ainda mantinha os mesmos sentimentos enquanto estava na dúvida da vida e morte na estação de metrô do Limbo.

—Senhora Weasley.. eu... eu fui aquela vítima que sobreviveu, a primeira que sobreviveu.. assim como Rony, fui vítima da Crucius Kedrava!

—Oh meu deus! M-as, mas nós não soubemos de nada! Arthur, nem você soube disso?!

—N-não, Moly... eu não soube, ninguém soube a identidade da vítima sobrevivente! Foi estritamente confidencial! Jamais imaginaria que pudesse se tratar de... Hermione!

—Eu soube!

Arthur e Moly voltaram suas atenções para Harry, parecendo não crer no que o genro acabava de afirmar. Hermione, após quase dez anos, encarou aquele rosto – agora mudado – que já significou muito para ela... Era Harry, mas não mais o mesmo de anos atrás.

—Eu soube... – Harry tornou a falar, como se quisesse deixar claro que era isso mesmo que havia dito anteriormente. —Mas... soube apenas porque isso também aconteceu, porque... Ron também foi atingido pela maldição...

—E por que... não nos contou? – Gina perguntou num tom de indignação.

—Não houve tempo, Ginny... apenas não houve.. tempo...

Hermione, definitivamente, sentiu o peso do mundo em suas costas, o peso de uma culpa que não tinha, mas sentia possuir... o peso de ter sobrevivido quando parecia que o mais correto era o inverso disso.

—E por que o meu irmão também.. não sobreviveu?! – Gina falava como uma criança.

Snape já não suportava mais tal situação e achou por bem intervir, já que muitos estavam confusos e atordoados com a morte tão repentina e recente de Ronald Weasley. Mas, mesmo que estivessem confusos, doridos, não permitiria, de nenhuma forma, questionarem a sobrevivência de Hermione e sugestionarem que Rony é quem deveria estar no lugar dela.

—A Senhorita Granger usou de uma magia muito antiga e poderosa para impedir que a Crucius Kedrava surtisse total efeito sobre ela. Instintivamente ela criou uma proteção mental e, como dizem os leigos, "fechou o corpo" antes de receber toda a carga da maldição. Ao contrário, Ronald Weasley apenas alcançou esse recurso quando era tarde demais para seu corpo, que recebeu quase que completamente a carga da maldição... o máximo que ele conseguiu com isso foi adiar sua morte que se tornou inevitável. Se o seu corpo não tivesse sofrido tamanhas avarias, certamente ele ainda estaria conosco.

Hermione encarou incrédula a Snape e, por frações de segundos, todos haviam se tornado como vultos e o único nitidamente visível era seu antigo professor de Poções. Foi um dèjá vu, e sabia, então, ter vivido um momento semelhante.

A moça perdeu a noção do momento que se passou em seu exterior, quando deu por si, estava novamente nos braços de Moly Weasley. McGonagall estava ao seu lado e se preparava para leva-la embora dali... já houvera emoções demais para apenas poucas horas de um dia.

—Me perdoem, mas Hermione não está completamente recuperada e precisa permanecer de repouso por ainda algum tempo. Já tivemos emoções demais para um dia e todos nós já estamos indispostos para podermos conversar mais longamente... – McGonaggall disse isso já conduzindo Hermione para o caminho que leva para fora do cemitério. Moly Weasley se resignou, pois esperava levar Hermione para casa, junto com toda a família.

—Está certa, Minerva! Já tivemos por demais por ontem e hoje, todos nós! Mas, Hermione, assim que estiver melhor, vá nos visitar! Nada é mais como antigamente, mas ainda estamos aqui, não é mesmo?

Hermione apenas assentiu com a cabeça e segundos depois desviou sua atenção para Snape, que já dava as costas, indo embora.

O dia passou lento e morosamente. O dia da morte e sepultamento de alguém que é querido – ou conhecido – é sempre tão longo, como se não quisesse mais terminar. Hermione passou o restante do dia, apenas sentada em sua sala, voltada para a grande janela de vidro semi-aberta por onde entrava uma brisa fresca. Em seu colo um livro grosso que permanecia há horas aberto na mesma página. Hermione não esboçava nenhum gesto, nenhuma palavra, até que McGonaggall surgiu com uma farta bandeja de biscoitos, bolo e chá, depositando-a na mesa de centro, ao lado da poltrona onde a moça estava.

Hermione, silenciosamente, serviu-se de sua xícara de chá, até que teve coragem para fazer o pedido à Minerva, um pedido que já vinha ruminando desde a saída do cemitério, pela manhã. As horas que passou em meditação e remoendo os pretensos "sonhos" durante seu coma, fizeram-na chegar a essa decisão. Precisava de uma resposta, ao menos... por que ela conseguiu, de fato, sobreviver à maldição? E uma pessoa tinha essa resposta, embora ela desconfiasse que sua mãe-postiça sabia muito mais detalhes a esse respeito do que demonstrava.

—Minerva... eu preciso... eu preciso que você providencie um encontro para mim...

McGonaggall estranhou o pedido, mas evitou de fazer qualquer comentário engraçadinho ou provocador, dando o mesmo tom de seriedade com que recebeu o pedido.

—Um encontro? Bem, basta me dizer quem você quer encontrar que tentarei ver se consigo contatar tal pessoa...

—Sim, creio que consiga, sim... preciso falar com Snape... e você pode conseguir isso para mim, não pode?


Fim do capítulo 18 – continua.

Snake Eye's – Junho de 2008.


N/A: Desculpe-me possíveis erros, não tenho tempo pra revisão. Se houver, mais tarde eu corrijo :)

Muito obrigado a todos que leram! E muito obrigado a todos que deixaram review! Futuramente irei responder a todos, um a um.

Abraçus e tudo de bom!